“As chuvas e os governantes”, um artigo que diz tudo sobre as tragédias no Rio e São Paulo

Em atenção à comentarista Suzana Oliveira, que lembrou a atualidade do artigo postado dia 1º deste mês por nosso colaborador Jorge Folena, estamos republicando o texto:

Jorge Folena

O primeiro dia do ano é para festejar e renovar a esperança por dias melhores, ainda mais quando hoje toma posse a primeira mulher presidente do Brasil, fato que simboliza o avanço numa sociedade retrógrada, na qual, segundo as estimativas, um milhão de mulheres são violentadas diariamente, de várias maneiras (psicológica, física e patrimonialmente), em todo o mundo.

A Presidente Dilma assume com grandes desafios, uma vez que os administradores públicos, de forma consciente ou não, sempre governaram o Brasil como uma sociedade fundamentada na exclusão, na diferença e na indiferença. Nunca valorizaram o trabalho, base de tudo, e enxergaram nos homens e mulheres dos bairros dos subúrbios e das favelas brasileiras apenas uma fonte de mão-de-obra barata, a ser explorada diariamente, bem como um manancial de votos para a confirmação da ordem política.

Um exemplo disso é a tragédia que se repete todos os anos, no mês de janeiro, com as chuvas torrenciais que castigam nossas cidades. Parece, então, que o único culpado é a população pobre, que construiu suas casas onde não deveria. É o que fica aparente nos pronunciamentos das autoridades constituídas, sempre que lemos os jornais, ouvimos as rádios ou assistimos à televisão. Mas o que têm feito os governantes, antes ou depois das chuvas, ao longo de todos estes anos?

Não podemos perdoar estes políticos, pois o problema não é falta de dinheiro, de tecnologia ou de áreas adequadas para se construir residências dignas para todos. Não fazem porque não querem e por ser próprio do regime em que vivemos a manutenção da desigualdade, apesar de se apregoar por todos os cantos que constituímos uma sociedade livre e democrática.

A letra da lei é bonita, mas só vale no papel, como todos sabem. É fácil, na tragédia, transferir a responsabilidade para a população, incriminando-a como sempre fizeram ao longo da História. E apesar de estar consignado na Constituição (artigo 6º), é negado aos pobres e aos miseráveis o direito de habitar com o mínimo de dignidade e em condições salubres.

Por isto, enquanto houver a exploração de homens e mulheres, enquanto os idosos não forem amparados e enquanto as crianças viverem sem esperança de futuro, tudo estará na mais perfeita ordem natural das coisas, com chuva ou qualquer outra forma de tragédia que recaia sobre nós.

Então, Presidente Dilma, sua posse hoje (01/01/2011) representa a esperança de um Brasil melhor para todos. Que seu governo seja coroado de êxito e, assim, nosso país se transforme efetivamente numa grande potência de desenvolvimento humano e social, sem ficar limitado ao mero crescimento econômico.

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