As entrevistas de Dilma (em que não fala nada)

Fernando Canzian
Folha

Para quem lutou com a própria vida contra o regime militar e pela liberdade no ambiente político, a presidente Dilma Rousseff vem fazendo péssimo uso da democracia que sua geração conquistou. Sob sua responsabilidade, o Brasil se meteu em um impasse. Mas Dilma não presta contas de maneira transparente. Nem para defender posições e medidas que deve ter tomado com boas intenções, mas que deram errado.

Trabalhei pela Folha em Washington durante parte o governo George W. Bush (2001-2009). Mesmo na lama com a farsa das armas de destruição em massa para invadir o Iraque, a tortura de prisioneiros por soldados americanos em Abu Ghraib e a baixa popularidade, Bush concedia entrevistas coletivas periódicas na Casa Branca.

Era massacrado com perguntas duras, mas sempre respeitosas. E tentava tirar o melhor proveito. Muitas vezes se esquivava e era evasivo. Mas estava lá, de frente, no jogo democrático. Dando satisfações aos cidadãos do país que representava.

Como Dilma, Bush mentiu e se reelegeu. Mas, diferentemente da brasileira, prosseguiu com o ritual de coletivas a jornalistas. Já nossa presidente não fala, não se expõe e ignora prestar contas de um governo que faz tudo ao contrário do que prometeu na eleição. Do alto do maior cargo da República, é um mais um exemplo do nosso atraso.

FALANDO DUAS VEZES…

Neste mês, a presidente resolveu falar duas vezes. Em entrevista ao “Estado” (“Dilma pedala, alonga e diz que não sente fome”), revelou que come banana esquentada no microondas e “whey protein”. Não deixou a repórter perguntar nada fora da rotina de seu passeio.

Na segunda oportunidade, falou ao “Programa do Jô”, na Globo. Começo pelo comentário do Gordo ao final da entrevista, que definiu como “momento histórico” de seus 54 anos de profissão: “Espero que tenha sido bom, porque hoje é dia dos namorados. Temos que sair daqui os dois satisfeitos”.

A culpa não é do Jô, que abordou o tema que considera “fundamental” do Petrolão em 40 segundos de uma entrevista de 69 minutos e que acha “impressionante como o preço do dólar influi na economia do mundo inteiro”.

É da presidente, que se esconde da mídia especializada há anos e não chega nem perto de coletivas regulares. As exceções foram os modorrentos debates na eleição, sem direito a réplica dos jornalistas quando os candidatos respondiam qualquer coisa.

REFLEXÕES

Mas Jô nos faz refletir com duas colocações. Quando lembra a Dilma que ela não tem mais a preocupação de conquistar um segundo mandato e, depois, quando pergunta como a presidente gostaria de ficar conhecida nos livros de história.

Como em quase toda a entrevista, a opinião de Dilma aqui não tem a menor importância.

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PS
Um exemplo de como Bush dava nó em maus momentos. Em jantar com jornalistas em Washington, finge procurar armas de destruição em massa pelo Salão Oval. Dilma podia fazer o mesmo com o PIB.

“Essas armas de destruição em massa devem estar em algum lugar… Não, nenhuma arma por aqui. Talvez aqui embaixo.”

 

2 thoughts on “As entrevistas de Dilma (em que não fala nada)

  1. A verdade é que a Presidente Dilma não tinha a minima competência, envergadura e e condições em todos os pontos de vista para assumir o cargo mais importante do Brasil, a Presidência da República, mas Dilma era tudo que o Lula precisava.

  2. Eu sempre tive essa impressão desse partido: é péssimo em matéria de comunicação. Não sabe “maquilar” os maus atos e nem expor/escancarar o que faz de bom. Será tão ignorante a ponto de não aprender nenhuma lição? Não lembra da entrevista (quando pensou que os microfones já estivessem desligados) do funesto Ruben Ricúpero? – o jurista/diplomata doubléè de economista de fhc – “O que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde). Já são doze anos de situação e nada, nada, nadica de nada. O ex é ignorante e verborrágico mas a atual, pelo menos, cursou Economia, deveria ter feito um cursinho de português para nativos. Não sabe expressar um raciocínio, sequer. E a prosódia, então?! Quando abre a boca, é uma verdadeira tragédia, sem rima. E quanto mais “explica,” mais complica. Será que esse partido(?) não conta sequer com uma “Norma Suely, a comunicóloga da PUC” (royalties para Jô Soares) para melhorar esse departamento? Eu não consigo escutar o “tatibitate” dessa senhora, quando fala à nação.
    Dentre os “aliados/cúmplices” do pt, conta-se a figura “”exemplar” de um membro da família dona do maranhão, o qual já foi, inclusive, “dono” também da chave do cofre da viúva que, quando ia aos EUA ou à onu discursar, um assessor preparava o discurso, foneticamente, em inglês, já que aquele fazia questão de discursar “em inglês.”

    É, senhor Jacob, tenho que concordar com o senhor, apesar de, como mulher, embora não tenha votado nela, ter torcido para ter uma mulher no comando do brasil. Infelizmente, escolheram a mulher errada. Erro estratosférico, monumental, como o eixo de Brasília, pelo qual estamos pagando, com sangue, suor e lágrimas.
    Aliás, aqui no brasil não importa a cor, o sexo, a classe social, o grau de instrução, nada, todo político brasileiro só tem um interesse na vida: se dar bem, “se arrumar,” se locupletar com o dinheiro público, resultado de impostos altíssimos que deveriam reverter em serviços de primeiro mundo para a população mas….

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