As autoridades brasileiras continuam provincianas e se curvam diante de qualquer celebridade estrangeira que ponha os pés por aqui. Como Bono Vox, por exemplo.

Carlos Newton

Quinto maior país em território e em número de habitantes, o Brasil está na oitava posição no ranking das potências econômicas. Por si só, essas circunstâncias deveriam fazer com que as autoridades fossem mais altivas e menos provincianas. Mas não é isso que acontece. Nossas autoridades insistem em se comportar de forma subalterna, curvam-se diante de qualquer estrangeiro famoso.

Vejam o que acaba de acontecer com Bono Vox, vocalista do grupo irlandês U-2, que surgiu no cenário internacional nos anos 80, aproveitando a onda do terrorismo do grupo IRA, com músicas tipo “Sunday Bloody Sunday” (Domingo Sangrento Domingo). A Irlanda do Norte se pacificou, o U-2 prosseguiu na estrada e acabou se tornando a maior banda de rock do mundo.

Mas alguém poderia explicar por que a presidente da República não somente aceitou receber Bono Vox, como o convidou para almoçar no Palácio da Alvorada, abrindo ao roqueiro a intimidade de seu lar? E mais, prestando contas a ele sobre as iniciativas governamentais no Brasil para diminuir a pobreza, segundo o release distribuido pela Secretaria de Comunicação do Planalto.

O que explica essa situação? Por que essa atitude provinciana de Dilma Rousseff, a chefe do governo do Brasil? Seria nossa presidente uma tiete do U-2? Será que aproveitou para pedir autógrafo a ele, a pretexto de presentear o netinho? Ninguém sabe, não foi revelado.

O pior é que depois o cantor irlandês foi recebido oficialmente pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que deveria ter coisas mais importantes para fazer. O relato da assessoria de imprensa da Fazenda também informa que eles conversaram sobre as medidas contra a pobreza. Será que Mantega também pediu autógrafo, a pretexto de presentear a filha, que é dublê de atriz e negociadora empresarial com países árabes?

Depois, o gran finale: Bono Vox foi recebido pelo poderoso chefão, o próprio Lula, ou seja, foi conferir os relatórios de Dilma e Mantega diretamente com quem manda no governo e realmente distribui as cartas, nomeia, demite, dá ordens de cima a baixo. E será que Lula também pediu autógrafo para algum filho ou neto?

Por fim, ao deixar o país, para voltar à Europa, o roqueiro foi homenageado pelas autoridades da Base Aérea de São Paulo, onde chegou de helicóptero, recebido pelo próprio tenente-coronel Antonino José Frigini Júnior, que comanda a unidade militar da Aeronáutica, e outras autoridades  da Base. Para facilitar a vida do roqueiro irlandês, foi montado um esquema especial de imigração e alfândega, abrindo caminho para que ele depois embarcasse direto num voo da Air France, com toda a primeira classe da aeronave ocupada pela banda U-2.

Esse provincianismo das autoridades brasileiras precisa acabar. Já é tempo de termos orgulho de nosso país, ao invés de ficarmos batendo palmas para qualquer celebridade que ponha os pés por aqui. Bono Vox já vai tarde, cantar em outra freguesia. Por que ele não se preocupa com a Irlanda, que atravessa uma crise econômica devastadora? Podia até contribuir com um pouco da grana que ganhou em excursão no Brasil. Será que o faz?

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