Atitude do antigo porta-voz mostra fim de unanimidade entre militares sobre Bolsonaro

General Otávio Rêgo Barros depois de pronunciamento no Palácio do Planalto, no ano passado: alerta sobre os

Rêgo Barros não está expondo apenas uma opinião isolada

Francisco Leali
O Globo

Não é a primeira vez. Não deve ser a última. O ex-porta-voz da presidência da República, general reformado Otávio Rêgo Barros, aderiu à lista dos que deixam o posto e apontam o dedo para o ex-chefe. No governo Jair Bolsonaro, os precedentes, em sua maioria, vêm da antessala do presidente. Gente que desfrutou das confidências de Bolsonaro, passou algum tempo o defendendo e, por motivos diversos, perdeu o posto, mas ganhou a liberdade para dizer não.

Rêgo Barros, como já fora Santos Cruz, deixou a caserna para seguir Bolsonaro na aventura de governar. Não conseguiu ditar as regras de relação do chefe com a imprensa e foi escanteado até ser exonerado.

TIPO JÚLIO CÉSAR – Em artigo publicado na terça-feira, usou da analogia com a Roma Antiga para comparar o presidente, sem citá-lo, a Júlio César, o general que, vitorioso em batalhas campais, chegou triunfante às portas da cidade e retirou o poder do Senado.

Segundo Rêgo Barros, “os líderes atuais, após alcançarem suas vitórias nos coliseus eleitorais, são tragados pelos comentários babosos dos que o cercam ou pelas demonstrações alucinadas de seguidores de ocasião”.

O general reformado sugere que a população que elege deve lembrar ao ungido todo-poderoso de que é mortal. Numa tradução livre, pode-se dizer que o militar da reserva está admitindo que o “mito” anda dando ouvidos só a quem concorda com ele ou o segue alucinadamente . O exemplo do general é mais do que o de um ex-subordinado que sai a falar por aparente descontentamento com os rumos que a coisa toda tomou.

VOLTA DOS MILITARES – Rêgo Barros vem do núcleo do comando militar que em 2018 viu em Bolsonaro a possibilidade de as Forças Armadas voltarem a ter peso e voz no mundo civil da política.

Antes de assumir o posto de porta-voz, mostrava-se preocupado com o entendimento de que a participação de um, dois ou mesmo vários generais no futuro governo poderia ser vista como a volta das Forças Armadas ao comando do país.

Cercado, na época, por coronéis, alguns adeptos da defesa religiosa da eleição do presidente que iria mudar “tudo isso aí”, Rêgo Barros indica, agora, que não haveria unanimidade na caserna para aplaudir todo e qualquer gesto presidencial.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Em tradução simultânea, a chamada ala militar do Planalto não está agradando nada, mas nada mesmo, os militares de verdade aqui de fora. (C.N.)

3 thoughts on “Atitude do antigo porta-voz mostra fim de unanimidade entre militares sobre Bolsonaro

  1. Apesar de os militares almejarem sempre a unicidade por vezes, pensamentos de um grupo são diversos de outros grupos.
    É o que está ocorrendo nas Forças Armadas.
    Muitas ideias e ações do Presidente não são mais endossadas automaticamente só pelo fato de Bolsonaro ter sido oficial do EB. E há casos em que o uso do brio militar por Bolsonaro está desfigurado as Forças Militares.
    Só que JB não está nem aí, talkey?
    Sinuca de bico!

  2. Como eu já venho falando aqui no TI as alas divididas das FFAA irão se enfrentar.

    2 alas dividem as FFAA:

    a) Ala nacionalista
    b) Ala entreguista

    A ala entreguista estão compondo o governo junto com o Bozo, como por exemplo: general de pijama Heleno, Mourão, Luiz Ramos, Pazuello,…

    A besta do Bozo ainda deu para atacar militares entreguistas que o apoiam, mas que agora caiu em desgraça. Como é o caso do Otávio do Rêgo Barros.

    O passado indigno do Bozo nas FFAA fez com que ele não tivesse escolha a não ser se aliar a ala entreguista das FFAA.

    Mas para burrice estratégica do Bozo, a ala entreguista das FFAA são insignificantes dentro da corporação militar.

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