Helio Fernandes, o maior jornalista brasileiro, completa hoje 92 anos

Carlos Newton

Hoje é um dia muito especial para nós. O jornalista Helio Fernandes está completando 92 anos. Este Blog, todos sabem, pertence a ele e sempre pertencerá. Estamos apenas lutando para preservá-lo até que Helio Fernandes se disponha a voltar.

  Helio, um nome na História

Seu principal advogado, Luiz Nogueira, fez questão de lembrar esta data ao ministro Castro Meira, do Superior Tribunal Justiça (STJ), relator do processo de indenização movido por Helio Ferrnandes contra a União, por perdas e danos causados em dez anos de censura prévia e implacável contra a Tribuna da Imprensa, de 1968 a 1978, e com a destruição do jornal por um atentado à bomba em 1981, depois de aprovada a Lei da Anistia.

Helio Fernandes é o jornalista mais censurado da História deste país. Vale á pena ler a mensagem que Luiz Nogueira enviou ao STJ.

###
SR. MINISTRO CASTRO MEIRA

Peço licença para tomar uns minutos do precioso tempo de V. Exa. para informar que no próximo dia 17 o mais intrépido, isento, despojado e democrata dos jornalistas brasileiros, SENHOR HELIO FERNANDES, estará completando 92 ANOS DE VIDA, toda ela dedicada à defesa dos legítimos e não poucas vezes vulneráveis interesses nacionais.

Colocou toda a sua vida e todo o seu patrimônio, o independente jornal TRIBUNA DA IMPRENSA (RJ), a serviço das boas causas e contra a corrupção e o desgoverno. Por não ceder perante os ditadores de plantão, período de 1964 a 1985, sofreu ininterrupta e implacável perseguição pessoal, política e empresarial.

Seu jornal, um dos mais influentes do Rio de Janeiro, à época, foi arbitrariamente censurado entre 1968 e 1978 (mais de 3.000 edições) e quase que totalmente destruído em 1981 por conta de atentado promovido pelos agentes da ditadura.

Em virtude desses ataques terroristas e da censura diária exercida por policiais truculentos que se alternavam em sua redação, a TRIBUNA foi asfixiada econômico-financeiramente, perdendo publicidade e vendo diminuída significativamente sua tiragem. Assim mesmo resistiu o quanto foi possível.

O sonho de Helio Fernandes e de muitos brasileiros é ver de novo a TRIBUNA nas bancas das principais cidades brasileiras e para isso aguarda-se, com ansiedade e quase desespero, QUE A SEGUNDA TURMA DO TRIBUNAL DA CIDADANIA, TENDO V. EXA. COMO RELATOR, DECIDA COM JUSTA PREFERÊNCIA o REsp 1324250/RJ, definindo o valor indenizatório que a UNIÃO FEDERAL deverá despender em favor da citada empresa jornalística.

Esse processo, iniciado em setembro de 1979, já tramitou em todas as instâncias, inclusive, no Supremo Tribunal Federal e completou há pouco seu 33º aniversário.

O bravo jornalista Helio Fernandes, que sempre defendeu o estado democrático de direito, os legítimos interesses nacionais, a independência e o respeito que todos devem devotar ao Poder Judiciário, ao completar 92 anos de vida, bem que mereceria receber o resultado da prestação jurisdicional fundamentadamente buscada e já reconhecida no julgamento de mérito.

Sabemos do excesso de trabalho que toma o tempo dos senhores ministros do STJ e no caso de V. EXA., muito mais ainda por sabermos que se avizinha, lamentavelmente, a data de sua aposentadoria e, se não me engano, o único juiz de carreira da 2ª Turma.

Como um dos advogados de Helio Fernandes, peço licença por ousar encaminhar a V. Exa. esse singelo apelo.

Respeitosamente,

LUIZ NOGUEIRA OAB/SP 75708

Eleições nos EUA: as pesquisas e os colégios

Pedro do Coutto

O segundo debate pela presidência dos Estados Unidos, entre Barack Obama e Mitt Romney ocorreu ontem e, é natural, pesquisas estão sendo divulgadas sobre o desempenho de ambos e o reflexo na opinião pública. Tudo bem. Mas a questão, em termos de voto, não pode ser analisada de modo global, como no Brasil, por exemplo. Aqui todos os estados possuem o mesmo peso, nos Estados Unidos nãoé assim. Não cogitamos diferenciar os votos paulistas (maior base eleitoral) dos demais.

Nos Estados Unidos, são 50 colégios eleitorais, cada qual com peso específico, de acordo com a população. O candidato a presidente que vence num estado arrebata todo o seu peso algébrico. Califórnia, Nova York, junto com Nova Jersey, Texas, Flórida, Michigan, Pensilvânia, Ohio, Illinois e Massachussets são os de maior densidade. No sistema americano existe a possibilidade de um candidato possuir maior penetração popular e, apesar disso, ser derrotado na soma dos votos colegiados.

Esta hipótese não é provável, mas é possível. Lá, o voto não é obrigatório. Se nenhum candidato obtiver a maioria em matéria de colégios eleitorais, o Congresso decide entre os dois primeiros. Em 240 anos de independência, essa solução só aconteceu uma vez. Em1968, quase ocorreu a segunda, quando Richard Nixon derrotou Hubert Humphrey. É que na ocasião, o governador do Alabama, George Wallace, venceu em quatro estados. O pleito foi decidido em Illinois, onde Nixon surpreendeu, já que este é um estado tradicionalmente Democrata. Caso contrário, o desfecho iria para o Parlamento.

Vejam só. Wallace teve 10% da votação e quase impede a maioria absoluta. Em 92, na eleição em que Bill Clinton venceu Bush pai, o bilionário texano Ross Perot concorreu pelo Partido Independente, alcançou 20% dos sufrágios, porém não foi o mais votado em nenhum estado. Por isso, as pesquisas eleitorais norteamericanas necessitam ser analisadas com muita atenção para que não criem confusão capaz de desfocar sua interpretação e o respectivo comentário.

É fato que um terço é basicamente democrata, um terço republicano, mas um terço oscila entre os candidatos. Em 64, Lyndon Johnson derrotou Goldwater por dois terços a um. Vitória democrata. Em 72, Nixon, republicano, bateu McGovern por dois terços a um, a mesma diferença como se constata. Isso de um lado. De outro, os debates nem sempre convencem na direção da vitória. John Kerr saiu vitorioso, como as pesquisas revelaram, sobre George Bush Filho. Entretanto, nas urnas o então presidente se reelegeu.

Kerr venceu na Califórnia e Nova York, maiores colégios. Maiores individualmente, mas que não forneceram, no conjunto, a maioria que assegurou a permanência de Bush na Casa Branca. Não estou afirmando que o fenômeno vá se repetir em novembro. Apenas admitindo a hipótese. Que é rara, porém não impossível. Porque, além da base de votos de cada um, influi muito o desempenho pessoal e o apoio ou não à política colocada em prática àquele que busca o segundo mandato. No caso Barack Obama. Vamos observar o debate, seus reflexos e desdobramentos no rumo das urnas.

Dois pesos e duas medidas

Carlos Chagas

Há alegria sempre que um réu é absolvido, presumindo-se ser inocente. O problema na absolvição de Duda Mendonça pelo Supremo Tribunal Federal é o reverso da medalha. A contradição. Porque se não foi considerado culpado por receber 10 milhões de reais do PT num paraíso fiscal, em conta por ele aberta, como punir Marcos Valério por haver enviado o dinheiro? O publicitário poderia até não saber da origem fajuta dos recursos, mesmo tornando-se difícil a presunção. Não prevaleceu a hipótese por falta de provas. Tudo bem, mas como justificar um pagamento lá fora por serviços prestados aqui dentro, a não ser pela intenção de sonegação fiscal? Impostos e multas só foram pagos depois de denunciada a operação.

Julgamento contraditório

Numa palavra, dois pesos e duas medidas na decisão quase unânime da mais alta corte nacional de justiça, de absolver um e condenar outro. Marcos Valério já estava arcabuzado por muitas falcatruas. Mais uma, menos uma, tanto faz para o cálculo de sua longa pena de prisão a ser cumprida, mas a verdade é que Duda e sua sócia viram-se beneficiados.

Fica para o esquecimento perguntar de quem foi a proposta de remessa dos recursos para um paraíso fiscal. Pode ter sido de um ou de outro. Ou de ambos, o que parece mais provável.

###
O POVO UNIDO ESTÁ SENDO VENCIDO

A referência vai para Portugal, onde a multidão cantou o refrão internacional de que “o povo unido jamais será vencido”. Porque está sendo, fragorosamente, pela Alemanha, 67 anos depois de encerrada a Segunda Guerra com a derrota dos alemães. Berlim manda na economia européia e exigiu de Lisboa, para continuar mantendo o fluxo de euros, que aumentasse impostos, reduzisse salários, promovesse demissões em massa no serviço público e cortasse investimentos sociais. O governo português cedeu, ou talvez nem tivesse resistido, conservador que é.

O resultado aí está: o povo saiu às ruas da capital lusa num protesto para ninguém botar defeito. Porque é, o povo, o grande e maior prejudicado pela sucessão de erros na condução da economia no país de nossos avós. Durante décadas adotaram a política neoliberal de favorecer os bancos e o sistema financeiro, endividando-se e hipotecando o próprio futuro. Foi a Alemanha que cresceu, por conta de regras por ela impostas agora sem tanques e sem o nacional-socialismo. Na hora da conta, vai para quem? Para o cidadão comum português. Mil motivos para protestar ele tem, mas nenhum sinal de que será atendido.

###
BATEU NA TRAVE

Quase que o Carlinhos Cachoeira saiu da cadeia. Ganhou um habeas-corpus, mas como tinha outras acusações, permanecerá onde está. Indaga-se até quando, porque, pelo jeito, alguma hora conseguirá. Seria importante que fosse logo condenado em definitivo, mas quem tem recursos para contratar os melhores advogados do país consegue protelar qualquer julgamento. E até escapulir, se tiver paciência.

###
SEM REFORMA?

Ganha corpo na Esplanada dos Ministérios a impressão de que Dilma Rousseff não promoverá reformas ministeriais por conta do resultado das eleições municipais. Não existem vagas, ainda que a presidente da República detenha por todo o seu mandato a prerrogativa de trocar quem quiser. Reforma ampla, mesmo, só quando chegar o tempo de desincompatibilização dos ministros que disputarão eleições em 2014, quer dizer, em abril daquele ano.

Sua palavra é diferente da minha

Sebastião Nery

RIO – 31 de março de 1964, meia-noite. O Palácio das Laranjeiras era um pesadelo. As tropas de Mourão Filho avançavam de Minas e Jango não sabia o que fazer. Chegam o governador Seixas Dória de Sergipe e o ministro Osvaldo Lima Filho, da Agricultura. Jango se tranca com os dois:

– Seixas, preciso de um favor teu. Quero que pegues amanhã bem cedo um avião da FAB e sigas para o Nordeste colhendo assinaturas em um manifesto dos governadores que tu redigirás, em apoio a mim. Acabei de falar com o Lomanto pelo telefone. Ele me leu um manifesto de que gostei muito e já mandou para os jornais de Salvador, que publicarão amanhã. Passa na Bahia, articula-te com ele e vai procurar os outros.

###
SEIXAS

Seixas conhecia sua gente. Estava incrédulo:

– O senhor já conhece a posição dos outros?

– Todos me telefonaram hipotecando solidariedade integral.

– E o Virgílio?

– Virgilio não tem problema. É meu compadre duas vezes.

– E o Petrônio?

– Petrônio é firme. É um homem de esquerda, tem me estimulado.

Manhã cedo de 1º de abril, Seixas embarcou no avião da FAB. O governador Lomanto Júnior, da Bahia, que tinha combinado ir recebê-lo no aeroporto, lá não estava. No Palácio da Aclamação, cara de pânico, assombrado, Lomanto chamou Seixas a um canto:

– A situação virou, Seixas. Jango fugiu para Brasília, Arraes está preso, perdemos a parada. Eu tinha feito um manifesto de apoio a Jango ontem à noite, que o “Jornal da Bahia”, que é matutino, chegou a publicar.

Mas já assinei outro hoje de manhã e mandei para “A Tarde”, que é vespertino, divulgar. E a televisão e as rádios também. Este segundo está bom, como eles querem. Vou te dar uma cópia, para você chegar em Sergipe e lançar lá, que é batata. Aliás, foi redigido no comando da Região. Você pode ficar tranquilo. É só assinar, está seguro”.

###
LOMANTO

Seixas estava perplexo :

– Sim, Lomanto, mas eu não vou fazer uma coisa desta, não. Vou para Aracajú, vou lançar um manifesto, mas dizendo exatamente o que eu pensava até ontem. Quer dizer, o que eu e você pensávamos até ontem.

– Você está dizendo, no meu Palácio, que eu não tenho palavra?

– Não. Não estou dizendo que você não tem palavra. O que eu estou dizendo, Lomanto, é que você agora tem uma palavra diferente da minha.

Seixas foi para Aracaju, leu o manifesto, saiu do Palácio preso, foi mandado para Fernando de Noronha, onde já estava Miguel Arraes e depois chegaram Djalma Maranhão, prefeito de Natal, e Mario Lima, deputado socialista e presidente do sindicato dos Petroleiros da Bahia.

Lomanto foi ao “Jornal da Bahia”, recolheu o resto da edição, mandou queimar o primeiro manifesto e voltou para o Palácio tranquilo.

 

Irã constrói seu terceiro modelo de avião militar não tripulado

Especialistas iranianos construiram um novo veículo aéreo não tripulado (drone), con capacidade de bombardeio, segundo o comandante da Base de Defesa Aérea de Jatam al-Anbia, general de brigada Farzad Esmaili.

O Hazem em teste de voo

O novo avião não tripulado, batizado como Hazem, tem largo alcance e pode ser utilizar em operações de defesa e ofensiva aérea.

Nos últimos anos, o Irã tem obtido êxito na indústria de defesa e caminha para se tornar autossuficiente em diversos setores militares. Em agosto de 2010, por exemplo, construiu seu primero avião não tripulado de largo alcance, denominado Karrar, que pode transportar uma carga militar de foguetes que permite realizar missões de bombardeio contra objetivos e terra e voar largas distâncias em alta velocidade.

Em setembro de 2012, O Irã apresentou outro drone, chamado Shahed 129, que pode levar a cabo missões de identificação e combate com capacidade de 24 horas de voo sem escalas.

(Artigo enviado por Valter Xéu, do site Patria Latina)

Genoino, Delúbio e Marcos Valério são condenados por falsidade ideológica em Minas Gerais

Débora Zampier (Agência Brasil)

A Justiça Federal em Minas Gerais condenou vários réus que figuram na Ação Penal 470, do Supremo Tribunal Federal (STF), em um caso derivado das apurações que deram origem ao processo do mensalão. Entre os condenados, estão o ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares e o publicitário Marcos Valério. Eles foram condenados por falsidade ideológica. A decisão é de primeira instância e ainda cabe recurso.

O processo trata de empréstimos feitos pelo Banco BMG ao PT, por intermédio do grupo de Marcos Valério. No STF, embora os empréstimos do BMG sejam citados em vários momentos, só foram denunciados os réus ligados ao Banco Rural. O processo foi desmembrado, porque o caso BMG precisava de mais apurações antes do oferecimento da denúncia pelo Ministério Público Federal (MPF).

Na decisão, a juíza Camila Franco e Silva Velano, da 4ª Vara Federal em Belo Horizonte, afirmou que os empréstimos foram fraudulentos, porque o PT não tinha garantias de que poderia pagar a dívida. “Os dirigentes autorizaram o crédito, sabendo que os empréstimos não seriam cobrados; os avalistas formalizaram a garantia, sabendo que não seriam por elas cobrados; os devedores solidários neles se comprometeram, sabendo que por eles não seriam cobrados.”

A juíza condenou os réus do Banco BMG por gestão fraudulenta de instituição financeira e os do núcleo político e publicitário por falsidade ideológica – esses réus chegaram a ser denunciados por gestão fraudulenta, mas uma liminar no STF impediu que eles fossem julgados por esse crime.

As maiores penas foram definidas para os dirigentes da instituição financeira: Ricardo Annes Guimarães (sete anos de prisão), João Batista de Abreu (seis anos e três meses) e Flávio Pentagna Guimarães e Márcio Alaôr de Araújo (cinco anos e seis meses de prisão).

Marcos Valério recebeu pena de quatro anos e seis meses de prisão, enquanto Delúbio Soares, José Genoino e Ramon Hollerbach foram condenados a quatro anos. Cristiano Paz foi condenado a três anos e seis meses e Rogério Tolentino a três anos e quatro meses.

José Dirceu não seria o poderoso chefão

Cao Zone

A Máfia siciliana designa o grande chefão de “Capo di Tutti i Capi”. Mas o José  Dirceu não seria o grande chefão, nem tampouco essa “cumpanheirada” que está sendo julgada no STF chegaria na altura de uma Máfia. Os “Mensaleiros”, como diria minha “nonna”, atuam apenas pelo “bolso”. A Máfia o faz pela triangulação “bolso + cabeça + coração”. Coisa bem mais complexa.

“Devia ter dado mais grana ao Jefferson…”

Para fazer o setup do esquema dos mensaleiros, não seria necessário a ida até a Itália, basta subir um morro carioca. E lá o organograma é simples, mas eficaz. O morro é dividido em várias “bocas”. Sabe aquela história capitalista de não colocar todos os ovos numa mesma cesta? Pois é! Cada boca é chefiada por um… “chefe da boca”. Quem comanda o morro todo é o…”chefe do tráfico do morro”. Simples assim!

Não podemos ter a ilusão que essa turma do PT operava apenas com o que se acostumou chamar de Mensalão, eles tinham, ou tem, outras atividades. Mas bem, o  Dirceu “caiu” como “Chefe da Boca do Mensalão”. E o “Chefe do Tráfico do Morro”, ou como queiram, o “Capo di Tutti i Capi” continua assistindo a operação das outras “bocas”. Mas é questão de tempo, logo ele “cai”!

Vejam bem, o imbróglio mensalão veio a tona pela boca do Roberto Jefferson, que estava ressentido do  Dirceu por algum motivo. E é aí que mora o perigo. Num morro carioca, quando isso acontece, o “chefe da boca” manda encher o desafeto de balas… Ou de grana.

Como o “Chefe da Boca do Mensalão”, por inabilidade política, não providenciou nenhuma das duas ações, deu no que deu. Claro que, se tratando das pessoas aqui em epígrafe, a primeira ação estaria totalmente fora de propósito, mas a segunda? Notaram que a casa caiu por um pequeno problema de operacionalização? É nisso que dá delegar à quem fez pós graduação em Cuba.

 

Reflexões sobre o Catolicismo e outras religiões

Paulo Solon

O mito Jesus, ao qual se refere o Papa Leão X, exerce grande fascínio para muita gente, talvez porque tivessem inventado que ele expulsou demônios para entrar em um rebanho de porcos, coisa sem sentido, já que ele dispunha de poderes mágicos para exterminar os demônios.(Dizem também que Jesus abusava de seus poderes mágicos para transformar seus amiguinhos e cabras, quando criança, e transformar um monte de lama em pardais).

Como as religiões se utilizam de indefesos inocentes para fazerem experiências de fé, puro abuso infantil, aliás, podem estar fazendo exatamente o contrário, expulsando dos porcos para colocá-los nas crianças, incutindo a ansiedade e a dúvida, que sempre ameaçarão o controle da fé. Foi, por exemplo, o que aconteceu no meu caso. Quando eu era mais velho, era bem temente, mas à medida em que vou ficando mais jovem, cada vez mais descrente.

O hadith muçulmano é outra fantasia, muito enbora o profeta Maomé tenha sido, de fato, um personnagem histórico comprovado. Tal como no caso do Messias, o islamismo se vale de informações ultralimitadas, do medo que as pessoas sentem da morte e da ameaça de julgamento após a morte, o que acarreta esplêndidos resultados de manipulação e controle numa baixa expectativa de vida e, principalmente, em relação a platéias ignorantes.

Para mim, tanto faz que os ensinos tenham sido de Moisés, Abraão, Jesus, Maomé, Buda ou Crishna, já que todos os povos possuem seus mitos de criação. E também não me atormenta o detalhe de serem monoteístas ou politeístas, já que encaro o mito da Santíssima Trindade como manifestação intermediária de politeísmo.

O problema nem é esse, mas a invenção humana de Deus. Entre religião e evolução, a primeira tem a vantagem de ter surgido antes, mas a segunda possui o dinamismo das constatações científicas, como as da biologia, o que não significa, obviamente, o fim da fé. O homem nasce ignorante, daí a necessidade de se catequizar as crianças, mesmo as de tenra idade.

Acho muito interessante e bastante prosaico o fato de os judeus ainda estarem esperando a chegada de Jesus “em lombo de jumento”, como declara o chatíssimo texto de Zacarias 9.9, embora os cristãos digam que ele já chegou. Constato apenas que , não só os judeus, como muitos historisdores, acham também que Jesus não é histórico. Mas ninguém contesta que Maomé seja histórico, lamento.

Para muitos, os feitos de Jesus são inconsistentes e sem fundamento, para não dizer que alguns chegam a ser imorais, eis porque o qualificam como mito. Tal como o anjo Gabriel ditando suras ou versos a Maomé, um homem analfabeto, Jesus também ditou seu livrinho vermelho para homens totalmente ignorantes e igualmente analfabetos. Uma coleção de histórias duvidosas, tanto nos evangelhos, como no chamado hadith islâmico.

Não me interesso pelo islamismo, pelo fato de ele se basear no judaísmo e no cristianismo. Um plágio adulterado. No entanto, embora haja pouca ou nenhuma evidência da vida de Jesus, o personagem Maomé é de fato uma figura que faz parte da História.

Desabafo de um trabalhista histórico diante da política atual

Hugo Gomes de Almeida

Antonio Santos Aquino escreve aqui no Blog da Tribuna cheio de razão. Depois da morte de Leonel Brizola, está substituindo-o no conhecimento da história do trabalhismo brasileiro. É como se fosse o fio da história.

Um político de verdade

Conhecemos os méritos da caminhada política de Waldir Pires. Sem deixar de conhecer-lhe os grandes equívocos. A troca de partidos, mencionada por Leandro Almeida, diminui-lhe, sem dúvida, a biografia. Seu lugar natural era, ao lado de Brizola e do amigo Darcy, liderando o PDT na Bahia, fazendo-o forte e respeitado. Houvesse sido candidato à vice-presidência na chapa do maior brasileiro desse nosso tempo — do campeão da defesa das causas da educação e da nacionalidade — teríamos sido vitoriosos. Não precisa dizer da superlativa envergadura de quem teria sentado na cadeira presidencial!

Não sufragamos o nome de Waldir, no dia 7 do fluente para a vereança de Salvador porque nos veio à lembrança a decepção política que cravara, tanto em Leonel Brizola quanto em Darcy Ribeiro.

Desta vez, não votamos em candidato algum. Quando Brizola era vivo, sufragávamos a legenda do PDT em se tratando de cargos proporcionais. Neste pleito eleitoral, não tivemos opção. Fomos obrigado a anular os votos. Antes, votávamos na legenda pedetista em homenagem a Brizola.

Ficamos muito triste quando vemos a falta de idealismo dos atuais pequenos dirigentes do PDT. Rebaixaram-no, mormente aqui na Bahia, transformando-o em pouso de políticos carreiristas. Tanto resvalaram que tornaram o partido de tantas lutas populares em legenda de aluguel. Pior. Fizeram desse bastião — símbolo de honra da resistência — mero apêndice da agremiação partidária que se tornou dominante. Causa muito sofrimento quando temos de falar sobre página tão triste!

Deixamos claro que, por toda a vida, desde adolescente quando estudávamos no Colégio Central, em Salvador, o único político — cuja inteligência, probidade, coragem, lealdade e firmeza — sempre admiramos, nas lutas em prol do Brasil e de seu povo, foi Leonel Brizola.

Por que o Rio de Janeiro é tão diferente em matéria de eleições

Walter Martins

A destruição do perfil dos eleitores do Rio de Janeiro, sempre na vanguarda política, cultural e ideológica deste país, é fundamental para a manutenção do status quo atual. Que os brasileiros de outras partes não me levem a mal, quando digo isto. Infelizmente, hoje, o Rio de Janeiro é o estado de maior acefalia eleitoral do Brasil.

Que dupla, hein…???

O ano de 2012, com todas as denúncias apresentadas, em qualquer situação minimamente ética, representaria um verdadeiro apocalipse para Sergio Cabral. As situações que levaram ao impeachment de Collor são coisa alguma, se comparadas às denúncias contra o governador.

Quanto a Paes, pergunto, como uma cidade mundial, como o Rio, escolhe alguém tão sem postura, sem discurso, sem opiniões, sem convicções? Enfim, uma simples marionete?

Será que os cariocas vão se prostituir por causa de uma Copa e uma Olimpíada? Dois eventos dos quais o povo não participará, por razões óbvias? Será que bancar uma festa, paga com impostos, para depois não participar dela, é tão importante assim?
Será que a Cidade Miliciosa venceu, de fato, a Cidade Maravilhosa?

Em tempo: todo castigo a Lindbergh Farias é pouco. Preferiu a conveniência à consciência (que talvez jamais a teve, pois foi um herói fabricado pela grande mídia). Escrevam aí, pois estou apostando: tentará se aproximar do PSOL, para conseguir sua candidatura. Espero que não seja aceito.

Mas, voltando ao Rio, politicamente era um estado tão diferente, que a dicotomia PT / PSDB aqui não se instalou. Desde 1989, o PSDB jamais venceu algum turno de eleição presidencial no Rio. Até fez um governador, Marcello Alencar, que só chegou a isso, por ter pego carona no PDT de Brizola anteriormente. Caso, aliás, análogo ao de Cesar Maia.

O PT, no Rio, sempre, eu disse sempre, foi uma legenda insignificante. Em 2002, o vencedor da eleição presidencial no Rio foi Garotinho, disparado. O PT jamais elegeu um governador no Rio e jamais elegeu um prefeito na capital. É por isso que Dilma não pode prescindir de Cabral e Paes.

Desembargador Siro Darlan defende que obra da Delta no TJ-RJ seja alvo da CPMI do Cachoeira

Luciano Pádua 

Após o relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontar diversas irregularidades na obra do prédio do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), realizada pela Delta Construções, o desembargador Siro Darlan, do mesmo tribunal, defendeu que o caso seja apreciado pela CPMI do Cachoeira, no Congresso Nacional.

O senador Pedro Taques (PDT-MT), membro da CPMI, concorda com a investigação e, a partir destas novas informações sobre as irregularidades na obra do TJ-RJ, reafirma a necessidade de a Comissão ser prorrogada para além do dia 4 de novembro. Hoje, um novo cronograma de trabalho da CPMI será decidido em reunião de líderes e deve ser votado na quarta-feira, na reunião administrativa da Comissão. Para que seja adiado o prazo final, são necessárias 171 assinaturas de deputados e 27 de senadores. Ele defende que o governador do Rio, Sérgio Cabral, seja ouvido.

Conforme o Jornal do Brasil noticiou, o relatório da corregedoria do CNJ, de 6 de setembro, aponta possível favorecimento à Delta, escolhida em uma licitação dirigida. Constatou ainda aumento de despesas durante a construção da lâmina central do prédio do Tribunal, sem que houvesse mudança que justificasse estes reajustes. Fala também de sonegação de impostos. O relatório começou a ser feito em uma vistoria realizada em março passado, um mês antes de instalada a CPMI no Congresso.

  Cabral tem muito a explicar

“Fico triste (com o relatório). Acho que o CNJ já está tomando as providências que devem ser tomadas, cabe a ele apurar os responsáveis”, disse Darlan. “Acho pertinente (os responsáveis pelas irregularidades) serem chamados a falar na CPI do Cachoeira, porque o assunto diz respeito à mesma cadeia criminosa. Não só o CNJ está apurando, como interessa a toda a nação a transparência”.

Na inspeção do CNJ também são discutidas a suspensão de uma licitação feita anteriormente, na qual a empresa Paulitec Construções Ltda. foi vencedora, e a isenção, irregular, do pagamento do PIS e Cofins. Os técnicos questionam ainda cinco aditivos que elevaram o preço em quase 25%.

“Um capítulo especial do Relatório fala sobre o furacão Delta que construiu a Lâmina Central que “por razões ainda não bem explicadas” sucedeu a empresa ganhadora da licitação e apresentou um projeto inicial ao custo de R$ 141,4 milhões, “sem que houvesse acréscimo de obra”, recebeu “aditivos em percentual superior a 23%”, concluindo a obra em R$ 174.8 milhões”, diz trecho do artigo.-

Darlan revelou que, em abril, solicitou ao Conselho de Magistratura informações sobre as obras da Delta no TJ-RJ, mas só através da publicação do relatório do CNJ, em 6 de setembro, veio a saber dos detalhes da obra que tinha cobrado do próprio tribunal onde julga.

###

CONVOCAR CABRAL

Para o senador Taques, “além de outros, esse motivo do TJ-RJ é um grande motivo para que a CPI seja prorrogada. Deve haver, com certeza, mais uma relação obscura da Delta com o dinheiro público no caso do TJ-RJ”, disse.

Taques lembrou que ainda há 506 requerimentos que precisam ser apreciados pela comissão envolvendo quebras de sigilo de supostas empresas fantasmas ligadas à Delta e convocações de depoentes. Segundo o senador, o relatório do CNJ demonstra que há relações da Delta no estado do Rio de Janeiro, e por isso o governador Sérgio Cabral, e todos os envolvidos nas operações da Delta no Rio, também deveriam depor sobre na Comissão.

“Entendo que a CPI tenha que ser prorrogada. Vou votar pela prorrogação. Eu defendi que o governador Sérgio Cabral fosse depor na CPMI”, afirmou.

(Matéria transcrita do JB Online, enviada por Paulo Peres)

Clique aqui para Responder ou Encaminhar
40% utilizados
Usando 2,8 GB dos seus 7 GB
©2012 Google – Termos de Serviço – Política de Privacidade – Regulamentos do programa
Powered by Google

Paulo Peres – Poemas e Canções
pauloperes@poemasecancoes.com.br
Mostrar detalhes

Por que Anderson Silva não é um ídolo como Muhammad Ali ou Ayrton Senna

Kiko Nogueira (Diário do Centro do Mundo)

Brasil é um caso curioso de país que ridiculariza seus heróis. Com exceção de Ayrton Senna, que morreu cedo, no auge, com uma biografia praticamente imaculada, nós adoramos bater em ídolos. Quem são os nossos exemplos, os caras para quem olhamos, como dizia George Harrison sobre John Lennon, de baixo para cima, os caras que podemos encarar como vencedores?

Por que Anderson Silva não é um ídolo como Muhammad Ali ou Ayrton Senna

Assisti a um belíssimo documentário sobre Muhammad Ali na NetFlix chamado Facing Ali (http://www.facingalimovie.com/), de 2009, em que os maiores adversários do maior boxeador de todos os tempo contam como foi enfrentá-lo. George Foreman fala do combate no Zaire, quando Ali, o desafiante, já com 34 anos, o nocauteou no oitavo assalto, um Foreman jovem e indestrutível, que havia humilhado todos os seus oponentes. Ali ficou nas cordas o tempo todo, dizendo no ouvido dele: “Isso é tudo o que você tem, George?”.

“Quando eu estava caindo, Ali teve a chance de dar um último golpe, o golpe de misericórdia, para acabar de vez comigo. Ele apenas me olhou. Isso dá a medida desse homem, para mim”.

Joe Frazier, que foi espezinhado por Ali, xingado de gorila e Uncle Tom (o negro amigo dos brancos), relata a batalha em Manila, a luta mais selvagem de todas, em que um queria o aniquilamento completo do outro. Larry Holmes, ex-sparring dele, lembra a última luta do campeão, quando ele já exibia sinais de Parkinson, em 1978, num espetáculo patético em que o narrador da TV pedia, inutilmente, que ele parasse de bater naquele “velho”. Ali perdeu.

Ali foi um homem corajoso em suas posições políticas. Nos anos 60, a luta pelos direitos civis dos negros estava pegando fogo. Ali virou muçulmano, abandonou o nome de Cassius Clay (“nome de escravo”) e teve o título cassado por não se alistar no Vietnã (“eu não tenho nada contra os vietcongues”, disse em sua sabedoria intuitiva, sem querer ecoando o que Tolstoi escreveu sobre franceses e russos no monumental Guerra e Paz).

Anderson Silva é o nosso novo herói. De origem humilde, soube captar um sentimento nacional quando um oponente — Chael Sonnen — desfiou um rosário de piadas bestas contra o Brasil. Anderson galvanizou a raiva contra Sonnen. Anderson é um sujeito admirável. A Globo já o transformou em sua nova atração (daqui a pouco deve ganhar um programa de entrevistas). Está rico e deve ficar mais. É humilde, simpático e – confiável. Eis, talvez, seu maior empecilho. Não que esteja domesticado, mas você não vai ouvir dele nada parecido com frases desafiadoras ou que incomodem os poderosos. Anderson foi aceito e goza sua glória.

O Brasil não é os EUA, para o bem e para o mal. Nós somos o país do jeitinho e da conciliação. OK. Mas um herói de verdade, como Muhammad Ali ou Senna, possui um traço distintivo, algo que faz dele, naquela expressão tão feliz, “larger then life”: ele incomoda. Ele não esquece. Anderson tem tudo a seu favor para se tornar um grande campeão da mesma estatura. Provavelmente, ele só terá de passar por uma coisa para crescer e transcender: perder. E então voltar a ganhar para sempre.

A poesia engajada de Gonzaguinha

O economista, cantor e compositor carioca Luiz Gonzaga do Nascimento Junior , mais conhecido como Gonzaguinha (1945-1991) é, sem dúvida, um dos maiores talentos da Música Brasileira em seus diversos estilos populares. Sua obra teve, inicialmente, como característica sua postura de crítica à ditadura militar, conforme mostra a letra de “Pequena Memória Para Um Tempo Sem Memória (À Legião dos Esquecidos)”, que faz parte do Lp De Volta ao Começo, gravado em 1980, pela Emi-Odeon.

###
Pequena Memória Para Um Tempo Sem Memória (À Legião dos Esquecidos)

Gonzaguinha

Memória de um tempo onde lutar
Por seu direito
É um defeito que mata
São tantas lutas inglórias
São histórias que a história
Qualquer dia contará
De obscuros personagens
As passagens, as coragens
São sementes espalhadas nesse chão
De Juvenais e de Raimundos
Tantos Júlios de Santana
Uma crença num enorme coração
Dos humilhados e ofendidos
Explorados e oprimidos
Que tentaram encontrar a solução
São cruzes sem nomes, sem corpos, sem datas
Memória de um tempo onde lutar por seu direito
É um defeito que mata
E tantos são os homens por debaixo das manchetes
São braços esquecidos que fizeram os heróis
São forças, são suores que levantam as vedetes
Do teatro de revistas, que é o país de todos nós
São vozes que negaram liberdade concedida
Pois ela é bem mais sangue
Ela é bem mais vida
São vidas que alimentam nosso fogo da esperança
O grito da batalha
Quem espera, nunca alcança
Ê ê, quando o Sol nascer
É que eu quero ver quem se lembrará
Ê ê, quando amanhecer
É que eu quero ver quem recordará
Ê ê, não quero esquecer
Essa legião que se entregou por um novo dia
Ê eu quero é cantar essa mão tão calejada
Que nos deu tanta alegria
E vamos à luta.

(Colaboração enviada pelo poeta Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Finalmente a reocupação do espaço urbano no Rio

Pedro do Coutto

Reportagem de Ana Cláudia Costa, Athos Moura e Sérgio Ramalho, O Globo de 15 de outubro, com foto expressiva de Pablo Jacob, focaliza a ocupação pelas forças de Segurança do governo do Estado das Favelas de Manguinhos e Jacarezinho. Ocupação não é bem o termo. Melhor será reocupação, uma vez que o próprio Secretário José Mariano Beltrame assegurou a derrubada de pontos de domínio do tráfico e sua substituição pelas Unidades de Polícia Pacificadora. A operação demandou e se estendeu por alguns anos, o que demonstra a complexidade da iniciativa. Complexidade forjada por omissões que se acumularam no tempo incluindo até a absoluta falta de saneamento.

A foto de Pablo Jacob, aberta em oito colunas, assinala de forma frontal e inegável o abandono das condições de preservação do meio ambiente. Num panorama assim como exigir ou pelo menos esperar a contribuição dos habitantes das localidades para o respeito à lei e a boas normas de comportamento social.

As fronteiras desse comportamento já haviam sido complicadas, favorecendo as ações legais e a violação dos direitos legítimos dos moradores. Se o poder estatal, assim, não cumpria sua parte no que representaria um pacto social entre os contribuintes e os órgãos tributários. Afinal a arrecadação de impostos diretos e indiretos tem como destino a oferta de condições de vida que preservem a dignidade humana.

A favelização, decorrência de fatores como o desemprego e a perda dos salários para a inflação, os reajustes perdendo a corrida para os índices do custo de vida, criou em torno de si atmosfera propícia para a ruptura dos valores sociais e dos limites contidos dentro de faixas legais básicas.

Finalmente, o problema foi enfrentado pela força policial física, mas ninguém se iluda, tal processo para sustentar-se, terá que contar com ações econômicas e sociais que completem a operação, atuando nas raízes do desequilíbrio que leva à extrema pobreza e, com isso, a todo um rol de consequências que acarreta.

É claro que o governo Sérgio Cabral alcançou êxito na operação Manguinhos e Jacarezinho. Mas este êxito na pode ser apenas episódico. Tem que assegurar a ocupação, por parte do poder público, de todo um sistema de liberdade e direitos civis à populações ordeiras até aqui dominadas pelo terror do crime e do banditismo.

A ocupação física do espaço conquistado, aliás reconquistado, é um lance importante numa ação conjunta, multiforme, difícil, mas que tem de se expandir para tornar-se duradoura. E na apenas em Manguinhos e Jacarezinho. Mas em todo universo público ocupado pela exploração do vício, pelo crime e portanto também pelos criminosos que desrespeitam os moradores das áreas carentes, com isso desrespeitando os próprios poderes constituídos. As ações saneadoras conjuntas devem prosseguir. Caso contrário, a reocupação obtida não alcançará o êxito que passou a representar.