Perde-se mais um gigante: o escritor mexicano Carlos Fuentes

Roberto Nascimento

Quando um gênio da humanidade vai embora é como se um pouco de nós esteja indo junto. Uma pena que Carlos Fuentes se foi aos 83 anos. Viveu em vários países, inclusive no Brasil (Paraná) por conta da profissão do pai, que era diplomata. Além de escritor, Fuentes era também diplomata. Escreveu 20 livros ao longo de sua carreira de sucessos.

Carlos Fuentes era um homem de esquerda, entretanto criticava Cuba e Venezuela. Chamava o presidente da Venezuela de Mussolini tropical. Na revolução cubana em 1959 estava na capital, Havana, antes da chegada de Fidel Castro vindo da Sierra Maestra, mas depois se afastou dos revolucionários cubanos.

Fuentes também esteve em Praga na década de 70 com os escritores Gabriel Garcia Marques, Júlio Cortazar e Milan Kundera. Na oportunidade, previu a invasão dos russos, o que de fato aconteceu em seguida.

O Nobel de Literatura, Mário Vargas Lhosa eram muito amigo de Fuentes, que admirava Machado de Assis, considerado por ele como o maior continuador da obra de Miguel de Cervantes.

Assisti no mês passado a uma imperdível entrevista do escritor, na Globo News. Geneton Morais Neto, o jornalista brasileiro que o entrevistava foi muito feliz pela maneira como conseguiu dirigir as perguntas do diálogo com o intelectual mexicano.

Fuentes estava muito à vontade e respondeu serenamente até prevendo o desfecho de hoje, quando perguntado se acreditava em Deus, disse: “Se existe não sei, mas estou perto de saber a resposta”.

Quanto à pergunta se preparava um novo livro, afirmou: “Quero escrever sobre o revolucionário Emiliano Zapata. Entretanto, toda vez que me debruço sobre o tema que povoa meu cérebro, alguma coisa acontece que desvia esse foco.

Provocado por Geneton acerca da frase: “Coitado do México, tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos”, respondeu: México e Estados Unidos, tão perto um do outro e ambos tão longe de Deus.

Sua maior tristeza foi à morte precoce de dois de seus filhos, sendo a filha perdida pelo consumo de drogas aos 29 anos. O narcotráfico sangra o México e sua maior preocupação era à força do cartel das drogas.

Como dizia Rubem Braga, a poesia é necessária

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AO ESPELHO

Rubem Braga

Tu, que não foste belo nem perfeito,
Ora te vejo (e tu me vês) com tédio
E vã melancolia, contrafeito,
Como a um condenado sem remédio.

Evitas meu olhar inquiridor
Fugindo, aos meus dois olhos vermelhos,
Porque já te falece algum valor
Para enfrentar o tédio dos espelhos.

Ontem bebeste em demasia, certo,
Mas não foi, convenhamos, a primeira
Nem a milésima vez que hás bebido.

Volta portanto a cara, vê de perto
A cara, tua cara verdadeira,
Oh Braga envelhecido, envilecido.

Malucos beleza

Tostão

Volto das férias com saudades de bons jogos, de ver Neymar atuar. O futebol, de clubes, brasileiros e sul-americanos, está muito distante de seu extraordinário talento.

Estamos percebendo que Neymar é e será ainda maior que os mais otimistas imaginavam. Para confirmar isso, que será um fenômeno, mais que um craque, terá de brilhar, com a mesma intensidade e regularidade, contra os melhores times e seleções do mundo. Isso tem tudo para acontecer, em pouco tempo.

Agora, todas ou quase todas as partidas da Copa do Brasil e da Libertadores serão equilibradas. Acabaram as molezas.

Além de Neymar, o Santos mudou após a derrota para o Barcelona. O time troca mais passes e cruza menos bolas para o gol, bem diferente do São Paulo, várias vezes campeão com Muricy.

Por outro lado, os zagueiros, encostados à grande área, ficam muito distantes dos volantes. Os meias e atacantes adversários deitam e rolam. Isso ocorre com todos os times brasileiros, especialmente com o São Paulo. O Corinthians é exceção, um dos motivos de sofrer poucos gols.

No sábado, veremos a final da Copa dos Campeões da Europa. O Bayern é superior. Mas não há certeza de nada. O Chelsea não eliminou o Barcelona porque jogou bem, dentro de seu estilo. Ganhou por detalhes surpreendentes e incomuns. A fraquíssima seleção grega, na Eurocopa de 2004, armou uma retranca, como o Chelsea contra o Barcelona, e ganhou o título.

Toda equipe tem o direito de jogar do jeito que pode e sabe. O que não se deve é enaltecer o futebol medíocre por causa de uma vitória.

O Barcelona, no fim de temporada, cansado, não tomou a bola no outro campo com a mesma eficiência. Com isso, criou menos chances de gol e sofreu mais contra-ataques. Faltou também mais um grande atacante, para não depender tanto de Messi.

Além do mais, o Barcelona, acostumado com tanto sucesso, desconcentrou-se e perdeu o medo da derrota. A incerteza e o medo do desconhecido, do futuro e da morte são, com frequência, a chama que anima nossas vidas.

Vivemos em busca de algo que nos complete. Nunca vamos achar. Darcy Ribeiro, outro maluco beleza, como Raul Seixas, mesmo com histórias bem diferentes, dizia que seu grande sonho era ser Deus.

Um torcedor do Santos disse que os dribles de Neymar são tão malucos que ele dribla até a si mesmo. O mundo e o futebol precisam de malucos beleza, competentes, e também de Zé Regrinhas, tecnocratas. Os malucos beleza são mais interessantes

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GALO CAMPEÃO

O Atlético, merecidamente, ganhou o Campeonato Mineiro, invicto, apesar do pênalti, claro, não marcado a favor do América quando o jogo decisivo ainda estava empatado em 0 a 0.

Depois das comemorações pelo título, é preciso lembrar que Galo e Cruzeiro foram eliminados da Copa do Brasil por times da Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro. O Atlético está melhor, porém, ainda está distante das grandes equipes brasileiras. O América, que é forte candidato a voltar à Série A do Brasileirão, despachou o Cruzeiro no Mineirão.

O Cruzeiro, agora sob o comando do bom técnico Celso Roth, está hoje no nível das piores equipes da Série A e das melhores da Série B. Isso é muito preocupante.

(Transcrito do jornal O Tempo)

Embola o meio campo na CPI do Cachoeira, que tenta convocá-lo de novo

Carlos Newton

A novela continua, no jogo do faz-de-conta que caracteriza a política nacional e a administração pública como um todo, incluindo o Judiciário. Sem saber se vai ou fica, a CPI votou um novo requerimento convocando empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, ao mesmo tempo em que decidia franquear à defesa dele o acesso às provas recebidas pela comissão, numa tentativa de ouvi-lo na próxima semana.

Mas tudo dependerá do Supremo Tribunal Federal (STF), que impediu o depoimento anterior de Cachoeira alegando justamente que ele não teve acesso às provas que estão na comissão de inquérito. A decisão foi tomada pelo ministro Celso de Mello, que aceitou a argumentação do advogado de Cachoeira, o ex-ministro Marcio Thomaz Bastos.

Vejam só a confusão jurídica. Foi o próprio O presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) quem negou acesso à defesa das provas que foram encaminhadas à CPI pelo STF (Supremo Tribunal Federal), argumentando que o STF tinha negado aos advogados de Cachoeira conhecimento dos autos.

Agora o senador irá pedir a reconsideração da decisão liminar concedida por Celso de Mello. E vai alegar, nesse pedido de reconsideração ao STF, que a defesa de Cachoeira já foi autorizada a acompanhar os depoimentos sigilosos de dois delegados que investigaram o empresário. O recuo da CPI tem como objetivo evitar que outros investigados também recorram ao STF para não depor, o que inviabilizaria os trabalhos da comissão.

A CPI foi criada para investigar as relações de Cachoeira com políticos, empresários e o setor público a partir de investigação da Polícia Federal que acusa o empresário de explorar o jogo ilegal e manter relação de negócios com agentes públicos e privados. Por essa razão, o depoimento de Cachoeira é considerado importante para balizar os trabalhos. A data do novo depoimento ainda não foi marcada.

Mas não há garantias de que o STF mudará de opinião, mesmo com a CPI concedendo as provas à defesa, porque Thomaz Bastos logo inventará nova “saída jurídica” para livrar seu cliente.

O dia seguinte pior do que a véspera

Carlos Chagas

Ou ficamos com mestre Hélio Fernandes, para quem “no Brasil o dia seguinte sempre consegue ficar um pouquinho pior do que a véspera”, ou com o Tiririca, aquele do “pior não fica”. Alternativas inexistem para essas duas evidências.

A CPI do Cachoeira vai devagar, quase parando, em especial depois que o Supremo Tribunal Federal, intrometendo-se em questões do Legislativo, suspendeu o depoimento do bicheiro, marcado para ontem. Pode ter sido legal a decisão do ministro Celso de Mello, mas lógica, jamais. Afinal, a oitiva de Carlinhos Cachoeira marcaria o real início dos trabalhos da CPI.

No rol dos malfeitos, não faltou o gesto do presidente da CPI, senador Vital do Rego, negando ao advogado de Cachoeira acesso aos documentos arrolados contra ele. Afinal, o direito de defesa só pode ser exercido quando se conhece a acusação.

Tem mais, em termos de distorções: em vez de centralizar sua ação em torno de Cachoeira, mesmo sem o depoimento dele, para apurar suas ligações espúrias com políticos, governantes e empresários, a CPI faz do Procurador Geral da República seu alvo principal. Por que? Por não haver denunciado o senador Demóstenes Torres em 2009, mas apenas agora, em 2012.

Só isso? Nem pensar. A Comissão da Verdade, a ser instalada hoje, começa dividida e sem saber para onde vai. Um dos seus sete integrantes, José Carlos Dias, defende que as investigações se estendam a quantos praticaram crimes de tortura, seqüestro e assassinato, quer dizer, não apenas os agentes do estado, durante a ditadura militar, mas também “o outro lado”, isto é, os envolvidos em atos terroristas. Já seu colega, Paulo Sergio Pinheiro, chama publicamente de “bobajada” essa sugestão, sustentando que os terroristas já foram julgados, condenados e punidos.

Não param aí os bate-cabeças. Tanto a CPI quanto a Comissão da Verdade adotam a prática obscura de realizar sessões secretas, sonegando à sociedade o conhecimento das apurações. Ambas as atividades precisariam transcorrer às claras, acompanhadas pelos meios de comunicação. Seus responsáveis preferem agir na sombra, como cidadãos acima do bem e do mal.

Acresce que o Conselho de Ética Pública da Presidência da República acaba de produzir uma “censura ética” a Antônio Palocci. O que será essa suposta punição? O ex-ministro estará morrendo de rir ao tomar conhecimento da inócua decisão. Deveria no mínimo ter suas lambanças encaminhadas ao Ministério Público, para providências, acusado de traficar influência e amealhar milhões em atividades pouco claras de “consultoria” a empresas com as quais se relacionou enquanto titular da Fazenda.

Em suma, trapalhadas e interesses partidários desmoralizam as iniciativas do poder público nas suas três esferas, ou seja, Legislativo, Executivo e Judiciário. Pior não fica, ou o dia seguinte sempre consegue ficar um pouquinho pior do que a véspera.

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ESQUECIDOS OU DISCRIMINADOS?

Pedro Simon, Paes de Andrade e Paulo Brossard foram apenas citados bissexta e meteoricamente. Roberto Requião, Jarbas Vasconcelos e Fernando Lyra, nem isso. Fala-se apenas dos vivos, na sessão solene realizada esta semana no Congresso pelos 46 anos de fundação do PMDB. Foi como se não tivessem contribuído muito mais do que os oradores da cerimônia para a afirmação do partido nos anos de chumbo. Os atuais dirigentes fizeram questão de ignorar os históricos companheiros dos tempos da resistência, deixando de convidá-los para discursar e até comparecer. Em vez deles, reais representantes do partido que derrubou a ditadura, falaram figuras como… (cala-te boca).

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CÂMARA DE VEREADORES

Não tem limite as peculiares intervenções do senador Eduardo Suplicy. Quando deputado, ao abordar a indústria automobilística, levou e desfilou na tribuna a miniatura de um automóvel, fazendo com a garganta barulhos parecidos com o motor de uma viatura de verdade. No Senado, cantou diversas vezes no microfone uma abominável canção americana, além de haver vestido, sobre a calça, o calção do superhomem. Não há nada a opor a tais singularidades, pois o senador mais votado do país mantém a pureza em suas propostas, a começar pelo programa de renda básica de cidadania.

Esta semana, porém, Suplicy exagerou. Na tribuna, descreveu em detalhes um show a que havia comparecido na véspera, sobre Tim Maia. Em seguida irritou corintianos, palmeirenses e sãopaulinos ao exaltar de forma exagerada o Santos e Neymar.

A gente fica pensando como reagiriam Afonso Arinos, Gustavo Capanema, Daniel Krieger, Josafá Marinho e o próprio Rui Barbosa…

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DEBOCHE

Já imaginaram se naqueles amplos jardins da capital dos Estados Unidos, defronte à Casa Branca, ao memorial de Abraão Lincoln, George Washington e aos mortos da Guerra do Viet-Nam, fosse permitido montar mafuás, barracas, palcos para apresentação de artistas e até estádios para campeonatos de tênis e vôlei, nem falando em pistas de lama para enduro?

Pois é a isso que está reduzido o imenso canteiro central da Esplanada dos Ministérios. O governo do Distrito Federal cede a uma empresa privada a exploração dessas atividades na área mais nobre de Brasília, certamente recebendo percentual pelo faturamento. O gramado transforma-se em pátio dos milagres, repositório de lixo e sujeira após cada evento, sem que autoridade alguma se disponha a intervir.

São décadas seguidas dessa lambança, registrando-se que apenas uma vez, e em terreno restrito, defronte ao Congresso Nacional, houve proibição, graças à iniciativa de Antônio Carlos Magalhães, então presidente do Senado.

CPI deve ser aberta tanto à defesa quanto à acusação: direito é o mesmo

Pedro do Coutto

Reportagem de Chico de Gois e Paulo Cesar Pereira, O Globo de sexta-feira, focalizou o clima tenso que marcou os trabalhos da CPI Carlos Ramos Cachoeira pelo fato de o presidente da Comissão, senador Vital do Rego, ter autorizado a presença na sessão (que foi secreta) dos advogados do ex-diretor da Delta Construções, Cláudio Abreu, do senador Demóstenes Torres e, claro, do próprio Cachoeira.

O senador Cássio Cunha Lima e a senadora Kátia Abreu afirmaram-se indignados. O depoimento, primeiro da série, foi do delegado Mateus Rodrigues que, pelo publicado em vários jornais, desfechou ataques contra o governador Marconi Perillo e o procurador Roberto Gurgel.

A reação dirigiu-se à decisão do senador Vital do Rego, que se defendeu baseando-se na analogia encontrada no Código de Processo Penal. Os advogados têm direito de acompanhar os depoimentos dos réus. Porém, no caso, ainda não existem réus e sim acusados. Além do mais, nenhuma das pessoas acusadas estava sendo ouvida e sim um delegado, é verdade que como testemunha de acusação.

Em minha opinião, Cunha Lima e Kátia Abreu deveriam ter cobrado do presidente da CPI a coerência lógica e indispensável. Se os defensores possuem o direito de assistir aos depoimentos de uma sessão que é secreta, a acusação também tem. Neste caso, Vital do Rego deveria ter comunicado sua decisão, não apenas aos parlamentares, mas também ao Procurador Geral, Roberto Gurgel, chefe do Ministério Público. Que, inclusive, não tem voto, mas tem voz no Supremo Tribunal.

Houve uma desigualdade que, provavelmente, já na semana que se inicia, Roberto Gurgel deve agir para apagar. E a propósito de desigualdade, me vem à memória um editorial histórico do Correio da Manhã, 1954, de Oto Maria Carpeaux, sobre as investigações policiais em torno do atentado da Rua Toneleros, 5 de agosto, que antecedeu em 19 dias o trágico desfecho do presidente Vargas.

Preso Gregório Fortunato, chefe da guarda pessoal do presidente e os executores do atentado que mudou a história, Alcino, Climério e Soares, foram recolhidos ao quartel da PM na Rua Evaristo da Veiga. Poucos dias depois seriam transferidos para dependências do Ministério da Aeronáutica no Galeão.

O inquérito começou secreto. Mas não sei por qual razão, apenas o jornalista Carlos Lacerda tinha acesso aos depoimentos. A dualidade era difícil. Ele, ao mesmo tempo, era vítima da tentativa de assassinato e diretor proprietário da Tribuna da Imprensa. Hélio Fernandes só assumiu o jornal em 1962. Os trabalhos começavam pela manhã e se encerravam às 17 horas.

Lacerda então reunia os repórteres que lotavam a sala da entrevista e divulgava sua versão sobre os depoimentos. O Correio da Manhã não aceitou a exclusividade. Ou participam todos os profissionais escalados para a cobertura, ou então os jornais se retiram. Como esta hipótese era impossível, já que a ausência prejudicaria a opinião pública, portanto o país, o general Emílio Maurel Filho, à frente do processo, determinou a abertura dos trabalhos aos repórteres e fotógrafos de maneira geral.

Igualdade é a palavra certa para a decisão de Maurel, que, um ano depois, presidiria a investigação sobre a falsidade da Carta Brandi. Mas esta é outra história. Quando se tornar oportuno, comentarei esse episódio.

Falando em igualdade, em matéria do princípio, não foi no meio da tormenta a única e bela atitude do Correio da Manhã. A segunda ocorreu com Café Filho, quando o Banco do Brasil, credor, partia para a liquidação do jornal Última Hora. Carlos Lacerda, novamente, na liderança da pressão. Samuel Wainer devia ao BB e não tinha dinheiro. Ia à falência. Mas suas dívidas foram pagas por Moreira Sales, Ermírio de Moraes, pai e o conde Matarazzo.

Lacerda ficou furioso e exigia o nome dos financiadores. O Correio da Manhã, embora adversário de Wainer, o defendeu: não é direito de o credor saber quem pagou pelo devedor. Pagas as dívidas, a igualdade e a liberdade prevaleceram.

A comissão do tradutor

Sebastião Nery

Lomanto Junior elegeu-se governador da Bahia, em outubro de 62, e foi aos Estados Unidos. Queria recursos para tocar para frente o CIA (Centro Industrial de Aratu), pensado, articulado, criado e estruturado pelo talento e espírito público de Romulo Almeida.

Com Lomanto, viajou o saudoso Marcelo Gedeon, cidadão do mundo, sutil e mordaz, aparentado com o governador, presidente do CCPP (Conselho Consultivo dos Produtores de Cacau), então o maior produtor de cacau do País e um dos financiadores da campanha de Lomanto.

O governador foi a uma reunião com empresários americanos e tecnocratas do governo dos Estados Unidos, fez longa exposição sobre o projeto do Centro de Aratu, suas perspectivas e possibilidades.

Lomanto falava em português, Marcelo traduzia.

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LOMANTO

Quando acabou a exposição de Lomanto, os empresários apresentaram uma série de sugestões para investimentos. Lomanto anotava tudo em um caderno branco. Depois, conferiu o relógio, viu que já era tarde, tinha outro compromisso, falou ao ouvido de Marcelo:

– Marcelo, vamos embora que esses gringos já estão muito ricos, falam demais e tenho mais um encontro daqui a pouco.

Marcelo sorriu, os americanos ficaram curiosos:

– O que é que ele disse?

Marcelo fez uma cara de São Francisco de Assis com gripe:

– Ele falou que 5% de tudo que foi acertado aqui é meu.

E deu uma gargalhada. Os americanos não entenderam nada.

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O GOLPE DO GEAP

Se o governo do PT estivesse brincando, como estava o tradutor do governador da Bahia, muito bem. Mas não era brincadeira, mas de verdade. Em 2003, por exemplo, o então presidente Lula assinou um decreto revogando uma lei, o que é um escárnio jurídico, para dar a uma entidade privada, a Geap, comandada por uma dirigente do PT, o monopólio dos planos de saúde do funcionalismo, no valor de R$ 1 bilhão.

O Tribunal de Contas da União já havia avisado que era ilegal, inconstitucional, mas a Casa Civil da Presidência da República (leia: José Dirceu), onde foram feitas as reuniões com a Geap e preparado o decreto com a estranha e indébita participação dela, não tomou conhecimento. E Lula assinou.

Diante do escândalo, o governo e o PT se queixaram de que a oposição e a imprensa estavam radicalizando e fazendo acusações infundadas. Mas queriam o quê? Se foi barbeiragem, era inexplicável. Se houve má-fé, inaceitável.

De lá para cá, a coisa degringolou. Será que basta ser do PT para poder fazer tudo, até ganhar a comissão do tradutor?

IBGE identificou 20 milhões trabalhando em casa

Roberto Monteiro Pinho

No tocante à conciliação judicial, evidente que, uma vez respeitadas às condições de admissibilidade e de validade do ato, não há por que fazer restrição a esta possibilidade de solução de conflitos, que entre todas é a que se reveste de maior credibilidade, visto tramitar perante o Judiciário.

O que não podemos permitir é o avanço desnecessário do litígio, por tendência de tecnicismo do julgador, incorporando mais uma ação às milhões já existentes, num zigue-zague enfadonho e dilacerante para o trabalhador que míngua à espera do resultado prometido por um judiciário que apregoa aos “quatro ventos” de ser social e que infelizmente não consegue entregar o resultado ao trabalhador.

É evidente que não podemos ter este mesmo direito desmoralizado, quando põe em risco a efetiva entrega da prestação jurisdicional, na medida em que privilegia e estimula à conciliação em detrimento da segurança jurídica e da finalidade maior da Justiça do Trabalho, qual seja, garantir eficazmente a tutela dos direitos trabalhistas.

De que adianta falar em justiça laboral se a grande maioria da nossa mão de obra é informal, ou seja, está afastada deste judiciário e jamais será integrada a formalidade? A não ser que o governo promova uma política de consolidação do micro empregador, sem o custo Brasil que é o mais elevado do planeta. Podemos avaliar o tamanho do estrago que a rigidez (dos direitos trabalhistas), com que os juízes da laboral divorciados da praticidade, julgam tecnicamente, sem bom senso.

O fato é que temos o resultado do Censo 2010, mostrando que 20 milhões de brasileiros, moram e trabalham no mesmo (residência) endereço. Somados aos números da informalidade, vê-se que a metade do país ativo se vira como pode. A proporção é de quase um quarto da mão de obra ocupada do país.

Segundo ainda a pesquisa, a grande maioria dos ocupados trabalham na mesma cidade em que moram: 64%. Há ainda uma parcela considerável de quase um milhão de pessoas que trabalha em mais de uma cidade ou país. Podemos avaliar que proporcionalmente para cada grupo de seis trabalhadores formais, 2,5 estão na informalidade familiar;

No 16º Congresso Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho, o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro João Oreste Dalazen, ressaltou as transformações sociais e o papel do magistrado na era da informação. Afirmou que o juiz do trabalho tem um lugar “indispensável” na construção da democracia e na preservação da cidadania, deixando para trás a figura do juiz na torre de marfim.

“O juiz que não interage com o povo não conhece a sociedade em que milita”, assinalou. “Os novos tempos exigem que o juiz dialogue com a comunidade.

As cotas raciais nas universidades e a cor da pobreza no Brasil

Carlos Frederico Alverga

A recente pesquisa feita pelo Ministério do Desenvolvimento Social sobre a extrema pobreza no Brasil, com base nas informações do Censo 2010, realizado pelo IBGE, considera extremamente pobre a pessoa que possua rendimento mensal de até R$ 70,00. Esse levantamento confirma de modo inequívoco a assertiva de que a pobreza no Brasil tem cor e é negra.

Considerando o Brasil como um todo, 70,8% das pessoas que se encontram na situação de extrema pobreza no Brasil são ou negras ou pardas, sendo que esse percentual atinge 77% na região Norte e 75,1% no Nordeste.

A população que se declara negra ou parda possui renda em torno da metade da renda recebida pelos brancos, a taxa de desemprego entre os negros é bastante mais elevada do que entre os não-negros, a escolaridade dos segmentos afrobrasileiros é significativamente menor em relação à dos contingentes da população brasileira de origem européia, a parcela da renda nacional detida pelos brasileiros de ascendência africana é demasiadamente menor do que a parcela possuída pelos segmentos brancos.

Toda essa realidade, comprovada pelas estatísticas sociais do órgão oficial do Governo, é irrefutável e não pode ser negada. A explanação mais sensata para esse estado de coisas remete aos mais de trezentos anos de escravidão a que foram submetidos os negros no Brasil e, também, ao total desamparo a que foi relegada a população negra após a escravatura.

Desde 1888, o Estado brasileiro jamais praticou políticas públicas visando integrar os segmentos afrodescendentes na sociedade nacional. O resultado dessa ausência de ação pública e política teve como consequências as mazelas sociais – as favelas sem infraestrutura urbana, a falta de escolas públicas de qualidade e de hospitais equipados, a precariedade dos transportes e mais um imenso rol de serviços públicos que faltam nessas localidades carentes, nas quais a violência campeia. A propósito, também os negros morrem em maior número devido à violência urbana.

O primeiro governante se preocupar com isso foi Brizola, que instituiu uma Secretaria de Estado para tratar exclusivamente da questão do negro. Lula seguiu pelo mesmo caminho Lula, com a criação da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

É inegável que existe o racismo. E o critério de cotas nas universidades públicas é uma das pouquíssimas iniciativas que visam a integrar o negro na educação formal e na civilização no Brasil. Tal iniciativa, só por esse motivo, já seria válida. Penso que seria melhor que o critério para seleção do público alvo das políticas de ação afirmativa fosse o sócio-econômico, baseado na renda, e não o racial; entretanto, mesmo que assim fosse, indubitavelmente resultaria na seleção maciça de afrodescendentes em decorrência do fato, antes mencionado, de que a pobreza no Brasil tem cor.
Um detalhe importantíssimo: o sistema educacional brasileiro reproduz e amplia a desigualdade entre brancos e negros, entre ricos e pobres, e perpetua e eterniza as iniquidades de nosso sistema social.

Os negros e pobres frequentam escolas públicas cuja qualidade é extremamente deficiente e, na hora de cursar o ensino superior, têm que pagar as mensalidades das faculdades particulares. Enquanto isso, os ricos e a classe média preparam seus filhos nas melhores escolas particulares para que, depois, passem no vestibular e freqüentem as universidades públicas gratuitas com ensino de muito melhor qualidade do que as suas congêneres privadas.

Portanto, as cotas, ou raciais ou sócio-econômicas, qualquer que seja o critério, são mecanismos para tentar superar este círculo vicioso e promover a ascensão social de setores secularmente marginalizados.

A política de cotas é vital para tornar a sociedade brasileira mais justa e menos iníqua, e deve ser mantida até o momento em que os não-brancos tenham alcançado um grau apropriado de ascensão social em nosso país, de modo que nossos governantes concretizem aquilo que Joaquim Nabuco pregou há mais de um século, no sentido de que os negros fossem amparados pelo poder público como forma de reparação pelos malefícios de que haviam sido vítimas por mais de três séculos.

Só o crescimento econômico pode salvar

Welinton Naveira e Silva

O grande e imortal Jornalista Helio Fernandes, quando escrevia em sua velha guerreira e nacionalista Tribuna da Imprensa, inúmeras vezes destacou importantes pontos da economia brasileira, propositalmente ignorados pelos economistas “chapa branca” e da grande imprensa “livre”.

Dentre esses pontos, o formidável e importantíssimo mercado interno do Brasil, hoje em 200 milhões de consumidores. Para uma rápida visão de sua importância, 200 milhões de consumidores brasileiros é maior que a população de consumidores da Argentina, França, Inglaterra e Portugal, juntos.

Além dessa vital questão, Helio Fernandes sempre destacou a mortal violência dos altos e entreguistas juros praticados no Brasil. Fatal para a indústria, para o comércio e para os serviços.

Por conta do esquecido e fantástico mercado interno, a presidente Dilma Rousseff deve prosseguir com toda força possível na acertada rota de redução da Selic, que nos desastrados tempos FHC/PSDB chegou a mais de 45% ao ano, causando milhares de desempregados e de falências.

Já estamos a 9% ao ano – ainda muito alta. Temos que situá-la na faixa de 4% a 5%. Ainda seria altíssima para o primeiro mundo. Mas, como os nossos meios de produção de riquezas, forçados a aprender a trabalhar com estratosferas taxas de juros, com Selic na faixa de 4% a 5%, a nossa economia passaria a crescer a mais de 8% ao ano. Sem dúvida alguma.

A importância vital de juros baixos pode ser evidenciada na política econômica dos EUA, que assim que percebeu o tamanho do buraco econômico e financeiro que estava entrando, imediatamente reduziu os seus juros para a faixa de zero a 0,25% ao ano. Não são idiotas nem incompetentes.

Outra medida importante é prosseguir desvalorizando nossa moeda visando aquecer as exportações brasileiras, melhorando as condições para enfrentar a feroz concorrência externa numa hora de grande crise econômica. A China, que de boba nada tem, sempre soube manter sua moeda bem desvalorizada, para o total desespero dos EUA. Por isso e por outras razões, há mais de 40 anos a China vem crescendo a invejáveis sucessivas taxas, por diversas vezes, ultrapassando 11%, ao ano.

Juros mais baixos, junto com moeda brasileira mais desvalorizada, a possibilidade de formidáveis crescimentos econômicos, por anos e anos seguidos, é coisa garantida. Será a alegria da indústria, do comércio e dos serviços, principalmente de nosso povo – felicidade ampla e geral do Brasil.

Só os banqueiros vão chorar. São avarentos e ingratos. Se tivessem a coragem e a grandeza de devolver 50% da sideral fortuna acumulada só nessas últimas cinco décadas, ainda assim, continuariam bilionários. Quem sabe, não iriam arder eternamente nas labaredas do inferno.

Hollande assume e quer um pacto pelo crescimento da Europa

O presidente francês, François Hollande, afirmou que pedirá aos parceiros europeus de seu país que deem apoio a um pacto que una os objetivos de redução de déficit e estímulo econômico.

O socialista Hollande deu a declaração em seu discurso de posse antes de uma viagem a Berlim, onde pedirá à chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, que ajuste um pacto fiscal acordado por líderes europeus em março para incluir um compromisso pró-crescimento.

“Vou propor a meus parceiros europeus um pacto que alie a redução necessária do déficit ao estímulo indispensável da economia”, disse Hollande, que venceu a eleição de 6 de maio e substituiu Nicolas Sarkozy nesta terça-feira.

Em matéria de cara-de-pau, o governador Agnelo Queiroz é mesmo insuperável

Carlos Newton

Acusado das mais diversas irregularidades, desde os tempos em que ainda era filiado ao PCdoB e ocupava uma das diretorias da Anvisa (Vigilância Sanitária), passando depois pelo Ministério do Esporte até chegar ao governo do Distrito Federal, já pela legenda do PT e sempre acumulando cada vez mais denúncias, o governador Agnelo Queiroz agora diz que pode ir depor na CPI do Cachoeira para dar  o “bom exemplo” de um  contrato assinado com a construtura Delta, vejam só a que ponto chegamos.

“Se eu for convidado, posso ir à CPI”, disse ele ao repórter Filipe Coutinho, da Folha, acrescentando que poderia explicar como o  contrato assinado com a Delta representou uma economia de 40% para os cofres públicos.

O governador é um cara-de-pau ou um tremendo gozador. Em Brasília, todos sabem que o PT está pouco ligando para ele. Pelo contrário, está dando as costas para o neopetista. Recentemente, o Planalto e o PT o obrigaram a nomear para a Casa Civil um ex-assessor de Dilma Rousseff e de Lula, Swedenberger Barbosa, braço direito da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula. O motivo foi justamente a Operação Monte Carlo, que detonou o escândalo de Carlinhos Cachoeira.

O Palácio do Planalto já sinalizou, através do ministro Gilberto Carvalho, que entregaria Agnelo Queiroz à própria sorte. Mas a estratégia do PT comandada por José Dirceu foi a de nomear o interventor, como chefe da Casa Civil, na tentativa de estancar a sangria que Agnelo vem provocando na Capital da República desde a posse no início de 2011.

Outro agravante: o chefe de gabinete de Agnelo, Cláudio Monteiro, pediu afastamento do cargo após ser citado em conversas telefônicas de pessoas do grupo de Cachoeira. Em uma das conversas, é discutido um suposto pagamento de propina a Monteiro pelo sargento aposentado da Aeronáutica Idalberto Matias, o Dadá, e Cláudio Abreu, então diretor da Delta.

Monteiro também é citado com um dos que teriam celular antigrampo. Ele nega envolvimento com o grupo acusações, mas admite que se encontrou com Dadá por duas vezes, na condição de funcionário da Delta, empresa que faz a coleta do lixo em Brasília.

 

E rola a cabeça do rei Sarkô!

Pepe Escobar (Asia Times Online)

O homem fez pose de fenomenal grandeur, como neoimperial Libertador da Líbia – poucos anos depois de o coronel Muammar Gaddafi ter ajudado a financiar sua campanha eleitoral, com nada menos que límpidos 65 milhões de dólares.

Servindo-se de um misterioso pacto entre o Espírito Santo e uma camareira africana em New York, ele se livrou do adversário que já o desafiava e muito provavelmente o derrotaria na reeleição, o ex-diretor-geral do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Khan, libertino assumido.

Bashir Saleh é ex-chefe de gabinete de Gaddafi e ex-presidente do Fundo Soberano Líbio. Foi o encarregado de ir e vir, quando Gaddafi decidiu financiar a campanha eleitoral de Sarkozy, em 2007.

O Rei Sarkô, como seria de prever, negou tudo e disse que processaria o Mediapart, website francês que revelou o que, para muitos, nem foi novidade. Seja como for, dia 3 de abril, o ex-primeiro-ministro líbio Baghdadi Ali al-Mahmoudi confirmou tudo, outra vez. E disse exatamente o que o filho de Gaddafi e ex-aluno de prestígio da London School of Economics, Saif al-Islam, já dissera antes, em março de 2011: “Sarkozy que devolva todo o dinheiro que aceitou da Líbia, para pagar sua campanha presidencial.”

Saleh está na lista de procurados da Interpol, mas permanece na França, autorizado pelo regime rebelde da OTAN na Líbia, o qual, simultaneamente, também diz estar à procura dele. Guarda com ele confortáveis US$ 5,2 milhões, bem próximo da fronteira suíça, com vista para o Mont Blanc.

Tudo isso protegido pela polícia do Rei Sarkô, que disse que o negócio todo é feito com “pleno conhecimento e acordo do presidente [do Conselho Líbio de Transição] Abdel Jalil”. A vida é bela. E Saleh foi visto badalando no Ritz, em Paris.

E o rei Sarkô perdeu hoje o trono.

Comissão da Verdade: se não é revanchismo, é o quê?

Prentice Franco

O revanchismo está implícito e explicito, dá para ver em todos lugares, não é de hoje que as Forças Armadas vêm sofrendo com os desfeitos concebidos pelo governo, o desmantelamento e sucateamento são provenientes desse revanchismo, a falta de investimento que vem gerando a decadência da tropa, vem matando nossos soldados. Desafio o Ministério Público a entrar nos Batalhões Históricos caindo aos pedaços.

Os militares, para se ter alguma regalia, têm que tirar dinheiro do próprio bolso e investir na própria unidade para ter um lugar decente para dormir e em muitas vezes para comer, os armamentos são obsoletos da década de 60, por mais que se faça a manutenção, vêm matando nossos soldados em todo o Brasil com disparos “acidentais”.

Quem não viu as viaturas do Exercito enguiçadas pela cidade? E o porta-aviões São Paulo, da segunda Guerra, que matou um soldado este ano com um acidente mal explicado, já é a segunda vez que se envolve nesse tipo de problema? A base de pesquisas da Antártida foi incendiada com a morte de dois militares por falta de investimento para se fazer o básico. A base de lançamentos de foguetes de Alcântara no Maranhão teve a plataforma  incendiada com 21 técnicos e engenheiros mortos, e muitos outros casos que vem ceifando vidas devido à falta de investimento, sendo claras as motivações políticas de revanchismo.

Não satisfeitos pelo corte de verba para as necessidades básicas de sobrevivência da tropa, os políticos se voltaram contra o pessoal diretamente, os integrantes da Forças Armadas, que nada tiveram a ver com os fatos ocorridos nas décadas de 60 e 70. Foram e estão sendo afetados, e mais se degrada o soldado, afetando-o diretamente através do corte dos salários que é refletido em sua família.

É verdade que o soldado apresenta uma simbiose  que faz desenvolver suas tarefas em qualquer meio por mais degradante que seja, mas quando afeta as suas famílias, não. O militar das Forças Armadas incorporava 1% do soldo a cada ano trabalhado, similar aos triênios que são concedidos, até hoje, às forças auxiliares. Foram cortados, a licença especial que tem direito a ficar seis meses de descanso a cada cinco anos trabalhados, idem, fato que é concedido as Forças Auxiliares até hoje. E o pior, o rebaixamento indireto sobre a patente, o aumento do interstício, tempo que o militar leva para ser promovido, que aumentou de 4,5 anos para 8 anos, ou seja, um aumento de 77,7% no tempo para ser promovido, entre outras ofensivas, que se descritas vão nos estender e muito.

O soldado Brasileiro recebe 900 reais por mês, o recruta menos de um salário mínimo, o soldado brasileiro está sobre fogo amigo constantemente mas me parece que os políticos não sabem o que eles são!!

Todos os benefícios que são concedidos pelas forças auxiliares, como isenção de IPI na compra de carros, financiamento de imóveis a juros baixo, não são estendidos aos integrantes da Forças Armadas.

As forças auxiliares não tiveram redução de seus salários, pelo contrário adquiriram alguns benefícios, que não é o caso das Forças Armadas, evidenciando claramente um tratamento diferenciado que caracteriza o revanchismo que causa o desmantelamento e sucateamento. E, por consequência, mortes.

Assim são as Forças Armadas, subjugadas pela hierarquia !!!

Como dizia Rubem Braga, a poesia é necessária

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DESENCANTO

Manuel Bandeira

Eu faço versos como quem chora
De desalento… de desencanto…
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente…
Tristeza esparsa… remorso vão…
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

– Eu faço versos como quem morre.

Thomaz Bastos ganha o primeiro round: Cachoeira não vai à CPI

Carlos Newton

Os jornais anunciam que o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, concedeu  liminar requerida pelo ex-ministro Marcio Thomaz Bastos em favor do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, suspendendo o depoimento que o empresário faria na CPI que investiga as relações dele com agentes públicos e privados.

Os membros da CPI já trabalhavam com a possibilidade até mesmo de reconvocar o empresário, caso ele ficasse em silêncio durante o depoimento, como a defesa do empresário havia previsto, alegando que ele não teve acesso a todas as peças de acusação.

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A MULHER DE GURGEL

O senador Fernando Collor (PTB-AL) apresentou requerimento para convocar a subprocuradora-geral da República Cláudia Sampaio Marques para depor na CPI do Cachoeira. O pedido para trazer à comissão a mulher do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, baseia-se no depoimento do delegado Raul Alexandre Marques Sousa, responsável pela Operação Vegas.

O delegado disse que Cláudia, designada pelo marido para cuidar do caso, alegou não ter encontrado indícios para pedir abertura de investigação contra parlamentares por envolvimento com o contraventor Carlinhos Cachoeira em 2009 no Supremo Tribunal Federal.

Em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo, Cláudia disse que a decisão de segurar a apuração foi tomada à época em conjunto com Marques Sousa. Ela considerou que a decisão foi acertada pelo resultado que a Operação Monte Carlo teve, ao levar à prisão Cachoeira e mostrar indícios concretos da participação do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) e dois deputados com o contraventor.

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A CULPA É DO MENSALÃO

“Não foi uma decisão minha. Foi nossa. Entendi que não tinha elementos na época para ir ao STF. Poderia ter conversas relevantes no aspecto político ou ético, mas não tinha crime. Decidimos que era conveniente esperar”, afirmou a procuradora, que disse estar à disposição para ir à CPI esclarecer sua participação.

Ela atribuiu o questionamento feito por parlamentares à sua atuação a uma tentativa de desgastar seu marido às vésperas do julgamento do mensalão.