A vingança contra a notícia

Carlos Chagas

Houve tempo em que a profissão de jornalista  era tida como de segunda classe. Fora os políticos que se utilizavam da imprensa como instrumento para a difusão de suas idéias ou a concretização  de seus interesses, botando dinheiro próprio nos jornais,  a imensa maioria vivia de receber vales, obrigava-se a trabalhar em diversos veículos e não raro morria na indigência. A própria Associação Brasileira de Imprensa nasceu como Caixa de Pecúlio para atender velhos profissionais sem aposentadoria. Seu  fundador, Gustavo Lacerda, morreu na Santa Casa da Misericórdia,  no Rio de Janeiro.

Rui Barbosa, Joaquim Nabuco, Julio Mesquita, Ronald de Carvalho, Armando de Salles Oliveira, Gilberto Amado e quantos outros eram profissionais liberais de sucesso ou  nobres bem fornidos de recursos, especializados em campanhas políticas  de sucesso, intitulando-se jornalistas por diletantismo. Bem diferente era  a massa que cuidava da noticia, que  reportava e editava as folhas, dividida entre a boemia e a quase miséria.  A sociedade referia-se a ela  fazendo aqueles gestos de quem tange galinhas.

O tempo passou, espaços foram sendo abertos. Mesmo assim,  usava-se a mídia,    e hoje  também  se usa, como instrumento para ingresso  na política. Só que a categoria dos jornalistas foi crescendo,  claro que  ainda submetida a  constrangimentos.  Vieram as Escolas de Jornalismo,  sem exigência de diploma, aumentando da mesma forma o número de profissionais que cursavam Direito,  Arquitetura e outras faculdades.

Nos idos dos anos cinquenta do século passado já se podia sobreviver com os salários pagos pelos  meios de comunicação, ainda que muitos jornalistas misturassem reportagem com publicidade ou histrionismo.

Deixamos de ser uma profissão de segunda classe, as exigências da informação  correta e verdadeira cresceram.  A boemia foi ficando para trás, assim como a miséria. Diminuiu  a   força dos patrões diante da noticia, ainda que continuassem impondo  concepções e  interesses.

Com a modernização e a sofisticação   dos meios de comunicação, além da exigência sempre maior dos leitores, ouvintes e telespectadores, acabamos  aceitos na comunidade. Para isso  contribuiu essencialmente a obrigatoriedade do diploma. Só com conhecimentos ordenados do mundo e da técnica jornalística, adquiridos também pela experiência, tornou-se possível às novas gerações ingressar na profissão a serviço da notícia.  Valorizá-la, conquistando espaços capazes de exigir  melhores salários e mais ética por parte das empresas. O culto à notícia veraz e  honesta cresceu,  não obstante as exceções, como em qualquer outra profissão.

A reação veio desde o início, por parte de muitos  patrões, saudosos dos tempos em que dominavam por completo os jornalistas e as notícias.  Como também, em progressão até  maior, entrou em campo a raiva daqueles que se sentiam atingidos pelos fatos publicados.  Tentarem e parece que conseguiram confundir-se com as  instituições e as  corporações a que servem, interessados em  sobrepor-se à sociedade e,  mesmo, à   lei e aos bons costumes. Excessos aconteceram e acontecem do nosso lado,  mas, como regra, o jornalismo impôs-se como valor social.

A queda de braço permaneceu, assim como o  conluio entre a maioria dos proprietários e o  monte de atingidos pela notícia, integrantes de instituições variadas,  flagrados em lambanças ou simplesmente irritados por ver  afirmar-se  um outro poder capaz de  arranhar e até de demolir suas maracutaias.     Particularizando: no Congresso, nos partidos políticos, nos governos, nos tribunais, nas entidades empresariais, até nos sindicatos e nas universidades –   os incomodados entenderam necessário contra-atacar. Com inteligência, fizeram alvo principal a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Uma espécie de vingança, de revanche para eles capaz   dispersar a categoria que os incomoda.

Ignora-se haver sido o Supremo Tribunal Federal um instrumento, um agente dessa reação, ou, simplesmente,  as mãos do gato com que as elites tiram as castanhas do fogo.  Tanto faz, pois da decisão de dez ministros, em onze,  acaba de sair o petardo supostamente letal para esmagar a força da notícia. Apesar do  protesto de alguns veículos e da promessa de seus proprietários de que nada vai  mudar  e de que continuarão sendo admitidos em suas redações os  melhores profissionais, o risco é de a teoria ser desmentida pelos fatos. Agora poderão ingressar no jornalismo, além dos jovens obviamente  preparados,  indivíduos manipuláveis,  sem a formação  necessária para o cumprimento de nossa obrigação maior, o culto à notícia.

O processo de emprego num mercado de dúvidas

Pedro do Coutto

O Ministério do Trabalho anunciou nos jornais de 23 de junho que, no mês de maio, foram criados 131,6 mil empregos com carteira assinada no país, dando sequência assim a um processo fundamental de retomada de postos de trabalho fechados entre o segundo semestre de 2008 e janeiro de 2009: consequência da crise financeira que atingiu o mundo. E, portanto, alcançou o Brasil. A melhor página sobre o tema, sem dúvida, foi a da Folha de São Paulo com matérias assinadas pela repórter Juliana Rocha e pelo sócio diretor de LCA Consultores, economista Fernando Sampaio. Entretanto dúvidas permanecem e, se não forem esclarecidas agora, serão pelo passar do tempo e pelos números do FGTS. Explico porque.

O resultado de maio, fornecido pelo Cadastro Geral do Ministério do Trabalho, dá a entender que 131 mil e 600 foi o saldo verificado entre as admissões e as demissões em maio. Uma surpresa. Pois até abril as demissões registravam um número mensal em torno de 110 mil. Assim, para que houvesse um saldo positivo de 131,6 mil, era necessário que o total de contratações atingisse algo em torno de 240 mil postos. Difícil.Não estou negando, mas aguardando informações da Caixa Econômica Federal, administradora do Fundo de Garantia, sobre os saques efetuados no mês. O diretor dessa área da CEF é o ex governador Moreira Franco. Quando digo que existe que existia média mensal de 110 mil demissões, baseio-me no relatório anual de 2008 da própria Caixa Econômica, por mim comentado há cerca de dois meses. Inclusive a Caixa divulgou o montante dos saques ocorridos no exercício passado. Somaram 23 bilhões de reais para 16 milhões de demissões sem justa causa. O que evidencia uma incidência média mensal até superior a parcela de 110 mil dispensas. Inclusive, o desembolso realizado representou quase a metade da arrecadação total do FGTS em 2008, que foi exatamente de 48,7 bilhões. Isso de um lado.

De outro, quando o governo fala em recuperação de postos de trabalho (281mil, este ano) contra uma perda acumulada de 797 mil de junho do ano passado a janeiro de 2009, não se refere ao valor do salário médio. Pois, para uma análise socioeconômica completa, é indispensável confrontar-se o salário médio dos demitidos com o salário médio dos admitidos. Porque quando existe uma demanda interna por emprego –o que acontece sempre, já que sem emprego o ser humano entra em crise- e uma oferta retraída, a consequência natural é a queda dos padrões salariais. Lei da oferta e da procura, uma lei natural e eterna. Há, portanto, como estamos vendo, muitos pontos a serem iluminados e esclarecidos. Não podemos nos deixar levar pelo impacto da primeira informação. Os números têm personalidade própria e relativa. Necessitamos focalizá-la e traduzí-la. A vida é uma tradução constante.

Sobretudo porque, como assinala o texto de Juliana Rocha, o setor que menos empregou em maio passado foi o da indústria, proporcionando um aumento de apenas 700 vagas no total anunciado de 131 mil. Algo deve explicar o fenômeno marcado pelo contraste. Pois se a atividade econômica se expandiu ao ponto de surgirem 131 mil vagas novas e adicionais às demissões, qual o motivo que  levou a indústria a empregar tão pouco? Sem atividade industrial não pode haver produção e comercialização. Francamente, penso que foram criadas 131 mil vagas com carteira assinada em maio. Mas a que montante atingiram as dispensas? Está faltando este número.

Senador Tião Viana se lança candidato

O Acre tem um representante com imponente senso de oportunidade. No momento em que o presidente Sarney está entre a LICENÇA, a RENUNCIA ou a DEMISSÃO, ele se lembra q    ue foi derrotado precisamente por esse senador periclitante, que palavra.

Aí, fica na tribuna, estatico e silencioso, ouvindo os senadores que estavam presentes nas duas sessões (a de hoje e a de 7 meses passados) se lamentarem: “Deviamos ter votado em V. Excelencia, que presidente teria sido”. Ora, senador Tião Viana, o senhor está no Senado há 9 anos, tem mais 7 e não sabia de nada?

De qualquer maneira, apesar da “anunciada” demissão dos “donos” funcionais do Senado, nada aconteceu. Perdão, surgiu no Senado um presidnete para um cargo que não está vago. NÃO ESTÁ?

Pedro Simon, simbolo da legenda

Pouco antes, o bravo representante do RGS já falara, sem LIVRAR a cara de ninguém. Muito têm medo dos funcionarios, Simon respondeu diretamente aos que querem “um plano de carreira para os 10 mil funcionarios”. Agora, neste momento “não é hora de cuidar disso, todos t~em que ter a noção da propria responsabilidade”. (Exclusiva)

Grave, gravissimo, gravississimo

Hoje, 4 da tarde, o senador Jarbas Vasconcellos disse textualmente o seguinte: “Aqui no Senado EXISTEM duas quadrilhas que brigam para serem vencedores. Os ladrões aqui dentro, e o presidente Sarney diz que não chamará a policia”. Perfeito. E o que acontecerá? NADA VEZES NADA, Sarney continuará presidente e enterrando o Senado.

Senado: subterraneos mais importantes que a luz do sol

A situação do Senado não é parlamentar e sim para lamentar. Não é trocadilho, nem jogo de palavras, e sim a espantosa, tremenda e assustadora realidade.

Muitos senadores não estão saindo de Brasilia como habitualmente. Se reunem por horas e horas. Só que raramente aparecem no plenario. O que se sabe: essas reuniões são “fechadas”, e sem “acesso” a quem defender Sarney e seu grupo.

Unico assunto tratado nessas reuniões: “QUEM SERÁ O NOVO PRESIDENTE DO SENADO”. Tratam desse fato com a maior naturalidade, como se a Presidencia da “casa” estivesse vaga. E, na verdade, moralmente está. (Exclusiva)

Resumo da jogatina

O dolar começou o dia em 2 reais, menos 0,65%. Fechou em queda de 2,30%, em 1,98 alto. A Bovespa começou em alta pequena, abaixo dos 50 mil. E não saiu daí, sempre em 49 mil alto. A novidade: depois de 16 dias, o volume passou dos 5 bilhões, chegou a quase 8 bi. Mas nada que interesse á coletividade, ao povo, aos empresarios não-jogadores.

Rigorosamente verdadeiro

Assim como o presidente Lula, sem a menor autentcidade, “lançou” (Ha! Ha! Ha!) o nome de Michel Temer para vice de Dona Dilma, o presidente da Camara telefonou para Orestes Quercia, o “dono” do partido em São Paulo.

Se qualquer hesitação, Quercia mandou dizer que não estava. Motivo da recusa de Quercia. Está ostensivamente apoiando José Serra-2010.

Com isso, garante uma das vagas para o Senado. E como é espertissimo, o ex-“disque Quercia para a corrupção” sabe que nem Dilma nem Temer serão candidatos. E o vice das preferencias de Quercia é o governador Requião, criador do slogan. (Exclusiva)

Churchill na memoria de Sarney

O ex-presidente da Republica (agora presidente tumultuado do Senado, que lutou tanto pelos 6 anos de mandato, acabou ganhando 5) disse com a maior arrogancia: “A crise não é minha, é do Senado, é da democracia”.

Logico, não leu Churchill na biografia inutil e monotona publicada quando completou 50 anos, e a outra em dois volumes e magistral, depois da guerra, mas tentou copia-la.

Frasista emerito, Churchill respondendo a um jornalista: “A democracia é o pior de todos os regimes. Excluidos naturalmente todos os outros”.

Mesmo copiando, Sarney não aparece bem na foto ou na internet.

Kaká, “garoto propaganda” da Bovespa

Comentaristas esportivos que mal e mal entendem de futebol, dizem, repetem e são copiados: “Kaká é o símbolo da seleção de Dunga”. Concordo em parte. Mas como símbolo, pretenso ou suposto, não pode aparecer na televisão, RECOMENDANDO O MERCADO DE AÇÕES, o mais arriscado e perturbado.

Surpreendente: hoje, da abertura (às 10 horas) até o momento em que posto esta nota (13 horas), três horas inúteis. Início: 49 mil 480 pontos, estável: Agora: 49 mil 580, tecnicamente estável.

O dólar também abriu na “casa” dos 2 reais, continua nesse limite. Volume da Bovespa, chegando aos 3 bilhões de reais. Chavão dos amestrados: “A Bovespa colou no Dow Jones”. Ha! Ha! Ha!

Qual a mais importante: CPI das ONGs ou da Petrobras?

A oposição já se definiu: entrega a CPI das ONGs ao governo, mas quer a instalação da CPI da Petrobras. O PMDB e a própria base aliada não aceitam, acham que a primeira não tem importância.

Erro tremendo de análise, confissão do protecionismo e da voracidade pelos cargos. Só o fato de existirem mais de 100 MIL ONGS NA AMAZÔNIA já mostra a importância dessa CPI. Segundo a cúpula do PMDB, essa CPI da ONG não dá retorno. É impossível desmentir o fato. (Exclusiva)

Manhas de Garotinho

Lauro Magalhães Cardoso, Campo Grande, RJ:
“O senhor, importante e competente analista, não se surpreendeu com o fato do ex-governador Garotinho, que o senhor chama sempre de Anthony Mateus, ter anunciado que dará lugar no seu palanque a Dona Dilma? Isso representa coerência?”

Comentário de Helio Fernandes:
Num regime pluripartidario que contraditoriamente não tem partidos, não há lugar para coerencia. Eduardo Paes atacou ferozmente o presidente Lula quando era do PSDB, não se ajoelhou e beijou seus pés, (ainda bem que foram só os pés) quando ele quis ser prefeito pelo PMDB?

A jogada é eleitoral, para enfrentar Serginho Cabralzinho Filhinho. Não pode ficar longe de tudo. Além do mais, Anthony Mateus oferece o palanque a quem não será candidato. Tipica jogada para a arquibancada, localizada no Planalto-Alvorada. (Exclusiva)

Verdadeiro, textual e entre aspas

José Sarney: “Não fui eleito para limpar a lixeira da cozinha do Senado”. Ué, tudo começa com Atgaciel Maia, nomeado por Sarney na primeira “presidencia” do Senado. E parceiros durante 14 anos.

Sarney não tem o minimo de condições de demitir Agaciel, seria arriscado e perigoso. Não há um senador, mesmo aliado, parceiro ou intimo do ex-presidente da Republica que deixe de concordar ou perguntar: Agaciel faria 1 por cento do que fez sem a “cobertura” do grande patrocinador que sempre foi Sarney?”

Agora, desespero duplo, de Sarney e Agaciel. Este partiu para a chantagem, Artur Virgilio, da tribuna da “casa” pediu sua demissão. O momento é gravissimo, não para alguns senadores, mas para o Senado e para a democracia.

Senadores garantem para o reporter: “Sarney tem saudade do PDS da ditadura. Com um soco na mesa abandonou o partido que o projetou e o manteve no autoritarismo, lançou-o no espaço democratico”.

Já falam e não em segredo: “Sarney tem que tirar licença, pelo menos de 60 dias”. Licença? Vou lembrar a Sarney: em 1954, “sugeriram” a Vargas uma licença da Presidencia. Ele aceitou. Mas quando soube que era “licença sem volta”, Vargas deu o famoso tiro no peito e entrou na Historia.

Só que Sarney não tem sobrenome, não confia na memoria nem anda armado. Quanto a Sarney entrar para a Historia, deixemos de brincadeira, o momento é de alta seriedade.

O Supremo agora decide quem pode e quem não pode trabalhar. Decidirá sobre horário de boates?

Ministro Gilmar Mendes: “Na democracia é requisito essencial a existencia de uma imprensa livre e independente, mas também responsável”.

Lugar-comum, rotina, inutilidade, perda de tempo. Qualquer cidadão (mesmo não sendo jornalista) pode exigir: “Na democracia é requisito essencial a existencia de uma justiça livre, independente e rapida, mas também responsavel”.

Principalmente no Supremo, mais do que um Tribunal, um dos Três Poderes da Republica. Então por que perder tempo “acabando” com uma Lei de Imprensa que jamais existiu?

E mais grave ainda: dias e dias estudando se o cidadão para trabalhar deve ou não deve ser diplomado. E depois de horas e horas de exibição de notavel cultura, não decidem coisa alguma, diretores de empresas é que decidirão.

Essa discussão vem de longe, tem precedentes notaveis nas mais diversas profissões, (excluida a de medico em suas variadas diversificações e mais nada). Mas periodicamente insistem, exigindo DIPLOMA para jornalistas.

Inicialmente, duas colocações. 1- A questão não é de DIPLOMA, que sozinho e vazio, não vale nada. 2- O importante é a convivencia universitaria, o relacionamento com pessoas e livros. SOU A FAVOR do conhecimento, não ligo a minima para DIPLOMA.

De 1920 a 1925, Irineu Marinho dirigiu “A Noite”, o jornal de maior circulação do Rio-capital, e portanto do Brasil. Chegou a vender mais de 100 mil exemplares diarios, sem assinatura, poucas bancas, população quatro vezes menor. (Era a epoca do “pequeno jornaleiro”, que vendia o jornal pulando de bonde em bonde).

Em 1925, Irineu Marinho saiu de “A Noite” e fundou “O Globo”, só que morreria pouco tempo depois. Tinha na redação de “A Noite” entre 10 e 15 reporteres sem DIPLOMA, completamente analfabetos. Mas que intuição, que “faro” para a noticia.

Não sabiam escrever 10 linhas, contavam tudo para 2 ou 3 REDATORES, que transformavam a reportagem FALADA em reportagem que obrigava o leitor a comprar “A Noite” e desligar ou desprezar os outros.

Até o Ministro do Trabalho assumiu a tolice de na classificação profissional, colocar o REDATOR na frente do REPORTER, aberração.

Por que o Premio Pulitzer é exclusivo de REPORTER, não é concedido ao REDATOR? Porque este é um burocrata, certamente com DIPLOMA. A elite do jornalismo é o REPORTER.

Evaristo de Moraes, patrono dos advogados do Brasil, não tinha diploma. Num grande julgamento, absolveu o deputado Gilberto Amado que, em legitima defesa, sem saber usar arma, matara o deputado Anibal Teofilo.

Altamente polemica a questão, “acusaram” Evaristo de não ter diploma, que a lei não exigia. Mesmo assim, aos 48 anos, Evaristo se matriculou na Faculdade de Direito. Constrangimento para os professores, diversão para os alunos. Evaristo sabia mais do que todos. (E ainda deixou dois filhos, mestres do Direito e extraordinarias personalidades).

Defendo e exalto o titulo, mas jornalismo se aprende nas ruas, nas redações, nisso tudo, na paixão pela INFORMAÇÃO e pela OPINIÃO, que se “contrai e se contamina” com o virus do jornalismo.

Le Corbisier, o maior arquiteto do seculo XX (estava no Brasil em 1936) não tinha diploma. Niemeyer, Lucio Costa, os 3 Irmãos MMM Roberto, Paulo Casé, Sergio Bernardes aprenderam “genialidade” no Largo de São Francisco?

Conclusão final, absurda, inconstitucional e constrangedora: o Supremo, além de não “decidir” nada, se diminuiu.

O Supremo “criou” jornalistas de primeira e de segunda categoria, com diploma ou sem ele. Perderam tempo, a decisão será de quem contrata, ou seja, dos proprietarios, que não têm diploma, mas VÃO EXIGI-LO.

PS- O Supremo diminuiu sua propria RESPEITABILIDADE, CREDIBILIDADE e AUTORIDADE. Não era orgão de CONSULTA, e sim INTERPRETE da Constituição. Decidindo quem pode e quem não pode trabalhar, os Ministros não ficarão surpreendidos se forem chamados a decidir: o Baixo Gavea tem que fechar às 22 horas ou pode funcionar até alta madrugada?

PS2- Essa é uma decisão (Acordão?) que exigirá dos Ministros o “DIPLOMA” da frequencia. E a duvida que só eles decidirão: terão que “frequentar” de toga? Ou basta a roupagem comum dos cidadãos não-iluminados?

Há algo de sombrio no reino do Senado

Pedro do Coutto

Sem dúvida, repetindo o eterno Shakespeare quatrocentos anos depois, existe algo de sombrio no reino do senado Federal. Mais de seiscentos atos ocultam-se entre as paredes, os gabinetes e os porões do Poder Legislativo. Não podiam ter a publicidade que a Constituição estabelece. Não podiam ser expostos à luz do sol. Se não houve conivência generalizada, ocorreu omissão coletiva proposital. Uma estranha conspiração do silêncio.

Mas os fatos estão vindo à superfície, já que é impossível a qualquer esquema de poder contentar todos os seus integrantes o tempo todo. Por uma ou outra motivação,a reação humana termina sempre por vir. Está vindo agora na terceira passagem do senador José Sarney na presidência da Casa. A cada dia a pressão se torna mais forte, o reflexo na imprensa mais intenso. Maior a revolta da opinião pública.

Parte direta na questão, inclusive por laços de família, o ex presidente da República terá que agir. Não há como deixar tudo como está. Sarney possivelmente escolherá o caminho da renúncia à Mesa Diretora, pois esta é a única forma, embora incompleta, de conduzir a uma descompressão inevitável. Será -vale frisar- o terceiro caso de renúncia em curto espaço de tempo. Antonio Carlos Magalhães renunciou no episódio do painel eletrônico. Renan Calheiros renunciou na perplexidade desencadeada pelo pagamento, através da Mendes Junior, uma das maiores empresas construtoras de obras públicas do país, de pensão alimentícia à sua filha. Deixando a presidência da Câmara Alta, José Sarney tornar-se-á o mais recente vértice da tempestade.

O que se passa, afinal, nos bastidores do Congresso? A ruptura dos limites que têm que separar o campo público dos interesses particulares. O erro de Sarney, e também do Senado, como um todo, foi o de aceitar a invasão do primeiro pelo segundo. Legislava-se administrativamente (no Senado) como se o universo público fosse uma extensão da particular ocupado pelos senadores, quando –todos sabem- são áreas essencialmente distiontas.

Da mesma forma que pessoa alguma pode dispor de bens que não lhes pertencem, senadores não podem dispor do patrimônio do Senado. A questão, no fundo, é das mais simples, porém o atravessar da fronteira da ética e da propriedade revela uma desordem, uma subversão completa dos conceitos básicos do regime democrático. A descompressão no panorama do Senado é inevitável.

Inevitável porque –também tem essa- o problema reflete-se na candidatura da ministra Dilma Roussef. É só analisar a questão sob este ângulo. Qual o partido cogitado para indicar o vice (Michel Temer) na chapa da chefe da Casa Civil? O PMDB. Qual o partido de José Sarney? O PMDB. Qual o partido de Renan Calheiros? O PMDB. Portanto, se não houver uma solução capaz de romper o impasse e atenuar a crise do Senado, admitida inclusive com todas as letras pelo principal atingido por ela, a aliança PT-PMDB sofrerá as consequências na campanha eleitoral que evidentemente já começou e no desfecho que as urnas e as ruas aguardam para outubro do ano que vem.

Tanto no primeiro quanto no segundo turno provável entre Dilma Roussef e José Serra. Estrategicamente, interessa ao PSDB, ao DEM, ao PPS, à oposição alimentar o conflito e a crise. Mas ao presidente Lula, interessa que terminem o mais rapidamente possível. A renúncia de Sarney não é a solução. Mas eleitoralmente significa uma descompressão. Isso é inegável.

Problema que só Napoleão resolve

Carlos Chagas

Não parece  fácil entender o PT, com suas múltiplas correntes,  verdadeiros partidos dentro do partido.   “Construído um Novo Brasil”, sucedâneo do “Campo Majoritário”, “Novo Rumo para o PT”, “PT de Luta e  de Massa”, “Movimento PT”, “Articulação de Esquerda”, “O Trabalho” e outros grupos só  se entendem,  mesmo, quando se trata de permanecer no poder. No mais, divergem, disputam e se isolam como aconteceu na Revolução Francesa até que Napoleão tomou conta de tudo e fez-se Imperador. No caso do PT, a História acontece às avessas, porque o Napoleão já  existe,    mas está custando a botar a coroa. Felizmente a guilhotina só funciona de modo   figurado e as cabeças dos companheiros  continuam coladas aos  pescoços.

A briga pela presidência do  PT dá bem a conta da confusão existente, que muitos concluem imitar os tentáculos do polvo, ora distendidos, ora recolhidos e entrelaçados. Trata-se, para os otimistas,  de uma tática de sobrevivência democrática, mas, para quem se encontra de fora, mesmo sem ser pessimista, o quadro prenuncia  a decretação do Império.

O  Napoleão gastou suas últimas reservas de paciência na semana passada, menos por conta da escolha do  novo presidente do partido, mais em função das próximas eleições de governador. Porque da armação de alianças com o PMDB e afins depende a sorte da candidatura presidencial de Dilma Rousseff. Caso o PT  não  abra mão de pelo menos nove   indicações,  nos estados onde o PMDB já dispõe do governador, o presidente assistirá o maior partido nacional dividir-se entre a chefe da Casa Civil e  José Serra, com sólidas vantagens para o governador paulista. Mas se o PT refluir  em estados importantes, pela falta de puxadores de fila, correrá o risco de ver diminuídas suas bancadas na Câmara e no Senado.

É a partir dessa constatação que continua germinando a idéia do terceiro mandato para o Lula  ou da prorrogação de todos os mandatos por  dois anos.  Só a continuação de Napoleão no poder unirá todos os grupos do PT e, até mesmo, os partidos aliados, com ênfase para o PMDB. Na França dos tempos da Revolução, realizou-se um plebiscito para a população decidir se o Primeiro Cônsul deveria tornar-se Imperador. Ganhou fácil,  perdendo-se no caudal da tirania as poucas vozes de protesto diante da implosão dos derradeiros ideais democráticos que sobraram  da queda da Bastilha…

Onde está o paiol?

No Senado, a pergunta que se faz é quem ou que grupo vem  municiando a imprensa com sucessivas e quase diárias informações sobre escândalos e lambanças praticadas à sombra de suas diversas mesas diretoras. Porque não é graça que essas coisas acontecem, não obstante o esforço de jornalistas em esmiuçar as lambanças.

Seriam funcionários preteridos ao longo dos  anos,  que agora se vingam de dirigentes responsáveis por sua discriminação? Ou simplesmente funcionários éticos, que imaginam contribuir para a limpeza geral.

Há quem veja um certo ânimo revanchista  nos senadores há pouco derrotados nas eleições para a presidência da casa.   Como, também, os que identificam  no PT a intenção de enfraquecer o PMDB e leva-lo a sujeitar-se aos desígnios do palácio do Planalto.

De qualquer forma, há um paiol  nos  porões do Senado, fornecendo munição para a mídia.

Pode surpreender

Mesmo entoando  loas permanentes ao presidente Lula e à política econômica, a maior parte do grande empresariado inclina-se por apoiar José Serra. Imaginam os barões da indústria e do agro-negócio que a História poderá não repetir-se, ou seja, que Dilma Rousseff, se eleita, não conseguirá enquadrar os companheiros e aliados para que aceitam por mais um período a política econômica  neoliberal   vinda dos tempos  de Fernando Henrique.

Assim, na dúvida, prefeririam trocar o duvidoso pelo que imaginam como certo, ou seja,  um tucano no palácio do Planalto.

Será? Talvez não. Na hipótese da eleição de Serra, há   quem  suponha o governador paulista empenhado num programa nada agradável para os neoliberais. Mesmo sem retornar aos tempos de presidente da União Nacional dos Estudantes, exilado  no Chile e depois nos Estados Unidos, Serra não parece disposto a repetir a performance do sociólogo, diante da qual apresentou razoáveis divergências, ainda que sempre reservadas. Por isso não voltou ao ministério do Planejamento, depois de perder uma eleição em São Paulo. Viu-se escanteado no ministério da Saúde,  que aceitou conformado. Pode surpreender…

Mineiridades

O senador Francisco Dornelles conta sempre uma história sobre o tio Tancredo Neves que nos faz pensar a respeito do neto, o governador Aécio Neves. Em plena campanha para a presidência da República, mesmo em eleições indiretas,  Tancredo e Dornelles viajavam num jatinho, de Belo Horizonte para o Nordeste.  Já convidado para ministro da Fazenda, o hoje senador entregou ao candidato longo documento a respeito da situação econômico-financeira do país. Diante  daquele monte de páginas, Tancredo apalpou o paletó diversas vezes e, numa expressão compungida, lamentou haver esquecido os óculos.  Recebeu uma reprimenda do sobrinho, dizendo que ele deveria ter dois ou  três  óculos, um no bolso, outro  na pasta, um terceiro no escritório, para aquilo não acontecer mais.

Com  cara de réu, Tancredo devolveu o documento,  fechou os olhos e parecia  descansar. Não se passaram dez minutos quando,  voltando-se para um auxiliar,  pediu: “Passe-me aí os jornais.”

Quem fingia dormir era Dornelles, que abrindo um olho só flagrou o tio meter a mão no bolso, tirar os óculos  e ler os jornais pelo  resto da viagem…

Porque se relaciona o episódio ao neto, governador Aécio Neves? Porque ele diz não aceitar de jeito nenhum  a vice-presidência na chapa de José Serra…

Obama garante ir à abertura da Copa da Africa do Sul, quero que venha também à do Brasil

Satisfação na Africa do Sul, com a afirmação do presidente dos EUA: “Estarei na Africa do Sul, vendo a Copa de 2010”. Excelente para a Africa do Sul, para o mundo, para os esportistas. Os EUA têm um presidente que gosta de gente e de esporte.

Queremos que ele venha também à abertura da Copa de 2014, no Brasil. Esta nota tem duas “leituras”: 1- Para o Brasil, para a Copa e para o esporte em geral. 2- Se ele vier, é porque terá sido reeleito, ficará no Poder até 2016. Otimo para o mundo, a certeza de que estará cumprindo os compromissos. parabéns a ele e ao povo americano.

A jogatina continuou para baixo

Ao meio-dia e 20, postei nota sobre a Bovespa e o dolar, mostrando a perplexidade dos que trabalhavam e dos que jogavam. Diziam: Ainda temos 4 horas de pregão, é impossivel dizer alguma coisa”.

O fechamento foi com forte tendencia de baixa. Bovespa: estava então em queda de 3 por cento, caiu bastante, menos 3,66 fechando em 49.490. E pelo 16º dia seguido não chega aos 5 bilhões jogados.

O dolar que estava em alta de 2 “redondinhos” (como eu disse), fechou em 2,03, alta de 2,91%. Bom para os exportadores, ruim para importadores.

Arrogancia dos jornalões

Em 1918/ 1919, portanto, há 90 anos, o grande Osvaldo Cruz criou a “vacina obrigatoria”. Nunca se viu uma campanha tão grande contra um homem. O minimo que disseram dele: “Maluco, insensato, insensivel”. Hoje, 15 milhões, só de crianças menores de 5 anos, agradecem a Deus por serem vacinadas. isso para evitar a paralisia infantil.

Turbulencia na Inglaterra

Este reporter tem um numero grande de  seguidores que dão noticias (Clique em “leitores”, seja um deles). De Londres, Amilcar Alencastro, brasileiro morando lá, me diz:

“Helio, Londres está quente, mas não por causa do verão, que começou ontem. Aqui onde moro há oito anos, só esquenta em julho. mas hoje (domingo), a Formula 1, amanhã (segunda), a lenda do tenis que é Wimbledon (desfalcada de Nadal, uma perda), mas a grande sensação que mobiliza o país é a sucessão de escandalos envolvendo a Camara dos Comuns.

Duas comparações obrigatorias com o que acontece no Brasil. Uma, favoravel ao Senado daí, outra, desfavoravel e até assustadora. Favoravel: Sarney pode gritar: “Eu não disse? A crise é da democracia”. Desfavoravel: a Scotland Yard se prepara e vai investigar os escandalos e CONVOCAR DEPUTADOS. O que contraria os senadores do Brasil.

Helio, o verão da Inglaterra esquentou bem antes do  esperado”.