Área econômica começa a deixar Michel Temer e aceitar Rodrigo Maia

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Charge do Miguel (Jornal do Comércio/PE)

Pedro do Coutto

Manchete principal da edição de O Globo deste sábado e matéria também de grande destaque no Estado de São Paulo e Folha de São Paulo, a área econômico-financeira do país – reportagem de Ana Paula Ribeiro, João Sorima Neto e Luciane Carneiro – começa a aceitar a transferência de poder de Temer para Rodrigo Maia, como caminho mais favorável ao atual panorama político do Brasil.

O afastamento do mercado do governo atual retira uma das principais bases de apoio que ainda sustentava o Planalto. Essa movimentação política, inclusive de acordo com Gustavo Uribe, Daniel Carvalho e Talita Fernandes, Folha de São Paulo, motivou até setores governistas que passaram a admitir o afastamento de Michel Temer do poder, mas a permanência da equipe econômica do Ministro Henrique Meirelles numa administração Rodrigo Maia.

DÍVIDA PÚBLICA – O principal ponto de vista dessa corrente governamental projeta-se na manutenção de Henrique Meirelles à frente da Fazenda. Com o afastamento do mercado, principalmente do sistema bancário, que é o principal credor da dívida pública brasileira, que já atinge, como escrevemos recentemente neste site, quatro 4,6 trilhões de reais, incluindo débitos dos Estados, Municípios e estatais, o presidente fica isolado, contando com o apoio apenas de deputados e senadores em margem restrita, ao contrário da maioria que o sustentava a partir do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

O atual governo vem sofrendo um processo de diluição através do qual perdeu, acredito, pelo menos 70% de seu poder e de sua base de apoio. Verifica-se esse processo inclusive pela iniciativa da direção nacional do PSDB, hoje nas mãos do Senador Tasso Jereissati, para que a legenda afaste-se da coligação que constituia a base parlamentar do Executivo.

AGRAVAMENTO – O processo crítico ainda tende a se agravar mais, a partir da delação anunciada do ex-deputado Eduardo Cunha. Portanto, em seu retorno de Hamburgo, na realidade Michel Temer encontrou um cenário ainda pior daquele que deixou ao viajar para a Conferência do G 20.

Sua manutenção no Planalto está praticamente por um fio. Sem maioria parlamentar, sem apoio do mercado, na véspera do relatório de Sérgio Zveiter sobre a denúncia de Rodrigo Janot, o atual  presidente da República ingressou no seu crepúsculo político.

O Palácio Alvorada parece que terá em breve um novo ocupante.

4 thoughts on “Área econômica começa a deixar Michel Temer e aceitar Rodrigo Maia

  1. E isso não vai ser trocar uma crise por outra, já que Maia já é alvo de investigações, e vei certamente ser atingido por alguma delação premiada?
    O jeito é esperaras próximas eleições, antecipadas ou não, para São Lula voltar para enterrar a Lava Jato e assegurar a impunidade geral, mediante a compensação de seus famosos dotes de milagreiro, que, segundo a propaganda petista, transformaram o Brasil na mitológica terra da Cocanha, onde voam frangos assados, correm rios de iogurte e florescem árvores de mortadela…

  2. O artigo do competente Pedro do Coutto, carimbou o meu modesto post anterior sobre o Mercado… e a figura do ministro Meirelles, que deixa de ser escorraçada por quem está antenado com o ramo em que se especializou Meirelles, ou seja, os bancos.

    Em suma, Mercado e banqueiros são siameses, dai a importância do Sinidico, mais do que a do presidente. Pelo menos no presente momento, em que o país está às portas da falência…

    Lembram-se do comentário do Temer na Alemanha?… o Brasil não vive problemas econômicos…

    Como disse o autor do artigo ,o Palácio Alvorada parece que terá em breve um novo ocupante.

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