11 horas: todos esperam a decisão de Marco Aurélio Mello

Nada ainda do gabinete do Ministro. Durante a madrugada, podem se estarrecer: até a sucessão presidencial foi discutida, “no bojo” da prisão de Arruda. O DEM, desesperado por perder o único governador que elegera, queria manter Paulo Otávio. E garantia: “Se ele não cumprir a determinação de LIMPAR O GOVERNO, seremos os primeiros a RETIRÁ-LO DO CARGO”.

Ao mesmo tempo que PROMETIA, ameaçava o aliado de sempre, o PSDB. (Não custa lembrar: antes desse escândalo, com fotos, vídeos e gravações, Arruda era o nome do DEM, apontado como vice de Serra. E o governador de São Paulo, não opunha nenhuma resistência. E Arruda era o mesmo Arruda que renunciou no senado para não ser cassado. E esse SUBORNO que veio a público em novembro, segundo o próprio Arruda, “não é de agora, foi com dinheiro de campanha, mobilizado por adversários que querem me destruir”.

Isso “VAROU” A NOITE, outros do PMDB participando, alguns dos MAIORES CORRUPTOS DE BRASÍLIA, LANÇANDO SEUS NOMES PARA A SUCESSÃO.

10:30 da manhã, Brasília não acorda porque não dormiu

Que noite, diziam “legal e politicamente”, os que de qualquer maneira estão envolvidos ou têm interesses, DIRETOS ou INDIRETOS, na permanência ou saída de Arruda da prisão.

O Ministro Marco Aurélio Mello sabe muito bem, sem consultar ninguém, que sua decisão se restringe unicamente ao aspecto legal, (constitucional) da prisão do governador. (A mesma dúvida dos dois ministros do STJ, que não acompanharam o relator).

Esses Ministros consideravam que a Assembléia Legislativa, deveria ser ouvida. Mas como PEDIR AUTORIZAÇÃO a uma Assembléia, tão desmoralizada (ou mais) do que ele?

Isso transforma a questão num labirinto, onde todo e qualquer passo é no escuro, e todos correm risco. A decisão de Marco Aurélio, importantíssima para a libertação e a liberdade do governador corrupto. Mas a partir daí, conseqüências, acordos, desacordos, principalmente no setor político.

“Quem é quem em Brasília” conversando ininterruptamente, a noite toda. E no quadro dessas sugestões-conversações, duas questões importantíssimas. 1 – O DEM quer e aceita a saída de Arruda, mas quer também que o vice Paulo Octávio continue no cargo.

Se baseiam no fato dele ser o vice legitimo, e se não assumir, o governo irá para o presidente da Assembléia, que é do PT.

2 – Isso agrada ao Planalto, mas que por precaução, se movimenta num outro sentido: a INTERVENÇÃO. Por que o interesse tão grande de Lula e do governo? Elementar: o INTERVENTOR seria nomeado pelo próprio Lula, depois de aprovado pelo senado.

Não existe nenhuma razão que justifique essa INTERVENÇÃO, pedida pelo Procurador Geral da República. A que foi apresentada oficialmente: “Brasília está tão CONTAMINADA (palavra usada pelo Procurador geral) que ninguém conseguiria governar a capital”.

Concordamos inteiramente. Mas qual o “SANTO”, que feito INTERVENTOR, LIMPARIA BRASÍLIA IMEDIATAMENTE? E quantos estados, estão CONTAMINADOS PELAS MESMAS OLIGARQUIAS CORRUPTAS? A opinião pública quer a LIMPEZA de Brasília, mas que tudo fique LIMPO mesmo. E que os garis não sejam os mesmos de sempre.

10 horas da manhã: há 17 horas Arruda está preso

Ontem, às 4 da tarde, às 5 e às 6, noticiei, muitas vezes na frente de todos, o que estava acontecendo. Até o fato do Ministro da Justiça ter sido acionado pelo presidente Lula, “para evitar que o governador fosse exposto”, saiu aqui, logo, logo. Horas depois divulgaram.

Às 5 da tarde, quando soube da decisão do relator Ministro Fernando Gonçalves, referendada pela Comissão Especial (de 15 ministros) do STJ, Arruda seguiu direto para a Polícia Federal. Estratégia de sucesso. Se livrou de “500 microfones” na sua cara, centenas de fotos e de perguntas chatas, do tipo, “como o senhor recebeu a ordem de prisão?”. Ninguém viu, ouviu ou fotografou o governador preso.

Antes de sair de casa, Arruda telefonou para dois dos mais caros advogados, contratando-os para defendê-lo. Um deles, advogado de Daniel Dantas, com vasta experiência de defender corruptos.

Esse advogado, na primeira aparição, “parecendo revoltado”, dizia: “Estou entrando com o pedido de Habeas -Corpus no Supremo, a prisão é desnecessária e ilegal, meu cliente nem foi ouvido”. Ha! Ha! Ha!

No mesmo momento, com a prisão determinada pelo próprio STJ, o relator, Fernando Gonçalves, informava o cidadão-contribuinte-eleitor: “Eu conhecia o caso pelas noticias que circulavam. Quando recebi os autos, tomei conhecimento dos fatos e acusações gravíssimas”.

Normalmente, devido à hora, o pedido de Habeas-Corpus deveria ir para o Presidente do Supremo, Gilmar Mendes. Mas por causa de suas ligações (causídicas) com personagens envolvidos, seria imprudência colocá-lo no centro desses acontecimentos. Foi então para o Ministro Marco Aurélio Mello, um dos três únicos Ministros do Supremo que redigem seus votos, discursos e conferências.

Marco Aurélio passou o resto da tarde, a noite e a parte da manhã, estudando como relatar a questão. (Continua, irei informando o que acontecer, jurídica e politicamente).

Dia 22 de março, lançamento do livro, de Guimarães Padilha, “Lacerda na Era da Insanidade”. Histórias da redação da Tribuna, com artigos deste repórter

Caríssimo Helio Fernandes,

Você está bem? Que Deus sempre esteja ao seu lado.

Em primeira mão, informo ao amigo que o nosso livro “Lacerda na era da Insanidade” será afinal lançado no próximo mês de março, exatos 50 anos da eleição do querido Carlos Lacerda para primeiro governante do ex-Distrito Federal, transformado em 1960 em Estado da Guanabara.

Não foi possível o lançamento em 2009 por falta de condições. Jornalista é jornalista… Mas o importante é que o livro vai ganhar vida. E sem dúvida a sua ajuda foi de extrema importância para que tal ocorresse, o que será sempre lembrado.

O livro (280 páginas) insere três dos seus belos artigos publicados na Tribuna da Imprensa e num outro me permito comentar um pouco do que você representou para o país naqueles tempos hediondos vividos por todos nós, no artigo “O Homem que não atendia os Generais”, que anexo neste fax.

O lançamento deverá ocorrer no dia 22 de março (noite de segunda-feira) na ABI e a sua presença será uma glória. Logo lhe mando convite oficial.

Aproveito para enviar abraços a todos de casa e reiterar a você os meus eternos agradecimentos.

Do seu admirador e amigo, Guimarães Padilha”

Comentário de Helio Fernandes
Guimarães Padilha foi bravo e resistente chefe de redação da Tribuna durante os piores anos da ditadura. (Exatamente 10, de 1968 a 1978).

Em 1966 fui cassado três dias antes da eleição, preso na PUC, quando a pedido de Mário Martins, eu, já cassado fiz o discurso final da campanha. Proibido de escrever ou dirigir jornal, tudo ficou com o Padilha. Agora, no livro que sairá no dia 22, Padilha transcreve o artigo que pode ser lido agora. Não deixem de comparecer no dia do lançamento do livro.

* * *

O homem que não atendia os generais

A Tribuna da Imprensa foi o jornal que mais tempo permaneceu sob a censura da Ditadura militar. Enquanto outras redações eram liberadas para produzir seus jornais, o cerco ao jornal de Helio Fernandes parecia não ter fim. Uma das possíveis explicações para essa exceção dentro do regime de exceção talvez se encontre no livro de memórias do general Hugo Abreu, chefe da Casa Civil do presidente Ernesto Geisel, quando o autor afirma:

“Eu não conseguia falar com o jornalista Helio Fernandes. Eu telefonava e elei mandava dizer que não estava. Uma vez, telefonei e ele mandou um recado, perguntando se eu podia telefonar dentro de cinco anos”.

Da mesma forma, a melhor definição do temperamento e da trajetória profissional do Helio talvez se encontre na famosa frase de Rubem Braga: “O Helio Fernandes é o único cara que não tem medo da vida”.

Grande verdade. A biografia de Helio Fernandes é cheia de situações extremas, a que o levaram posições políticas assumidas com desassombro e as palavras candentes de suas críticas implacáveis.

Como jornalista, eis aí um predestinado. Aos 14 anos, já trabalhava na revista O Cruzeiro, onde entrou a pedido do tio, gráfico de profissão. Foi lá que se tornou jornalista, ali permanecendo por 16 anos, junto com o irmão que outra carreira brilhante também faria famosos – Millor Fernandes, o grande Vão Gogo da coluna Pif Paf.

Do O Cruzeiro, Helio se transferiu para o Diário Carioca, onde assumiu a chefia da seção de esportes e, mais tarde, o cargo de secretário de Redação. Dali saiu para a Manchete, cuja redação chefiou em um momento de afirmação da revista semanal dos Bloch, e onde sua busca apaixonada por excelência o levaria a embates que marcaram época. Até com o dono, o saudoso Adolpho Bloch, a quem, reza a lenda, Helio teria expulsado certa vez da redação…

Foi assessor de Imprensa de Juscelino Kubitschek durante a campanha vitoriosa de JK à Presidência da República, em 1955. Adiante, passou-se para a Oposição, logo que Juscelino anunciou aquele que seria o grande objetivo de seu Governo: a mudança da capital para Brasília.

Helio Fernandes é, hoje, o mais antigo jornalista em atividade diária. E, também, o único jornalista vivo que fez a cobertura da Assembléia Nacional Constituinte de 1946, que se seguiu ao fim da Ditadura Vargas. E foi justamente na Constituinte que conheceu, também na mesma cobertura, o repórter mais velho de quem se tornaria grande amigo por muitos anos: Carlos Lacerda.

Em outras façanhas no terreno profissional, criou a primeira coluna de bastidores políticos da imprensa brasileira. Chamava-se “Fatos e Rumores”. Nasceu no Diário de Notícias e no Mundo Ilustrado, de João Dantas, em 1957. Tal estilo de coluna foi copiado em inúmeros jornais do Brasil afora e, é claro, nos grandes do Rio e de São Paulo.

A senda que Helio abriu teve nobres seguidores, tais como a “Segunda Seção”, do Jornal do Brasil, criada por Alberto Dines e assinada por Pedro Muller, depois transformada em “Informe JB”, assinado posteriormente por Pedro Gomes, Wilson Figueiredo, Walter Fontoura, Cícero Sandroni (também colega da Tribuna da Imprensa, hoje, presidente da Academia Brasileira de Letras) e Ancelmo Góis; a coluna “Quatro Cantos”, criada por Oswaldo Peralva no Correio da Manhã e assinada por Cícero Sandroni; a coluna “Periscópio”, do Diário de Notícias, assinada por Heron Domingues; o “Painel”, da Folha de S. Paulo; o “Panorama Político”, de O Globo, e outras, inclusive colunas do gênero em revistas semanais, como as assinadas por Murilo Melo Filho, na revista Manchete, a coluna de Lauro Jardim, na Veja, a de Ricardo Boechat, na IstoÉ, e a de Aziz Ahmed, no Jornal do Commercio, etc.

Em sua coluna, Helio consagrou bordões que hoje todos os colunistas usam. Um deles, a expressão “leia-se”, entre parênteses, destinada a complementar detalhes de fatos ou pessoas citados na oração anterior.

Foi severamente perseguido pela Ditadura militar, especialmente depois do AI-5. Além da censura à Tribuna da Imprensa, sofreu várias prisões na Polícia Federal, no DÓI-CODI, em quartéis, além de ter sido confinado na Ilha de Fernando de Noronha e na Base Aérea de Pirassununga. Contudo, nunca se vergou à violência. Nem deixou de publicar o que lhe parecesse de interesse coletivo, em tom, às vezes, da mais alta voltagem. “Doa a quem doer”, conforme outra marca de sua coluna, hoje publicada on-line, depois que a Tribuna da Imprensa deixou de circular.

Por trás do jornalista criativo e do temível combatente, nem sempre é possível divisar o sereno intelectual, o apaixonado cultor (e colecionador) das artes. Nem a criatura envolvente, modesta, simples, de trato afável para com todos os coadjuvantes das redações que comandou, até os mais humildes. Muito menos o homem de acendrado apego à família. Mas todos eles habitam o Helio Fernandes da vida real que o campo de batalha da vida pública sempre escondeu.

Fantasias para todo mundo

Carlos Chagas

Com o Carnaval, amplia-se a irreverência.  É tempo de fantasias.  Por que deixaríamos os políticos de fora?

José Serra desfilará  como o  “Sombra”.   Dilma Rousseff,  de “Boneca Barbie”, Ciro Gomes,  de “Biruta de Aeroporto” e Marina Silva,  de “Guarda Florestal”. Roberto Requião, de “A Volta do Zorro”.

Já Michel Temer envergará o tradicional uniforme de “Mordomo De Filme De Vampiro”. José Sarney como “Fenix, Renascido Das Próprias Cinzas”.  Marco Maciel,  “Mapa Do Chile”.  Renan Calheiros, “Pirata Do Caribe”. Pedro Simon,  “O Espadachim Do Rei”. Tasso Jereissatti,   “Garrafa De Coca-Cola”.

O vice-presidente José Alencar usará  o camisolão do “Anjo Gabriel”, Aécio Neves de “Capitão América”. Sérgio Cabral de “O Viajante Desconhecido”.   Marta Suplicy, de  “Mulher Maravilha”, Eduardo Suplicy,  de  “Super-Homem”, Gilberto Kassab, de “Príncipe Submarino”. O governador José Roberto Arruda,   de “Ali Babá”,   Durval Barbosa,  de “Ali Babão”. Fernando Henrique Cardoso,  de “Imperador Do Universo”.  Fernando Collor,  de “Depois Da Tempestade” e Itamar Franco,  de “Olha Nós Aqui Outra Vez”.

O  PSDB  passará entoando o samba-enredo “O Retorno Dos Que Não Partiram”. O PMDB,  cantando “Os Cavaleiros Do Apocalipse”,  e o PT,  com a marchinha “Daqui Não Saio, Daqui  Ninguém Me Tira”.  O DEM,   mais uma vez berrando “Mamãe Eu Quero Mamar”.

Carlos Minc de “Dr. Silvana”, Marco Aurélio Garcia de “Esse Lugar É Meu” e Celso Amorin de “O Fantasma Da Ópera”.  Patrus Ananias,  de “O Mártir Das Gerais”, Nelson Jobim de “Rambo” e José Dirceu de “A Volta Da Múmia”. Luiz Dulci, de “O Pequeno Príncipe”.

E ele? Ele  pode desfilar  de “Raposa No Galinheiro” ou melhor,  de “Napoleão”…

Provocações

A oposição parece haver perdido a lógica, nessas preliminares do processo sucessório. Não bastassem as baixarias lideradas por Fernando Henrique Cardoso, Tasso Jereissati, Sérgio Guerra e outros, aproveitou-se a bancada de senadores do PSDB e do DEM de um cochilo dos governistas e a candidata Dilma Rousseff viu-se convocada a comparecer ao Senado, no prazo de um mês, para dar explicações sobre o III Plano Nacional de Desenvolvimento.  ÉR claro que os senadores alinhados ao palácio do Planalto providenciaram a desconvocação, mas, mesmo se não conseguissem, qual o resultado final?

Dona Dilma, que de boba não tem nada, compareceria e sairia vitoriosa de qualquer debate a respeito do polêmico texto que o presidente Lula assinou sem ler. Primeiro porque aspectos sensíveis do Plano já foram retificados pelo próprio chefe, como o da revisão da Lei de Anistia.    Depois, porque em termos de opinião pública, o governo deita e rola quando os temas em discussão limitam-se ao controle de qualidade da programação de televisão ou, mesmo, da necessidade de um diálogo entre os sem-terra e os ruralistas, sempre  que há conflito.

Não há quem possa concordar com a baixaria exposta com freqüência pelas telinhas. Só os barões das empresas e seus respectivos departamentos de publicidade, interessados apenas em faturar. Censura, nunca, mais, mas mecanismos capazes de proteger o cidadão e a família dos excessos da programação televisiva, nem haverá que duvidar.  O engodo do principal instituto de pesquisa é óbvio, quando se trata de concluir que a maior audiência vai para aberrações variadas. Desde bacanais encenados em casas adredemente preparadas até pornografia explícita,  novelas que não traduzem a vida diária,   noticiários apenas mergulhados em tonéis de sangue e até flagrantes de homossexualismo exposto. Bastaria fazer um plebiscito honesto em todo o país para saber que a população, se assiste, é por falta de opções. De propósito, confundem o direito que a sociedade tem de defender-se desses abusos com hipotéticos cerceamentos do noticiário comum.

Da mesma forma, quem pode ser contra o diálogo, exceção dos latifundiários que ainda hoje utilizam a Justiça como arma em favor de seus interesses? Mal não faz que as partes em litígio atuem para evitar a truculência de certas sentenças e a  agressão da maioria das polícias militares. Um péssimo acordo vale mais  do que a melhor demanda – aprende-se nos primeiros meses das faculdades de Direito.

Dar a Dilma Rousseff um palanque privilegiado como é o Senado, para debater essas questões, seria carrear para ela mais alguns milhares de votos indecisos. Por obra de quem? Da oposição.

Alguém distribuiu

Nesse caso ainda inconcluso do general Santa Rosa, salta aos olhos ter havido um lobisomem saído das profundezas. Afinal, numa carta particular, o militar criticou parte do III Plano Nacional de Direitos Humanos e expôs aquilo que, com muito sacrifício, o país inteiro já absorveu, sem esquecer nem perdoar: a anistia apagou crimes, violência e torturas de parte a parte. Sem ela, estaríamos até hoje mergulhados  no caos.  A democracia só foi restabelecida através desse áspero caminho.

Ora, como cidadão, o general tinha todo direito de expor sua opinião,  num documento privado, por mais que possa ter gerado discordâncias e até indignação.

O grave, no episódio, é que a carta do general  a um amigo tenha sido divulgada pela Internet. Alguém abusou da privacidade do remetente ou  do receptor. Poderá ter sido um? O  outro? Quem sabe  gente interessada em tumultuar o regime?  Depois de investigada essa questão,  tudo ficará mais claro.

O camponês e o burro

Nos tempos de antanho era proibido caçar nas terras do rei. Um camponês, cuja família passava fome, aventurou-se a abater um coelho e foi pego em flagrante. Condenado à morte,  marchava para o cadafalso quando viu um burro. Lamentou,  com toda a força dos pulmões,   que iria morrer justamente quando estava ensinando o bicho a falar. O rei interrompeu a execução, quis saber que milagre  era aquele, e o  camponês discorreu  sobre suas qualidades de professor  de animais. A  sentença foi sustada, tendo ele prometido que dentro de dez anos levaria o burro à corte, para mostrar como saberia  falar.

De novo em casa, a mulher perguntou se o marido  estava doido, porque jamais os burros poderiam  falar. Resposta:  “em dez anos o burro pode morrer, o rei poderá estar morto,  e eu também”.

Essa história se conta a propósito das inusitadas investidas do ex-presidente Fernando Henrique no processo sucessório. Até o dia 4 de outubro, Serra poderá ter deixado de ser candidato, o Lula se desinteressado das eleições ou o sociólogo eleito secretário-geral das Nações Unidas…

Às 17:40, Lula na contramão do bom senso

Lula deveria ter ficado em silêncio. Sua afirmação, “a prisão de um governador é ruim para o Brasil”, é espantosamente contraditória.  Arruda já estava CONDENADO AMPLAMENTE PELA OPINIÃO PÚBLICA. É a reafirmação da Justiça, é a ESPERANÇA DE QUE AS COISAS PODEM MUDAR.

Não é um governador DESTITUÍDO, e sim UM CORRUPTO flagrado em ato IRRESPONSÁVEL, e afastado do cargo.

Mais grave ainda: o presidente da República chama o Ministro da Justiça que assumiu ontem, e diz: “Que a polícia não exponha o governador”. Ora, isso é inconcebível. Inacreditável. Inaceitável.

Às 17:45 enquanto o STJ não resolveu nada, definitivamente, Arruda se entregava à Superintendência da Polícia Federal. Por que a pressa? Estratégia rombuda, bem da cabeça de Arruda: se o STJ confirmar a prisão, já estará lá, evitará correria. Se o plenário do STJ não confirmar a decisão do relator, Arruda na certa dirá: “Viram? Não tenho nada a temer, me apresentei logo”.

Mas logo depois, Arruda entrava em desespero, ao saber: 12 a 2, o plenário do STJ ACOMPANHOU O VOTO DO RELATOR. Agora, o que se espera é um pedido de HABEAS CORPUS DE ARRUDA AO SUPREMO, para não ser preso, embora esteja ainda na Polícia Federal.

17 horas: o STJ examina: confirma o voto do relator?

Arruda espera em casa para ser preso, Paulo Octávio, como vice, assumirá obrigatoriamente se Arruda sair. O problema principal: Arruda destrói documentos, prejudica o andamento do processo.

Na Câmara Distrital, unanimidade a favor de Arruda, os raríssimos contra ele, não conseguem nada. A Procuradoria Geral da República pediu a prisão preventiva, juntou novos argumentos. O maior, retirado de uma gravação legal: Arruda afirmando que pode fugir da capital e do país, para evitar qualquer decisão judicial contra ele.

Como são muitos Ministros do STJ (36, embora nem todos votem), a votação pode levar um tempo não presumível. Mas é praticamente certo que a PRISÃO PREVENTIVA SEJA CONFIRMADA, MAS NÃO DEFINITIVAMENTE.

16 horas: começa a ser executada a prisão do governador Roberto Arruda

A essa hora, as coisas caminhavam. O Ministro Fernando Gonçalves, relator do pedido, estava atento. Foi ele que DETERMINOU, (e não DECRETOU a prisão de Arruda, juiz não DECRETA, isso é privativo do Executivo, mas deputados, senadores e até jornalistas, usavam palavras não apropriadas) o que surpreendeu muita gente.

Mas que é motivo de satisfação geral, quem sabe a situação melhore? E que a IMPUNIDADE acabe ou pelo menos diminua? Por ser governador, o cidadão pode SUBORNAR e ser SUBORNADO? E o que precisava mais de provas, além daquelas que ASSOMBRARAM o país inteiro?

Arruda a caminho da prisão

Às 10 horas da manhã, postava nota, relacionando o DEM com Arruda e seu substituto natural, o vice Paulo Octávio. Considerei que ele poderia renunciar. Mas não sabia nada sobre a prisão. Mesmo porque, jamais houve isso, prisão de um governador ainda não condenado. (A não ser nas ditaduras de 1937 e 1964).

Às 15 horas e 20 minutos, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) determinava a PRISÃO PREVENTIVA do governador de Brasília. Enquanto os acontecimentos vão se desenvolvendo, vou recordando, vivendo fatos passados.

Em 1957, o governador de Alagoas, Djalma Falcão, sofreu impeachment. Houve tumulto, troca de tiros, (até de metralhadoras, ferindo um jovem repórter do Correio da Manhã, Márcio Moreira Alves, de 20 anos) pedido de prisão para o governador, prisão que não foi efetuada, mas ele perdeu o governo.

Entrou com recurso no Supremo Tribunal Federal, e 7 meses depois ganhava e voltava ao Poder em Alagoas. (Foi o mais perto do fato de agora. Posto esta nota, euqnato tento desvendar o resto).

Bovespa não alavancada, mas acarnavalhada

De 11 (abertura) até 14, quando posto esta observação, pouca alteração. Como diz a marchinha “hoje é carnaval”. De hoje até quinta-feira. Não importa que amanhã haja pregão. E quarta-feira de cinzas também.

Vejam: o Índice já esteve em alta de 0,26 mínima, e agora está em baixa de 0,15, os amestrados decorando: “Está em recuperação”.

Light em queda merecida, Magnesita a baixa mais do que previsível, Pão de Açúcar, apesar da arrogância, baixas seguidas. Sul América, o terceiro dia sem alta, quem se surpreende?

Num dia de calma, NET cai quase 3 por cento, deve ser por causa do excesso de anúncios e a chatice da programação. Diversas Telefônicas na queda habitual, Vale e Petrobras que tinham tudo para estarem subindo, descendo miseravelmente.

Madonna-Serra-Eike Batista

 A famosa cantora esteve em São Paulo. Convidada pelo governador, foi ao seu encontro. Saiu até foto em jornal. O que não foi contado nem publicado. Como o “empresário” contribuiu com a ONG dela, insinuou que poderia “servir de intérprete entre ela e Serra”. O intermediário foi consultado, veio a resposta fulminante: “Serra fala muito bem inglês”. Ha! Ha! Ha!

Continua o apagão da
Light, atingindo o Rio

Hoje, jornalões publicam o que este blog já havia contado na terça: “Diversos bairros, (muitos) sofreram com a falta de energia”. Os jornalões “resguardaram” a empresa, ela se refugiou na burrice diária e habitual: “A demanda é muito grande por causa do calor e a superutilização de aparelhos de ar condicionado”. Por que não entrega a EXPLORAÇÃO (palavra exata) a outras empresas?

Agenda importante

Vicente Limongi Netto
“Sob a presidência do senador Fernando Collor a Comissão de Infraestrutura do Senado se reuniu pela primeira vez, em 2010 e, dentro da programação da agenda Desafio 2009-2015, marcou um ciclo de 14 audiências públicas que começam dia primeiro de março e terminam dia 7 de junho. Sempre às segundas-feiras. Dia 15 de março os temas serão Copa do Mundo de 2014 no Brasil e as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. Foram convidados o ministro dos Esportes, Orlando Silva, o presidente de honra da Fifa, João Havelange, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Nuzmann. Serão discutidas as demandas das cidades sedes da Copa, as necessidades de infraestrutura e de formação e capacitação de mão-de-obra.”

Comentário de Helio Fernandes
Os temas, os debates, as audiências públicas, deviam ser cada vez mais assíduas e insistentes. Mas é preciso evitar a perda de tempo. Havelange não pode ficar fora, a Olimpíada de 2016 só será no Brasil por causa do prestígio dele, da sua atuação, do respeito que todos têm por ele.

Ricardo Teixeira? Já esteve aí, saiu acusado e indiciado em 7 (sete) crimes financeiros. Carlos Nuzman? Ha! Ha! Ha! Diz, “ganhei sozinho a Olimpíada de 2016”. E 2008 e 2012, quem perdeu? Nuzman é como certos treinadores de futebol, citados por João Saldanha, que diziam: “EU ganhei, NÓS empatamos, VOCÊS perderam”.

DEM convencido de que Arruda deixa o governo

A cúpula tem se reunido e já se convenceu: o governador será retirado do cargo, pela justiça. Acha que Arruda pode renunciar. E certo disso, quer salvar o mandato para o vice Paulo Octávio. Por isso, o DEM se movimentou e retirou o vice do noticiário negativo.

Motivo: o DEM só tem um governador, precisamente o de Brasília. Já estava sendo “preparado” para vice de Serra, (aliança PSDB-DEM) numa continuação das alianças no retrocesso dos tempos de FHC.

Agora o DEM se conforma com o resto do mandato de Arruda, e a candidatura de Paulo Octávio, disputando no Poder.

Garotinho-Lula-Cabral

O ex-governador estava sufocado pelo silêncio eleitoral. Diante da mídia amestrada e avassaladora de Cabral, resolveu agir. Conversou com Serra, mobiliza pessoas em várias direções. Tenta encontro com o próprio Lula, mas fez um pedido: “Como Lula vem ao Rio por causa do carnaval, o governador vai cercá-lo de todas as maneiras”.

Assim, gostaria de uma conversa particular e não no palanque carnavalesco.E ainda garante: “Palanque só eleitoral, e o meu é fortíssimo”.

Quem assume no lugar de Serra?

Geraldo Carmona
“Helio, falam na saída do governador, mas não dizem quem será o substituto. Serra perdeu muito voto com essa traição ao seu PSDB, tirando a prefeitura do seu legítimo candidato, Alckmin. E agora, quem assume?”.

Comentário de Helio Fernandes
Geraldo, acho que você embutiu duas questões em apenas uma pergunta. O substituto , agora, se Serra deixar o governo, é Alberto Goldman. O ex-stalinista foi surpreendentemente indicado por Serra. O alto empresariado, que apoiava e financiava Serra, não entendeu. Além de todas as restrições, não tem votos. Mas haja o que houver, se Serra disputar a presidência o governador será Goldman.

Sem contestação, mas apenas por 9 meses, a duração da gestação de uma vida, embora em volta de Goldman, só exista o vazio. Mal comparando, Goldman é o Lembo de anos passados, sabia que só ficaria esses 9 meses. Ficou.

Já em relação ao governador a ser eleito em outubro, só existe um candidato e um vencedor. Serra bem que gostaria de “repetir” o Kassab, que sem ele não teria sido reeeleito. Serra ainda tentou que o candidato fosse o prefeito, mas o PSDB se movimentou e fez duas comunicações a Serra em relação a Alckmin.

1 – Em público, apoio discreto ao ex-governador. 2- Em particular, afirmação incisiva, decisiva e definitiva: “O candidato tem que ser do PSDB”. Serra entendeu imediatamente, logo se reconciliou com o presidenciável do PSDB em 2006.

Terminando com uma perguntinha inócua, ingênua e inútil: por que Serra lutou tanto para eleger Kassab, quando tinha um companheiro que se elegia sozinho e sem esforço? O que acontecerá na certa em outubro.

Isso faz parte do temperamento autoritário, arbitrário e atrabiliário do ainda governador.

Toyota impune

Resolveu fazer “recall”, (desculpem) de 437 mil carros, com defeito no air bag. Mas a direção da maior empresa automobilística do mundo, ainda está “pensando” sobre o defeito nos freios de 9 MILHÕES de carros. E embora esse perigo atinja vários países , ninguém pode pressionar ou punir a poderosa Toyota.

O PMDB engana Temer, Temer engana Lula

O maior partido do país, finge que a falada “lista tríplice para vice” (royalties para o presidente), seria formada por Meirelles, Jobim e Temer. Ha! Ha! Ha! Os dois primeiros não têm uma chance em 1 milhão.

O último é “aceito” pela cúpula do partido, se Lula aceitar a responsabilidade de indicá-lo. O PMDB até que “gostaria” de Temer vice, seria a forma de se livrar dele. E por que Lula ficaria responsável por colocar como vice de Dona Dilma um candidato sem votos, sem prestígio e sem repercussão?

No PMDB e mesmo no PT, a resposta é uma só: Lula parece querer aparecer como o único a carregar votos para a candidata. Dilma-Temer: “a chapa pura” negativa, ela nunca disputou eleição, ele encarcerado como deputado. Condenado sempre a ser um dos últimos, (ou até mesmo só entrando pela cassação de um eleito) da legenda.

Em 11 de fevereiro de 1990, Mandela era libertado. Mas não era o homem que ganhava a LIBERDADE e sim um país. E não permitiu o que extremistas queriam: a divisão entre brancos (minoria) e negros (maioria). Hoje, 20 anos depois, Mandela, o herói sem secessão

Passados 27 anos, era solto depois de uma tremenda batalha de bastidores. Era um líder nato, poucos percebiam que seria o primeiro estadista negro. (E provavelmente o último). Desses 27 anos, 13 foram cumpridos em regime da mais terrível crueldade, selvageria, só não morreu porque precisava conduzir seu povo.

12 horas trabalhando de 7 da manhã às 7 da noite, 12 horas sem intervalo, uns goles de água raros, comida rala e intragável, e assim mesmo apenas uma vez por dia. 12 horas lutando com uma montanha de pedras rochosas, que precisavam ser destruídas.

Sem descanso, sem palavras, num silêncio, que se rompido era reprimido com uma violência impressionante. Os brancos que dominavam a prisão, não tinham capacidade para perceber, que aquele negro que quase matavam de pancada, iria salvá-los mais tarde, arriscaria até a sua liderança para mantê-los como país e como pessoas, em igualdade de condições com os 20 milhões de negros.

De 1840 a 1888, apenas três países mantiveram a escravidão: EUA, Cuba e Brasil. Mas a África do Sul, que estava na relação dos que já haviam acabado com a escravidão, desmentia os fatos, o tratamento e a própria história. Pois o regime imposto aos líderes negros era mais desumano do que aquele que os escravos sofreram em qualquer país. E não há brutalidade que possa ser comparada com a que aplicavam aos líderes negros.

E todos eles estavam presos, embora nenhum pelos 27 anos de Mandela. Na prisão, durante os 13 anos de selvageria branca, sabiam de muito pouco. Não tinham rádio, jornal, televisão, a raridade da notícia só era filtrada pelo heroísmo de Winnie, a mulher de Mandela, 27 anos lutando, sofrendo e se desesperando por ele.

(Depois de solto, Winnie foi presa e condenada por seqüestro e homicídio. Mandela lutou o mais que pôde para livrá-la. E mais terrível ainda: teve que  se separar dela, numa tremenda renúncia dele, mais um gesto de desprendimento dela. Separação consensual e a confissão dele: “Nem nos 27 anos de prisão, sofri tanto quanto nessa separação”. E amigos intimíssimos: “Até hoje, Nelson Mandela não esquece de Winnie, ainda é a sua paixão”).

Na escravidão do cárcere e na luta diária de 12 horas, organizava tudo. Marcava tarefas para todos (e para ele mesmo), estabelecia tempo de estudos, de orientação, “precisamos aproveitar o tempo”. Todos seguiam o que Mandela determinava, sabiam que era o certo.

Em liberdade, Mandela teve que enfrentar a minoria branca, que estava no Poder e queria mantê-lo. E a maioria negra, alijada de qualquer direito, queria o Poder, mas sem os brancos. E os mais radicais, armados, agressivos e revoltados, queriam um país só deles.

Nelson Mandela teve a INTUIÇÃO (ou até a INSPIRAÇÃO) de Lincoln. Assumindo o Poder já em guerra contra a escravidão, que era a sua convicção e obsessão, o estadista americano se viu diante da incógnita: o fim da escravidão ou o fim da unidade do país.

Sem hesitar, Lincoln, não abandonou a luta pela libertação dos escravos, mas optou abertamente pela manutenção dos EUA. De tal maneira, que na história, a guerra é chamada de SECESSÃO e não contra a ESCRAVIDÃO.

Mandela tinha dois grandes objetivos. 1 – O fim da escravidão, da segregação, do horror que o mundo chamava de APARTHEID. 2 – A eleição direta para escolha de um presidente. E aí, o inacreditável: a MINORIA branca terrorista, não queria eleição alguma. A MAIORIA negra, segregada, humilhada e esmagada, também não admitia eleição. Isso é rigorosamente inexplicável e incompreensível.

Mandela lutou heroica, convicta e esclarecidamente pelas eleições. Os dois lados, estranhamente unidos pelo mesmo objetivo incompatível, usando o recurso do ADIAMENTO. O estadista negro não fazia concessão, nem à minoria branca nem à maioria negra. Fixou a eleição para 1994, recusou todos os artifícios, realizou-a. E chamou observadores internacionais, não queria acusações ou suposições de fraudes.

Menos de 1 depois da posse, decisão de genialidade: se realizava o Campeonato Mundial de Rugby, praticado apenas por brancos, os negros nem ligavam. Para estarrecimento dos negros revoltados, Mandela deu a palavra de ordem: “A África do Sul tem que ser campeã mundial”. Foi e isso contribuiu para que pudesse aplainar as divergências bastante visíveis. Governou r-e-v-o-l-u-c-i-o-n-a-r-i-a-m-e-n-t-e, de tal maneira, que os brancos queriam a sua reeleição, e os negros não podiam recusá-lo.

Aí, o toque de AUTENTICIDADE, de GENEROSIDADE, de verdadeiro amor à LIBERDADE. Mandela recusou, não admitiu conversar, não indicou nenhum nome, naturalmente a obrigação: que fosse alguém que estivera preso com ele.

* * *

PS – Neste 11 de fevereiro, 20 anos de libertação e a constatação esportiva, mas abrangente, conclusiva e definitiva: a África do Sul, que em 1976 era expulsa da Fifa, “não jogamos com negros”, realiza a Copa do Mundo de Futebol.

PS2 – Todos comparecem, esquecem a África do Sul do Apartheid, mas reverenciam Mandela. Sem ele, sem os 27 anos de prisão insuportável, não haveria a recuperação e a união. Quem acreditava que isso pudesse acontecer?

PS3 – Acho que só Nelson Mandela, defendendo a liberdade quando estava preso e lutando por ela depois de libertado.

A Bovespa devagar, quase parando

Desde o início, assinalei: instabilidade total, praticamente em ritmo de carnaval. Poucos negócios, altas e baixas nada significativas. Da abertura até a metade do pregão, a maior alta, 0,30%, a queda, de 0,23%, a que chamou a atenção.

Daí até o final, oscilação zero, 65 mil bem baixo, ou 64 mil bem alto, quer dizer, compras e vendas eventuais, sem representar coisa alguma.

Curiosidade: até Gol e Tam subiram, Petrobras e Vale, potências, caíram. Motivo: como são as de maior volume, quem precisa vender, vende essas.

Quase todas as Telefônicas desceram. Bebida em baixa, fumo em alta das maiores. Magnesita em queda desde a semana passada, quem compra “isso?”. As imobiliárias se recuperaram.

Fechamento, (antes dos leilões) em 64 mil e 900 pontos, mais 0,2%, nada. O dólar em 1,85, alta de 0,35% bom para o grande volume negociado.

Bovespa instabilíssima, jogadores desarvorados

Desde o início, até gora, 13:30, quando posto estas observações, o Índice subiu e desceu, como se fosse um elevador que carregasse, ao mesmo tempo, Daniel Dantas, Eike Batista, Arruda e outros não tão pesados.

Na primeira meia hora estável, às 11 horas mais 0,25%, 11:30 passava dos 64 mil, chegava a 65 mil e 200 pontos, alta de 0,50%.

Ao meio-dia voltava aos 64.790, a 1 hora caía para 64.480 pontos, menos 0,50%. Quer dizer: descia 1 ponto em meia hora.

Ações em alta, outras em baixa, como deve ser sempre. Só em momentos de crise, UNANIMIDADE da queda. Em tempos de EUFORIA, (fabricada ou não) também UNANIMIDADE, só que na alta.

O dólar no mesmo patamar de uma semana, entre 1,84 e 1,85. Agora em alta de 0,65%.

No reino das baixarias

Carlos Chagas

Esta semana a baixaria chegou ao Congresso, depois de haver-se estabelecido em artigos de jornal, seminários e palanques, do lado de fora. Basta referir algumas referências de  parte a parte, entre oposição e governo. O presidente Lula havia chamado o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, de “babaca”, enquanto  o ex-presidente Fernando Henrique rotulou Dilma Rousseff de “boneca do Lula”. Foi o que bastou para encher de vergonha os  microfones do Legislativo.

O  senador tucano Tasso Jereissati  falou da “liderança de silicone” exercida pela candidata, quer dizer, falsa. Jarbas Vasconcelos, do PMDB engajado na candidatura José Serra acusa Dilma de “mentirosa” e Ciro Gomes, até agora candidato, acentua que Fernando Henrique “não tem moral” e que age “por vaidade e inveja”. Sucedem-se as tertúlias para saber que governo foi melhor, ou pior: de FHC ou do Lula.

Do jeito que as coisas vão, imagine-se como ficarão quando suspensos os impedimentos legais para as campanhas eleitorais. Porque essas coisas costumam pegar quando movimentadas de cima para baixo. As disputas pelos governos estaduais pegarão fogo. Cite-se apenas Brasília, com o governador acusado de roubalheira, desvio de recursos, compra de deputados e até de tentativa de suborno. Quem se lançar contra José Roberto Arruda precisará alinhar essas e outras acusações, preparando-se para receber igual carga de agressões.

No fundo, é o poder que está em jogo. Para preservá-lo, vale tudo. Para reconquistá-lo, mais ainda. Se as oposições andam com medo do crescimento de Dilma, o PT e o governo tremem diante da possibilidade de perder a ocupação da máquina estatal, mais as  mordomias e nomeações desvairadas.

Saída ainda existe para evitar a multiplicação da lambança. Bastaria uma conversa entre o governador  José Serra e o presidente Lula, enquanto ainda podem controlar seus contingentes e aliados.  Seriam obedecidos,  caso dispusessem de vontade política  para mandar parar as baixarias. O problema é saber se querem…

Não querem outra coisa

Denunciou o presidente Lula, esta semana, que as elites nacionais são perversas porque pode estudar mas não querem que o povo estude. Na mesma oportunidade, no interior de Minas, Dilma Rousseff completou dizendo que Fernando Henrique governou para as elites,  pouco se importando com o povo.

A retórica pode ser até elogiada, mas  enquanto a dupla metralhava o andar de cima, em Brasília o Banco Central divulgava que os bancos, em 2009, tiveram seus lucros aumentados em 24%. Centenas de bilhões engrossaram seus cofres, registrando-se a euforia dos especuladores financeiros diante dos resultados. Não querem outro governo senão o atual, e estão preparados, até mesmo, para desencadear uma perigosa campanha pelo continuísmo, caso a candidatura de Dilma Rousseff não decole a ponto de prenunciar sua vitória. Afinal, se em ano de crise econômica, como foi o passado, o que imaginar para o corrente?É bom tomar cuidado.

Mudanças, só de boca

Terça-feira a  Comissão de Constituição e Justiça do Senado derrotou, por 14 votos a um, projeto do senador Paulo Pain instituindo o imposto sobre grandes fortunas. Solitário, o senador Eduardo Suplicy não conseguiu convencer seus companheiros, mesmo tendo lembrado que projeto igual havia sido apresentado anos atrás, de autoria do então senador Fernando Henrique  Cardoso. Foi aprovado substituto do senador Antônio Carlos Magalhães Júnior, recomendando o arquivamento da proposta.

Na véspera o Senado havia comemorado o Dia do Aposentado, com o plenário cheio e emocionados discursos em favor da correção de todas as  aposentadorias  pelos mesmos índices concedidos aos aposentados de salário mínimo. Mesmo assim, a matéria continua engavetada e nem por sombra será votada este ano. As bancadas governistas, em especial do PT e do PMDB, sustentaram a impossibilidade de a Previdência Social  arcar com as despesas desse reajuste, mesmo sabendo que  em poucos anos estará tudo  nivelado por baixo, ou seja, à exceção de algumas carreiras privilegiadas, todos os aposentados estarão recebendo o salário mínimo.

De José Serra, Dilma Rousseff, Ciro Gomes e Marina Silva não se ouve uma só palavra a respeito. Apenas o governador Roberto Requião ousa prometer que, se eleito, fará justiça aos velhinhos.

Escorregou

Quem escorregou foi o governador José Serra, que em recente entrevista coletiva, acusou a TV-Brasil de parcialidade, enfatizando as enchentes em São Paulo e esquecendo outras regiões, além de agredi-lo com perguntas que não podia responder.

Está enganado o candidato tucano, certamente sem tempo para assistir os telejornais da Rede Brasil, que sendo pública, não é governamental.  Basta somar os espaços e o tempo  dedicados à atividade das oposições para concluir que estão no bom caminho, apesar de incompreensões agora conflitantes: no governo também reclamam  da TV-Brasil, só que por motivos opostos aos de José Serra.  Não parece fácil cultivar a arte da informação precisa e correta.