Apuração paralela cobrada por Bolsonaro já é feita com soma de boletins das urnas

Urna eletrônica

Charge do Duke (domtotal.com)

Renata Galf
Folha

A apuração dos votos para prefeito de Jaboticabal, no interior de São Paulo, ainda estava zerada no site da Justiça Eleitoral, mas, na cidade, um dos candidatos já comemorava enquanto outros reconheciam a derrota. O fato foi noticiado pelo repórter da Folha que acompanhou a disputa na cidade em 2020. A diferença de votos entre os concorrentes foi obtida por meio de apurações paralelas dos grupos políticos.

Isso é possível porque, ao final da votação, cada urna imprime um comprovante com o total de votos nela registrados, os chamados boletins de urna. Uma via deve ser afixada pelos mesários na porta de cada seção eleitoral. Também os fiscais de partidos podem requisitar uma via.

PEGAR E CONFERIR – “A gente tem um pessoal que fica nas escolas nos locais de votação”, conta Luís Carlos de Jorge, presidente do PL de Jaboticabal e que trabalhou na coordenação da campanha do candidato que acabou vitorioso. “No final, quando fecha a urna às 17h, cada um pega [o boletim] numa seção e vai conferir depois.”

Segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), foram usadas 143 urnas na cidade em 2020. Jorge afirma que, em geral, seu grupo consegue reunir pelo menos 90% dos boletins.

Ele explica que, coletados os registros, os fiscais seguem para o mesmo local e passa-se então à totalização, que pode ser feita no papel ou no computador.

RESULTADO RÁPIDO – Questionado sobre o objetivo da operação, Jorge diz que é para saber mais rápido quem ganhou. “Até que os boletins cheguem no cartório eleitoral a gente já tem mais ou menos a informação.”

E faz questão de ressaltar que confia no sistema. “A urna é segura. Eu fui eleito e não fui eleito”, adiciona. “Então não posso falar mal do sistema.”

Apesar de este não ser o objetivo citado pelo político para fazer a contagem paralela dos votos, a comparação das somas dos boletins de urna impressos com os resultados contabilizados pelo TSE permite auditar que tanto a transmissão quanto a totalização dos votos ocorreram corretamente.

EM TEMPO REAL– Neste ano, além dos boletins físicos na porta das escolas, o TSE anunciou que passará a divulgar os boletins na internet em tempo real —antes eles eram disponibilizados online três dias depois do pleito. Assim, mesmo em cidades maiores, será mais fácil auditar a contabilização no mesmo dia.

Apenas com uma parcela dos boletins físicos, é possível conferir por amostragem se o registro em papel bate com o online, e, na sequência, contabilizar o restante, sem necessariamente ter que ir a cada escola para recolher os documentos.

Ainda que não em tempo real, fazer essa conferência já era possível nas última eleições, já que tanto o boletim de urna impresso quanto o online poderiam ser acessados por qualquer pessoa.

BOLSONARO INSISTE – Apesar disso, em ameaças recentes ao processo eleitoral, o presidente Jair Bolsonaro (PL) repetiu discurso que já usou em outros momentos de que a apuração dos votos ocorreria numa “sala secreta” da Justiça Eleitoral.

“Quando encerra eleições e os dados chegam pela internet, tem um cabo que alimenta a ‘sala secreta do TSE’. Dá para acreditar nisso? Sala secreta, onde meia dúzia de técnicos diz ‘quem ganhou foi esse'”, disse o presidente.

“Uma sugestão é que, neste mesmo duto, seja feita uma ramificação, um pouco à direita, porque temos um computador também das Forças Armadas para contar os votos”, completou Bolsonaro.

SUGESTÕES MILITARES – Ao cobrar o TSE, em evento em abril, o presidente afirmou que as sugestões que teriam sido feitas pelas Forças Armadas seriam a maneira de confiar nas eleições. Algo que ele dizia antes em relação ao voto impresso.

“Todas foram técnicas. Não se fala ali em voto impresso. Não precisamos. Nessas sugestões existe essa maneira, para a gente confiar nas eleições”, declarou o mandatário na ocasião.

A realidade, contudo, é que o processo de transmissão e totalização dos votos já pode ser verificado e confrontado pela sociedade civil, como mostram as apurações paralelas realizadas pelos partidos.

UM BOM EXEMPLO – Em Jaboticabal, a título de exemplo, conforme noticiou a Folha em 2020, com 93% dos boletins contabilizados, a apuração paralela mostrava Emerson Camargo (Patriota) com 13.164 votos, seguido por Vitorio de Simoni (MDB), com 7.623, e Professor João (DEM), com 5.674 – os três primeiros colocados. Divulgados os resultados oficiais pelo TSE, o candidato eleito aparecia com 14.218 votos, e o segundo colocado com 8.275.

“Pelos percentuais que nós fomos coletando nos boletins, a gente já sabia quem ia ganhar. A gente já tinha uma amostragem da cidade”, conta Professor João, que assumiu a derrota antes do resultado oficial.

Seu grupo também se organizou para reunir os boletins da cidade, mas não terminou a contagem, dado que a quantidade de votos entre o primeiro colocado e os demais estava muito distante, considerando a distribuição dos votos em diferentes parte da cidade.

OUTRO EXEMPLO – José Fornari é advogado em Divinolândia, no interior de São Paulo, e relata também ter participado das contagens de boletins de urna nas duas últimas eleições municipais. Segundo ele, os fiscais são distribuídos pelas escolas e, encerrada a votação às 17h, eles começam a enviar cópias dos boletins para um grupo no WhatsApp e, em poucos minutos, obtém a soma de votos.

“Cerca de 17h15 a gente já estava com o resultado, senão o correto, muito próximo do correto. Já sabia quem era o ganhador e quem era o perdedor.” Em 2020, foram usadas 25 urnas em Divinolândia.

Ele conta que se envolveu com as campanhas depois de ter começado a fazer prestação de contas eleitorais. Em uma, seu candidato ganhou, na outra perdeu. “Nas duas vezes que a gente foi apurar, tanto na penúltima quando na última, o resultado oficial acabou batendo com o resultado extraoficial.”

DIFERENÇA PEQUENA – Em Santanópolis, município do interior da Bahia que usou 22 urnas, foi preciso contar todas os boletins recolhidos pelos fiscais de partido para cravar quem estava na dianteira. “A gente teve que repetir duas ou três vezes as contagens, porque a diferença era muito pouca”, afirma Vitor do Posto (PP), que terminou vitorioso, numa coligação com os partidos DEM e PSD.

“A gente fica no centro da cidade, aguardando esses relatórios chegarem e vai somando, temos uma equipe de cinco a seis pessoas para fazer e refazer a soma e não divergir.”

Na disputa anterior, o político diz também ter finalizado a contabilização. “Desde 2016, a eleição que perdi, tem batido certo [o resultado]. E nesta bateu novamente. Não teve divergência”, completa. “Eu acho as urnas totalmente seguras.”

É SÓ ANSIEDADE – Em Irará, também na Bahia, foram usadas 66 urnas na última eleição. Francisnaldo Xavier, filiado ao PSB, conta que seu grupo reuniu ao menos 80% dos boletins, o que permitiu afirmar quem era o ganhador, ainda que sem chegar ao total exato.

Ele era da coordenação da campanha de Derivaldo Pinto (PT), com quem seu partido estava coligado. “A gente não faz essa apuração para confrontar com a do TSE. A gente confia no resultado do TSE. É mais uma questão de ansiedade [pelo resultado].”

“Acho que é a primeira vez que uma pessoa que vence as eleições está desconfiado do sistema que ele próprio se elegeu”, avalia em relação ao presidente Bolsonaro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Muito importante e interessante a reportagem de Renata Galf. Demonstra como as urnas podem ser auditada com a maior facilidade, trazendo resultados totalmente confiáveis para as eleições majoritárias. E fica comprovado que as acusações feitas por Bolsonaro são apenas falaciosas, como se dizia antigamente. (C.N.)

11 thoughts on “Apuração paralela cobrada por Bolsonaro já é feita com soma de boletins das urnas

  1. Está ficando cada vez mais claro que o Bozo foi colocado no poder para fortalecer o sistema, não para combate-lo como pensam as bolsonaretes.

  2. O que está acontecendo pode ser reduzido a uma única palavra: MEDO. O boçal sabe que, desta vez, pode perder e não se conforma com isso. Ele sabe que fez um péssimo governo. Por que? Porque é um INCAPAZ !!!

  3. O sujeito é um alienado total. Depois de quase 28 anos mamando nas tetas e sendo eleito por meio da urna eletrônica ele não sabia disso?

    Ah, esqueci, a preocupação maior era com as rachadinhas dele e dos filhos.

  4. Reitero que penso sobre as urnas!
    Nos desgastamos, perdemos energias e tempo e não chegaremos a outro resultado.

    O perigo está no que colocamos nas urnas!

    O que precisamos enfrentar, urgentemente, se chama sistema partidário e eleitoral. E isto tem de partir do eleitorado e não dos eleitos!

    Três anos falando em urnas, e a reforma ficou para as “calendas”!

    Fallavena

    • Reforma Tributária
      Reforma Política
      Reforma Eleitoral

      Só ficou nos discursos….

      E a cada ano pagamos mais impostos para sustentar essa corja. de vagabundos

  5. A imprensa narco-socialista continua insistindo na inviolabilidade das urnas eletrônicas. Sinceramente, você entregaria o seu destino nas mãos de bandidos como Barrão Barrose, Fachistin do MST e Xandão do PCC?

    Para escrever uma matéria desqualificada como esta, a jornalista deve entender bulhufas de sistemas digitais. Fato indiscutível: as urnas eletrônicas PODEM ser adulteradas, de VÁRIAS maneiras, para que a FRAUDE ocorra DURANTE a votação. Neste caso, o boletim de urna é, também, fraudulento.

    A jornalista de aluguel sequer se deu ao trabalho de consultar a LEI eleitoral, que GARANTE aos partidos políticos o direito de fazer uma APURAÇÃO PARALELA (sim, contar os votos, de modo independente da contagem do TSE). É o que está escrito na LEI.

    Claro que os marginais vendedores de sentenças e mandatos do STF, com o apoio de jornalistas venais, estão C&A para a LEI.

  6. Vander
    Repito para esperar resposta!
    Como são as fraudes? Onde estão as provas?
    Quanto ao STF, é como o Minto quer! Ele trancou a lava-toga para salvar o filho e ele próprio. Sò não entendeu quem não quis.
    Assim, continuam os mesmos argumentos falaciosos!
    Fallavena

    • Sr Fallavena,

      “como são as fraudes”
      É um assunto técnico. Existem N maneiras de violação de um sistema digital, quanto mais complexo o sistema, maior o valor de N. O nosso sistema eleitoral tem muitas “fases”, em cada uma dessas fases é possível uma (ou mais de uma) quebra de segurança. Grosso modo:
      – na fabricação (montagem) da urna: adulterar as rotinas de baixo nível que controlam a comunicação entre o hardware (cpu, memória, etc) e o sistema operacional; instalar dispositivo de comunicação como wifi ou bluetooth, possibilitando o controle externo da urna.
      – adulterar o software instalado na urna (sistema operacional, biblioteca, programa de controle da votação);
      – interceptar a transmissão dos resultados parciais dos estados para o ‘bunker secreto’, adulterando os dados;
      – no bunker secreto, manipular a soma dos votos.

      “Onde estão as provas?”
      São milhares de denúncias de mau funcionamento das urnas.
      – O caso de Caxias, apresentado em extensa reportagem da Bandeirantes com centenas de evidências, é assombroso; o juiz eleitoral saiu fugindo da reportagem.
      – Os casos do Alkmin, que teve menos votos no 2º turno do que no 1º é suspeitíssimo, mas sequer foi constestado pelos tucanalhas; depois, teve a derrota do Poécio para a Dilma, em sua própria terra natal, algo tão improvável que os covardes tucanos resolveram investigar, chegando à conclusão de que o processo eleitoral brasileiro é INAUDITÁVEL (essa foi a palavra usada pelo então presidente do PSDB).
      – Pra encerrar, em 2018, houve a “invasão” do sistema do TSE, quando um hacker, usando a senha de um MINISTRO DO TSE, permaneceu durante meses bisbilhotando os computadores da justiça eleitoral, inclusive o servidor que guardava o código fonte dos programas da eleição, ninguém sabe o que ele adulterou, uma vez que o próprio TSE encarregou-se de “apagar os rastros” do invasor, deletando TODOS os registros de acesso ao sistema. Tudo isto está escrito nos autos do inquérito da PF, aberto a pedido do TSE e exposto à luz do sol pelo Presidente Bolsonaro. Neste inquérito, não foi feita nenhuma busca e apreensão, nenhum servidor de alto escalão do TSE foi inquirido, nem mesmo o ministro cuja senha era usada pelo “invasor”.

      Pra mim, a maior prova da manipulação das eleições por parte dos marginais do STF/TSE são as reiteradas violações da legislação eleitoral no sentido de tornar o processo auditável. Desde 2008 o tribunal recusa-se a cumprir mandatos legais sobre o tema, chegando ao ponto de declarar INCONSTITUCIONAL os votos impressos. Se alguém me apontar qual dispositivo da CR/88 que veda o voto impresso, pago uma ‘ceva’.

      Segue parte da intervenção do perito da Polícia Federal no plenário do STF, quando os urubus togados, apavorados pelas revelações, interromperam a sua exposição:

      O que disse o representante dos Peritos Criminais Federais:

      “A pertinência temática da nossa intervenção vem da resolução 23.550 editada pelo TSE que indica quais são as instituições competentes a participar do processo antecipado de fiscalização e auditoria dos programas de computador que compõem a urna. Dentre estas instituições está o STF e também está o Departamento de Polícia Federal, dentro do qual os peritos criminais federais com especialização em informática são aqueles que tem habilidade para interferir. E o fizeram. Participaram do teste público de segurança do sistema eletrônico de votação, teste este que foi composto talvez pelos maiores nomes da computação no Brasil. E o resultado foi que esses profissionais conseguiram sim, encontrar diversos vícios, diversas falhas no sistema eletrônico de votação. A título de exemplo, conseguiram esses profissionais fazerem ataques ao sistema de inicialização da urna, conseguiram gerar um boletim de urna falso. Conseguiram também obter a chave cripotográfica da urna. Conseguiram ainda, e o que é mais grave, recuperar a ordem do RDV, o Registro Digital do Voto, que garante o sigilo do voto. O que está a se dizer aqui é que a democracia do país não pode estar sujeita ao controle de alguns poucos técnicos que têm acesso ao código-fonte e a chaves criptográficas. É necessário haver um controle do controlador. Garantir auditoria ao próprio sistema eletrônico que se pretende ver se está sendo fraudado ou não, é garantir ao fraudador fraudar a própria auditoria. Assim, a impressão do voto permitirá que em eventual situação de dúvida a respeito da higidez do processo de escrutínio, possa haver efetivamente uma auditoria. O Brasil é o ultimo pais que ainda adota o sistema de RE sem a impressão do registro.” (Autos da ADI 5889/STF).

      • Vander
        Vamos imaginar que os técnicos tem razão e que as provas podem ser comprovadas.
        Uma das afirmações é de que, não havendo segurança, Bolsonaro não venceu no 1º turno. Mas venceu no 2º turno!
        Ora, então podemos supor que a eleição em que venceu Bolsonaro, pode ter sido fraudada?
        Por fim, por que Bolsonaro, ao invés de atacar as urnas, não encaminhou modificações por projeto de lei à câmara/senado, onde poderia aprovar as mudanças que garantiriam as próximas eleições?

        Vivi os tempos das urnas/votos de papel! Tinha gente que levava as urnas para casa!

        Independentemente do sistema que venhamos usar, só existe um possível de bloquear todas as trampas e mentiras!

        O voto impresso só garante a fidelidade se o eleitor receber cópia para levar!

        Um dia debateremos, presencialmente, estes temas.

        Fallavena

    • Sr Zanardi, qual parte da papagaiada o Sr não entendeu? Será que ao menos a dos peritos da PF que conseguiram:

      – encontrar diversos vícios, diversas falhas no sistema eletrônico de votação;
      – fazer ataques ao sistema de inicialização da urna;
      gerar um boletim de urna falso;
      obter a chave cripotográfica da urna;
      recuperar a ordem do RDV, o Registro Digital do Voto, que garante o sigilo do voto.

      Isso aí, Sr Zanardi, está registrado nos autos do STF. E, para descumprir a lei apresentada pelo então deputado Bolsonaro e aprovada com ampla maioria pelo Congresso, o que fez os marginais do STF? Disseram que o voto impresso É inconstitucional, supostamente por permitir violar o sigilo do voto. Note, Sr Zanardi, que os peritos da PF conseguiram recuperar o RDV da urna, exatamente o registro que permite VIOLAR o sigilo do voto.

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