“Atiraste uma pedra no peito de quem só te fez tanto bem”, diziam Nasser e Herivelto

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David Nasser, grande jornalista e compositor

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O jornalista, escritor e letrista, nascido em Jaú (SP), David Nasser (1917-1980), autor de diversos clássicos do nosso cancioneiro popular, entre os quais “Atiraste uma Pedra”, retrata o sofrimento que a separação da pessoa amada acarreta. Este belo samba-canção teve sua primeira gravação feita por Nelson Gonçalves, em 1958, pela RCA Vitor.

ATIRASTE UMA PEDRA
Herivelto Martins e David Nasser

Atiraste uma pedra no peito de quem
Só te fez tanto bem
E quebraste um telhado
Perdeste um abrigo
Feriste um amigo
Conseguiste magoar
Quem das mágoas te livrou

Atiraste uma pedra
Com as mãos que esta boca
Tantas vezes beijou.
Quebraste o telhado
Que nas noites de frio
Te serviu de abrigo
Perdeste um amigo
Que os teus erros não viu
E o teu pranto enxugou

Mas acima de tudo
Atiraste uma pedra
Turvando esta água
Esta água que um dia
Por estranha ironia
Tua sede matou.

10 thoughts on ““Atiraste uma pedra no peito de quem só te fez tanto bem”, diziam Nasser e Herivelto

  1. Davi Nasser era sim um grade letrista. Fez essa e outras músicas a pedido de Herivelto que sofria com a separação de Dalva de Oliveira. A situação chegou a tal ponto que no teatro Carlos Gomes na Praça Tiradentes, Dalva deu-lhe sapatadas no rosto. No livro “Cobras Criadas” tem-se um imagém, só uma imagém, de quem foi Davi Nasser.

  2. Carlos Newton, sugiro que faças uma página só de “Piadas do Ano” , terás muitas letras a gastar, são tão Piadas e Piadistas do mal que temos de rezar muito para o brasil não sucumbir de vez e vire uma “Venezuela Piorada” . Aproveito e deixo para a Pernambucana Carmem Lins esse Frevo de Bloco de João Santiago e Natanael Guedes, gravado pela Elba Ramalho que pertence aos Frevos do Bloco Flor da Lira de nossa também Amada Cidade Patrimônio da Humanidade Olinda.

    VEM DUDU
    (Natanael Guedes / João Santiago) Letra
    Do CD “Vem Dudu – Bloco Flor da Lira de Olinda”, Independente (2002)

    Se Duarte Coelho soubesse
    Do carnaval de Olinda
    Pedia ao criador
    Pra voltar ao alto da Sé
    E dançar um frevo rasgado
    Na Cidade que ele fundou

    Vem, vem, vem Dudu
    Venha ver Flor da Lira passar
    O frevo está em Olinda
    E chegou para ficar.

    • Edjailson, que bom te ver aqui. Ainda mais trazendo a cidade eterna – Olinda – que na verdade é um monumento de todas as gerações. Olinda é sinônimo poético de frevo. E o frevo chegou e ficou em Olinda., muito antes de Duarte Coelho exclamar
      “Oh, linda situação para se construir uma vila!” Que venham todos os Dudus, bem acompanhados.

  3. “Atiraste uma pedra” faz parte do relacionamento tumultuado de Herivelton e Dalva. O compositor acreditava que o sucesso do Trio de Ouro se devia às suas composições e não a cantora Dalva de Oliveira que era uma estrela e a voz principal do Trio. Então, Herivelton se une à David Nasser para compor Atiraste uma pedra, endereçada a ex-companheira, que segundo ele, ia amargar o insucesso.
    A história dos dois foi tema de seriado de TV. Herivelton, ora atacando, ora respondendo Dalva e ela, através de compositores amigos, também endereçava canções a ele. Uma de autoria de Ataulfo Alves – Errei sim. Sob meu ponto de vista, eles se amavam muito.

  4. Pensando em ti – Herivelton Martins e David Nasser

    “Eu amanheço
    pensando em ti
    Eu anoiteço
    pensando em ti
    Eu não te esqueço
    É dia e noite
    pensando em ti.

    Eu vejo a vida
    pela luz dos olhos teus
    Me deixe ao menos
    Por favor pensar em Deus.

    Nos cigarros que eu fumo
    Te vejo nas espirais.
    Nos livros que eu tento ler
    Em cada frase tu estais.
    Nas orações que eu faço
    Eu encontro os olhos teus.
    Me deixe ao menos
    por favor pensar em Deus.

    “É dia e noite, pensando em ti” -Isso non ecziste mais (Carlos Newton, citando o Pe. Quevedo), Ficou na era do romantismo puro, hoje fora de moda.
    Normalista, Mamãe, Carlos Gardel, A Camisola do Dia – todas composições de David Nasser e Herivelton Martins.

  5. Carmem Lins, Dalva foi uma cantora fenomenal. Mas (eu não gosto de falar de quem já morreu), ao abandonar o lar e envolver-se com um jovem argentino perdeu aquela aura que todos os homens e a sociedade naquela época gostavam, e admiravam que era a fidelidade.Morreu em um desastre de carro depois de uma “noitada”. Pery seu filho com Herivelto, escreveu um livro, que eu não li contando o drama e a tragédia que foi a separação dos dois. De todas essas músicas “Adeus” cantada por Francisco Alves na minha opinião foi a melhor.

    • Prof. Antonio, obrigada pela atenção e informações. Dalva foi uma cantora célebre, merecidamente, uma voz poderosa, comparavam-na ao rouxinol. Fosse hoje, ela não teria sido vítima de tanto machismo da época. Gosto muito mesmo de “Bandeira Branca”. É de arrepiar.

      Bandeira Branca -Laercio Alves / Max Nunes

      Bandeira Branca, Amor
      Não Posso Mais
      Pela Saudade
      Que Me Invade
      Eu Peço Paz (Bis)

      Saudade Mal De Amor, De Amor
      Saudade Dor Que Dói Demais
      Vem Meu Amor
      Bandeira Branca
      Eu Peço Paz

      ·

  6. 1) Nesta manhã chuvosa, comemoramos os 40 anos da Amast – Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa, RJ, com uma missa na Igreja Anglicana.

    2) Na saída fiquei cantando a marchinha de J. Audi e Davi Nasser. A juventude local não conhecia esta bela poesia:”Engole Ele Paletó”

    3) Engole ele,
    Engole ele paletó,
    Engole ele, paletó,
    Que o dono dele era maior…
    (bis)

    Paletó de gente pobre,
    Não tem tamanho nem cor,
    No verão é guarda-chuva,
    No inverno é cobertor.

    Gente rica, quando morre,
    Papai do céu que levou,
    Gente pobre quando morre,
    Foi bebida que matou.

    4) Nesses dias de chuva usamos um casaco/paletó maior, eis a inspiração..

  7. Estou desaculturado com a arte brasileira. As poucas vezes que ouço inadvertidamente uns programinhas musicais da TV brasileira sinto tristeza, aliás não são apenas shows de música mas as novelas pornográficas tão em voga em nossa terra.
    Voltando ao passado encontro muita coisa boa dos grandes como Vinicius, Jobim, Bosco, e tantos outros. Mas não consigo gostar dessas
    choraminguices melosas e vulgares como essa obra do Nasser.
    O amor deve sempre ser cantado com alegria e lamentado com graça como o “Trocando em Miúdos” de Chico e HIme. Dá vontade de me despedir da cultura brasileira com uns versos de Chico:

    Eu bato o portão sem fazer alarde
    Eu levo a carteira de identidade
    Uma saideira, muita saudade
    E a leve impressão de que já vou tarde.

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