“As forças do inferno se levantam contra nós” diz ministro da Educação, acusado de homofobia

Nome de Milton Ribeiro para o MEC é recebido com cautela, até nas críticas

Meu papel no governo é mais espiritual, alega Milton Ribeiro

Sarah Teófilo
Correio Braziliense

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, afirmou durante um culto no último domingo (24/1), em Santos (SP), que seu papel na pasta do governo federal é “mais espiritual do que político”. “Nós queremos tirar o Brasil de um rumo de desastre, em que valores como família, como criação de filhos, o que é certo, o que é errado, pudessem ser novamente preestabelecidos. A Bíblia diz que haveria um tempo em que as pessoas iriam chamar o que é errado de certo, e o que é certo de errado”, disse.

As falas foram feitas por ele em uma pregação na Igreja Presbiteriana Jardim de Oração, onde Milton Ribeiro é pastor. Ele foi à cidade para visitar um colégio onde foram aplicadas provas dos Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e compareceu ao culto na cidade.

INQUÉRITO -Em sua fala, ainda afirmou que o inquérito o qual responde no Supremo Tribunal Federal (STF) também tem a ver com algo que está na Bíblia.

“Até mesmo o inquérito que eu enfrento no Supremo Tribunal Federal tem a ver com isso, com algo que Jesus não tem nenhum receio de dizer que não é o caminho certo. Estou muito tranquilo, meu coração está tranquilo. Esse é um desabafo que eu faço com a minha igreja: meu coração está tranquilo. Porque não fui chamado no Supremo Tribunal Federal para responder por desvio de dinheiro, nem por coisas erradas, mas porque eu disse o que a Bíblia diz e ponto final”, afirmou.

A Procuradoria-Geral da República pediu ao Supremo que fosse aberto um inquérito contra Ribeiro para apurar se houve homofobia em falas ditas por ele em uma entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. Na ocasião, ele disse que o “homossexualismo (sic)” é “fruto de famílias desajustadas”. A PGR chegou a oferecer um acordo, no qual ele teria que admitir que cometeu crime ao proferir a referida fala, mas o ministro recusou.

PASTORES NO GOVERNO – Ainda no culto, o ministro afirmou que “nunca houve num governo do Brasil um grupo de ministros com três pastores”.

“E uma das coisas que eu tenho feito questão de dizer é que eu não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê. Eu simplesmente não me envergonho. Eu simplesmente digo a todo lugar, a toda hora, a todo tempo, e fora de tempo, que eu creio, em quem eu creio e muitas vezes nas minhas reuniões no ministério eu falo a respeito da minha fé, daquilo que eu tenho por valor, por princípio”, afirmou.

ORAÇÕES NO PLANALTO – O ministro acredita que “foi por isso que Deus” o colocou onde está. “Quero aproveitar as oportunidades, e Deus tem me dado essa oportunidade. Tem me dado uma oportunidade de ter conversas a sós com o presidente da República, de orar por ele, de pedir a Deus direção e sabedoria. Tivemos no meio da semana uma reunião só de ministros para enfrentamento de tudo o que passamos e logo depois se reuniu um grupo de ministros para orar. Num salão em que no passado as coisas mais infames eram ditas e eram feitas”, afirmou.

Ribeiro ainda completou: “Vivemos tempos diferentes. Por isso eu queria crer que até as forças do inferno se levantam contra nós. Eu não tenho dúvida disso”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Usar a religião com objetivos políticos é uma prática que o mundo civilizado vem abandonando desde a independência dos Estados Unidos. Aqui no Brasil, desde a Constituição de 1891. No Século XXI, um ministro que não entende a importância de o Estado ser laico deveria ser imediatamente demitido, mas o governo é do tipo novo normal. (C.N.)

10 thoughts on ““As forças do inferno se levantam contra nós” diz ministro da Educação, acusado de homofobia

  1. O Governo é Laico, o povo não.
    O erro está em muitas religiões almejarem autoridade política.
    Paulo VI, proibiu que padres, bispos ou qq colérico fizessem política ou se candidatas sem a cargos públicos.
    Política e religião NAO devem se misturar.

  2. A força desses sacripantas é nutrida pela récua de miolos fecalóides, que paga para cortejá-los.
    Se o diabo cagou algo pior, recusou-se a levá-lo pro inferno; temendo que depois o criador fosse devorado pelo seu próprio excremento!
    Eles são os donos da verdade e os senhores da razão! Levam a vida toda blefando um deus onipotente, do qual somente eles detêm a senha de acionamento, como tais, estão “autorizado” a cobrar dos otários o acesso à divindade!

  3. Que sujeito ridículo…
    Daqui a pouco este País vai virar um grande Templo (?), de evangélicos charlatões, roubando o dinheiro dos otários, que ainda dão mole para estes cafajestes de quinta categoria…
    Xô coisa ruim…
    Depravados…
    Credo !

  4. O Brasil ter um ministro da Educação que ainda crê nas “forças do inferno”, deveria acrescentar ao currículo escolar idiomas desaparecidos, como Esperanto, Kanakanabu, kusunda, Yagan …

    Quanto atraso mental; quanta ignorância; que conceito absurdo e irreal da imagem de Deus!

    O curioso é que nas “pregações”, Deus é sinônimo de “amor”.
    Imagino se não fosse.

    Do jeito que as religiões colocam e enaltecem o demônio, este tem mais poderes que o Criador pois, indiscutivelmente, o diabo tem mais sucesso ou adeptos que Deus!
    Basta vermos a quantidade de seres humanos no mundo que merecem o inferno, e a raridade de pessoas que estarão ao lado do Criador quando deixarem este mundo!

    Por essas e outras, que as religiões perdem o interesse de crentes – gente que acredita em Deus -, em razão dessas bobagens e mitologias arcaicas, medievais, do eterno conflito entre o bem e o mal, um eterno maniqueísmo propositadamente levado adiante pelos “agentes de Deus”, que apenas sabem e dão valor às doações e dízimo, cobrados inapelavelmente do “fiel”.

    Não tem mesmo como nos desenvolvermos, pois impossível com “autoridades” com este tipo de pensamento:
    “Forças do inferno”.

    Mas vai tu, ministro, para o quinto dos infernos!

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