As “transformações” do segundo turno. Serra: “Não sou homem de duas caras”. Lula: “Abusamos do salto alto, mudaremos”. Dilma: “A Marina capturou votos meus”. Tudo para mistificar o cidadão-contribuinte-eleitor.

Helio Fernandes

A tecnologia avança em tal velocidade, as descobertas em todos os campos são tão assombrosas, que quase sempre a coerência consiste em mudar e não em ficar.

De 1460, quando Guttemberg inventou os tipos móveis que permitiram os primeiros órgãos impressos, a começar pela Bíblia, até hoje, o progresso foi espantoso. E neste momento, uma verdadeira revolução, quando um cientista ganha o Nobel por ter descoberto uma forma de CARBONO 100 VEZES MAIS FORTE DO QUE O AÇO. E que terá influência nos mais diversos setores, PRODUZINDO E PROVOCANDO PROGRESSO E PROSPERIDADE.

(Isso sim é mudança, embora 3 bilhões de habitantes da Terra permanecerão na mais inacreditável das misérias, sem habitação, sem educação, sem saúde, transporte e segurança. E não irão melhorar em coisa alguma, os donos do Poder ou aspirantes a ele, nem sabem ou admitem que esses 3 bilhões HABITEM E OCUPEM O MESMO PLANETA QUE ELES. Continuarão miseráveis, estrangulados e assassinados, (é de assassinato hediondo que estamos falando) pelo SISTEMA FINANCEIRO, a parte MAIS PODRE, INSENSATA E DESTRUIDORA DA ECONOMIA).

Esse início, obrigatório como meditação e reflexão sobre o que é transformação construtiva e positiva, e a “mudança” mistificadora e negativa, puramente episódica, circunstancial e aproveitadora. É o caso lancinante e surpreendente sobre o ABORTO.

Ninguém nega que é questão polêmica, principalmente pelas motivações religiosas, pessoais e até políticas. Tão importante que nos EUA, no preenchimento do cargo de juízes da Suprema Corte, (aqui, ministros), se examina a posição do juiz (antes de ser nomeado) em relação ao aborto. Pois o objetivo é manter o equilíbrio numa possível mas não imaginada votação. Pois ninguém muda de uma hora para outra, deixa de ser CONTRA ou a FAVOR do aborto.

Respeitem-se posições, mas não a transposição para COOPTAR VOTOS. É o caso de Dona Dilma. Era ABERTAMENTE A FAVOR DO ABORTO, 48 horas depois da DECEPÇÃO DA NÃO VITÓRIA, vai à televisão, nega tudo o que defendia, proclamando: “Sempre fui contra o ABORTO, a FAVOR DA VIDA. Tudo o que eu fiz foi porque acima de tudo ACREDITO NA VIDA”.

Poderia ter sido mais cautelosa, usando bom senso, examinando a questão em profundidade, não podia ter NEGADO A SI MESMA DESSA MANEIRA, embora não tenha feito outra coisa a não ser se contradizer nas mais diversas oportunidades.

O cidadão-contribuinte-eleitor ficou num dilema INCOMPREENSÍVEL e INTRANSFERÍVEL: acredita na Dilma violentamente a FAVOR DO ABORTO? Ou MUDA com ela e NÃO ADMITE O ABORTO?

Essa contradição faz parte de toda a existência de Dona Dilma. A sorte dela é que enfrenta o farsante e mistificador José Serra, aproveitador e carreirista que não acredita PERMANENTEMENTE em coisa alguma, tudo o que faz, o que DEFENDE ou ATACA é com objetivo de se promover e SE BENEFICIAR. Sobre o aborto, irá se definir? Naturalmente CONTRA. Essa agora, é questão FECHADA para a conquista de votos.

No discurso da “VITÓRIA CONSAGRAÇÃO, AGRADECIMENTO AO POVO QUE ME TROUXE ATÉ AQUI”, Ha!Ha!Ha! Serra retumbou explicitamente: “Não sou homem de duas caras”. Não é mesmo, à vista, 5 ou 6 delas. Política, econômica, financeira ou eleitoralmente. Então, do ponto de vista do INTERESSE NACIONAL, foi o grande apoio para o ENTREGUISMO, a DOAÇÃO e a GLOBALIZAÇÃO do governo FHV.

Desse governo participou por 8 anos, excluído o tempo em que se desincompatibilizava. Pertenceu ao governo FHC do princípio ao fim, ninguém era tão poderoso quanto ele. Mas não PROTESTOU contra as PRIVATIZAÇÕES do nosso patrimônio. Nem fingiu alguma contrariedade ou resistência, concordava inteiramente com a atuação de FHC.

E não é só isso. Muda em todos os pontos, até na questão pessoal. No dia 3 à noite, abraçava Geraldo Alckmin, e dizia: “Este é meu amigo fiel e lealíssimo, ajudou muito a minha vitória”. Esqueceu inteiramente que ficou CONTRA ESSE AMIGO LEALÍSSIMO, que queria legenda para disputar a Prefeitura, Serra APOIOU KASSAB , que era de outro partido.

Quer dizer: Alckmin pode até ser LEALÍSSIMO, não estou aqui para desmentir tão nobre e majestosa personagem. E o próprio Serra, merecerá a mesma identificação encontrada em Alckmin? Ou serão os dois apenas s-u-b-s-e-r-v-i-e-n-t-e-s, ambiciosos e unicamente carreiristas?

Basta ver esse exemplo: na Constituinte, Serra defendeu ardorosamente o FIM DO CARGO DE VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA. Depois, se aproveitou do SUPLENTE, que é muito pior do que o vice.

O empresário de São Paulo, milionaríssimo, que financiou sua campanha ao Senado, ficou com o mandato quase todo. Uma das reformas políticas importantes, é o fim desse suplente. (No presidencialismo dos EUA, não existe suplente de senador, é facílimo resolver o problema).

***

PS – O carreirismo de Serra é único e redundante em toda a História do Brasil. Cinco vezes tentou ser Ministro da Fazenda. A primeira foi com Sarney, quando Dornelles deixou o Ministério.

PS2 – Comunicado da pretensão de Serra, Sarney foi direto e taxativo: “Não terei Serra como Ministro da Fazenda, DE MANEIRA ALGUMA”. Vetado por Sarney, como explicará o fato ao Brasil?

PS3 – Quando houve o impeachment de Collor, Itamar Franco ficou como INTERINO, enquanto forças políticas que apoiariam seu governo, organizavam o ministério. Itamar só tinha uma reivindicação, que manifestou: “Quero o Serra Ministro da Fazenda”.

PS4 – Mas essas forças VETARAM SERRA, e disseram a Itamar: “Não concordamos com Serra de maneira alguma”. É o caso inédito de um ministro INDICADO por um presidente, não nomeado, por recusa das forças que apoiavam Itamar.

PS5 – Por hoje, uma observação que nem os dois candidatos fizeram . Estão absorvidos em conquistar uma parte dos 20 milhões de votos de Dona Marina e do PV.

PS6 – Consideram que os votos obtidos no dia 3, estão garantidos. Se estiverem, vantagem para Dona Dilma. Só PRECISA DE MAIS 4 MILHÕES, Serra precisa de 17 milhões.

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