As contradições políticas do brasileiro, nem Freud explica

Carlos Carwal

Semana passada fui a uma agência bancária – com receio, é claro, que não houvesse uma daquelas costumeiras explosões – e observei que as pessoas ignoravam completamente as demarcações em amarelo, que indicavam a posição correta do fluxo da fila. As pessoas estavam exatamente no sentido inverso e a fila toda tortuosa, uma verdadeira bagunça.

Como eu gosto de observar os mínimos detalhes para deles extrair reflexões, comecei a perguntar a mim mesmo: será que esse povo tem condições de escolher um Vereador, Deputado, Senador, Governador ou Presidente da República? Claro que não tem. A resposta está na composição dos executivos e legislativos municipais, estaduais e federal, que é a cara do povo brasileiro.

Em relação a essa pesquisa sobre o prestígio da presidente Dilma, acho que as contradições do brasileiro nem Freud explica. Talvez a Psicanálise possa ainda encontrar respostas. Como pode um governo reprovado pela absurda carga tributária (65%), a precaríssima saúde (63%) e a ineficiente segurança pública (61%), ter o seu gestor aprovado por 77% desta mesma população?

“Nunca antes da história deste país” vimos tanta corrupção no Brasil, mas o povo aplaude. O interessante é que ainda existem os defensores intransigentes do indefensável. Está aí o processo do mensalão do PT, que pelo andar da carruagem todos os crimes serão prescritos. Isso seria motivo para uma indignação geral da população brasileira, mas o que se vê são apenas pequenos grupos reivindicando agilidade no julgamento.

Os esquerdistas reclamam tanto da “mídia golpista”, cadê a tal “mídia golpista” que não deflagra uma campanha para pressionar os poderes constituídos? Onde estão a OAB, MPF, UNE, CUT, CGT, Força Sindical, “movimentos sociais” que são tão atuantes em alguns casos? Escândalos e mais escândalos, ministros que caem a toda hora. E o povo aplaude.

Nem Freud explica.

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