As denúncias de Jair Bolsonaro contra o governador Witzel não batem com a realidade

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Bolsonaro acusa Witzel de mandar a Polícia perseguir sua família

Ednei José Dutra de Freitas

Não faz sentido a denúncia o presidente da República, ao alegar que o governador Wilson Witzel (PSC) incita o Ministério Público contra a família Bolsonaro no caso das investigações de rachadinhas e funcionários fantasmas nos gabinetes de Flávio (ex-deputado estadual) e Carlos (vereador licenciado no Rio de Janeiro). O presidente fala claramente em “perseguição promovida pelo governador do Rio, Wilson Witzel”.

Como se sabe, Witzel era juiz federal e abandonou a magistratura para candidatar-se ao cargo eletivo. Como é que um chefe de Poder Executivo estadual pode fazer uma perseguição ao presidente da República?

FORA DE QUESTÃO – Alguém pode acreditar que o governador tenha o controle das ações da Polícia Civil do Estado a ponto de perseguir Bolsonaro e seus familiares em investigações? A Polícia Civil do Rio e de qualquer Estado da Federação não estão sujeitas a interferência dos governadores de Estado.

Lembre-se que a própria família e a viúva de Marielle Franco lutaram muito para que esta investigação não fosse federalizada, aí, sim, temendo interferências indevidas de gente poderosa do governo central.

A falta de sentido nas declarações de Bolsonaro vai mais longe, porque ele também sugere que foi a mando de Witzel que a Justiça determinou a quebra de sigilo de mais de 80 pessoas ligadas a Flávio e ao seu gabinete na Assembleia, onde foi deputado de 2003 a 2018. Ou seja, Witzel estaria comandando também o Judiciário.

ALGO IMPENSÁVEL – A Justiça do Rio pode lá ter os seus defeitos, mas é impensável que ela determine quebra de sigilo de mais de 80 pessoas a mando do governador Wilson Witzel (PSC).

Bolsonaro deixa a entender que também o governador do Rio tem o controle do Ministério Público do Rio de Janeiro para apurar suposto envolvimento do senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) num esquema em seu antigo gabinete na Assembleia do estado. E também insinua que o governador Witzel tem controle até do Poder Judiciário, duvidando do Juiz de primeira instância, quando diz : “Justiça vai ser feita, mas não é essa justiça tua aí, de um setor do Judiciário”.

SEM QUALQUER BASE – Torna-se impossível defender a tese de que um governador de Estado tenha o controle e dê ordens para a Polícia Civil, para o Ministério Público e até mesmo para membros do Poder Judiciário do Estado.

O Estado do Rio, segundo as queixas de Bolsonaro, não teria, portanto, um governador, mas sim um ditador, com mais poderes do que a ditadura instalada em 1964. Mas ditaduras são sempre regimes federais, que tomam o Poder Executivo do país.

Nunca se ouviu falar, no Brasil, em ditadura de um governador estadual, tenha sido ele nomeado (como era o caso na ditadura de 1964), seja este eleito pelas urnas, como foi o governador do Estado do Rio de Janeiro. Por fim, é preciso lembrar que a investigação de Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz começou antes de Witzel assumir o governo. Ou seja, as alegações de Bolsonaro não batem com a realidade!

16 thoughts on “As denúncias de Jair Bolsonaro contra o governador Witzel não batem com a realidade

  1. Já tivemos governadores/ditadores: Moisés Lupion e Ademar de Barros, não esquecendo do Toninho Malvadeza. Mas no caso do Witzel, o JB gostaria que ele como ex juiz desse uma mãozinha, como não o bajulou como tantos outros, está na mira.

    • Não é verdade que Adhemar de Barros teve licença da Ditadura Militar para ter controle sobre o Ministério Público do Estado de São Paulo, nem sobre a Polícia Civil e Militar de São Paulo, e também controlava o Poder Judiciário do Estado de São Paulo. Adhemar foi apenas um apoiador que ajudou a articular o Golpe Militar, era ladrão, mas nunca foi preso. Quem mandava com mão de ferro no Estado de São Paulo e procurou calar a Justiça foi o governo federal da Ditadura Militar, como se pode ler abaixo:

      “Entretanto, o golpe militar foi saudado por importantes setores da sociedade brasileira. Grande parte do empresariado, da imprensa, dos proprietários rurais, Carlos Lacerda e Cordeiro de Farias (1955)da Igreja católica, vários governadores de estados importantes (como Carlos Lacerda, da Guanabara, Magalhães Pinto, de Minas Gerais, e Ademar de Barros, de São Paulo) e amplos setores de classe média pediram e estimularam a intervenção militar, como forma de pôr fim à ameaça de esquerdização do governo e de controlar a crise econômica. Antônio Carlos Muricy, Magalhães Pinto e Aurélio Lira Tavares numa cerimônia de condecoração do primeiro (entre 1967 e 1969).O golpe também foi recebido com alívio pelo governo norte-americano, satisfeito de ver que o Brasil não seguia o mesmo caminho de Cuba, onde a guerrilha liderada por Fidel Castro havia conseguido tomar o poder. Os Estados Unidos acompanharam de perto a conspiração e o desenrolar dos acontecimentos, principalmente através de seu embaixador no Brasil, Lincoln Gordon, e do adido militar, Vernon Walters, e haviam decidido, através da secreta “Operação Brother Sam”, dar apoio logístico aos militares golpistas, caso estes enfrentassem uma longa resistência por parte de forças leais a Jango.”

      • Também não é verdade que Moisés Lupion teve licença do General Henriques Duffle Batista Teixeira Lott, que com o apoio do governador Moisés Lupion, derrubou o presidente da República constitucionalmente ocupava o cargo, não teve o apoio do General Lott para interferir na Justiça Estadual de seu estado, na Procuradoria Geral de seu Estado, e na Polícia, até porque ele cometeu crimes, foi processado, mas não foi preso, como soe acontecer com governadores ladrões, no caso dele, ladrão de terras, entre outros desvios de dinheiro público, como se pode ver na matéria abaixo. Ditador Governador de Estado nunca existiu no Brasil.

        • Também não é verdade que Antônio Carlos Magalhães, o “Toninho Malvadeza” , apesar de ladrão e truculento, jamais teve o controle das Polícias Civil e Militar da Bahia, do Ministério Público baiano e do Poder Judiciário da Bahia, como pode-se notar na notícia abaixo:

          “Em fevereiro de 1999, Antônio Carlos Magalhães, do PFL, iniciava o segundo mandato como presidente do Senado. Liderança egressa da antiga UDN, governara o Estado da Bahia em três mandatos, fora Ministro das Comunicações no Governo José Sarney e um dos artífices da eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência em 1994. Carismático, era incensado por sua capacidade de realização em prol da Bahia, enquanto outros o tinham por coronelete truculento.

          ACM começou a vociferar contra a corrupção, o tráfico de influências, a má gestão e o nepotismo no Judiciário, reclamando a instalação de uma CPI, uma verdadeira heresia para a magistratura. O alvo prioritário foi a Justiça trabalhista, cujos juízes e tribunais ameaçavam conceder reajustes salariais para corrigir perdas inflacionárias, com chance de precipitar um movimento de reindexação geral da economia, colocando o edifício do Plano Real, que estabilizara o país, a perder. Além disso, a figura do juiz classista, leigo indicado por sindicatos que acabava tendo acesso a aposentadorias e ascendendo aos tribunais superiores, gerava acirrada polêmica há anos.

          ACM investia contra o mesmo nepotismo do qual se beneficiava, até mesmo no Tribunal de Justiça da Bahia, onde empregava três parentes nomeados sem concurso. E tão logo se ventilou a proposta da CPI do Judiciário, choveram no Congresso denúncias de juízes baianos que se diziam pressionados pela política do Senador.

          Mas em 26 março de 1999, a CPI tinha nascido, presidida pelo senador Ramez Tebet (PMDB-MS) e relatada pelo senador Paulo Souto (PFL-BA). Era a primeira vez que o Congresso se arregimentava para investigar o Judiciário. Alguns senadores, como Marina Silva, Geraldo Melo e Roberto Freire, temiam o risco de atrição entre os Poderes, chegando a considerar a proposta inoportuna. Em compensação, o ex-Deputado Hélio Bicudo, então um dos mais respeitáveis quadros do PT, partido que não apoiou a CPI, considerando-a uma iniciativa personalista de Magalhães, enviou carta ao Senador sustentando que, além dos frutos que poderia gerar, teria o condão de alavancar a reforma do Judiciário.”

  2. Bolsonaro tem demonstrado que, quem não segue a sua política como zumbi, ataca e demite. Witzel, governado do RJ, foi escolhido pelo Bolsonaro para levar a culpa da desgraça do filho.
    Simples assim.

  3. Alguém pode acreditar que o governador tenha o controle das ações da Polícia Civil do Estado? Não sejamos tão ingênuos, na verdade, não somos. Quais foram as fontes que fizeram chegar esta informação ao presidente é o “x” da questão. Desde que inventaram as nomeações, este controle passou a ser visto da forma aberrante que é, mas verdadeira.

  4. “Lembre-se que a própria família e a viúva de Marielle Franco lutaram muito para que esta investigação não fosse federalizada, aí, sim, temendo interferências indevidas de gente poderosa do governo central.”

    Quer dizer que o governo federal pode influenciar a policia federal, mas o governo estadual, que indica o chefe da policia estadual, não pode influenciar?

    Se um pode, o outro também pode, ou nenhum dos dois podem.

    O fato é que a lava jato é forte a nível federal, mas fraca a nivel estadual. E tem vários casos de investigados que brigaram para sair da justiça federal e ir para a estadual.

  5. Infelizmente, o presidente age como um iletrado qualquer, para fazer seus seguidores acreditarem na tal perseguição.É assim também com a imprensa, que pouco pode fazer para defender-se. Espanta até agora o governador Witzel não ter recorrido à Justiça para fazer cessarem as acusações descabidas.Desgraçadamente, ou o presidente é desequilibrado, ou mau caráter. Ou ambos,

  6. Gleisi Hoffman é a última esperança para a nossa salvação. Quem sabe se ela voltasse a se aproximar do Ladrão e ele, por motivos óbvios, tivesse um AVC fulminante. Assim desapareceria para sempre a fedentina petista e o horizonte ficaria mais claro para escolha de alguém decente (o Bozo foi um fracasso!).

  7. Concordo com o Ednei José Dutra de Freitas

    O governador do Rio de Janeiro, ex-juiz, o Sr. Witzel, não tem eleitorado nacional, nem mesmo no Rio de Janeiro para sonhar com a candidatura a presidente em 2022.
    Witzel foi eleito na onda anti-corrupção e também por falta de bons candidatos. Eduardo Paes foi sucumbido pelos escândalos do Sérgio Cabral e perdeu a credibilidade, apesar de um boa gestão na Prefeitura carioca.
    A pressão, que sofre do governo federal começou quando se arvorou em candidato antes da hora. Falta de visão, de momento, de estratégia. O clã o viu como um inimigo e um traidor, já que ele colou em Bolsonaro para ganhar a eleição. Antes do primeiro ano de governo, Witzel foi mordido pela mosca azul.
    Isso demonstra falta de assessoria, no governo do Estado. Alguém tinha que alertar o governador para esperar mais um pouco e focar na gestão das finanças combalidas do Estado, as quais , foram entregues arrasadas por Cabral e Pezão.
    Quem irá votar num candidato, que não apresentar resultados econômicos, que não tenha condições de aumentar a oferta de empregos, propiciar a recuperação da indústria, da construção civil, melhorias nos setores da Educação, na Saúde e na Segurança Pública.
    Os índices caíram somente na Segurança Pública, com a política de confronto na base de atirar primeiro e perguntar depois. Só isso não é suficiente para empalmar o povo na aventura presidencial.
    Agora, o governador perdeu o bonde e periga até a sua reeleição, pois tudo lhe será dificultado de agora em diante. Os detentores atuais do poder não acreditarão mais nele.
    O governador de São Paulo, João Dória também se antecipou e se lançou como candidato a presidente. Diferentemente do governado do Rio de Janeiro, Dória administra uma potência, industrial e econômica. São Paulo é uma locomotiva e não precisa do governo federal. Mas, também comungo da ideia, de que deveria esperar mais um pouco, além de ser um estranho no ninho dos tucanos, que é liderado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

    • Num segundo turno, numa eventual disputa entre Bolsonaro e doria. É só o Bolsonaro repetir no Brasil inteiro: “Por que vocês acham que o doria não ganha de mim nem na terra dele ?”.
      PS: A não ser que o datafoia, diga (como nas ultimas eleições) que o doria está tão bom (a frente do Bolsonaro) quanto o Alckmin estava (na pesquisa imaginaria do datafoia).

  8. Sr. Roberto Nascimento,
    Concordo com tudo que escreveu.

    Só discordo do seguinte:

    “Eduardo Paes foi sucumbido pelos escândalos do Sérgio Cabral e perdeu a credibilidade, apesar de um boa gestão na Prefeitura carioca”.

    Que boa gestão?
    Um ladrão de obras superfaturadas.
    Culminando na ciclovia assassina de QUARENTA MILHÕES DE REAIS!!!
    Só por isso deveria estar na JAULA!!
    Atenciosamente.

  9. Caro Espectro.
    Tenho como norma, não escrever aquilo que não posso provar, que não tenho certeza. Em relação ao atual prefeito, Paes foi muito melhor, sem ser excepcional. Tenho muitas críticas, como a aventura do BRT na Avenida Brasil já estagnada pelo trânsito intenso.
    A meu juízo, o melhor seria uma estrutura elevada nos moldes da Perimetral, inclusive na via férrea, que liga a Leopoldina até Duque de Caxias, mas, seria uma medida incoerente dele, que destruiu a Perimetral, uma obra do Regime Militar executada para durar 500 anos.
    Enfim, é isso, uma lástima.

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