Atmosfera em torno de Bolsonaro assemelha-se à que envolveu Jânio Quadros

Resultado de imagem para bolsonaro DE PERNA TROCADA

Bolsonaro vive a mesma instabilidade do governo de Jânio Quadros

Pedro do Coutto     

A atmosfera política que está se cristalizando em torno do Presidente Jair Bolsonaro possui forte semelhanças àquela que marcou o desfecho da curta passagem de Jânio Quadros na presidência da República em 1961.  As duas situações acentuaram a existência da ingovernabilidade e a dificuldade entre o Congresso Nacional e o poder do país. 

Excelente, sobre este aspecto, o editorial de ontem de O Estado de São Paulo, redigido a partir de um texto divulgado por Bolsonaro que cita o “país ingovernável”. O texto foi distribuído às redes sociais por Paulo Portinho, técnico da Comissão de Valores Mobiliários. E também por Maria Lúcia Fernandino, colaboradora da Tribuna da Internet, que publicou na quinta-feira, dia 16.  No vértice do triângulo, Jair Bolsonaro concordou com a matéria que foi postada. Para o Estado de São Paulo, soou como uma ameaça. 

IMPASSE – Se o chefe do Executivo considera impossível governar o país respeitando-se as instituições democráticas, uma sombra desce e envolve Brasília. Bolsonaro acrescentou que o texto que ele ajudou a divulgar pelo WhatsApp constitui leitura obrigatória para quem se preocupa em explicar os fatos. Em seguida, condenou a articulação com os integrantes do Poder Legislativo. Além disso citou ser inevitável a ocorrência de uma ruptura.

Nesse ponto, o artigo do Estadão destaca pronunciamento do presidente nas urnas de 2018, quando defendeu a ditadura político militar que começou em 1964 e terminou em 1985. Para Bolsonaro não houve ditadura.

TOM DE AMEAÇA – As palavras que iluminam a verbalização de Bolsonaro trazem à superfície, sem dúvida, um tom direto de ameaça, daí a ansiedade que desperta no mundo político. Isso de um lado. De outro, analisando-se serenamente a crise de hoje, encontram-se semelhanças com os últimos dias de Jânio Quadros, que renunciou a 25 de agosto de 1961.

Jânio esperava uma mobilização maciça das ruas exigindo sua permanência no poder. Mas a história foi outra, não houve manifestação alguma e ele partiu para o exterior envolto provavelmente numa sensação de tédio. Ficou sozinho dentro de sua própria atitude.

GRAVE CRISE – O impulso que moveu Bolsonaro para viralizar o texto nas redes sociais foi publicado com destaque nas edições de ontem de O Globo, Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo.

Como se constata um albatroz da tempestade sobrevoou Brasília, antecedendo as ondas que se formam em torno do poder e das instituições democráticas. Agora é tarde para recuar. Criou-se uma grave crise que, a meu ver, só poderá terminar com a ruptura do processo que começou a se agravar. Vamos esperar que o desfecho seja o melhor para o país. Não creio que a ala militar do Palácio do Planalto se disponha a apoiar uma ruptura dramática.

OUTRO ASSUNTO – A reportagem de Nicola Pamplona, Folha de São Paulo, ilumina o ponto essencial relativo aos salários dos celetistas e o dos funcionários públicos. O salário médio dos celetistas é de 1.960 reais. O salário médio dos funcionários federais é de 3,7 mil reais. Portanto não são os salários os responsáveis pelo déficit das contas do Tesouro Nacional.

14 thoughts on “Atmosfera em torno de Bolsonaro assemelha-se à que envolveu Jânio Quadros

  1. O telefone tocou na TFP 2019, saberemos no dia 26 quantos são os verdadeiramente idiotas e inúteis no Brasil, que não sabem ler a realidade nem distinguir quem mente descaradamente.

    É a água retrocedendo da beira mar, um tsunami confirmado.
    A ver se atinge a costa no dia 26, ou no dia 30…

  2. Inegavelmente paira sobre Bolsonaro nuvens ameaçadoras de vendavais e chuvas torrenciais, que poderão destruir seu governo.

    Há uma diferença, no entanto, com relação a Jânio Quadros, bem lembrado por Pedro do Coutto:
    Muitas categorias, principalmente os militares, queriam impedir a posse do seu vice, João Goulart.

    Neste caso acontece o contrário, onde as FFAA apoiam o vice-presidente, e até mesmo outras categorias entendem da mesma forma.

    Mourão teria o seu caminho ao poder pavimentado, asfaltado, plano, sem qualquer surpresa ou maiores esforços.

    Resta saber como o mundo e uma boa parte do povo aceitariam este golpe, que tanto a esquerda vocifera que aconteceu com a Dilma e, naturalmente, em se tratando de Bolsonaro entraria em êxtase!

    Agora, e se Mourão impetrar um regime de governo forte, fechando o congresso e modificando as estruturas hoje rachadas e frágeis?
    Afinal das contas, um colega seu foi destituído do poder e eleito pela maioria dos eleitores.
    Em consequência, Mourão não iria devolver ao parlamento uma decisão que poderia acabar com a força dos parlamentares em benefício desta Nação e do seu povo?

    Os arquitetos de um possível impeachment contra Bolsonaro, cuja ideia está sendo alinhavada nos bastidores do antro de venais, que pensem bem sobre esta decisão, pois ela pode trazer o fim do legislativo!

  3. Instituições democráticas?!!!
    Pelo que eu sei, instituições se fazem com Homens e deste modo não existem instituições democráticas no Brasil, na área legislativa e judiciária Principalmente.

  4. A despeito de torcidas contra ou a favor do Governo legitimamente eleito de Bolsonaro e Mourão e dos que apregoam e torcem por um impedimento do titular, penso que aos poucos, destravando empecilhos, o Governo em uníssono irá tocando com desenvoltura, dentro dos escassos recursos para investimento, o que lhe cabe fazer para mudar o rumo do Brasil e orquestrado por time de integrantes decentes.

    Discordo da exdrúxula comparação entre os Governos de 1961 e 2019, ambos com apoio de militares das 3 Forças, mas compostos e agindo por cabeças pensantes e momentos bem distintos da nossa História.

    Desejo, finalmente, que o Governo Bolsonaro/Mourão entenda que o remédio para as nossas mazelas não se encontra tão-somente na mal urdida Reforma da Previdência, mas na “Auditoria das nossas dívidas externas e internas” e na política enviesada perpetrada pelo nosso Banco Central na remuneração da sobra dos Bancos, verdadeiros “gigolôs e cafetinas” da população brasileira.

  5. Como Sempre, boa percepção política do Pedro do Coutto.
    Bolsonaro está se exaurindo sozinho, sem preparo para o cargo que ocupa e por querer governar com uma ideologia ultrapassada.
    A dificuldade que Jânio Quadros tinha com o Congresso, pode ter sido o motivo de sua renúncia. Jânio foi eleito pela UDN, pelo poder econômico e financeiro, pela direita, assim que tomou posse deu uma guinada de 180 graus para a esquerda, condecorando o Che Guevara e foi a Cuba tocar maracas, em plena guerra fria. Isto foi suficiente para querer sua renúncia, de quem o elegeu e para os mesmos militares de cúpula que vinham tentando o golpe desde Getúlio Vargas. O Golpe não aconteceu graças ao Brizola, mas conseguiram no governo de Gouart.
    Não vejo hoje, motivo e interesse da cúpula militar em dar um golpe, salvo se for para manter a ordem e defender a soberania do Brasil de acordo com a Constituição

  6. Nessas alturas a comunistada está sonhando acordada com a possibilidade da queda do governo de “extrema-direita’, na vâ esperança dos verme lhos conseguirem, mais uma vez, usando as únicas armas que possuem: mentiras, engodos, promessas enganadoras e outros ardis, para convencer o povão ignorante a lhes dar as chaves dos cofres públicos a fim de que eles acabem de destruir o país, que é a unica coisa que eles são capazes de fazer.

    Vade retros, demônios!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *