Dois suplentes no Senado, em debate bastante grosseiro

João Pedro (do PT do Amazonas, há 3 anos exercendo um mandato que não conquistou), tentava fingir que defendia José Dirceu. Foi contestado por ACM Júnior (que também exerce um cargo para o qual não foi eleito, mas ocupa desde que o pai RENUNCIOU para não ser cassado, e recuperou, com ele na garupa).

Nada surpreendente, o fato de não terem votos, nem da baixaria, da gritaria e da hipocrisia. O espantoso é que os dois gritavam se insultando: “Sou SENADOR DA REPÚBLICA”. Que República.

Deputado distrital renuncia

Foi Brunelli Junior, o que fez a “oração”, (calúnia e difamação) por ter recebido a propina do mensalão. Nenhuma surpresa, sabendo-se que ele é do PSC. “Partido” controlado pelo lobista Eduardo Cunha e o ex-Anthony Mateus. E no qual caberiam perfeitamente Cabral e Picciani, basta verificar as acusações contra os dois.

Memórias diplomáticas

Dizem que o chanceler que vai completar 8 anos no cargo, e só é conhecido no exterior, vai escrever um livro, contando coisas que só ele sabe. Para os que não sabem quem é, seu nome, Celso Amorim. Deve começar as revelações pela Embrafilme, presidida por ele, um dos grandes escândalos dos anos 80.

Durante quase 1 ano contei tudo que se passava por lá, não puderam responder uma linha sequer, era tudo documentado. Incluindo o seu apelido de “quitandeiro”, nem desapreço nem desprezo pela classe. Era “a cara” do Amorim.

1980 revive neste 2010, 30 anos se passaram, nenhuma novidade, programa, compromisso

Em plena campanha eleitoral que ainda não começou, todos são candidatos de convenções que não existiram, mas se recusam a definir qualquer coisa. Numa análise isenta e profissional, é realidade irrefutável. Mas pode ser também um acúmulo de contradições, que se revelam e se identificam a cada momento.

Decodificando cada palavra dessas 23 que formam a frase e constatam o momento insensato em que vivem os partidos, vamos encontrando crateras e mais crateras, que não podem ser preenchidas de forma alguma.

Ou lembrando Tancredo Neves, (que faria 100 anos amanhã, comemorados ontem) que me disse, quando fez a saudação pelo fato de eu estar entrando no seu partido, o PP, já como candidato a senador: “Helio, quero você no meu partido, por causa de duas coisas que se completam: é o maior oposicionista que já conheci, e ao mesmo tempo participou de duas campanhas eleitorais, de JK e Jânio. Por isso conhece o Brasil todo, seus grotões e igarapés”.

Esse PP tinha Magalhães Pinto como presidente de honra, Tancredo como presidente de fato, e Thales Ramalho, secretário geral. Mas era voz corrente que o partido não era de oposição, se “equilibrava entre o ser e o não ser”.

Isso foi em 1980, quando acabavam a Arena e o MDB, (pelo qual fui cassado em 1966 como candidato a deputado federal, possivelmente o mais votado) e surgia o pluripartidarismo ainda dominado pelo Planalto-Alvorada da ditadura agonizante.

Então, quando Tancredo, com aquela voz retumbante, afirmou, “agora quero ver quem é que vai dizer que não somos oposição, se temos o jornalista mais oposicionista”, não pude deixar de meditar e refletir: “Então era para isso que insistiram em que entrasse para o partido”.

Eu era amigo de Tancredo, nenhum disparate ou contradição me filiar ao PP. Durante anos, antes e depois da candidatura, pertenci a um partido que tinha um único “governador”, Chagas Freitas. E o seu “homem forte e porta-voz”, Miro Teixeira, que ficava na ante-sala, de avental branco, faturando as decisões que Chagas ainda nem assinara.

Tancredo era candidatíssimo a presidente da República, mas como os que têm o mesmo objetivo hoje, nem podia se declarar. Lógico que as razões eram diferentes. Nos bastidores, o que se dizia e todos entendiam: “Se a eleição for DIRETA, o candidato será o doutor Ulysses. INDIRETA, Tancredo Neves”.

Na Câmara a tremenda batalha das “Diretas ”. Ulysses e Tancredo, com pleno conhecimento da opção que se formara naturalmente, lutaram bravamente pela aprovação da EMENDA Dante de Oliveira. Não esmoreceram um momento, suas posições pessoais só depois se lançariam e se revelariam.

O PT de hoje, já surgia ou surgiria em 1985, sua primeira eleição presidencial e a última sem Luis Inácio da Silva, (muito mais tarde é que incorporaria o LULA, completando o nome que é marca registrada hoje).

A eleição ficou sendo indireta, os candidatos, Tancredo Neves e Paulo Maluf. Em quem votar, qual a dúvida? Essa ficou com o PT, que tinha uma certeza, que se transformou em imposição: “Não podem votar em Tancredo, o PT fechou questão contra ele”. E foram expulsos os parlamentares que votaram em Tancredo.

(Até hoje lembro de Airton Soares, líder dos 8 deputados do PT, expulso por ter votado em Tancredo Neves. Ontem, deputados e senadores do PT, se arrojaram diante da história do presidente que não se empossou, choraram emocionados. Dizem que o passado volta sempre).

2010 revive 1980 e por extensão, 1985. E iremos assim até 3 de abril, quando haverá a primeira parada para reabastecimento, apesar de alguns ficarem para sempre no estacionamento. Faltam 30 dias, nada desesperador.

Por favor, examinem as 23 palavras da frase inicial destas lembranças, constatem o que querem dizer, decidam se pode haver alguma novidade antes do 3 de abril. Esse 3 de abril de agora, se parece em corpo inteiro com o 6 de janeiro de 1963.

***

PS – Estas lembranças trazendo 1980 para bem perto de 2010, representam uma forma de lembrar o grande, ou melhor, o maior articulador político que já conheci. Em 1954, ficou com Vargas até à morte, arriscando a própria carreira política. Tinha então 44 anos, ministro da Justiça.

PS2 – Em 1960, o trauma de uma vida, que o acompanhou por muitos anos. Franco favorito como candidato a governador de Minas, perdeu para Magalhães Pinto, por causa da deserção de José Maria Alckmin. Que apesar de ser do seu PSD, deu a vitória ao candidato da UDN.

PS3 – Em 1961, tendo chegado aos 50 anos, mais uma vez se arriscava apesar de perto do Poder. Os militares não admitiam a posse de Jango. Mas depois da resistência vitoriosa de Brizola, aceitaram o “Parlamentarismo com Tancredo”. Brizola não queria, Jango decidiu: “Aceitamos, doutor Tancredo é nosso amigo, depois resolveremos”.

PS4 – Em 6 de janeiro de 1963, o Parlamentarismo era derrotado, num plebiscito financiado por banqueiros,seguradoras e multinacionais (como se chamavam na época). Jango teria que pagar em duas parcelas. A primeira: demitir Tancredo Neves, nenhum problema. A segunda, inacreditável, que acabou derrubando Jango: nomear Roberto Campos embaixador nos Estados Unidos. Como é que Jango cumpriu essa exigência? Campos lá, Lincoln Gordon aqui.

Eleições e Copa do Mundo

Carlos Chagas

Política e futebol costumam andar juntos, especialmente depois que o Congresso reduziu os mandatos presidenciais para quatro anos, fazendo sem querer a coincidência entre as Copas do Mundo e as eleições. Antes disso, porém, já se estabeleciam paralelos.

O primeiro presidente da República campeão do mundo foi Juscelino Kubitschek, em 1958. Será sempre bom não esquecer que João Goulart também foi, em 1962. Dos generais-presidentes, só Garrastazu Médici conseguiu  comemorar a vitória, em 1970. Depois, Itamar Franco, em 1994, para chegarmos ao penta em  2002, com Fernando Henrique.

Derrotados  aparecem Washington Luís, na primeira Copa, em 1930,   Getúlio Vargas, em  1934 e 1938, Eurico Dutra,  em 1950, outra vez Getúlio Vargas em 1954, mais tarde Castelo Branco, em 1966, Ernesto Geisel,  em 1974 e 1978, João Figueiredo, em 1982, José Sarney, em 1986, Fernando Collor, em 1990, Fernando Henrique, em 1998,   e Luiz Inácio da Silva, em 2006.

Não há como vincular a conquista da taça com a popularidade dos presidentes, porque o mais popular deles, Getúlio Vargas, perdeu três vezes a Copa,  ainda que Juscelino Kubistchek, festejado pela população, tenha vencido. Mas como explicar a sorte de  Garrastazu Médici, aquele da repressão e da censura, ou de Fernando Henrique, das privatizações? É verdade que Itamar Franco, deixando o poder com 70% de popularidade, também ganhou.

Todo esse preâmbulo se faz às vésperas de mais uma Copa do Mundo,  como sugestão para o PT preparar-se para o melhor e para o pior.  Uma  forma de   poupar o  Lula, popularíssimo, de uma eventual derrota do selecionado brasileiro na África do Sul. Realmente, não há vínculo entre a performance dos  nossos craques e a  dos presidentes da República. Ou em 2006, com o Lula no palácio do Planalto, também não perdemos?

O campeonato que o primeiro-companheiro precisa vencer é outro, o das eleições para sua sucessão. A esse respeito, depois da República Velha, exceção dos militares que não disputavam o voto popular, todos quebraram a cara,  menos Itamar Franco, que elegeu Fernando Henrique.   Em suma, o Lula poderá vencer a Copa do Mundo e perder a sucessão  com Dilma Rousseff. Ou vice-versa.  Ainda que também possa ganhar as duas. Ou ser derrotado em ambas.

Não há verdades absolutas

Em política costuma ser bobagem acreditar em verdades absolutas. Uma delas, a  de que José Serra, se optar por permanecer em São Paulo, já estará reeleito. É o que espalham  seus adversários e até alguns correligionários. Aqueles justificam o raciocínio para livrar-se  da candidatura do governador a presidente da República. Estes, para garantir-se no poder, mesmo menor.

Pois não é nada disso. Supondo-se que Serra não dispute a sucessão presidencial, hipótese aliás quase impossível,  que efeito esse gesto  despertaria  no eleitorado?  De repúdio, sem dúvida. De frustração diante de um recuo inexplicável. O  paulista detesta fugas. Por isso Jânio Quadros foi derrotado para governador, depois de haver renunciado à presidência da República.

Caso o improvável aconteça, José Serra precisará cuidar-se, pois o risco é de ficar sem nada. Além de deixar o Tucanato em desespero, porque Aécio Neves, se ainda pode aceitar a vice-presidência na chapa do colega paulista, sabe muito  bem que para a presidência, não dá. Os mineiros o pegariam na palavra. Ou não anunciou a desistência, faz pouco?

O PMDB em cima do muro

A recente pesquisa da Datafolha estimulou os partidários de Dilma Rousseff e até entusiasmou a maioria do PMDB que apóia o presidente Lula.  Mesmo assim, o partido mantém-se na encolha. Antes da definição do companheiro de chapa da candidata, nenhuma posição oficial será anunciada. Se as coisas permanecerem inconclusas, só na convenção de junho haverá a decisão. E subordinada à indicação do vice-presidente.  O presidente Lula ainda negaceia a escolha de Michel Temer. Dilma Rousseff não deu uma palavra, até agora. São sinais de que ainda esperam outra solução. Pois enquanto mantiverem essa postura, certamente calcada no crescimento dos percentuais da ministra, receberão do PMDB o que parece uma vassalagem restrita. Afinal, o partido tem outras opções.

Sobre o atraso do PAC

As causas podem ser variadas, desde as chuvas até a paralisação de certos projetos por iniciativa dos tribunais de contas, do ministério público, do Ibama e sucedâneos.   A verdade, porém, é que as obras do PAC não seguem cronogramas e promessas antes  entusiasticamente feitas  pelo presidente Lula e pela ministra Dilma. Resta saber se a oposição aproveitará esse retardo ou se está convencida de que não adianta, pois a propaganda oficial vem atropelando a realidade.  Nem bissextamente se ouvem discursos, denúncias e protestos das bancadas do PSDB e do DEM a respeito dos atrasos. O que poderia constituir-se num contraponto razoável nessas preliminares da sucessão presidencial vem sendo desconsiderado pelos adversários do governo. Por que?

Tancredo nasceu no dia 5, foi homenageado no dia 3

Hoje, numa sessão conjunta, o Congresso realizou sessão pelos 100 anos do presidente eleito e não empossado, Tancredo Neves. Muito justo, mas o que os deputados e senadores exaltavam era o próprio descanso.

No dia 5 de março de 1985, Tancredo fazia 75 anos, tomaria posse com essa idade. Só que agora, a data dos 100 anos cai numa sexta-feira, quem iria comparecer, mesmo numa homenagem inesquecível?

Então, anteciparam a data, são os adeptos do papa Gregório XIII, fazem no dia 3 a festa para quem nasceu no dia 5, há 100 anos. Tanto tempo decorrido, os parlamentares não ligam para 2 dias. Ou estavam apressados para lembrar de Tancredo.

Suplicy, precisando do
Aurélio e do Houaiss

Juntos e com urgência. “Exaltando” os 100 anos de Tancredo, começou: “Admiro nele, o homem e o ser humano”. Ué, o que eu pensei que fosse equivoco ou erro gramatical, acaba sendo uma pergunta: “O senador seria um darwiniano não revelado?”

O Brasil perde um grande homem

Vicente Limongi Netto:
”Morreu uma das figuras mais maravilhosas e marcantes que Deus colocou neste mundo: o professor, cientista, físico, matemático, intelectual, militar, José Carlos de Almeida Azevedo, poderoso e competente ex-reitor da Universidade de Brasília. Instituição que valorizou, respeitou, dignificou e amou com eficiência e rigoroso zelo público. Conviver com Azevedo era uma constante alegria para o espírito. Um sentimento de desprendimento e esperança para o coração. Morre aos 78 anos, deixando um legado de fé, de consciência, de credibilidade e, sobretudo, de inteligência, integridade e cultura. Sua vocação era o ensino.Sua convicção, viver como homem de bem, ensinando aos moços lições de decência e caráter. Traços que o separam eternamente da mediocridade, como definiu Helio Fernandes”.

Comentário de Helio Fernandes:
Estive poucas vezes com ele, quase não vou a Brasília. Mas nessas vezes pude sentir o homem competente, culto, generoso, desprendido, um verdadeiro Reitor.

Quem fazia os maiores elogios a ele, foi um grande amigo, jornalista, professor e depois senador, Pompeu de Souza. Este, com quem trabalhei quando fui diretor da redação do inovador Diário Carioca, era um admirador total do professor José Carlos Azevedo. E ter a admiração de Pompeu, quase a mesma de ter a admiração geral de alunos e professores da UnB.

Além de tudo, nesse tsunami de corrupção que faz Brasília naufragar há 54 anos, ele se mantinha inatingível, não havia nada que o atingisse. Você fez bem em ressaltá-lo.

Ministros e advogados concordam: Arruda deve ficar preso. Ele aceita.

Disse aqui: o julgamento da prisão preventiva do governador licenciado, será quinta-feira, “se não houver adiamento ou pedido de vista”. Houve adiamento, mas para surpresa geral, a pedido dos advogados de defesa.

Uma explicação para uso público, a outra reservada. 1 – Os advogados alegaram que “não conhecem o processo”. Quer dizer: Arruda está preso há mais de 15 dias e os advogados não leram nada? 2 – Na verdade, está em andamento uma negociação política, jurídica, administrativa. Arruda seria solto, passaria de LICENCIADO a RENUNCIANTE. E o próprio relator, ministro Marco Aurélio, já disse que pode rever (leia-se mudar) seu voto. Nada surpreendente, o primeiro voto foi preliminar, agora, definitivo.

Aí, resolveriam o problema político e jurídico. O administrativo abriria caminho para a intervenção, tão do agrado do Planalto-Alvorada, mas difícil de concretizar, por causa da falta de nomes isentos, e não contaminados.

***

PS – De qualquer maneira, o que eu disse em relação ao julgamento de Arruda na quarta-feira passada, vale para hoje. Com o complemento importantíssimo: o habeas-corpus a respeito da prisão preventiva de Arruda, não está na pauta.

PS2 – O que deixa bem claro um fato surpreendente, mas que já havíamos revelado. O procurador geral, os ministros do Supremo, os advogados de Arruda, todos de acordo em manter na prisão, o governador licenciado.

PS3 – E a constatação de que “há mais coisas entre o céu e a terra” (simplificado): a concordância de Arruda em permanecer preso, enquanto travam a guerra fria. Que vale a sua liberdade, ou melhor: a manutenção de SEUS DIREITOS POLÍTICOS.

A Academia se exalta, mas não exalta candidatos

Desde que escrevi sobre o preenchimento da vaga de José Mindlin, aconteceu o que eu revelei: ainda surgirão muitos candidatos. E apareceram. Só ontem e hoje, os acadêmicos receberam vários telegramas. Vejamos alguns, com os respectivos comentários, pois a Academia (e lógico, os acadêmicos) é impiedosa.

Ministro Eros Grau (que é chamado de “Zeros” Grau) apresenta como título, o fato de ter sido assessor do próprio José Mindlin, quando este foi secretário de Cultura em São Paulo. É pouco.

Marco Luchesi, mandou o telegrama mais desastrado, numa linha só: “DESEJO manifestar o meu DESEJO de me candidatar”. Como coloca entre as credenciais, o fato de falar 15 idiomas, veio o comentário geral e natural: “Entre os 15 idiomas, não está o português”. Nenhuma chance.

Geraldo Holanda Cavalcanti, embaixador, mandou telegrama diplomático. Conta com apoio dos três embaixadores da “casa”, mais dois pernambucanos e 1 ou 2 outros. Por enquanto, fica nos 6 ou 7, tem que crescer mais.

Muniz Sodré mandou telegrama simples, é respeitado, o que falta é voto. Foi discreto na comunicação, Ainda não está completo o quadro, pois na verdade as inscrições começam amanhã, dia 4 de março, e se encerram 30 dias depois, 4 de abril. Como a eleição é marcada para 90 dias depois do fim das inscrições, se realizará no dia 4 de julho.

Terminando com nomes, duas grandes surpresas. 1 – A queda do Ziraldo, que no dia seguinte da morte de Mindlin, aparecia em vários programas de televisão, praticamente vitorioso, e agora caiu, para ele assustadoramente. Lembram que Ziraldo foi vetado quando não consolidou a candidatura. E quando se candidatou de verdade, perdeu para o próprio Mindlin, teve 11 votos. No momento, não tem nem isso. Enfrenta terrível campanha contra, dentro da própria Academia.

2 – Outro fato inusitado: o mau humor diário e intransferível do acadêmico Marcos Villaça, que se considerava “fazedor de amigos”, e percorre o caminho exatamente contrário.

Explicação para o mau humor do presidente da Academia: muitos garantem que “sabem onde começa, mas ninguém sabe como terminará”. 1 – Dizem (será apenas maldosamente?) que o Ziraldo perdeu votos por causa do “apoio” do Villaça.

2 – Este foi criticado pelo gesto popularesco de “incentivar” (o que eu chamei de DEVANEIO) a candidatura Martinho da Vila. O próprio acreditou, a Academia desacreditou no presidente.

3 – Teve que ir a São Paulo anteontem voltando no mesmo dia, por exigência da bancada paulista, que sempre tem candidatos. A representante do grupo é Lygia Fagundes Telles, que não pode ser ignorada. Precisou considerar o nome de Ives Gandra Martins, jurista e professor. Por quem não tem o menor apreço.

4 – Sarney, pela primeira vez tem dado a impressão que votará diferente do presidente da Academia. Mais motivo para o mau humor, de quem se considerava candidato ao Prêmio Nobel da Paz.

***

PS – A possível candidatura FHC depende do que eu revelei 24 horas depois de aberta a vaga: ele não tem restrições à Academia e sim ao processo de escolha. Normalmente não pediria votos. E acha que um ex-presidente, esse então não pode visitar ninguém, parece que está apelando ou implorando.

PS2 – Nada surpreendente neste país “oitava maravilha do mundo”. Acadêmicos não falam, mas esperam um movimento que pode até se chamar “queremos Lula”. (Como o de Vargas em 1945, já da Academia, querendo permanecer, com o slogan “queremos Getulio”).

PS3 – Se Lula disser uma palavra, qualquer que seja, vai morar em São Bernardo, indo ao supermercado, sem seguranças, mas de fardão. E vindo ao Rio toda semana para o chá, ou mensalmente para o almoço.

PS4 – Serão dois presidentes: Lula no fardão, Villaça na fantasia.

Tancredo, 100 anos, Aécio, apenas 50

Seria o primeiro presidente depois da ditadura, em 1985, essa data estará completando 25 anos. O próprio Tancredo faria 100 anos amanhã. Seu neto, Aécio, completa 50 no próximo dia 10, uma semana.

Tancredo já é história, seu nome irá crescendo e se projetando. Aécio terá um aniversário festejado e invejado, principalmente por causa da idade. Aos 25 anos, sem o avô, foi presidente da Câmara, duas vezes governador de Minas, futuro senador. Embora alguns falem que será vice de Serra, os dois estão se elogiando demasiadamente, o que provoca dúvidas.

Se tivesse certeza da vitória de Serra, é lógico que Aécio aceitaria, estaria no poder e quase sucessor. Esta nota não é laudatória, apenas constata um fato. Outro: irá se desgastar, inevitavelmente, por causa da compra da fracassada Light. Mas isso é outra história.

A tumultuada, complicada e trabalhada situação eleitoral do Amazonas. Dirceu apareceu por lá, quer derrotar Virgilio, eleger Vanessa e garantir João Pedro no Senado

A disputa pelo governo, duas vagas no Senado, o cargo de vice-governador e de suplente do governador reeeleito Eduardo Braga, candidato a senador. Aparentemente, o mesmo que estará em jogo nos 26 estados.

Só que o governo federal (incluindo o próprio Lula, pessoalmente, nada a ver com o palanque de Dona Dilma) tem fortíssimos interesses no Amazonas.

1 – Eleger o ministro e senador Alfredo Nascimento, governador do estado. Motivo óbvio: fazer de João Pedro, suplente de Nascimento há 3 anos, suplente EFETIVO por mais 4. (João Pedro é amicíssimo do presidente Lula).

Apesar de toda a força federal e estadual, não será fácil eleger o ainda ministro, embora ele esteja bem nas pesquisas. Existe um trabalho grande para que o prefeito de Manaus (ex-senador e ex-governador), Amazonino Mendes, dispute o governo. Isso assusta e ameaça o esquema do Planalto-Alvorada.

Amazonino, que já estava resignado a ficar como prefeito até o final de 2012, começou a conversar, e já aceita deixar a prefeitura no dia 3 de abril. (Dentro de exatamente um mês). Recebeu o apoio do ex-prefeito Serafim Corrêa, de grande prestígio e respeitabilidade.

Serafim Corrêa também apoia Arthur Virgilio para a reeleição ao Senado, cuja derrota, como já disse na Tribuna impressa, há mais de 3 anos, é uma das obsessões do Planalto-Alvorada,

Essas “combinações” deram ao estado do Amazonas a grande honra da presença de José Dirceu. Ex-ministro poderoso, como se sabe, e agora poderoso malabarista de Nossa Senhora, para quem estiver precisando. E muitos estão.

Do aeroporto, Dirceu foi direto para o escritório do ex-prefeito Serafim Corrêa. Tiveram conversa exacerbada, não é fácil conversar o que conversaram, mas não se fala outra coisa, em Manaus e adjacências. Principalmente porque o final da conversa foi em voz alta, até gritada, pois recusa é recusa, e Serafim Corrêa manteve os apoios a Amazonino e Arthur Virgilio.

2- Eduardo Braga está garantidíssimo para o Senado, isso nem se discute. Por causa disso, tomou providências, em relação ao próprio futuro político. Dizem que pode até ser ministro da Integração Nacional, ou, surpreendentemente, candidato a prefeito em 2012.

Dessa forma, colocou como primeiro suplente na sua já conquistada cadeira do Senado, a própria mulher. Que assumiria, logicamente, qualquer que seja a opção que fizer a partir de 2011.

E mais: estimula Amazonino a disputar o governo, teria que se desincompatibilizar. O vice-prefeito de Amazonino está preso, teria que haver eleição para prefeito de Manaus. Mais risco para Nascimento e João Pedro. E aumento da possibilidade para Eduardo Braga, se resolver pela segunda opção.

3 – Dirceu também tratou com muito carinho, perseverança e esperança, do preenchimento da outra vaga de senador. Como Arthur Virgilio cresceu muito e recuperou uma parte enorme do prestígio dentro do PSDB, precisam de um candidato forte para derrotá-lo. Não têm esse nome.

Estão trabalhando então o nome da deputada federal Vanessa Grazziotin (PCdoB), eleita com excelente votação. Mas uma coisa é a eleição proporcional, e outra a majoritária. Seria reeleita talvez a mais votada, mas não se elege para o Senado. (Sacrifício inútil de uma carreira que vai indo muito bem).

Muito bem informado, tendo avaliado tudo isso, Dirceu também tratou com Serafim Corrêa o apoio dele a Vanessa e não a Virgilio. Nova recusa, ou variação sobre um tema antigo. Se Serafim mantem o apoio a Amazonino, mais certo e garantido, que jogue sua força e prestígio para reeleger Virgilio, que já é candidato. Amazonino tem 30 dias para decidir.

PS – Suspense total no Amazonas. Os próximos 30 dias, serão mais disputados do que a própria campanha para o governo e para a segunda vaga de senador. Por quê? Lógico, se Amazonino for candidato a governador, uma coisa. Se não for, outra muito diferente.

PS2 – Ultrapassado o 3 de abril, Serra e Dona Dilma se manifestarão publicamente. O governador de São Paulo, de acordo com a tática traçada, fica em silêncio. Acompanha tudo, embora não saiba nem a metade do que está aqui.

PS3 – Dona Dilma está mais bem informada, afinal foi ela que mobilizou José Dirceu. Mas o fracasso do ex-chefe da Casa Civil, como articulador, prejudicou a atual chefe da Casa Civil, como candidata. Os “80 por cento de Lula”, TRANSFERÍVEIS facilmente, resolverão tudo.

Lula aprendeu com a vida

Paulo Solon:

“Helio, sou teu admirador, mas, por favor, respeite meu direito de expressar o que penso. O Lula, hoje, é um homem que sabe muito mais do que aqueles que mostram diplomas e se dizem intelectuais. Ele aprendeu com a vida, que é como se aprende mesmo, e tem que ser reconhecido.”

Comentário de Helio Fernandes:
Você há anos tem a liberdade de pensar e de se exprimir, Sólon. Durante anos escrevia na Tribuna impressa. Mandava de Miami, artigos magníficos, analisando em profundidade os mais diversos assuntos. Eu não te dei a liberdade de expressão, foi você que conquistou com o conhecimento e a independência. Muitos daqueles tempos, como o Santos Aquino, e uma centena de outros, que continuam aqui, fora outra parte enorme que pergunta e lamenta o fato de estar demorando a volta do jornal impresso. Já dirigi tudo em matéria de jornais e revistas, e jamais censurei alguém. Com civilidade e convicção, todos que frequentam esse blog podem dizer que “É PROIBIDO PROIBIR”.

Quanto ao Lula, você sabe muito bem, Paulo Sólon, que tenho reconhecido a superioridade dele em relação a muitos adversários. E o que discordo no presidente Lula, além da arrogância, é o que NÃO FEZ E PODERIA TER FEITO. No confronto dele com FHC, criei para este a identificação RETROCESSO DE 8 ANOS EM 8, o que não diria de Lula. Mas este está longe do que devia, eu queria e aplaudiria.

Lula, Chávez e Fidel

André:

“Concordo que Lula seja hoje uma personalidade respeitada, mas andando com Chávez?.”

Comentário de Helio Fernandes:
Esse é um ponto discutível, que provocará, muito justamente, enorme divergência. Em se tratando de nomes, de homens, de personalidades, como você diz, a discordância é e sempre será total.

Carlos:

“Lula deveria escolher melhor suas companhias. Chavéz, Zelaya, esse homem do Irã, e alguns ditadores a quem dispensa os maiores elogios. E agora em Cuba, tentando ressuscitar um ditador e não dando uma palavra sobre um homem da rua, que morreu por causa da greve de fome?”

Comentário de Helio Fernandes:
Você mudou apenas a “companhia” de Lula. O André critica o presidente por “andar” com o Chávez. Você por causa do Fidel. Ninguém dá uma palavra pelo prazer de Lula em estar com Sarkosy, o reacionário presidente da França? Será por causa da compra e venda dos velhíssimos e ultrapassados caças? Que além do mais, custam várias vezes o preço de aviões mais modernos?

As ligações de Lula, principalmente aqui na América do Sul, serão discutidas na campanha. A ida a Cuba, questão de momento. A controvérsia mesmo será em torno de Chávez. Que alguns identificaram como contradição, deixando longe a simples controvérsia.

Gandhi e os mortos

Julio Cezar:

“Por que lembrar de Gandhi? Por que os que morrem devem ser elogiados? Com ele vivo e atuante, morreram milhões de indianos, que não tiveram direito a coisa alguma. Morreram de fome.”

Comentário de Helio Fernandes:
Discordar é uma necessidade. De outro jeito, o mundo ficaria inabitável. Mas condenar um herói do mundo e não apenas da índia, é uma heresia. Com ele ou sem ele, a Índia era exploradíssima pela Inglaterra, que dominava o mundo desde a Primeira Guerra Mundial, e continuou até que acabasse a Segunda. Era “dona” da Índia, do Canadá (parte falando francês e parte, inglês), da Austrália (que se chamava então Australásia), da Guiana Inglesa, de países inteiros da África, embora tivessem perdido, há muito tempo, aquelas possessões sem nome que se transformaram em Confederação dos Estados Unidos da América do Norte.

Estado Novo, 10 de novembro de 1937

José Antonio:

“Helio, pensei que o Estado Novo tivesse sido no dia 10 e não no 1º, como saiu”.

Comentário de Helio Fernandes:
Você percebeu que foi erro de digitação, o 1 saiu grande, como devia, e o zero pequeno, como não devia. Quando alunos perguntaram a Sócrates, “o senhor sabe todas as coisas?”, respondeu, “meus filhos, só sei que nada sei”. Poderia dar a mesma resposta, ressalvando o Estado Novo. Eu era pequeno e o mar bramia, e já sabia que “isso” era um ultraje histórico.

Uma quinta-feira decisiva

Carlos Chagas

Suponha-se, só para argumentar, que amanhã o Supremo Tribunal Federal decida manter  José Roberto Arruda na prisão. Justificativas não faltarão, a começar pelo fato de que prosseguem as diligências na Polícia Federal para saber do envolvimento do governador nas tentativas de prejudicar o inquérito sobre a Operação Caixa de Pandora, destinada a apurar a roubalheira que envolveu a alta cúpula do  Distrito Federal na distribuição de dinheiro sujo a deputados, secretários, assessores e, possivelmente, o próprio governador.

Nessa hipótese, nem mesmo a promessa de Arruda de que não tentaria voltar ao governo de Brasília terá bastado para influenciar o voto dos ministros da mais alta corte nacional de Justiça.  Essas promessas não  valem em processos judiciais, onde os tribunais  só devem confiar na lei, jamais na palavra dos réus.  Quem garantiria que, posto em liberdade, o governador não decidisse regressar ao palácio do Buriti? Apenas a renúncia seria penhor de sua palavra, mas renunciar, Arruda não admite por enquanto. Equivaleria a perder o foro privilegiado e deixar de ser julgado pelo Supremo. Como cidadão comum, responderia perante a Justiça de  primeira instância, podendo  ser reconduzido à prisão, nesse caso na penitenciária da Papuda, como qualquer suspeito, jamais nas instalações da  Polícia Federal, onde se encontra.

Em paralelo a esse raciocínio correm duas outras iniciativas: o pedido de impeachment do governador, em vias de ser  aprovado pela comissão especial da Assembléia Legislativa, e a solicitação de intervenção federal em Brasília, que o Supremo decidirá nos próximos dias. Neste caso, conforme o Procurador Geral da República, a intervenção se faria no Executivo e no Legislativo local. Numa palavra, o interventor ocuparia as funções de governador e provavelmente o Senado se encarregaria de legislar temas de urgência do Distrito Federal, entrando a Câmara Legislativa em recesso forçado. Não se fala da extensão da medida ao  Poder Judiciário, quer dizer, o Tribunal de Justiça continuaria atuando na plenitude de suas prerrogativas.

É por essas razões que os deputados distritais andam em polvorosa,  empenhados em mobilizar instituições e a opinião pública contra a intervenção, sob o pretexto da quebra de autonomia de uma unidade da Federação.  Enquanto permanecer o governador interino, Wilson Lima, envolvidos ou não na lambança, os deputados ainda poderão controlar a situação, ou seja, salvar os dedos mesmo  perdendo os anéis. Por isso governistas e oposicionistas dispõem-se a votar o impedimento do  governador e até de três colegas flagrados recebendo dinheiro sujo e colocando as notas no bolso, na bolsa e na  meia.  Um deles, Leonardo Prudente, ex-presidente da Câmara Legislativa, já renunciou, imaginando perder o mandato mas conservar  os direitos políticos para candidatar-se outra vez. Pode ser que não consiga, dada a  desfaçatez da iniciativa.

Em suma, e salvo novos adiamentos tão comuns nessas situações, a ser conhecida amanhã, a palavra está com o Supremo Tribunal Federal  e com a Câmara Legislativa. Filigranas, protelações  e recursos jurídicos poderão  acontecer,  mas, salvo engano, o dia será decisivo não só para o futuro do   Distrito Federal, mas,  também, para a definição do conceito de impunidade no Brasil.

O casamento salva, a separação condena

Também nessa quinta-feira carregada de tensão, os tucanos enfrentarão o   futuro.   José Serra estará em Minas para participar das cerimônias pelos cem anos de nascimento de Tancredo Neves. Espera-se que em conversa com Aécio Neves,  obtenha do governador   mineiro pelo menos a promessa de admitir formarem, os dois,  uma chapa  pura tucana:  o governador de São Paulo para presidente,  seu  colega para vice.

Trata-se de uma chapa fortíssima, a união de São Paulo e Minas, os dois maiores colégios eleitorais do país.  Algo em condições de fazer refluir as expectativas do presidente Lula de eleger Dilma Rousseff para sua sucessão. A candidata vem crescendo a olhos  vistos nas pesquisas, ainda que José Serra mantenha pequena vantagem. Só um fato novo, como a união tucana, seria capaz de virar o rumo dos ventos.  Como Aécio tem declarado que não se candidatará à vice-presidência, aguarda-se a possibilidade da mudança ou a ida de Serra para o pelourinho.

Então nós  aderimos…

A propósito  da passagem dos cem anos de nascimento de Tancredo Neves, conta-se significativa passagem de seus dotes políticos quando, governador de Minas, ouviu de seu fiel auxiliar Ronaldo Costa Couto um alerta sobre a manobra de vários deputados federais mineiros empenhados em criar o   novo estado do   Triângulo, separado da matriz. Como se o governador    mantivesse a tranqüilidade,  sem demonstrar preocupação, Costa Couto emocionou-se: “Mas dr. Tancredo, se eles tiverem força para aprovar a emenda constitucional, como ficaremos?”  Resposta da mais felpuda das raposas mineiras: “”Ora, na mesma hora nós aderimos e pedimos para integrar o novo estado…”

Problemas do outro lado

Nem tudo são flores e comemorações na toca dos companheiros, além do comentário do presidente Lula de que “chegamos cedo demais em cima do morro”, referência ao crescimento de Dilma Rousseff e à queda de José Serra, nas pesquisas. Entre os caciques do PT continua preocupando a questão da escolha do vice-presidente na chapa da candidata. Está estabelecido que o indicado virá do PMDB, mas tanto   Lula quanto Dilma refugam a hipótese de Michel Temer.

Além de idiossincrasias pessoais, que pesam como o diabo nessas horas, surgem outros argumentos: o presidente do PMDB e da Câmara dos Deputados, instalado no palácio do Jaburu, poderia querer transferir para lá o comando da política partidária nacional. Dominaria o Congresso com muito   mais competência do que a presidente, sem experiência em questões parlamentares. Um poder paralelo estaria criado, com sérios prejuízos para os objetivos do PT. Acresce que Temer, ainda que injustamente, foi citado nas investigações do  mensalão do DEM de Brasília como um de seus beneficiários.

Rejeitando a indicação de Michel Temer, o governo correrá o risco de perder boa parte do apoio do PMDB, além de fato de que não será  fácil emplacar outro candidato. Henrique Meirelles seria um desastre. Hélio Costa aferra-se na disputa pelo governo de Minas. Restaria Edison Lobão, mas o  ministro das Minas e Energia trocaria uma reeleição certa para o   Senado por uma disputa apesar de tudo ainda incerta?

Aécio contribui para abalar Serra

Pedro do Coutto

Reportagem de Cátia Seabra e Valdo Cruz, Folha de São Paulo de 2 de março, revela que Aécio Neves, neto de Tancredo, convidou Ciro Gomes e Dilma Roussef, da mesma forma que o governador de São Paulo, para comparecerem à solenidade em Belo Horizonte que, na quinta-feira, marcará a passagem do centenário do ex governador de Minas que a fatalidade do destino impediu que chegasse à presidência da República.

Com esta atitude, o atual governador mineiro demonstrou não estar engajado, pelo menos com entusiasmo por Serra, inclusive descartando a hipótese de concorrer à vice em sua chapa. O convite a Ciro e Dilma não tem muita razão de ser, exceto dar uma demonstração de eqüidistância do pleito que vai se travar em Outubro. Ciro ainda poderia ter alguma proximidade com Tancredo, mas a ministra chefe da Casa Civil nenhuma.

Logo, o convite acentuou neutralidade que em nada acrescenta para Serra. Ao contrário. Distancia uma forte ala do PSDB da disputa sucessória. E não constituiu um ato isolado. Foi acompanhado pelo lançamento da chapa tucana Serra, ele próprio, tendo como companheiro na vice de Tasso Jereissati. Tasso acrescenta muito pouco a Serra. Aécio acrescentaria. Mas deixou claro que pretende disputar o Senado por Minas Gerais. Uma vitória aparentemente tranqüila.

O lance, isolado, já seria muito forte contra José Serra. Mas é que, ainda  por cima, vem na seqüência imediata da pesquisa do datafolha, que apontou um encurtamento de dez pontos entre Serra e Dilma na disputa presidencial. E isso sem que a campanha comece pra valer com a presença de Lula que, sem dúvida, está conseguindo transferir seu prestígio e seus votos para a chefe da Casa Civil.

Foram assim dois abalos no espaço de uma semana. O primeiro casual, resultado de uma pesquisa do Datafolha. Mas o segundo nitidamente intencional. Ambos produzem como conseqüência uma neutralidade de Aécio, que procurou assim, mais provavelmente, resguardar-se para 2014. Ou então escolher o governo de Minas como teto de seus projetos políticos. Serra, quer mantinha apenas quatro pontos na frente de Dilma, a partir desta semana, não deve livrar vantagem alguma. Sobretudo porque na solenidade de quinta-feira, também tanto Ciro, quanto Dilma e Aécio deverão discursar destacando a personalidade do homem que foi fundamental para o encerramento do ciclo dos militares no poder, mas não viveu infelizmente para ver sua obra executada.

Mas se isso pertence ao passado, quinta-feira pertence ao presente. E não se pode descartar a presença de Lula na solenidade, se estiver no Brasil, ou um pronunxciamento seu se estiver no exterior. O episódio de quinta-feiram sem dúvida, é um dos mais importantes que a campanha presidencial poderia proporcionar. Tanto de um lado, quanto de outro.

Maior vantagem para Dilma que pouco contato manteve com o presidente eleito em 85 que não assumiu depois de memorável campanha pelas diretas já e pelo fato de ter, em sequência e conseqüência, colocado seu nome nas ruas. Ele mobilizou duplamente a nação. Como principal autor de reabertura democrática não viveu para assistir sua obra. Ela continuou e talvez mude de mãos, sobretudo em função de uma falta de disposição de luta por parte de Serra do que pelo aguerrimento e motivação de Dilma.

O destino reserva episódios assim. Não quero dizer que, com isso, a sucessão esteja decidida. Mas o quadro de hoje está mais frio para Serra do que para a candidata do Planalto. A candidata de Lula com uma popularidade impressionante. Mas surpresas sempre pode haver. A de Dilma no Centenário de Tancredo é uma dessas.

AEPET reconhece grave erro no projeto do Pré-Sal, admite que não sabe o que fazer

Jorge Rubem Folena de Oliveira

“Jornalista Hélio Fernandes, antes de tudo, parabenizo-o por seus recentes e sucessivos artigos a respeito da fundação de Brasília, narrando seu rompimento com JK, antevendo os lamentáveis fatos que estão acontecendo, decorrentes da transferência da Capital do País, que não são fruto do acaso, mas da cobiça.

No “Programa Faixa Livre” de hoje, na Rádio Bandeirantes AM do Rio, o atual presidente da AEPET (Associação dos Engenheiros da Petrobras) reconheceu que o projeto lei de partilha do Pré-Sal, defendido com entusiasmo por ele até então, é prejudicial ao Brasil, porque, na forma como foi concebido, poderá vir a beneficiar até mesmo os bancos.

Isto porque a União entrará com os campos de petróleo, que são dela, e a Petrobras com os investimentos e tecnologia para a exploração. Os demais consorciados poderão ser quaisquer interessados, desde que comprem sua participação no consórcio.

Este grave erro vem sendo denunciado pelo senhor, como postado na Tribuna da Imprensa de 08/09/09, ocasião em que o Presidente Lula encaminhou o projeto de lei ao Congresso, quando se perdeu uma grande oportunidade de se fundar uma petrolífera 100% brasileira para exploração do Pré-Sal, pois a Petrobras, como se diz no momento, está “contaminada” por ter ações vendidas na Bolsa de Nova Iorque.

Agora a AEPET reconheceu seu erro e não sabe como irá corrigi-lo, na medida em que não tem forças para enfrentar os grupos de pressão que atuam no Congresso.

Vale lembrar também que o governador Cabral Filho não defendeu o Rio de Janeiro na questão dos royalties, apenas criou embaraços para favorecer os interesses dos que são contrários ao País neste projeto de partilha, tirando do foco o problema principal, que é a entrega do Pré-sal até mesmo para aventureiros.”

Comentário de Helio Fernandes:
Os que se preparam e indevidamente irão comemorar os 50 anos da Fundação de Brasília, (21 de abril de 1960), estarão cometendo gravíssimo equívoco, e um colossal esquecimento. Pois como tenho dito sem contestação, essa data, que finaliza uma capital e finge que consagra outra, é uma farsa impressionante, pela qual o país inteiro está pagando.

E a catástrofe que teve início em 1º de fevereiro de 1956, 24 horas depois da posse do presidente Juscelino, quem irá examinar e condenar? Essa tragédia durou 4 anos, 2 meses e 20 dias, até que se transformou na espantosa realidade que se materializou somente agora.

Mas vem em linha reta da mudança da capital, deixando aqui um Estado Novo, (não o de Vargas em 1o de novembro de 1937) e levando para o deserto uma cidade que já nascia velha, decrepta, enferrujada, corrupta, petulante, desperdiçadora, que exaltava a desigualdade. Enriquecia os já ricos, que recebiam todos os favores públicos, e empobrecia os ainda pobres, que seriam despojados, para que perdessem tudo o que almejavam,

Como você revela, essa confissão foi feita pelo presidente da AEPET, que já teve fase gloriosa, exaltadora e patriótica, na defesa dos interesses nacionais. Desde o início, assim que o presidente mandou para o Congresso o projeto de exploração do Pré-Sal, passei a combatê-lo.

Imediatamente defendi a criação de uma EMPRESA 100 POR CENTO NACIONAL, que explorasse S-OZ-I-N-H-A essas riquezas, que seriam investidas em benefício da coletividade.

Tudo ali é da União, ou seja, da coletividade. Os campos, a tecnologia, a marca Petrobras, a capacidade de encantar os técnicos estrangeiros que “moram” nas plataformas da maior empresa do Brasil, para aprenderem como é que eles chegaram tão longe em matéria de profundidade na exploração.

Se a Petrobras já está praticamente a 3 mil metros de profundidade, para chegarem aos 6 mil metros que assustam tanta gente (principalmente do exterior), só terão que mergulhar apenas a metade.

***

PS – Esses grupos de fora, insistem e são ouvidos, até mesmo por quem não deveria ouvi-los, o presidente da AEPET. Insistem em quê? No que chamam de INVESTIMENTO. Não precisamos de nada disso, a não ser que nos tragam DINHEIRO DE VERDADE, (para lucrar, lógico, ou de outra maneira não viriam), mas não para comandar.

PS2 – Se o presidente da AEPET quiser se ARREPENDER DO ERRO DE AVALIAÇÃO COMETIDO, não se desespere. Pode usar este blog, para defender o que condenou antes, mas viu agora que é o que interessa ao Brasil: UMA EMPRESA 100 POR CENTO NACIONAL, OUTRA PETROBRAS DENTRO DA PRÓPRIA PETROBRAS. Não tenham receio de CONDENAR O QUE DEFENDIAM, pois estarão COMBATENDO PARA ELIMINAR O ERRO COMETIDO.

PS3 – Quanto ao serginho cabralzinho filhinho, não nos incomodemos com ele, Jorge Folena. Seria um exagero de nossa parte e uma análise deturpada do seu passado, acreditar que ele pudesse compreender e defender, o que é o interesse nacional.

Despedida do Senado, triste e melancólica

Essas palavras servem para 54 senadores cujo mandato termina em 2010. Muitos já saíram, deixaram os mandatos para os suplentes. Três foram derrotados para governador dos seus estados, perderam, mas o TSE empossou-os.

No momento quero me referi apenas a Aloizio Mercadante. Eleito, a felicidade era do suplente, tinha certeza que o efetivo seria ministro por longo tempo, mas  não foi por um dia sequer. Por causa disso se atropelou, resolveu concorrer com o Aurélio e o Houaiss, modificando o sentido da palavra IRREVOGÁVEL.

Agora está arriscado a não voltar ao Senado, perdendo para o “disque Quércia para a corrupção”. Para governar não há hipótese, perderia para Geraldo Alckmin. No primeiro turno.

Aécio-Ciro Gomes

Ricardo Salles Sobrinho

“Helio, pode dar uma chapa como essa para disputar com outros candidatos?”

Comentário de Helio Fernandes:
Não pode, Ricardo, e a razão é muito simples. Aécio está com 50 anos, (vai completar agora), não quer ficar sem mandato. Principalmente tendo uma vaga de senador garantida. E há outro fato que impede: a legenda. O candidato do PSDB é Serra, a não ser que ele diga outra coisa até 3 de abril.

O Ciro até aceitaria, se o Aécio fosse o candidato do PSDB, o que não vai acontecer.

Em relação à desincompatibilização, nenhum dos dois tem problema. Aécio já ficou 8 anos no governo, tem que passar o cargo ao vice, que é seu candidato ao governo.

O Ciro não se incomoda, em 2006 já “ficou sem mandato”, deputado para ele é menos do que nada. A idade também é a favor dele. Com 53 anos, pode esperar. Mas tua idéia de “hipóteses”, louvável. Quem quiser, faça duplas, analisamos juntos.

1 trilhão sem trabalhar

A empreiteira Mendes Junior pediu à Chesf o pagamento de 1 TRILHÃO E 200 MILHÕES. Para quê? Indenização por supostos e alegados prejuízos. E o que a Chesf tem com isso? É acusada de “pagar as faturas com atraso”. Revoltada, a Justiça deu ganho de causa à Chesf.

Agora, o controlador (proprietário) da Mendes Junior vai colocar Sarney no circuito para reverter a decisão. Motivo: o empreiteiro e o senador são amicíssimos. Quando era presidente (da República e não apenas do Senado) e Mendes Júnior teve problemas no Oriente, Sarney resolveu. De graça, sem qualquer reciprocidade, apenas diplomaticamente.

Futebol de resultados, futebol espetáculo

O grande assunto no momento é a definição da preferência. Os “meninos da Vila” estão mostrando que se pode conseguir as duas coisas. Sendo óbvio, que o primeiro é mais relevante, embora muitos queiram transformar o segundo em ultrajante.

O público, que pretendem esquecer sempre, vibra com os resultados, (porque valem 3 pontos), mas se entusiasma mesmo com as jogadas de efeito, de habilidade, de domínio inconfundível da bola, para desespero do adversário.

Treinadores derrotados (o primeiro a condenar o que chama de “firula”, foi Mano Menezes), jogadores consagrados, como Ronaldo Fenômeno, aparecem publicamente, (e não apenas esses dois), pronunciando a frase-intimidação: “Esses meninos merecem uns cascudos”.

Antes de tudo e acima de tudo, essas recriminações dão a impressão de ciúme e inveja. Esses treinadores que culpam e se desculpam da derrota, por causa da “habilidade”, já recriminaram jogadores seus pelo excesso de habilidade? Ou não tiveram a felicidade (ou a competência) de comandar “artistas do futebol” como esses?

Logo o Fenômeno, o primeiro a criticá-los? Nunca fez o que hoje chama de “gracinha”? Suas comemorações depois dos gols feitos, não tinham sempre um ar, um tom ou um clima de gozação? Rindo em cima do adversário vencido, pode?

E o que o Ronaldo Fenômeno sente ao ser chamado de “pentacampeão”, esquecendo que no primeiro título, o de 94, nem entrou em campo? Parreira poderia ter posto o Ronaldo por 5 minutos, para não envergonhá-lo no futuro, ao exibir campeonatos que não conquistou.

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PS– Ronaldinho Gaúcho, hoje tão discutido por causa do “momento”, duas vezes o melhor do mundo, lembram como surgiu e encantou o país e depois o mundo? Com aquele famoso e talentoso “chapéu”, que aplicou no campeonato estadual do Rio Grande do Sul?

PS2- Se fossemos exaltar a mediocridade, teríamos que ficar eternamente com a seleção de 1994. Tivéssemos que condenar o talento, a habilidade, a competência no resultado e no espetáculo, escolheríamos, raivosos e revoltados, a seleção de 1970.

PS3 – E poderíamos estender essa “punição” às seleções de 1982 e 1986. Sem esquecer a pré-história do futebol, já passados 50 anos, e mandar para fora de campo os jogadores de 1958 e 1962. São os “desbravadores”, isso pode ser tido também como “FIRULA” ou “GRACINHA”.