As incertezas de 3 dias, a prorrogação por 3 meses, e a consolidação de uma República, que nasceu defeituosa. Poderá superar as dificuldades que estão visíveis num governo com a validade vencida?

Helio Fernandes

Nenhuma novidade, as sucessões sempre foram complicadas no Brasil, por causa disso, nossa História registra quase sempre o mesmo número de presidentes eleitos (?) e de vices que assumiram, pelos mesmos problemas. Vices ambiciosos, efetivos sem o lastro político-eleitoral, muitos sem resistirem à longevidade na qual tanto se fala.

No primeiro governo dito Republicano, os marechais das Alagoas se hostilizaram, se confrontaram, se derrubaram. E logo a primeira Constituição não foi cumprida, mandava fazer eleição para a substituição de Deodoro, que ficara apenas 8 meses no cargo. Só que Floriano, que precisava convocar essa eleição, decidiu se manter, nem o Supremo conseguiu IMPEDIR os seus 4 anos (queria mais) ILEGÌTIMOS.

O segundo presidente e primeiro civil, Prudente de Moraes, (o verdadeiro “consolidador” da República, se é que se pode usar essa palavra) ficou doente, teve que ir para o hospital para uma operação difícil. Assumiu seu vice, Manuel Vitorino, que subverteu toda a rotina, a hierarquia e o que se esperava.

Simplesmente mudou a sede do governo, comprou um palácio novo (o do Catete), demitiu todo o ministério, ficou mais de 6 meses como se fosse o verdadeiro presidente. Milagrosamente Prudente se recuperou, voltou ao palácio, perdão, ia lá pela primeira vez, demitiu o vice através de recado enviado por um contínuo. Completou o mandato, não faltava muito.

Esses fatos, com a entronização do vice, se sucederam das formas as mais diversas. Muitos assumiram uma parte do mandato, chegando ao máximo com José Sarney, que preencheu (?) os 5 anos do mandato que não era dele. E ainda queria 6, achava que era o que lhe deviam.

Tudo continuou incerto e sem convicção, a República que não era e continua não sendo a dos nossos sonhos ou expectativa, ainda sofreu duas derrotas, para ditaduras que não conseguiam superar a ambição. Queriam o poder de qualquer  maneira, não tinham confiança na escolha do cidadão-contribuinte-eleitor.

Agora chegamos à total complicação. Faltam 3 dias para a farsa da “eleição”, sem partidos, sem candidatos legítimos, pois não há convenção, apenas com a OBRIGAÇÃO DE VOTAR, por imposição que o cidadão não pode nem desobedecer.

E como em todas as épocas, aquele que será eleito, terá que enfrentar terríveis problemas. Não sabe como e o que irá fazer, não têm o menor compromisso com o povo e o país, os candidatos não assumiram compromissos. Se divertiram e usaram o tempo apenas criando e respondendo baixarias.

Não acredito nem dou força a pesquisas, têm errado tantas vezes em tantos países, que qualquer desconfiança é justificada ou justificável. Mas aparentemente, será eleita mesmo Dona Dilma, Serra jamais será presidente, Dona Marina vem crescendo lentamente, (migalhas de expectativas). Mas além do 3 de outubro, sua grande barreira com a realidade, terá que ser ultrapassada no tormento depois da posse e do sofrimento da primeira eleição.

Existe ligeira possibilidade de um segundo turno, que não passa de um rumor de pesquisadores inquietos e preocupados. Mas mesmo que haja esse segundo turno, será apenas o prazo de quase um mês, para que Dona Dilma confirme a conquista. E se houver esse segundo turno, Serra estará lá para fazer figuração, por causa dos votos de Dona Marina e não do próprio Serra.

Por aí, nenhum problema, o Planalto-Alvorada está à vista, Dona Dilma no dia 1º de janeiro transporá suas portas já como presidente, e não como dócil mas nada doce segunda do presidente. O que fará esse presidente, a começar dentro de 3 meses? Nada, ninguém, nem ela, sabe por onde começar.

Tudo é sombra, suspense, dúvida, fantasmas de uma realidade invencível para Dona Dilma. Lula precisava de uma sucessora, (já que não conseguiu continuar como “sucessor de si mesmo”) e era a única em que confiava com toda a desconfiança. E a maior expectativa destes momentos, está exatamente nessa pergunta: o que Lula fará a partir da posse de Dilma?

É difícil esperar um Lula ausente, com a certeza de que os presidentes e os vices que “herdaram” mandatos, nunca foram tão fracos ou frágeis quanto a porta-voz do ainda presidente. Se cumprir o papel de porta-voz, será grave. E se não cumprir? Será gravíssimo.

Todo governo começa pela escolha e nomeação dos ministros. Aonde Dona Dilma irá recrutar (?) 37 ministros, o mesmo número de Lula? E quem sabe (com as exceções conhecidas), ela nomeie os mesmo que serviram a Lula, e continuará apostando em 2014?

Se fizer isso, para que perseguiu tanto o Poder? Se cumprir todas as exigências que “estão por aí”, será seguramente, a primeira mulher NÃO-PRESIDENTE.

***

PS – Temos que esperar não o próximo dia 3, (sem mistérios) e sim o 1º de janeiro, altamente misterioso. E novas dificuldades se acrescentam e se acrescentarão à sua incompetência congênita e adquirida.

PS2 – E existe o “FATOR PT-JOSÉ DIRCEU”, que não sobreviveu no governo Lula, este, providencialmente (para ele) afastou todos os que politicamente podiam assombrá-lo.

PS3 – Agora, José Dirceu já retumbou publicamente, e agora espera os resultado da entrevista-recado-intimidação: “O PT não mandou nada com Lula, com Dilma será diferente”.

PS4 – E para que não haja dúvida, o poderoso Dirceu comunicou: “O PT sou eu”. Estava e está autorizado. Lula não comentou a entrevista de Dirceu. Poderá ou pensará em enfrentar o PT estando fora do Poder? Dentro de pouco tempo, Lula deixará de ser um enigma, enfrentando Dilma e Dirceu, um de cada lado?

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