As roubalheiras da Petrobras, os números verdadeiros revelados por este repórter há 18 anos. O enriquecimento de tantos, numa época em que nem se imaginava o PRÉ-SAL.

Para onde vai o seu dinheiro, leitor, quando você abastece seu carro e paga ao posto 4.000,00 cruzeiros por litro de gasolina? Vejamos:

  • Cr$ 1.360,00 vão para o governo em forma de impostos e taxas.
  • Cr$ 1.110,00 subsidiam o preço de produtos de consumo popular como o gás de cozinha e o preço dos produtos colocados nos pontos mais distantes do país, compatibilizando-os com os preços praticados próximo às refinarias.
  • Cr$ 776.00 são recebidos pela Petrobras para produzir e importar petróleo.
  • Cr$ 290,00 são recebidos pelos revendedores.
  • Cr$ 204,00 são recebidos pela Petrobras para cobrir custos financeiros.
  • Cr$ 152,00 são recebidos pela Petrobras para refinar o petróleo.
  • Cr$ 108,00 são recebidos pelas distribuidoras Atlantic, BR, Esso, Hudson, Ipiranga, Shell e outras, para aditivação, estocagem e movimentação da gasolina entre as refinarias e os postos.

Em síntese:

  • 62% são gastos em impostos e taxas.
  • 28% são recebidos pela Petrobras, que produz e importa o petróleo, transporta, estoca, refina e abastece o país com seus derivados.
  • 10% são recebidos pelas distribuidoras e revendedores para fazerem os derivados chegarem aos consumidores.

A Petrobras gasta 200.000 cruzeiros para importar 1barril de petróleo e recebe 180.000 por 1 barril de gasolina, depois de transportar, estocar e refinar o petróleo que importa ou produz internamente.

Qual é a mágica que o presidente em exercício Itamar Franco deseja que os dirigentes da Petrobras façam para cobrir o fantástico rombo causado pela estupidez e pela ignorância de seu acionista majoritário, o próprio governo federal?

É muita desinformação e falta de “vontade política”. Ou a intenção é mesmo levar a empresa à bancarrota para provar que é imprescindível sua “privatização”?

***

Se o delegado Ademar Stocker desejar em seu inquérito trazer à tona toda a verdade sobre o propalado “esquema PP” da Petrobras, deverá, ao analisar o relatório da “comissão de sindicância” (publicado pelo “Estado de S. Paulo” na íntegra), buscar respostas para as seguintes questões, fundamentais para o perfeito entendimento da verdadeira trama armada contra a empresas pelo esquema ABC (Armando Guedes, Paulo Belloti e Carlos Sant’Anna).

  • Por que não escolheram nomes isentos para membros da comissão? Verifiquem o passado recente de cada membro e ficarão com os cabelos em pé.
  • Por que foi “convidada” a prestar declaração a Sra. Maria das Graças Monteiro Nóbrega, amante do Sr. Mauricio ferreira, sócia do ex-presidente da Petrobras, Carlos Sant’Anna, e irmã da repórter Suely Caldas, da agência do “O Estado de S. Paulo” no Rio de Janeiro?
  • Por que não convocaram para depor a empresa Pólo trading S/A? O relatório afirma que foi, mas na realidade não foi. Apure-se.
  • Por que a única empresa que realmente vem fazendo inúmeros grandes negócios com a Petrobras, a COASTAL (USA), cujo sócio brasileiro é o Sr. Carlos Sant’Anna, não foi investigada a fundo?
  • Por que todas as “tentativas” de fechar algum negócio ou de credenciar empresas junto ao Depto. Comercial foram rechaçadas pelos “técnicos” desse departamento? Será devido ao fato de não terem sido apresentadas ao Sr. Mauricio Ferreira (o verdadeiro gerente do Decom) pelo Sr. Carlos Sant’Anna (seu patrão), pelo Sr. Renato Magalhães, ou pelo Sr. Armando Guedes Coelho, ou ainda por Roberto Villa ou Paulo Belloti? A COASTAL pode? A VANOL pode? A VITOL pode? A JFN pode? A ABC Roma pode?
  • Por que não se apontou no relatório um só negócio fraudulento realizado por uma das 3 empresas acusadas de terem sido privilegiados nos “inúmeros negócios” com a Petrobras?
  • Por que se afirma no relatório que “as operações realizadas levam a acreditar na existência de pressões externas à empresa para sua consumação”? Qual é a empresa no mundo, que ao enviar uma cotação de seu produto a outra, não a pressiona para ter sua oferta aprovada? Os membros da comissão ou são ingênuos ou são burros. As duas coisas é que não dá.
  • Por que o Departamento Comercial destruiu o documento apresentado pela Tecnape, devidamente consularizado pela embaixada da Nigéria em Brasília?
  • Por que a comissão, ao invés de propor medidas sérias, apontou soluções “babacas” para coibir as negociações “escusas”, como medidas adicionais de controle de entrada e saída no edifício-sede, ou um sistema de registro de entrevistas entre empregados e representantes de empresas? Será que os burros não sabem que o telefone e o fax já foram inventados? As grandes negociatas são fechadas à noite, por telefonemas internacionais.

Ainda há mais e muito mais grave. Mas falta espaço. Hoje.

***

PS – Informações para membros do governo, que falam muito em bolsa, as não entendem do assunto. 70 por cento do movimento da Bolsa do Rio e de São Paulo são controlados por banqueiros. Sempre foi assim, já houve até casos de vários banqueiros terem corretoras importantes e pertencerem ao Conselho Monetário. Um verdadeiro caso de polícia. Exemplos: Pedro Conde, Ângelo Calmon de Sá, Abílio Diniz e outros que são donos de bancos mais ou menos enrustidos.

PS2 – 20 por cento da bolsa estão nas mãos de profissionais, agem agressivamente, geralmente aliados a banqueiros. Mesmo os banqueiros que não são manipuladores de bolsa, têm dinheiro no setor, através de financiamentos muito bem garantidos. Assim, desviam dinheiro do financiamento da produção, para financiar a manipulação e especulação da bolsa.

PS3 – Sobram 10 por cento da movimentação da bolsa, e essa parte irrisória está com os amadores, chamados depreciativamente de investidores. Esses são os trouxas, que perdem quase sempre. Ou às vezes ganham sem saber, pois por puro acaso, entraram nas mesmas posições dos profissionais, dos manipuladores, dos banqueiros e aventureiros. (Banqueiros e aventureiros é redundância, mas fica assim mesmo).

PS4 – Contrariando o que dizem alguns “jornais amigos” e “colunistas amestrados”, Nagi Nahas e Alfredo Grunser, dois dos maiores aventureiros da época áurea da bolsa (até 1989) continuam atuando. Não podem deixar de atuar, pois está no sangue. Só que atuam mais discretamente, geralmente por intermédio de distribuidoras, que não provocam tanto espalhafato. No momento, Nahas e Grusner atuam com menos violência do que Léo Krys (profissional) e Jorge Paulo Lemann (Banco Garantia). Lemann está “vendido”, e faz tudo para empurrar a bolsa para baixo. Fica 12 horas por dia na frente de um tremendo computador, e para perder menos, compra índices. Leo Krys, mais jogador, está “comprado” em ações, procura botar a bolsa para cima. Mas no próximo vencimento ele pode estar “vendido”, e fará tudo para botar a bolsa para baixo. Não há convicção em jogador-profissional-banqueiro.

PS5 – Às 11,15, explodiu a notícia de que o ministro Gustavo Krause havia pedido demissão. Um flash da TV Globo falava em demissão de Krause e Paulo Haddad. Mas era apenas desinformação e pressa. Logo depois se informava que Krause entregara pessoalmente a carta ao presidente Itamar Franco, ficara 13 minutos com ele e fora embora. Às 4,20, deu uma entrevista coletiva no Planalto e comunicou a saída. Aí já falara com o governador de Pernambuco, que o indicara. Antes ninguém sabia da decisão do ministro da Fazenda.

PS6 – Itamar Franco não fez nada para conter o seu ministro. Às 15 horas, informou que havia confirmado Paulo Haddad para ocupar os dois cargos: do Planejamento, que já era seu, e da Fazenda, interinamente. Como o próprio presidente é provisório, Itamar poderia ter dito: “Haddad vai acumular os cargos, provisoriamente”. Aliás, raramente esses cargos são divididos entre duas pessoas. Haddad, na primeira fala, disse logo: “Não haverá mudança alguma, nem choque nem nada diferente do que vem sendo feito. É uma pena, mas Krause saiu por motivos pessoais.”

PS7 – Quem sai por motivos pessoas antes de completar 3 meses no cargo? A verdade é que nem Haddad nem Krause gostaram do fato de Itamar conversar duas vezes no Planalto com o economista Dercio Munhoz. A explicação para sua saída foi essa. Um fato curiosíssimo. As bolsas do Rio e São Paulo, que estavam em baixa, logo que o fato foi noticiado, subiram rapidamente. O dólar teve uma forte alta. Fechou a 13.500 para venda e 13.000 para compra. Ontem havia fechado a 13.000 para venda e 12.500 para compra. Nessas horas, todas as altas são normais ou previsíveis. De qualquer maneira, Itamar está com mais problemas. Seu governo é provisório e os ministros não aguentam. Quem sabe o que pode acontecer? Imediatamente, nada, mas as coisas não estão nada boas.

***

Este artigo foi publicado no dia 17 de dezembro de 1992, com Itamar já no Poder. È impossível exigir mais dados, números, informações. Não falta nada, nomes e sobrenomes em profusão.

Foi um assombro. Perdão, duplo assombro, Pela REPERCUSSÃO. E pela AUSÊNCIA DE PROVIDÊNCIAS. Como sempre, cometi um erro imperdoável: não LIVREI ninguém, ACUSEI a todos. Não podendo se livrar, SE ESCONDERAM.

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