Após visitar Bolsanaro, relator apresenta parecer favorável à adoção do voto impresso

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Charge do Kacio (kacio.art.br)

Camila Turtelli
Terra/Estadão

Aliado do presidente da República Jair Bolsonaro, o deputado Filipe Barros (PSL-PR) leu um parecer pela adoção do voto impresso e pela apuração dos resultados das eleições feita pelo papel. O relatório foi apresentado na comissão especial da Câmara sobre o tema nesta segunda-feira, 28.

A proposta é bandeira do presidente da República Jair Bolsonaro, que alega fraudes na urna eletrônica, sem apresentar provas. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, é contra a mudança, mas disse que irá adotá-la, caso o Congresso aprove. No fim de semana, 11 partidos se posicionaram contrários ao voto impresso.

PROJETO DE BIA KICIS – O parecer de Barros só deverá ser votado nas próximas sessões e tem como base a Proposta de Emenda à Constituição (PEC), da deputada Bia Kicis (PSL-SP), também bolsonarista. Após essa fase, precisa ainda ser aprovada em dois turnos no plenário da Câmara e depois no Senado. Para valer para as eleições de 2022, precisa concluir todas as etapas até no máximo um ano antes das eleições, ou seja, outubro deste ano.

Kicis e Barros tiveram um encontro com Bolsonaro no Palácio da Alvorada, na manhã desta segunda-feira, antes da apresentação do parecer e dois dias depois de presidentes de partidos se posicionarem formalmente contra a adoção do voto impresso. Os signatários do manifesto são do PSL, Progressistas, PL, PSD, MDB, PSDB, Republicanos, DEM, Solidariedade, Avante e Cidadania.

“Enquanto estiver em andamento o processo de implantação gradual, a apuração nas seções eleitorais equipadas com módulo impressor será realizada, exclusivamente, com base nesses registros. Nas demais seções eleitorais em que registro impresso do voto não estiver ainda implementado, a apuração ocorrerá com base nos registros eletrônicos”, diz o texto do relator. A apuração terá de ser feita imediatamente após o fim da votação, em cada seção eleitoral, segundo o deputado.

SUGERE O RELATOR – Apesar de desacreditar a segurança do sistema eletrônico utilizado pelo TSE no seu parecer, Barros propõe que a apuração dos registros impressos de voto seja automatizada e com utilização de equipamentos de contagem que permitam a verificação visual do conteúdo de cada voto.

A ideia do relatório de Barros e da proposta de Kicis é acoplar uma segunda urna às já existentes para guardar uma impressão, em papel, do voto registrado eletronicamente pelos eleitores. Esse registro poderá ser visto pelo eleitor, mas ele não terá acesso.

“No modelo proposto, o eleitor vota na urna eletrônica, que efetua o registro digital do voto, imprime o registro do voto e o deposita em urna indevassável, após a conferência pelo eleitor, sem qualquer contato manual”, diz o texto. O relator sugere ainda que os votos sejam depositados nesta segunda e nova urna de forma separada para cada cargo, como presidente, governador ou deputados federal e estadual.

6 thoughts on “Após visitar Bolsanaro, relator apresenta parecer favorável à adoção do voto impresso

  1. Afirmo com conhecimento de programação de computadores: o problema não são as urnas. A possibilidade de fraude está na soma, na totalização!

  2. Da mesma forma que no voto impresso, poderá ser fraudada na apuração e soma.
    O brasileiro é um povo estranho; muito estranho pois nem manter ou copiar o que está dando certo nós sabemos.
    PS: Temos uma sanha por destruir e ficar na lama.

  3. Em vídeo veiculado pelo TSE em fins de 2017 a tal urna proposta já existe. Sim, o voto é conferido e confirmado pelo eleitor, sem contato físico e cai em uma segunda urna, indevassável, colocada logo atrás da primeira urna. Esta proposta de mais de uma urna para cada cargo eletivo é sim um absurdo.

  4. ATENÇÃO PARA O QUE VOU FALAR!!!

    “No modelo proposto, o eleitor vota na urna eletrônica, que efetua o registro digital do voto, imprime o registro do voto e o deposita em urna indevassável, após a conferência pelo eleitor, sem qualquer contato manual”

    Se somente o eleitor teria acesso ao impresso, isso significa que a impressão ficará em local coberto pela Cabine, ou seja, fora dos olhos de terceiros, inclusive dos mesários, a fim de assegurar o sigilo do voto.

    Isso é muito temerário!!!

    O que garante que não haveria situação em que determinados eleitores, apoiadores, movidos por determinado interesse antidemocrático, com intenção de tumultuar o processo Eleitoral, não venha “malandramente” depositar um outro impresso na urna, trazido de fora da Seção, escondido na manga, a fim de tumultuar o processo Eleitoral?

    A urna pode ser indevassável, mas o problema está entre a urna e o comprovante impresso…

  5. A grande imprensa, prostituta de luxo da bandidocracia tucano-petista, tenta desesperadamente emplacar a mentira do “retorno ao antigo sistema do voto em papel”.

    O sinistro Lulu Boca de Veludo, que é também um fascistão enrustido, afirmou que “o voto deve ser secreto até mesmo para o eleitor”. É isso que o jornalismo venal e corrupto defende.

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