Após ser criticado pela comunidade judaica, Weintraub diz que tem “o direito de falar do Holocausto”

Sem noção, Weintraub confunde desrespeito com liberdade de expressão

Naira Trindade
O Globo

Criticado por órgãos e indivíduos ligados ao governo de Israel por comparar a ação da Polícia Federal de quarta-feira, dia 27, à ação da polícia política nazista na Alemanha de Adolf Hitler, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, afirmou em seu perfil do Twitter no início da noite desta quinta-feira, dia 28, “ter o direito de falar do Holocausto” e que “não precisa de mais gente atentado contra sua liberdade”.

Na publicação, Weintraub disse não falar em nome “de todos os cristãos ou judeus do mundo”, mas que apenas fala por si só. O ministro afirmou ainda ser neto de católicos e de sobreviventes dos campos de concentração nazistas e ilustrou a postagem com uma foto.

“FALO POR MIM” –  – “Não falem em nome de todos os cristãos ou judeus do mundo. Falo por mim! Tive avós católicos e avós sobreviventes dos campos de concentração nazistas (foto). Todos eram brasileiros. Tenho direito de falar do Holocausto! Não preciso de mais gente atentando contra minha liberdade !”, escreveu o ministro no Twitter.

Nesta quinta-feira, entidades judaicas pediram um basta às declarações sobre o Holocausto. A Embaixada de Israel, em Brasília, postou no Twitter que “houve um aumento da frequência de uso do Holocausto no discurso público, que de forma não intencional banaliza sua memória e a tragédia do povo judeu. Pela amizade forte de 72 anos entre nossos países, pedimos que a questão do Holocausto fique à margem da política e ideologias”.

SEM COMPARAÇÕES – Pouco antes, o cônsul-geral de Israel em São Paulo, Alon Lavi, escreveu que “o Holocausto, a maior tragédia da história moderna, onde 6 milhões de judeus, homens, mulheres, idosos e crianças foram sistematicamente assassinados pela barbárie nazista, é sem precedentes. Esse episódio jamais poderá ser comparado com qualquer realidade política no mundo”.

Lavi também republicou mensagens do Comitê Judaico Americano, que é a principal entidade judaica dos EUA, da Confederação Israelita do Brasil (Conib) e do Museu do Holocausto de Curitiba.

O Comitê Judaico Americano repudiou a postagem feita por Weintraub, classificando-a como  “profundamente ofensiva aos judeus do mundo” e  “um insulto às vítimas e sobreviventes do terror nazista”. No Twitter, a organização ainda criticou a “repetida politização da linguagem do Holocausto por funcionários do governo brasileiro”.

PEDIDO DE DESCULPAS – Fundado em 1906, o Comitê Judaico Americano é uma das organizações mais antigas e influentes em defesa dos direitos civis de judeus e parte importante do lobby pró-Israel nos EUA. No mês passado, a associação já havia exigido um pedido de desculpas do chanceler Ernesto Araújo, que comparou o isolamento social para conter a Covid-19 a campos de concentração nazistas.

No Twitter em que comparou a ação da Polícia Federal de quarta-feira à ação da polícia política nazista na Alemanha, o ministro afirmou que a operação será lembrada como a Noite dos Cristais brasileira — um dos primeiros atos violentos cometidos por forças paramilitares nazistas contra judeus entre os dias 9 e 10 de novembro de 1938.

“Hoje foi o dia da infâmia, vergonha nacional, e será lembrado como a Noite dos Cristais brasileira. Profanaram nossos lares e estão nos sufocando. Sabem o que a grande imprensa oligarca/socialista dirá? Sieg Heil !”, escreveu o ministro, que ainda usou uma imagem nazista para ilustrar sua publicação.

23 thoughts on “Após ser criticado pela comunidade judaica, Weintraub diz que tem “o direito de falar do Holocausto”

  1. Weintraub é o segundo assessor de Bolsonaro a usar o nazismo como figura de explicação ou justificativa por atos condenáveis de suas próprias autorias!

    O ministro da (des)educação é tão absurdamente ignorante, destituído de qualquer condição para um papel de tamanha importância, que bastaria pronunciar a palavra nazismo para levar um pontapé na bunda e ser mandado embora!

    O medroso e covarde Waintraub mostrou o quanto é pequeno, ridículo intelectualmente, que atua em uma função onde até escrever ele não sabe(!), que desconhece o nazismo, e por completo!

    Não tem a menor ideia, além de não conseguir imaginar porque dotado de poucas luzes, o sofrimento elevado aos seus estágios mais selvagens e hediondos da espécie humana, enquanto o nazismo perdurou na Alemanha!

    Não sabe de nada, o Waintraub, uma bosta de ministro, que deveria – na ótica de Bolsonaro -, ser secretário da Educação ou de Dória ou de Witzel, um bosta e outro estrume, respectivamente.

    Literalmente a Educação no Brasil está cagada!

  2. Está correto o ministro … nenhum cidadão precisa pedir permissão a associações que se julgam donas dos fatos históricos para citá-los … essa gente não passa de bedel do pensamento alheio.

  3. Louco, débil mental, nunca deveria assumir um cargo de ministro, quanto mais da educação, este infeliz só abre a boca para falar asneira, é covarde, ficou em silêncio na PF, nem precisa, está tudo gravado, este país é leniente com este verme, que desculpem os vermes.

  4. Para atacar o governo até os israelitas foram aplaudidos pela esquerda.
    Naira Trindade para presidente!
    Marcelo Copelli para vice.
    CN para ministro da propaganda.
    Hehehehe
    Ieu si divirto.

  5. a COMPARAÇÃO DO MINISTRO WEITRAUB ESTÁ CERTÍSSIMA, SÓ FALTA EXIGIR QUE OS APOIADORES DO PR BOLSONARO PASSEM A USAR UMA HUMILHANTE ESTRELA (VERMELHA) EM SUAS VESTES, ASSIM COMO NA FACHADA DE SUA CASAS TAMBÉM.

  6. Prezado Pimenta,

    Se a esquerda aplaudiu a comunidade judaica porque esta protestou contra a infelicidade do ministro Weintraub nas suas colocações, quer dizer que sempre é a direita que tem estado ao lado dos israelitas, porém desta vez errou, e feio!

    Acredito que esse episódio extrapola a questão étnica e religiosa mas, aborda, indiscutivelmente – então a reclamação -, o período mais nefasto e hediondo da História da Humanidade, que foi a Segunda Guerra Mundial!

    Trazer à tona fatos tão perturbadores para quem os viveu, para quem sobreviveu, para quem testemunhou os horrores diários de um conflito que durou seis anos, convenhamos, o ministro da (des) educação mostrou-se insensível, apelando para o sofrimento alheio de forma absolutamente condenável!

    Eu diria mais, e o faço com autoridade moral para tanto:
    por mais que tentem amenizar o que disse o atabalhoado assessor de Bolsonaro, mais vejo como descaso as dores e sofrimentos atrozes dos que receberam, familiar e pessoalmente, a ira dos nazistas, que começou contra os judeus antes de Hitler ter sido eleito presidente da Alemanha!

    A perseguição nazista foi de cunho absolutamente racial, preconceituosa, odiosa, a ponto que está contido no livro que o austríaco escreveu quando preso, após o golpe tentado na cervejaria em Munique ter fracassado, intitulado Minha Luta, publicado em 1.925.

    Tá lá, explicitamente, a culpa que Hitler atribuía aos judeus pelos problemas germânicos, incluindo as suas ideias anticomunistas, antimarxistas e nacionalistas.
    Claro, a perseguição implacável pelos SA inicialmente, e depois pela SS aos judeus, temos de excluir como uma das causas da Guerra.
    No entanto, a morte de milhões de judeus literalmente assassinados, pois além do campo de combates e da própria guerra, pois mortos em campos de concentração e até foras deles, merece não só o nosso respeito e reverência, como considerarmos até onde a bestialidade do ser humano pode atingir!

    Enfim, a meu ver, eu entenderia como muito melhor e mais honesto – qualidades impossíveis de se verificar em quem é governo! -, que Waintraub pedisse desculpas, que humildemente pedisse perdão pelas suas péssimas colocações.

    Mas, arrogante, prepotente, ignorante, despreparado, uma pessoa inculta e incauta, logo, escolha correta na ótica de Bolsonaro para ministro do segmento mais importante no desenvolvimento de um país e do seu povo, a Educação, o mandalete cumpriu o seu papel!

    Causa-me espécie, no entanto, que Bolsonaro antes tão próximo de Israel, agora mostra-se distante.
    O que houve?
    Trata-se do segundo caso de ministros desse governo – Cultura e Educação! -, que usam o nazismo criminosa e irresponsavelmente!

    Não será por isso que Trump e Netanyahu se afastaram de Bolsonaro?

    Te cuida, Pimenta.
    O Brasil está perto de 30 mil vítimas fatais ocasionadas pela “gripezinha”.

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