As ofensas entre comentaristas abundam, no mau sentido

Carlos Newton

Ontem à noite, fiz a bobagem de dormir cedo. Com isso, deixei espaço aberto para as ofensas entre comentaristas, que foram iniciadas, como sempre, por C. Fischer, que vem a ser um dos nomes-fantasia de Darcy Leite, funcionário da Receita Federal, que não se envergonha desse comportamento deprimente e patético.

De manhã, assim que vi as ofensas, deletei os comentários. E tive uma ideia que pretendo levar em frente. Vou pedir a três comentaristas que me ajudem a deletar essas mensagens indesejadas e irresponsáveis. Para tanto, fornecerei a senha a eles e mostrarei como proceder. Assim, as ofensas perderão a finalidade, porque serão deletadas tão logo forem postadas. E os engraçadinhos não terão mais graça.

Atualmente, só o Francisco Bendl tem a senha. Acho que ele vai apoiar a ideia.

45 thoughts on “As ofensas entre comentaristas abundam, no mau sentido

  1. Parabeníssimos Dr. Béja. Aqui em casa também usamos o “Magnésio PA = Pureza Absoluta”, concordo plenamente. No âmbito “naturalista” muitos que conheço são unânimes sobre os milagres do Magnésio PA.

  2. ‘Recuperação só em 2018’, diz José Márcio Camargo

    O economista, professor da PUC-Rio, faz uma análise dura dos governos petistas, que, em sua opinião, provocaram desequilíbrios graves. E só com um ajuste forte, sem hesitações ainda em 2015, é que o país conseguirá ter fôlego, a partir de 2017.

    Professor titular da Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-Rio), José Márcio Camargo faz uma análise dura da situação econômica brasileira. Para o especialista, que há 40 anos se dedica ao tema, as políticas adotadas pelos governos petistas nos últimos sete anos criaram um conjunto de desequilíbrios graves. E só com um ajuste forte, sem hesitações e feito ainda em 2015, é que o país conseguirá ter fôlego, a partir de 2017 — quando o desemprego já deverá estar perto dos dois dígitos. O economista faz questão de frisar que o governo Dilma Rousseff não está fazendo superávit primário apenas porque quer: “Se não fizer, a trajetória da relação dívida-PIB será insustentável”. Chegaríamos, então, à mesma situação da Grécia, acrescenta. O risco, para Camargo, está mais perto do que se imagina. E ele alerta que o governo “dá sinais de que está diminuindo o compromisso com o ajuste”, referindo-se ao Programa de Proteção ao Emprego e à mudança no crédito consignado.

    O Partido dos Trabalhadores vai alcançar seu pior momento em termos de emprego e renda neste seu quarto ano de governo. Como o sr. vê este momento e os efeitos do ajuste fiscal?

    As políticas adotadas pelo governo nos últimos sete anos conseguiram criar um conjunto de desequilíbrios extremamente importantes. O primeiro deles, um desequilíbrio fiscal muito forte. Hoje o país precisaria de um superávit primário de mais de 13,5% do Produto Interno Bruto (PIB). O que se tem é déficit primário de 0,7% do PIB. A relação dívida-PIB aumentou quase 10 pontos de porcentagem ao longo desses quatro anos. Hoje temos uma relação dívida-PIB próxima a 65%. Se fizermos uma conta simples você vai ver que na atual situação essa dívida é insustentável. Temos uma taxa de juros real próxima a 6%, em uma dívida de 65% do PIB. Só aí você tem quase 4 pontos de porcentagem de crescimento dessa relação. Então você vai sair de 65% para 69%. O PIB vai cair 1,5 ponto de porcentagem e aí vai para 70,5%. Suponha que se consiga fazer 1 ponto de porcentagem de superávit, logo chegamos a 70% de relação dívida-PIB. O que é muito alto. Para tornar a evolução da dívida sustentável será preciso fazer um superávit primário muito alto também. Logo, o governo não está fazendo um superávit primário porque ele quer, e sim porque, se ele não o fizer, a trajetória da relação dívida-PIB será insustentável.

    Isso aconteceu com outros países?

    Temos os exemplos reais da Grécia e dos países periféricos europeus, em que a relação dívida-PIB se tornou insustentável. O segundo desequilíbrio que foi criado no Brasil ao longos desses últimos sete anos foi o fato de a demanda ter crescido muito mais rapidamente do que a oferta, o que gerou uma taxa de inflação extremamente elevada. Na verdade, o Banco Central foi conivente com uma inflação alta, num período em que se tinha taxas acima da meta, algo em torno de 6%, 6,5% ao ano, quando a meta era de 4,5%. E até esse valor foi conseguido via controle de preços administrados, intervenção na taxa de câmbio e valorização cambial. Se tivessem reajustado os preços administrados em uma posição de equilíbrio, a taxa de inflação já estaria acima da banda de tolerância há muito tempo. Esse desequilíbrio passou a ser consertado agora, com a correção drástica dos preços administrados. O preço da energia já subiu quase 50% este ano e isso vem provocando uma pressão inflacionária extramente forte. E, ao mesmo tempo, o BC está tendo que aumentar juros, caso contrário não se vai conseguir reduzir a taxa de inflação para números próximos a 4,5% — e não falo nem de 2016, me refiro a 2017, 2018…

    E qual é o terceiro ponto?

    Houve três elementos significantes. Primeiro, observamos uma redução das taxas de juros, em 2011; depois uma queda do superávit primário; e, logo em seguida, um aumento das concessões de crédito pelos bancos públicos. Esses três efeitos geraram um excesso de demanda na economia que, além de provocar uma pressão inflacionária, em parte gerou também a redução da taxa de desemprego a níveis claramente insustentáveis, a níveis próximos de 4,5%. Em outras palavras, com taxa de desemprego de 4,5% da força de trabalho, a taxa de inflação do setor de serviços vai girar em torno de 9% a 10% ao ano. Basta olhar o dado atual.

    Como se estrutura essa relação entre desemprego e inflação?

    O que há é uma relação muito forte entre a taxa de desemprego e a inflação de serviços. Quanto menor é a taxa de desemprego, maior é a inflação de serviços. Isso acontece porque o salário real aumenta, a renda aumenta e as pessoas passam a consumir mais. Quanto mais renda a pessoa tem, mais ela compra serviços e menos bens industriais. Como o preço dos serviços depende basicamente de oferta e procura interna, e como a taxa de investimento no país é baixa, o crescimento da oferta não foi suficiente para atender ao aumento da demanda. Nos bens comerciáveis esse problema existe menos. Porque o preço de um bem comerciável é igual ao preço dele lá fora, vezes a taxa de câmbio. Então, a taxa de inflação dos comerciáveis é a taxa de inflação lá fora, vezes a desvalorização cambial. Como se estava segurando o câmbio com a venda de swaps e a inflação lá fora é zero ou negativa, logo a inflação dos bens comerciáveis é muito baixa. Toda a inflação que temos hoje é uma inflação de serviços. Uma inflação extremamente difícil de se reduzir.

    Por que?

    Como depende muito da taxa de desemprego, e como a taxa de desemprego é a última variável a reagir a uma redução do nível de atividade, o tempo de começar um processo de ajuste da economia e o momento em que esse processo de ajuste chega no mercado de trabalho (via aumento do desemprego e redução de salários) é muito longo. De 10 a 12 meses para se chegar lá com toda a força. Logo, começou-se a ter um efeito sobre o desemprego agora neste ano, mas só vai se ter um impacto sobre a inflação de serviços lá para meados do ano que vem. Isso torna o processo extremamente doloroso. Ou se faz isso, ou se vai ter uma taxa de inflação muito mais elevada. Isso cria um terceiro desequilíbrio que nós não temos como não resolver. Ou se resolve via política econômica, ou o mercado resolve para você, desorganizadamente: o desequilíbrio nas contas externas.

    Em que sentido?

    Nós temos um déficit em conta corrente de 4,5% do PIB, US$ 100 bilhões de dólares, que está caindo nos últimos meses por uma razão simples. O país vai ter uma recessão de 2% do PIB este ano. O que quer dizer que estamos diminuindo mais as importações do que as exportações. Isso quer dizer que estamos importando menos e exportando menos, porque a economia está em recessão. A única forma de realizar esse ajuste externo é fazendo com que os preços dos bens comerciáveis cresçam mais do que os preços dos bens não comerciáveis, que são os serviços, em 8% a 8,5% ao ano. O que se sabe é que, com esse déficit em conta corrente, em algum momento a taxa de câmbio vai se desvalorizar, o que vai gerar uma pressão inflacionária interna. Logo, se a inflação de serviços continuar em 8% na hora que vier a desvalorização cambial para resolver o desequilíbrio externo, a taxa de inflação vai ser de 2 dígitos. Logo, não há muita saída, infelizmente.

    Como chegamos a este ponto?

    Tudo o que falei aqui não tem relação com uma crise internacional. Tudo está relacionado a uma política monetária e fiscal mal feita, e a uma política de crédito, de preços administrados e de câmbio equivocada. O cenário externo afeta, sim, a economia brasileira, mas ele só torna o ajuste mais difícil.

    De que maneira?

    Por exemplo, será preciso desvalorizar o real, fazer com que os preços relativos mudem em favor dos bens comerciáveis. Acontece que o real desvalorizou em relação ao dólar quase 100% nos últimos 12 meses. Mas não foi só o real que desvalorizou, todas as moedas de emergentes se desvalorizaram. Isso significa que a desvalorização que o real teve em relação a uma cesta de moeda de seus parceiros comerciais foi pequena. Logo, temos um cenário de dólar forte, que dificulta ainda mais o ajuste interno. Mas todo o problema foi criado por políticas econômicas equivocadas. Da mesma forma, o fato de a China estar em um processo complicado, gera queda nas receitas de nossas exportações. Como produzimos e vendemos matérias-primas para a China, o preço dos nossos bens comerciáveis está caindo. Logo, a desvalorização que a gente precisa é ainda maior.

    Qual é a sua expectativa?

    Estou muito pessimista para este ano e para os próximos dois anos. Minha expectativa é de queda do PIB próxima a 2% e taxa de inflação de 9,6%. Mas se for feito um reajuste da gasolina, chegará, possivelmente, aos dois dígitos. Mas esta necessidade de reajuste vai depender ainda do comportamento do preço da gasolina lá fora. E, dado o preço de ontem (segunda-feira), a gasolina aqui dentro tinha um valor defasado de 13%, comparada à comercializada lá fora. Além disso, há um problema no setor de energia que ainda não foi resolvido. As geradoras tiveram um déficit no ano passado de R$ 20 bilhões e estão repetindo esse déficit neste ano. Como choveu pouco, o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) está despachando as termelétricas para poupar as hidrelétricas, mas isso significa que as hidrelétricas têm que comprar das termelétricas a energia que elas têm que fornecer. Como esta é uma energia mais cara, logo, gera-se esse déficit. São mais R$ 20 bilhões vindo aí; quem vai pagar essa conta, não se sabe — o consumidor, ou as empresas. O que se tem é um problema jurídico, pois as empresas já entraram com ações na Justiça e ganharam liminar para não serem responsabilizadas por esses custos.

    E para 2016?

    A nossa previsão é de uma inflação próxima a 6%, apesar da recessão. Já o crescimento será próximo de zero.

    O sr. vê na crise econômica um reflexo direto da perda de confiança e credibilidade do governo?

    Sem dúvida. No que toca à inflação, há dois problemas. O primeiro, é a falta de credibilidade da própria equipe do BC — uma equipe que aí está há cinco anos e que em nenhum momento, até janeiro de 2015, teve o compromisso de atingir a meta de 4,5% no ano. Logo, as pessoas não acreditam que a equipe que aí está tenha esse compromisso nos próximos anos. Independentemente do que o BC fala. Ele tem que fazer um esforço muito maior para chegar nos 4,5%, do que se fosse uma equipe que estivesse perseguindo sistematicamente a meta ano a ano, mas que, por efeitos externos a ele, não tivesse conseguido.

    Mas a falta de credibilidade é um problema também do governo?

    Sim. Os agentes (econômicos) confiam muito pouco naquilo que está sendo dito pelo governo.

    Como o sr. vê essas o PPE (Programa de Proteção ao Emprego) e o aumento da parcela de crédito a ser usada no empréstimo consignado?

    Há alguns sinais importantes de que está diminuindo o compromisso do governo com o equilíbrio fiscal. Os sinais menos sutis são o protagonismo do ministro Nelson Barbosa, e o pouco protagonismo do ministro Joaquim Levy, nos últimos 15 dias. Veja que, na viagem a Washington, o ministro Levy foi adoentado, ele não foi protagonista de nenhuma reunião importante. Todo o protagonismo foi do Barbosa. Como o ajuste fiscal foi arduamente defendido pelo Levy em grande parte, isso dá um sinal de que algo pode estar acontecendo. Mas há coisas menos sutis, como esse PPE. Eu li que, do ponto de vista fiscal, o programa não seria deficitário, porque o governo não vai deixar de arrecadar, pois vai diminuir o desemprego. Se for verdade, o governo deveria estender para todos — se é bom para as empresas, e para o trabalhador, porque não fazer isso definitivamente? O argumento para mim não parece racional. Eu fiz as contas e elas me dizem que, para que o gasto com o programa seja menor do que o que se gastaria com seguro-desemprego, é necessário, em média, que as empresas demitam mais de 30% dos seus trabalhadores. Se é essa a expectativa…

    O Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) teria estrutura para esse gasto?

    E alguém parece estar preocupado com isso? O FAT financia tudo! Outro sinal de que o comprometimento com o ajuste fiscal está diminuindo é essa questão dos 30% do crédito consignado. Não seria apenas um problema de comprometimento com o ajuste, mas com o programa como um todo. Ao se aumentar de 30% para 35% o limite de crédito consignado e se justificar que será um dinheiro para ser usado apenas no cartão de crédito, não se considera que, ao pagar com cartão de crédito consignado, vai sobrar dinheiro para outra coisa. O que significa dizer que o BC vai precisar de uma taxa de juros maior para conseguir o mesmo efeito que conseguiria sem ter aumentado o consignado. A medida significou uma redução da taxa de juros de mercado. Se o BC tinha um objetivo, ele vai ter que aumentar esse objetivo. O que tem uma consequência fiscal importante. A taxa Selic, que o governo tem que pagar em seus títulos, necessária para gerar inflação na meta, hoje é maior do que ontem. Logo, o custo fiscal para o governo aumentou.

    Então essa medida tem um impacto no ajuste fiscal?

    Sim. A mesma coisa foi essa história de se criar uma banda para o superávit primário. É como se as pessoas não tivessem o mínimo de inteligência… Quando se cria uma banda para inflação, entende-se que quanto menor a inflação, melhor. Isso significa que é bom para o BC perseguir a meta. Mas quando se cria uma banda para o superávit, quanto maior o ajuste fiscal, pior para todo mundo, menos para o futuro governo. A pergunta é: quem vai perseguir o centro da banda e produzir mais do que o mínimo de superávit necessário? Logo, o mínimo de superávit vai se transformar na meta, óbvio. Tudo isso são sintomas de que o comprometimento com o ajuste fiscal está diminuindo. Sou pessimista, acho que eles não vão conseguir atingir os 1,1% de meta de superávit primário. Mas também acho que eles não devem mudar a meta agora.

    Por que?

    O efeito disso em termos de credibilidade e de esforço para se conseguir atingir a meta é enorme. Uma coisa é você ter uma meta de 1,1% do PIB e tentar alcançá-la até o final. Mas se você já diz, previamente, que vai ser só 0,3% do PIB… para quê fazer ajuste fiscal?

    E a consequência disso…

    Faz com que a credibilidade do governo se reduza ainda mais. E a probabilidade de se ter um rebaixamento do grau da dívida é muito alta e está aumentando rapidamente. Deve haver um rebaixamento ainda este ano das agências que estão a dois níveis acima do grau de investimento. Mas a probabilidade de se ter um rebaixamento com outlook negativo está aumento muito.

    Num momento em que o cenário externo vai ter um aumento de juros nos EUA…

    Seria um problema adicional. Eu fiz a conta da sustentabilidade da dívida com os juros que temos hoje, de 5% real ao ano, imagina se tivermos que voltar a pagar, como já precisamos no passado, uma dívida de 8% a 9% ao ano. A dívida fica insustentável. É esse o risco e é por isso que as agências diminuem as notas de risco dos países.

    E o emprego, nesse cenário?

    O mercado de trabalho está só no começo do processo. Nós vamos chegar a uma taxa de desemprego no final do ano próxima a 8% da força de trabalho (considerando a Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE como indicador base) e a tendência é de continuar crescendo. Já os salários, considerando essa aceleração da inflação que prevemos, devem ter uma queda real de 4%. Se o governo persistir na tarefa de eliminar os desequilíbrios criados por ele no passado, vamos acabar chegando, no final de 2016, em uma taxa próxima a 11% da força de trabalho. Desde que se continue a perseguir uma inflação de 4,5% e um superávit primário de 2% e tentar equilibrar o setor externo. Num ambiente como este, se espera uma queda do salário nominal, sem descontar a inflação, próxima a 1%. É um processo extremamente doloroso, mas eu não conheço outra forma de resolvê-lo. No governo Fernando Henrique se fez um ajuste também, funcionou, a inflação foi para a meta. Quando o presidente Lula assumiu, no primeiro mandato, o ministro Palocci reforçou o processo de ajuste, e a coisa estava caminhando ótimamente, até que mudou a política econômica. É importante frisar que a taxa de desemprego é lenta para subir, como é lenta para cair. O mercado responde de forma lenta porque é difícil demitir e contratar.

    Isso vai fazer com o desemprego chegue a seu pico perto das eleições presidenciais?

    Em 2017 já teremos taxas de desemprego próximas a dois dígitos. Se tudo funcionar direito, positivamente, vamos chegar em 2018 começando um processo de recuperação. A economia começaria a sentir um alívio do ajuste feito em 2015, 2016 e 2017 — se tudo funcionar direito.

    Qual seria a consequência de se desistir do ajuste?

    Mais desemprego, mais inflação. O ajuste externo em algum momento o país tem que fazer, porque ele não emite dólar. Logo, se não for feito o ajuste, a sua relação dívida-PIB vai se tornar insustentável.

    O governo está postergando o aumento do desemprego?

    Acho difícil o governo conseguir segurar o desemprego, pelo fato de que a confiança dos empresários já caiu de tal ordem que ninguém hoje está disposto a investir. Se a situação se deteriorar ainda mais, aí é que os investimentos não vão existir mesmo. Logo, de onde virá o crescimento? Outro ponto que é preciso salientar é que toda a aceleração inflacionária gera queda real de salários. E esse movimento é inevitável. Os salários não acompanham a inflação, nunca. Os salários só não perdem quando a inflação pára de subir, ou cai. Logo, se não se fizer o ajuste, a inflação vai subir e os salários vão cair.

    A presidenta está convicta da necessidade do ajuste?

    Não sei te responder. O discurso dela antes de 1º de janeiro de 2015 e depois mostra pessoas diferentes. Totalmente esquizofrênico, no meu ponto de vista. Não sei se ela mudou por convencimento. Acho difícil que ela tenha mudado tanto em tão pouco tempo. Por isso é que fico preocupado se eles vão levar esse processo até o fim.

    Alguns economistas dizem que o custo do ajuste é muito alto…

    Não dá para entender… Tem gente que acha que o ajuste pode ser empurrado com a barriga. Quem vai comprar os títulos da dívida brasileira, se a taxa de juros for menor do que é? O país tem que financiar sua dívida. Quando a taxa de juros é baixa, o preço do título é alto. Para que tenha quem compre, o comprador vai ter que acreditar muito que o governo vai pagar — caso do título do governo americano, que paga 2,5% ao ano, mas é o mais seguro do mundo. Se você tem um título brasileiro, que pague 1,5% ao ano, por exemplo, como em 2012, quem vai comprar? Quem determina o preço do mercado, é o mercado.

    O sr. acredita que a Operação Lava Jato possa gerar mais efeitos sobre o desemprego?

    Essa projeção que fizemos independe da Lava Jato e essa operação só piora a situação do emprego. As empreiteiras envolvidas terão muitas dificuldades para se desfazer de obras do governo. As empresas estão em uma situação financeira bastante difícil. O segundo ponto é que uma série de obras estão sendo paralisadas, como em Itaboraí, por exemplo, onde shoppings e outros empreendimentos foram parados. No Rio, parte grande das obras das Olimpíadas está com essas empreiteiras. Realmente não sei o que vai acontecer. Além de tudo, há o fato de que essas empresas têm dívidas monumentais com bancos brasileiros. O que significa que esses bancos terão que fazer uma provisão para esses devedores, levando, assim, a uma restrição ainda maior de crédito.

    O sr. espera que o BC mantenha a trajetória de alta da Selic?

    A pergunta é: o BC quer manter o compromisso de chegar na meta em 2016? Se ele quer manter o compromisso, a Selic ainda vai ter que subir, pelo menos até 14,5%. Mas o BC precisa manter o compromisso, até setembro, outubro. Ainda assim, isso não garante que vá chegar aos 4,5% em 2016. Será difícil alcançar, já que se está partindo de uma taxa de inflação de serviços muito alta e de uma taxa de desemprego muito baixa. A menos que se tenha um acidente no percurso, fazendo com que o desemprego acelere de forma mais rápida, em 10%, no fim do ano, aí se chega lá. Mas esse não seria o comportamento natural do mercado de trabalho, que costuma demorar um ano e meio para responder à desaceleração da economia. Parece maldade, mas não é. Há uma relação forte entre taxa de desemprego e taxa de inflação dos serviços: quanto maior é o desemprego, menor é a inflação de serviços.

    O preço do ajuste passa pelo desemprego?

    Para se chegar a 4,5% em 2017, é preciso fazer, hoje, uma política monetária dura. O preço do ajuste passa, sim, pelo desemprego. Eu não conheço ninguém que tenha feito diferente, nunca. E esse é o pavor dos governos de esquerda.

    (Transcrito do Brasil Econômico)

    • Esta é – disparada – a melhor análise econômica veiculada na mídia porque guarda fidedignidade de avaliação das varáveis econômicas e seus efeitos no momento atual, assim como faz a mais perfeita correlação dessas variáveis e suas consequências no mercado e na economia como um todo no médio prazo.

      Quem quiser entender com profundidade o que estamos passando assim como o que passaremos nos próximos três anos não pode deixar de ler na íntegra este artigo.

      Grande abraço a todos!

    • Só do programa social Bolsa Família, temos ente 20 a 25 milhões de inativos em idade de trabalho, que não constam nas estatísticas do IBGE como desempregados… embora o sejam na prática.

  3. Não concordo com a charge.
    Mesmo sendo um anônimo lá do Japão (no outro lado do mundo) ao lhe ofender com palavras ásperas, com conselhos tipo mandar a pessoa estudar mais, humilhar e questionar o caráter da pessoa etc. mesmo que virtualmente toca o EU da pessoa. Ao menos já aconteceu comigo.

    Vou dar um exemplo: Se num acaso o CN me reclamar e disser que meus longos comentários não serão mais aceitos, devido não escrever com clareza, que eu sou muito prolixo e principalmente por não ser colaborador, mas é claro que ficarei triste. Não só pelo fato de não poder mais comentar, mas também porque mesmo virtualmente atinge o psicológico da pessoa.
    Aliás, temos exemplos aqui de pessoas sendo ofendidas e percebe-se nas respostas do ofendido que ele não deu risadinha alguma.

    • “Aliás, temos exemplos aqui de pessoas sendo ofendidas e percebe-se nas respostas do ofendido que ele não deu risadinha alguma.”

      Xingar sua mãe realmente não faz ninguém rir. Concordo plenamente com o caro João.

      Mais parece comentários juvenis…. triste!

    • Use o magnésio PA como indicado. Faça a busca na internet, como indicada. E também não use glúten, de maneira nenhuma. É veneno puro. Flúor é outro veneno.
      Jorge Béja

  4. Dr. Béja, realmente é um santo remédio. Eu sofria de gota provocada por ácido úrico, tomava um remédio diariamente que acabava com o meu estômago. Certa vez em um bar conversando com um amigo professor do Antônio Pedro, ele me deu a receita, o meu ácido úrico que era de 11, passou para 5. A ‘medicina’ atual não receita, pois custa R$ 5,00 e dá para 20 dias.

  5. Apoio totalmente a medida. Muitas vezes em um debate político se ‘endurece’ o discurso, mas isso está muito longe das ofensas pessoais. Tenho quase que a certeza que há muitos paus mandados fazendo isso na tentativa de esvaziar a TI.

  6. Sr. Jorge, melhor é com água mineral ou água de poço, pois água de torneira tem flúor e cloro.
    Quanto ao glúten, verdade total.
    Perdi 20kg desde agosto de 2014 retirando esse maledito (em parte, pois a cevada dos fins de semana são de lei) e quase todo tipo de carboidrato.

  7. Só acho que: Dois pesos UMA medida.

    Aos desconhecidos do moderador a deleção dos comentários, aos amigos, fingimento das regras.

    CN, sei que és justo! Segue minha humilde dica.

      • Eu concordo com você, Fred SP. Para mim, continuaríamos sem moderação prévia. O comentário que contivesse ofensa a outros comentaristas, seria deletado assim que o moderador o lesse, como sempre fizemos, sem maiores estresses de gregos e troiano. Concordo que o blog perde a grança se for mais moderado do que o necessário. Mas não sou dono da verdade, gostaria que todos se manifestassem a respeito.

        Abs.

        CN

        • Apoiado, Carlos. Os comentários ofensivos, vindo de qualquer lado, devem ser deletados tão logo percebidos. O resto deveria ficar sem moderação, a bem da liberdade de discussão. Agora, seria bom que, como em outros blogs, ao deletar um comentário fosse publicado um aviso para o seu autor dizendo que foi deletado e porquê. Existem maneiras automatizadas de fazer isto, não sei se na plataforma deste blog há o recurso.
          Um abraço.

  8. Democracia é uma arma poderosa, quase sempre usada de maneira equivocada pelos falsos democratas.
    Já participei de blogs/sites onde os comentários passavam por avaliação, principalmente para evitar agressões, ofensas.
    Dizer bobagens, babaquices e fornecer informações erradas é comum. Afinal, estamos em um país recheado de “analfabetos funcionais e apolíticos” que praticam a política, diariamente. “.
    Apoio sua medida pesadíssimo Newton. Junto com ela, seria importante que todos se identificassem com nome sobrenome. Codinome, apelidos ou outra forma de esconder-se (pseudo proteção) é a forma de alguns se eximirem das responsabilidades.
    Como cobrar-se responsabilidade de outro se mantermos nossa identidade com capuz?
    A nossa TI, sua direção, comentaristas e palpiteiros merecem respeito e devem devolvê-lo na mesma forma e peso.
    Parabéns pela coerência, prontidão e lucidez com que comanda este maravilhoso, indispensável e necessário espaço.
    Um fraterno abraço Grande Newton.

    • David, vá ao Google ou YouTube e faça a busca com este nome: Magnésio PA.
      E ouça os estudos, as explicações e indicações dos médicos. São vídeos. Veja e ouça atentamente. É fácil. Fiz isso e deu certo. É importantíssimo. Na tela vão aparecer mais de 4 vídeos, 3 deles com médicos e os demais com pessoas que passaram a fazer uso do Magnésio e contam a transformação que ocorreu. É facílimo o preparo.
      Boa Sorte e Muita Saúde.
      Jorge Béja

  9. Boa noite!

    Pessoal, o Jornalista Carlos Newton parece ser sábio. Da mesma forma o velho Joaquim, genro de uma lusitana, que a repetia com esta frase ao longo do dia:

    “a boa ou má ação fica com quem a pratica.”

    Caso não haja consenso; que daqui para frente seja adotado como lema desse blog outro brocardo português, para recepcionar todos os aqui navegantes:

    “Visitantes sempre dão prazer. Senão quando chegam, pelo menos quando partem.”
    Provérbio Português

  10. Eu não entendo como o jornalista Carlos Newton dá confiança aos que assim procedem. Não deveria nem citar, simplesmente deletar. Quando a gente não dispensa atenção, quando a gente despreza, automaticamente afasta os ofensores.

    • Tem toda razão, Carmen Lins. Desde que este blog existe eu tento incutir essa lógica, mas muitos participantes não aceitam. Eu começo por mim mesmo, citando o colega Paulo Francis, com quem trabalhei na Ultima Hora e no Pasquim: “Não dou importância nem mesmo ao que eu escrevo”.

      Abs.

      CN

  11. Sr.Newton, depois de vários ataques da PULIÇA SS-NAZI DO EFEAGACE & CIA QUADRILHA , uso uma tática que é infalível contra as ofensas á minha pessoa.

  12. Engraçado, estou acompanhando a preocupação do mediador e percebo que alguns ainda não entenderam que o melhor, mais democrático para o blog, seria não haver mediação e sim o bom senso daqueles que comentam. Alguns já com carteirinha assinada por postagens reacionárias, são os que mais insultam, se acham inclusive como donos do blog.
    Acho que a ideia do mediador em dar esta responsabilidade a três pessoas para deletar mensagens, na minha opinião é um retrocesso, obviamente não deletarão postagens daqueles que pensam igual a eles.

  13. Prezado dr. Beja, sempre que possivel, acompanhei suas lutas em movimentos e causas em favor dos “sem justiças” nesse nosso Brasil Varonil. Quando comecei a acessar o site me surpreendi positivamente ao ver suas partcipacões. Agora, gostei muito de sua indicaćão do Magnésio PA, tanto que sai a procura, porém não encintrei em nenhuma das farmácias. Encontrei cloreto de magnésio, seria isso? Se alguém puder ajudar, seria grato.

    Carlos Newton, relaxa e continue a dormir bem. Sempre devemos ser firmes, porém serenos. A resposta a baixo nível, é educacão e educaćão de origem de exemplos. Só lhe peço uma coisa: não sucumbe a tentação do radicalismo e nem do “diálogo unilateral”. Só faria mal a você e a quem o acompanha. Grande abraço, tranqulidade e sabedoria

    • Obrigado, Rogério, pelo estímulo. Este blog vale ouro. É cloreto de magnésio PA. Vá ao Google e/ou ao YouTube e insira esta busca “MAGNÉSIO PA”. E veja os vídeos em que os médicos explicam tudo. Eu compro o cloreto de magnésio P.A na B’Herzog, uma quase centenária empresa estabelecida no centro do Rio, Rua Miguel Couto 131. Lá o Cloreto de Magnésio P.A. é vendido quantidade de 500 g, em pote de plástico de cor preta. Soube que nas farmácias também é vendido. MAS NÃO DEIXE DE VER OS VÍDEOS COM AS EXPLICAÇÕES DOS MÉDICOS. VEJA TUDO ANTES DE FAZER USO. ELES EXPLICAM COMO PREPARAR. É FACÍLIMO.
      BOA SORTE E MUITA SAÚDE, COM CLORETO DE MAGNÉSIO P.A.
      Jorge Béja

  14. É complicado essa história de deletar… qual o critério? sei que tem comentarista que extrapola e parte para ofensas pessoais e familiares, haverá mesmo imparcialidade de temas? imparcialidade de ideologias? imparcialidade partidárias? imparcialidade de gostos? A meu ver é melhor ficar do jeito que está… sem pressa… qdo o CN perceber que alguém ultrapassou os limites do bom senso e do respeito ao próximo então ele apaga …

    Todo mundo tem um lado positivo, vamos torcer/divulgar/incentivar que, mesmo as críticas sejam construtivas…

    Continuamos sonhando…

  15. Algumas pessoas escrevem aqui falando que usar a tesoura da censura (mesmo quando há ofensas pessoais) é tirar a liberdade de expressão do indivíduo.
    Mas, vem cá, e porque o Reinaldo Azevedo e o Augusto Nunes apagam muitos comentários e seus blogs são um sucesso em número de comentaristas?
    Ah, mas lá é um blog de direita e só passa o que é do agrado deles. Bom concordo em parte, mesmo assim seus blogs funcionam bem e seu público os adora aos dois e a outros colunistas da revista.

  16. Newton, é uma temeridade, você que desejou liberdade rendeu-se ao “não me toques” de alguns participantes que querem praticar a democracia no SILÊNCIO DOS CEMITÉRIOS ou querem transformar o Blog TRIBUNA DA INTERNET- Sob o sígno da Liberdade – em uma SEITA. Sou contra, mas suficientemente adulto para dizer que continuarei participando. Os “dodoizinhos” que me ignorem.

  17. Também não gostei, Aquino. Alguns comentaristas passarão a ter poder de veto e outros não. É uma relação muito assimétrica para o meu gosto. Comentaristas de primeira e de segunda classe?

  18. Aproveito o ensejo para louvar a lembrança do Dr.Béja quanto ao Cloreto de Magnésio. Tomado da forma indicada, é um santo remédio para dores ósseas e de articulações. Extremamente oportuna a indicação.

  19. Amigos
    Participar é uma opção. Ser educado é uma necessidade. O “fazer e participar” democrático exige respeito, civilidade, algum conhecimento, responsabilidade e um dizer “não” a boçalidade, a truculência, ao deboche, a insensatez.
    Quando alguém se utiliza de um espaço público ou privado para despejar mentiras, ofensas, desinformação e outras coisas do gênero, não está agindo dentro dos preceitos democráticos.
    Afinal, democracia não é fazer o que se quer, da maneira que cada um entende.
    É como aqueles que, por estarem na praça, na rua ou em algum outro local público, pensam que TUDO PODE. O argumento é de que o lugar é público. Ora, justamente por ser PÚBLICO é que tem regras para sua utilização.
    Quando cada um age e faz o que lhe melhor aprouve, termina invadindo o espaço de outros e usurpando seus direito também.
    Nosso espaço é democrático e assim precisa permanecer, mas não pode virar “terra de ninguém”.
    Democracia é um jogo. Para jogar e atingir seus objetivos precisamos cumprias regras.
    Aqueles que ultrapassam os limites do bom senso e desrespeitam as regras, seja por que forma for, merecem punição. Quando a educação falha, a lei dá limites e cobra.
    Não gosto da censura prévia, mas também não admito ataques pessoais. Afinal devemos nos limitar ao debate no campo das idéias.
    No entanto, sempre cobrei e continuarei assim fazendo quanto ao aspecto da identidade.
    O ato de se esconder denota algo negativo. É como “dar o tapa e esconder a mão”.
    Defendo a clareza na identidade de todos que participam da TI.
    Enfim, tudo é uma questão de princípios, valores e responsabilidade.

  20. Leio muitas bobagens acima.
    Os que se dizem cascudos são os primeiros a apelar para agressões, mentiras e insultos quando não concordam com comentários sobre o que escreveram.
    Também não será porque identificado que terá o direito de agredir e ofender. Tal concessão em nome da democracia e liberdade de expressão é uma falácia, uma especie de conto do vigário por escrito.
    Confundem liberdade com libertinagem e permissividade, até o dia que forem vítimas de comentaristas sem escrúpulos e educação, e exigirão imediatas medidas do dono do blog.
    O controle que deve ser feito por pessoas que serão escolhidas para esta tarefa deve ser levado adiante para que o blog sobreviva.
    E lanço um desafio aos comentaristas:
    Preferem identificados, mas que não respeitam quem quer que seja, e escrevem palavrões e expressões que não são condizentes com a proposta do blog, a plenitude do cinismo e hipocrisia ou, um anônimo, que age de acordo com a educação e respeito com todos?

  21. João Souza, este Blog não é de esquerda e nem de direita. Você não é obrigado a ler uma bobagem escrita por mim ou qualquer pessoa e bancar o educadinho cheio de paetês e lantejoulas. Tem, se for o caso, que criticar, ironizar, zombar ou ignorar. Não podemos aqui ficar mudos perante alguns falsos intelectuais que só conhecem nossa cultura ensinada nos bancos das faculdades. Passaram e estão passando pela vida sem vivê-la, na vã iluzão que são cultos, nobres e que não podem ser criticados ou ironizados. Os que os criticam são iletrados, ultrapassados e devem ser eliminados de um ambiente em que eles se sentem como se fossem superiores; que por piedade aqui participam para “dar uma gota de sua incomensurável sapiência a plebe rude”. Democracia é viva, efeverscente, pujante e candente; não comporta meias palavras. Comporta e exige verdade. A nossa verdade, a verdade de todos.Eu falar o que você quer ouvir não é democracia. Da mesma forma você falar o que eu quero ouvir nunca foi e nunca será democracia. Tem mais: a crítica, a ironia o questionamento são pressupostos democraticos. Confundir crítica, ironia questionamento com ofensa é BURRICE.

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