Dívidas no país e do país alcançam 3 trilhões de reais

Pedro do Coutto

Para os políticos que estão se elegendo hoje, para a Presidência, os governos estaduais e os legislativos, refletirem e  pensarem no que fazer: as dívidas de pessoas físicas e jurídicas (empresas) no país, segundo o diretor do departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, atingiram em junho deste ano o montante de 1 trilhão e 530 bilhões de reais. Juros, em média, de 40% a/a, portanto 600 bilhões flutuando no mercado a cada doze meses. Se somarmos a esse 1 trilhão e 530 bilhões, lembro eu, a dívida mobiliária interna do governo, papéis no montante de 1 trilhão e 500 bilhões, vamos concluir que o sistema global de endividamento alcançou em junho a cifra fantástica de 3 trilhões de reais. De lá para cá, só fez aumentar, embora poucas pessoas realmente se preocupem com isso.

É praticamente o nível do PIB, para se fazer uma comparação. Setenta por cento a mais do que o orçamento da União para 2010, que se eleva a 1 trilhão 766 bilhões. A diferença é que enquanto para o primeiro bloco da dívida os juros anuais são de 40% (oito vezes a taxa inflacionária calculada pelo IBGE), para o segundo bloco (dívida do governo para com os bancos) a taxa anual é de 10,75%. Os dois resgates, entretanto, são impossíveis.

Outro dia os jornais publicaram que a dívida mobiliária interna (títulos em poder dos bancos e dos investidores, grande parte estrangeiros) cresceu 7% no semestre, atingindo 1 trilhão e meio. Para as pessoas físicas, a velocidade é de 1% ao mês. Ou 12% a cada período de 12 meses. Porque é impossível o resgate? Porque os reajustes salariais ficam muito abaixo, pelo menos a metade do crescimento anual das dívidas.

As pessoas físicas deviam em junho – acentua o jornalista Eduardo Cucolo, autor da matéria – 496,9 bilhões de reais. A massa de salários para ao ano no país ficava em torno de, no máximo, 800 bilhões. É só constatar a arrecadação do FGTS em 2009, contida no relatório da Caixa Econômica, publicado no Diário Oficial. Foram 48,7 bilhões. Como tal receita refere-se à contribuição patronal de 8% sobre as folhas de pagamento, conclui-se que elas oscilam em torno de 600 bilhões. Mas há quase 6 milhões de servidores públicos, civis e militares, que não se encontram incluídos no Fundo de Garantia. Então verifica-se que os assalariados devem 60% de seus vencimentos. E os juros cobrados (40%) superam por oito vezes o índice oficial da inflação.

A indústria deve – acentuou Altamir Lopes – 323,9 bilhões. O setor de serviços (por que tanto?) deve 265,2 bilhões. Para o setor de habitação, despesa pública, foram contratadas dívidas no montante de 110,6 bilhões de reais. Insuficiente, por sinal. Já que o déficit brasileiro situa-se hoje em torno de 11 a 12 milhões de moradias minimamente dignas. E programas de habitação têm que incluir saneamento e infraestrutura a começar por água, esgoto e eletricidade.

Solução difícil, já que no Brasil existe a correção de débitos pela taxa Selic. Impossível recair sobre o setor de habitação. Pelo seguinte: os reajustes salariais não acompanham os das prestações e, ainda por cima, extremo absurdo, a correção recai também sobre o valor dos juros. Assim, de fato, existem duas atualizações dentro de uma só. Nos Estados Unidos, por exemplo, a correção prevista está embutida na taxa de juros cobrados. O valor das prestações não muda ao longo do tempo. Em nosso país, muda a cada três meses. E muda para pior. Cada vez torna-se mais penoso poder pagar as mensalidades. Correção em cima de juros? Ótimo para os banqueiros. Péssimo para a população.

Amanhã: eleição sem título, sem candidato, sem voto, só documento com foto. Essa eleição, 48 horas depois de um debate triste, melancólico, sem polêmica, projeto, compromisso

Na República, os presidentes não tinham votos nem disputavam eleição. Deodoro e Floriano foram “indiretos”, Prudente, Campos Salles e Rodrigues Alves, paulistas, Nilo Peçanha, substituto por 17 meses, Afonso Pena,o primeiro civil não paulista, morreu no cargo.

Surgiu a oportunidade Rui Barbosa. 1910, 1914, 1918, 1919. Na primeira eleição, combateu as três maiores potências. A Igreja, o Exército, o Republicano, partido único. (Disputou como independente, possibilidade que acabou em 1934). Perdeu, mas com excelente votação.

Em 1914, começando a campanha, foi procurado por Pinheiro Machado (diziam que “fazia” presidente, nunca elegeu a ele mesmo), com uma proposta. “Rui, você concorda com a reforma da Constituição, é indicado pelo Partido Republicano, está eleito”. Rui pediu 72 horas, no dia seguinte foi para a tribuna do Senado (Pinheiro Machado também era senador), fez discurso violentíssimo olhando o próprio adversário, declarou: “Estou renunciando à candidatura, não quero que suspeitem que garanto eleição, rasgando a Constituição”. E foi embora.

Em 1918, se preparava para disputar, os maiores estados se juntaram para apoiar Rodrigues Alves, excelente figura, ex-governador de SP no Império, depois presidente da República, novamente governador. Rodrigues Alves não queria, estava com 70 anos (isso em 1918), muito doente, não fez campanha, não saiu de sua chácara em Guaratinguetá. Rui não disputou, apesar dos recados respeitosos do candidato. (Eleito, não daria para tomar posse).

Em 1919, com a vacância do cargo, começaram a negociar nova eleição. Todos os grandes estados queriam indicar o presidente, resolveram eleger Epitacio Pessoa, que estava em Versalhes, representando o Brasil na RENDIÇÃO INCONDICIONAL da Alemanha, na Primeira Guerra Mundial.

Eleito e não empossado, Rodrigues Alves convidou Rui para esse cargo, recusou, sabia que haveria outra eleição. E houve. Com Rui candidato, aos 69 anos, cansado, mas correndo o Brasil todo. Ganhou Epitácio (tio de João Pessoa) que não saiu de Paris, a Constituição permitia. Rui perdeu, abandonou a vida pública sem chegar a presidente.

Esse “passeio”, para mostrar a falta de representatividade presidencial no Brasil. Entre uma ditadura de 15 anos e outra de 21 (agravadas pela renúncia de Jânio Quadros), a única eleição presidencial de Vargas, 43 por cento dos votos, não havia segundo turno. Depois, Juscelino 36%, Lacerda 29% (para governador), implantaram o segundo turno, ou terminariam empatados.

Estamos 24 horas antes da eleição, e 24 depois do que chamam insensata e despropositadamente de debate. Na verdade, não foi nada disso, foi monótono, cansativo, sem qualquer definição, uma hora e 50 minutos jogados fora, segundo institutos que “mediram a audiência”, por causa da hora, começou com pouca gente, caiu ainda mais.

O proprio jornalão da Organização, em manchete, chora, lamenta, se arrepende, mas confessa: “Debate sem polêmica fecha a campanha presidencial”. A culpa, lógico, dos dois lados. Da TV Globo, que “pautou” o encontro da forma a mais inconsequente possível, as perguntas eram feitas PREOCUPADAMENTE e respondidas SOFRIDAMENTE.

Os grandes problemas do Brasil só passaram perto do Plinio Arruda Sampaio, ninguém fugia dele e sim dos assuntos que tentava introduzir no programa.

Amanhã, 130 milhões estão inscritos para votar, têm que comparecer, é OBRIGATÓRIO. Até anteontem, a coisa mais importante do país, era o TÍTULO DE ELEITOR. Qualquer um que completasse 18 anos (logo desceu para 16, tratava de se alistar. Enfrentava filas colossais, ficava orgulhoso, “já tenho meu título, vou votar”.

Amanhã, não esqueçam: uma carteira com foto, “joguem o título de eleitor no lixo”. (Royalties para Cezar Peluso, presidente do Supremo.

Dona Dilma tentou um debate LIMPO, só falava em saneamento: “GASTAMOS 40 BILHÕES, e no meu governo, vou gastar muito mais”. Ótimo, mas só cuidará de SANEAMENTO. E os outros grandes problemas, se perderão no tempo, na incompetência e na convicção de que vai ganhar amanhã (nem se discute) , consagrada pelo cidadão-contribuinte-eleitor.

José Serra, onde vai buscar condições para disputar a presidência pela segunda vez? Em 2002, o PSDB (leia-se: FHC) queria retirar sua candidatura, resistiu, afirmou: “Estou com 60 anos, minha vez é agora”. Eu disse que NÃO ERA, NÃO FOI.

Agora, com 68 anos, pensa (?) que tem chance, é capaz de acreditar na mesma coisa, em 2014, com 72 anos.

Dona Marinha tem obsessão por MEIO AMBIENTE, o resto não interessa. O governo Lula (ainda?) compra dólar desde que ele estava a 3,20, dizem: “Compramos para o dólar não cair demais. É preciso contê-lo”. Mas a moeda já está em 1,68 (no momento em que escrevo) e o Banco Central COMPRANDO. os prejuízos acumulados são chamados de RESERVAS. Ninguém tratou do assunto, como fugiram de tudo o que é importante e imprescindível.

Ninguém falou nas fabulosas DÍVIDAS (INTERNA E EXTERNA), em INFRAESTRUTURA (palavra amaldiçoada), Saúde, Educação, Transportes, a não ser como forma de preencher o tempo, o espaço e a paciência do telespectador.

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PS – Nenhum compromisso, projeto, programa, realização fechada. E as privatizações-doações? Ninguém falou nada. Assim como Lula ASSIMILOU e ASSUMIU tudo, Dona Dilma fará o mesmo.

PS2 – Não há mais o que dizer, estamos na hora de votar OBRIGATORIAMENTE. Mas reflitam, examinem, pesem os nomes, não apenas para presidente.

PS3 – Como o Brasil é o único pais que faz todas as eleições no mesmo dia, (deixando de fora a municipal, que devia ser a mais importante, 195 milhões moram no município) examinem bem.

PS4 – Governador, senador, deputado federal e estadual, são importantes. Fiquemos preparados para PARTICIPAR ATIVAMENTE, desde o 1º de janeiro.

Em Pernambuco, Eduardo Campos reeeleitíssimo, Marco Maciel “reagindo”

Helio Fernandes

Eduardo Campos, governador de Pernambuco, deve ser reeeleito com mais de 65 por cento dos votos. O senador Jarbas Vasconcellos (mandato até 2014) não consegue explicar a derrota. Já foi tudo no estado, agora mal chega aos 25 por cento dos votos.

Quanto a MM (Marco Maciel), me dizem, “está reagindo, ultrapassou (“teria ultrapassado”) o ex-presidente da CNI, Armando Monteiro”. Este não teve tempo de servir à ditadura, mas se atrela a todos os governos.

Grande figura é o pai, ainda vivo e também Armando Monteiro. Conheci em 1946 na Constituinte, éramos mocíssimos. E amicíssimos.

CESAR MAIA-PICCIANI

O ex-prefeito desapareceu do mapa eleitoral para o Senado, apesar de ter gasto muito. Picciani, 16 anos sócio de cabralzinho (8 anos na presidência da Alerj para cada um), também jogou muito dinheiro na fogueira (isso não é problema). Diz que será eleito na segunda vaga, “estou superando o Crivella”, textual.

Lula perde no Amazonas para governador, pode eleger um senador, melhor, senadora

Helio Fernandes

O último debate nos estados, definiu algumas dúvidas, fez crescer outras, No maior (territorialmente) estado do país, Alfredo Nascimento, ex-ministro de Lula e com 4 anos ainda no Senado) disputa o governo com Omar Aziz, este apoiado pelo ex-governador Eduardo Braga. Que será senador com a maior votação (proporcional).

Depois do debate, manchetes de jornais de Manaus: “Alfredo Nascimento mentiu”. Já não ia bem, agora está pior.

A sensação é a disputa para o Senado, Vanessa Graziotin (PCdoB) e Artur Virgilio (PSDB). Vários analistas se recusam a comentar, explicam: Virgilio está na frente na capital, Vanessa no interior. Mas de tal maneira “embolados”, que qualquer um pode ganhar.

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PS – Para os dois, alguns dias de angústia, por 8 anos de tranquilidade.

Conversa com leitores, sobre Mercadante, Lula, Marco Maciel e até Dom Helder

Emerson57:

“Helio, garanto que o Mercadante será o novo governador de São Paulo. Aposto uma mariola”.

Comentário de Helio Fernandes:
Está apostado. Mariola e bananada, juntos, para mostrar a certeza. Ou pagar pela incerteza.

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Afonso Miranda:
“Aceito o 3º mandato do Lula, o 4º, o 5º e até não sair mesmo, ficar para sempre”.

Comentário de Helio Fernandes:
Gosto dessa coragem (ou audácia?) de afirmar, de defender a própria convicção , concordem ou não. É isso que está faltando no pais, a participação. E participação, Afonso, é o que você faz, mostrando que preferiria o Lula, muitas vezes.

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Ernesto:
“Desculpe, Helio, mas Marco Maciel vai se recuperar e garantir mais 8 anos no Senado. Para satisfação dos seus amigos, e até dos que não o conhecem, pois ele só trabalha para o estado e o país”.

Comentário de Helio Fernandes:
Da mesma foram como estive várias vezes em Pernambuco para conversar com D. Helder (que tempos, Ernesto) e na campanha de Juscelino e de Jânio, também iria só para fazer comício pela derrota de MM. Mas por que contrariar você, que procura reelegê-lo?

O teto do Supremo continua firme

Carlos Chagas

Durante quase um século, ainda na Idade Média, os papas deixaram Roma, fazendo de Avignon, na França,  a sede da cristandade. Para não dizer dissolutos, os costumes eram mais ou menos livres, a começar pelos cardeais, verdadeiros príncipes da Igreja.  Um belo dia morreu o Papa e eles  reuniram-se em concílio para escolher o sucessor,  mas nada de chegarem a um consenso. Também, para que? A vida transcorria entre festas,  banquetes, impasses calculados  e  tentativas  de suborno que aumentavam a bolsa de cada um. Foi quando o rei Felipe, da França, que tinha o seu candidato,   mandou os soldados seqüestrarem  os  cardeais, prendendo-os numa capela nos subúrbios da cidade, com uma peculiaridade: não havia teto e as portas e janelas tinham sido muradas. Estavam Sua Eminências expostos ao sol, ao sereno, à chuva e à neve. Uma vez por dia recebiam pequena quantidade de pães  e o alerta de que nem isso teriam, caso não escolhessem rapidamente o novo Papa.  Escolheram, é claro.

Essa história se conta, com todo o respeito, a propósito  do Supremo Tribunal Federal.  Claro que guardadas as proporções. A mais alta corte nacional de justiça não decidiu se a lei da ficha limpa vale ou  não vale para as eleições de amanhã, deixando eleitores e candidatos em  grandes dúvidas. Ignora-se quando decidirá, provavelmente depois que o presidente Lula designar o último cardeal, perdão, o décimo-primeiro ministro que falta para completar a corte e evitar a continuação do empate de 5 a 5 lá registrado. Cada dia que passa aumenta a perplexidade nacional.   Afinal,  dúvidas constitucionais são para ser dirimidas pelo Supremo, assim como a escolha dos papas cabe aos cardeais.

Felizmente não temos rei, mas, se o impasse persistir,  quem sabe algum ministro, no plenário,  olhe para o alto  e dê graças a Deus porque o teto continua lá…

INTERFERÊNCIA TELEFÔNICA?

Um repórter da Folha de S. Paulo jura ter visto e escutado o candidato José Serra pedir a um auxiliar que  providenciasse  ligação celular-telefônica para o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. Era a tarde de quarta-feira e a mais alta corte nacional de justiça apreciava recurso do PT contra a obrigatoriedade de os eleitores,  para poder votar  amanhã, apresentarem  o título e mais um   documento qualquer, com fotografia.  A decisão já contava com sete ministros contrários à dupla exigência.  Coincidência ou não, depois de receber  telefonemas, como todos os demais ministros recebem durante os julgamentos,  Gilmar Mendes pediu vista do processo e adiou seu voto.

Tanto  Serra quanto o ex-presidente do Supremo negam que se tenham falado, mas não deixa de ser significativo que os tucanos sustentem a manutenção da necessidade dos dois documentos e os companheiros agora  se insurjam contra ela. Complicações prejudicam  eleitores mais modestos.

BIRUTA DE AEROPORTO

Empenham-se os institutos de pesquisa, esta semana, em apresentar diariamente os últimos números apurados junto à pequeníssima fração do eleitorado que conseguem consultar. Assim, os números não batem, sequer os de cada instituto com ele mesmo, pois  o  divulgado   na véspera colide com o mostrado no dia seguinte.  “Dilma caiu”, “Dilma parou de cair”, “Dilma continua onde estava”, “Serra cresceu”, “Serra estacionou”, “Marina subiu” e outras conclusões tem sido apresentadas  pelos veículos de comunicação e pelas próprias  empresas encarregadas das consultas, tudo sem o menor respeito à inteligência do  eleitor.  Será que imaginam estar o cidadão comum acreditando na dança dos percentuais, como se a população se assemelhasse a imensa biruta de aeroporto, ao sabor  do vento? Na verdade, quem quiser aferir as tendências e até as decisões já tomadas por 135 milhões de eleitores, em 5.583 municípios do país, deve esperar a abertura das urnas, amanhã à noite. Ficar imaginando acertar,  depois de consultar quatro mil eleitores em duzentos municípios, ou é presunção descabida ou vã tentativa   de influenciar a voz do eleitorado.

VER TUDO COMEÇAR DE NOVO?

Em sã consciência, poderá ser preso como boateiro ou doido quem afirmar, hoje, que vamos ou não vamos ter segundo turno nas eleições presidenciais. O problema   é que,  se tivermos, deve o cidadão comum preparar-se para mais algumas semanas de sofrimento.  Voltará a execrável propaganda gratuita no rádio e na televisão, como de novo ganharão as ruas os abomináveis carros de som, além das falsas tertúlias entre candidatos – no caso apenas dois no plano federal e nos estados onde não tiver havido vitória na primeira eleição para governador.  Sem esquecer os debates com as mesmas regras coercitivas anteriores, a empáfia de boa parte dos  mediadores e o canhestro aproveitamento da fala de cada um conforme as tendências partidárias e econômicas do veículo de comunicação que for comentá-los.

Ainda bem que eleições gerais,  só de quatro em quatro anos…

Singer tenta voar no tempo: de Vargas a Lula

Pedro do Coutto

Num ensaio muito bem escrito, duas páginas da Folha de São Paulo, numa edição de domingo, o jornalista André Singer, ex-porta-voz do atual presidente, tenta um vôo no tempo, uma espécie de ponte histórica entre Vargas e Lula. Interessante o estilo, fascinante a história que parece ter presenciado, Brizola levando Luis Inácio da Silva a visitar o túmulo de Vargas em São Borja, criando um diálogo hamletiano entre o passado e o presente. Deve ter ocorrido em 98 quando o ex-governador do Rio de janeiro foi candidato a vice na chapa da figura maior do PT.

André Singer em seu extenso texto tenta desenvolver uma filosofia entre os caminhos dos dois líderes. Consegue em parte encontrar uma essência comum, a do arrebatamento das grandes massas. Mas comete equívocos. Quem se propõe a comparações de épocas tão diferentes está sujeito a cair nas armadilhas da História. Sobretudo Singer, moço demais, que não viveu a era Vargas. Um dos enganos é classificar Vargas de populista.

A criação da CLT, em 1943, a lei que terminou com o trabalho semi-escravo no Brasil é populista? Ou reformista? Creio que o jornalista da FSP não leu a Consolidação das Leis do Trabalho e não analisou seu significado numa época em que o capital não admitia o progresso social de forma alguma. A criação da Petrobrás foi populismo? A transformação da Itabira Iron em Vale do Rio Doce? A criação do IBGE? A implantação da Cia. Siderúrgica Nacional? O projeto da criação da Eletrobrás, encaminhado ao Congresso em 53, e que demorou dez anos para ser transformado em lei por João Goulart? A implementação da Previdência Social, muito mais custeada pelas empresas do que pelos empregados, foi populismo? Singer necessita informar-se melhor. Vargas, um ditador que acobertou a tortura contra presos políticos, é uma de suas faces. Mas não a imagem plena.

É fundamental considerar-se que Vargas governou, de 39 a 45, em plena Segunda Guerra Mundial. De um lado Hitler e Mussolini, depois Hiroito, de outro Winston Churchill e Roosevelt, os dois maiores estadistas da história. Foram tempos difíceis – definiu o chanceler Osvaldo Aranha na última entrevista de sua vida – o presidente não podia errar, acrescentou.

André Singer quando aterrisa no aeroporto lulista cresce em seu ensaio. São ótimos os conceitos a respeito do presidente reeleito que vai eleger sua sucessora, ajudado pelo destino a partir da impopularidade de Fernando Henrique na fase final de seu segundo mandato. Motivos concretos não faltaram. Basta lembrar as crises energéticas de 2002. Foram duas seríssimas.

Lula, como sustenta Singer, encarnou a proteção aos pobres. Porém não só isso. O Bolsa Família, que Singer destaca, este sim é um programa populista, na medida em que é uma doação governamental. O crédito consignado, a juros mensais de 2,5% para aposentados do INSS e funcionários públicos, significa um alçapão para a pobreza. Não redistribui nada. Ao contrário, a concentra. Já a expansão do crédito, que tanto incentiva o consumo e, como reflexo, uma sensação de bem-estar social, decorre da adoção de uma nova moeda no país: a moeda escritural. Um saque para o futuro. Tal sistema, como na poesia de Vinicius de Moraes e Tom, precisa de vento sem parar.

A popularidade de Lula é incontestável, conseqüência de sua personalidade, sua capacidade de absorver golpes, principalmente vindos de falsos aliados e falsos amigos, de seu carisma no encontro com o povo nas ruas e nas telas da TV. Realizou entretanto coisas concretas. Assim não fosse, não haveria marketing que o sustentasse. Singer tem razão nisso. Mas está absolutamente errado quando compara agosto de 54 com a crise do mensalão de 2005. Essa não, André Singer. Não diga isso nunca mais. Por favor.

Os fundos de previdência privada e a retirada do patrocínio

Jorge Folena

A fundação de previdência privada é constituída pelo somatório de recursos dos trabalhadores, associados aos do empregador, para formação de uma reserva de capital, cuja finalidade é assegurar benefícios e vantagens no futuro.

O empregador investe seus recursos, mas também recebe vantagens em troca, tendo inclusive retorno na produção, pelo esforço dos trabalhadores, que produzem mais com a expectativa de um futuro melhor.

Os trabalhadores, por sua vez, ao aderirem ao fundo, buscam segurança e respaldo no princípio da solidariedade, onde a união faz o grupo forte, dando-lhe uma capacidade que supera a soma dos indivíduos.

Desta forma se constitui um fundo monetário, cujos bens e recursos precisam ser administrados com precisão, o mesmo ocorrendo com o patrimônio mobiliário e imobiliário constituído ao longo do tempo.

Porém, o trabalhador amparado por um desses fundos não está assegurado para o resto da vida, como poderíamos imaginar, havendo casos em que o empregador decide interromper sua contribuição.

Com efeito, não há impedimento para o empregador retirar seu patrocínio ao fundo, contudo ele deverá honrar os compromissos já firmados e os direitos garantidos aos participantes e seus beneficiários, liberando-se apenas dos compromissos sociais com novos associados.

No entanto, a ameaça de retirada de patrocínio gera tamanha pressão psicológica e insegurança nos participantes, que trabalhadores e beneficiários são, muitas vezes, persuadidos a aceitar a proposta de resgate dos benefícios ou a optar pela portabilidade para outros fundos.

Trabalhador, todo cuidado é pouco

Isto faz com que o fundo fique esvaziado dos participantes originários e já em gozo de benefícios, que colaboraram durante anos com recursos que foram investidos em negócios muitas vezes rentáveis. Desta forma, o patrimônio (móveis e imóveis) do fundo fica sob o controle exclusivo dos patrocinadores. Com isto, retira-se dos trabalhadores a possibilidade de assumir a gestão de um fundo que pode ser lucrativo e próspero.

Saliente-se que, na eventualidade da liquidação do fundo, e uma vez pagos os credores, todo o patrimônio deve ser repartido entre os participantes (trabalhadores) e seus beneficiários.

É importante registrar que há casos em que a administração do fundo é feita exclusivamente pelos patrocinadores, que indicam seus representantes diretos e também os participantes a serem eleitos pelos trabalhadores. Este fato revela a ausência de gestão participativa e democrática na administração e condução do fundo, dificultando o acesso às informações, o que é essencial nesse tipo de negócio, segundo orientação constitucional.

Portanto, nessas hipóteses, toda a responsabilidade pela gestão e sucesso do fundo é exclusiva do empregador, que deverá responder, em conjunto com seus prepostos contratados, por qualquer prejuízo causado ao fundo. Esta responsabilidade, dependendo do ato praticado, poderá ser civil, criminal e administrativa, podendo até mesmo tornar inalienáveis os bens dos gestores.

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Tentativa de golpe no Equador

A tentativa de golpe de estado no país andino, no dia 30 de agosto, fez-me lembrar da advertência de Fidel Castro em julho do ano passado, que infelizmente precisa ser refletida neste dia de véspera de eleição:

“Ou morre o golpe ou morrem as constituições

Se o presidente Manuel Zelaya não for restituído no seu cargo, uma onda de golpes de Estado ameaçará varrer muitos governos da América Latina, ou estes ficarão à mercê dos militares de extrema-direita, educados na doutrina de segurança da Escola das Américas, especialista em torturas, guerra psicológica e terror. A autoridade de muitos governos civis na América Central e na América do Sul ficaria enfraquecida. Não estão muito distantes aqueles tempos tenebrosos. Os militares golpistas nem sequer prestaram atenção à administração civil dos Estados Unidos. Pode ser muito negativo para um presidente que, como Barack Obama, deseja melhorar a imagem desse país. O Pentágono obedece formalmente ao poder civil. Ainda as legiões, como em Roma, não assumiram o comando do império.”  (Granma, 13/07/09).

Conversa com leitor, que parece estar lendo o blog de cabeça para baixo

Marcus Vinicius:
“Helio, precisa mudar suas opiniões. Já disse que o Lula queria o terceiro mandato, que só você viu, garantiu que Dilma perderia, e agora descobre que o Dirceu é que vai mandar”.

Comentário de Helio Fernandes:
Desculpe, você está lendo (ou vendo) o blog de cabeça para baixo ou com óculos trocados. Até as pedras da rua (Rui Barbosa) sabiam que Lula queria o terceiro mandato. E diga-se que ele lutou tenazmente para isso. Mais do que FHC, Menem, Fujimori, que queriam e também não conseguiram.

Lula tentou até a PRORROGAÇÃO DE TODOS OS MANDATOS até 2012. Aí haveria eleição geral, sem nenhuma inelegibilidade. Acabaria a REEELEIÇÃO, os mandatos presidenciais seriam de 5 anos, (acho que devem ser de 6, uma vez só) e até a “expulsória” dos 70 anos na magistratura, passaria para 75 anos. Onde você estava, Vinicius, que não viu nada disso?

Jamais em toda a vida, afirmei que Dilma não ganharia. Se há 8 anos digo e repito com insistência que Serra nunca será presidente, por que eliminaria a outra candidata? São só dois, o que fazer? Não voto em nenhum deles, mas sempre soube que dado o primeiro arranco, e com a inutilidade completa do Serra, quem seria eleito?

Em relação ao José Dirceu, eu não disse que ele vai mandar no governo de Dona Dilma. FOI ELE QUE AFIRMOU ISSO, numa entrevista estrepitosa, espalhafatosa, espetacular. Eu apenas interpretei o que ele disse, é a minha obrigação com analista. Está tudo na entrevista. E não subestime o ex-Chefe da Casa Civil, ele é mais esperto e até inteligente do que o resto.

De qualquer maneira, Marcus Vinicius, divergências ou discordâncias não me aborrecem ou irritam, até estimulo que façam isso. Mas por favor, não INVENTEM textos ou afirmações para mim. Passei a vida combatendo tanto e de peito aberto, que podem dissecar o que escrevo. Um abraço.

O espetáculo Nadal

Recebeu proposta milionária para disputar o Torneio da Tanzânia. São apenas 250 pontos e um prêmio mínimo. (Oficial). Aceitou, junta mais um título, se diverte, testa os joelhos, fica em forma, aumenta a conta bancária.

O jogo começou hoje, às 9,30 da manhã, acabou às 10,26. O estádio lotado, acharam pouco.

Em plena decadência, Roriz quer comprometer o Ministro Ayres Brito

Depois de uma nomeação para INTERVENTOR, e de três indicações como governador, o tantas vezes poderoso (e CORRUPTO) homem forte de Brasília, se “ARRUDOU” completamente.

Um cidadão que se elege senador, por 8 anos e renuncia depois de 6 meses, pode dizer, “RENUNCIEI PORQUE NÃO QUERIA MAIS”, e alguém pode acreditar?

Perdeu no Supremo, botou a mulher no lugar que não tinha certeza que era dele, ela, um SHOW HILARIANTE. Que República. Assim mesmo, Roriz tentou comprometer Ayres Brito, um dos homens mais corretos do Supremo. É lógico que Roriz perdeu mais uma.

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PS – Estou satisfeito com o fim de Roriz, mas contrariado com a situação. Ficou um candidato único, Agnelo Queiroz, também envolvido em acusação de enriquecimento ilícito.

PS2 – Não é de jeito algum, nem seria em qualquer oportunidade, o meu candidato. Mas vai ganhar, está sozinho.

Gilmar e Serra

Um jornalão publicou (ou revelou) que o ministro e o ex-governador haviam falado pelo telefone. Abrindo a sessão de ontem, Gilmar disse apenas esta frase: “Não telefonei para o ex-governador de São Paulo”. Na mesma hora, Serra dava nota de uma linha: “Não falei com o ministro pelo telefone”.

Muito reticente e hesitante, não chega a ser um desmentido. Dá a impressão de que pretendiam dizer o seguinte: “Não foi por telefone que falamos”. Os dois, capazes disso.

Gilmar tem um longo passado que não se coaduna com a exigência constitucional para o cargo. E quando se fala em Gilmar Mendes, vem logo à lembrança o nome de Daniel Dantas, (não apenas uma vez) e de Tasso Jereissati. Dantas glorificou Gilmar, quando fez a frase famosa ou inesquecível: “Só tenho medo da polícia e da Primeira Instãncia. LÁ EM CIMA EU RESOLVO”. Pensava (?) em Gilmar.

Quando era presidente do Supremo, Gilmar foi a Fortaleza dizer a Jereissati: “Teu processo no Supremo, vai começar a andar”. Gilmar ficou no luxuoso hotel da empresa de Jereissati, foi quando roubaram seu cordão, na praia. Jereissati responde a processo no Supremo desde 2002, por causa da falência do Banco do Estado. Eleito senador, o processo foi para o Supremo. Depois da advertência, “Jereissati se movimentou, (bem acordado), o processo continuou dormindo”.

A empresa (poderosa) de Jereissati, entrou no Supremo, o ministro Joaquim Barbosa, relator, massacrou a firma do senador, apesar do advogado superfamoso. O ministro mandou ARQUIVAR O PROCESSO, votando com total ironia. Agora, a reeleição de Jereissati está a perigo. Os três, ele, Eunicio e Pimentel, podem se eleger. Ninguém pode garantir derrota ou vitória.

Quando a Gilmar, tem ligação e relacionamento A-D-V-O-C-A-T-Í-C-I-O, inteiramente conflitante com a posição de ministro do Supremo.

Sambas do passado: carnavais, emoções, memórias

Pedro do Coutto

Uma beleza, visita ao passado, a antigos carnavais, à emoção e à memória que se incorpora e enriquece a vida e o caminho de todos nós.

Estou falando do musical de Sergio Cabral pai e Rosa Maria Araujo, no Teatro Casa Grande, que dá sequência ao Sassaricando, que sem dúvida marcou o calendário de arte popular do Rio de Janeiro. Foram as marchas no palco, sambas de carnavais distantes no espaço montado e remontado. Com isso, para aproveitar o verso do imortal da Mangueira em reverência a Monteiro Lobato, os autores enriquecem o cenário do Brasil.

Do Rio, exatamente nos momentos em que ele é mais carioca, nos acende a chama do tempo que Bide e Marçal apagaram no eterno Agora é Cinza, que se encontra no elenco da arte e da poesia que atravessa as décadas e só se esgotará – e se um dia – a emoção fosse capaz de se divorciar do ser humano. Como isso, graças a Deus, é impossível, não vai acontecer, o show de Cabral pai e Maria Araujo não sai da cena de nossa memória, da história de cada um de nós. O espetáculo é assinado por Charles Moeller e Claudio Botelho que nos proporcionam em sequência horas inesquecíveis. Direção musical (ótima) de Luiz Filipe de Lima.

A seleção musical é dividida em blocos, cada qual para um tema responsável pela inspiração de artistas como Noel Rosa, Cartola, Ari Barroso, Wilson Batista, Klécio Caldas e Armando Cavalcanti, Nássara, Benedito Lacerda. Bide e Marçal. Roberto Martins, Rubens Soares, o pugilista que compôs Chega Já é Demais, completado por Noel Rosa, interpretação primorosa de Francisco Alves. São tantos os momentos, são tantas as criações, que seria alongar demais uma lista que deve ser visitada com o palco do Casa Grande diante dos olhos e do coração.

Eu, Elena minha mulher, Tatiana, minha filha, curtimos muito e com muita alegria as duas horas e meia do espetáculo. À saída fiquei pensando na sensibilidade extraordinária da poesia das letras e do humor quem no fundo, elas contêm, unindo o sorriso ao amargor, subindo do coração à razão. Que viagem bonita ao passado, um aparte do qual sou testemunha, de outra tomei conhecimento por ouvir falar e escutar, como fiz várias vezes, obras da coleção do intelectual e jornalista José Lino Grunewald, que não se encontra mais entre nós. Vejo também filmes e fotos de tempos mais distantes. Mas eu falava em pensamento.

Me veio a certeza da importância do conjunto das obras musicais que na verdade nascem do povo e que os autores devolvem a ele em forma de arte e melodia. Pois o samba, como disse Noel, não vem do morro ou da cidade; sambar é chorar de alegria, é sorrir de nostalgia . Dentro da melodia. Foi isso que fizemos nós três com amigos nossos na noite de sábado. Foi uma noite lindíssima, franca, espontânea, só com adições, sem subtrações. Vale a pena participar assim, vale a pena viver assim. Deixando o tom e o dom artístico nos envolver e conduzir a um cenário fascinante de encontro de todos nas criações extraordinárias de alguns.

Acrescento que a poesia da MPB merece um estudo mais profundo do que aqueles que foram realizados até agora. Não que estes sejam ruins. Ao contrário. Porém são precisas novas leituras que se adicionem às já produzidas. Dois nomes indispensáveis me vêm à mente: Ferreira Gullar e Augusto de Campos. É isso aí. Assistam ao É Com Esse Que Eu Vou. Vamos todos nós.

Nas três próximas semanas estaremos, eu e minha mulher viajando para assistir a formatura de doutorado de nossa filha mais velha. A mais nova, segue também. Por isso, no site vão sair artigos que escrevi e armazenei.

Até a volta, portanto.

3 de outubro: vitórias (e derrotas) eleitorais de Lula. Sem falar na maior de todas, com o pseudônimo feminino. É o primeiro presidente a lutar “intrepidamente” por deputados e senadores

Esta eleição de agora, depois de amanhã, é a mais sintomática da nossa História. E sem dúvida, longe de ser um estadista ou até mesmo um extraordinário presidente, Lula dominou inteiramente os 4 ultimos anos do seu governo. Plantou nos 4 iniciais, colheu fartamente nos seguintes, e ainda se projeta como total incógnita sobre o futuro.

Sem que isto seja elogio ou restrição, apenas afirmação e reafirmação da realidade até despropositada, Lula manda e desmanda, incontestavelmente.

Pela Constituição de 1891, com a única exclusão do presidente da República, existia o que se chamou de R-A-T-I-F-I-C-A-Ç-Ã-O dos Poderes. Então, governadores, senadores e deputados, eleitos, vá lá, precisavam ter os mandatos RATIFICADOS por uma COMISSÃO nomeada pelo presidente da República.

Assim, verdadeiramente, o presidente dominava o Parlamento, senadores e deputados só tinham seus mandatos confirmados se antecipadamente aderissem ao governo. (Digam se uma República como essa poderia ter levado o pais ao que deveria ser o seu grande destino ou futuro?)

Apenas um exemplo, mas irrefutável e rigorosamente verdadeiro. Em 1892, Rui Barbosa renunciou no Senado, não admitia que Floriano Peixoto assumisse o governo, CONTRA A CONSTITUIÇÃO. Perseguido, Rui foi para o exílio.

Voltou em 1896, Floriano não estava mais no governo (e morreria logo depois, mas deixando a lenda do “florianismo”). Rui se candidatou novamente ao Senado, foi eleito, claro.

Mas o senador J.J. Seabra e o vice Manuel Vitorino não queriam “RATIFICAR” o mandato de Rui. Foi preciso que o grande Luiz Vianna (o pai, o pai) chamasse os dois e perguntasse-afirmando: “Vocês querem tirar o mandato do maior brasileiro vivo? Se isso acontecer, renunciarei ao mandato de governador”. Apavorados, concordaram com Rui senador.

Agora, Lula inventou a RATIFICAÇÃO PESSOAL, faz intervenção nos mais diversos estados. Em quase todos tem candidatos, luta CONTRA alguns, A FAVOR de outros, por vingança, ressentimento, até por interesse político, que não é o fator principal.

RIO DE JANEIRO – Apoia cabralzinho, Lindberg, Crivella. VETA Cesar Maia, não se interessa por Picciani. Vai ganhar tudo. Pode ser, não acredito que o enriquecido ilegítimo Picciani, apoiado pelo enriquecido ilegítimo cabralzinho, passe Crivella no final. Só que o objetivo de Lula é eleger Lindberg e derrotar Maia, por causa da vaia de 2007, no Pan.

SÃO PAULO – Vai perder o governo. O mediocríssimo Alckmin pode ganhar no primeiro turno ou ganha no segundo, fácil. Joga para fora da vida eleitoral, o IRREVOGÁVEL Mercadante.

Esquisita a situação do Senado, com dois candidatos fortes, Quércia e Tuma, trocando o Senado pelo hospital. Dona Marta já estava eleita antes e já é candidata à Prefeitura.

Se ganhar, em 2012, fica 15 meses no cargo, se candidata a governadora em 2014, repetindo José Serra. Governadora em janeiro de 2015, comemora a conquista do maior governo estadual e o limiar dos 70 anos. (Se não for governadora, fica senadora até 2018, que legislação).

BAHIA – Fingia que apoiava Geddel Vieira Lima, que já disse horrores dele. Mas garante mesmo é Jaques Wagner, que vence no primeiro turno ou vai para o segundo com o ex-governador Paulo Souto. Geddel espera ser ministro, de quem? De Lula ou de Dilma?

AMAZONAS – Uma das mais tremendas guerras de Lula. Quer derrotar Artur Virgilio senador e eleger governador seu ministro duas vezes, Alfredo Nascimento. Uma das vagas no Senado é de Eduardo Braga, Lula quer derrotá-lo, não consegue.

O interesse de Lula pelo seu ex-ministro é por causa do suplente, João Pedro. Ficou 3 anos e 3 meses como suplente, no cargo. Se Nascimento for governador, ganha 4 anos de senador efetivo, é melhor, muito melhor do que o “cabo” Nascimento, mas a legislação não podia ser essa. No momento Artur e Vanessa (PCdoB) sobem e descem. Eduardo Braga está elegendo seu ex-vice. Mas por enquanto, no Amazonas, nada é definitivo. São 72 horas em que Lula “joga tudo para a vitória”.

PIAUÍ – Nesse Estado, Lula foi drástico, violento e atrabiliário. Deu ordem ao PMDB que não desse legenda ao senador Mão Santa para se eleger. O PMDB cumpriu (que saudades do MDB), está perdendo a renovação do mandato.

Explicação de Lula: “Fazia muita oposição”. E não pode? Mão Santa está em terceiro, são duas vagas. E ele nem era litigante, na verdade podia ser chamado de diletante, nem isso Lula admite ou aceita.

RIO GRANDE DO NORTE – Quer derrotar o senador José Agripino, só por ser líder da oposição. Não está conseguindo. Não se incomoda com a reeleição de Garibaldi Alves. Lula perde para governador.

PARÁ – Tenta reeleger a governadora, Jader Barbalho tenta burlar, que palavra, o ficha-limpa. Jader é o Roriz do Pará. Ana Julia, 95 por cento de incompetência. Que escolha sobrou para os paraenses. Não é assim no Brasil todo?

MARANHÃO – Lula não vai muito lá, é longe. Não tem grande interesse em Roseana, a não ser por causa do sobrenome Sarney, que já perdeu há muito tempo. Da mesma forma como perdeu a eleição para o governo, mas foi empossada como segunda colocada. Agora, será reeeleita sem ter sido eleita. Que República.

MINAS GERAIS – Aecio Neves está mostrando a Serra, como é que se ganha eleição. Seu vice (que assumiu em março) começou do zero, foi suplantando escalas, deixou para trás Helio Costa, que pela terceira vez, FICOU NO QUASE.

Na primeira eleição, ia ganhando no primeiro turno, foi para o segundo turno, merecidamente derrotado. Agora, garantia, “vou ganhar no primeiro turno, podem me chamar de governador”. Como vão as coisas, será chamado de ex-ministro, por causa da Organização e da televisão digital.

PARANÁ – Talvez seja a eleição mais difícil do País. Beto Richa, ultrapassado pelo senador Osmar Dias, entrou em desespero, pediu à Justiça a PROIBIÇÃO DA PUBLICAÇÃO DAS PESQUISAS. E a Justiça concedeu. Inacrediável.

Para o Senado, Requião garantido, e a mulher do Ministro Paulo Bernardo (futuro Chefe da Casa Civil de Dilma), também praticamente certa.

***

PS – Alguns Estados estão caudilhescamente “atrelados” ao poder. Sóo confiam nisso. Os de lá “de cima”, que eram Territórios, não têm liberdade de escolha.

PS2 – É esse tipo de eleição que temos no Brasil, 510 anos depois de Pedro Alvares Cabral, 121 anos de República, 36 anos de terminarem as ditaduras.

PS3 – E com 195 milhões de habitantes, espero o resultado do Censo, feito pelo IBGE, um dos órgãos mais sérios e competentes do Brasil. Espero que não demore.

Greve dos bancários, contra a ganância e a voracidade dos banqueiros

Helio Fernandes

Muita gente é prejudicada, mas a greve (que já era defendida por Rui Barbosa na Campanha Civilista) é uma das maiores conquistas da coletividade.

Os banqueiros não querem conceder reajuste de 11 por cento. “Defendo” o direito desses banqueiros, a pobreza deles pode ser vista nos balanços. No primeiro trimestre, 4 bilhões para os maiores, 3 bilhões para os médios, 2 bilhões para os menores. Isso se repete em meses, trimestres, semestres, todo ano.

Assim, por favor, poupem os vassalos do doutor Brandão, dos Setúbal, desses que não se sabe nem os nomes, são todos E-N-R-I-Q-U-E-C-I-D-O-S globalizantes. VIDA LONGA À FEBRABAN.

A PROPÓSITO DE SALÁRIOS

Conca, do Fluminense, ganha a miséria de 220 mil reais/mês. Deco, com 32 anos, ganha 470 mil. O Fred, que nem sabe onde ficam as Laranjeiras, 600 mil. Conca quer equiparação, muito justo. E como seu “advogado” é o próprio Muricy, o jogador nem precisará fazer greve, será aumentado.

VARIADAS, com Marco Maciel, Eduardo Campos, Muricy, Conca, Gouveia Vieira etc.

Helio Fernandes

Marco Maciel, um dos maiores carreiristas do Brasil, totalmente servo, submisso e subserviente à ditadura, pela primeira vez disputa eleição para valer. Foi tudo na ditadura, de presidente da Câmara a governador, perdão, “governador” de Pernambuco.   XXX   Chatíssimo desde garoto. Há 68 anos, morava num edifício de 2 andares, (naquela época, quase uma casa), os moradores e vizinhos da Gávea, diziam, na frente dele, “que garoto insuportável”. Era mesmo, continua, satisfação geral no estado, se perder.   XXX   Eduardo Campos, ao contrário, será reeeleito, com a maior percentagem de todo o Brasil, mais de 70 por cento dos eleitores.   XXX   Muricy: “Foi uma vitória linda do Fluminense”. Ora, 1 a 0 aos 36 minutos, quase no final. Bateram um escanteio, desculpe, córner, a bola sobrou para o Conca, sozinho na boca do adversário, marcou. Nunca vi ninguém mais desmarcado do que o Conca, até que ele merece.   XXX   A Gouveia Vieira, aproveitadora da cobertura de jornalões (e outros órgãos ditos jornalísticos) tumultua a Rocinha. Com marido trilionário (sem nunca ter trabalhado), a vereadora sem causa e sem futuro político está sempre metida em confusão.   XXX   Do social ela só se interessa pelo que é traduzido por “socialite”, a comunidade ou coletividade apenas para se exibir.   XXX   O que dizem da Gouveia Vieira quando “ela desce o morro”, só poderia sair mesmo na sujíssima Veja,   XXX   E ela adoraria, sua obsessão é o “falem mal, mas falem de mim”. Às vezes publica artigos que tem que pagar para escreverem e ela ter o grande prazer de assinar.   XXX

Mais uma oportunidade perdida

Carlos Chagas

Firulas jurídicas à parte, a reação na voz rouca das ruas está sendo  de que o Supremo Tribunal Federal perdeu mais uma oportunidade de decidir se a lei ficha-limpa vale ou não para as eleições de domingo. Como suas  opiniões se dividem, os doutos  meretíssimos preferiram empurrar com a  barriga essa grave questão constitucional  referente ao país inteiro.

Por 6 votos a 4, a mais alta corte nacional de justiça considerou sem objeto o recurso de Joaquim Roriz contra decisão do  Tribunal Superior Eleitoral que recusou-lhe registro de candidato ao governo de Brasília. Isso  pela simples questão de que  Roriz renunciou à candidatura, indicando sua mulher.

Esperava-se que mesmo mandando arquivar o recurso do ex-governador, o Supremo aproveitasse  para decidir o principal, ou seja, a constitucionalidade da lei ficha-limpa para ser aplicada de imediato. Como o plenário ainda estava rachado, 5 pela aplicação imediata, 5 em favor dos  dispositivos constitucionais impedindo a lei de retroagir e sustentando ter ela sido sancionada fora  do prazo, o remédio foi não fazer nada. Deixar a questão ser apreciada quando outros recursos iguais aos de Roriz entrarem em pauta. Dois, pelo menos, já tramitam, ainda que sem data para o julgamento: do candidato a deputado Francisco das Chagas, do Ceará, que teve seu registro  negado pelo TRE daquele estado e depois pelo TSE, e da candidata a senadora pelo Distrito Federal, Maria de Lourdes Abadia, pelas  mesmas  razões. O problema é que inexiste prazo para essas matérias serem apreciadas  no Supremo.  Antes das eleições de domingo, nem  por milagre.

Resultado: poderão disputar a eleição  todos os ficha suja, quase trezentos, impugnados nos respectivos tribunais regionais eleitorais de seus estados e até alguns com a sentença  confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral, mas beneficiados pela prerrogativa de um último recurso ao Supremo Tribunal Federal, mesmo ainda não impetrado. Muitos serão cassados pelo eleitorado, mas aqueles que tiverem sido eleitos  ficarão com  monumental espada sobre suas cabeças: terão direito de ser diplomados? Em caso positivo, tomarão posse, ainda que sujeitos a perda de mandato posterior, caso adotada a decisão final sobre a constitucionalidade da lei?

Tudo isso o Supremo poderia ter evitado caso, na quarta-feira que passou, tivesse avocado a solução maior, de definir-se  sobre a aplicação constitucional  da lei. Como o empate parece haver persistido, a confusão também continua.

É claro que essa olímpica  trapalhada não existiria caso o presidente Lula tivesse nomeado  o décimo-primeiro ministro do Supremo, vaga aberta desde agosto com a aposentadoria de Eros Grau. Para evitar empates é que a corte se compõe de 11 ministros.

Em suma, as cúpulas do Judiciário e do Executivo deixaram de fazer o dever de casa. Quem sofre é a escola, cujas paredes tremem há algum tempo, por enquanto beneficiando candidatos antes  condenados por crimes variados mas prontos para receber votos daqui a dois dias.

Quanto à canhestra cautela de Joaquim Roriz, renunciando à candidatura e apresentando sua mulher, de todo despreparada para o exercício da função pública de governar o Distrito Federal,  a moda não pegou. Procuradores da justiça eleitoral contestam a manobra, mas dificilmente obterão sucesso na tentativa de barrar o registro de dona Wesley, porque, afinal,  todos são iguais perante a Constituição. Menos o Tiririca, se não provar que sabe ler e escrever. Toda essa lambança demonstra como é longo o percurso até que nos tornemos uma democracia exemplar…

O FREGUÊS ESCOLHE

Senão  num balcão de negócios, a campanha eleitoral transformou-se num daqueles armazéns do começo do século passado, onde se  encontrava de tudo, desde fumo de rolo até tecidos, arroz, feijão, carretel e linha, pregos, martelos, brinquedos infantis, frutas, legumes e bebidas,  finas ou não.

Quem manda é o freguês, quer dizer, se pertence a um veículo de comunicação que forma na oposição, vai haver segundo turno. Se integra uma revista simpática ao  governo, não vai haver.  Dividiram-se partidos, imprensa, institutos de pesquisa,  sociedades corporativas e até dona Mariquinhas e dona Maricota, sem se falar há uma semana:  uma aposta na eleição imediata de Dilma Rousseff  e outra hesita entre José Serra e Marina Silva.

O pior é que, revelado o resultado das urnas, todos dirão  que estavam certos, o povo é que mudou…

Segundo turno não quer dizer que Dilma não vencerá

Pedro do Coutto

É natural – e justo – o entusiasmo que chegou às oposições (PSDB-DEM-PPS) na reta de chegada com a perspectiva aberta pelo Datafolha de a sucessão do presidente Lula vir a ser decidida no segundo turno. Mas a pesquisa do IBOPE jogou uma pouco de água na fervura.

Duas coisas: não quero dizer com isso, hoje, que vá haver  ou não segundo turno. Até porque, como escrevi esta semana, vai depender do desempenho que tiverem os três principais candidatos e mais Plínio Sampaio no debate da Rede Globo. Não assisti. Assim vou esperar a verdade das urnas. E agora há mais um dado: a exigência de uma carteira com retrato, documento que muitos pobres não possuem. Essa obrigatoriedade, decidida ontem, na chamada undécima hora, vai tirar votos de Dilma, não há dúvida.

Sou dos que sempre acreditaram em pesquisas eleitorais. Não tenho motivos para descrer, já que o índice de acertos, de 55 até hoje, situa-se em torno de 95%. Talvez um pouco mais, possivelmente 97. Acompanhei de perto o IBOPE, era amigo de seu diretor presidente,   Paulo Montenegro, pai de Carlos Augusto. Sou testemunha de seu crescimento, sua plena consolidação, seus acertos. Erros foram muito poucos. Mas não é esta a questão.

O tema é o segundo turno. Ninguém duvida que Dilma chegará na frente. Não há quem seja capaz de apostar contra tal tendência. Tanto assim que os que estão contra a ex-ministra não torcem neste momento pela vitória domingo. Torcem por uma segunda jornada nas urnas. Enquanto isso, os que apóiam Dilma torcem pela maioria absoluta. Nem se preocupam com o fato de ser ela a primeira. Aí está revelada a diferença de dois impulsos predominantes. Dilma e Serra.

Aqueles que preferem Marina Silva desejam o segundo turno e se orgulham de a candidata verde ter alcançado o desempenho que atingiu na escala. Aguardam o segundo turno, que prolonga o sabor da disputa. Mas se houver desfecho final a 31 de outubro, que fará o PV? Vai se dividir em partes iguais? Vai se dividir em partes desiguais? Vai apoiar Dilma?Vai para as urnas ao lado de Serra? Vamos por etapas.

Se apoiar Rousseff, ela estará facilmente eleita. Se houver divisão em partes iguais, ela vencerá também, já que não perderá – suponho – os cerca de 45% que terá conquistado no primeiro turno. Se os verdes se abstiverem, o desfecho será o mesmo. Se o PV mandar votar em Serra, cabe a pergunta: os adeptos da onda verde seguirão essa palavra de ordem? Total ou parcialmente?

Entre as diversas alternativas que coloco, a única que pode favorecer o ex-governador de São Paulo é a mobilização dos verdes que foram às urnas no primeiro, cerrarem fileiras com Serra no segundo. Com base em tal elenco de opções, sente-se a dificuldade de Dilma não ser a primeira mulher a presidir o país. Acho sinceramente que apenas uma hipótese absolutamente inusitada poderá afastá-la do Palácio do Planalto na alvorada de 2011. Vamos ver. Se houver segundo turno, estarei aqui mais uma vez para comentar o voto e o povo.

Auditores da Controladoria-Geral da União agem como se fossem advogados de Erenice Guerra, e se apressam em anunciar que não houve problemas de corrupção com parentes dela

Carlos Newton

Acredite se quiser. A Controladoria-Geral da União (CGU) divulgou esta quinta-feira a conclusão de quatro das nove auditorias que estão sendo feitas em contratos, licitações, autorizações e pagamentos suspeitos de irregularidades.

O que se vê é que a Controladoria está controlada, digo, dominada. Seus zelosos auditores atuaram no caso como se fossem advogados de Erenice Guerra. Não conseguiram enxergar irregularidade nem mesmo no contrato firmado entre o Ministério das Cidades e a Fundação Universidade de Brasília. Esse contrato teria o envolvimento de José Euricélio Alves de Carvalho, irmão de Erenice.

Por incrível que pareça, a CGU concluiu que realmente há irregularidades no pagamento de R$ 2,1 milhões para um produto que não atendeu à demanda do ministério. No entanto, as investigações não apontaram responsabilidade direta do irmão de Erenice no caso.

“O que se tem até o momento é a constatação de que ele foi assessor na Secretaria Nacional de Transportes e Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades e contratado pela Editora UnB, em períodos próximos e seguidos, na época dos fatos”, concluiu o relatório dos controladores, que certamente esperavam encontrar a assinatura (ou as impressões digitais) do irmão de Erenice nesse contrato.

Também de acordo com a Controladoria, as acusações feitas pelo empresário Rubnei Quicoli, de que integrantes da Casa Civil tentaram intermediar financiamentos do BNDES, são infundadas. O pedido de empréstimo seguiu o trâmite normal e “teve o tratamento técnico previsto nas normas internas do BNDES”. De acordo com a investigação, o financiamento só não foi aprovado porque não atendeu integralmente às exigências do banco de fomento.

Ora, que Controladoria é essa? Tudo isso já se sabia. O crime não era a concessão do financiamento pelo BNDES, mas sim o pedido de propina pela patota de Erenice. Foi isso que o empresário denunciou: o pedido de propina, não a aprovação do empréstimo.

Em relação à compra do Tamiflu, a conclusão da investigação apontou que não houve pagamento de propina. Mas e o funcionário de Erenice que encontrou 200 mil reais em espécie dentro de sua gaveta? Mesmo se todas as notas fossem de 100 reais, daria uma belo pacote, seriam 2 mil notas. Se a propina não era do Tamiflu, veio de outra procedência, mas a Controladoria não se interessou por isso.

A CGU também garante que não houve beneficiamento da empresa Matra Mineração, ligada ao marido de Erenice. Sobre o cancelamento das multas, os zelosos auditores  apuraram que as notificações foram de fato anuladas “em decorrência de erros apontados pela própria Procuradoria-Geral do órgão quanto aos seus respectivos valores”. De acordo com a investigação, novos valores foram arbitrados.

Ora, isso também já se sabia. O que a Controladoria teria de verificar é se os erros haviam ou não. A corrupção pode estar justamente no providencial relatório da Procuradoria-Geral do órgão, que apontou os tais “erros”, mas a Controladoria também não se interessou por isso,

De acordo com a conclusão da CGU, não houve beneficiamento do escritório Trajano e Silva Associados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia. As suspeitas de tráfico de influência envolvem uma irmã de Erenice Guerra, Maria Euriza, que era funcionária da EPE e autorizou, em agosto de 2009, a contratação do escritório, que tem entre os sócios Antônio Alves Carvalho, irmão de Maria Euriza e Erenice. De acordo com a CGU, Antônio Alves Carvalho entrou oficialmente na sociedade em novembro.

Caramba! E isso não constitui irregularidade? Para a CGU, não. Seu relatório apenas sugere à EPE “maior cuidado e precisão no enquadramento das hipóteses de inexigibilidade de licitações e recomendando que a empresa fundamente suas futuras contratações com base em amplas pesquisas de preço”.

Como diz o presidente Lula, jamais na História deste País se viu uma Controladoria tão controlada,

Supremo Tribunal, “prêt-à-porter”

Helio Fernandes

O PT e o presidente da República (e outros partidos) queriam modificar a Constituição para reforçar o voto. Então, passaram a exigir uma carteira (com foto) junto com o titulo de eleitor. Passou a valer, mas só rapidamente.

O PT, o presidente da República e vários partidos, pediram ao SUPREMO, MEDIDA CAUTELAR para acabar com isso, o TÍTULO DE ELEITOR NÃO PODE SER DEPENDENTE de outros documentos. Quer dizer: todos se ARREPENDERAM, e querem que o TÍTULO DE ELEITOR valha, sem nenhuma carteira. Difícil, não?

Mas o Supremo, como uma espécie de “Cirque du Soleil”, tem malabarismo para tudo. E decidiu, por 8 a 2 que pode se votar domingo, só com a  carteira, ou o título e a carteira. Com uma RESSALVA: ISSO SÓ VALE para a eleição de DOMINGO, agora dia 3. Depois do dia 3, como só haverá eleição em 2012, o Supremo decide se essa decisão TRANSITÓRIA fica valendo como valia antigamente.

PS – Não é inacreditável e sim coerente da parte do Supremo. Há meses eles decidiram que a ANISTIA, AMPLA, GERAL E IRRESTRITA, é um ACORDO NACIONAL.

PS2 – Em suma: pode-se votar com carteira e sem título. SEM CARTEIRA COM FOTO? DE JEITO ALGUM.