Aumentar a dívida para financiar o BNDES é política suicida

Wilson Baptista Junior

Há uma diferença fundamental entre o BNDES usar recursos do governo, como vem fazendo, e as empresas financiadas captarem recursos pela emissão de debêntures: no primeiro caso, o governo pega empréstimos a taxas altas e repassa os recursos para as empresas a taxas subsidiadas. O ônus é do governo, ou melhor, de todos nós. Com isso, a dívida pública cresce, os juros que o Brasil deve pagar aumentam, e o buraco financeiro do governo cada vez se aprofunda mais. E o risco é do Brasil, não das empresas. Se as empresas emitem debêntures, o ônus da captação é delas, e não do país, e a dívida pública não aumenta.

A finalidade principal da taxa Selic alta para o combate à inflação não é captar investimentos estrangeiros; é aumentar o custo do crédito interno e reduzir a pressão de demanda. Captar investimentos externos pagando juros altos e vendo o lucro dos investimentos ser remetido para fora do país é exatamente o contrário do que precisamos, vai aumentando a dívida sem produzir efeitos estruturais. É a mesma coisa que usar o cheque especial porque a renda não dá para pagar as contas.

A nossa atratividade para investimentos externos tem que ser baseada não em juros financeiros, mas em oferecer condições de produtividade às indústrias que quiserem se instalar aqui.

7 thoughts on “Aumentar a dívida para financiar o BNDES é política suicida

  1. O Sr. WILSON BAPTISTA JÚNIOR está certíssimo em seu artigo. Aumentar a Dívida Pública para financiar o BNDES é Política Suicida. É um subsídio gigantesco que nossa Economia não suporta. Por isso, muito correta a nova Norma estabelecida pelo Ministro da Fazenda LEVY, de exigir das Empresas que solicitam grandes Financiamentos do BNDES, acima de R$ 200 Mi, a contrapartida de vender no Mercado Secundário, 25% do financiamento em Debêntures. Se não conseguir vender em Debêntures, 25% do Financiamento pleiteado ao BNDES, provando no Mercado que o Projeto é Lucrativo, não se Financia pelo BNDES. Abrs.

  2. Muito boa a análise do Sr. Wilson. A atratividade da economia brasileira é diretamente proporcional ao desenvolvimento da estrutura logística do país, do aumento da produtividade do trabalhador e da diminuição das interferências do governo no equilíbrio econômico.

    Só mais um detalhe: a selic, neste momento, está cumprindo duas funções – enxugar o excesso de moeda em circulação e manter o fluxo positivo de dólares em relação ao país de modo a defender nossas reservas cambiais do déficit em nossas transações correntes.

  3. Produção industrial cai em 13 dos 14 locais pesquisados em abril

    A redução de ritmo observada na produção industrial nacional na passagem de março para abril de 2015, série com ajuste sazonal, foi acompanhada por 13 dos 14 locais pesquisados, com destaque para os recuos mais intensos registrados por Ceará (-7,9%), Bahia (-5,1%), Amazonas (-5,1%) e Pernambuco (-4,6%). Com os resultados desse mês, o primeiro local acentuou o ritmo de queda observado no mês anterior (-3,9%); o segundo eliminou parte do avanço de 24,0% assinalado em março último; o terceiro reverteu o acréscimo de 0,5% verificado no mês anterior; e o último apontou o terceiro mês consecutivo de recuo na produção, período em que acumulou perda de 9,1%. Região Nordeste (-3,7%), São Paulo (-3,6%), Goiás (-2,1%), Rio Grande do Sul (-1,9%) e Pará (-1,8%) também apontaram quedas mais intensas do que a média nacional (-1,2%), enquanto Rio de Janeiro (-1,2%), Santa Catarina (-0,9%), Minas Gerais (-0,8%) e Espírito Santo (-0,5%) completaram o conjunto de locais com índices negativos em abril de 2015. Por outro lado, Paraná, com expansão de 1,4%, mostrou o único resultado positivo nesse mês, após registrar recuo de 2,4% no mês anterior.

    Fonte: IBGE.

  4. Plano de concessões com montante de R$198,4 bilhões a serem investidos em mais de quatro anos e quase nada são a mesma coisa.

    Seria significativo o investimento desse mesmo montante em apenas um ano, o que corresponderia a 3,6% do PIB.

    Ou seja, este governo continua mantendo-se na estrutura do poder a custa de programas que mais servem para a autopropaganda do que para determinar soluções econômicas e sociais para o país.

    A economia se arrastará por toda o segundo período de Dilma, sem investimento e sem consumo, os dois motores principais do nosso desenvolvimento econômico. Se arrastará em meio a propagandas demagogas e ajudas de governos alinhados com a mesma ideologia petista como é o caso da China.

    • Estamos sob o domínio de um grupo demagogo, falso, perigoso, ilegítimo, insalubre, corrupto e deletério para o país, suas instituições e seu povo.

      Tudo o que querem é se estender no poder para concretizarem o seu projeto de poder, não de país.

  5. Pois já temos um quarteto de especialistas em economia, infinitamente mais que o governo, que não tem nenhum!
    Ótimo artigo do nosso Wilson Júnior, que esclarece a política econômica adotada como contrária às aspirações nacionais e necessidade de crescimento.
    Das duas uma:
    Ou o governo faz de propósito em escolher mal seus ministro ou é porque a incompetência é a marca registrada do PT.
    Aposto em ambas!

  6. Meu ponto de vista é que aumentar a dívida pública para financiar o BNDES é umapolítica genocida por que quem vai terminar pagando ou morrendo é o cidadão trabalhador e contribuinte.

    Basta ler na mídia o que esta acontecendo com a Cesta Básica.

    “Cesta básica sobe em 17 das 18 cidades pesquisadas, diz Dieese”
    Aumento ocorre pelo segundo mês consecutivo.
    As maiores elevações foram apuradas nas cidades do Nordeste.
    Do G1, em São Paulo

    Pelo segundo mês consecutivo, houve aumento da cesta básica em 17 das 18 cidades pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). As maiores elevações foram apuradas nas cidades do Nordeste: Salvador (10,69%), Fortaleza (8,89%) e Recife (7,73%). O único decréscimo foi registrado em Aracaju (-1,58%).

    Em maio, o maior custo da cesta foi registrado em São Paulo (R$ 402,05), seguido do Rio de Janeiro (R$ 395,23), Florianópolis (R$ 394,29) e Vitória (R$ 387,92). Os menores valores médios para os produtos básicos foram observados em Aracaju (R$ 277,16), João Pessoa (R$ 303,80) e Natal (R$ 312,41).

    Em 12 meses, entre junho de 2014 e maio de 2015, as 18 cidades acumularam alta no preço da cesta. Destacam-se as elevações registradas em Salvador (25,41%), Goiânia (16,94%) e Aracaju (14,66%). Os menores aumentos foram em Belo Horizonte (3,12%) e Porto Alegre (5,07%). Nos cinco primeiros meses de 2015, todas as cidades acumularam altas que variaram entre 7,20%, em Manaus e 29,95%, em Salvador.

    Leia mais em: http://g1.globo.com/economia/seu-dinheiro/noticia/2015/06/cesta-basica-sobre-em-17-das-18-cidades-pesquisadas-diz-dieese.html

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