As múltiplas razões da miséria no Brasil e a morte do grilo falante

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 52 milhões de brasileiros, abaixo da linha da pobreza

Percival Puggina

Você sabe por que o Brasil não consegue solucionar o problema da miséria? Porque, de um lado, deixamos de agir sobre os fatores que lhe dão causa, e, de outro, nos empenhamos em constranger e coibir a geração de riqueza sem a qual não há como resolvê-la. Os fanáticos da política, os profetas de megafone, os “padres de passeata”, para dizer como Nelson Rodrigues (ao tempo dele não existiam as Romarias da Terra), escrutinando os fatos com as lentes do marxismo, proclamam que os pobres no Brasil têm pai e mãe conhecidos: o capitalismo e a ganância dos empresários.

Em outras palavras, a pobreza nacional seria causada justamente por aqueles que criam riqueza e postos de trabalho em atividades desenvolvidas sob as regras do mercado.

ATÉ PENSEI... – Estranho, muito estranho. Eu sempre pensei que as causas da pobreza fossem determinadas por um modelo institucional todo errado (em 2017, o 109º pior entre 137 países, segundo o World Economic Forum (WEF). Pelo jeito, enganava-me de novo quando incluía entre as causas da pobreza uma Educação que prepara semianalfabetos e nos coloca em 59º lugar no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), entre 70 países.

Sempre pensei que havia relação entre pobreza e atraso tecnológico e que nosso país não iria longe enquanto ocupasse o 55º lugar nesse ranking (WEF, 2017).

Na minha santa ignorância, acreditava que a pobreza que vemos fosse causada, também, por décadas de desequilíbrio fiscal, gastos públicos descontrolados tomados pela própria máquina e inflação. Cheguei a atribuir responsabilidades pela existência de tantos miseráveis à concentração de 40% do PIB nas perdulárias mãos do setor público (veja só as tolices que me ocorrem!).

E a corrupção? – E acrescento aqui, se não entre parêntesis, ao menos à boca pequena, que via grandes culpas, também, nessas prestidigitações que colocam nosso país em 96º lugar entre os 180 do ranking de percepção da corrupção segundo a Transparência Internacional.

Contemplando, com a minha incorrigível cegueira, os miseráveis aglomerados humanos deslizantes nas encostas dos morros, imputava tais tragédias à negligência política. Não via como obrigatório o abandono sanitário e habitacional dos ambientes urbanos mais pobres. Aliás, ocupamos a 112ª posição no ranking, entre 200 países, no acesso a saneamento básico. Pelo viés oposto, quando vou a Brasília, vejo, nos palácios ali construídos com dinheiro do orçamento da União, luxos e esplendores de uma corte dos Bourbons.

ESTOU ERRADO – Mas os profetas do megafone juram que estou errado. A culpa pela pobreza, garantem, tampouco é do patrimonialismo, do populismo, dos corporativismos, do culto ao estatismo, dos múltiplos desestímulos ao emprego formal.

Não é sequer de um país que, ocupando a 10ª posição entre os países mais desiguais do mundo, teve a pachorra de gastar, sob aplauso nacional, cerca de R$ 70 bilhões para exibir ao mundo sua irresponsabilidade na Copa de 2014 e nos Jogos Olímpicos de 2016. No entanto, os Pinóquios da política, das salas de aula, da mídia e dos púlpitos a serviço da ideologia, fanáticos da irrazão, asseguram-nos que existem pobres por causa da economia de empresa e dos empreendedores.

Um dos fenômenos brasileiros deste início de século é o silêncio das consciências ante toda falsidade. É a morte do grilo falante.

21 thoughts on “As múltiplas razões da miséria no Brasil e a morte do grilo falante

  1. Pois é !!!
    Mais um artigo certeiro do Puggina.
    No Brasil, pensar dá muito trabalho e pensar e fazer associações de causa e efeito, então……literalmente …. nem pensar……
    Como dar crédito a um gaúcho, pensador católico, critico da teologia da Libertação (ah!ah!ah! ) alinhado a um partido conservador ?????
    Melhor seguir Leonardo Boff, Marilena Chaui, Marcia Tiburi, Dilma e outras antas…..
    Agora teremos a reação(se houver) no estrito sentido pessoal, atacando suas características, como a acima, jamais debateremos se o que ele nos aponta é verdadeiro e como siar destas situações.
    No Brasil penas e principalmente contrariar a corrente majoritária é suicidio , quase certo
    Parabéns Puggina, não esmoreça .
    Precisamos pensar, discutir, encontrar soluções.

  2. Perfeito! Maravilhoso artigo!
    Ah, aquela imagem do Pelé e Lula se abraçando, como se tivéssemos tirado a sorte grande. Quanta corrupção, quanto desperdício num país já tão miserável!

  3. Sres,
    VEJAM A SITUAÇÃO DESESPERADORA DA POPULAÇÃO DO RIO DE JANEIRO.
    Vivemos numa NARCO-CIDADE!
    Estamos apenas contando com Deus e a sorte.
    Estamos na cidade do terror!
    Estamos enfrentando um NARCO-TERRORISMO SEM PRECEDENTES!
    E a Prefeitura diz que não há prazo para consertar a iluminação e o asfalto, no túnel do TERROR!
    A situação é DESESPERADORA!
    ATENCIOSAMENTE.

    https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/testemunha-de-crime-no-tunel-noel-rosa-lembra-momentos-de-panico.ghtml

  4. Todas as componentes mencionadas, no artigo, são fatores desencadeadores e nutrientes de atraso, sim!
    E mais dois que também são imprescindíveis:
    -Estimular, inclusive com programas de acesso gratuito e até com bônus, entre os menos favorecidos, o controle da taxa de natalidade. Pobre que se abarrota de filhos, fica malfadado a se tornar miserável.
    -Combate implacável à preguiça. Visto que, em muitas Unidades da Federação: desídia, indolência ou ergofobia é uma vocação que os pais se sentem na obrigação de repassar aos descendentes, com uma intensidade cada vez mais “baiânica”. O traço da preguiça é tão pujante, em nossa cultura, ao ponta de determinar a distribuição do FPE, dentro do Pacto Social.

  5. Estado gordo e centralizador, devorador de impostos. Funcionalismo público moldado no Brasil colônia, ineficiente e clientelista. Isso causa a estagnação econômica e social. Nada anda, tudo trava, investir é inseguro, burocracia come seu tempo produtivo.
    Independente de partidos e ideologias só dá para apoiar quem pensa em descentralizar e enxugar o estado.

    • Atualmente, a maior inimiga de quem depende do serviço público, é a estabilidade do servidor. À sombra dessa prerrogativa, o barnabé pode roubar, negligenciar, desperdiçar, depredar etc. Agora imaginem os magistrado, os quais além da estabilidade, ainda podem contar com a blindagem da vitaliciedade e de um corporativismo pandemônico.

  6. Ontem num canal de TV por assinatura, mostraram o que aconteceu com Cingapura, que num período de 40 anos, saiu do subdesenvolvimento para se tornar um pais desenvolvido.
    Entregaram o poder a um cidadão extremamente competente e garantiram que pudesse fazer as reformas necessárias. Deu certo.
    Aqui no Brasil, não se enganem, sem um pouco de “dureza”, não se vai conseguir nada e principalmente qualquer reforma tendo que ser aprovada por esta classe política depravada que temos.
    Teremos que ter um governo forte e impositivo, sem dar qualquer chance para assistencialismo improdutivo e fazer com que todos trabalhem, procurando facilitar para aqueles que proporcionem o crescimento dos postos de trabalho.
    Nessa esculhambação e corrupção em que vivemos, jamais sairemos do buraco, e se o povo continuar a votar nos vagabundos de sempre, ai então podemos ensacar a viola e procurar outro canto para morar.

  7. Comentário elucidativo para todos que creem que os governos petistas tiraram 40 milhões da miséria se sintam envergonhados de darem crédito às patifarias de luiz inácio e seus comparsas.

    Obviamente que aqueles beneficiários dos desmandos dos dois bandidos mandantes continuarão dos seus lados porque não tem para onde correrem.

    Eo nosso país caminha assim, acreditando em bandidos que vivem de sofismas cada vez nais manjados por quem presta bem atenção nos dois pilantras.

    Não estou afirmando que todas as mazelas apresentadas no artigo de Puggina são da responsabilidades dos dois bandidos, claro que outras partes são de collor, fhc e, bem menos dos governos passados.

    Quem viveu, viu que esses últimos governos, de collor até dilmalandra, as coisas pioraram sobremaneira, ainda que a imprensa, sempre bem paga pelos pilantras, propagasse os números mentirosos a favor de cada um deles.

    Precisamos pedir muito ao bom Deus que nos livre desses malandros, pois não há outro jeito de afastá-los do poder pelas nossas forças, seja das urnas ou até mesmo pelo desejo humano de botá-los para correr daqui.

    Creio que nossas orações já são ouvidas com luiz inácio preso, temos que orar mais para prender os seus comparsas que é uma legião de diabos da pior espécie.

  8. Nem uma palavra sobre o montante absurdo de recursos retirados do orçamento para pagar o setor financeiro . E como se ele não existisse , na sua gula insaciável !

  9. O Brasil não é um país capitalista. É um país essencialmente injusto. mas justiça não quer dizer cesta básica, e sim educação e dignidade.
    Todos falam em direitos adquiridos e cláusulas pétreas, ninguém fala em deveres e responsabilidades.

  10. Paulo III. Engana-se você ao afirmar que o problema do serviço público seja a estabilidade do servidor. Aliás, é justamente a estabilidade do servidor que permite que o serviço público ande, mal, mas ande. Em verdade, quem faz com que o serviço público tenha dificuldade de locomoção são os governantes de ocasião e seu primeiro escalão que governam para seus interesses e não o da população e que usam cargos para abrigar pessoas de fora que de nada sabem e que quando vão embora pouco contribuiram. Você já imaginou como seria se cada governante contratasse todos os funcionários para sua gestão? E a cada mudança de gestão todos sendo demitidos e novos contratados através de empresas terceirizadoras de mão de obra, não por coincidência, propriedade de algum amigo ou de familiares? Além disso tem os Ministérios Públicos e tantos outros órgãos que com seus requerimentos de informações exigem a mobilização de vários servidores para responderem desde as mais insignificante das coisas. Respeito tua opinião mas ela é leviana.

    • Estabilidade para desenvolver o trabalho e investir em formação é uma coisa, agora comodismo e corporativismo com vantagens que os trabalhadores não tem são injustiças.

  11. Parabenizo o autor desse artigo pela clareza e objetividade, muito feliz na delicadeza e simples palavras, não dando margem a argumentação, e colocando os progressistas contra a parede!!

  12. Acompanho a evolução da dívida pública – que se tornou o maior problema do Brasil e que a mídia corporativa nunca cita de forma aprofundada – há muitos anos.

    O que aconteceu nos governos petistas, além da corrupção, foi o brutal endividamento do país. Hoje a dívida se aproxima de 100% do PIB, além dos encargos de centenas de bilhões de reais todos os anos.

    A parcela no Orçamento Federal é pouco mais de 50% do total e não está sujeita à PEC do Teto.

    Portanto, se houve benefícios para uma parcela da população durante os governos petistas, foi às custas de uma elevação dessa dívida e isso é uma coisa que eles nunca reconhecem.

    Por que o presente é dramático e futuro é sombrio? Porque chegou a hora de pagar a conta e nenhum governante, seja o atual ou o próximo, terá solução para as demandas da sociedade.

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