Aquele maldito cafezinho…

Frase O homem que se vendeCarlos Chagas

Nos tempos bicudos do Estado Novo, Aparício Torelli, o Barão de Itararé, estava preso há quatro meses na Casa de Correção, no Rio, sem ter sido interrogado nem recebido qualquer comunicação judicial. Ele e mais alguns adversários do regime. Informado, o ministro Castro Nunes, do Supremo Tribunal Federal, decidiu resolver a situação e foi à penitenciária.

Entrevistou-se com os presos, ouvindo deles ignorarem porque lhes havia sido tolhida a liberdade, sem processo nem culpa formada. Quando entrou na cela do Barão, recebeu resposta diferente e singular: “A responsabilidade de minha prisão deveu-se àquele maldito cafezinho!”

O ministro zangou-se, disse não aceitar brincadeiras, mas o sarcástico jornalista insistiu pedindo para demonstrar. Contou que estava em seu gabinete, no jornal de sua propriedade, quando teve vontade de tomar um cafezinho. Pegou o paletó, desceu até o botequim mais próximo e depois de pedir o cafezinho, ia levando a xícara aos lábios quando um investigador de polícia aproximou-se, botou a mão no seu ombro e disse “o senhor está preso!”

“Só pode ter sido aquele maldito cafezinho”, completou o Barão.

Essa historinha se conta a propósito dos deputados e senadores submetidos a inquérito policial sigiloso junto ao Supremo Tribunal Federal, como envolvidos no escândalo da Petrobras. Todos têm argumentado que os milhões recebidos de empreiteiras foram utilizados em suas campanhas eleitorais, com o devido registro na Justiça Eleitoral e de acordo com a lei.

Entendem-se perseguidos pelo procurador-geral da República. Não estão ainda presos, denúncias não foram apresentadas por Rodrigo Janot, por enquanto, tornando-se necessário provar, ou não, que os milhões recebidos deveram-se a trocas de favores ou mesmo que saíram dos cofres da Petrobrás. Muita gente reclama da lentidão dos inquéritos, apesar de o Supremo adotar seu ritmo próprio. Mesmo assim, bem que o espírito do ministro Castro Nunes poderia pairar sobre seus sucessores para decidir sobre a sorte dos parlamentares atuais.

SEMPRE O CAFEZINHO

Aparício Torelli estudava medicina, em Porto Alegre, antes de tornar-se Barão, pois não tinha havido a Revolução de Trinta nem o confronto de Itararé. Era mau aluno, interessava-se muito mais pela política, e no fim de um determinado ano foi prestar exame sem ter estudado nada. Naqueles idos havia vetusto cerimonial, com os professores instalados numa bancada alta e os alunos tremendo de medo, embaixo. Na hora do nosso personagem ser inquirido, foi um fracasso. Não respondeu coisa alguma, exasperando o pomposo mestre, que em determinado momento dirigiu-se ao contínuo postado a seu lado e ordenou: “José, traga um monte de capim!” O genial futuro jornalista completou: “E para mim um cafezinho…”

One thought on “Aquele maldito cafezinho…

  1. Pois é, e o nome do Barão está nas mãos do PT através de um tal “Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé”, presidido por ninguém menos que Altamiro Borges, petista daqueles que rosnam e espumam pelos cantos da boca, e abriga colaboradores como Sader, Azenha, Nassif e outros apaniguados do governo.

    O Barão, coitado, que jamais seria petralha se fosse vivo, deve estar estrebuchando na tumba, pelo seu nome associado a essa gentalha.

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