Árvores da Amazônia são mais sensíveis ao fogo, constata um estudo de Yale e do Ipam

Queimadas na Amazônia, em imagem de outubro de 2019 — Foto: Carl de Souza/AFP

As cascas das árvores da Amazônia são finas e menos resistentes

Matheus Leitão
G1 Brasília

Estudo de um time internacional de cientistas aponta que a casca das árvores em florestas tropicais, “consistentemente mais fina”, torna a região amazônica mais sensível a incêndios. O grupo inclui pesquisadores da Universidade de Yale, nos EUA, e do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), com sede em Belém.

“Os incêndios representam uma acelerada ameaça para a floresta tropical da Amazônia. No período de seca, podem afetar áreas ainda maiores. Neste estudo, mostramos o quanto a casca mais espessa pode proteger as árvores do fogo, mas em florestas tropicais as cascas são consistentemente mais finas”, afirma o texto dos pesquisadores.

PARCERIA – O levantamento foi produzido pela professora norte-americana de ecologia e evolução biológica Ann Carla Staver, de Yale, e pelo brasileiro Paulo Brando, do Ipam, além de cientistas colaboradores. Segundo o estudo, a casca mais fina aumenta a mortalidade das árvores pelo fogo – especialmente nas matas mais úmidas.

“A intensidade do fogo afeta claramente a mortalidade das árvores, mas, mesmo assim, diversas florestas podem reagir de maneira diferente a uma intensidade de fogo semelhante. […] As reduções na mortalidade de caules entre árvores com casca mais espessa têm sido extensivamente descritas em áreas mais inflamáveis”, afirma o estudo dos cientistas.

Os pesquisadores explicam que a espessura dessa casca nos troncos varia com as particularidades de cada floresta. Áreas mais úmidas, por exemplo, resultam em árvores com casca mais fina.

DIVERSIDADE – Essa diferença é perceptível mesmo considerando um único bioma. Segundo o estudo, as árvores do projeto Tanguro em uma área amazônica do Mato Grosso, por exemplo, são mais resistentes ao fogo que aquelas da região de Manaus, no Amazonas.

O fogo, de acordo com os cientistas, se transformou na principal ameaça às florestas tropicais ao longo das últimas três décadas. O cenário é reflexo de uma combinação entre o desmatamento e o aumento da frequência das secas.

“Ao longo do século 20, os incêndios foram amplamente restritos a áreas com desmatamento ou áreas desmatadas para manutenção agrícola, mas agora os incêndios podem se espalhar prontamente por florestas que não foram perturbadas, aumentando drasticamente as áreas queimadas”, sublinham.

MÉTODO DO ESTUDO – Entre 2000 e 2013, os pesquisadores mediram a espessura média de cascas de árvores em 13 diferentes pontos da Amazônia. Em cada local, os cientistas consideravam uma área total de 1 hectare (10 mil metros quadrados).

A partir da análise por imagens de satélites, percebendo o comportamento de cada uma dessas áreas em caso de incêndios, foi possível compreender como se dava a taxa de mortalidade das árvores locais ao terem contato com o fogo.

Os pesquisadores concluíram, a partir desses dados, que onde havia árvores com cascas mais espessas, o fogo se alastrava com menor propulsão, ou seja, mais lentamente.

DESMATAMENTO – Medido no período que vai de agosto de um ano a julho do ano seguinte, o desmatamento na Amazônia aumentou em 15% no acumulado dos 12 meses de 2019 em relação ao mesmo período no ano anterior, em 2018.

Os dados são do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon, instituto que não é ligado ao governo. A área desmatada nos últimos 12 meses chegou a 5.054 km².

Já para o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a Amazônia registrou o índice mais alto de queimadas dos últimos quatro anos, com 30% mais focos de incêndio.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Sem maiores comentários, é mais combustível para a fogueira que destrói a imagem do Brasil no exterior. (C.N.)

11 thoughts on “Árvores da Amazônia são mais sensíveis ao fogo, constata um estudo de Yale e do Ipam

  1. O PIOR DE TUDO É QUE NINGUÉM FAZ NADA. O PROBLEMA RESIDE PRINCIPALMENTE NO AUMENTO POPULACIONAL POR QUE PASSA A TERRA. ENQUANTO NÃO HOUVER CONTROLE DE NATALIDADE E GRANDE REDUÇÃO DO NÚMERO DE PESSOAS NO PLANETA, O PROBLEMA NÃO TERÁ SOLUÇÃO.

  2. Uauuuu!!!
    Aprendi na escola que as arvores do pantanal são resistentes ao fogo que faz parte da natureza a milhares de anos e por isso, sua casca é mais espessa a cada ciclo de fogo.
    Quem olha, parece que morreu tudo; mas, na primeira chuvinha brota tudo outra vez e o ciclo se renova.
    Inclusive, o carvão feito destas arvores é muito melhor que o das demais arvores e mesmo a de mangues.
    Por isso, as siderúrgicas de Minas Gerais compravam milhões de metros cúbicos deste carvão para a fabricação de aço.

  3. Ainda bem que a Califórnia não fica na região amazônica, não? Quase todo ano a vegetação de lá tem mostrado sua alta resistência ao fogo.

    É horrível parecer anti-ciência nos dias de hoje. Mas certas pesquisas às vezes deixam a gente com dúvidas. Há, p. ex., “pesquisas” científicas que supostamente demonstram que o QI das mulheres e de seus filhos está associado à medida do quadril.

    Neil Postman, no seu livro “Tecnopólio: A Rendição da Cultura à Tenologia”, relata que ele realizou um teste, de forma anedótica e certamente não “científica”, mas que não deixa de ser interessante, de relatar a seus conhecidos falsas descobertas científicas recentes da Universidade John Hopkins ou outra instituição prestigiada (quanto mais prestígio, melhor) de que comer chocolate ajuda a emagrecer, ou outra coisa nessa linha. E as pessoas acreditavam, principalmente aquelas que se consideravam mais cultas e bem informadas.

    Conforme Postman, as pessoas na Idade Média acreditavam na autoridade da sua religião, não importa o quê. Hoje acreditam na autoridade da ciência, não importa o quê.

    Quanto à imagem do Brasil, sinceramente, a única coisa que irá remí-la, perante os vigilantes de imagens públicas,é a entrega de toda a Amazônia brasileira às grandes potências, que zelam tão bem pela sua própria flora – como se vê na Califórnia e na Austrália, mas não importa, porque sua vegetação é cientificamente resistente ao fogo, coisa de Primeiro Mundo – e também pelo seu patrimônio histórico, como se viu com a Catedral de Notre Dame.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *