Atrasos nas obras para a Copa “surpreendem” as autoridades.

Carlos Newton

É interessante o comportamento das autoridades brasileiras, seja em que nível for, federal, estadual ou municipal. O Brasil aceitou sediar a Copa do Mundo e a Olimpíada, é claro que isso exigiria enormes investimentos no mais diversos setores. Ninguém agora poderia se mostrar surpreso com as responsabilidades de um evento desse porte.

A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, vem a público admitir a preocupação do governo com o cumprimento dos prazos das obras de infraestrutura para a Copa de 2014, salientando que os desafios no setor aeroportuário são urgentes, como se isso constituísse alguma novidade.

A respeito da lentidão do governo federal no diagnóstico dos problemas do setor, a ministra reconhece que o ritmo não foi o desejado. “De fato, andou menos do que a gente gostaria”, diz, apontando como pontos mais críticos os aeroportos de Brasília (DF), Viracopos (Campinas-SP) e Guarulhos (SP), que receberão concessões administrativas para terminais de passageiros como forma de terem as ampliações concluídas a tempo para a Copa. “Em aeroportos, temos pressa e por isso acreditamos que fazer a concessão desses terminais, os mais críticos, vai nos dar as obras de que precisamos até dezembro de 2013.”

Traduzindo o que ela disse aí em cima: a solução foi privatizar (palavra que, aliás, ele não pronunciou), o que significa o reconhecimento do fracasso do poder público como gestor, especialmente num governo cujos detentores que sempre se manifestaram contra as privatizações.

Segundo os critérios da Fifa, toda a infraestrutura do País que sedia a Copa do Mundo deveria estar pronta para ser testada na Copa das Confederações, que ocorre um ano antes da Copa do Mundo, ou seja, em 2013. Faltam dois anos. È claro que vamos passar vexame.

E o pior é que estamos investindo pesado e descontroladamente para sediar uma Copa e uma Olimpíada, que são passageiras, consumindo preciosos recursos que poderiam estar sendo direcionados a outros setores bem mais importantes, como educação e saúde. Mas que autoridade se interessa por isso? Como todos já perceberam, o maior interesse que elas demonstram é pela liberação das licitações para a construção das obras, especialmente os estádios.

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