Até cunhada de tesoureiro do PT recebia propina da Petrobras

Jailton de Carvalho
O Globo

Procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato pediram a prisão de Marice Corrêa Lima, cunhada do tesoureiro do PT João Vaccari Neto. Ela é suspeita de ter recebido R$ 110 mil do doleiro Alberto Youssef. Segundo relatório da Polícia Federal a que o Globo teve acesso, o dinheiro teria sido repassado a Marice a pedido de dirigentes da OAS, uma das empreiteiras investigadas. O juiz Sérgio Moro, 13ª da Vara Federal de Curitiba, considerou desnecessária a prisão, mas expediu mandado de condução coercitiva de Marice.

“Interessante ainda destacar aqui que Marice de Lima é cunhada do atual tesoureiro do PT João Vaccari Neto. Observa-se portanto que a mesma continua atuando na movimentação de valores, ao que tudo indica para o Partido dos Trabalhadores, ao qual aparece vinculada”, diz relatório da PF.

Pela ordem do juiz, ela deveria ser levada à Polícia Federal para prestar esclarecimento sobre supostas fraudes em contratos da OAS com a Petrobras. A propina teria sido paga a pedido de José Ricardo, representante da OAS num dos contratos suspeitos.

“Em um desses contatos, José Ricardo teria solicitado, segundo a representação, uma entrega, em 03/12/2013, aparentemente de R$ 110.000,00 a pessoa de nome Marice”, diz Moro na ordem de condução coercitiva de Marice. O dinheiro deveria ser entregue num apartamento da rua Doutor Penaforte Mendes, em São Paulo.

One thought on “Até cunhada de tesoureiro do PT recebia propina da Petrobras

  1. O site do advogado americano Jason Coomer possui uma seção específica para processos de delação de corrupção do governo brasileiro. Coomer encoraja internautas que “tenham conhecimento de contratos fechados por meio de suborno ou contrapartidas ilegais” a entrar em contato, pois as recompensas previstas na legislação dos Estados Unidos variam de 10% a 30% do valor do suborno e de possível superfaturamento.

    Apesar de ser uma publicação que precede as revelações da operação Lava Jato, a Petrobras já era um dos principais alvos de Coomer, pois ao combinar as enormes reservas de petróleo e gás com investimentos estrangeiros diretos, a estatal faria do Brasil o quinto maior produtor de petróleo do mundo, atrás apenas da Rússia, Arábia Saudita, EUA e Irã.

    O site afirma que o Brasil é um dos países que atrai muitos investidores internacionais e “essa ferrenha competição combinada com o histórico brasileiro de corrupção no governo será um teste para inúmeras leis anti-suborno”.

    Como forma de incentivar delatores, Coomer lista várias companhias ligadas à indústria do petróleo condenadas pela lei anti-corrupção nos EUA, bem como os valores dos respectivos acordos selados junto à Securities and Exchange Comission (CMV americana). Confira abaixo a lista e os valores pagos nos acordos.

    Panalpina – Subornou autoridades na Nigéria, Angola, Brasil, Rússia e Cazaquistão. US$ 81,9 milhões
    Pride International – US$ 56,1 milhões
    Royal Dutch Shell – US$ 48,1 milhões
    Transocean – US$ 20,6 milhões
    Noble Corporation – US$ 8,1 milhões
    Tidewater – US$ 7,5 milhões
    GlobalSantaFe – US$ 5,8 milhões

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