Armando Monteiro aponta entraves à retomada do crescimento

Armando Monteiro prepara seu discurso de despedida do Senado

Carlos Newton

No discurso que pronunciará da tribuna antes de ser empossado ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o senador Armando Monteiro (PTB/PE) vai falar sobre os desafios da retomada do crescimento econômico, em especial a recuperação do desempenho da indústria e a necessidade de superávit na balança comercial.

Além de agradecer aos senadores de todos os partidos o convívio cordial e produtivo durante os quatro primeiros anos de seu mandato, Monteiro lembrará que, paralelamente ao diálogo e à parceria do governo com todos os setores produtivos, a colaboração do Poder Legislativo é também indispensável ao sucesso de uma nova agenda de inovação, produtividade e competitividade, para incentivar o desenvolvimento socioeconômico do país.

Como se sabe, a indicação de Monteiro para o Ministério conseguiu apoio consensual dos setores produtivos, porque não lhe falta experiência específica, com pleno conhecimento das dificuldades enfrentadas pelos empresários. Antes de ser eleito senador em 2010, Monteiro foi deputado federal por três mandatos, acumulando, entre 2003 e 2011, sua cadeira na Câmara com a presidência da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

DIAGNÓSTICO 

Segundo o diagnóstico do futuro ministro, o Brasil ainda enfrenta custos elevados, com um sistema tributário complexo, que onera os investimentos e as exportações, além de deficiências na formação e capacitação da mão de obra e na qualidade da infraestrutura.

Em seu pronunciamento, vai criticar a burocratização e o excesso de regulamentos que desestimulam a produção, dificultando a vida de quem quer empreender. A seu ver, não dá mais para adiar a construção de um ambiente econômico e de negócios alinhado com as melhores referências e práticas internacionais, providências indispensáveis para que o país possa competir e prosperar em uma economia mundial cada vez mais integrada.

Na conclusão, o senador vai sublinhar que sua agenda no comando do Ministério do Desenvolvimento está em consonância com os objetivos da política macroeconômica anunciada pelos futuros ministros da Fazenda (Joaquim Levy), do Planejamento, Orçamento e Gestão (Nelson Barbosa) e do Banco Central (Alexandre Tombini).

Em sua opinião, o reequilíbrio macroeconômico é condição essencial para o fortalecimento da confiança dos empresários, consumidores e trabalhadores e para a retomada de um crescimento vigoroso e sustentável, ampliando os investimentos, a produtividade, as exportações e garantindo o aumento real dos salários e o fortalecimento saudável da demanda, para garantir novas conquistas sociais.

3 thoughts on “Armando Monteiro aponta entraves à retomada do crescimento

  1. “Em seu pronunciamento, vai criticar a burocratização e o excesso de regulamentos que desestimulam a produção, dificultando a vida de quem quer empreender. ”

    Se ele conseguir desatar este nó sem mexer no sistema político, merecerá uma estátua em praça pública.
    Até nos governos militares isto foi tentado pelo então Ministro Hélio Beltrão e o problema continua até hoje, piorado.

  2. Bugalhos, “minha nossa”.

    Socialistas constroem um complexo industrial pelo preço de cinco e os capitalistas constroem cinco pelo preço de cinco em um quinto do tempo.
    Dizer que privatizações são feitas na bacia das almas é profundo, atinge amém de 99% das “almas” que esquecem ou ignoram que o petróleo sempre foi nosso; “são bens da União os recursos minerais inclusive os do sub-solo”, portanto, se utopicamente privatizassem os complexos por 25% do valor determinado pelo cassino, já sairíamos com lucro e o petróleo continuaria sendo nosso.

  3. O diagnóstico do senador é certeiro. Porém, nenhum avanço econômico será possível, incluindo a reforma tributária, sem que antes haja o necessário ajuste na política fiscal, estando o governo obrigado a reduzir os gastos e ajustá-los para baixo do volume de receitas de modo a produzir crescente superávit primário.

    Todo o resto vem depois.

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