Hoje é dia de circo

Carlos Chagas

O espetáculo está  planejado para ser de arromba, hoje, aqui em  Brasília, para a apresentação do PAC II. Com direito à presença de Dilma Rousseff no picadeiro, como mestre de cerimônias, do presidente Lula no camarote principal, como financiador da companhia, montes de companheiros participando do elenco e até  empresários na platéia.

Vai valer tudo, em matéria de contorcionismo e piruetas. Do anúncio do trem-bala à construção de milhões de casas populares, das redes de saneamento e distribuição de água no país inteiro até a implantação de novas rodovias. Gasodutos e oleodutos em profusão. Obras para ninguém botar defeito, que demandarão perto de um trilhão de reais para sair do papel,  fazendo a felicidade das empreiteiras e a alegria do especuladores.

Tudo para alavancar ainda  mais a candidatura Dilma, mesmo certamente gerando mais uma multa do Tribunal Superior Eleitoral contra o primeiro-companheiro.

Estaria tudo bem, ou mais ou menos, por conta da última pesquisa do Datafolha, não fosse a desconfiança de que o respeitável público comprou bilhetes fajutos para um espetáculo de mentirinha. Porque se o PAC I não se completou, esbarrando na frustração de menos da metade do prometido ter sido realizado, como apresentar o PAC II no circo das ilusões? Os trapezistas evitarão saltos mortais, os mágicos não vão tirar sequer coelhos virtuais da cartola, os palhaços encenarão diálogos sem graça e as feras, verificarão todos, serão de papel. Até a lona cobrindo as arquibancadas se romperá com a primeira chuva. Melhor seria terem terminado o espetáculo anterior antes de encenar o próximo.

Equações inconclusas

Algumas definições precisarão ser conhecidas hoje e amanhã, porque quarta-feira não dá mais. Fala-se dos ministros supostamente candidatos às eleições de outubro, que têm apenas a terça-feira como prazo fatal  para decidir se saem ou se ficam. Claro que a maioria deles já decidiu: Helio Costa, Edison Lobão, Geddel Vieira Lima, José Pimentel, Reinhold Stephanes, Carlos Minc, sem faltar Dilma Rousseff, e outros, vão disputar governos estaduais, cadeiras no Congresso e até a presidência da República.

Número mais ou menos igual  de ministros permanecerá, como Paulo Bernardo, Miguel Jorge, Luís Dulci, Celso Amorim, Carlos Lupi, Jorge Haje e mais alguns.

A dúvida, porém, ainda ontem pairava sobre alguns bissextos como Henrique Meirelles e Patrus Ananias. De um lado o presidente Lula gostaria que permanecessem, mas, de outro, poderá ter planos eleitorais para ambos.  Sendo assim, não deverá interferir. Eles que decidam.

E quanto ao vice-presidente José Alencar? Trata-se de outra incógnita. Estaria tranquilamente eleito caso disputasse o  governo de Minas ou uma cadeira no Senado, mas,  para isso, precisaria desincompatibilizar-se. Seus problemas de saúde emocionam o país inteiro, só que  agora nem os médicos serão capazes de ajudá-lo na decisão.  Se fosse dado um palpite, seria de que não se afastará do palácio do  Jaburu.

A impressão é a de que a sucessão acabou

Pedro do Coutto

Lendo-se com atenção a reportagem de Bernardo Melo Franco, Folha de S. Paulo de 26 de março, tem-se a impressão de que a disputa pela presidência da República em 2010 acabou antes de a campanha ter sequer começado. Ilustrando a matéria uma bela foto a cores reunindo no primeiro plano ao mesmo tempo o presidente Lula, o governador José Serra e a ministra Dilma Roussef. Todos sorridentes e satisfeitos com o encontro ocasional em torno da entrega a camadas pobres da população paulista de casas inacabadas, as quais no estilo brasileiro não se sabe se vão terminar de ser construídas até outubro. Muito pouco provável. Mas fica a promessa e a esperança. Algo semelhante aos royalties do petróleo, cuja distribuição antecipada abre perspectivas, porém não mais poços produtores  por isso.

Não faz mal. O eleitorado brasileiro, de tão desencantado, acredita em tudo. Mesmo porque, caso contrário, não acreditaria em nada e com isso perderia a alegria de viver. Mas, no momento, pela cordialidade dos competidores, tem motivo para acreditar em dobro no que lhe é prometido.

Só faltou ao encontro o deputado Ciro Gomes que, nesta altura dos acontecimentos, parece que será apenas candidato a deputado federal por São Paulo. Deixou de interessar ao governo, pela adesão explícita que já formalizou, muito menos, é claro, à oposição. Ciro Gomes passou a ser uma carta fora do baralho e do barulho, uma peça de reposição em utilidade de uso. É possível, entretanto, que seja ministro do governo Dilma. Se o seu próprio comportamento mais uma vez não o atrapalhar.

Inclusive, o ótim0 texto do filho do acadêmico Afonso Arinos Filho pode até ser interpretado como uma perspectiva de Serra vir a ocupar um ministério na continuidade da administração Lula. Pois Lula alcançando 80% de popularidade, é praticamente impossível que não transfira 30% dos votos para a chefe da Casa Civil, o que é mais do que suficiente para lhe assegurar a primeira eleição, talvez no primeiro turno, como costuma sustentar, Elena, minha mulher, e, a partir de agora eu também.

A matéria de Melo Franco dá a entender existir uma convergência de propósitos não uma divergência de candidaturas que vão se enfrentar. Serra poderá até voltar ao ministério da Saúde, onde realizou um bom trabalho no desastroso governo Fernando Henrique.

Mas essas são hipóteses remotas. Até porque Dilma parece não estar conseguindo emplacar Eurenice Guerra como sua substituta, tendo que dividir o posto com Gilberto Carvallho e uma terceira funcionária da confiança do Planalto. Um caso inédito. A Casa Civil ser ocupada por três titulares. Coisas de Lula, coisa do PT, coisas do atual rei dos votos no Brasil. Este cenário pode mudar?

Sim, não há dúvida, desde que o comportamento de Serra seja outro, agressivo e não dócil e doce demais em relação ao presidente da República. Pois se até José Serra estender o tapete vermelho da vitória à candidata do PT, o Partido dos Trabalhadores vai se sentir não no governo, mas o dono do Brasil.

Francamente, a atitude de Serra está me parecendo ridícula. Assim como a do governador Sergio Cabral que, num dia comanda uma passeata pela vitória quanto aos royalties do petróleo, e, no outro baixa a cabeça novamente de tristeza, porque Lula anuncia um segundo corte numa das principais fontes de receita do Rio de Janeiro. Primeiro lágrima, depois samba e agora tristeza. Eu me lembro do grande Vinicius de Moraes: tristeza não tem fim, felicidade sim.

Enfim, a felicidade é como a gota de orvalho numa pétala de royalties. Brilha tranqüila. Depois de leve oscila e cai como uma lágrima de amor. Amor? Não. Amargor.

CNJ precisa intervir na reforma trabalhista

Roberto Monteiro Pinho

A magistratura trabalhista está ostensivamente sobrepondo os limites da sua atuação judicante para fazer política no Congresso Nacional, intervindo no texto da reforma trabalhista, quando deveria se abster, por razões legais. Por este motivo é preciso que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com atribuições previstas no art. 103-B, parágrafo 4° da CF,  dentro de suas prerrogativas de órgão fiscalizador das ações dos juízes e dos tribunais, faça uma radiografia da reforma trabalhista para verificar a existência de injunções e influência corporativa no seu texto.

A entidade classista dos juízes do trabalho vem oferecendo criticas ao modelo do novo código celetista, o PL 1.987/07, conhecido como “Nova Consolidação da CLT”, do relator deputado federal Cândido Vacarezza, porque este afasta do eixo reformista o sectarismo proposto pela entidade que representa os juízes trabalhistas, porque reconhece que a interlocução direta no processo dos legisladores é nociva a sua qualidade e isenção.

É fato que a reforma trabalhista deve admitir a discussão e incorporação de propostas tão somente dos técnicos do governo, do Fórum Nacional do Trabalho, Fórum Sindical Trabalhista e as Confederações de empregados e empregadores.

A associação da classe, em que pese sua filosofia pragmática, é bom lembrar na reforma sindical foi contrária ao imposto sindical, (matéria em foi derrotada), na reforma do judiciário queria eleger os dirigentes dos tribunais, com o voto de juízes de primeiro grau, (não obteve êxito), inclusive os que estiverem em período probatório, e conseqüentemente privilegiar candidaturas aos cargos administrativos.

Como se não bastasse, mantém posição antagônica aos meios de solução de conflitos extrajudiciais, renegam as Comissões de Conciliação Prévia (CCPS), não aceitam as conciliações realizadas através da Lei de Arbitragem (9307/2006), e no plano político, em coro com o corporativismo dos togados, pedem (fazendo coro com uma minoria da AMB), a extinção do Quinto Constitucional da OAB e do MP, e ainda se posiciona em flagrante oposição aos ditames das orientações Jurisprudenciais do Colendo TST.

Como se não bastassem essas injunções, aprovou num encontro da classe, cerca de 70 novos enunciados, que embora não tenham força de lei, estão sendo utilizados pelos juízes de primeiro grau, em flagrante confronto com o preconizado em texto de leis vigentes, inclusive normas constitucionais.

Não se sabe realmente qual o verdadeiro propósito da entidade com o sinuoso e tamanho empenho nas questões que são da intimidade do segmento trabalhista, fora o habitat do tribunal laboral. Sendo o jurisdicionado peça independente da estrutura privada que nada tem a ver com a tutela federal, este deveria estar distante dessas questões, que certamente estarão nas lides processuais onde magistrados terão que decidir.

É por essas razões aqui expostas que provocamos um procedimento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no sentido de averiguar o grau de racionalidade e influência da flagrante atuação da magistratura trabalhista na reforma, para aprovar suas propostas ou alterar outras no corpo da reforma trabalhista. Persistindo essa anomalia, o texto reformista estará infectado pelas injunções das propostas monoclassistas. È bom lembrar que entre as justiças, a trabalhista é a única que está desafiando a Carta Constituição Federal, obstáculando as indicações dos representes do Quinto Constitucional da OAB.

No universo das opiniões registramos que a própria Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), já tinha se manifestado sobre a PL 1.987/07, quando o então presidente da entidade Cezar Britto, alertou: “É a maior agressão já vista à estrutura sindical e ao trabalhador brasileiro. O projeto do deputado Vaccarezza está demolindo a CLT“.

O tema foi tratado em reunião no gabinete do ministro da Justiça Tarso Genro, da qual também participaram diretores do Conselho Federal da OAB, da Associação Brasileira dos Advogados Trabalhistas (Abrat) e o secretário da Reforma do Judiciário, Rogério Favreto, (sem a participação da associação classistas dos magistrados do trabalho), o que foi uma estratégia correta e saudável para a qualidade da reforma.

Naquela oportunidade, Britto rebateu as afirmações que têm sido divulgadas pelo autor do projeto, o deputado federal Cândido Vaccarezza (PT-SP), de que o projeto de lei apenas propicia uma mera atualização da CLT, afastando os dispositivos que não estão mais em uso, sem fazer qualquer tipo de juízo de valor. Ainda segundo o presidente da OAB, o projeto de lei, se aprovado, traria mudanças para muito pior às interpretações constitucionais e até o nome CLT, já bastante conhecido do trabalhador como sinônimo de proteção de direitos, seria alterado conforme o PL.

O mais preocupante, ainda na avaliação do presidente da OAB, se dá em relação ao fim das negociações coletivas e ao desvalor que o projeto imprime às representações sindicais. “O sindicato de trabalhadores praticamente deixa de ser reconhecido. Nesse projeto, deixa de ser considerado substituto processual e passa a atuar apenas como mero representante do trabalhador”, relatou. Esta observação embora antagônica ao PL, tem legitimidade, porque veio de um segmento que atua no judiciário, e que representa a sociedade ao contrário das manifestações dos representantes do judiciário que representam o estado tutelador.

Texto da reforma travado libera o juiz para criar normas

O fato é que a CLT. embora tenha 67 anos, reúne um elenco de direitos basilares para dar ao trabalhador as garantias no contrato laboral, infelizmente para agruras de muitos, esses direitos são discutidos eternamente nas lides trabalhistas, capitaneados por incidentes provocados em parte por execuções mal organizadas, que abrem precedentes para uma série de intervenções, graças à “inovações”, dos juízes em sua maioria inúteis e perversas ao próprio trabalhador.

É que achando ser este método forçado de alcançar a constrição o mais ágil, “data vênia”, peca o juízo pela imprudência ao determinar bloqueio nas contas correntes, bens de terceiros e acabam executando pessoas jurídicas que não mais existem no universo comercial, seus titulares em alguns casos têm novo endereço somente em fúnebres lápides. Isso sem contar as injunções que violam o direito do cidadão, penhorando conta salário, conta conjunta e conta poupança que tem proteção constitucional de até 40 salários.

O arsenal de injunções continua, magistrados chegam, as raias do absurdo, liberam dessas contas quando requerido pelo atingindo, apenas o salário mínimo, numa transfusão da gramática legal, fazendo tudo como se estivesse em perfeita consonância ao legal. Em cada 10 editais de praças elaborados pelas VTs, a metade pelo menos, estão incompletos, insuficientes para cumprir o ditame da lei quanto aos leilões públicos, ainda assim, não são especificadas as condições do bem, a situação tributária, e se existem gravames, não são declarados no edital, em detrimento do acesso do pretenso (de boa fé) arrematante ao bem que pretende lançar.

A inovação recentemente introduzida fica por conta da interpretação do juízo de execução de que o valor do lanço da arrematação pode ser somado ao débito fiscal existente, quando se tratar de imóvel (IPTU), em flagrante usurpação da ordem legal, já que não só o executado, mas o trabalhador, estaria sendo prejudicado, eis porque em nenhum momento o juiz procura exigir do arrematante a guia quitada dos impostos em que se propôs e ele aceitou englobar no valor total do lanço.

Tal formato protagonizado pelo estado/juiz não adorna a seriedade que se deve ter no trato das questões patrimoniais e de ordem pública, eis que fere mortal a pretensão do trabalhador, se o valor do lanço subtraído do suposto valor destinado ao IPTU não cobrir o crédito trabalhista. Ao contrário do que se imagina o advento da EC nº. 45/04 trouxe desalento para os litigantes da JT.

O enorme tempo que a execução do título do INSS, agora sobre lavra do juízo trabalhista é um “monstrengo”, aniquilando o trabalho já desenvolvido pelos servidores e magistrados para operar sua execução, senão vejamos: existem hoje na JT 6,5 milhões de ações em execução fiscal (ativos). Se cada uma dessas ações gastarem 10 minutos do tempo do servidor e 10 minutos do juiz para elaboração dos procedimentos, teríamos 65 milhões de minutos desviados dos processos comuns de ações trabalhistas, travando o andamento que já é moroso, levando, data máxima vênia, a especializada para o emperramento total.

Uma preocupação está latente no seio da comunidade jurídica brasileira, o novo CPC, que está agregando uma série de propostas dos magistrados, estará mais para ser indulgente com os integrantes do segmento estatal, que propriamente a sociedade, é por isso que muitos estão céticos com a possibilidade de que a mudança de normas legais possa aliviar a demanda de ações, e até mesmo acelerar o julgamento das ações.

Parece impossível atender ao chamado dos juízes no texto legalista, quando a bem da verdade, é a sociedade a principal avalista do novo CPC, porque estará à mercê de seus ditames. Achar que implantando mecanismos indulgentes e violentos de execução levará a celeridade é ilusão, tão logo o texto legal esteja aprovado, devedores estarão criando meios para fugir da sua aplicação, isso significa que o micro e pequeno empregador poderão substituir o empregado por um membro da família, dando a este parte na sociedade, para fugir de possíveis ações trabalhistas.

Os legisladores precisam estar atentos, de que o texto do novo CPC nasce do judiciário para os legisladores e não da comunidade jurídica privada, o que deveria ser a forma.

FHC: roriz melhor quem roriz por último, com a chapa Dilma-Serra ou Serra-Dilma, sem reeeleição, ficaríamos livres dos dois

Se ainda tivesse alguma credibilidade, o ex-presidente teria acabado com ela ao ir procurar o corruptíssimo 4 vezes governador de Brasília. O fato dele ter sido eleito tantas vezes, não é a favor de roriz, mas contra o processo eleitoral e o próprio cidadão-contribuinte-eleitor.

O PSDB ficou revoltado com a ida de FHC a Brasília para conversar com esse minúsculo personagem. E ninguém no PSDB escondeu a revolta, menos naturalmente José Serra, por falta de caráter, convicção, constrangimento e com medo do ex-presidente.

O líder do PSDB no Senado (várias vezes reeleito para essa liderança) não perdoou, não se acomodou, não concordou. Da tribuna condenou a coordenação do ex-presidente. Suas críticas foram duríssimas, o tom era veemente. A cúpula do partido, presente e cumprimentando Artur Virgilio.

O próprio presidente do PSDB, sem citar o nome do ex-presidente, afirmou: “Ninguém está autorizado a falar ou conversar pelo PSDB”. FHC não se incomodou com o que disse Sérgio Guerra, ficou furioso pelo fato dele não ter citado seu nome, é o que persegue.

Resposta esdrúxula, estranha e exótica do ex-presidente: “Eu não conversei política com o ex-governador de Brasília”. Aí FHC se desnudou, se complicou, agravou a própria situação, não tem direito nem a explicação. Quer dizer: a explicação foi tentada, mas caótica e enlameada.

O exibicionismo de FHC é tão grande e absorvente que impede qualquer tipo de análise mais racional, inteligente ou compreensível.

Quando renunciou a 7 anos e 6 meses do mandato de senador, roriz estava tentando não ser cassado, “o mesmo projeto-salvação” de Arruda, também renunciante para não perder os direitos políticos.

Arruda conseguiu “refazer” a caminhada política-eleitoral, mas a corrupção está dentro dele, na alma, na mente e no coração, reincidiu, agora sem volta, apenas com revolta.

Isso tudo atinge roriz, só que de forma violenta por causa da tremenda repercussão provocada pelo seu pupilo, esse mesmo Arruda, que começou como secretário de Transportes do mestre da ilegitimidade, irregularidade e impunidade, pelo menos até hoje.

Diante de tudo isso, o que é que FHC foi fazer na conversa com roriz? Se exibir, se mostrar, aparecer em jornais, televisão e internet, que foi o que aconteceu. O objetivo principal de FHC foi o de dizer, “estão vendo, minha presença é importante, o PSDB precisa de mim, estou à disposição”.

Traduzindo: como tem certeza das dificuldades dos dois candidatos para completarem a chapa, “sugere” seu próprio nome para vice de Serra. Segundo ele, como o importante é o uso da televisão, não tem sentido condenar a “chapa pura, comigo ou com o Aécio”.

Um novo e mais rutilante, que palavra, argumento, está na certidão de idade. Vai fazer 79 anos em junho, o mesmo que Itamar, que imprevista e imprudentemente elevou-o a presidente. Exatamente como Sarney, com os mesmos 79 anos, e protestando por não ter sido lembrado.

Alguns amestrados, com toda a criatividade, diriam: “O PSDB está em polvorosa”. Só que os protestos e a condenação da fala do ex que pretende ser vice futuro, quase arruinaram as precárias chances do governador de São Paulo.

***

PS – Todas as Constituições brasileiras não permitiam a reeeleição, era cláusula pétrea, junto com a Federação e República. Se acabarem com essa ignomínia, só pudesse haver mandato de 4 anos, defenderia a chapa IMPURA.

PS2 – Que só poderia ser a união deles 2, cada um exercendo a Presidência por 2 anos. E desapareceriam, como desaparecidos estão pela incompetência. Nesses 4 anos tentaríamos descobrir uma forma de encontrar alguém, que preservando a democracia, promovesse a tão ansiada RENOVOLUÇÃO.

Não vai pagar nunca

Carlos Chagas

A progressão, por enquanto, é aritmética: a primeira  multa foi de 5 mil, a segunda de 10 mil reais. Continuando as coisas como vão, é possível que a Justiça Eleitoral recorra à progressão geométrica. Sendo assim,  quando outubro chegar o presidente Lula estará devendo alguns bilhões pela prática de propaganda eleitoral antecipada.

O singular nessa história é que S. Exa. não vai pagar um centavo, menos pelos recursos interpostos às  decisões do Tribunal Superior Eleitoral, mais porque já encontrou a solução para poupar o seu dinheiro: em praça pública,  no interior de São Paulo, pediu que levantassem o braço quantos estivessem dispostos a pagar por ele. Foi uma floresta de braços.

Ficamos irritados ao receber multas, seja do Imposto de Renda, seja do Detran. Muitas vezes pela injustiça, outras pela falta de fundos. Já com  o primeiro-companheiro é diferente. Ele ri, faz gozação e dá de ombros, mesmo reconhecendo a culpa. Está debochando da decisão do Judiciário e, pelo jeito, continuará levando Dilma Rousseff a tiracolo, pedindo votos para a  candidata.

Na mesma oportunidade, o presidente comentou que nem vento bate nas costas de político sem mandato, referindo-se à sua situação, depois de 31 de dezembro. Negativo. Se Dilma for eleita, ele funcionará como oráculo ostensivo. Se perder, assumirá a chefia da oposição.

Quem sai e quem fica?

Marcada para quarta-feira a solenidade de demissão coletiva dos ministros candidatos às eleições de outubro, ainda sobram dúvidas sobre o número dos presentes. Tem ministros perdendo o sono, sem saber se saem ou se ficam.  Também não estão definidos os nomes de todos os novos ministros. Tudo indica que o presidente nomeará os secretários-executivos em exercício, com uma ou outra exceção. Resta saber quais.

Os ministros que permanecem mantém acesa a chama da esperança de aproveitamento no governo Dilma Rousseff, se a candidata for eleita. Há também os que já pensam em cuidar da vida, mas, ao contrário de ex-ministros de outros governos, nenhum deles cogita fundar bancos. Nem mesmo Henrique Meirelles, por sinal um dos que hesita em ficar ou sair do Banco Central.

O PAC II

Será conhecido amanhã o PAC II, com direito a toda pompa e circunstância na festa de sua apresentação. Poderá ser a derradeira  aparição de  Dilma Rousseff como chefe da Casa Civil. Caberá a ela detalhar as novas obras propostas no plano, bem como explicar porque parte do PAC I não se realizou. Vai ser difícil, mas a candidata está aprendendo a fazer da limonada um limão, pela proximidade com o chefe.

A solenidade marcará o inicio do festival de despedidas do presidente Lula, a se estender até 31 de dezembro.

Até você, Serra?

Causou mal-estar no ninho dos tucanos a crítica de José Serra aos jornais, numa imitação barata do presidente Lula. O governador chamou a mídia de leviana, acentuando que nenhum dos dois grandes matutinos de São Paulo escapava. Referiu-se, é evidente, ao “Estadão” e à “Folha”, sem perceber estar arremessando  “fogo amigo”  contra os jornais que não escondem a simpatia por sua candidatura.

Como no caso do primeiro-companheiro, Serra acusou a imprensa por registrar a inauguração de obras inacabadas. Fica difícil concordar com os dois, porque as imagens falam mais do que as palavras. Se o presidente inaugura conjuntos residenciais semi-prontos, sem pintura nem ladrilhos, o governador entrega à população centros de saúde sem  os equipamentos necessários ao seu  funcionamento. De quem é a culpa?  Como sempre, dos meios de comunicação…

A luta pela vice com Dilma ou Serra: mais disputada, mais incerta, mais impenetrável do que a Presidência

Com Serra se definindo e Dona Dilma, definida, aparentemente o quadro presidencial está completo. Não significa o fim de outras candidaturas, mas a impossibilidade de se concretizarem ou se consolidarem dentro desse exótico quadro partidário.

Se mais 2 ou 3 nomes forem confirmados, haverá segundo turno, como tem acontecido desde que esse princípio constitucional foi estabelecido. (Juscelino teve 36 por cento dos votos, Vargas, depois de uma vida como ditador, 43 por cento, no plano estadual Lacerda ganhou de 29 a 28 por cento).

A luta então se transfere para a vice, não só pelo fato de ser vice, mas por causa de vários fatores. 1 – É a segundo autoridade da República. 2 – Se acontecer alguma coisa ao presidente, o vice assume e CUMPRE INTEGRALMENTE O RESTO DO MANDATO. (José Sarney ficou o tempo inteiro).

Na História brasileira, é quase igual o número de vices que assumiram, e de eleitos que completaram o mandato. Logo no início da República, o vice assumiu e não realizou eleições, (na Constituição de 1891 era obrigatório). Floriano, o vice, derrubou Deodoro, o “presidente”, e ficou até o fim.

Assim, é justo que o leilão de nomes e siglas partidárias, demore algum tempo. Todos, (pessoal ou coletivamente, com voto ou sem voto) estão abertos a conversas, acordos ou seduções.

O PMDB, maior partido nacional, não se interessa muito pela Presidência e nas duas últimas eleições se desinteressou até da vice. É responsável pelo fato de Luta ter 37 ministros, fato que aceita “gostosa e satisfatoriamente”.

Em matéria de quadros o PMDB é muito melhor (?), o PSDB quase consumava Arruda vice de Serra. Agora a dificuldade é maior do que em 2002. O governador de São Paulo tem apenas “um vice, que até agora tem resistido a convites, hipóteses e até pressões”.

Vejamos as possibilidades que se apresentam, tenham os supostos, pseudos ou presumíveis nomes, votos ou representatividade eleitoral.

Dilma-Meirelles

É o sonho de Lula, o comandante em chefe da “esquadra eleitoral”. Partindo do princípio de que Dilma se elege, no Planalto-Alvorada existe um consenso: ela ganha, mas para governar precisa de ajuda, sabe pouco de muita coisa. Para Lula, esse homem é Meirelles, eliminaria as dúvidas e aumentaria as dívidas, internas e externas. O susto provocado pelo nome de Dona Dilma, diminuiria ao se acrescentar o de Meirelles.

Dilma-PMDB

O acordo mais desejado, do ponto de vista eleitoral, é com o partido. Mas se antes, Lula se manifestava francamente pelo acordo e citava Temer como companheiro de chapa, agora considera que “ela está eleita”, nem quer mais saber de Temer, aí, ato sensato.

Dilma-Ciro

O cearense-paulista mergulhou num silêncio e numa profundidade maior do que a do pré-sal, não por acaso. Ciro disse ao Carlos Chagas, de forma textual e irrevogável: “Faço tudo o que o presidente Lula determinar, serei candidato a governador, a vice (para garantir a vitória no segundo turno) ou até a presidente”.

Dilma-Quércia

Na questão da sucessão, Lula acordou bem cedo, ou muito antes de todos. Quando chamou Quércia ao Palácio-Alvorada, não era para comentar o “disque Quércia para a corrupção”. E sim para a-l-e-a-t-o-r-i-a-m-e-n-t-e, falar sobre a vice.

Dilma-Requião

Nesses cálculos esdrúxulos, periféricos e até escalafobéticos, para formar ou fechar a chapa presidencial, vale tudo. Ou não vale nada. Já que PT e PMDB, se dizem aliados e partidos da base, por que não juntam logo os nomes que estão no título desta nota?

Governador em 1994, senador em 1998, novamente governador em 2002 e 2006, é tido como muito agressivo. Mas não é isso que Dona Dilma está precisando e procurando?

É apenas sugestão, ninguém preenche minha expectativa ou esperança. Haja o que houver, farei oposição a qualquer governo, defendendo o país.

Serra-Quércia

O governador de São Paulo imediatamente cooptou o ex-governador e ex-senador, mas Quércia só queria o Senado. Ganhou a indicação e vai ganhar a eleição.

Serra-PCdoB

Como o ex-stalinista Alberto Goldman, é vice de Serra e vai ganhar, no mínimo 9 meses de governo, outros ex-stalinistas “se assanharam”. Só que Serra nem quis conversar. Sabe que eles só têm votos proporcionais, e não queria “torpedear” a tal “chapa-pura” com Aécio.

Serra- Aécio

O ainda governador de Minas não quer hostilizar Serra, mas também não deseja afagá-lo. Já reeeleito, favoritíssimo para senador, vai “mineirando” cabalisticamente. Sai no dia 3, fica descansando no Rio, um de seus maiores prazeres, que tem praticado com intensidade nos últimos 8 anos.

Serra-Itamar

Há meses conversando, perguntei a ele se seria candidato ao Senado. No seu estilo tradicional, disse tudo o que podia ou queria, elogiou muito Aécio, não concluiu nada. Concluí e publiquei: “É candidato a senador com Aécio”. Completa 79 anos em junho, em plena forma, se preserva. Já foi tudo: governador, embaixador, senador 16 anos seguidos, vice, presidente, depois de Aécio é a melhor escolha em Minas.

PS – Fora dos partidos, Serra gostaria de ter como vice o senador Jarbas Vasconcellos, do PMDB que resiste à cúpula. Convidado em 2002, Jarbas não pôde aceitar, agora, se a legislação permitir, aceita correndo.

PS2 – Jarbas tem voto, agressividade, representatividade, e não arriscará nada, como aconteceria em 2002. Seu mandato no Senado vai até 2014.

Intervenção, já

Carlos Chagas

Completam-se dois meses desde  que  o Procurador Geral da República, com o apoio do presidente Lula, encaminhou ao Supremo Tribunal Federal pedido de intervenção federal em Brasília. Os argumentos são claros: deterioração dos poderes Executivo e Legislativo, com a prisão  do governador e os flagrantes de pelo menos nove deputados distritais e altos funcionários  recebendo propina.  Além das ameaças à ordem pública.

Pois é. Quem vive na capital federal enfrenta o caos. Os apagões  sucedem-se  várias vezes por semana, atingindo não apenas alguns bairros e cidades satélites, mas o Distrito Federal inteiro. Ora o lado Norte, ora o lado Sul. Não só o Congresso fica sem luz.  O centro administrativo e bancário também, além dos tribunais. Semáforos apagados geram  engarrafamentos sem conta. Dias atrás o presidente do Senado, José Sarney,  foi visitar o governador Roberto Requião, na representação do Paraná. Ficou preso  no elevador, precisando escapulir entre dois andares.

O metrô está em greve.  A Justiça determinou que entre 30 e 50% dos serviços continuassem funcionando, como manda a Constituição. Os grevistas dão de ombros e o resultado está sendo o tumulto, pela falta de ônibus capazes de compensar a falta dos trens, sem que nenhuma autoridade obrigue o cumprimento da lei. Já não se estaciona apenas em fila dupla, nas principais ruas e avenidas, mas em fila tripla. E não se encontra um guarda, um policial militar, um agente do Detran para botar ordem.

Mas tem mais. Na periferia, virou aventura sair de casa, ou chegar em casa, depois que o sol se põe. Multiplicou-se o número de assaltos e invasões a residências. Quando  manifestações públicas se sucedem, se é para reprimir estudantes, aparece a cavalaria da Polícia Militar. Se são policiais que protestam, recebem garantia para a ocupação de prédios públicos, jardins e avenidas por horas a fio.

Enquanto isso, a Câmara Legislativa prepara-se para eleger um governador-tampão, já que o atual sumiu. Os deputados distritais vão votar num deles, sem limitações para a eleição sequer dos flagrados botando dinheiro podre no bolso, na bolsa ou na meia. O governador, já deposto pela Justiça Eleitoral, continua preso.

Indaga-se: é ou não caso para a intervenção federal? Com a palavra o Supremo Tribunal Federal.

Daqui a trinta anos

Não adianta, o “cara” continua  em sua  cruzada contra a mídia. Disse esta semana que daqui a trinta anos os historiadores irão basear-se nos jornais para reconstituir o período atual, correndo o risco de se deixarem influenciar pelo noticiário distorcido e maldoso hoje apresentado.  Não foram bem as palavras que o presidente usou, porque de novo atropelou  o vernáculo, mas a idéia é essa.

Mais uma vez com todo o respeito, o presidente Lula carece de razão. Apesar de erros monumentais que os meios de comunicação cometem, muitos até por má-fé e interesses escusos, a verdade é que desde Guttemberg  a imprensa vem se constituindo  na fonte primária da História. Apresenta os fatos sem retoque, ao contrário das versões posteriores,  encomendadas para ajeitar situações e poupar personagens.

Tome-se o exemplo do mensalão.  O universitário do futuro tomará conhecimento de uma das maiores lambanças verificadas nos tempos atuais pelas versões do PT e as negativas do próprio primeiro-companheiro ou pelo noticiário dos jornais?

Lições de Pedro Aleixo

Em depoimento no Senado, o ministro Edison Lobão lembrou episódio de 1969, quando o então presidente Costa e Silva,   pretendendo livrar-se do AI-5, pediu a Pedro Aleixo para elaborar uma emenda à Constituição, restabelecendo a normalidade institucional. Foram semanas de imensas  dificuldades, com os radicais que Lobão chamou de “áreas sensíveis” atropelando o trabalho do vice-presidente,  afinal malogrado pela doença do chefe do governo.

Sobre o  período, vale acrescentar um detalhe. No final de uma  daquelas reuniões onde certos “jurilas”, mistos de juristas e gorilas, tentavam sabotar o trabalho do dr. Pedro,  ele deixou a ante-sala presidencial cabisbaixo e abatido. Um amigo aproximou-se, buscando levantar seu ânimo, porque das vinte e uma sugestões que havia formulado naquela tarde,  apenas a última tinha sido aceita. Encaminhando-se para o elevador, recomendou ao interlocutor: “Passe na minha sala daqui a meia hora e conversaremos”.

O amigo, então muito jovem, foi e ouviu do vice-presidente: “Você não entende nada de política. Estou satisfeitíssimo com a reunião de hoje. Eu só queria, mesmo, aprovar a última sugestão. As demais foram cortina-de-fumaça para fazer-me parecer derrotado e, no final, aceitarem como prêmio de consolação a verdadeira mudança pretendida”…

O PAC II e o futuro

Declarou o presidente Lula que o PAC II, a ser divulgado nos próximos dias, servirá para que o seu sucessor (ou sucessora) não perca tempo elaborando planos de obras, mas já encontre definidas as metas a desenvolver.

Novamente com todo o respeito, mas esse raciocínio significa que o chefe do governo pretende engessar quem vier a sucedê-lo, determinando o que deve fazer. Uma intromissão indevida no livre arbítrio de quem vier a liderar a nação. Se for Dilma Rousseff,  menos mal. Ela é uma espécie de papel carbono do Lula. Mas se for José Serra, que reação terá ao receber um prato-feito referente ao seu mandato? Botará no fundo da gaveta, se for educado, ou na lata do lixo, se não for. Menos por conta do conteúdo, capaz até de surpreender pela qualidade, mais  por tratar-se de megalomania de quem, devendo desencarnar, imagina transformar-se em anjo da guarda ou alma penada…

Sarney: Também posso ser vice

Assim que começaram a falar e a coordenar o nome de Itamar Franco para vice de Serra, (no caso de Aécio não aceitar) o presidente do Senado gritou: “Por que não eu? Já fui presidente como ele, também fui governador, estou no quinto mandato de senador, tenho a mesma idade”.

Sarney esqueceu de duas coisas. 1 – Ninguém lembrou do nome dele. 2 – Itamar tem muitos inimigos, o que natural, mas jamais foi acusado de desonestidade.

Suplicy, “descandidato
depois da derrota de 1994

Pretende ser candidato a governador de São Paulo, foi derrotado fragorosamente, que palavra, há 16 anos. E não quer prévias e sim pesquisas.

O presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, derrotado para governador, para senador e governador, não quer nem ouvir falar no assunto. O PT não ganha de ninguém em SP. Talvez a ex-mulher dele ainda seja a que perderá em melhores (?) condições.

Arruda, em liberdade, ignorado, no ostracismo

Como disse ontem, o governador afastado-licenciado-cassado, será posto em liberdade. Ninguém se preocupa mais com ele. Hoje, pela manhã, me falaram que está providenciando passaporte, não quer estar no Brasil no 3 de outubro, dia da eleição.

Tentei saber para onde iria, resposta: “Para a Suiça”.

Perguntei se ele gosta tanto de “relógio ou chocolate”, o informante, rindo, “você esqueceu, Helio, do outro grande fato de importãncia da Suiça?”

E lembrou: “Noutro dia você registrou a informação de um  amigo: O que é que o filho de Lula está fazendo, entrando no maior banco de Zurich?”.

Desaba o prestígio do Papa

A frase, vulgar e premeditada: “Não se lava roupa suja em público”. Pode ser, mas essa “roupa estava suja”, pela omissão dele mesmo, antes de chegar ao Vaticano.

O Papa perdoou um padre,  que “molestou 200 meninos surdos”. Que apetite de indecência, vergonha, insensibilidade, atentado à fe e à humanidade. Por causa da condição dos “molestados”, Bento XVI fez questão de ficar surdo e mudo. Agora vem a público pedir o esquecimento. No Vaticano não há impeachment?

Condenação do casal Nardoni

Não têm uma possibilidade em 1 milhão de serem absolvidos. Na opinião pública estão condenados pela emoção, uma parte verdadeira, outra fabricada.

No Tribunal do Júri criado na Inglaterra e seguido no mundo todo, são 12 jurados e a exigência de UNANIMIDADE, (muitas vezes obtida) pode prevalecer a “DÚVIDA RAZOÁVEL“, que foi o que inspirou o rei João Sem Terra a criar esse tribunal.

Com 7 jurados e a decisão por MAIORIA SIMPLES, como se o tribunal fosse um órgão político, muitos resultados foram de 4 a 3. No caso Nardoni, terão no máximo 1 voto. Poderão e deverão recorrer ao Tribunal de Justiça, que examinará se o resultado não correspondeu à MANIFESTA PROVA DOS AUTOS.

(Estou escrevendo esta nota às 9 da manhã, quando começará o que deve ser o último dia do julgamento).

O homem público Bernardo Cabral

Vicente Limongi Netto:

“Quero participar das homenagens amanhã, sábado, dia 27, para o jurista, professor, ex-ministro, ex-senador, cidadão do mundo, Bernardo Cabral, que completa 78 anos de idade. Cabral pode olhar para o passado e ver que o tempo não passou em vão. Pelo caminho, deixou marcos de realizações que representam contribuições para o Brasil e para a coletividade. Mais um aniversário de Bernardo Cabral é data cheia de significados. Espero que o Brasil possa contar com o talento e a experiência de Cabral por muitos anos.”

Comentário de Helio Fernandes:
Bernardo representou sempre o Amazonas pensando no Brasil. Cultura notável, títulos e mais títulos na sua área de advogado e jurista, mas em outras, bastante diversas, diversificadas, diferentes. É brilhante em todas.

No dia 26 de março de 1981, às 4 da madrugada, quando a Tribuna ia pelos ares, Bernardo estava lá diante dos escombros, lamentando e revoltado. Ao lado de Sobral Pinto, doutor Barbosa Lima, meu amigo Alceu Amoroso Lima e tantos outros.

Cassado, quando descassado, fez carreira notável. Agora, no Amazonas, foi convidado a voltar ao Senado, duas vagas e apenas um vencedor, o governador. Disse NÃO, seus planos são o de viver e estar com os amigos. Esse é um objetivo já alcançado, mas que tem no mínimo, no mínimo, mais 22 anos para consolidar.

A sucessão de Lula, uma semana antes da desincompatibilização. A mais vergonhosa, mistificadora e sem projeto de toda a história. Teremos saudades da “República Velha”, quando candidatos tinham plataforma

Na Primeira República, (a conhecida “República Velha” ou “carcomida”) apesar de todas as acusações e até injúrias, as coisas se passavam a descoberto, com regras impostas pelos governantes, e o povo não sabia de nada. O presidente escolhia seu sucessor, só havia um partido, o Republicano, tudo se encerrava dessa forma.

Não havia campanha, a eleição era em 1º de março e a posse em 15 de novembro. O país, enorme, a eleição levava muito tempo. Mas 3 meses antes da eleição, o candidato (único, naturalmente, excetuando Rui, quando disputava, que usava o voto independente) lia a sua “PLATAFORMA” de governo. Era no “Clube dos Diários”, na Rua do Passeio, num prédio em frente à belíssima escultura de Mestre Valentim, hoje no Jardim Botânico.

Era uma grande festa, dita democrática, pelo menos existia um projeto ou compromisso de governo, embora logo depois da posse tudo ficasse esquecido. O “Clube dos Diários” desapareceu (na época tinha representatividade), hoje apareceu a inútil, inexistente, imprevidente e humilhada ANJ (Associação Nacional de Jornais).

Foi assim até 1930, pulemos logo para 2010, nesses 80 anos, várias ditaduras e os naturais períodos de transição para “salvar a cara” dos ditadores. Representatividade, convenções partidárias, escolha democrática dos candidatos, tudo igualzinho ao passado.

Os governantes inventaram a “reeeleição”, e só não obtiveram a BIREEELEIÇÃO, ficou impossível.

Esgotada a possibilidade do “terceiro mandato”, (que FHC também não conseguiu), Lula partiu para a entronização de um candidato que não atrapalhe a sua volta em 2014. Concordando inteiramente: Lula acertou em cheio implantando Dona Dilma.

É lógico que não concordo com ela e sim com ele. E concordo com ele pela sabedoria (?) de pretender eleger quem não tem voz, não tem vontade, não tem voto. Se for eleita, terá que perguntar tudo a ele, que acabará explodindo: “Mulher, faça alguma coisa por você mesma, tudo eu, tudo eu”?

Outra vitória retumbante de Lula foi patrocinar uma candidata que não tem um voto dentro do partido, diz ela que é o PT. (O Santos Aquino, que sabe das coisas, diz que ela era do PDT, saiu levando muita gente. Brizola havia morrido, ela adora vulgaridade, recitou, “rei morto, rei posto”, mudou imediatamente).

Como as coisas estão complicadas no Planalto-Alvorada, não há vice, a “base” se esfacelou. Lula continua querendo Meirelles, está difícil. Portanto esperemos, as dúvidas são muitas.

Rapidamente, então, examinemos o outro candidato, arrogante, insignificante, prepotente, petulante, imprudente e eleitoralmente masoquista. Com todas essas indicações, nem precisa a redundância de dizer que se chama José Serra.

Sem um pingo de coragem, fugiu no 1º de abril, passou 15 anos fingindo que havia recebido uma “bolsa de combatente”, era exatamente o contrário. Esgotou o “caviar do exílio”, voltou, passou a se alimentar com a feijoada ou o churrasco do Poder. Não largou mais.

(Excetuado o período da “corretora de valores”, que empresários poderosos de São Paulo movimentaram para ele. Apostavam NELE E NO FUTURO, NADA MUITO DIFICIL. Apesar disso tudo, está com enormes problemas, tão grandes que teve que retardar a saída do governo).

Repetindo: como não tem o mínimo de coragem cívica, ao dizer que é presidenciável, completou: “Meu adversário não é Lula”, o que contornou a disputa, e inflou o ego do próprio Lula. Também não tem vice, insistiu durante quase um ano no nome de Aécio.

Em setembro-outubro escrevi aqui, depois repeti: “Se o governador de Minas aceitar ser vice do governador de São Paulo, podem dizer que eu sou o pior analista do mundo”. Era fácil de afirmar, por causa deste fato: quem garante a Aécio vice, que Serra será presidente?

Não é desprendimento de Minas e sim incerteza em São Paulo. Podendo ganhar 8 anos de senador, por que o atilado Aécio iria aceitar a migalha não garantida de 4 anos de vice subordinado?

Portanto, o jogo preliminar, perdão, primário, começa dentro de uma semana. Serra terá que passar o cargo a um vice ainda mais insignificante, o ex-stalinista Alberto Goldman, que não tem votos nem prestígio.

Nesse item, Dona Dilma leva vantagem circunstancial pelo fato do eleitor maior permanecer no cargo. A luta se travará entre os vices, e na contagem dos palanques, que não terão a menor importância.

***

PS – Importantes os minutos da televisão. (Com a ressalva para o Enéas, que com 26 segundos, teve a criatividade de usar o tempo para lembrar, “Meu nome é Enéas”).

PS2 – Para terminar por hoje, por hoje, uma referência ao dinheiro que será gasto. A “capacidade” e a falta de constrangimento dos dois (lógico, Serra e Dilma) de GERAR DINHEIRO, SÓ COMPARÁVEL À DE FHC E LULA, DE ENDIVIDAR O PAÍS.

PS3 – Para lembrar e estarrecer a todos: FHC foi conversar com Joaquim Roriz, o CORRUPTO DOS CORRUPTOS, que iniciou Arruda no crime de se aproveitar dos dinheiros públicos.

PS4 – Com Arruda quase vice de Serra, este afirmou, “nem sei quem é esse Arruda”. Agora, o ex-presidente procura Roriz, mas garante: “Não tenho procuração ou credencial do PSDB para conversar com Roriz”. Ha!Ha!Ha!

Desenterrando Delfim

O ministro ainda não embaixador, era um grande frasista, sempre se renovava. Quando registrei o que ele falou de sua felicidade, usei a palavra EXTRAORDINÁRIO. Desculpem, ela não existiu.

O que Delfim falou para os seus “meninos”, empolgado e embevecido: “Os dias do Poder são ESPLENDOROS, mas as noites do Poder, ah!, as noite do Poder são EMBRIAGADORAS”.

Ponte Rio-Niterói:
SATURADA, dizem alguns

É evidente que está, tem 13 mil e 200 metros, menor apenas do que a ponte sobre o Rio Tejo. Era desejada há muito tempo, o que não significa que tivesse que custar tanto, com tanta comissão por fora. Especialidade do ministro-embaixador.

Jogo de compadres

Carlos Chagas

José Serra acaba de levantar a bola para o Lula cortar. Declarou que meta não é promessa, ao justificar porque algumas estações do metrô de São Paulo não foram entregues à população na data antes anunciada. Sendo assim, melhor argumento não haverá para explicar o atraso nas obras do PAC I.  Foram metas, não promessas, mais da metade das quais furadas.

Quem quiser que se engane quando, dentro de poucos dias, o governo divulgar o PAC II. Vai valer  tudo, desde a erradicação do analfabetismo à entrega de uma casa para cada brasileiro. O desvio das águas do Amazonas para o Rio Grande do Sul, a implantação do trem-bala no trecho Manaus-Porto Alegre,  a distribuição de montes de ações da Petrobrás para cada bebê nascido desde 2003 e quantos disparates a mais poderão ser incluídos na segunda versão das promessas de campanha de Dilma Rousseff?

Por essas e outras muita gente anda desiludida com a sucessão presidencial. Entre Serra e Dilma, dão um pela outra e não querem volta. Trata-se de um exagero, é claro, mas  o governador de São Paulo dá a impressão de que entrará de salto alto na disputa. Uma coisa é a baixaria, que espera-se não venha a acontecer, mas outra igualmente triste é o compadrismo entre os candidatos. Se é para continuar tudo como está, logo aparecerá alguém sugerindo melhor deixar o Lula no governo…

Bicadas no ninho

Coube ao senador Artur Virgílio protestar contra a inusitada intervenção do ex-presidente Fernando Henrique na política do Distrito Federal. Para o líder do PSDB no Senado, o sociólogo não tem procuração para selar acordos nas sucessões estaduais e, muito  menos, para prometer a presença de José Serra nos palanques de Joaquim Roriz, por ele recebido esta semana em São Paulo.

Há quem identifique nas trapalhadas de FHC uma vontade de não se afastar do palco, ainda mais agora que lá do exterior figuras de projeção lembram o nome do presidente Lula para secretário-geral das Nações Unidas. Ele não quer, rejeita qualquer sondagem, mas a simples menção da hipótese desperta quilos de frustração no antecessor. Afinal, quem fala cinco línguas, escreve livros complicados e pronuncia conferências esotéricas pelo mundo?

A reação de Artur Virgílio não foi isolada, apesar dele ter sido escalado para único  crítico, tendo em vista não conturbar o ninho dos tucanos. Os principais dirigentes do PSDB concordam em gênero, número e grau com o representante do Amazonas, em especial porque a imagem de Joaquim Roriz não será, propriamente, edificante para a campanha de José Serra.

Uma brecha

Uma brecha foi aberta no muro das resistências do  governador Aécio Neves de rejeitar sua candidatura à vice-presidência na chapa de José Serra. Quem abriu foi o próprio governador mineiro, ao dizer que  fundamental será o escolhido ajudar na vitória do candidato. Como não será Kátia Abreu que ajudará,  nem Tasso Jereissatti, basta concluir de quem virá a ajuda mais substancial: dele mesmo, Aécio. A aliança de Minas com São Paulo assusta os adversários.

Ficha limpa, mas nem tanto

O presidente da Câmara, Michel Temer, marcou para o próximo dia 7 a votação da chamada emenda da ficha limpa, que se aprovada impedirá de se candidatarem os candidatos condenados em segunda instância pelo Código Penal. Trata-se de uma meia-sola na proposta original, que negava registro a qualquer cidadão condenado pela justiça criminal, mesmo  passada por um juiz singular.  Os interessados em não cair nas malhas da proibição alteraram o texto para “condenados por colegiado”, ou seja, os tribunais acima da primeira instância. Resta o consolo de que o júri é um colegiado, mesmo na escala inicial dos  julgamentos. Quem tiver sido condenado pelo conselho de sentença ficará de fora das eleições. Isso, é claro, se o projeto for aprovado, coisa de que muita gente duvida…

PSDB oculta FHC e portanto confessa a derrota

Pedro do Coutto

Uma reportagem extremamente importante de Noeli Menezes, Fernanda Odília e Patrícia Gomes, publicada na Folha de São Paulo de 25 de março, ontem portanto, traçou previamente o rumo da sucessão presidencial deste ano. Ao focalizar os preparativos para o lançamento da candidatura de José Serra, marcada para 1º de abril, informou que o PSDB decidiu ocultar a figura de Fernando Henrique Cardoso, colocando-o fora até da lista de oradores do evento. Impressionante.

Para piorar as coisas, a Folha destacou o encontro de FHC com o ex-senador Joaquim Roriz, que renunciou ao mandato de oito anos. Com antecipação enorme, para não ser cassado, por corrupção, focalizado recebendo dinheiro num galpão de Brasília do empresário Henê Constantino.

O PSDB fez exatamente o que o presidente Lula e a candidata Dilma Roussef queriam. Transformar o embate num plebiscito entre a administração de FHC, um desastre, com a de Luis Inácio da Silva, um sucesso de popularidade, longe das eleições. Basta agora ao PT e ao Planalto cobrarem de Serra as realizações de FHC e o conceito popular feito a seu respeito. Não é preciso mais nada.

A direção do PSDB jogou a toalha cedo demais. Talvez tenha trocado a sucessão presidencial pela de alguns estados como o Rio de Janeiro, onde Lula aparenta estar rompido com Sergio Cabral, por inexperiência e infantilidade deste. Cabral – recordam-se leitores- ameaçou não votar em Dilma Roussef se ela aceitasse subir no palanque também de Anthony Garotinho. A ameaça direta não se enquadra na política. Ao contrario. Força os protagonistas a aceitarem o enfrentamento.

O corte dos royalties do petróleo foi uma resposta. E não a única. Depois da primeira tentativa de emenda constitucional, o governo partiu para o campo  legal capaz de diminuir à metade o recebimento dos royalties de 4,9 bilhões de reais para apenas 2,8 bilhões já este ano, corte de 5% no orçamento do RJ já este ano. O mais atingido – Sergio Cabral.

O governador Cabral, aliás, vem demonstrando desequilíbrio emocional. Num dia chora ao receber a notícia do corte dos royalties. No outro, organiza uma passeata à base de samba e sai contando e dançando pelo centro das ruas do Rio. Agora, com o novo projeto Ibsen Pinheiro, não mais inconstitucional, o governador chora novamente ou retira o apoio a Dilma Roussef, abre uma dissidência no PMDB e apoiará Serra? Ninguém pode duvidar que ele fará. Mas não há dúvida quanto a disposição do Palácio do Planalto de isolá-lo das articulações necessárias. Política é assim. A duplicidade torna-se um estilo. Como disse Tenesse Willians na Gata em Teto de Zinco Quente, a mendacidade é o nosso sistema.

Duplicidade rima com mendacidade. Há poucos dias, por exemplo, morreu um político, aos 90 anos de idade, marcado pela duplicidade. Sua memória foi execrada pelos jornalistas da nova geração que só o conheceram pela face ditatorial como ministro da Justiça do governo Ernesto Geisel. Era o homem do nada a declarar. Isso na triste fase final de sua vida. Mas, a bem da verdade, nem sempre foi assim. Eu me lembro dele em 54, 55 e 56. E posso afirmar: acabou indo para o céu. Pois não fosse ele ter envolvido  general Teixeira Lott, Juscelino Kubitshek  não teria assumido a presidência em janeiro de 56.

Foi Falcão que trouxe Lott para o campo da legalidade, afastando-o das pregações de Carlos Lacerda, que tentou violar todos os resultados eleitorais que perdeu. Falcão, na verdade, foi o grande líder parlamentar da vitória da Legalidade. Nem Caxias foi maior do que Lott, frase sua que ficou famosa, ao comparar o ministro ao patrono do Exercito. Falcão, apesar de tudo, descanse em paz. Não fosse você, não haveria os anos dourados de JK.

Brasília surreal e a próxima libertação de Arruda

José Carlos Werneck:
“Em Brasília tudo é surreal. Não se obedece à cadeia sucessória (a única que funciona é a Papuda). rasga-se a Lei Orgânica, tudo porque quase todo mundo está comprometido com os esquemas de favorecimento e atolados em montanhas de panetones. Tão logo a Justiça Eleitoral cassou o mandato de Arruda, a Câmara Distrital apressou-se em dizer que já estava se preparando para eleger um novo governador. Enfim, como magistralmente definiu a jornalista Eliane Cantanhede, em sua coluna na “Folha de São “Paulo”, uma formidável “ESCULHAMBAÇÃO”. E agora, para completar o quadro surrealista, Wilson Lima, o governador interino, diz que é candidato a governador de verdade. Enquanto isso, o povo, farto de tanta falta de vergonha, continua trabalhando normal e honestamente, coisa que os políticos, não só de Brasília, mas de todo o Brasil, não fazem há muito tempo.”

Comentário de Helio Fernandes:
Obrigado, Werneck, e aplausos por separar a população trabalhadora da capital, dos políticos. Para completar: Arruda deve ir para casa HOJE ou AMANHÃ. O Procurador Geral se convenceu, que sem mandato, Arruda não representa perigo algum. Ao chegar em casa, Arruda terá que passar por cima de todo o capim que cresceu na sua porta.

Lula: auxílio moradia, imitando parlamentares

O presidente tem um vasto apartamento, onde dizia que ia morar. Comprou um triplex para “descansar nos fins de semana”, mas amigos dizem o contrário. O presidente vai morar em Nova Iorque, não virá ao Brasil, a não ser raramente. Só pode ser a ONU.

Curiosidade: ele e FHC podem se encontrar na ONU. Já revelei há meses, que eleito, Serra nomeará FHC embaixador lá. Então, se Lula for secretário geral, terão pelo menos que se cumprimentar. FHC depende da vitória de Serra, Lula não depende de nada, praticamente só de Obama.

Opção para os brasileiros: Dilma ou Serra. Não é opção e sim omissão. E os eleitores?