A Lei das Drogas foi do tipo vacina e não ‘pegou’. E os traficantes agradecem a liberalidade do Supremo.

Carlos Newton

De cada quatro presidiários, um está detido por tráfico de drogas. O índice é o maior desde 2005 e inclui presos condenados e que aguardam julgamento. Agora, milhares deles se preparam para voltar às ruas, digo, voltar às atividades, devido à decisão do Supremo Tribunal Federal, determinando que suspeitos de tráfico de drogas têm direito à liberdade provisória, assim como qualquer outro cidadão que responde a processo criminal.

Com a decisão, os ministros anularam parte da Lei de Drogas de 2006, que impedia a liberdade provisória nesses casos. A maioria dos ministros entendeu que a obrigatoriedade da prisão preventiva para suspeito de tráfico é ilegal porque viola o princípio da presunção de inocência, que considera todo cidadão inocente até decisão definitiva da Justiça. Os ministros também entenderam que a vedação prévia da lei impede que o juiz verifique as peculiaridades de cada acusado.

De 2005 a 2011, o número de traficantes presos aumentou 4 vezes, enquanto a população carcerária como um todo cresceu apenas 1,7. O rigor da Lei das Drogas, em vigor desde 2006, estava entre os fatores que levavam cada vez mais pessoas à cadeia por ligação com o comércio de drogas.

O plenário do STF analisou o caso a partir do pedido de liberdade de um suspeito de tráfico preso provisoriamente em 2009. Além de atacar a Lei de Drogas, o advogado do acusado também afirmava que seu cliente estava preso há quase 300 dias aguardando julgamento e que não havia motivo para mantê-lo mais tempo na cadeia.

Para o relator do caso, ministro Gilmar Mendes, a regra da Lei de Drogas “é incompatível com o princípio constitucional da presunção de inocência e do devido processo legal”. Segundo ele, a lei altera o sistema penal ao tornar a prisão uma regra e a liberdade uma exceção.

Detalhe importantíssimo: se o juiz tivesse cumprido sua obrigação e julgado com rapidez o caso do traficante, o Supremo não teria argumentos para derrubar a Lei das Drogas. Mas exigir rapidez da Justiça brasileira parece piada. Os juízes, com as honrosas exceções, não estão nem aí.

 

A imprensa vem caindo na armadilha

Francisco Bendl

A questão Veja e Policarpo tem servido para outros fins, e o pior é que boa parte da imprensa vem caindo na armadilha. O PT tem obsessão em calar a imprensa de qualquer forma. Rui Falcão, o pisca-pisca, declarou que depois dos bancos o ataque será contra a imprensa. Curioso que, desde que ela sirva aos interesses petistas muito bem, quando é para criticar os desmandos cometidos ela é “golpista”.

O patrulhamento ideológico se percebe na internet. Ai daquele que comenta contra a corrupção no governo do PT para surgirem os sectaristas ofendendo, caluniando, ameaçando e acusando.

Pois a imprensa está fazendo, desgraçadamente, o mesmo jogo! Se a Veja é a revista mais lida do país, que seja derrubada, quer a concorrência, lógico. Se foi um jornalista o causador de notícias infundadas – a PF, através de um delegado, disse que Policarpo e a revista não cometeram irregularidades – por que culpar o veículo de comunicação?

Se a liberdade de expressão é a bandeira a ser desfraldada por todos, inclusive pela imprensa “chapa branca” como se dizia no meu tempo, estamos assistindo a mídia brasileira se dilacerar entre os que apóiam o governo e aqueles que o criticam e que deverão ser proibidos de fazê-lo por culpa da própria imprensa, interessada em se ver bem com o poder e ao mesmo tempo derrotar a revista semanal mais lida, ora.

Mas o tiro está sendo dado no próprio pé quando este governo um dia mudar, e vai ser alterado indubitavelmente. O problema é que o governo que mais gastou em verba de publicidade na história, sim, o PT, tem as rédeas na mão para distribuir esta fortuna aos seus apaniguados, ao PIG (Partido da Imprensa Governista) que, eu, humildemente, mudei para o PUS (Partido Unificado da Situação), conhecido também como Pústula, pois é uma chaga aberta e infecta que a base aliada, junto a esta mesma imprensa tendenciosa, formaram para se beneficiar despudoradamente do poder, os legítimos traidores do povo e do país!

De modo a se saírem bem com seus chefes, a imprensa governista mirou a Veja, os sectários de plantão idem, mas calam-se diante dos escândalos proporcionados pelos políticos e partidos aliados ao poder.

Para o PT, o jornalismo independente é criminoso, nefasto, e deve ser neutralizado. Aproveitam-se vergonhosamente do idiota do Demóstenes e seu manda-chuva Cachoeira para divulgar que o mensalão não existiu, que a imprensa é golpista e, de quebra – chega a ser um escárnio ao bom senso – Collor liderando esta CPI.

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LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Preocupa-me, sobremaneira, a divisão que o Brasil está tomando e a intenção de se querer que este país seja dirigido por uma ideologia ultrapassada, retrógrada, uma tirania mascarada com eleições previamente determinadas e mostrando para “o inglês ver” que se tem democracia.

O plano está em andamento, que é proibir a liberdade de expressão. Depois – e parte já foi conseguido – os setores que são instrumentos de difusão ideológica (escolas, universidades, editoras, meios de comunicação social e sindicatos), uma vez que os principais confrontos ocorrem na esfera cultural e não nas fábricas, nas ruas ou nos quartéis, conforme o filósofo comunista e ícone do PT, o Gramsci!

Considerando os sindicatos nas maõs de pelegos, imprensa dividida, kits nas escolas trazendo mensagens políticas e sexo, a Universidade composta de jovens que nada sabem de política, mas emprestam seus ímpetos a movimentos “revolucionários” sem saberem o que significam, eis um quadro extremamente preocupante, repito.

Como dizia Rubem Braga, a poesia é necessária

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A BAILARINA

Cecilia Meireles

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Não conhece
nem dó nem ré
mas sabe ficar
na ponta do pé.

Não conhece
nem mi nem fá
mas inclina o corpo
para cá e para lá.

Não conhece
nem lá e nem si,
mas fecha os
olhos e sorri.

Roda, roda, roda com
os bracinhos ao ar
e não fica tonta
nem sai do lugar.

Põe no cabelo
uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Mas depois esquece
todas as danças,
e também quer
dormir como as outras
crianças.

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DIA DAS MÃES

Paulo Peres

Entre a razão e a emoção
Existe um ponto de interrogação
Chamado Humana Renovação:
Ventre bendito – coração MÃE,
Obra Suprema do Criador.

MÃE.
Neste dia dedicado a VOCÊ,
Quero parabenizá-la e pedir-lhe
Que continue a ser esta MÃE
MARAVILHOSA!

‘Segui o conselho de minha mãe, mas o outro motorista estava bêbado’

Milton Corrêa da Costa

“Mãe, fui a uma festa e me lembrei do que você me disse. Você pediu que eu não tomasse álcool, mãe… Então, ao invés disso, tomei um “Sprite”. Senti orgulho de minha mesma, e do modo como você disse que não deveria beber e dirigir, ao contrário do que alguns amigos me disseram. Fiz uma escolha saudável e seu conselho foi correto. Quando a festa acabou o pessoal começou a dirigir sem condições. Fui para o meu carro na certeza de que iria para casa em paz. Eu nunca poderia imaginar o que estava me aguardando, mãe… Algo que eu não poderia esperar. Agora estou jogada na rua e ouvi o policial dizer: “O rapaz que causou este acidente estava bêbado…”

“…Mãe, a voz dele parecia tão distante… Meu sangue está escorrido por todos os lados e eu estou tentando, com todas as minhas forças, não chorar… Posso ouvir os paramédicos dizerem: “A garota vai morrer”… Tenho a certeza de que o garoto não tinha a menor ideia, enquanto estava a toda velocidade, afinal ele decidiu beber e dirigir, e agora tenho que morrer…”

“Então, por que as pessoas fazem isso, mãe, sabendo que isso vai arruinar vidas? E agora a dor está me cortando como uma centena de facas afiadas… Diga a minha irmã para não ficar assustada, mãe! Diga ao papai que ele seja forte. E quando eu for para o céu, escreva algo em minha lápide que possa servir de ensinamento a quem bebe ao volante, mata, morre e mutila e causa dor e tristeza às famílias. Alguém deveria ter dito aquele garoto que é errado beber e dirigir. Talvez , se seus pais tivessem dito, eu ainda teria a possibilidade de frequentar muitas festas e continuar ao lado de vocês. Minha respiração está ficando mais fraca, mãe, e eu estou realmente ficando com medo… Estes são meus momentos finais e me sinto tão despreparada… Eu gostaria que você pudesse me abraçar mãe… Enquanto estou estirada aqui, morrendo, eu gostaria de dizer que te amo, mãe… ”

Essas palavras foram escritas por um jornalista que presenciou o acidente enquanto a jovem agonizava. Muito chocado, o jornalista, há tempos atrás, iniciou uma campanha para que você não perca a chance de também conscientizar mais e mais pessoas. Este pequeno gesto pode fazer a diferença. Não espere que um amigo ou um parente morra para que você mude a sua atitude no trânsito. Você pode, a partir de agora, estar fazendo algo para mudar isso.

Ao repassar esse texto você estará começando a mudança. Não deixe que sua mãe passe pela dor eterna da saudade de sua ausência, pela atitude imprudente ao volante ao conduzir um carro ou uma moto. Não lhe dê essse triste presente. Neste domingo, a ela especialmente dedicado, abrace-a com todas as forças do mundo. Não perca essa oportunidade. Outras não poderão sentir a mesma ternura. Abrace sua mãe por muitos e muitos anos. Se beber não dirija.

A Comissão da Verdade vai convocar José Sarney?

Altamir Tojal

Dirigentes civis da ditadura proveram os meios políticos para assassinatos e torturas.

A Comissão da Verdade nasce com o poder de convocar pessoas que tenham relação com casos de tortura, morte, desaparecimento e ocultação de cadáveres, identificando e tornando públicas as estruturas, locais, instituições e circunstâncias relacionados aos crimes contra os direitos humanos, entre 1946 e 1988. O foco vai ser a Ditadura Civil-Militar, que controlou o Brasil de 1964 a 1979 (ou até 1985, como consideram alguns).

Desde que o livro “1964: a conquista do Estado”, de René Armand Dreifuss, foi publicado em 1981, a expressão “ditadura civil-militar” passou a ser incorporada a qualquer iniciativa honesta de compreender e investigar o tema. Sobre isso, merece atenção o artigo “A ditadura civil-militar”, do professor Daniel Aarão Reis (O Globo, 31-3-2012).

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DIRIGENTE CIVIL DA DITADURA

“A obsessão em caracterizar a ditadura como apenas militar levou, e leva até hoje, a marcar o ano de 1985 como o do fim da ditadura, porque ali se encerrou o mandato do último general-presidente. A ironia é que ele foi sucedido por um político — José Sarney — que desde o início apoiou o regime, tornando-se ao longo do tempo um de seus principais dirigentes…civis”.

Aarão Reis pergunta se estender a ditadura até 1985 não seria uma incongruência e observa que o adjetivo “militar” o requer: “Ora, desde 1979 o estado de exceção, que existe enquanto os governantes podem editar ou revogar as leis pelo exercício arbitrário de sua vontade, estava encerrado. E não foi preciso esperar 1985 para que não mais existissem presos políticos. Por outro lado, o Poder Judiciário recuperara a autonomia. Desde o início dos anos 1980, passou a haver pluralismo politico-partidário e sindical. Liberdade de expressão e de imprensa. Grandes movimentos puderam ocorrer livremente, como a Campanha das Diretas Já, mobilizando milhões de pessoas entre 1983-1984. Como sustentar que tudo isto acontecia no contexto de uma ditadura? Um equívoco?”.

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MEMÓRIA INTERESSADA

Como demonstra Aarão Reis (que combateu a ditadura, foi preso e exilado), não se trata de equívoco, mas de uma interessada memória. “São interessados na memória atual as lideranças e entidades civis que apoiaram a ditadura. Se ela foi “apenas” militar, todas elas passam para o campo das oposições. Desde sempre. Desaparecem os civis que se beneficiaram do regime ditatorial. Os que financiaram a máquina repressiva. Os que celebraram os atos de exceção. O mesmo se pode dizer dos segmentos sociais que, em algum momento, apoiaram a ditadura. E dos que defendem a ideia não demonstrada, mas assumida como verdade, de que a maioria das pessoas sempre fora — e foi — contra a ditadura”.

Fala-se que o Brasil e o povo não têm memória, mas o que se vê hoje no caso da Ditadura Brasileira é uma abundante memória seletiva e conveniente, como toda memória, produzida e difundida pelos poderosos e vencedores de sempre. Diz o professor Aarão Reis: “No exercício desta absolve-se a sociedade de qualquer tipo de participação nesse triste — e sinistro — processo. Apagam-se as pontes existentes entre a ditadura e os passados próximo e distante, assim como os desdobramentos dela na atual democracia, emblematicamente traduzidos na decisão do Supremo Tribunal Federal em 2010, impedindo a revisão da Lei da Anistia. Varridos para debaixo do tapete os fundamentos sociais e históricos da construção da ditadura”.

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ROLA COMPRESSOR

A “verdade”, pelo menos na política, é uma construção dos vencedores da ocasião e, portanto, o nome “Comissão da Verdade” é problemático. E, por enquanto, a possibilidade dessa comissão trabalhar com autonomia e alcançar algum êxito na sua missão é apenas uma aposta que se pode fazer. O Planalto avisa que ela terá caráter de órgão de estado, e não do governo petista. Os nomes parecem dignos da função. Mas não vamos esquecer que, há dez anos, os estado brasileiro passou a ser um aparelho do PT e qualquer desvio dessa regra, como ocorre agora com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e com os ministros do STF, no caso do Julgamento do Mensalão, é atropelado pelo rolo compressor do partido e do governo. Se instituições como o Ministério Público e a Corte Suprema são pressionadas dessa forma, o que esperar de uma comissão de notáveis?

Será que a Comissão da Verdade pode convocar José Sarney, o eterno vencedor da política brasileira? Presidente do Senado, ele é o maior avalista do governo petista no Congresso Nacional. Oligarca do Maranhão, o estado mais miserável do Brasil, foi eleito governador em 1965, com o apoio do primeiro ditador, o general Castelo Branco. Foi presidente da Arena e do PDS, os partidos que sustentaram a farsa do parlamento durante a ditadura. Mudou de lado com o vento da democratização e quis a nossa tragédia que se tornasse Presidente da República.

Alguns dizem que Lula é o Macunaíma da política nacional, positivando a falta de caráter do herói. Mas esse título, se coubesse, teria de ser de José Sarney. De qualquer forma, comparar Lula e Sarney a Macunaíma é uma terrível falta de respeito para com o personagem de Mario de Andrade.

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INVERSÃO DO AFORISMO

Em seu curso no Collège de France, em 1975 e 1976, focado no tema do poder, Michel Foucault propôs a inversão do aforismo de Carl Von Clausewitz, segundo o qual “A guerra não é mais que a continuação da política por outros meios”. Foucault suspeita que ocorre o contrário: “A política é a continuação da guerra por outros meios”. Assim, diz, na aula de 7 de janeiro de 1976: “Sempre se escreveria a história dessa mesma guerra, mesmo quando se escrevesse a história da paz e de suas instituições”.

Vamos ver, portanto, a que veio a Comissão da Verdade: vai fundo sobre os dirigentes civis que proveram os meios políticos para assassinatos e torturas, ou vai se restringir aos militares e policiais que fizeram o trabalho sujo nos porões, simplesmente reescrevendo a velha história da mesma guerra?

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NOTA: Antes que algum apressado diga que este texto é de um direitista que quer proteger militares assassinos e torturadores, informo que no dia 31 de março de 1964 eu era um estudante que militava no movimento secundarista do Rio de Janeiro. Fui para a rua no final daquela tarde logo que ouvi os primeiros rumores do golpe e só voltei para casa na noite de primeiro de abril, chorando, debaixo da chuva fina e do papel picado que caía dos prédios festejando a “revolução redentora”, depois de ter estado na porta de sindicatos, chamando trabalhadores para a resistência, de participar da ocupação da Faculdade de Filosofia, de levantar barricada na UNE, na Praia do Flamengo, e de protestar na Cinelândia, em frente ao Clube Militar, fugindo de lá debaixo de tiros. Desde aquele dia não parei um momento de lutar pela democracia. Fui preso, torturado e sofri perseguição durante anos. Com erros e acertos, derrotas e vitórias, sei que a vida não pode ser diferente para mim.

(Extraído do blog Este Mundo Possível)

Procurador Gurgel terá de depor na CPI, porque ele tem muito a explicar.

Carlos Newton

O procurador-geral da República Roberto Gurgel pensou que havia escapado de depor na CPI do Cachoeira. Sua justificativa foi uma aula de criatividade. Disse que não poderia prestar depoimento, porque isso faria com que não pudesse intervir nos processos envolvendo as quadrilhas de Cachoeira, que são múltiplas.

O presidente e o relator da CPI engoliram o argumento de Gurgel, até que a comissão realmente iniciou os trabalhos e houve o primeiro depoimento, prestado pelo delegado da Polícia Federal Raul Alexandre Marques Sousa, colocando gravíssimas dúvidas quanto à atuação do procurador.

O delegado explicou que as investigações da Operação Vegas, que apurou o esquema do contraventor entre 2008 e 2009, foram paralisadas no momento em que se depararam com parlamentares. Eles detêm foro privilegiado e, portanto, só podem ser investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Disse então ter enviado em setembro de 2009 um pedido para que Gurgel investigasse o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) e outros deputados por suspeita de envolvimento com o esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Por fim, o delegado federal explicou que quem paralisou a investigação foi a subprocuradora-geral da República Cláudia Sampaio, mulher de Gurgel, que ele designou para avaliar os elementos da investigação. Ela informou não ter encontrado indícios de envolvimento dos parlamentares para justificar que se levasse adiante as investigações.

Agora, Gurgel terá de explicar tudo isso à CPI. A comissão vai votar na  quinta-feira o requerimento de convocação do procurador-geral da República, e não há como evitar a aprovação, caso contrário a CPI estará desmoralizada.

Os parlamentares governistas têm defendido a convocação do procurador, enquanto a oposição afirma que a motivação dos governistas é política. O real interesse seria constranger e fragilizar o responsável pela acusação contra os réus do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal).

“Convocá-lo não depende do desejo de ninguém, depende da lei. Seria demiti-lo da função que exercerá ao denunciar os acusados”, afirmou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), como se nao existissem outros procuradores para tocar o processo.

O senador tucano defende a antecipação da sessão administrativa para a quarta-feira. Assim, a convocação do procurador seria decidida um dia antes dos depoimentos dos procuradores que acompanharam as operações Vegas e Monte Carlo.

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E O MENSALÃO?

Em entrevista coletiva na última quarta-feira, Gurgel disse que as críticas que recebe partem de “pessoas que estão morrendo de medo do julgamento do mensalão”. E acrescentou que essas críticas são apoiadas por pessoas que tiveram problemas com o Ministério Público ao longo da carreira, numa referência indireta ao senador Fernando Collor (PTB-AL).

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RELATOR TENTA ALIVIAR

O relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), diz considerar desnecessária a convocação do procurador-geral. E propõe que Gurgel envie as explicações por escrito.

Era só o que faltava. O procurador precisa se questionado duramente e a mulher dele também deveria ser convocada. Como explicar a leniência em relação a tão importantes denúncias. Como se dizia antigamente, o povo quer saber…

Nos últimos dias, integrantes da comissão, em sua maioria petistas, questionaram o procurador-geral por não ter investigado Demóstenes em 2009 e defenderam sua convocação pela CPI.

Gurgel acusou os críticos de agirem para intimidá-lo, numa tentativa de proteger os réus do processo do mensalão, em que ele é responsável pela acusação.

O caso pode ser julgado neste ano pelo Supremo Tribunal Federal.

Cultores da verdade ou da censura?

Carlos Chagas

Piscou a luz, na Comissão da Verdade, antes mesmo de instalada. Pode ser sinal de próxima falta de energia, quando começarem os trabalhos, a partir de quarta-feira. Pelo menos dois dos sete nomeados admitiram, em conversas e entrevistas, a realização de sessões secretas, seja para oitivas, seja para deliberações. Quer dizer, atropelada pela censura, a sociedade fica afastada da verdade que deveria conhecer. Parece que a moda pegou, vinda da CPI do Cachoeira, atualmente realizando sessões secretas que quinze minutos depois de encerradas tornam-se do conhecimento público pela inconfidência de seus integrantes.

O que se discute não é falta de informações, pois elas acabam circulando por obra e graça da natureza das coisas. Contesta-se a essência da proibição. A negação do direito universal do ser humano de saber tudo o que lhe diz respeito. Mesmo em tempos de democracia, prevalece o absurdo dos decretos secretos dos tempos do general Garrastazu Médici.

O exemplo da Comissão da Verdade, se vier a caracterizar-se, assim como o da CPI do Cachoeira, já caracterizado, exprimem momento sombrio nas instituições nacionais. Afastar a imprensa das sessões significa discriminar as investigações, por mais corretos e competentes que possam ser os sete membros do grupo.

O falecido Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, que há mais de dez anos deixou de reunir-se no ministério da Justiça, adotou a prática de só realizar sessões abertas para analisar, ouvir e investigar delitos contra a dignidade do indivíduo. Talvez por isso tenha morrido de morte morrida, simplesmente não se reunindo mais sob a presidência do ministro e, depois, do secretário dos Direitos Humanos, em seguida transformado em ministro. Será esse o fim da Comissão da Verdade? Esperança ainda existe para que todos os trabalhos possam ser acompanhados pelos meios de comunicação. Afinal, cidadãos que se destacaram na defesa dos mais humanitários princípios da civilização não podem correr o risco de aparecer como cultores da censura.

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TEMPESTADE EM COPO D’ÁGUA

Informa-se ter a presidente Dilma Rousseff ficado uma fera quando viu seu nome citado por um delegado de polícia, na CPI do Cachoeira, como uma das centenas de pessoas referidas pelo bicheiro nas gravações de suas conversas telefônicas. Não deveria. A simples citação de uma pessoa não significa estar ela envolvida nas tramas investigadas, muito menos ser chamada para depor. Fosse assim e teriam que ser convocados Nossa Senhora, Jesus Cristo e o próprio Padre Eterno, que Cachoeira citou incontáveis vezes para manifestar seu espanto ou apelar para suas graças.

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OPERAÇÃO INCONCLUSA

Merece análise mais profunda, por parte do governo, a venda da Delta Construções para uma empresa especializada em vender carne de vaca, com o suporte do BNDES. A operação, senão ilegal, parece imoral na medida em que dinheiro público será usado para salvar o instrumento de uma quadrilha empenhada em lesar o erário.

Seria por conta das centenas de obras que a Delta realiza para o PAC? O prejuízo não pode ser socializado, muito menos sabendo-se que empresários vigaristas acabarão salvando seu patrimônio e indo comemorar nos melhores restaurantes de Paris.

Cabral reajusta aposentados e vai criar fundo complementar também no RJ

Pedro do Coutto

O governador Sérgio Cabral enviou duas mensagens à Assembleia Legislativa: a primeira reajusta, a partir de janeiro deste ano, as aposentadorias e pensões em 6%, no sentido – frisou – de assegurar-se valor permanente, já que foi esta a inflação encontrada pelo IBGE para o exercício de 2011. A segunda, a exemplo da lei federal sancionada pela Presidenta Dilma, instituindo o Regime de Previdência Complementar para o funcionalismo estadual.

Porém, com uma diferença essencial em relação aos servidores do RJ. Enquanto a lei federal, conforme artigo que publiquei há dias, cria a contribuição de 8,5% para todos, no sentido de que assegurem o direito à aposentadoria integral, o governador fluminense, no parágrafo primeiro do artigo 1º do projeto, determina textualmente:  “O regime de previdência complementar terá caráter facultativo e será aplicável aos servidores que ingressarem no Serviço Público a partir da data de início do funcionamento da entidade fechada a que se refere o artigo 5º desta lei”.

Diz o art. 5º: “Fica o Poder Executivo autorizado a criar entidade fechada de previdência complementar, de natureza pública, denominada Fundação de Previdência Complementar do Estado do Rio de janeiro, com a finalidade de administrar e executar plano de benefícios de caráter previdenciário complementar (uma redundância no texto), nos termos das leis complementares federais 108 e 109, ambas de maio de 2001.” Vai se chamar RJPrev.

Os efeitos da nova lei – será aprovada pela ALERJ -, no sentido de limitar as aposentadorias ao teto do INSS, hoje no valor de 3,9 mil reais por mês, só vão vigorar daqui a 30 anos, para as funcionárias, e 35 para os funcionários, já que são estes os tempos de serviço exigidos para jubilação. Recorro a esta palavra antiga, vá lá, para não repetir demais aposentadoria. Mas esta é outra questão.
Perguntarão os leitores: um projeto a longo prazo? Sob um aspecto sim. Sob outro ângulo não. É que os que forem ingressando a partir deste ano, claro, vão optar pelo fundo complementar, a exemplo do sistema adotado pela Petrobrás, Furnas, Eletrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal. E também por empresas privadas de porte. Sem dúvida. Ninguém que ingresse hoje na administração pública vai desejar, quando de sua aposentadoria, igualdade ao teto do INSS. Baixíssimo.

Alguém, por exemplo, cujos vencimentos sejam de 7 mil mensais, pode-se aposentar com apenas 3 mil e 900? Impossível. A pessoa encontrar-se-á mais velha, necessitando de medicação permanente, além de, na maioria dos casos, atuar como força de apoio a filhos e netos. Isso é natural. Mas não fora tal perspectiva, ninguém pode ser reduzido à metade de seu salário quando assumir a aposentadoria. Vai, portanto, como é lógico, aderir ao plano de complementação.

Aí o governo começa a arrecadar uma importância extra para somente ter de retribuir daqui a 30 e 35 anos. Trata-se de uma forma de ampliar a arrecadação pública através da alteração das regras do jogo. No plano da União, nomeio da partida. Basta ler a lei publicada no DO de 2 de maio. No caso do governo Sérgio Cabral no RJ, não. As regras não retrocedem. Apenas as contribuições se antecipam ao longo do tempo no rumo do futuro. No plano federal, as contribuições se antecipam ao longo do presente e caminha para o amanhã. O funcionalismo estadual pode respirar melhor, já que temia a reprodução integral da lei sancionada pela presidenta da República no estado.

Falei em aprovação tranqüila. Sem dúvida. Sobretudo em relação ao reajuste das aposentadorias e pensões. De repente, o governador alterou seu enfoque a respeito do funcionalismo público. São 430 mil no RJ. Ainda bem. Nada melhor do que eleições para se adotar práticas de justiça social. Pelo menos os pensionistas e aposentados não vão mais perder para o IBGE.

Receita para os parceiros amotinados

Sebastião Nery

O coronel Massa, sogro de José Lins do Rego, chefe de Polícia na Paraíba, elegeu-se senador e passou muito tempo sem voltar ao Estado. Alcides Carneiro, advogado, antes de também vir para cá como deputado e ministro do Superior Tribunal Militar veio ao Rio, foi ao Senado visitá-lo:

– Senador, sou apenas um jovem advogado. Mas, se o senhor me permite, o senhor precisa dar um pouco mais de atenção ao nosso povo.

– Meu filho, esse negócio de povo ninguém entende mais do que eu. Povo só é povo quando é povo. Povo que não é povo não é povo.

E mudou de assunto.

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CORONEL MASSA

Quando o coronel Massa era chefe de Polícia, houve quebra-quebra e pancadaria em João Pessoa, por causa de um abusivo aumento de preços lá qualquer. O coronel Massa saiu de casa sozinho, atravessou toda a praça no meio da multidão enfurecida e subiu numa varanda:

– Meu povo, tenham juízo! Tanta confusão por uma bobagem? Acalmem-se que o governo vai tomar providência.

E desceu. Ia saindo, voltou, subiu novamente na varanda:

– Meu povo, agora voltem todos para suas casas e fiquem lá bem quietos, bem amotinadozinhos.

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STALINISMO

Em maio de 95, num artigo para o Estado de S. Paulo, u m dirigente do PT fez duras críticas ao deputado José Genoino, do PT, que declarara estar sofrendo “um processo stalinista” pela direção nacional, que o teria punido pelo “direito de opinião” e enquadrado sua tendência, a Democracia Radical. No artigo, ele afirmava que o colega tinha como objetivo classificar o PT como um partido sem propostas, apresentando-se ele e sua corrente como lado moderno e “light” da agremiação. Classificava Genoino como “defensor de uma postura de cooperação com o governo federal e da flexibilização dos monopólios”.

Sabem quem era esse dirigente do PT? Não era nenhum inimigo atacando Genoino, do PT, um dos melhores deputados da Câmara. Está na página 1.878 do Dicionário Histórico-Biográfico da FGV-CPDOC. Era José Dirceu, em 95, candidato à presidência do PT, malhando Genoino, acusando-o de “defensor da cooperação com o governo federal e da flexibilização dos monopólios”.

Genoino respondia que Dirceu o submetia a “um processo stalinista”, enquadrando-o e punindo-o “pelo direito de opinião”.  Eram parceiros amotinados.

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GENOINO

No governo de Lula, Genoino aliou-se a Dirceu, os dois fazendo com a senadora Heloisa Helena, a deputada gaúcha Luciana Genro, o deputado paraense Babá, os senadores Cristovam Buarque e Paulo Paim, o deputado mineiro Virgilio Guimarães, e tantos outros, o mesmo que Dirceu fazia contra Genoino em 95. Asinus asinum fricat. Eles que traduzam.

Longevidade irresponsável

Drauzio Varella

A precocidade da fase reprodutiva impôs limites mais modestos à duração da vida. Em 1900, a expectativa de vida ao nascer de um brasileiro era de míseros 33,7 anos.

Nossa espécie desceu das árvores nas savanas da África há pelo menos 5 milhões de anos. Passamos quase toda a história abrigados em cavernas, atormentados pela fome, pelas doenças infecciosas e por predadores humanos e não humanos. A mortalidade infantil era estratosférica; poucos chegavam aos 20 anos em condições razoáveis de saúde.

Milhões de anos de privações moldaram muitas de nossas características atuais. A mais importante delas foi a maturidade sexual precoce. Vivíamos tão pouco que levavam vantagem na competição as meninas que menstruavam antes e os meninos que produziam espermatozoides mais cedo. Quanto mais depressa concebiam filhos, maior a probabilidade de transmitir seus genes às gerações futuras.

A precocidade da fase reprodutiva impôs limites mais modestos à duração da vida. Em todos os animais, quanto mais tarde acontece o amadurecimento sexual, maior é a longevidade.

Nas drosófilas -a mosquinha que ronda as bananas maduras-, quando selecionamos para reprodução apenas as fêmeas e os machos mais velhos, em três ou quatro gerações a vida média da população duplica. Se nossos antepassados tivessem começado a ter filhos só depois dos 50 anos, agora passaríamos dos 120 com facilidade.

O acompanhamento de coortes de centenários confirma essa suposição: mulheres que engravidam pela primeira vez depois dos 40 anos têm quatro vezes mais chance de chegar dos 90 anos.

A segunda característica moldada nas cavernas foi nosso padrão alimentar. A arquitetura das redes de neurônios que controlam os mecanismos de fome e saciedade no cérebro humano foi engendrada em época de penúria. Em jejum há três dias, o homem daquele tempo trocaria a carne assada do porco do mato que acabou de caçar por um prato de salada?

A terceira, foi a necessidade de poupar energia. Em temporada de vacas magras, absurdo desperdiçá-la em esforços físicos desnecessários.

Somos descendentes de mulheres e homens que lutavam para conseguir alimentos altamente calóricos, porque deles dependia a sobrevivência da família. Como o acesso a eles era ocasional, nessas oportunidades comiam até não poder mais. Bem alimentados, evitavam movimentar-se para não malbaratar energia.

Durante milhões de anos, nosso cérebro privilegiou os mecanismos responsáveis pelo impulso da fome e pela economia de gasto energético, em prejuízo daqueles que estimulam a saciedade e a disposição para a atividade física.

De repente, veio o século 20, com o saneamento básico, as noções de higiene pessoal, as tecnologias de produção e conservação de alimentos, as vacinas e os antibióticos. Em apenas cem anos, a expectativa de vida no Brasil atingiu os 70 anos; mais do que o dobro em relação à de 1900, feito que nunca mais será repetido.

A continuarmos nesse passo, em 2030 atingiremos a expectativa de 78 anos. A faixa etária que mais cresce é a que está com mais de 60 anos. Sabendo que atualmente 75% dessa população sofre de enfermidades crônicas, a saúde pública estará preparada enfrentar esse desafio?

Pelo andar da carruagem, é quase certo que não. Mas não é esse o tema que pretendo tratar: quero chamar a atenção para a nossa irresponsabilidade ao lidar com o corpo.

Aos 40 anos, você pesa dez quilos mais do que aos 20. Aos 60, já acumulou mais uma arroba de gordura, não resiste aos doces nem aos salgadinhos, fuma, bebe um engradado de cerveja de cada vez, é viciado em refrigerante, só sai da mesa quando está prestes a explodir e ainda se dá ao luxo de passar o dia no conforto.

Quando se trata do corpo, você se comporta como criança mimada: faz questão absoluta de viver muito, enquanto age como se ele fosse um escravo forçado a suportar desaforos diários e a aturar todos os seus caprichos, calado, sem receber nada em troca.

Aí, quando vêm a hipertensão, o diabetes, a artrite, o derrame cerebral ou o ataque cardíaco, maldiz a própria sorte, atribui a culpa à vontade de Deus e reclama do sistema de saúde que não fez por você tudo o que deveria.

Desculpe a curiosidade: e você, pobre injustiçado, não tem responsabilidade nenhuma?

(Transcrito da Folha)

Até que enfim quebraram os sigilos de Cachoeira e da Delta, mas ainda falta Cavendish.

Carlos Newton

A Justiça do Distrito Federal decretou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do bicheiro Carlinhos Cachoeira, da Delta Construções e de sete pessoas denunciadas na Operação Saint-Michel pelos crimes de formação de quadrilha e tráfico de influência para tentar conseguir o contrato de bilhetagem eletrônica do transporte público coletivo do governo de Agnelo Queiroz (PT).

Entre os atingidos com a medida estão todos os acusados na ação penal proposta nesta semana pelo Núcleo de Combate às Organizações Criminosas do Ministério Público do DF, entre os quais o ex-diretor da Delta Cláudio Abreu, que cumpre prisão preventiva no Complexo Penitenciário da Papuda, e o executivo da empresa em São Paulo Heraldo Puccini Neto, foragido desde 25 de abril. O dono da Delta, Fernando Cavendish, porém, ficou de fora.

Reportagem de Ana Maria Campos, no Correio Braziliense, mostra que os dados das contas correntes e declarações de Imposto de Renda dos investigados vão abranger o período de janeiro de 2009 até os dias atuais. A Delta Construções terá de encaminhar informações sobre a movimentação das contas bancárias da empresa em todo o país.

A Operação Saint-Michel, um desdobramento da Operação Monte Carlo, obteve ainda a decisão judicial de sequestro e bloqueio dos bens de Cachoeira e de todas as pessoas físicas investigadas. Significa que o patrimônio declarado em nome dos integrantes do suposto esquema está indisponível enquanto a decisão estiver em vigor.

A medida é uma forma de garantir ressarcimento de eventual prejuízo provocado aos cofres públicos pelo esquema criminoso e o pagamento da multa estipulada pela Justiça em caso de condenação, se é que vocês acreditam que isso vai mesmo acontecer…

Assaltos a carros-fortes voltam a desafiar a segurança pública

Milton Corrêa da Costa

Enquanto em São Paulo e em outros estados os assaltantes roubam caixas-eletrônicos mediante explosão (em cinco minutos um caixa pode ser explodido e roubado) ou ainda através do antigo maçarico (o tempo da ação delituosa é maior), no Rio de Janeiro a ação violenta em assaltos a agências bancárias ou a carros-fortes volta a desafiar os setores de segurança.

Terça-feira, três bandidos tentaram assaltar um carro-forte que fazia o desembarque de dinheiro numa agência da Caixa Econômica. O fato, que envolveu intenso tiroteio, assustando transeuntes, se deu no bairro da Pavuna, na Zona Norte do Rio. É o segundo caso em uma semana no Rio. Na violenta ação, um sargento da Polícia Militar e um vigilante acabaram morrendo. Um dos suspeitos também morreu após ser preso com uma pistola. Um dos assaltantes fingiu se render, mas repentinamente reagiu, sacando uma pistola ferindo mortalmente, com tiro no peito e na cabeça, o sargento Marcelo Afonso de Oliveira, levando consigo o fuzil do policial.

Na quarta-feira da semana passada, uma troca de tiros entre criminosos e seguranças de um carro-forte assustou quem passava pela Avenida Ernani Cardoso, em Cascadura, na Zona Norte do Rio. Bandidos tentaram assaltar o carro-forte, mas houve revide dos seguranças. O veículo de transporte de dinheiro ficou avariado. Segundo a PM, o bando fugiu sem nada levar. Ninguém se feriu.

Na noite de 16 de abril, oito criminosos fortemente armados e com toucas ninja, assaltaram uma agência bancária, no bairro de Jardim América, também na Zona Norte. Os criminosos levaram R$ 275 mil. Invadiram a agência e usaram uma marreta para quebrar o vidro da entrada do banco, renderam os seguranças e o gerente, que ainda estava no local.

Tais relatos demonstram que a ação violenta de bandidos não dá tréguas no Rio de Janeiro, onde bandidos passam a ficar mais audaciosos e não se intimidam.Para a polícia, a falta de investimento em alguns detalhes do setor bancário, por exemplo, acaba facilitando a ação dos assaltantes. Algumas agências ainda relutam em instalar câmeras de segurança com circuito interno de TV, o que dificulta a investigação policial. A porta giratória também é um investimento que inibe assaltantes. Mas nem todas as agências contam com esse item de segurança, e isso facilita a ação dos bandidos. Sistema de danificação de notas, nos assaltos a caixas eletrônicos (as cédulas saem manchadas de tintas ou se incendeiam) é outro investimento de que não se pode mais abrir mão para desencorajar assaltantes.

Poucas agências dispõem também de garagens internas para estacionamento de carros-fortes e transporte mais seguro dos malotes, sendo facilitada a ação do banditismo ao estacionarem em via pública.

Cuidado e atenção dos agentes, nos momentos cruciais de desembarque e entrega ou no recolhimento de malotes, nem sempre são observados. Qualquer desatenção pode ser fatal. A prevenção continua sendo o melhor remédio nesse caso. É preciso saber inclusive como andam, nas empresas de segurança, o treinamento e a reciclagem de seus agentes e se há fiscalização pelo órgão competente.

Portanto, é preciso investir, cada vez mais, no trabalho e estrutura necessária para investigação de quadrilhas de assaltantes, geralmente ligadas ao tráfico de drogas. A inteligência policial e ação proativa da polícia repressiva, na busca de bandidos em seus esconderijos em morros e favelas, é ação preventiva indispensável para inibir a violência no nascedouro do crime.

Deus e o Universo, na visão da astrofísica

Paulo Solon

Tenho certa dificuldade em concordar com dogmas, inclusive o de que a Biblia judaica e cristã é a palavra de Deus. Seus registros e palavras são de segunda mão. O mesmo pode ser dito em relação ao hadith do islamismo. Dizem as escrituras, lá na paisagem ensanguentada do Velho Testamento, que Deus criou o mundo em 6 dias e que descansou no sétimo. E condenou humanos a serem sobre-humanos, sob pena de morte e tortura.

O problema é que as escrituras foram escritas por homens profundamente ignorantes.

O mundo está sendo criado. Nós desapareceremos e continuará a ser criado, sem essa de sete dias. O rádio telescópio espacial Hubble, orbitando 370 milhas (apenas 600 km) sobre a Terra, mostrou aos humanos um dos maiores shows que o universo já encenou, ou seja, galáxias não estão estáticas, mas se movem, colidem umas com as outras, mudam de forma, se canibalizam mutuamente, num verdadeiro inferno cósmico, o que é uma profunda revolução no pensamento e no conhecimento humano.

Foi isso que as conclusões dos exames das fotos da radio-sonda Hubble mostraram em 1997 no Cornegie Observatoires em Pasadena, Calif. Corpos celestes que se locomovem em verdadeiros times ou esquadrões de 60, 70 bilhões de estrelas, gás e poeira que fervilham no universo como bóias de luz em um mar escuro. Galáxias não são as estruturas estáticas que se pensava que fossem. Ovos de estrelas que estão sendo chocados no Cosmo subitamente dão origem a uma super-nova. Criação em progresso.

Poderíamos dizer que o que se pensa ser uma orgia cósmica, corporificada pela colisão das galáxias, nada mais é que uma cópula cósmica que dá origem a novas estrelas, quando a natureza não aborta.

E a Hubble não só fotografou o cometa Shoemaker-Levy mergulhando e explodindo em Júpiter em 1994, como também muito mais longe, bem mais longe, um outro acontecimento cósmico, uma chamada singularidade cósmica, o buraco negro bem no centro da galáxia M87, a nossa galáxia vizinha. E lentes de contato colocadas na Hubble por dois astronautas fizeram-na “enxergar” ainda mais distante, o que parece uma ficção científica: gigantescos buracos-negros que engolem tudo o que se aproxima, desde estrelas a planetas e toda matéria cósmica.

O Universo continua sendo criado. Ele está até ficando maior do que Edwin Hubble imaginava, e as galáxias mais separadas. Existem, no entanto, galáxias tão perto umas das outras que podem caminhar juntas, ou simplesmente colidir. A nossa própria Via Láctea corre esse risco de colisão com uma galáxia anã chamada Sagitárius. Mas isto daqui a 200 milhões de anos.

Não existe espaço vazio no Universo, conforme a descoberta do astrônomo Hubble. Não há um extra-espaço. Sabe-se agora que nenhuma lei da física funciona além do buraco-negro. Especula-se, no entanto, que um buraco-negro é um objeto com a massa de 3 bilhões a 5 bilhões de sóis. E produz quasares, que são trilhões de sóis comprimidos.

É por isso que não consigo me interessar por Moisés e seu minúsculo e ridículo arbusto em chamas. Depois que dediquei algum esforço para estudar as impressionantes fotografias do telescópio Hubble, dei de cara com coisas muito mais espantosas, misteriosas e belas, caóticas, esmagadoras e trágicas do que qualquer historieta da criação ou do Apocalipse.

As religiões são criações de um passado de ignorância. Suas alegações metafísicas são inteiramente falsas. Conforme declaram Richard Dawkins e Christopher Hithens, a religião envenena tudo, inclusive nossa capacidade de discernimento.

Divulgada a primeira quadrilha do caso Cachoeira. Mas há muitas outras a serem denunciadas.

Carlos Newton

No Correio Braziliense, reportagem de Ana Maria Campos revela que Carlinhos Cachoeira, o ex-diretor da Delta Construções Cláudio Dias Abreu e o diretor da construtora Heraldo Puccini Neto foram denunciados pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios por formação de quadrilha e tráfico de influência no esquema montado com a finalidade de fraudar o processo de licitação para bilhetagem eletrônica do sistema de transporte público na capital do país. Um negócio avaliado em R$ 60 milhões.

Na ação penal, que tramita na 5ª Vara Criminal de Brasília, os promotores de Justiça do Núcleo de Combate às Organizações Criminosas se basearam em escutas da Operação Monte Carlo e em documentos apreendidos no desdobramento da investigação federal contra Cachoeira, a Operação Saint-Michel, realizada há 15 dias no DF, em Goiânia, em Anápolis e em São Paulo.

A repórter relata que Cláudio Abreu, ex-diretor da Delta no Centro-Oeste, é um dos denunciados no esquema e foi preso no dia da Operação Saint-Michel. E a denúncia inclui o contador da organização liderada por Cachoeira, Giovani Pereira da Silva, que está foragido da Justiça desde 29 de fevereiro; o braço direito do contraventor, Gleyb Ferreira da Cunha; o vereador de Anápolis (GO) Wesley Clayton da Silva (PMDB); e dois supostos lobistas Dagmar Alves Duarte e Valdir dos Reis.

Todos teriam se unido e tramado uma estratégia para deixar nas mãos da Delta Construções o controle da receita de todo o sistema de transporte coletivo do DF. O Ministério Público ainda apura a extensão do tráfico de influência. A fraude não ocorreu, mas a ingerência no processo é crime previsto no artigo 332 do Código Penal.

Quanto ao dono da Delta, empreiteiro Fernando Cavendish, ex-concunhado do governador Sergio Cabral, não foi denunciado e continua livre, leve e solto, além de bilionário, é claro.

Para a Professora Sandra Cavalcanti, com carinho.

Carlos Frederico Alverga

Meu nome é Carlos Frederico em homenagem ao seu mentor. Sugestão infeliz do meu avô, lacerdista empedernido. Se dependesse de mim, meu nome seria Leonel. Em relação a sua coluna no Estadão de 14/4/2009 tenho algumas observações a fazer. Tenho 40 anos, portanto não faço parte da atual geração a que a senhora se refere, certamente integrada por jovens impúberes que não conhecem a história pátria. Eu, ao contrário, a conheço em profundidade.

Sei muito bem que a quartelada de 1º de abril de 64 foi um sórdido golpe militar com a finalidade de depor um presidente constitucional que teve seus poderes esbulhados em agosto de 61, e que os recuperou legitimamente pelo voto do povo no plebiscito de 6/1/1963, derrotando fragorosamente o parlamentarismo ilegítimo imposto ao país depois da renúncia do presidente que o seu guru político, o “corvo” imortalizado pela caricatura de Lan, Carlos Frederico Werneck de Lacerda, ajudou a eleger em 1960 (“Jânio foi a UDN de porre”, dizia Afonso Arinos de Melo Franco). Engraçado, o político de Vassouras ajudou a eleger o candidato da “vassoura”.

Sei também que seu líder foi um golpista desavergonhado e descarado em 50,55, 64 e a vida inteira. Elegeu-se governador da Guanabara em 60, derrotando Sérgio Magalhães por míseros 25.000 votos, só ganhando devido à existência da candidatura de Tenório Cavalcanti, que dividiu o eleitorado pobre. Por coerência, não deveria ter assumido o cargo, tendo em vista que não obteve a maioria absoluta que tanto propalava.

Depois, só acumulou derrotas na Guanabara, como a eleição de Elói Dutra, do PTB, para o cargo de vice-governador da Guanabara, a espetacular vitória de Brizola para deputado federal pela Guanabara em outubro de 62, e a mais saborosa das derrotas do lacerdismo, a de 65 para Negrão de Lima, seu odiado inimigo.

Amaral Peixoto recorda que o “corvo” mandou arrancar até os aparelhos telefônicos do Palácio Guanabara antes da posse de Negrão. Isto sem falar na censura à imprensa na Guanabara, quando da crise da legalidade em agosto de 61, os sempre renovados apelos para que a Aeronáutica destituísse pela força JK e Jango, presidentes eleitos legitimamente pelo eleitorado, o apoio dado aos levantes fascistas de Jacareacanga e Aragarças etc.

Era um adepto da ditadura, desde que ele fosse o Presidente, o chefe e estivesse sempre no comando e no poder. Não sabia conviver com a oposição. Entretanto, apelou aos antigos adversários para que compusessem a frente ampla, que nada mais era do que uma tentativa de Lacerda chegar ao poder manipulando politicamente setores que lhe eram hostis.

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UMA ARMADILHA

JK e Jango caíram na armadilha lacerdista, mas Brizola não. Se Brizola, como governador do RS, conseguiu evitar o golpe em 61, dividindo, pela primeira e única vez, o Exército Brasileiro, ficando no Palácio Piratini com sua família, mesmo depois de saber que o General Orlando Geisel, chefe de gabinete do então Ministro da Guerra Odílio Denys, havia ordenado o bombardeio da sede do Governo gaúcho pelos aviões da FAB, evidentemente teria evitado a quartelada caso ocupasse algum Ministério do governo Jango, o qual renunciou, apesar dos apelos de Brizola para que resistisse.

A coragem pessoal de Brizola, e sua disposição individual para o próprio sacrifício, eram insanas, como provam os acontecimentos do final de agosto de 61. Só mesmo uma coragem de louco para fazer o que ele fez na campanha da legalidade.

A maior prova de que Goulart não tinha intenções continuístas foi o fracasso do dispositivo militar do General Assis Brasil. O Presidente poderia ter reagido, mas não o fez por não dispor de um esquema militar que lhe proporcionasse o contragolpe. O impedimento legal para a candidatura de Brizola em 65 não implica que ele estivesse preparando um golpe.

O que ele pretendeu com a organização dos grupos de onze foi exatamente ter alguma estrutura para reagir ao golpe iminente que a direita estava preparando e que efetivamente concretizou. Seu mestre sempre pretendeu ocupar o poder ilegitimamente, seja forçando o suicídio de Vargas em 54, seja tentando impedir a posse de JK eleito, com o absurdo argumento da maioria absoluta, seja apoiando o golpe de 64 e proclamando aquelas ridículas ameaças ao Almirante Aragão.

O propósito dele sempre foi o de empalmar a Presidência da República fosse de que modo fosse, passando por cima de tudo que se colocasse no seu caminho. Com esse intuito, apoiou Castelo Branco no início. Depois, quando da prorrogação do mandato deste último, percebendo que seria evitada a sua chegada ao poder, passou a fazer oposição à política econômica de Roberto Campos.

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LACERDA CASSADO

Chegou a chamar Castelo Branco de “anjo da Rua Conde de Lage”. Pergunto: A senhora teve coragem de continuar na presidência do BNH depois dessa? Mas o feitiço virou contra o feiticeiro e Lacerda provou do próprio veneno ao ser cassado e preso após o AI-5. Depois encenou aquela hilariante greve de fome, que causou o seguinte comentário do seu meio irmão, Maurício Caminha de Lacerda: “Carlos, você está encenando Shakespeare na terra da Dercy Gonçalves”. Bem feito também para JK, que apoiou o golpe crente que ia disputar a eleição de 65, e acabou cassado já em 8/6/64.

A senhora se refere ao Governo Lula, legitimamente eleito em duas eleições presidenciais consecutivas pelo voto do povo, como se ele fosse um dos governos espúrios e totalitários como os que a senhora apoiou depois da quartelada. “Eu até vou votar no Serra, mas reconheço que o Governo Lula está desenvolvendo uma administração satisfatória, do que são prova a obtenção de reservas cambiais de US$ 200 bilhões, a redução da relação dívida pública/PIB para menos de 40% da renda nacional, a melhora na distribuição de renda no país, basicamente devido aos programas federais de transferência de renda etc”. Não confunda governos democráticos com os dos generais que a senhora adulava.

E, para terminar, lhe digo que as escolas de tempo integral, os CIEPs, eram muito melhores do que as escolas de três turnos do empresário da educação Flecha “Andrews” Ribeiro.

Como dizia Rubem Braga, a poesia é necessária

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MEUS AMIGOS SÃO ASSIM…

Fernando Pessoa

Meus amigos são todos assim:
metade loucura, outra metade santidade.
Escolho-os não pela pele, mas pela pupila,
que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.
Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade
sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos, nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice.
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto,
e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou,
pois vendo-os loucos e santos,
bobos e sérios, crianças e velhos,
nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril.”