ATENÇÃO: Prepara-se de novo a entrega do controle da Vale à Mitsui e ao Bradesco

Ao presidir o BNDES, Lessa evitou a desnacionalização

J. Carlos de Assis
Movimento Brasil Agora

Prepara-se a maior picaretagem do século em termos de entrega de patrimônio público ao setor privado de forma absolutamente graciosa: a privatização completa do controle da Vale do Rio Doce em favor do Bradesco e da Mitsui, mediante uma operação de fusão de ações ordinárias e preferenciais. É um assalto ao patrimônio público na escala do que tem sido tentado com as empresas de telecomunicações, às quais o Governo Temer pretende doar na forma de ativos de cerca de R$ 100 bilhões segundo o TCU.

A operação da Vale é particularmente absurda. Na era Trump, quando o presidente dos Estados Unidos invoca os valores nacionais como prioridade de governo, os entreguistas brasileiros pretendem que o setor público abra mão do controle da maior empresa mineradora do mundo, com funções potencialmente estratégicas no desenvolvimento brasileiro.  É mais um atentado contra a soberania nacional do tipo que vem sendo reiterado por este Governo, preocupado exclusivamente em arquitetar os maiores assaltos ao patrimônio nacional.

Mistério – Não se sabe exatamente quem está por trás disso. Talvez seja o “Angorá”, talvez o “Caju”, talvez o “Primo”, quem sabe? Talvez a Odebrecht saiba, embora, no caso, como empresa produtiva brasileira, ela está longe de ser privilegiada com a operação. Os beneficiários são, sobretudo, estrangeiros: a Mitsui, japonesa, e o Bradesco, que nessa altura é também um banco estrangeiro sem qualquer vinculação com o mercado nacional de empréstimos bancários, na medida em que também se vincula à especulação financeira mundial.

A Vale jamais deveria ter sido privatizada. Foi privatizada por um capricho de Fernando Henrique Cardoso, conforme confessou numa entrevista a Raphael de Almeida Magalhães e a Eliezer Batista, num documentário sobre a vida deste. Segundo Fernando Henrique, se não privatizasse a Vale, o mercado não acreditaria que seu programa de privatização era algo sério. E assim se foi, por entre os dedos, a maior mineradora do mundo. Por um acidente, o controle ficou nas mãos dos fundos de pensão e, por uma decisão de Carlos Lessa, com o BNDES.

ACORDO DE ACIONISTAS – Em abril o acordo de acionistas da privatização deverá ser revisto. É nessa brecha que se pretende entrar com o artifício da conversão de ações preferenciais em ordinárias – eles dizem, fundir as ações – a fim de tirar a empresa do controle nacional. Numa situação em que os fundos de pensão e o próprio BNDES estão sob controle do Governo, a tentação é muito grande de operar rapidamente para ter um desfecho em favor do “mercado”.  A notícia a respeito surgiu no jornal Valor Ddo dia 25/01, com grande naturalidade. Mas é um roubo.

Fala-se em antecipar a renovação do acordo de acionistas para a segunda semana de fevereiro de forma a concluir o assalto o mais rápido possível. É assim que opera este Governo: saca rápido, atira e mata. Enquanto isso, a sociedade brasileira, entupida com a pletora de iniciativas governamentais furtivas, não tem tempo sequer de respirar, quanto mais de tomar conhecimento do roubo e reagir.

É nesse clima que vão se decidir as mesas da Câmara e do Senado. Nosso destino político, econômico e social estará em jogo. Espero que o acaso, que pode estar de tocaia na lista de Teori Zavascki, desça dos céus para cuidar de nós!

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A denúncia de J. Carlos de Assis, enviado à Tribuna pelo jornalista Sergio Caldieri, é importante, impressionante e inquietante. Mostra como as coisas acontecem no Brasil. Na última vez em que tentaram conquistar o controle acionário da Vale, para desnacionalizar a empresa, o então presidente do BNDES, Carlos Lessa, mandou aumentar a participação do banco nas ações ordinárias e desfez a armação. Foi um dos motivos para o presidente Lula afastá-lo do BNDES. Agora, estão voltando à carga, num governo fraco e muito mais entreguista do que a gestão de Lula, é necessário admitir. (C.N.)

26 thoughts on “ATENÇÃO: Prepara-se de novo a entrega do controle da Vale à Mitsui e ao Bradesco

  1. COMO PRIVATIZAR UMA EMPRESA:
    1- Pegue uma empresa estatal criada com o dinheiro dos impostos da população, que poderia ter sido destinado à educação, à saúde e à infraestrutura, que esteja gerando lucro.
    2-Coloque uma quadrilha de confiança para administrá-la.
    3-Faça com que a quadrilha endivide-a, roube-a e torne os seus patrimônio e serviços imprestáveis.
    3-Agora compre agora alguns jornalistas e adestre-os para que publiquem nos telejornais que a empresa só dá prejuízo por ser estatal e não por ser dirigida por uma quadrilha que foi colocada pelo Presidente da República justamente com esse objetivo.
    4-Quando a empresa estiver falida, todos apoiarão a privatização. Por isso, agora, venda-a por qualquer valor para os outros membros da quadrilha travestidos de empresários. Para facilitar, empresta-se dinheiro do próprio BNDES aos criminosos.
    5- Pronto! Agora que ela está privatizada poderá voltar a dar lucro e deixar os ladrões mais ricos ainda.

    • Quem nasce Batista se reproduz na riqueza de outro Batista. Só o manganês não se reproduz, dá apenas uma safra).
      Mas como Eliezer foi sempre muito PREVIDENTE, controlou todos os minérios, que deixou para o filho, de “papel passado”, ou então em indicações DEBAIXO DA TERRA. Mas com os mapas atualizados e do conhecimento APENAS DO FILHO, A MAIOR FORTUNA DO BRASIL, ANTES MESMO DE NASCER.
      (O Brasil tem quase a totalidade da produção desses minérios, como tinha do manganês, raríssimos. E como tem do NIÓBIO, ainda mais raro e IMPRESCINDÍVEL, 98 por cento de tudo o que existe no mundo).
      Alternando de pai para filho, afinal onde termina Eliezer e começa o Eike? O pai já completamente identificado, mesmo com presidente, “DONO” da Vale, embora já carregasse como propriedade pessoal a ICOMI, fundada para concorrer com a própria Vale. Utilizando a ESTATAL para produzir lucros PARTICULARES.

      Hélio Fernandes .

      • Eduardo Miranda, via Jornal do Brasil em 17/9/2015

        O jurista, professor, ex-promotor de Justiça e diretor-presidente do Instituto Avante Brasil, Luiz Flávio Gomes, disse, em entrevista ao Jornal do Brasil, que o caso do Banco Econômico é um dos 30 maiores escândalos financeiros do Brasil e está muito além da fraude na Petrobras, atualmente alvo da Operação Lava-Jato.

        “A fraude do Banco Econômico é de R$13 bilhões, um valor inimaginável e pelo menos duas vezes maior que os R$6 bilhões estimados com o escândalo da Petrobras”, comparou o jurista.

        Apesar da altíssima cifra, Luiz Flávio Gomes alertou para um dado que é, em sua opinião, ainda mais preocupante: a punição do ex-presidente do banco Ângelo Calmon de Sá poderá prescrever em outubro. Ele explicou que Calmon de Sá foi condenado a 13 anos em 2007, quando já tinha 72 anos de idade. O ex-presidente entrou com recurso na Justiça de São Paulo e conseguiu reduzir a pena para oito anos.

        “No Brasil, uma pena de oito anos prescreve em 16 anos. Como ele tem mais de 70 anos, esses 16 anos caíram para oito. De 2007 para cá, passaram-se exatamente oito anos. Portanto, o crime prescreve no mês que vem”, lamentou o professor.

  2. Alceu Valença cantava, no “papagaio do futuro”:

    “Ói vâmu visitá a lua, num fuguete americânu”

    LEDO ENGANO… mais certo seria:

    “Ói vâmu morá na rua, o Brasil tá se acabânu”

    Ninguem se cansa? A anestesia aldeia global e tao forte assim?

    Eu, quando me dei por gente, achei que o Shigeaki Ueki era somente uma lástima predatoria temporária, dos tempos da ditadura… Putz! Vai ser burro assim, meu! Olha no que deu!

    Que pais é este? Quanto tempo mais isso que hoje e chamado Brasil continuará sendo um só pais??

    Qual a verdadeira agenda dessa “obra monumental” que estão fazendo no gigante da America do Sul ???

  3. Este negócio começa no governo FHC, entrega total de empresas estatais lucrativas, ninguém gosta de empresa quebrada, depois segue no governo Lula, o qual demiitiu o professor Carlos Lessa e dá continuidade no governo Dilma, como se vê o Brasil não tem sorte, já se foi quem se preocupava com o país, veja quantos mercenários colocamos no comando deste país.

  4. Os políticos poderosos continuam sem temer o braço pesado dos procuradores e juízes federais, da Polícia Federal, do Sérgio Moro em particular, do STF e do escambau.

    Estão querendo entregar uns 100 bi às operadoras e agora mais 100 bi aos gringos, que estão de olho na Vale como urubu cobiça a carniça.

    Que país é esse !!!

  5. Como um país pode ficar sujeito a filosofia de um presidente e um congresso anti nacionalista, anti patriótico, que entrega as empresas estratégicas às multinacionais, com isso o Brasil vai ficar mais pobre, haja vista que o nosso dinheiro( o lucro) será levado para as matrizes da multinacionais A continuar assim, em breve o Brasil será comandado pelas multinacionais, só será eleito o presidente que eles apoiarem.
    Pior de tudo isso é que não se vislumbra um candidato patriota a presidência , que vá defender os interesses nacionais, os que existiam, foram todos cassados e não se permitiu que houvesse novos líderes nacionalistas.

    ..
    .

  6. Como os Romanos já nos ensinaram a mais de 2.500 anos, é o Aço das Armas que dão poder sobre o Ouro, e não o contrário.
    Hoje, é a Bomba Atômica, e especialmente a de Hidrogênio, que dá Poder ao Nióbio, Petróleo/Gás, Ouro, Platina, …….
    E pensar que o Governo GEISEL ( 1974 – 1979), chegou tão perto, fazendo até os poços de testes na serra do Cachimbo no sul do Pará.
    O Presidente CARTER ( Partido Democrata -EUA) vetou a Alemanha, aonde os Americanos tinham/tem mais de 50 Bases Aero-Navais,etc, e ficamos a ver navios. E depois tudo feito PUBLICAMENTE, que ingenuidade.
    Deveríamos ter feito parceria com a Índia, hoje com o Paquistão, etc, e SECRETAMENTE. Essas coisas devem ser feitas SECRETAMENTE.
    Mas ainda está em tempo de corrigir os erros do passado.

  7. Como Liberal-Nacionalista-Intervencionista, eu não vejo problema em Privatizar qualquer ESTATAL/MISTA ao Capital com MATRIZ NO BRASIL. O problema é quando o controle passa para o Capital com MATRIZ NO EXTERIOR, como é a tentativa no caso da VALE SA.

    Uma Economia só sai do sub-desenvolvimento, dando alto Padrão de Vida a média do Povo, produzindo grande homogeneidade no Povo, se a maioria de seu Capital for de Matriz no País. Só as Empresas com Matriz no País desenvolvem TECNOLOGIA NACIONAL e CAPITALIZAM 100% aqui dentro.

    Caso da VALE SA.

    Composição atual do Capital TOTALda VALE SA:
    65,4% Capital com Matriz no Exterior.
    30,2% Capital com Matriz no Brasil.
    4,4% Capital Governo Federal Brasil ( Tesouro).

    Como o BNDES na época financiou a maior parte das compras de Ações, e ele estava nas mão do Patriota/Nacionalista Economista CARLOS LESSA, parte do Governo LULA/JOSÉ ALENCAR ( PT- Base Aliada), que na época soube defender os Interesses Nacionais, ele conseguiu a seguinte composição das “Ações Ordinárias”, que dão direito a VOTO e definem a DIRETORIA:

    AÇÕES ORDINÁRIAS:

    12 Goldem Shares. ( Dão poder de Veto TOTAL para a Diretoria em qualquer Negociação)
    54,4% Capital com Matriz no Brasil.
    45,6% Capital com Matriz no Exterior.

    Como vemos o Economista CARLOS LESSA do BNDES conseguiu o controle da VALE SA via maioria de Ações Ordinárias, numa Companhia que tem maioria de Capital Total no Estrangeiro.

    Agora, dentro da eterna luta do Capital Nacional contra o Capital Internacional, o Capital Internacional que também indiretamente controla boa parte do Bradesco SA, tenta via Lei no Congresso, transformar Ações Preferenciais em Ordinárias da VALE SA, e anular as 12 Golden Shares, o que pode ser feito se o Governo Federal via Congresso abrir mão dos seus Direitos, e assumir o CONTROLE ( Diretoria ) da VALA SA.
    Os NACIONALISTAS tem que estar em eterna Vigilância.
    Devemos escrever E-mails para nossos Representantes Federais, para que NÂO Votem essa sessão de Direitos, tão duramente conquistados pelo Economista CARLOS LESSA.

    Não importa que eles tenham a maioria do Capital Total da VALE SA, eles tem esse CONTRATO, que não deve ser mudado.

    • Qual será a % de propina para os corruptos que irão esmigalhar o que foi conquistado anteriormente por LESSA?

      Calma, há muito pro PMDB entregar de bandeja!
      O Maggi então, tá só desenhando o curralinho que vai sobrar!

      Até o dia de vermos o “nosso” “Ministro” Meirelles pegar a trouxa, montar no jegue dele, e se mandar pra Irlanda, ate lá ainda têm muita água brasileira para “doar”

  8. CN,
    Gestão do Lula entreguista? Se tivessem, Lula e Dilma, sido entreguistas, não teriam caído.O Carlos Lessa somente segurou a Vale porque foi apoiado pelo Lula, que teve que dar a sua cabeça à globo/mercado, mas manteve a decisão do presidente do BNDES, mantendo a Vale nacionalizada. O Lula agiu como o Getulio, que teve de dar a cabeça do seu ministro do Trabalho, o Jango, quando este dobrou o salário mínimo. Aceitou a degola do ministro, mas manteve o salário mínimo dobrado.Será que está claro agora a motivação do golpe? Conduzir o PSDB ao poder sem voto, sem discurso e sem prática política com o fim de entregar os nossos ativos a preço de banana aos gringos ao tempo em que desmonta toda a estrutura construída pelos governos do PT em prol de um projeto de desenvolvimento nacional fincado na indústria de defesa (submarino nuclear, caças de sexta geração, controle de fronteiras, etc) e nas indústrias de energia (petróleo, gás e sustentável), naval e aeroespacial (joint venture com a Ucrânia), apoiado na institucionalização do G-20 e nos BRICS, eventos que tiveram o Brasil como importante articulador. Estranho um jornalista experiente como Vc ter se deixado conduzir por questiúnculas de ódio pessoal, apoiando um golpe de estado, quando deveria saber o que estava sendo perseguido colocava em risco os interesses maiores da Nação. Agora é tarde, extraio com amargura a frase usada por Camões: Inês é morta!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *