Anatole France e as mentiras eleitorais que somos obrigados a ouvir

Nogueira Lopes

A campanha eleitoral oficialmente se iniciou. Na verdade, já havia começado há muito tempo, gerando inclusive multas que os partidos prazerosamente vão pagar com os recursos que recebem do próprio povo, através do generoso Fundo Partidário, que sustenta suas atitudes patrióticas, digamos assim. E em agosto teremos o horário gratuito, enchendo ainda mais a paciência do cidadão.

A propósito das mirabolantes promessas que sempre somos obrigados a aturar em campanhas eleitorais, é  sempre bom lembrar o escritor francês Anatole France, famoso pelo ceticismo: “A mentira é um vício apenas quando faz mal; quando faz bem é uma grande virtude”, dizia ele, cheio de razão.

Mentiras eleitorais, porém, só  fazem mal. Sempre.

Até  Cameron Diaz imita as brasileiras

A atriz hollywoodiana Cameron Diaz foi entrevistada pela equipe do “Pânico na TV”. Perguntaram se era adepta da chamada “depilação brasileira”, que faz sucesso nos Estados Unidos, e ela respondeu com toda a franqueza. “As americanas não vivem sem a depilação brasileira”.

Ao falar em “depilação brasileira”, na verdade repórter e atriz estavam se referindo à “brazilian wax”, uma técnica que as mulheres brasileiras criaram para aparar os pelos pubianos, que ficam parecendo um bigodinho triangular.

O ator Tom Cruise, que acompanhou Cameron Diaz na viagem ao Brasil para divulgar o filme que fizeram juntos, não quis falar sobre o palpitante assunto.

A exploração do Caso Bruno na internet

A internet não perdoa. Há vários dias vêm circulando na rede as imagens de um filme pornô estrelado por Eliza Samudio, a ex-amante do goleiro Bruno. As cenas são grotescas, e estão cobertas por tarjas, para diminuir o impacto.

É a exploração desvairada do escândalo do momento, que mostra a perversão que domina a mente de considerável parcela da sociedade em que vivemos.

MST: melhor reforma agrária era de Jango

O governo Lula vai chegando ao final, são quase 8 anos transcorridos e agora o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais (MST), João Pedro Stédile. um dos mais entusiasmados admiradores do presidente, faz declarações admitindo que a reforma agrária atual é muito pior do que o programa idealizado por Celso Furtado no governo João Goulart. E agora? , O pessoal do MST, que tanto apoiava Lula, vai votar em quem?

Ninguém respeita o assinante da TV paga

As operadoras de TV por assinatura seguem desrespeitando os usuários. Os intervalos comerciais são múltiplos e intermináveis, com chamadas repetitivas e que se repetem em diferentes canais. Há diversas emissoras multinacionais retransmitidas aqui no Brasil, que incluem clips musicais nos intervalos dos filmes e programas, com duração que às vezes passa de cinco minutos, importunando os telespectadores com o lixo cultural americano.

Um belo exemplo de consciência social

Os irmãos Roberto (cineasta) e Reginaldo Farias (ator), venderam a casa em Laranjeiras onde por décadas funcionou a produtora da família. Ao fechar o negócio, os dois deram um exemplo de consciência social, exigindo que a histórica casa seja preservada. Assim, o edifício de apartamentos a ser construído no local somente ocupará o quintal do imóvel.

Decepção para todos que se ENCANTAVAM com uma Alemanha ENGANADORA, que tentava ENCARNAR um futebol que só teve mesmo em 1954, fora de casa.

Primeiro tempo de 0 a 0, com “vantagem” para a Espanha, que pressionou muito mais. Então foi injusto esse “não resultado”? De maneira alguma. A Espanha, dos 12 aos 35 minutos, atacou com 6 a 7 homens, era o verdadeiro “carrossel”  ou “laranja mecânica”, (royalties para o cineasta Stanley Kubrick) que a Holanda lançou em 1974 e manteve em 1978.

A Alemanha, com essa pressão da Espanha, se defendeu com 7 ou 8 homens, era tal o engarrafamento, que não podia haver gol, a não ser num acidente de percurso, numa jogada inesperada.

O que ia acontecendo  aos 26 minutos e 57 segundos, com a alemão Trochowski, que quase ia repetindo Forlan e Bronckhost, na véspera. Ele chutou com o pé esquerdo, com a mesma violência e praticamente da mesma distância. Só que holandeses e uruguaios acertaram, o alemão conseguiu apenas assustar os espanhóis.

Não posso deixar de registrar. Nos primeiros 45 minutos, o alemão Klose, que precisa de apenas um gol para empatar com Ronaldo Fenômeno, nem viu a bola. Perdão, viu e pegou uma bola, para bater um lateral.

O segundo tempo igualzinho, o jogo chegou aos 6 minutos com substituição surpreendente; sai o lateral esquerdo da Alemanha, que estava levando um baile do espanhol Pedro. Todos entenderam, não era substituição e sim condenação. E o lateral saiu do campo com cara de quem não compreendia nada. Decisão do treinador, o jogador não precisa entender ou comprender.

Além desses alemães que não fazem nada, não se pode esquecr de Osil, que só fez uma “intervenção” aos 45 minutos do primeiro tempo. Para pedir um pênalti, que se marcado, valeria uma “gargalhada”, pelo menos gráfica. Há!Ha!Ha!

25 minutos, primeira falta marcada, muito justa, com o alemão pedindo desculpas, mas nada para cartão, choque de jogo. Dos 6 aos 26, a mesma coisa dos outros 45. A Alemanha e a Espanha não saem da área alemã. Uma atacando e a outra defendendo.

Finalmente, aos 28 minutos, acontece o que chamei de acidente de percurso. Puyol, de cabeça, acerta com violência e abre o placar. Só podia ser de cabeça, pois todo o time alemão estava dentro da área.

Só a Espanha atacava, o que prova que o gol veio inesperadamente, mas não injustamente, Até aqui, a Alemanha merece, sem nenhuma dúvida, disputar o terceiro lugar, no sábado.

Aos 36 minutos, Pedro, que assustava a Alemanha, perde um gol feito, sozinho, podia ter determinado o fim do jogo, antecipadamente.

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PS – Aos 40 minutos, a Alemanha, completamente desorganizada, vai perdendo sem garra, sem bravura, sem heroísmo. (Nisso o Uruguai perdeu com glória e honra).

PS2 – Faltando os mesmos 3 minutos de agora, o Uruguai precisando do mesmo gol para a prorrogação, encurralava a Holanda. A Alemanha encurrala a ela própria, justifica as vaias que estão sendo preparadas.

PS3 – Terminou o jogo com a final que defendo desde o 11 de maio: uma decisão entre duas seleções que jamais ganharam um título, em 80 anos de Copa.

PS4 – A partir de domingo, em vez de 7 CAMPEÕES, o mundo terá 8. Nada mais justo.

Jamais estive com Arraes. Mas escrevo sobre ele há muito tempo.

Carlos Frederico Alverga:
“Helio, Miguel Arraes esteve preso em Fernando de Noronha por mais de um ano, você também esteve lá. Não estiveram juntos?”

Comentário de Helio Fernandes:
Miguel Arraes e Seixas Dória, tendo sido retirados dos governos logo no dia 1º de abril de 1964, foram mandados imediatamente para Fernando de Noronha, não ficaram um ano.

De qualquer maneira, só cheguei em Fernando de Noronha em 23 de julho de 1967, bastante distante em matéria de tempo. Mais de 3 anos depois.

***

PS – Como tenho dito, jamais estive com Arraes. E escrevo sobre ele há muito tempo, com ele vivo, aliás, bem vivo.

Ricardo Teixeira – Dunga

Demitiu o técnico pelo site, cumprindo ordens que recebeu pelo telefone. Nada surpreendente, ele é subserviente para cima, inconveniente e inconsciente para baixo.

O treinador da seleção mostrou total e completa instabilidade, ao declarar publicamente: “Só decidirei meu futuro, depois de conversar com Ricardo Teixeira. Posso até continuar comandando a seleção”.

Inacreditável. Então o Dunga (“auxiliado” pelo Jorginho) não percebeu que ninguém, mas ninguém mesmo, queria que continuasse? Ao contrário do que muito acreditavam, a incompetência do treinador não é apenas congênita, é também adquirida.

A Copa de 2014

O ainda presidente da CBF, (até quando?) declarou antes mesmo da eliminação: “O Brasil me deve o fato da Copa de 2014 ser no Brasil”. Mente desvairadamente, tenta de todas as formas iludir a opinião pública, para isso usando e corrompendo a CBF.

O Brasil realizou a Copa de 1950, por causa da Segunda Guerra Mundial. Nenhum país da Europa tinha condições de sediar o acontecimento, que naquela época nem era acontecimento.

Ricardo Teixeira nasceu em 1948, fez agora, 62 anos. Assumiu a CBF em 1989, corrompe o órgão, portanto, há 21 anos. Em 2014, estarão se completando 64 anos da primeira Copa no Brasil. A Alemanha realizou a primeira Copa em 1974, e sediou a segunda em 2006, portanto apenas 32 anos decorridos.

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PS – O Brasil, que participou de todas as Copas, e que já ganhou 5 títulos, por que teve que esperar 64 anos?

PS2 – O Brasil não organizou a Copa antes, justamente por causa de Ricardo Teixeira. Negociava o apoio dos votos brasileiros, e ia adiando nossa participação.

PS3 – Agora, os fatos se inverteram; a negociação foi feita diretamente com o presidente Blatter, em troca do apoio do Brasil a mais uma eleição do atual dirigente da Fifa.

PS4 – Blatter, malandríssimo, combinou com Teixeira: “Serei reeleito em 2011 (ano que vem), e em 2015 será a tua vez”.

PS5 – Blatter tem garantida (?) nova eleição em 2019, Teixeira não fará oposição. Nesse ano será a sua vez. Estará com 70 anos. Enquanto isso, é poderoso no Brasil, domina o presidente da República e governadores, zomba da CPI do Congresso.

PS6 – Ia esquecendo: o assessor de cavalaria continuará, só o que ganha de mordomias e “corporativismo”, uma fábula. E é intermediário solícito do patrão. Que República.

NÃO DEIXE DE LER AMANHÃ:

A “pacificação” das favelas do Rio não passa de um
acordo feito entre o governador e os traficantes, que podem “trabalhar” livremente, desde que não usem armas nem intimidem os moradores das comunidades

O Paraná de Alvaro Dias

É um dos maiores e mais importantes estados da Federação. Por causa disso, o PSDB escolheu lá o vice, vetado por Rodrigo Maia, que pretendia o lugar, o partido não percebeu.

Excluído Álvaro, indicado o Índio, o PSDB reconheceu e proclamou: “Perdemos 1 milhão de votos no Paraná”. Se isso é verdadeiro, os caciques da cúpula “peessedebista” não iriam fazer uma confissão lacrimejante como essa, sem base, certeza ou convicção, a conclusão é inevitável: é um partido suicida, política e eleitoralmente.

O Paraná de Requião

Já que estamos procurando ou contabilizando votos no Paraná, não podemos esquecer do ex-prefeito, governador (antes da reeeleição), senador, novamente governador (depois da reeeleição) Roberto Requião. E temos que dar ao PMDB a mesma condição de partido suicida, política e eleitoralmente.

Por que Requião, que desde 1994 se coloca à disposição do PMDB para ser presidenciável ou vice, é ignorado pelo partido? Em todas as oportunidades, Requião sacrifica a própria carreira. Em 1994, recusado pelo PMDB, se elegeu governador. Em 1998 senador, em 2002 governador, em 2006 reeeleito pela modificação capenga da emenda FHC-500-mil-por-cabeça.

Requião-Aecio Neves

Os dois já ex-governadores estão (ou estavam) na mesma situação, só que suas visões, completamente diferentes. Os dois com senatória garantida por 8 anos, podendo decidir pela vice. Aecio nem aceitou discutir, quer a senatória, desprezo total pela vice de um presidenciável que não vai ganhar.

Requião, também garantido na disputa da senatória, se oferece ao PMDB pela Presidência e até a vice, sem saber de quem será. O importante é fazer o que está partidariamente certo, pelo menos na sua análise.

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PS – Como tenho sugerido, se os 29 partidos que existem (?) fossem obrigados a terem um presidenciável, o ex-governador na certa estaria na disputa partidária.

PS2 – Não digo que Requião disputaria votos na convenção, pois isso não existe. Os partidos fazem convescotes, que palavra, ou reunião entre amigos, apenas 10 ou 20, com tudo antecipadamente decidido.

PS3 – Tudo terá que ser mudado, com a imprescindível REFORMA PARTIDÁRIA, para a qual já contribuí com 10 sugestões. Mas isso só dentro de muito tempo, quem sabe, no TEMPO DO PRÉ-SAL.

O CONAR esquece os “cervejeiros-guerreiros”

Essa é uma das mais aviltantes promoções. Personalidades contratadas (incluindo o Dunga, na sua Era de todo poderoso) juntam VÍCIO com sentimento CÍVICO. Inacreditável.

Aparece a cerveja e todos colocam a mão sobre o coração, como se estivessem exaltando a pátria.

A bebida é um vício e, acima de tudo, perigoso e que representa risco para a população. A cerveja não é a única bebida perigosa, mas é a de mais fácil acesso. De tal maneira que o Poder público faz campanha nacional chamada de LEI-SECA.

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PS – Essa campanha tem como slogan chave, a frase: “Se beber, não dirija”. Pois essa publicidade é duplamente infratora.

PS2 – Se enquadra como ENGANOSA, é visivelmente HIPÓCRITA. Depois de excitar e exaltar o uso da bebida, coloca a frase, “SE BEBER, NÃO DIRIJA”. Isso não pode continuar.

Conselhos de campanha só atrapalham

Carlos Chagas

Quando as coisas desandam,  numa empresa, num clube de futebol, num partido político  ou numa candidatura, a primeira solução é criar um conselho de notáveis para enfrentar a crise. Geralmente não dá certo, pois maior número de palpites só faz acirrar dificuldades.

Decidiu José Serra estabelecer um “conselho de campanha” para dirimir dúvidas, reorganizar a estratégia  e recuperar tempo e espaço perdidos. Promete reunir todas as semanas representantes dos partidos e grupos que o apóiam, numa espécie de colegiado capaz de promover  sua nova  ascensão nas pesquisas.

Pode estar entrando numa fria.  A menos que pretenda  repetir  episódio do qual Jânio Quadros foi protagonista, em 1960. Depois de haver renunciado à candidatura e deixado a UDN pendurada  no pincel, sem escada, obrigada a trocar Leandro Maciel por Milton Campos, como vice, o singular candidato viu-se compelido  a constituir um “conselho de campanha”. Era o mês de março.  Até um casarão centenário foi alugado no bairro do Flamengo, no Rio. Jânio compareceu apenas no dia da inauguração. Nunca mais pôs os pés naquilo que seria o centro das decisões para sua marcha ao poder. E nem o colegiado, composto por luminares de espécies variadas, conseguiu reunir-se. O candidato buscava votos pelo país inteiro como bem entendia, sem ouvir ninguém. Deu certo e ganhou a eleição.

Assim poderá comportar-se José Serra: fazendo salamaleques  e reverências ao DEM e penduricalhos, até curvando-se figuradamente a tucanos emplumados como Fernando Henrique, mas conduzindo sua campanha como bem quiser. Um exemplo de como gostaria de governar, sem empecilhos nem estorvos. Agora, se vai funcionar, é outra história, porque pode ser tarde demais. Já estamos em julho…

Candidatos de granada

Com todo o respeito, mas candidatos, mesmo, à sucessão presidencial, só três: Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva. Numa homenagem ao seu passado coerente de socialista e católico praticante, inclua-se Plínio de Arruda Sampaio, mesmo sem votos.

Os demais, com pedido de registro apresentado  esta semana, são  menos do  que figurantes. Freud  talvez explicasse  porque  pretendem disputar a presidência da República José Maria  Emayel, Levy Fidelix, José Maria de Almeida, Ruy Costa Pimenta e Ivan Pinheiro.

Quem sabe Cervantes pudesse compreendê-los, incluindo-os  no magistral soneto dos “Cavaleiros de Granada”, aqueles que  alta madrugada saíram  em louca cavalgada, brandindo lança e espada. Para que? Para nada…

A poupança do andar de cima

Declarou Henrique Meirelles  ser a poupança doméstica a chave para o desenvolvimento sustentável do Brasil. Só se for a poupança do andar de cima, aliás, cada vez mais rara, pois as elites preferem especular em vez de  poupar, registrando-se a ampla diferença entre os dois verbos.

Porque se a referência é para a classe média e as  situadas em  patamares inferiores, o conselho do presidente do Banco Central soa como  piada. No mesmo dia em que apresentava  sua chave, deveria  o banqueiro ilustre ter atentado para comunicação da Serasa, dando conta de haver aumentado a inadimplência nas classes C e D.

Iludidos com a farta propaganda de poderem comprar produtos da chamada linha branca, os cidadãos de salário mínimo e adjacências estão, aos montes, deixando de pagar as  prestações mensais. Assim como outros, de renda um pouco superior, atrasam as mensalidades do carro novo. Como formam a imensa maioria da população, serão esses os poupadores do dr. Meirelles?

Festa no céu

Todo mundo conhece a história do sapo que soube da festa a se realizar no céu  e, sem saber voar,  pediu para ir dentro da viola do urubu. Foi, divertiu-se, mas,  na hora de voltar,  verificou que o urubu já tinha descido. Resultado: esborrachou-se cá em baixo.

Com todo o respeito, o mesmo pode acontecer com  Índio da Costa, candidato a vice-presidente na chapa de José Serra. Por enquanto, está  em festa, levado de carona pelo candidato. Depois,  fará o quê se precisar assumir o governo?  Vai faltar viola… 

O gênio Tostão e a tática no futebol após 70

Pedro do Coutto

Na edição de 5 de julho da Folha de São Paulo, Caderno de Esportes, Tostão, que foi um dos gênios do futebol brasileiro e que para mim encontra-se na seleção de todos os tempos, publicou artigo sobre os esquemas táticos que envolvem as partidas, concluindo que a conquista do mundial de 70, pelo Brasil, marcou o fim de uma era inspirada na arte e dividiu a história do jogo em duas etapas.

Agora, concluiu ele, estamos em plena época do futebol científico, na qual os esquemas táticos anulam as qualidades artísticas, superam a criatividade e tornam as disputas menos belas e bastante parecidas umas com as outras.

Além de ter sido um meia extraordinário, Tostão tornou-se com o tempo um excelente jornalista e um dos melhores intérpretes deste fascinante universo da bola e do gol. Brilhante personagem da Folha de São Paulo, leitura obrigatória por parte de todos os que amam futebol e vibram com ele, viajando nesta aventura eterna.

Perfeito. Inclusive ninguém analisou melhor os confrontos da Copa 2010 do que ele, que somou a experiência que possui dentro do campo ao seu talento de escritor – vamos aproveitar o título da novela da Globo – para compor excelentes páginas do esporte e da vida. Entretanto, na minha opinião, confundiu-se um pouco ao traçar a diferença do esquema tático da Seleção de 70 do esquema tático de 2010. A distância entre uma e outra não é bem tática. E sim quanto a qualidade da arte. Vamos por etapas.

Em 1950, a marcação do escrete de Flávio Costa era homem a homem. Era o tempo do WM. W para atacar. M para defender. Naquela Copa, jogamos assim:

Barbosa no gol, Augusto, Juvenal e Bigode os zagueiros, Danilo como center half, posição que não existe mais, Bauer, Zizinho e Jair no meio campo, Friaça, Ademir e Chico na frente. Era um autêntico três-quatro-três. Perdemos a final para o 4-3-3 montado por Obdúlio Varela, herói uruguaio do trágico desfecho de 16 de julho, para nós.

Oito anos depois, na Copa de 58, atuamos com Gilmar no gol, quatro zagueiros, Djalma Santos, Belini, Orlando Pessanha e meu amigo Nilton Santos; Zito, Didi e Zagalo, Garrincha, Vavá e Pelé. Antes que alguém cobre pela memória, ressalvo que o titular lateral direita era De Sordi. Djalma o substituiu somente na final contra a Suécia.

Na Taça de 70, mantivemos o 4-3-3. Felix no gol, Carlos Alberto, Brito, Wilson Piazza e Everaldo atrás; Clodoaldo, Gerson e Tostão; Jairzinho, Pelé e Rivelino. Contundido, Gerson não enfrentou a Inglaterra, entrando Paulo Cesar em seu lugar. Foi uma jornada belíssima. Em 94 vencemos jogando retraídos demais, com Parreira. Em 2002, com Felipão, houve o brilho de Rivaldo, Ronaldinho Gaucho e Ronaldo Fenômeno. Noventa e quatro, sim, é muito diferente de 70. Noventa e oito também. O quadrado mágico do mesmo Parreira naufragou no mar da realidade. Zidane o contornava à vontade. França um a zero e nós ficamos fora. Tristeza não tem fim, felicidade sim. Compuseram Vinicius e Jobim.

Na Copa de 2002, com Felipão no comando, desempenhando o papel do paizão, especialmente ao dar segurança psicológica a Ronaldo, voltamos a brilhar. Levantamos o penta, o Everest do futebol. Não atuamos em 2002 muito diferente de como jogamos em 70. Quatro homens atrás, três no meio, indo e vindo, três na frente. Tostão: a diferença de estilo não está na tática. Está na forma com que ela é exercida. Talentos como o de Pelé, como o seu, como o de Gerson e Rivelino são raros.

Por um lance do destino encontraram-se todos na heróica cidade do México.

Favoritíssima, a Holanda vence desastradamente, torce pelo final do jogo, ganha com gol IMPEDIDO e pênalti NÃO MARCADO NO FINAL

Holanda-Uruguai fizeram um primeiro tempo quase igual. Se houve superioridade, mesmo ligeira, foi para a “Celeste Olímpica” de 1924 e 1928. A Holanda, favoritíssima, não conseguiu amordaçar e subjugar o Uruguai.

Esse primeiro tempo, em matéria de igualdade, teve apenas os dois gols. De fora da área, chutadas primorosamente, as duas de pé esquerdo. A Holanda mais violenta, com duas faltas “para cartão”, que o árbitro preferiu não marcar, desafiando a Fifa.

Aos 10 minutos do segundo tempo, mais duas faltas “para cartão” da Holanda, os uruguaios reclamam, o árbitro não marca nem falta. Superficialmente, a Holanda está melhor, exibe até mesmo futebol de passes curtos, inteiramente dispersivo. Correm, correm, mas não chutam.

No fim do primeiro tempo e aos 15 minutos do segundo, câmeras “pegam” o treinador da Holanda, que já não exibe a tranquilidade do início, ou a exuberância demonstrada com o gol.

(Não torço para ninguém. Em artigo escrito no dia 11 de maio, analisando as seleções que faziam suas convocações, falei: “Gostaria que um país seja o oitavo a ganhar uma Copa. Para isso só existem Espanha e Holanda”. Até agora, em 18 Copas disputadas, só 7 países foram vencedores).

Excluída essa possibilidade, sobram Alemanha e Uruguai, que juntos, venceram 5 Copas. Nesse caso, prefiro o Uruguai. Aos 20 minutos deste segundo tempo, a “Celeste” está viva, heróica e resistente.

Mas numa Copa em que perdem pênaltis em lance não do último minuto, e sim do último segundo, tudo pode acontecer.

Cinco minutos depois de eu fazer essa observação, a Holanda FAZ (faz?) o segundo gol, RIGOROSAMENTE IMPEDIDO, falha do árbitro, como vem acontecendo.

Enquanto Dom Blatter resolve se pede desculpas, numa falha da defesa do Uruguai, a Holanda faz o terceiro gol. E passa a dominar o jogo. Faltam 14 minutos, o Uruguai precisa de 2 gols, para ir à prorrogação. (Praticamente impossível).

***

PS – Apesar do gol que não deveria ter sido validado, a Holanda mereceu a vitória? É evidente que sem esse gol (tão ilegítimo quanto a fortuna de cabralzinho) as coisas podiam  ser inteiramente diferentes. (O segundo gol do Uruguai veio muito tarde, mas valeu pela garra).

PS2- O Uruguai fez excelente partida, enfrentou bravamente a Holanda. Vitoriosa, mas muito longe da Holanda de 1974 e 1978. O que Cruyff disse do Brasil, vale para o seu país.

PS3 – Amanhã, Espanha e Alemanha disputarão o direito de ir à final com a Holanda. Se a Espanha vencer, a Copa será conquistada por um país que, em 80 anos, jamais foi vencedor.

PS4 – Apesar de nunca ter sido dirigida por Carlos Alberto Parreira.

Revista “Caras Amigos”: liberdade de imprensa

Excelente a entrevista do Doutor Sócrates para a revista “Caros Amigos”. A chamada na capa, “Sócrates atira na seleção, nos cartolas e na mídia esportiva”, é rigorosamente verdadeira.

São 6 páginas históricas e antológicas, nada ficou esquecido, escondido, obscurecido. E para os leitores que não conhecem a trajetória jornalística (ou estão acostumados com a internet e o twitter), a “Caros Amigos” é mensal, e portanto a entrevista foi feita e editada em plena Era Dunga, quando a seleção estava em campanha efervescente, que palavra.

***

PS – Antigamente, quando um jogador (vale para o Socrates) fazia jogada sensacional, se dizia: “Vale uma nova entrada”.

PS2 – Depois da entrevista do Doutor, o leitor devia comprar outro exemplar da “Caros Amigos”. Embora a revista tenha outras matérias ótimas, como a entrevista com o cineasta Walter Lima Jr., que denuncia corajosamente: “Vivemos num latifundio  televisivo”

Raul Lins e Silva: a “expulsória” injusta

O desembargador completa 70 anos, amanhã, quinta-feira, dia 8. Pela Constituição de 1891, seu cargo era VITALÍCIO. Pela emenda inconstitucional de 1926, continuou VITALÍCIO, mas só até os 70 anos.

É uma contradição em termos, violentando a própria linguagem. Obrigado a cumprir, pretende se despedir com discurso que seja lembrado.

***

PS – Seu pai, grande advogado, também Raul (que morreu muito moço), e seu tio Evandro, foram meus primeiros advogados, por volta de 1952/53.

PS2 – Raul e Tecio, de calças curtas, “fuçavam” os livros de Direito, já convencidos do que lhes estava reservado.

PS3 – Raul não esperava que tão moço e tão competente, apesar de todos os títulos, lhe impingissem essa palavra, que lembra negativamente os velhos e gloriosos tempos, dos processos de “injúria, calúnia e difamação”.

Saiba como Arraes perseguiu Hermano Alves e outros brasileiros que se exilaram na Argélia, pós-64. Arraes chegou a proibir que os filhos de Hermano fossem matriculados, e depois até tentou impedir que a família Alves, massacrada, conseguisse se exilar em outro país.

Hugo Gomes de Almeida:
Hélio: o Hermano Alves chegou a ter algum choque pessoal com Carlos Lacerda ou a separação foi ditada tão só pelos embates políticos?
Esclareça como se manifestou o veto sofrido na Argélia, da parte de Miguel Arraes. Pelo que tem afirmado, alguns brasileiros tornaram-se vítimas desse mesmo comportamento do ex-governador de Pernambuco. Tenha a gentileza de projetar luzes sobre esse fato, que já pertence à História”.

Adriana Veloso Alves:
Prezado Sr. Helio Fernandes, agradeço pela lembrança da figura de meu pai, pessoa extremamente idealista, brilhante e que lutou bravamente pela liberdade no Brasil que ele tanto amava e não soube reconhecê-lo como uma das maiores mentes deste país.
Gostaria apenas de retificar que meu pai não repudiava o Brasil, ele amava de paixão. E sim, ele queria viver no Brasil. Sua saída do Brasil para viver em Lisboa foi justamente por ter, pela segunda vez, as portas fechadas como profissional. Na década de 80 seus inimigos ainda lhe perseguiam de forma indireta mas bem intensa.
Seu brilhantismo era um perigo para muitas figuras políticas e militares de nosso país.
Quanto à pergunta do Helio Gomes de Almeida, posso esclarecer.
Com Lacerda a desavença foi política, e quanto ao Miguel Arraes, eu mesma (aos meus 11 anos de idade) pude presenciar a atitude de coronelismo do Arraes na Argélia”.

Hugo Gomes de Almeida:
“Agradecido, dona Adriana Veloso Alves. Gostarei, quanto lhe seja possível, que esclareça como se traduziu a atitude de coronelismo do Arraes na Argélia”.

Adriana Veloso Alves:
Prezado Sr. Hugo, é dificil esclarecer as “atitudes coronelistas”.
Estamos falando de um homem público também falecido. Portanto, sem querer ofender a dignidade de alguém que não está aqui para se defender (Arraes), alguns relatos posso me permitir de fazer.
Quando chegamos na Argélia, meu pai, minha mãe e meus 4 irmãos, transtornados pela fuga para o exílio, meu pai esperava ter apoio desse Sr. Arraes .
Sem termos dinheiro, casa ou qualquer apoio para a sobrevivência da família, meu pai procurou aquele que ele tinha ajudado a se exilar na embaixada da Argélia em 64 .
Esse Sr. Arraes simplesmente exigiu fidelidade incondicional a ele em seu reinado em Argel (capital da Argélia) e logicamente outras exigências que ficaram em segredo.
Meu pai, em toda sua vida, NUNCA foi homem de pactuar com politicalha (como diz nosso amigo Helio Fernandes) e nem de aceitar propostas que fossem contra seu idealismo de justiça.
E por não aceitar as exigências de Arraes, sofremos então uma perseguição e vingança barata e mesquinha deste individuo. Pior ainda, a vingança atingiu a nós, os filhos, que não podíamos nos matricular em nenhuma escola (tanto era o poder de Arraes essa época na Argélia), não podíamos fazer nada, e depois não podíamos nem sequer sair do país.
Após 8 meses encurralados na Argélia, e depois de ter acontecido um episodio terrível, tivemos finalmente a ajuda da França para sairmos do país .
Existem muito mais coisas a serem esclarecidas com o tempo .
Espero que este relato seja suficiente para convencê-lo do “coronelismo ” do Sr. Arraes.
E acredito que ele tenha feito isso com outras pessoas .
Abraço”.

Comentário de Helio Fernandes:
Adriana, tendo conhecido tanto e durante tanto tempo o Hermano de Deus Nobre Alves, não podia deixar de registrar, o mais resumidamente possível, toda a admiração que tinha por ele. Sabia de ciência própria o que ele sentia pelo país. Mas teve que viver no exterior, por causa da perseguição que sofria, mesmo depois da ditadura, como você mesma confirmou.

Aproveito esse elucidativo diálogo entre você e Hugo Gomes de Almeida para ajudar a esclarecer dois outros fatos escritos por mim, antes, e que vários leitores e seguidores pediam que explicasse melhor. E que estão citados na tua resposta.

Não houve nenhuma grande desavença entre ele e Lacerda, não tiveram nem oportunidade. Depois de 1968 nem se encontraram, um não sabia onde estava o outro. O drama de Hermano começou no dia 13 de dezembro de 1968, quando foi publicada a mais cruel e selvagem lei, chamada de “AI-5, sigla de Ato Institucional nº 5”.

Como já contei, foram terríveis a forma e o trajeto percorrido por Hermano até chegar à Argélia. Lacerda foi preso no mesmo dia 13, cassado no dia 30 desse mesmo dezembro de 1968. No dia 2 de janeiro de 1969, viajou para Milão, teve a gentileza de ir se despedir de Mario Lago e deste repórter, que continuavam na cadeia.

Como Lacerda morreria inesperadamente, mocíssimo, (63 anos), ele e Hermano teriam 8 anos para essa tão falada “desavença”. Nesse maio de 1977 nem sei onde estava Hermano. O que sei: Lacerda (da mesma forma que Jango e Juscelino) desapareceu perto do fim da ditadura, numa “coincidência” que tem todas as aspas possíveis, e jamais será esclarecida.

O certo e indiscutível: se não tivessem morrido, os três influenciariam positivamente o fim da ditadura. Ou então, invertendo a colocação, se os três não tivessem desaparecido, a ditadura não teria terminado como terminou, “amigavelmente”, com todos os civis e militares, preservados, protegidos, favorecidos.

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PS – Agora Arraes, que a filha de Hermano de Deus Nobre Alves, com 11 anos percebeu que era “coronelista”, foi muito mais. Tendo feito acordo com os generais golpistas, recebeu passaporte para viajar para onde quisesse.

PS2 – Ao contrário de Jango, Brizola, Hermano, Márcio Moreira Alves e outros, que tiveram que sair do país depois de intensa peregrinação geográfica e policial.

PS3 – Arraes escolheu a Argélia, dominada pela ditadura comunista do corrupto Boumedienne. Foi para lá por escolha voluntária, ditadura comunista, tudo o que mais desejava.

PS4 – Todos os outros exilados chegaram à Argélia por ser o ponto mais fácil, saindo do Brasil. Não imaginavam que depois de 4 ou 5 meses, chegaria aquele no qual acreditavam e que se transformaria no carrasco de todos.

PS5 – Com penetração total na ditadura comunista da Argélia, seu Poder era incontestável, chamado normalmente de “Vice-Rei”, com tudo o que um cidadão, nessa condição, receberia. E aproveitou muito bem.

PS6 – Fez fortuna, e não digo isso agora, escrevi muito sobre Arraes, assim que acabou a ditadura (É só verificar na Tribuna da Imprensa ou na Biblioteca Nacional).

PS7 – Arraes consolidou de tal maneira a sua força, que quando Boumedienne foi derrubado, (e depois assassinado em Paris, onde vivia luxuosamente, como o “Papa-Doc” e outros), ficou com o mesmo prestígtio com o novo ditador.

PS8 – Boumedienne perdeu o poder porque roubou demais, e não dividia corretamente. Não ficou um só brasileiro na Argélia de Arraes. Assim caminha a humanidade.

Luiz Gonzaga Belluzzo: “Não vou dividir Scolari como técnico da CBF”

O presidente do Palmeiras, que se julga (e até se diz) conselheiro do presidente da República, afirmou para jornalistas: “Nem sei como se faz essa divisão de um técnico entre um clube e uma seleção”.

Belluzzo devia ter mais cuidado e mais conhecimento. Isso já foi feito, e de forma muito mais elevada, entre um presidente da França e um primeiro-ministro.

Em 1988, Mitterrand foi reeleito presidente da França. (Perdeu em 1974, ganhou em 1981 do mesmo Giscard d’Estaing, venceu em 1988 a Jacques Chirac).

Em 1990, eleições gerais (parlamentares) e o partido de Chirac fez maioria na Assembleia Nacional (Congresso). Como na França os ministros são de “livre nomeação” do presidente, mas têm que ser referendados pela Assembleia Nacional, houve o impasse, resolvido com criatividade.

Fizeram o que se chamou de COABITAÇÃO. Que foi o acordo entre Mitterrand-Chirac. Na próxima eleição geral, Mitterrand recuperou a maioria, não precisava mais de Chirac. (Que se elegeu prefeito de Paris). E quando Mitterrand foi derrotado pelo câncer, foi eleito para o seu lugar. Contra a vontade do partido, que pelo menos reduziu seu mandato de 7 para  5 anos.

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PS – Belluzzo não sabe nada disso? Não é possível.

PS2 – Como desde Muricy, o salário (?) de treinador no Palmeiras é de 700 mil (mês, mês), Belluzzo acredita nisso.

PS3 – Ora, Belluzzo, o salário na seleção não é nem contabilizado em números, e sim em corporativismo.

PS4 – O problema é confiar em Ricardo Teixeira com 4 anos de antecedência. (Teixeira tem direito a progressão de pena)

Como entender a observação de Serra sobre as amantes de Indio?

Paulo Sólon:
“Helio, o Serra já cometeu, a meu ver, um erro, divulgando que seu vice tem muitas amantes, mas precisa manerar. Sinceramente, não sei as respostas”.

Comentário de Helio Fernandes:
Excelente, Sólon, principalmente quando você diz que não tem respostas para essa REVELAÇÃO assustadora ou masturbadora, de um cidadão que pretende ser presidente da República.

Só é possível fazer conjeturas, colocar perguntas e deixar que elas sejam analisadas e respondidas. Pois é inacreditável que Serra esteja falando sério.

Ele estava querendo atingir o vice? 2 – Pretendia divulgar um fato desconhecido? 3 – Seria vingança pelo fato de ser obrigado a aceitar um candidato que não o agradava?

4 – Pelo tipo de declaração, o ex-governador precisa explicar se considera ter amantes um PONTO FAVORÁVEL? 5 – Estaria se baseando no tipo de comportamento de seu grande amigo FHC, que teve AMANTES e FILHOS antes de ser presidente, quando já era candidato e até mesmo (como ficou público e notório) quando já ocupava o Planalto-Alvorada.

6 – Nesse caso (caso mesmo), quando casado e presidente, portanto dupla irresponsabilidade, praticou abuso de Poder, na tentativa de amenizar a repercussão.

7 – Como um dos relacionamentos foi com uma repórter da TV Globo, usou o Poder presidencial para afastardo Brasil a jornalista . 8 – A TV Globo, sempre muito compreensiva e generosa, transferiu a repórter para o exterior, não fez pressão sobre ela, deixou que escolhesse o destino.

9 – Ela, de bom gosto, escolheu Barcelona, onde está há 15 anos. 10 – A revista “Caros Amigos”, tomando conhecimento do fato, cumpriu integralmente sua obrigação jornalística, publicou o que apurara.

11 – Serra não percebeu que atingiu uma grande parte do eleitorado, constituído de mulheres? 12 – Recomendando ao seu Indio que tenha amantes, mas discretamente, não está, implicitamente, estabelecendo que as mulheres devem ser utilizadas e descartadas?

13 – Pode ser concluído que Serra esteja querendo fazer média em casa? 14 – Ou então, definitivamente, nenhum item representa alguma coisa, Serra falou por falar?

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PS – Acredito que essa última, seja a resposta certa e inegável. Mesmo considerando que as pesquisas são todas “colombianas”, o presidenciável não pode estar “jogando votos fora”?

PS2 – Em relação a Serra, bem mais grave, estaria desperdiçando votos que não tem.

Inevitabilidade do segundo turno

Carlos Chagas

Apesar de  as pesquisas  estarem servindo  mais para confundir do que para esclarecer, uma previsão  pode ser tirada: haverá segundo turno nas eleições presidenciais. É claro que mudanças e reviravoltas acontecem, faltando três meses para o pronunciamento popular, mas, por enquanto, José Serra e Dilma Rousseff  estão condenados a enfrentar-se duas vezes. A decisão final do eleitorado, apenas entre os dois, exige desde já esforços suplementares por parte de tucanos e companheiros, bem como de seus afins.

Necessitam os respectivos comandos de campanha de  munição extra para travar a batalha final. Nas três vezes  em que se disputou o segundo turno nas eleições presidenciais, só a primeira despertou dúvidas quanto ao vencedor. Em 1989, em cima da hora  o eleitorado precisou optar entre Fernando Collor e Luiz Inácio da Silva, sem um favorito ostensivo. Ganhou Collor.

Depois, Fernando Henrique venceu no primeiro turno as duas vezes que disputou, em 1994 e 1998.  Já o Lula precisou enfrentar a segunda votação, uma contra José Serra, em 2002 e outra contra Geraldo Alckmin, em 2006. Mas era previamente considerado  vencedor, nas duas. Apenas, faltaram-lhe pequenos  percentuais para vencer de pronto.

Agora, pelo  jeito,  será diferente. Pelas pesquisas atuais, Dilma e Serra chegarão ao segundo turno no olho mecânico. Sendo assim, necessitarão dispor de alternativas para a batalha final. Quais? Transformar a segunda votação num plebiscito entre o governo Lula e o passado governo Fernando Henrique, gostaria Dilma. Ou travar a batalha em torno da experiência e da capacidade administrativa, optaria Serra.

Mas precisará haver muito mais do que isso: o debate entre programas e promessas, uma discussão aprofundada a respeito das  soluções de cada um para os grandes problemas nacionais.  Pode ser que a campanha atinja seus pontos mais altos. Ou não?

Depois, só em novembro

No dia 15, quinta-feira da próxima semana, fecham-se as portas do Congresso, para um recesso destinado a ultrapassar de muito os limites constitucionais. Porque em agosto, setembro e outubro só em períodos excepcionais poderão ser encontrados deputados e senadores em Brasília. Empenhados nas campanhas eleitorais, a maioria buscando reeleger-se, todos de olho nas eleições presidenciais e para os governos dos estados.

Não há como  criticar os parlamentares. Estarão lutando pela própria sobrevivência política. Quer denominem o período de recesso remunerado ou apelem para o eufemismo  dos esforços concentrados, a verdade é que não poderia ser diferente.

Sendo assim, descontados os fins de semana que começam as sextas-feiras e se estendem até as terças-feiras, teremos mesmo cinco dias de trabalho, de hoje até a debandada. Dá para votar alguma coisa de essencial? Parece que nem o pré-sal, ainda que esforços se façam nesse sentido. São coisas da democracia representativa. Pode ser que em novembro, já conhecidos os resultados do segundo turno das eleições, e na primeira quinzena de dezembro, o Congresso consiga apresentar alguns resultados.

Dunga passou seu descontrole para a seleção

Pedro do Coutto

Esfriada a cabeça depois da derrota para a Holanda, analisando-se de forma serena o desempenho de nossa Seleção, inevitavelmente vamos concluir por uma evidência que a paixão não deixa perceber quando somos parte da questão e partimos, cento e noventa milhões de brasileiros, em busca da vitória e da conquista inédita do hexa que eternizaria nosso país na história do futebol mundial.

A evidência, que, passada a tormenta, emerge das sombras do pensamento, é a de que o treinador Dunga, descontrolando-se, passou seu descontrole emocional aos jogadores de nossa equipe. É um homem hostil, agressivo, permanentemente nervoso e irritado. Tem-se a impressão que equivocadamente coloca-se como centro do universo e tudo o desagrada. Nem a classificação em primeiro lugar nas eliminatórias da América do Sul, as belas conquistas da Copa das Américas e da Taça das Confederações conseguiram acalmá-lo e relaxá-lo.

Como jogador, inclusive, Já era assim. Quem não se lembra do quase grave incidente que, como capitão em 94, ia provocando com o atacante Bebeto? Já era uma prova de sua hostilidade e temperamento agressivo. São respostas em tom desagradável nas entrevistas, seu olhar sempre desconfiado como se todos tramassem alguma armadilha para ele. Não consegue conviver sem tensão negativa.

Inevitavelmente passaria isso aos atletas. Foi o que aconteceu. Fechou demasiadamente a concentração, como se o poder arbitrário fosse capaz de resolver os problemas que cruzam as estradas da vida. Assim agindo, em vez de transmitir entusiasmo construtivo, passou inibição e temor da derrota que acabou por vir. Os jogadores, sob seu comando, claro, não se sentiram à vontade. Sabendo das relações críticas que mantinham com os meios de comunicação, passaram a encarar a missão de vencer não como algo eufórico, mas uma provação. Achavam que, na hipótese de perder, as conseqüências desabariam sobre Dunga – como desabaram – , mas admitiram que fossem tragados pelo redemoinho da frustração. A disputa, dessa forma, passou a pesar em dobro. Uma atmosfera péssima. Isso fora de campo.

Em campo, começou por fazer convocações equivocadas. Escalações ainda piores. Michel Bastos na lateral esquerda foi quase inacreditável. Improvisado na posição, é jogador de meio campo. Num artigo magnífico sobre a nossa derrota na Folha de São Paulo, edição de 3 de julho, Tostão traçou nitidamente o perfil da impropriedade. Além da improvisação, não havia cobertura para ele. Havia cobertura para Maicon, não para Michel Bastos. A equipe atuava de modo torto. Uma formação oblíqua entre a asa direita e a asa esquerda. Felipe Melo foi outro erro, este gravíssimo. Expulso duas vezes na Copa de 2010, revelou mão ter serenidade. Não consegue enfrentar a pressão do futebol.

Inspirou-se no próprio Dunga. No primeiro tempo, quando vencíamos e parecia que o segundo gol está iminente, o treinador exasperava-se, insultava o juiz, dava ponta-pés no espaço e na divisória que separa a entrada do túnel do gramado. Descontrolado e desarvorado passou sua instabilidade à equipe. Por causa dessa atmosfera a seleção, ao tomar um gol contra de Felipe Melo, não conseguiu se reestruturar e reagir. Levou o segundo e aí a fisionomia de alguns craques, como Kaká, por exemplo, adquiriu a expressão do próprio Dunga. Pessoas negativas terminam sempre lançando sua negatividade sobre os que estão por perto. O sonho fica para 2014.

A celeridade também depende dos atos dos juízes

Roberto Monteiro Pinho

De acordo com os números registrados no CNJ, o índice de recursos é maior no Judiciário trabalhista, os recursos ao TST contra decisões dos TRTs totalizam 34,6% dos casos. O percentual de sentenças de primeiro grau que são contestadas em segundo, contudo, é bem maior — 77,9% nos processos em fase de execução e 62,7% nas ações em fase de conhecimento. Sendo assim é notório que os agravos de instrumentos, são interpostos quando há necessidade de uma avaliação pelo TST, no Recurso de Revista, do RO, e quando do RO do Agravo de Petição em matéria de execução, onde ao que tudo indica estaria a execução garantida, “ex factu avitun jus”, portanto inatingível pela nova lei.

Essa medida ajuda data permissa, a Corte Superior que estará desafogada, (fato que devemos aguardar), e sendo assim, não conferirá celeridade a Justiça do Trabalho, pois sempre existirá a possibilidade de um Agravo de Instrumento após o Agravo de Petição, o qual só é possível com a garantia do Juízo. A nova magistratura deve estar atenta à nova demanda por justiça, assumir sua responsabilidade na gestão da instituição, construindo um novo perfil de juiz, humanista, pragmático, gestor, participativo, questionador e produtivo.

A utilização da posição como privilégio para apenas ser representativo socialmente no conjunto das funções exercidas no Estado, e a seu favor, a ponto de promover o desmanche da estrutura do direito, alicerçado em promessa de restabelecer a celeridade no judiciário laboral, caminha para o revés se provado o arrefecimento das ações envidas por AI, ao TST, mas que abrirá o flanco que permitira a extinção desta Corte. O principal objetivo do trabalhador que recorre a Justiça obreira, é a de receber seus direitos trabalhista, principalmente a verba incontroversa, que são prioritariamente o salário e seus reflexos, e sendo assim deveria ser irrecorrível por força de lei.

O trabalho despendido pelo empregado não pode ser devolvido pelo patrão, sendo esta a única forma de receber a verba alimentar, mas que infelizmente no judiciário trabalhista, essa mesmo que incontroversa por uma série de razões fica atrelada ao recurso e acaba levando anos. Este senão é o mais cruel e nocivo para o trabalhador, e por isso conforme corroboram as pesquisas de opinião, acabou perdendo a confiança desta justiça.

Hoje um processo demora de dez a quinze anos para ser resolvido na JT, inúmeros são os recursos permitidos, pelo direito e por conta das apontadas injunções praticadas pelos juízes que prolatam decisões, de tal fragilidade, permitindo recursos por nulidades.

Na técnica do direito do trabalho a condição de hipossuficiente do empregado é que autoriza o juiz a adotar a inversão do ônus da prova, cuja regra está consagrada no CDC, artigo 6º, VIII e também no artigo 852-H da CLT. O artigo 6, VIII, do CPC, dispõe que “são direitos básicos do consumidor: (…) VIII – a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiência”. E o artigo 852-H da CLT dispõe: “O juiz dirigirá o processo com liberdade para determinar as provas a serem produzidas, considerando o ônus probatório de cada litigante, podendo limitar ou excluir as que considerar excessivas, impertinentes ou protelatórias, bem como para apreciá-las e dar especial valor às regras de experiência comum ou técnica”. Embora o artigo 852-H da CLT trate especificamente de matéria de prova no procedimento sumaríssimo, não impede o juiz de aplicá-la no procedimento ordinário. Ao juiz do trabalho, a bem do direito e da celeridade, lembramos que existe dispositivo legal, “a Lei 9.492/97 estabeleceu que o protesto é o ato formal e solene pelo qual se prova a inadimplência e o descumprimento de obrigação originada em títulos e outros documentos de dívida”. E o artigo 2º, da mesma lei, dispõe que o protesto visa à garantia de autenticidade, publicidade, segurança e eficácia dos atos jurídicos, sem fazer qualquer restrição quanto às espécies de atos abrangidos.

O TRT3 já firmou convênio com os tabeliães de protesto do Estado de Minas Gerais, para implementar os protestos extrajudiciais de decisões proferidas pela Justiça do Trabalho da 3ª Região, com expressa permissão para incluir os nomes dos devedores em listas de proteção ao crédito. O caminho percorrido pelo processo trabalhista é longo, de difícil solução, não só para o trabalhador hipossuficiente, mas também ao pequeno e micro empregador, (na maioria das vezes sucumbe em sentenças aviltantes, incompatíveis com a própria realidade econômica da atividade). A bem da verdade, os percalços que se traduzem em morosidade, e tornam insolúvel a ação. Alguns juristas entendem que se aplicado reguladores, que permitam arbitramento do valor da causa dentro da realidade social, onde as duas vertentes permitam a possibilidades de mais de conciliar 50% do total de 14,5 milhões de ações acumuladas na especializada.

Ao mesmo tempo em que indicam este caminho, temem pela oposição dos juízes trabalhistas, que preferem transformar a simples ação, onde a maioria advém de hipossuficientes, num complexo titulo executivo. Lutar por celeridade significa também a flexibilização não das leis do trabalho, mas do pensamento colonial e avesso a solução pratica de litígios reinante no seio da JT.

Conversa com leitores: Lacerda e MASP

José Carlos Werneck:
“Excelente o artigo sobre os dois jornalistas. Sabia da morte de um filho de Roberto Marinho, aí por volta de 1969/70. Mas desconhecia a participação de Lacerda”.

Comentário de Helio Fernandes:
Werneck, Lacerda já era governador, no terceiro ano do mandato. O acidente foi em Cabo Frio, que Lacerda frequentava muito por ser amicíssimo dos Silveirinhas, donos da Fábrica Bangu de Tecidos.

José Antonio:
Helio, o Museu de Arte de São Pulo, nada tem a ver com o Museu de Arte Moderna”.

Comentário de Helio Fernandes:
Foi erro de digitação. Tive o cuidado de escrever por extenso, Museu de Arte de São Paulo, e entre parênteses colocar a sigla, MASP. A palavra Moderna entrou misteriosamente no texto, por arte (moderna) do digitador.

NÃO DEIXEM DE LER AMANHÃ:
Cartas sobre Arraes, e as explicações de Adriana
Veloso Alves. Filha de Hermano Alves e que com
11 anos viveu na Argélia e conta fatos, fatos,
nada mais do que fatos sobr Arraes.

Chateaubriand, jornalista desde os 13 anos, catedrático de Direito aos 23 anos, escrevendo todo dia, mesmo incapacitado fisicamente, e Roberto Marinho, que abandonou a Faculdade, jamais escreveu a vida inteira

Francisco César:
“Helio, gostaria de saber como o senhor analisaria as duas figuras máximas da Comunicação no Brasil, Assis Chateaubriand e Roberto Marinho, suas divergências e afinidades”.

Comentário de Helio Fernandes:
Excelente ideia, vou satisfazer você e muito outros, que sempre procuram comparar Chateaubriand e Roberto Marinho. Na verdade, nada mais desigual em tudo, Chateaubriand e Marinho só passaram a ter alguma coisa em comum a partir de 1964. A fortuna pessoal de Roberto Marinho, e a consolidação da Organização, começaram com o golpe de 1964.

Chateaubriand já estava no fim, morreria em 1968. Vou escrevendo sem consulta a coisa alguma, não tenho enciclopédia nem documentário, aliás tudo o que escrevo é de lembrança, de vivência ou de memória, às vezes pode acontecer falha mínima, mas que não atinge o conteúdo. Depois de ler, todos verão que distância espantosa existiu entre os dois, na formação, no começo, no meio e no fim. (Inacreditável divergência, EM TUDO, acabaram se juntando num túnel impenetrável).

Chateaubriand, com 13 ou 14 anos, já escrevia em jornal, e logo, logo, por necessidade, foi para as redações. Roberto Marinho, apenas herdeiro. O pai, Irineu, grande jornalista, dirigiu “A Noite”, um dos jornais mais populares do Rio antigo. De 1915 a 1925, alcançou tiragens que muitos não atingem hoje.

Em 1925, deixou “A Noite” e fundou “O Globo”. Morreu meses depois, quando Roberto Marinho acabava de fazer 21 anos, estava no primeiro ano da Faculdade de Direito, que abandonaria imediatamente. Mas não assumiu a direção do jornal. Quem dirigiu tudo durante 6 anos, foi o segundo de seu pai, jornalista Euricles de Mattos. Este morreu, Roberto teve que assumir, mantendo seu nome no cabeçalho durante alguns anos, depois tiraram.

Enquanto Roberto Marinho ficava no primeiro ano da Faculdade de Direito (embora exigisse ser chamado de doutor), Chateaubriand, em 1915, com 23 anos, ganhava as cátedras de Direito Romano e da Filosofia do Direito. Não quiseram nomeá-lo professor das duas cadeiras, veio para o Rio reinvindicar o que conquistara. (Chateaubriand tinha 12 anos mais do que Roberto Marinho, nasceu em 1892, Marinho em 1904).

Essa a parte da formação, inteiramente diferente. Chateaubriand era um jornalista e um professor de duas cátedras importantes, e Roberto Marinho?

A vinda para o Rio modificou toda a vida de Chateaubriand. Era um impulsivo e compulsivo, dinâmico e realizador, invadiu todos os setores. Fundou logo “O Jornal”, e a seguir os “Associados”, que juntavam todas as empresas jornalísticas que ia montando no Brasil inteiro.

Chegou a ser proprietário (lógico, proporcionalmente) do maior império jornalístico do mundo. Em 1950, (quando trouxe para o Brasil a primeira estação de televisão, a TV Tupi) tinha 76 empresas, entre jornais, revistas, rádios e televisões (que foram se multiplicando) e a maior agência de notícias da América do Sul, a Meridional.

Enquanto isso, Roberto Marinho ainda não despontara. Com 60 anos de idade, (de 1904, quando nasceu, até 1964, quando fundou a TV Globo sob a “proteção” da ditadura) só pensava em dinheiro, em viver ostensivamente. Não quero dizer que Chateaubriand não se interessava por dinheiro, isto não é defesa nem ataque para nenhum lado. Só que a vida do “doutor Assis” (como era chamado e gostava), foi intensa e proveitosa.

Chateaubriand escrevia diariamente, estivesse onde estivesse. Obsessivo, mandava artigos escritos até em papel de maços de cigarros. (Na época das linotipos, havia sempre um linotipista de plantão, até chegar o artigo do “doutor Assis”. Só ele entendia os “hieróglifos”. Roberto Marinho jamais escreveu qualquer coisa. Os “editorialistas” do Globo eram conhecidos, alguns estão vivos.

Único título que tinham em comum: o de “imortais” da Academia. Mas Chateaubriand tinha mais títulos do que toda a Academia. Roberto Marinho só entrou porque muitos acadêmicos escreviam no Globo. Mas o “doutor Assis” não deixou um terreno que não fosse penetrado.

Duas vezes senador (pela Paraíba e pelo Maranhão de antes de Sarney), embaixador na mais fechada e aristocrática corte, a da Grã-Bretanha, se transformou na grande atração. Criou a Ordem do Jagunço, outorgou o título a Winston Churchill, e todos passaram a disputar essa honraria.

Por volta de 1946, o doutor Assis, já uma potência, e Roberto Marinho, aprendiz de feiticeiro, foram almoçar no Jóquei Clube, então um dos centros mais importantes do Rio. Na hora do almoço, “quem era quem” estava ali ou em dois outros restaurantes. Foi a época do comunismo-intelectual do Rio. Roberto Marinho se queixou: “Não sei o que fazer, meu jornal está cheio de comunistas”.

E o doutor Assis, em cima do laço: “Você precisa se acostumar, eu que tenho mais de 30 jornais, nem me incomodo. Você, Roberto, quer fazer jornal sem comunista, é a mesma coisa do que pretender fazer balé sem viado”. (Naquela época era assim mesmo, não existia ainda a palavra gay).

Doutor Assis era homem de realizações, e três delas são citadas até hoje. 1 – Centenas e centenas de aviões de treinamento, que eram disputadíssimos. E muitos e muitos aeroportos. 2 – Centenas de Institutos de Puericultura, que cobriam o Brasil todo. 3 – O espantoso Museu de Arte de São Paulo (Masp), cujo acervo surpreende até mesmo especialistas estrangeiros. Diziam desprezivelmente: “O Chateaubriand construiu tudo isso, tomando dinheiro dos ricos com uma garrucha nas mãos”.

Deve ter sido mesmo. Mas outros, que tomavam dinheiro com a mesma garrucha e volúpia, depositavam no exterior. O que fez o dono do Globo, a não ser a Fundação Roberto Marinho, que ninguém consegue decifrar.

Os dois tiveram conflituosa relação com Vargas e a ditadura do Estado Novo. Iam e voltavam, dependendo dos interesses pessoais.

Já o golpe de 1964 teve apoio integral de Roberto Marinho, (a Organização começou a crescer a partir dali), Assis Chateaubriand, já quase fora do ar. Morreria logo. Tenho quase certeza de que, se estivesse em plena forma e com saúde, doutor Assis, então com 70 anos, apoiaria o golpe para proteger os Associados.

(Morreria em 1968, mas escrevendo. Não podia mover os braços e as mãos, foi criada uma engenhoca especial. Era um fio de elástico longo, preso no teto, que permitia à sua mão direita acionar as teclas de uma das primeiras máquinas elétricas do país. Era uma letra de 20 em 20 minutos. Morreu como jornalista, escrevendo).

***

PS – Em matéria de defesa do interesse nacional, os dois tinham a mesma posição. Eram ligadíssimos aos trustes, hoje chamados de globalização.

PS2 – Ganharam fortunas traindo a verdadeira posição do povo brasileiro. E as multinacionais pagavam, naturalmente lucravam de forma espantosa.

PS3 – À medida que a tecnologia avançava, as fortunas dos dois iam crescendo. Como Chateaubriand morreu quando a pródiga televisão surgia, enriqueceu muito menos.

PS4 – Já Roberto Marinho consolidou sua fortuna com a televisão. A TV Globo foi inaugurada em 1965, mas Roberto Marinho enganou o Time-Life em 1964, com a proteção dos generais. E esses generais deram à Rede Globo centenas de canais de rádios e de televisões, que fizeram a fortuna incalculável da Organização.

PS5 – Roberto Marinho, apaixonado por hipismo, foi um cavaleiro notável e vencedor. Fez pesca submarina com grande competência. E foi um grande jogador de sinuca, praticando “esse esporte”, quando a sede do Globo era na Avenida Rio Branco, esquina de Almirante Barroso. Parava gente para vê-lo jogar.

PS6 – Quando moço, teve um filho que morreu afogado. Carlos Lacerda, que não sabia nadar, se jogou no mar para salvá-lo, não conseguiu. Muitos anos mais tarde, ficaram inimigos, Marinho queria fazer negociatas, que Lacerda governador não podia autorizar.

Candidatos em chuteiras

Carlos Chagas

Junto com os respectivos pedidos de  registro, hoje, José Serra. Dilma Rousseff e os demais candidatos a presidente  apresentarão ao Tribunal Superior Eleitoral um resumo de seus programas de governo. É a lei que determina essa obrigação, certamente ainda não um detalhado plano de iniciativas, mas, ao menos, um elenco de concepções e promessas.  Último dia de prazo para a apresentação das candidaturas, ambos cumprirão o ritual exigido pela legislação, iniciando-se formalmente as  campanhas.

Os menos tolerantes dirão tratar-se de uma farsa, porque candidatos Dilma e Serra já são há quase dois anos, encontrando-se em campanha por quase igual período. De qualquer forma, e coincidindo com a recente desclassificação do selecionado brasileiro na copa do mundo de futebol,  a disputa pela presidência da República passa  a ocupar todos os espaços no  imaginário popular. Daqui até outubro, crescerão no eleitorado  os debates, as especulações e as definições a respeito  de quem ocupará a presidência da República pelos próximos quatro anos.

Educação, saúde e segurança pública farão parte dos programas e das preocupações dos candidatos, não apenas dos dois mais bem colocados nas pesquisas, mas de todos os demais.  Reformas, também, como a política e a  tributária.

Etapa importante do processo sucessório começará em agosto, quando do início do horário de propaganda eleitoral gratuita pelo rádio e a televisão. Em suma, Robinho, Kaká, Dunga e outros estão fora de campo. De chuteiras e prontos para apresentar grandes lances ou caneladas, estão os candidatos.

É confusão, mesmo

Certos grotões da candidatura de Dilma Rousseff, lá para os lados do PT, levantam a hipótese de uma conspiração pró-Serra entre alguns institutos de pesquisa e órgãos da grande imprensa. Sustentam estar a candidata bem adiante do adversário, em termos numéricos, atingida apenas pelos percentuais manipulados que apontam empates técnicos e até a prevalência do ex-governador de São Paulo por um ou dois pontos.  Pode até ser, em se tratando de atividades comerciais e do interesse de certas elites, mas de forma alguma deveria essa preocupação alimentar a paranóia de alguns companheiros.

Nem os institutos arriscam-se a ficar afastados  da  realidade, nem a mídia avançará tanto a ponto de não poder compor-se com  o vencedor ou a vencedora.  Para uns, a  desmoralização  representaria  a perda de futuros negócios e fregueses, porque novas eleições virão. Para outros, sempre haverá o receio de ficar de fora do cada vez mais farto banquete publicitário que todos os governos vem oferecendo.

O que acontece com as conflitantes e oscilantes pesquisas é a confusão de  metodologias e a insignificante amostragem feita através de três mil consultados,  dentro  de um universo de 130 milhões de eleitores. Errar, para um lado ou  para outro, é muito mais fácil do  que acertar nas tendências populares. Acresce que desta vez não há um  favorito escancarado, como aconteceu com Fernando Henrique e com o  Lula.

Debate sobre o nada

Numa época em que se fala tanto em  debates sobre os  candidatos à presidência, ainda não apareceu um veículo de comunicação disposto a promover um debate entre os candidatos à vice-presidência. Dificilmente aparecerá, mas já imaginaram, frente a frente, Michel Temer e Índio da Costa? Não se arriscariam a apresentar programas, que não  podem ter,  ou, sequer, iriam evoluir em torno dos programas dos titulares, que além de não  conhecerem, poderão interpretar às avessas. Os dois deputados, ao menos até agora,  mantém-se à sombra. Aliás, causada por tenebrosa nuvem pairando sobre  suas cabeças,  com nome próprio.  A nuvem chama-se Leandro Maciel. Quem quiser que vá pesquisar na crônica política nem tão recente assim o  acontecido  com o indigitado cacique sergipano.