As quatro cirurgias de Chávez, por que não foram feitas na Venezuela?

Helio Fernandes

Venho acompanhando jornalisticamente a doença do presidente ininterrupto da Venezuela. Câncer não é brincaderia, e a displicência, o desinteresse e o descuido como a situação vem sendo examinada e cuidada sempre me causaram surpresa e perplexidade.
Não só por causa dos riscos médicos, mas principalmente políticos. A situação da Venezuela é mais do que conhecida, ou melhor, notória, e qualquer risco maior não atingirá apenas Chávez, mas colocará o país à beira da guerra civil.

Chávez seria operado em São Paulo…

Isso está mais difícil e visível na discussão sobre sua posse em 10 de janeiro, distante apenas 20 dias. Líderes chavistas falam que ele não poderá tomar posse. Mas o vice, e não em causa própria (pois terá que haver nova eleição, logo que constatada a impossibilidade de Chávez reassumir o Poder) diz exatamente o contrário.

Vejamos a questão por ângulo diferente, ainda não examinado ou revelado. A primeira cirurgia não foi levada muito a sério, a única fonte de informação na Venezuela é sempre Chávez, e nada pode ser contestado. Basta verificar que até hoje, anos decorridos, não existe nenhuma informação médica, nenhum boletim oficial, nada de explicação.

A primeira cirurgia seria feita no Brasil. Lula (ainda presidente) e Chávez acertaram tudo. O agora ex-presidente combinou coma direção e com os médicos do Sírio Libanês, um dos melhores hospitais do Brasil. Logo vazou: Chávez seria operado de um câncer nos rins, em fase inicial.

Marcada a data da vinda do presidente da Venezuela, no dia da sua vinda ele telefonou para Lula, incisivo e definitivo: “Estou indo para Cuba, é preferência dos meus assessores e conselheiros”. Desligou, deixou Lula perplexo, mas sem poder fazer coisa alguma.

Agora os fatos que quase ninguém conhece. Não se submetendo à cirurgia no Brasil, o último lugar onde Chávez deveria ser operado seria em Cuba. E Chávez, melhor do que ninguém, conhecia e conhece o fato.

15 mil médicos cubanos estão na Venezuela. Os mais importantes e competentes. Em Havana ficaram praticamente os de segundo time, para “cuidarem” da população local. Agora o mais grave, do conhecimento total de Chávez.

Os que estão na Venezuela vivem miseravelmente, moram em barraco, não recebem salários, praticamente morrem de fome. Compreensivelmente, Chávez não quis colocar sua vida nas mãos deles. Mas por que isso acontece?

A Venezuela paga generosamente a Cuba, as transações e as negociações são feitas de país para país. A Venezuela paga, Cuba recebe, principalmente em petróleo, da mesma forma como era feito antigamente com a União Soviética.

Agora não há mais nada a fazer, a sobrevivência de Chávez e da Venezuela, entrelaçada, como vem acontecendo há muitos anos. Antes era Fidel que ia ao aeroporto receber o amigo e financiador. Agora é o irmão Rául, que saiu de 35 anos de ostracismo para uma notoriedade melancólica.

PS – Quando será escrito o último capítulo dessa tragédia? Na Venezuela ou em Cuba? Se tivesse vindo para o Brasil na primeira cirurgia, Chávez e a Venezuela não estariam em situação tão desesperadora.

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COM JOSÉ MARIA MARIN E SCOLARI,
NOSSO FUTEBOL VOLTA À DITADURA

Pela estatística publicada hoje pela Fifa, o Brasil é o 18º país no ranking mundial. Pentacampeão (como gostam de dizer), não é mais respeitado, sua colocação é humilhante. E para piorar as coisas, chamaram dois servidores e admiradores da ditadura, nominados no título destas notas.
Marin caiu de paraquedas na presidência da CBF, continua pagando royalties a Ricardo Teixeira.

Scolari e Marin: Retrocesso na CBF

Marin foi vice-“governador” de Maluf, não nos “paraísos fiscais e financeiros”, mas em São Paulo mesmo. Depois foi “governador” na mesma ditadura, com acusações sem fim de irregularidades. Prática que mantém, “embolsando” medalhas dos jogadores.

Scolari, em plena ditadura do Brasil e do Chile, disse publicamente sobre o ditador-perseguidor-torturador de lá: “Tenho a maior admiração pela PRESIDENTE (textual) do Chile”. Esse “presidente” era Pinochet, que gostava de assistir sessões de tortura.

Como a realidade de Scolari é o retrocesso e o rebaixamento, nenhuma dúvida que convoque Rivaldo, Ronaldo Fenômeno e Ronaldinho Gaúcho, heróis de 2002.

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