Notas frias, salários milionários

Jorge Folena:
“No último dia 30, encaminhei-lhe carta sobre o Projeto de Lei 5.099/99, do deputado Jefferson Campos (PTB/SP) que tramita na Câmara dos Deputados em caráter conclusivo, que pretende autorizar que pequenas empresas prestadoras de serviço e profissionais autônomos possam ter a residência de seus titulares como suas sedes.

O Globo de 02/08/2009, domingo, estampou na primeira página: “Compra de nota fiscal esconde sonegação na área da cultura”. E na página 2: “A cultura da sonegação”.

Com efeito, sei que para o senhor o tema não é novidade, pois o seu artigo do dia 14/07/09 teve o seguinte título: “Apresentadores e diretores com salários milionários podem substituir carteira de trabalho por notas fiscais?”

E notas fiscais agora apresentadas como “compradas” são originárias de pequenas empresas prestadoras de serviço instaladas, irregularmente, em residências, mas que o projeto do referido deputado federal pretende legalizar, beneficiando com isso não apenas a evasão fiscal já em curso, mas principalmente a “reforma trabalhista”, uma vez que possibilitará a diminuição dos encargos sobre a folha de pagamentos, com a exclusão de direitos sociais conquistados como muita luta pelos trabalhadores.

Ressalto: o FGTS, quando de sua criação, deveria ser facultativo, mas tonou-se “obrigatório” em  quaisquer contratações, para eliminar a estabilidade no emprego para os trabalhadores da iniciativa privada. O mesmo poderá ocorrer, doravante, com os trabalhadores sendo contratados somente se tiverem constituído uma “pequena empresa prestadora de serviço”, cuja sede poder ser sua própria moradia.

Portanto, as grandes personalidades da área cultural, que deveriam servir de exemplo para o “povão”, precisam refletir melhor sobre seus atos, pois a ganância não só os coloca em situação de risco diante do fisco, como podem vir a prejudicar os trabalhadores, “legalizando” a esdrúxula situação de negócio entre as empresas, ao invés de uma relação de emprego com carteira assinada, como prevê a legislação do trabalho.”


Comentário de Helio Fernandes:

Obrigado, Jorge. Tua carta esgota o assunto, não deixa um ponto, por menor que seja, sem esclarecimento. Fica evidente que esses “salários” milionários partem de um ponto ilegalíssimo, chamado de “merchandising”, e terminam mais ilegal ainda, já atingindo e ultrapassando o limite da imoralidade.

Esses RECEBIMENTOS (quase sempre na televisão) chegam a milhões MENSALMENTE e os PAGAMENTOS seguem na mesma linha de falta de credibilidade.. Antes de mais nada, uma explicação vernacular: o que é MERCHANDISING assim ou já traduzida para o português?

Como não conseguem explicar o significado da palavra, consideram muito melhor não escriturar, mergulhar na sonegação, tão formidável quanto o faturamento. E como os que pagam não contabilizamm is que recebem também não declaram ficam igual e gostosamente no mesmo clima de sonegação.

E a fuga dos impostos se dá em vários pontos, não se restringe aos órgãos de comunicação (televisão), contamina também os que servem de ponte entre os dois lados. E não pára por aí.

Perguntinha ingênua, inócua, inútil:  MERCHANDISING não é publicidade? Ou é “publicidade” enrustida, envergonhada, constrangida, mas suculenta? Aí se configura a extensão da sonegação. Os intermediários que pagam esses “salários” escondidos, logicamente não declaram, são obrigados a sonegar, sem que sejam cobrados ou questionados.

E os que PAGAM a esses intermediários, que PAGAM aos órgãos, que PAGAM aos famosos, logicamente também não declaram, como fazer? E para esse PAGAMENTO ser ressarcido ou recuperado, aumentam os preços dos produtos, concluindo a cadeia (desculpem, nenhuma intenção) de ilegalidade. E fogem da obrigação de fornecer a nota, só fornecem mesmo quando pedem ou exigem.

Nesse quadro, a última pincelada dada por um pintor desconhecido tem esta destinação: MILIONARIOS DA EXIBIÇÃO, deixam de ter carteira assinada, ou colocam nessa carteira imaginária, o mínimo dos mínimos.

Prejudicam os verdadeiros prestadores de serviço. De empresas pequenas, de profissionais que trabalham mesmo e ganham miseravelmente, recebem, declaram, pagam, recolhem.

E esses MILIONÁRIOS de “SALÁRIOS” astronômicos, ganham essas fortunas para iludirem o cidadão-contribuinte-eleitor. RECOMENDAM produtos que não usam nem conhecem a não ser pelo vulto da conta bancárias. CONTA BANCÁRIA?

Como recebem POR FORA, não podem depositar. Têm que viver com DINHEIRO VIVO.

Esportivas, compreensíveis e não surpreendentes

1 – Muricy Ramalho está se vangloriando com a posição do time na tabela. Esqueceu que já recebeu essa classificação do interino (e invicto) Jorginho? Agora o Palmeiras venceu o degringolado Sport por 1 a 0, gol contra. Foi por isso, que nesse jogo, Muricy deixou de mascar furiosamente aquele chiclete?

2 – A Formula Indy de anteontem, em Kentucky foi realmente emocionante, apesar do desgaste da palavra. Quatro corredores (entre eles dois brasileiros, Castro Neves e Tony Kanaan) chegaram separados por 0,5 segundos, do primeiro ao quarto. Sem contar que durante toda a prova, a 350 quilômetros, “roçavam” roda com roda. Na Formula 1, nada disso.

3 – Cielo (Ave, Cesar) é a grande figura da natação do mundo, depois dos dois ouros. Impressão geral: Phelps deve estar brincando (ou blefando) quando disse, “preciso de meses para recuperar a forma”. No dia seguinte, ganhava o 100 borboleta e se tornava o primeiro atleta a nadar a distancia abaixo dos 50 segundos.

4 – Amor com amor se paga, diz a “a voz das ruas a patuléia vil e ignara”, royalties para o grande J.F. de Macedo Soares. Serve para o Botafogo. Depois de perder (ou ceder o empate) já no final de 4 jogos, reverteu. Ontem ganhou do Barueri nos descontos. Chegou aos 19 pontos, distanciamento do engarrafamento do rebaixamento.

5 – O brasileiro Thomaz Belluci, ganhou seu primeiro título. Tem mesmo que comemorar, é o nº 119, precisa fazer festa a semana inteira. Mas apesar da “patriotada” de muitos jornalões, não pode esquecer o seguinte. Esse torneio de Gstaad é disputado por jogadores de terceira categoria. A ATP (Associação de Tenistas Profissionais) tem 4 categorias. Grand Slam, que dá 2 mil pontos ao vencedor. Master mil, dá mil pontos. O de 500, soma 500. E esse, de última categoria, acrescenta 250 pontos. O prêmio, 200 mil reais, o mais baixo da ATP.

6 – Renato Gaúcho continua “invicto”, depois de 4 jogos. Perdeu 3 e empatou 1. Disputou 12 pontos e ganhou 1, quer dizer, media de 11,1%. Pode ficar tranquilo: a partir de agora a queda, menos explosiva.

7 – Registro obrigatório: o Avaí faz o 6º jogo, com 5 vitórias e 1 empate ontem com o Corinthians, em SP. É bem verdade que o time de Mano Menezes vem amarelando. Contradição: se não perder, o Avaí acaba perdendo seu treinador, Silas, que foi jogador da seleção.

8 – O Flamengo completa o terceiro jogo com Andrade e sem perder. Tem saído atrás e reagido. Ontem jogou muito melhor, confirmando que os deuses do futebol são mesmo insensíveis.

9 – Para não dizer que não falamos de Formula 1, já que de Felipe Massa temos falado muito. E agora o bom é que ele está mais perto de casa, em SP, embora sua residência seja Monaco. Está bem e Schumacher? Voltar a correr depois de ter parado não é novidade. Mas a curiosidade geral é saber a razão de ter voltado. Não foi pelos 8 milhões que receberá nem a primeira corrida em 23 deste agosto, até a última, antes de dezembro. Apenas holofotes?

De qualquer maneira, veremos como o alemão se comporta “nesse ano de 3 meses”.

10 – Gosto muito do Ricardo Gomes e de Paulo Autuori, técnicos sérios, elegantes, competentes, discretos. O São Paulo já está pertíssimo do G-4. O Grêmio foi favorecido pelo arbitro, que ”interpretou” demais. Com dois jogadores a mais, o Grêmio podia ganhar por diferença maior. Bastava olhar para ver que havia pouco jogador de branco, (Cruzeiro) e muito de azul, (Grêmio) que além do mais jogava em casa.

Essa rapidez merece registro no Guinness Book: processo foi distribuído e julgado em apenas 5 semanas

Um fato auspicioso e merecedor de inclusão no GUINNESS BOOK ocorreu no Superior Tribunal de Justiça no dia 18 de junho de 2009 quando foi levado a julgamento pela 4ª. Turma o REsp 438.138 (recurso especial em que são partes a União Federal e TV Globo Ltda.) , tendo como relator o ministro João Otávio de Noronha.

O fato inédito é que o citado processo de 1.400 páginas foi distribuído ao ministro relator no início de maio e já julgado em sessão de 18 de junho.  E mais, o acórdão do julgamento será publicado  no dia 4 de agosto, terça-feira,  16 dias após a sessão de julgamento, excluindo-se o recesso do Poder Judiciário de 30 dias do mês de julho em que os prazos são suspensos.

Isso merece ser comemorado. Desconhece-se na história dos tribunais brasileiros caso semelhante de TAMANHA CELERIDADE. Um recurso especial ser distribuído e julgado em apenas 5 semanas.

Os milhares de outros cidadãos que têm processos tramitando na Justiça há vários anos e sem solução, devem estar se contorcendo e perguntando: e os nossos processos quando serão julgados, por que foram preteridos e continuam sem data para exame e julgamento?

A rapidez na entrega da prestação jurisdicional buscada é uma meta a ser perseguida e que ela se dê, independentemente da importância das partes, já que a nossa Lei Maior abomina discriminações, privilégios e favorecimentos. Justiça rápida e eficaz é o que vem perseguindo os ministros presidentes do STF e STJ, Gilmar Mendes e Cesar Asfor Rocha e o ministro corregedor do CNJ, Gilson Dipp.

Dirceu, em vez de somar, aumenta cisão no PT

Pedro do Coutto

Cada vez mais oportuna, nos tempos modernos, a leitura permanente de telas da Internet permitindo sua reprodução nas páginas dos jornais. Na edição de O Globo de 30/07, por exemplo, as repórteres Maria Lima e Isabela Martin publicaram afirmações que, na véspera, o ex ministro José Dirceu colocara em seu blog, neste momento de crise no PT sem dúvida cada vez mais visitado. Resolveu partir para o ataque e criticou frontalmente a corrente liderada pelo senador Aloisio Mercadante que, exprimindo a vontade de dez entre os doze senadores da legenda, manifestou-se pelo afastamento de José Sarney da presidência daquela Casa do Congresso, denominada Câmara Alta.

Nada disso, acentuou o ex chefe da Casa Civil, foi uma atitude politicamente infantil, o Partido dos Trabalhadores apoiará a permanência de Sarney. Tais declarações espantam, já que José Dirceu teve o mandato de deputado cassado e o documento a que se refere reflete a posição de senadores. Além disso, ao que se sabe, Dirceu não fala pelo comando partidário, tampouco pelo presidente Lula ou mesmo pelo governo. Ele está assim, interferindo numa área que não lhe diz respeito. A menos que tenha sido autorizado pelo presidente da República, o que não é nada provável, pois neste caso não teria sido demitido do cargo na crise do mensalão que explodiu em 2005. Várias contradições, portanto. Mas estas não são, por si, o principal foco do problema.

O principal foco do teorema situa-se no aprofundamento de uma cisão evidente no PT, principalmente na seção paulista. Na medida em que, mesmo sem mandato ou posto no diretório, o ex ministro assume uma postura impositiva, falando até em nome da agremiação, em vez de contribuir para minimizar o desentendimento, ele o agrava e aprofunda a divisão que se projetou, não propriamente em função de Sarney, cuja posição é insustentável, mas a partir do momento em que Lula assumiu a articulação voltada para tornar o deputado Ciro Gomes candidato de uma coligação PSB-PT ao governo de São Paulo nas eleições do ano que vem. A regional paulista teria que reagir a uma ultrapassagem nítida de seus quadros. Sobretudo Mercadante que terá de tentar a renovação de seu mandato também no próximo ano. Posição mais confortável, embora flagrantemente insatisfeito a do senador Eduardo Suplicy, reeleito em 2006 e cujo mandato só termina no final de 2014. Suplicy, inclusive, fazendo-se desentendido, ofereceu-se como candidato do PT ao governo de São Paulo. Mas parece que a proposta ou não foi ouvida, ou não foi aceita. Mas esta é outra questão.

O ponto essencial é que na medida em que uma dissidência se aprofunda, torna-se mais difícil, por reflexo, o caminho da ministra Dilma Roussef rumo ao Planalto, na alvorada da campanha pela sucessão presidencial. Uma divisão na base do maior colégio eleitoral do país projeta-se como algo capaz de tornar impossível o êxito de sua candidatura. Sob este ângulo, querendo ajudar a chefe da Casa Civil, que aliás o substituiu no posto, José Dirceu prejudica tanto a candidata quanto o partido. E, politicamente, o próprio Lula. Exércitos divididos não vencem batalhas, já se disse na história. Foi o que aconteceu, por exemplo, em 1960, com o general Teixeira Lott. As seções do PSD do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, foram às urnas com Jânio Quadros.

De outro lado, partidos que apoiavam o governo Juscelino, caso do antigo Partido Republicano de Arthur Bernardes, deslocaram-se no sentido da UDN. No lado do PT de João Goulart e Leonel Brizola, as regionais de São Paulo e Paraná rumaram para a nave de Quadros, através de uma operação que ficou célebre como Jan-Jan, ou seja: Jânio para presidente e Jango para vice. Naquele tempo o voto para presidente era independente do voto para você e não havia exigência de unidade partidária como existe hoje para viabilizar uma coligação. O episódio de 60 é um bom exemplo de cisão. José Dirceu o repete agora, em 2009, no PT.

O general quer petróleo

Carlos Chagas

Desembarca amanhã  em Brasília o general James Jones, Assessor de Segurança Nacional do  presidente Barack Obama. Sua principal audiência não será com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, mas com o ministro de Minas e Energias, Edison Lobão.

Devemos estranhar? Nem um pouco, porque para os Estados Unidos, segurança nacional é energia.  Os americanos tem feito de tudo para garantir seus autmóveis rodando e  seu país funcionando. Até invadir  o  Afeganistão e o Iraque eles invadiram, entre outros movimentos militares, e não foi para levar a democracia  aos talibãs ou,  muito  menos,  porque Saddam Hussein dispunha de armas de destruição em massa. Invadiram para garantir suprimentos de petróleo,  como sustentam a ditadura na Arábia Saudita pelo mesmo motivo.

Desde o governo George W. Bush que estão de olho nas imensas jazidas do pré-sal brasileiro. Não foi coincidência haverem recriado a Quarta Frota da Marinha de Guerra para patrulhar o  Atlântico Sul. O interesse de Washington é dispor de energia a qualquer custo, se possível pacificamente, mas, se necessário, pela força das armas. Porque as reservas em território americano estão se esgotando, mesmo aquele  petróleo que eles importam e estocam em poços ou cavernas na região do Golfo do México.

A luz amarela deveria estar acesa há muito tempo no semáforo fincado diante do palácio do Planalto, pois o Brasil parece  a bola da vez.  Nossa riqueza por enquanto  incrustada no fundo do oceano desperta atenções e cobiça no mundo inteiro. Por enquanto, somos cortejados, e quem saiu na frente foi a China, outro país desesperado por energia. Tanto que Pequim já colocou à disposição da Petrobrás nada menos do que dez bilhões de dólares, com a proposta de mais cinco, para investirmos no pré-sal.  Desde que saldemos essa dívida não em dinheiro, mas  com o  petróleo a ser extraído.

Os Estados Unidos chegaram atrasados. Depois da iniciativa  chinesa o Eximbank ofereceu dois bilhões de dólares à Petrobrás, que achou pouco e obteve a promessa de mais cinco.

Para complicar as coisas, é bom referir que o nosso  petróleo  detectado no pré-sal,  dentro e fora das  200 milhas,  é um tanto caprichoso. Não basta furar e enriquecer, porque a reserva não parece contínua. Meses atrás a Chevron, segunda maior empresa petrolífera  dos Estados Unidos, gastou bilhões e furou no seco. Claro que autorizada pela Petrobrás, na base de contratos de concessão  celebrados antes e que dão às multinacionais uma fatia respeitável de nossas reservas. Só que essa parceria  pode não bastar para encher  a goela dos   irmãos do Norte, se num futuro não muito  distante eles ficarem ainda mais dependentes.

Em suma, é bom que o ministro Edison Lobão tome cuidado. O general quer petróleo.

As pesquisas, onde andam?

Caso os principais institutos de pesquisa eleitoral não divulguem novos números, esta semana, é bom   acreditar um pouquinho na paranóia de certos grupos da oposição, para os quais  o governo manipula, pressiona e se aproveita dessa atividade comercial. Porque se diminuiu sensivelmente  o ritmo de divulgação dos  percentuais de aprovação dos candidatos presidenciais, alguma razão haverá. As últimas pesquisas conhecidas são de maio, quando Dilma Rousseff  ultrapassou a casa de um dígito, chegando a 12% nas preferências populares. De lá para cá, indica a lógica que teria crescido ainda mais. Se não cresceu, no entanto, o governo terá seus  motivos para exigir das empresas que permaneçam à sombra. Direta ou indiretamente, são clientes ou dependem do poder público. Fica difícil  acreditar que se tenham desinteressado de consultar o eleitorado sobre suas tendências. De qualquer forma, vamos aguardar o fim de semana…

Num domingo esportivo, expectativa sem esportividade e a justiça cada vez mais injusta

Segundo Vinicius de Moraes, ontem foi sábado, hoje é domingo, amanhã é segunda, sem nenhuma sequencia a não ser a do calendário. E sem nenhum espírito esportivo, alguns dizem que depois da gripe suína, vem o espírito de porco.

Marcante nessa segunda, o fim do recesso que é a continuação do fim do Senado ou pelo menos de alguns senadores. Mão Santa abrirá a sessão, haverá número para botar em funcionamento o Conselho (da falta) de Ética?

As representações contra Sarney continuam sendo recebidas, só que agora são representações e represálias. Aproveitando que estava em São Paulo, Sarney mobilizou um desembargador com que tem grandes ligações e seu adorado filho Fernando, muito mais.

(O Conselho de Justiça, que foi criado para moralizar e tem anunciado medidas saneadoras, não pode deixar passar essa decisão do desembargador Dacio Vieira do Tribunal de Justiça de São Paulo. Se o CNJ se aprofundar, vai descobrir que o desembargador tem mais afinidade e ligações com Sarney do que com a Justiça).

A ação de Sarney e seus apaniguados, (no Senado e fora dele) é tão ampla que nivela o Brasil com a Venezuela. Essa liminar para que o Estado de S. Paulo não trate do assunto (é um assunto ou apenas um filho corrupto e privilegiado?) retrocede 40 anos, coloca o Brasil em plena censura de 1968, antes mesmo do famigerado AI-5.

E justifica a ação do coronel Chavez, que pretende LIMITAR (não confundir com LIMINAR) o uso de informações. Chavez quer uma LEGISLAÇÃO ESPECIAL PARA IMPEDIR A LIBERDADE DE EXPRESSÃO. O desembargador Dacio Vieira não precisa de legislação, SUA VONTADE REPRESENTA PRIORIDADE.

E já que o Conselho vai examinar a questão, deve se estarrecer com dois fatos realmente assombrosos:

1 – Juízes de instancia inferior julgarem magistrados superiores. A decisão é quase sempre subserviente.

2 – A concessão de MEDIDA CAUTELAR, para que jornalistas PROCESSADOS não escrevam nada sobre os PROCESSADORES. Nem podem comunicar aos seus leitores, NÃO ESCREVO MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO, A JUSTIÇA ME PROIBIU. Fica a impressão de que houve acordo.

PS – Se o Conselho de Justiça entender, vou a Brasília depor sob juramento, mostrar processos, dar nomes, ressalvar, ressaltar e registrar juízes geralmente de primeira instancia, que RECUSAM esse abuso do PODER JUDICIÁRIO.

PS2 – Às armas, cidadãos.

Parreira em fim de carreira, o aventureirismo do egocentrismo, de concreto “só trabalho com projeto”

Hoje, domingo, dia de futebol no mundo, aproveitamos para destacá-lo, principalmente aqui, onde é a paixão nacional. Embora essa paixão só chegue ao povo através de contribuições, seja pelo pagamento de ingressos, da recompensa às televisões, (aberta ou por assinatura), não têm nem voz na escolha dos dirigentes dos clubes.

No país do futebol, cinco vezes campeão do mundo, e quase outras cinco desperdiçadas mais por treinadores do que por jogadores (embora estes não mereçam total absolvição), o torcedor que é a chave e a alavanca de tudo, não tem direito a nada.

Nem sabem quem manda nos seus clubes (o presidente ou o patrocinador?) ou na CBF, propriedade de um homem, Ricardo Teixeira, além de tudo, corrupto, perdão c-o-r-r-u-p-t-i-s-s-i-m-o.

Ninguém sabe de onde veio, mas a verdade é que completou agora, exatamente 20 anos. Portanto está comemorando o Festival Wagner do ditatorialismo, do patrimonialismo, do mandonismo e do autoritarismo sem qualquer restrição.

E se a Policia federal não fizer uma dessas investigações com nomes curiosíssimos, ele já programou mais 10 anos à frente da CBF. Isso se o sócio e parceiro, Josef Blater, não lhe der a vez na Fifa (não dará) em 2015.

Como os treinadores estão em moda, (lembrando a gozação do João Saldanha, parodiando esses homens extraterrestres: “EU ganhei, VOCÊ empatou, NÓS perdemos”) usamos para análise a entrevista de hoje de Parreira ao Jornal do Brasil. Não vamos esquecer o ambicioso Muricy, (valorizado pelo economista Belluzzo), o super valorizado (por ele mesmo) Luxemburgo, e quase todos os outros que ganham fortunas para exibir a mediocridade mas conhecer o Brasil de ponta a ponta.

Ninguém é como Parreira, tem a audácia do Parreira, se julga invulgar conhecedor do futebol como Parreira, tão vencedor quanto Parreira. Destaquemos afirmações da altamente jornalística entrevista de Parreira ao JB, assinada por Hilton Mattos .

1 – Fabio Luciano, que soube a hora de parar, é lembrado para auxiliar no Flamengo. Parreira: “Fabio Luciano me adora”. O auge do ego é achar que todos o adoram. Mal se conhecem.

2 – “No momento a melhor solução para o Flamengo é o Andrade”. Ha! Ha! Ha! Conversava com Kleber Leite para assumir o Flamengo, o problema era dinheiro. Atropelava Andrade que respondia pelo time. Kleber se demitiu, lá se foi a ética do “treinador rico e realizado”.

3 – “Nem sei se do Flamengo vão me telefonar novamente, não sei se assumiria o clube, em ano de eleição”. Desinformado mas falante. Ele assumiria o time e não o clube. A eleição em dezembro é para presidente e não para treinador.

4 – “Só assumo clube (é time) com projeto. Nada de pegar times no fim do campeonato, lutar para não ser rebaixado. Quero planejamento”. Aceita qualquer coisa, desde que haja dinheiro bom. Está na espectativa de vários cargos, até na seleção, para atrapalhar o Dunga.

5 – “Foi uma coisa estúpida, me demitiram pelo telefone. Meu contrato era até o fim do ano”. Assumiu na quarta ou quinta rodada e não fim como afirmou.

6 – “Não sinto magoa e sim frustração. Me demitiram pelo telefone. Se fizeram isso comigo, o que não farão com os outros treinadores”.

7 – Sempre Parreira acima de todos. Isso fica evidente quando se “compara” com os outros, “EU” sou muito melhor. E a frustração das seleções, (varias e não só do Brasil) foi “campeão” em 1994, a pior de todas e alem do mais nos pênaltis.

8 – “Estava acertando as coisas. O nível do nosso trabalho era muito bom. Não tiveram paciência”. Magistral. Assumiu o time na quarta ou quinta rodada, ficou umas dez.

9 – “Não preciso mais disso, vou escolher, aos 66 anos estou realizado”. Está mesmo, e principalmente muito rico. Ganhou fortunas no mundo árabe. Depois de “ganhar” 1994 nos EUA, foi substituído por Lazzarone, indicado por Eurico Miranda. Enriqueceu, tem todo o direito de dizer, “não preciso mais disso”.

10 – E como é que vai viver sem holofotes? Não perderá nada. Apesar de criticar os jornalistas, “eles não sabem entrevistar, perguntam o OBVIO, recebem o OBVIO como resposta”. Esse é Parreira, que continua aparecendo, embora desaparecendo.

Segunda-feira aguardem: mais um capítulo da novela, o presidente Lula e o grande amigo Sarney presidente Lula e o grande amigo Sarney

O presidente Lula parece estar se divertindo muito com o episódio Sarney. E se diverte antes, com a reação do Planalto. Depois, com a surpresa do próprio Sarney. E finalmente com o assombro de íntimos e não íntimos, com a facilidade com que se desmente, se contradiz ou se desdiz.

Primeiro, logo no início das acusações, surgiu com essa novidade sensacional a respeito do “julgamento” que as pessoas têm que ter. Para ele, “Sarney não pode ser julgado como um homem comum, por causa da biografia”.Concordo inteiramente com o presidente. Um homem como Sarney, que transitou com toda a facilidade e felicidade da ditadura para a democracia, tem que ser admirado, que capacidade.

Mais concordância: entrando na política pobríssimo, sem bens de família, hoje ostenta uma fortuna para ninguém botar defeitos, ele e a família. Nessa matéria de enriquecimento, para ele tudo é familiar.

E finalmente, minhas reverencias ao presidente Lula por ter visto na frente de todos: tendo começado em 1954/56 como suplente de deputado na Frente Parlamentar Nacionalista, Sarney foi percorrendo todas as faixas, chegando à extrema direita. Orgulhoso e feliz, anunciou: “É preciso acabar a dinastia de 40 anos de Vitorino Freire”. Acabou mesmo, implantou a sua, exatamente de outros 40 anos.

Só que Vitorino não tinha herdeiros políticos, acabou, acabou. Sarney tem filhos, netos, sobrinho, afilhados, até o namorado da neta (ainda é? Os jornais não dão sequencia).

Apesar de tudo isso, Lula não abandona o político Jose Sarney. Uma semana depois, absoluto e irrepreensível, Lula sempre publicamente declara: “Não votei em Sarney para presidente do Senado, eles que resolvam a questão”.
Não era desprezo, contradição, reviravolta. Apesar do seu “companheiro” Tião Viana ter duvidado de Lula, este mais uma vez é o guia genial, e tem o meu aplauso total e sem restrições.

A vida é dinâmica e não estática, raciocinou profundamente, e sempre com a maior coragem, mostrou que a coerência consiste em mudar e não em ficar. Bravos, presidente, não entendem essa competência de estudar os problemas.
Galileu não disse que a Terra por si move? E não tomou outra posição? Por que contradizer a Inquisição, que tinha certeza de que a Terra estava sempre parada?

Era a segunda posição, mas não a ultima. Ontem, sexta-feira, Lula deu mais uma aula inteiramente sensata e da qual só os tolos discordam. Defendeu Sarney e de passagem chamou alguns críticos de IMBECIS. O presidente não gosta de eufemismos, tem certeza de que o cidadão comum nem sabe o que é isso.

Dizem no Planalto que essa terceira afirmação do presidente foi lançada diretamente contra Mercadante, Suplicy, Palocci (como candidato ao governo de São Paulo) e todos os que se atiram contra o “grande amigo” Ciro Gomes. Neste caso, Sarney foi apenas uma estrada que Lula percorreu, não precisamente para atacar ou defender o presidente do Senado, e sim para fulminar “os que não entendem suas jogadas geniais”.

E uma delas, saída diretamente de sua cabeça, é o registro de Ciro como candidato a governador de São Paulo. Ciro não tem a menor chance de ganhar e até mesmo de obter legenda.

Mas Lula está executando uma estratégia, como criticar antecipadamente uma estratégia? Napoleão na Rússia e depois em 1812, partindo para o confronto com o almirante Nelson, não cumpria uma estratégia? Nenhum constrangimento em aplaudir o presidente Lula, afinal, quem se compara a ele, partindo do interior de Pernambuco e chegando a Brasília e conquistando o Planalto-Alvorada, o Brasil e o mundo?

Segunda-feira o Congresso reabre, depois de um necessário, reconfortador e indispensável recesso. O presidente Lula não pode deixar de fazer uma saudação a esses bravos parlamentares. E tendo refletido (uma constante do presidente) profundamente sobre a presidência do Senado, não deixará de vir com sua contribuição para resolver o problema.
Não tentem adivinhar, apenas se preparem para aplaudir. É uma estratégia e não uma tática, iriam querer que Lula antecipasse tudo que obteve com elocubrações geniais?

Quanto a este repórter, não me interessa se o presidente confirma a primeira ou a terceira afirmação, mesmo negando a segunda.

* * *

PS – Em matéria de Lula, acredito até mesmo na sua política de gastar 90 bilhões de juros (agora um pouco menos, ele sabe a razão) com a DÍVIDA INTERNA.

PS2 – Entendo até a política do presidente de NÃO QUERER o terceiro mandato. Como eu já disse, Lula não tem a OBSESSÃO de ficar, tem a OBSESSÃO de não sair. Só IMBECIS (royalties para Lula) não entendem isso.

Impopularidade eterna

Kleber Leite e Plínio Serpa Pinto (que já foi nome de navio famoso) deixaram cargos de direção no Flamengo, o time começou a ganhar. Corre um “bolão” na sede para saber: qual dos dois é mais impopular? Dizem que, entre Kleber e Serpa Pinto, impopulares mesmo são Marcio Braga e Dumbroski. Bestial, pá.

Fluminense não tem São Judas Tadeu

O Flamengo, qualquer que seja o dissabor, apela para o santo favorito. Muitas vezes, quase sempre, dá certo. Como não tem santo, o tricolor quer fazer uma passeata. Mas os torcedores colocam a exigência em letras maiúsculas: “Sem Parreira, Renato gaúcho ou plano de saúde”. Perfeito.

Andrade efetivado como treinador do Flamengo, jogadores, torcedores e “candidatos” gostaram

Numa reunião que começou hoje às 8 da manhã, satisfação geral. Andrade, um dos ídolos eternos do clube, foi garantido (?) como treinador. Ficaram com medo da reação contrária dos jogadores.

Amanhã, domingo, no Maracanã, o time enfrenta o Náutico, e se vencer, poderá estar no G-4, dependendo de outros resultados.

A decisão não causou constrangimento aos dirigentes (Deus me perdoe de chamá-los assim), mas foi um fato eleitoreiro, a eleição para presidente será em 7 de dezembro, e os 10 candidatos, todos contentes e sem restrições. Falta revelar, publicamente, o salário do treinador Andrade. (Exclusiva)

A Venezuela agride oficialmente a Liberdade de Imprensa, desconhece a Primeira Emenda

Da France Presse,  para o Estado de S. Paulo:
“A Promotoria da Venezuela apresentou ontem na Assembléia Nacional um projeto de lei que prevê pena de até 4 anos de prisão para funcionários de meios de comunicação que divulgarem informação “falsa”, “manipulada” ou “tergiversada” que cause “prejuízo aos interesses do Estado” ou atente contra a “moral pública” ou a “saúde mental” da população. Os crimes são caracterizados como “delitos midiáticos”.

“É preciso legislar sobre essa matéria. É preciso que o Estado venezuelano regule a liberdade de expressão”, disse a promotora Luisa Ortega Díaz ao apresentar uma versão preliminar do projeto de lei. “Tudo tem um limite e há que se pôr um limite a esse direito”.

Entre os crimes tipificados estão “a recusa de revelar informação” e a “omissão voluntária de oferecer informação”, que, mesmo estando em choque com o direito de proteção das fontes jornalísticas, estabelece pena de 6 meses a 4 anos de prisão para os infratores. “A segurança nacional deve prevalecer sobre a liberdade de expressão”, disse a promotora pública, justificando a iniciativa.”

Comentário de Helio Fernandes:
O coronel Chávez já vinha tentando dominar de todas as formas, a liberdade não só de expressão, mas o direito à informação que é propriedade inalienável da coletividade. A sua concentração nos mandatos i-n-i-n-t-e-r-r-u-p-t-o-s era mero paliativo. Queria e continua querendo, não apenas ficar indefinidamente no Poder, mas também exercer esse Poder, d-i-t-a-t-o-r-i-a-l-m-e-n-t-e.

Até aqui, o provinciano coronel Chávez ameaçava individualmente quem tivesse jornal, rádio ou televisão, o mínimo da intimidação era “cassar as concessões” (de rádio e televisão, lógico) e impedir de todas as maneiras o funcionamento dos jornais impressos.

Mas cada ato ditatorial provoca a consequente repercussão, contrária e negativa.  Agora, não, será lei, o governo Chávez estará cumprindo o que for (será) determinado pela Assembléia Nacional. Essa indigitada Promotoria englobou tudo. Nada ficou inatingível, nenhum direito foi respeitado, garantido, consolidado.

As restrições são gerais e totais, foram criadas expressões criminosas, ilimitadas e até mesmo inexplicáveis, como essa ofensa à “SAÚDE MENTAL” ou o atentado à “MORAL PÚBLICA”.

Está implícito o fim do sigilo das fontes de informação, toda e qualquer informação terá que ser aprovada pelo Estado, o limite da liberdade é esse.

O Estado na Venezuela passará a estimular a subserviência para não punir a todos pela subversão.

É impossível comparar o Brasil de hoje e a Venezuela também de hoje, já que no passado, os dois países fizeram da violência não apenas a órgãos de comunicação mas a toda a população, forma brutal e irresponsável de governar. Agora, essa promotora que assina o nome por inteiro, publicamente, explica: “É preciso que o Estado, na Venezuela, REGULE A LIBERDADE DE EXPRESSÃO”.  Deve ser muito primária para não perceber que a Liberdade, regulada e regulamentada, não tem mais nada a ver cm a Liberdade.

* * *

PS – Estão programando na Venezuela, o que se conhece no mundo como PRIMEIRA EMENDA, (da Constituição dos EUA) só que vão executar tudo ao contrário, não vão copiá-la para exaltar e sim para violentar.

PS2 – Felizmente no Brasil, mesmo num formidável equívoco, o Supremo Tribunal ACABOU com uma Lei de Imprensa que nunca existiu e jamais foi aplicada. Era de 1967 e servia á ditadura, que tinha o Poder de prender, de julgar, de condenar. Esse Poder DITATORIAL não existe mais. O coronel Chávez quer reviver esse Poder na Venezuela.

Na tempestade Ciro Gomes, uma cilada do PT para Lula

Pedro do Coutto

Através do ministro José Mucio Monteiro, da Coordenação Política, o presidente Lula desautorizou frontalmente a posição assumida pela bancada do PT no Senado que, na sexta-feira, defendeu a saída de José Sarney da presidência da Casa. A comunicação, inclusive, foi veiculada pessoalmente pelo líder do partido, Aloísio Mercadante. O presidente da República terá conseguido dobrar a legenda e levá-la da rejeição a Sarney? É pouco provável. Na realidade, ao desautorizar Mercadante, Lula fez exatamente o que a agremiação desejava, principalmente a regional paulista. A seção está aproveitando o episódio Sarney para fomentar uma crise e, com ela, inviabilizar a candidatura Ciro Gomes ao governo de São Paulo num esquema de apoio à campanha da ministra Dilma Roussef ao Planalto. Aconteceu assim um lance inesperado: O PT – como está no título deste artigo – aproveitou a tempestade chamada Ciro Gomes para armar uma cilada para Lula. O presidente da República caiu na armadilha. Foi ultrapassado pelos fatos que, em política, nunca se desencadeiam por acaso.

O PT, com Mercadante à frente, pensou, repensou, articulou e desfechou o lance não plenamente identificado por Brasília. A reação contundente de Luis Inácio à bancada do PT tornou praticamente impossível que a regional partidária possa se mobilizar ao lado de Ciro. Era isso que o partido desejava que ocorresse. Tanto assim que a nota de José Mucio Monteiro foi prontamente rebatida, não só por Mercadante, mas também até por Eduardo Suplicy. Este inclusive, senador eleito e reeleito por São Paulo, é o candidato potencial a governador mais ultrapassado pela fórmula Ciro Gomes. Não poderia, claro  ter ficado satisfeito com a iniciativa.

Estava na linha de frente das perspectivas partidárias. Quais os outros nomes? Aloísio Mercadante perdeu para José Serra em 2006. Marta Suplicy vem de duas derrotas para a Prefeitura da capital. Perdeu para Serra  em 2004, perdeu para Gilberto Kassab em 2008. Suplicy seria uma alternativa, sobretudo ao fortalecimento de Dilma no Estado que é o maior colégio eleitoral do país. Mas não foi levado em consideração. As articulações em favor da chefe da Casa Civil –matéria de Eliane Catanhede e Valdo Cruz, Folha de São Paulo de 28/07- estão entregues no território paulista aos ex ministros Antonio Palocci e José Dirceu. Tais articulações, como ambos já revelaram, passam pela escolha de Ciro ao executivo paulista. O deputado pelo Ceará é do PSB.

Assim, sua candidatura com o apoio do PT, pela legislação eleitoral exige uma aliança política. Exatamente por isso, dificultar e até inviabilizar totalmente tal composição é a meta de |Mercadante e do próprio PT. Lula arriscou uma jogada difícil. Não estás dando certo. O presidente ficou mal na fotografia, sobretudo a partir de agora: não percebeu a areia movediça que lhe foi colocada à frente no maior centro econômico brasileiro.

A ministra Dilma Roussef parece também não ter tr4aduzido a manobra. Sobretudo porque nenhum candidato pode ter êxito se o seu esquema de sustentação for imposto AA força. Assim, o conflito aberto com a entrada de Ciro Gomes no teatro paulista, agravado com um apoio nesta altura dos acontecimentos bem pouco possível dos acontecimentos bem pouco possível a José Sarney, não poderá ser positivo para lhe fornecer umas base sólida de votos. Pelo contrário. A entrada de Ciro em cena, ficou claro, promove não a união do governo, mas na verdade a desunião das forças partidárias. A candidatura Ciro está se evaporando. Passa por São Paulo apenas como uma nuvem que o vento leva. O governo perdeu pontos. Preciosos.

Desembarcando ou manobrando?

Carlos Chagas

Como passará   José Sarney  o fim de semana, sob o eco das palavras do presidente Lula a respeito de não haver votado nele e de  que o problema da  permanência de um senador  na presidência do Senado não era dele?

No mínimo, uma descortesia, para não falar em reviravolta verbal. O telefone não tocou ontem no quarto do hospital Sírio-Libanês ou no apartamento da família Sarney,  em São Paulo, pelo menos em se tratando de uma chamada oriunda do palácio da Alvorada. Até agora o  Lula não pensou em minimizar os efeitos de sua afirmação,  explicando-se ao ex-presidente. Não precisava, é claro, porque governantes não se explicam, já recomendava Disraeli. Mas teria sido um gesto maior do que explicar-se, caso tivesse telefonado: uma evidência de continuar respaldando o aliado em sua guerra com as oposições.

A semana a se iniciar amanhã  promete, com a reabertura dos trabalhos parlamentares. Por conta da operação de D. Marly, há dúvidas sobre  se José Sarney estará presente nas primeiras sessões do Senado, ainda que o Conselho de Ética deva reunir-se  para receber as representações contra o presidente da casa. Ao mesmo tempo,  a bancada do PT solucionará a dúvida hamletiana de ser ou não ser  pelo afastamento de Sarney.  PSDB e DEM continuarão batendo firme, tanto quanto o PMDB fingindo-se de morto. Numa palavra, a  semana parece quente.

Mudar tudo de uma vez?

O ministro da Justiça, Tarso Genro, deu a partida, anunciando pretender continuar no cargo apenas até dezembro. A menos, é claro, que o presidente Lula exija sua permanência até o prazo máximo da desincombatibilização, a 31 de março do ano que vem. Candidato lançado ao governo do Rio Grande do Sul,  precisa concentrar-se na campanha.

E os demais ministros-candidatos? De Edison Lobão a Geddel Vieira Lima, de José Pimentel a Henrique Meirelles, Patrus Ananias e tantos outros, são no mínimo vinte dispostos a disputar governos estaduais e cadeiras de deputado e senador.

Por conta disso crescem junto ao presidente Lula as sugestões para que antecipe a reforma do ministério e a promova de uma só vez, neste segundo semestre. Empurrar as mudanças com a barriga significa aproveitar em grande parte os secretários-executivos de cada pasta, ou seja, aplicar meia-sola no governo, precisamente no ano em que mais necessitará mostrar ação e resultados. Nada existe contra os secretários-executivos, mas, convenha-se, formam no segundo time, na hora em que o campeonato torna-se mais emocionante.

Escoadouro de votos

O tema já foi abordado mas merece ser repetido. Em poucas semanas será aplicada milimetricamente em São Paulo a lei anti-fumo. Até nas calçadas será perigoso acender um cigarro, quanto mais nos bares, restaurantes e estádios de futebol. Estão suprimidos os fumódromos e mesmo nos quartos de hotel as restrições se farão sentir.

Quantos fumantes podem ser catalogados no país inteiro? Vinte milhões, no mínimo. Senão vinte milhões de eleitores, quase isso, já que o voto é direito de quem fez dezesseis anos.

Será que o governador José Serra pensou nesses números, ele que se transformou no maior algoz nacional do cigarro? Perderão os companheiros a oportunidade de apresentá-lo como criador de agruras para tanta gente? E por que persegue de forma implacável o usuário de tabaco quando cruza os braços diante dos produtores agrícolas, das fábricas e dos que comercializam cigarros?

Deveria pensar um pouco mais o candidato  tucano, mesmo sem abrir mão de seus postulados em defesa da saúde pública.  Flexibilizar sempre foi  verbo do agrado do PSDB, que o diga Fernando Henrique Cardoso, responsável por atropelar  a soberania nacional,   o patrimônio público e os direitos sociais.  Ser derrotado por perder o voto dos fumantes pode constituir-se numa bobagem.

Na Bovespa, a Bolsa ou a vida

É incrível como enganam os investidores. Lógico, os lucros das ações manipuladas são altos, permitem o pagamento dos amestrados. Esse é um pagamento reversível, como as faixas em cidades de trânsito engarrafado.

Quanto mais e melhor pagam aos amestrados, mais eles retumbam de “otimismo” mesmo entre aspas, mais os jogadores ganham. Na alta e na baixa. Na alta, comprando. Na baixa, o cidadão comum já ouviu falar em ficar “vendido a descoberto”? Pois é, nesse caso, quando o índice cai, eles faturam.

O índice começou em alta de 0,40% em 54 mil e 700 pontos, ao meio-dia, subiu mais um pouco, desceu muito, 5 horas depois fechava. Em 54 mil 740 pontos, alta de 0,48%. Parece nada, não é? Mas quem está dentro do pregão, os chamados “profissionais” da jogatina ganharam bastante.

Apesar do volume jogado não ter chegado a 4 bilhões. Mais da metade é de trouxas DIRETOS ou troxas INDIRETOS, dos Fundos.

“Foi ele que elegeu o Sarney”

Essa frase do título foi dita ontem à senadora Ideli Salvati pelo senador Tião Viana. Este não resistiu, até compreensivelmente.

O representante do Acre concorreu com Sarney, esperava ganhar com o apoio de Lula. Perdeu porque Lula mandou votar no maranhense.

Tião Viana não quer abrir o jogo, espera ser o substituto de Sarney. Não será. (Exclusiva)

Lula: o orgulho da arrogância e da contradição incontida

O presidente, hoje pela amanhã, viu vários jornais, estava impossível de alegria. Motivo? A repercussão da declaração, “não votei no Sarney, o Senado é que tem que resolver”.

Os dois assessores que o aconselharam a não defender Sarney, satisfeitíssimos, só que não podiam falar nada. São impopularíssimos (não de forma ostensiva) no Planalto-Alvorada. Não quero nem dar os nomes, para não agravar. (Exclusiva)

Hipocrisia dos que combatem o Bolsa Família

Nem é preciso afirmar ou repetir: “O importante é o emprego e não a esmola social”. Ou então repetir os sábios chineses de séculos passados: “O correto não é dar o peixe e sim ensinar a pescar”. Isso é ótimo para quem tem o mar à disposição, e a pescaria como diversão.

12 milhões de famílias

Num mundo que tem 6 bilhões e 600 milhões de habitantes, com um terço (mais de 2 bilhões de pessoas) vivendo na mais completa miséria, qualquer coisa que for destinada ao cidadão, não pode sofrer restrição.

Não é o ideal, mas o que é o ideal fora dos que dominam “a indústria empresarial militar”? E se aceitam o “Bolsa Família” com medo de contrariar os que recebem esse dinheiro, por que combater o reajuste de 10 por cento? Só mesmo com hipocrisia. (Exclusiva)