As chuvas de verão e as áreas de risco

Pedro do Coutto

Reportagem, aliás excelente, de Luiz Ernesto Magalhães, O Globo de segunda dia 7, focalizou o problema das áreas de risco no Estado do Rio de Janeiro, acentuando que 67 dos 92 municípios possuem pontos críticos extremamente vulneráveis às chuvas fortes de verão que ocorrem quase sempre. Um perigo. Na capital, o Instituto Geo-Rio identificou nada menos que 117 pontos somente na Tijuca.

Abandonados pelo poder público

O problema, claro, é difícil, possui várias implicações, inclusive a resistência e até a impossibilidade que as populações de menor renda possuem de se deslocar. Mas isso não significa que o poder público deva deixar o tema fora de cogitações. Há necessidade de medidas preventivas. Não só a realização de obras nos pontos críticos de fortalecimento do solo, ou a remoção social das famílias, mas também limpeza permanente de canais e bueiros que, obstruídos por quantidades de lixo urbano, deixam de escoar devidamente o volume das águas que se acumulam e provocam enchentes devastadoras.

Agora mesmo, no final de 2012, todos viram pela televisão e pelos jornais, as imagens de montanhas de lixo ocupando as ruas da cidade de Duque de Caxias. Essas enormes quantidades de detritos somaram para aumentar a enchente que atingiu a localidade de Xerem, por exemplo. Não tem o menor cabimento que as ruas, praças e esquinas sejam transformadas em depósitos da imundície.

ALÉM DO LIMITE

Claro, o que aconteceu em Caxias foi além do limite. Mas serve de exemplo de que é impossível conviver com a falta de saneamento e conservação ambiental. A poluição causada pela omissão possui todo um elenco de reflexos negativos, representa ameaça à saúde pública. Grave ameaça, diga-se de passagem.

As obras preventivas e a despoluição, entretanto, não dependem apenas da ação do Poder Executivo através das Secretarias Estaduais. É essencial que a população faça sua parte não jogando camadas de lixo em qualquer lugar. A Baía da Guanabara, por exemplo. Um projeto difícil o de se promover sua limpeza e despoluí-la. Enquanto houver favelas à sua margem, as dragas atuam de um lado, milhares de pessoas, até por falta de opção, contribuem negativamente de outro.

Um problema econômico-social de porte. O qual somente poderá ser solucionado através de uma campanha publicitária permanente de sentido educativo. Não poderá zera o problema, mas sem dúvida será capaz de reduzir sensivelmente o que ocorre hoje e continuará acontecendo se nada for feito para motivar as comunidades.

Inclusive, vale lembrar, que o hábito de jogar coisas fora de qualquer maneira não pertence só às classes pobres. Os grupos sociais de melhor renda praticam também, gerando os piores efeitos. Veja-se o caso das sacolas de plástico. A Assembleia já estabeleceu sua substituição por material mais adequado, porém o uso daquelas sacolas persiste. Falta a colaboração indispensável da sociedade. Afinal de contas, o governo não pode resolver tudo sem que iniciativas positivas deixem de receber respaldo da população, pelo menos em boa parte, já que estamos no Brasil e sabemos como é difícil mobilizar-se as comunidades quando não existe risco iminente.

Mas para enfrentar o risco iminente é necessário preparar-se as condições básicas na fase em que ele não está presente. Trata-se de fixar, através de ações simples e transparentes, de criar-se uma estrutura mais sólida de defesa civil. Sob este aspecto, o repórter Luiz Ernesto Magalhães, com sua matéria no Globo, prestou a todos, governo e povo, uma contribuição fundamental.

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