Imagem posta em frangalhos

Carlos Chagas

O grande mal causado a Brasília pelo  governador José Roberto Arruda ultrapassa o roubo de dezenas de milhões de reais  aos cofres públicos. Transcende o descrédito das empresas privadas que prestam serviços ao estado. Vai além da quebra de confiança gerada em  partidários, amigos e familiares do governante.

Pior do que tudo está sendo o desmonte da imagem que a capital federal projetava no país.  Fala-se da verdadeira imagem, não daquela forjada por jornalões de São Paulo e do Rio, há décadas empenhados em denegrir a cidade  por conta da inveja e da frustração de suas elites, que  precisam vir aqui para decidir seus negócios e inteirar-se das grandes decisões nacionais.

Falamos  da verdadeira imagem de Brasília, agora posta em frangalhos. Porque sempre que algum pateta chamava a capital federal de “ilha da fantasia”, de “paraíso dos ratos” e sucedâneos,  podíamos responder que os ratos não eram daqui. A maioria chegava às terças-feiras e ia embora às quintas, para seus estados. Traziam a corrupção e os maus costumes, ao tempo em que em Brasília  se trabalhava. A representação política local não atrapalhava, tanto por ser mínima e desimportante quanto porque parecia imune às lambanças trazidas de fora.

Agora, não é mais. A situação mudou. Arruda promoveu a mudança, claro que acompanhado.  Mobilizou bem mais do que os quarenta ladrões, vestido não propriamente de Ali Babá, mas de Ali Babão.

Hoje, torna-se inutil defender  Brasília, coisa que talvez leve  outros cinquenta anos para tornar-se possível. Isso   caso os ladrões e os bandidos venham a ser postos para fora do poder público e das atividades econômicas. Eis o  maior mal praticado pelo infeliz governador: turvou  a imagem da capital federal.

Até o PMDB?

O mensalão era propriedade do PT. Descobriu-se depois pertencer  também do PSDB. Com a lambança divulgada agora, ganhou a adesão do DEM. Dos grandes, estava de fora o PMDB.

Pelo jeito, não está  mais.  Tomara sejam falsas e mentirosas as denúncias envolvendo grandes figuras da direção  do maior partido nacional. Pelas imagens e os diálogos  divulgados, o governador Arruda irrigava Michel Temer, Henrique Eduardo Alves, Tadeu Filipelli e outros,   com dinheiro sujo.

O ônus da prova cabe a quem alega, mas no caso dessa lambança de Brasília, seria bom que antes de mais nada  os acusados demonstrassem sua inocência.

Reflexos na sucessão

Quem ganha e quem perde, na sucessão,  com o escândalo de Brasília?

O DEM perde a chance de indicar o candidato à vice-presidência na chapa dos tucanos. O partido colabora, mesmo sem querer, para a cristalização inevitável, no momento certo, da formação da chapa pura Serra-Aécio. Estará condenado a algumas migalhas do poder, caso o PSDB chegue ao poder.

Quanto aos tucanos, não deixarão de perder pontos a partir da transformação do senador Eduardo Azeredo em réu perante o Supremo Tribunal Federal, precisamente por estar acusado de ligações com o mensalão.

Quanto ao PMDB, hoje mudando de pele, ganha  a candidatura de Roberto Requião, recém-lançada, pelo simples fato de representar o oposto do que representa a direção nacional do partido.

Dilma Rousseff, de seu turno, perde diante das dificuldades de dispor de  Michel Temer como seu companheiro de chapa.  Ganha, porém, por estar o mensalão do PT, senão esquecido, ao menos suplantado pelo mensalão do PSDB e do DEM.  Espalhou-se o virus antes privilégio dos companheiros.

O dono da ética

Repercute até hoje o desabafo do senador Petro Simon, da tribuna, lamentando haver perdido a esperança de ver o país no rumo da ética.  A sucessão de atos de corrupção ameaça tornar inviável qualquer refluxo, parecendo impossível a punição e sequer o afastamento dos corruptos. A imagem dos políticos torna-se a pior possível e a púnicva esperança ainda possivel seria a ira do povo.

Quem apoiou o senador gaúcho foi seu colega de Brasília, Cristóvam Buarque, também extremanente pessimista.    Para ele, os maus costumes transcendem dos políticos. Estão no Judiciário, no Executivo, nas empresas privadas, na administração pública, na mídia e em tudo o mais.

Começou a Copa do Mundo

Às 4 e meia, todos os países conheciam seus adversários. Por ter comparecido a 9 Copas (lógico, onde se realizavam) fui assistir, por simples curiosidade. Com duas observações. 1- É obrigatório o sorteio dirigido, mas há suspeitas ou sussurros, de que nos bastidores existem “sorteios”.

2- De qualquer maneira não altera nada. O país que tem pretensões a campeão, não pode escolher adversários. Todas as chaves são equilibradas ou desequilibradas, com duas seleções tidas como as mais fortes. Isso em cada chave. Como gostam de falar, a “chave da morte” é a da África do Sul. Terá que jogar mais do que sabe para seguir no mata-mata. (As oitavas).

O Brasil, sempre favorito, está num grupo camarada. Se não for em frente, como aconteceu uma única vez em 1966, na Inglaterra, é porque não merecia.

Para terminar, duas observações-revelações-lembranças. Em 1976, a África do Sul, dominada pela crueldade do Apartheid, procurou João Havelange, presidente da Fifa, e fez a declaração de guerra: “Não disputaremos a Copa Africana, não jogamos com negros”. Havelange respondeu: “Se não joga com negros também não joga com brancos”. E expulsou-a. Agora, 34 anos depois, a África do Sul, democratizada, realiza a Copa de 2010.

Uma das celebridades mais mostradas, foi o inglês David Beckham. Quase não comparecia por dois motivos. 1- Morreu seu avô. 2- Perdeu muito dinheiro “investido” em Dubai. Outros famosos também perderam.

Na Davis, o verdadeiro Nadal

Não estava firme no primeiro set, lutou até o 5 a 5. Quebrou Berduych, fez 6 a 5, fechou. No segundo, absoluto, o espanhol marcou 6/0.

Veio o terceiro, a expectativa era de recuperação, tem acontecido.

Mas Nadal continuava firme, ganhou o terceiro set, vibrava muito. Não sei se pelo fato de jogar bem, ou se comemorava a volta ao saibro.

Eram 3:40, o Brasil, do outro lado do mundo, conhecia seus adversários. Em 2006 teve que enfrentar a ele mesmo e ao exibicionismo de Parreira.

No DEM, Arruda conquista espaço

Infelizmente é isso. A situação começa a favorecer o governador corrupto. Pelo menos a tendência “é dar mais tempo para que possa se defender”. O que muitos garantem: “A palavra RADICALIZAR é muito forte, e seu primeiro sintoma é a perda de sono”. E pela quantidade cada vez maior de venda de “soníferos”, todos gostam de dormir bem. (Ou DEM).

A Assembléia não
votará o impeachment

Não tem condições, vontade, segurança ou até número. Não importa ou interessa quantos pedidos de impeachment existam. São 24 deputados, 9 envolvidos, como conseguir devolver Arruda à planície, tirando-o do planalto estadual?

Ampliando a “radicalização”

Agora surgiram revelações sobre o PMDB. É lógico que no partido maior da base, existem muitos “arrudas”. Henrique Alves e Eduardo Cunha nem precisam de investigação. O primeiro trucidado pelo depoimento da ex-mulher, invencível e irrefutável.

O segundo, chamado de ladrão pela televisão. E quando se votava a CPMF, havia uma emenda. Era de Eduardo Cunha. O líder do PSDB, Artur Virgílio e o do DEM, Agripino Maia, disseram: “Emenda de Eduardo Cunha é para negociata”.

Acusações contra Michel Temer

Não gosto do “estilo carreirista” do presidente da Câmara e do PMDB, acumulação vergonhosa. Mas nunca soube ou recebi qualquer denúncia de que Temer se apropriou de dinheiros públicos. Mas também jamais protestou contra qualquer irregularidade no seu partido ou em outros.

É publico e notório que o PMDB está cheio de “disque Quércia para a corrupção”. Temer não toma conhecimento, “deixa que a corrupção prospere”. Deve ser por isso, que sem votos para coisa alguma, “esteja sempre por cima”.

“Descobertas” contra Tuma,
por ocultação de cadáveres

Também nunca soube nada sobre isso em relação a ele. Mas sempre desconfiei, (sem conseguir provar) que sua situação na ditadura era muito estranha.  O segundo homem de Sérgio Fleury, (o maior torturador e o maior assassino oficial de São Paulo) diretor do Dops doEestado, nunca tivesse sido sequer investigado.

Fleury era vítima de “queima de arquivo”, (morreu “acidentalmente” batendo com a cabeça na quina de um barco), Tuma se elegia senador e corregedor, os filhos deputados.

Por que agora, acusado de “ocultação de cadáveres”? E com Paulo Maluf, de quem se pode dizer tudo, menos que seja assassino. Corruptos, geralmente não usam da violência. Maluf NÃO TEM 300 milhões de dólares nos EUA à toa. E a “descoberta” sobre Tuma, “coincidência”?

“A democracia está em perigo”

Quem disse isso? O golpista Zelaya. Pediu para voltar ao governo de Honduras até 27 de fevereiro, quando teoricamente terminaria seu mandato. Isso antes de trair a Constituição, pedindo “referendo para a própria reeeleição”. O que é proibido expressamente pela Constituição.

O pedido para Zelaya voltar ao governo foi votado pelo Congresso e a favor dele, ficaram apenas 14 deputados.

Tem que sair da embaixada do Brasil

O vergonhoso episódio de sua “hospedagem” no território do Brasil, precisa terminar. O Brasil deveria dar 48 horas para ele ir embora. No Itamaraty de outras épocas, Zelaya jamais teria sido “hospedado”. Mas no Itamaraty de Celso Amorim, tudo é possível.

O Citibank terá que pagar 475 milhões a uma firma que levou à falência por causa de uma dívida de 200 mil dólares

O STJ não teve “medo de cara feia” do banco americano. Condenou-o a pagar o valor que está no título destas notas. Cabe recurso para o Supremo Tribunal. Lógico, quando houver julgamento, Gilmar Mendes não será mais presidente. Mas estará pessoal e tecnicamente impedido.

Julgamento do senador Azeredo,
foi aceito pelo Supremo Tribunal

Apenas o recebimento da denúncia, mas importantíssimo. Se o resultado fosse contrário, o senador estaria satisfeitíssimo, o caso, superado.

O PSDB ensaia defender o companheiro, mas esquece deliberadamente o comportamento quando foi descoberto esse mensalão, na época chamado de Valerioduto. No Estado do Rio já existia o propinoduto, do qual ninguém mais ouve falar.

Na época, Azeredo era presidente nacional do PSDB. Assim que explodiu o escândalo, o partido afastou o senador da presidência. Quer dizer: JULGOU o companheiro, coisa que o Supremo não fez. O mais alto tribunal do país, apenas RECEBEU a denúncia. E o próprio Azeredo saudou a decisão, dizendo: “Terei oportunidade de me defender e provar que sou INOCENTE, não sabia de nada”. (Seu mandato acaba em 2010).

Com o Supremo completo, Azeredo
seria ainda mais arrasado

Os 8 ministros, (Celso de Mello, Carmem Lúcia, a grande revelação desse Supremo, e Ellen Gracie) não estavam presentes. Se estivessem, Azeredo perderia por 7 a 4. (Até César Peluso, o mais reacionário dos ministros, votou contra Azeredo. Será o próximo presidente do Supremo, na certa e quase impossível, pior do que Gilmar Mendes).

Cara a cara, olhos nos olhos,
Joaquim Barbosa dá aula a Toffoli

O relator, que já dera voto anterior, reestruturou e aprofundou seu pronunciamento. O Ministro Toffoli, estreando em julgamento de importância, recusou a denúncia, mas num voto fraquíssimo.

“O senhor não leu meu voto”

Chamo “fraquíssimo”, não por ter votado a favor, é um direito dele. Mas desconheceu todas as provas, nomes e formas de agir, que ligavam indissoluvelmente o mensalão dos 40 do PT, a esse mensalão do PSDB. E como Joaquim Barbosa é o relator desse processo contra os 40 do PT, tem todas as condições de fazer a comparação.

Tendo apenas o Ministro Lewandowski entre eles, Barbosa, voltado fixamente para Toffoli, acusou: “O senhor não leu o meu voto, o voto do relator”. Realmente, como refutar o relator e votar contra ele, sem conhecer o que ele disse?

Noel Rosa: “Meu Deus do Céu, que palpite infeliz, (estréia)”.  O grande compositor devia estar pensando em Toffoli, que ao contrário, votou sem pensar.

O deputado do PT Antonio Mentor foi o único a defender o Presidente das sujeiras da Folha

E Mercadante, Suplicy, Romero Jucá, Salvati, Chinaglia e outros silenciosos?

Quarta-feira, o deputado do PT de São Paulo, ANTONIO MENTOR, deu início ao que, espero, seja uma reação contra a miséria de um abuso da falsa Liberdade de Imprensa. Não é defesa de Lula e sim um tratamento que o Chefe de Governo e do Estado, merece. Não pode ser tratado dessa maneira.

Quantas vezes já critiquei o presidente Lula, em nenhum momento fiquei omisso, quando ele repetia incessantemente, “eu não sabia de nada”.

Leiam o que o deputado comentou e protestou, transcrevendo o que saiu neste blog, que não defende Lula, e sim a grandeza do Presidente.

“Sr. Presidente, Sras. Deputadas, Srs. Deputados, quero também saudar os representantes diplomáticos de Cuba, os representantes do Esporte do Estado de São Paulo que nos visitam e a todos os presentes, o motivo desse meu pronunciamento é para refletir sobre um tema extremamente sensível, mas de grande importância da democracia. Quero abrir um debate sobre a liberdade de imprensa, e quero juntar a esse tema a responsabilidade da imprensa. Isso porque, dias atrás, o jornal “Folha de S.Paulo” entrega uma das suas principais páginas a um dito colunista, de nome César Benjamin, que relata uma estória sem “h”, que teria acontecido há 29 anos e diz ele ter presenciado. Pois bem, essa manifestação do dito colunista já foi motivo de várias manifestações de leitores do jornal “Folha de S.Paulo”, de outros colunistas do jornal “Folha de S.Paulo”, manifestações de repúdio à atitude que o jornal “Folha de S.Paulo” adotou ao permitir que as suas páginas fossem utilizadas dessa maneira.

Porém, eu recebo um texto publicado no jornal “Tribuna da Imprensa”, assinado por um dos grandes nomes do jornalismo brasileiro, o jornalista Helio Fernandes, o jornal “Tribuna da Imprensa”, que tem uma tradição e mais de 60 anos circulando no Brasil e busca manter sua equidistância, seu equilíbrio e a sua independência. E nesse artigo, o jornalista Helio Fernandes reflete as suas opiniões a respeito dessa matéria publicada no jornal “Folha de S.Paulo”.

E num dos parágrafos do seu artigo, ele menciona que foi eleitor do Presidente Lula no ano de 2002, mas que divergiu da implementação do seu governo logo em seguida e através do seu jornal “Tribuna da Imprensa”, passou a cobrar e criticar com  muita  firmeza as ações do Governo do Presidente Lula, demonstrando assim que não tem vínculos e que também não tem procuração para defender o Presidente da República.

Mas o texto me chama a atenção porque, na verdade, o que se está discutindo não é evidentemente a fabulosa matéria publicada com assinatura de César Benjamim. O que se está discutindo é a responsabilidade da imprensa ao publicar uma matéria inverossímil, uma matéria ofensiva, uma matéria que ataca as instituições brasileiras, a Presidência da República, ataca o Chefe de Governo e um Chefe de Estado, que tem hoje um prestígio internacional e um prestígio nacional reconhecidos até pelos seus  adversários.

E o jornalista Helio Fernandes cita, Sr. Presidente, no seu texto, que vou repetir aqui: “Não dá para acreditar que a “Folha de S. Paulo”, que, competentemente, produz artigos e comentários fundamentados sobre os mais variados temas (jornal de maior circulação), tenha permitido que tamanho e tão comprometedor disparate tenha sido inserido em suas páginas.

Somente uma mente doentia e abominável poderia concordar com tal maldade, pois, goste-se ou não de Luta, a criminosa e intempestiva história atinge um cidadão que preside a República Federativa do Brasil há 7 anos e com aprovação de 70% de sua população, sem falar no prestígio que vem desfrutando no Exterior.

A matéria não é jornalística, não se justifica e foi mal montada.  Seus escusos objetivos não foram bem dissimulados, o que só agrava a responsabilidade de quem autorizou sua edição e veiculação.  Por muito menos, o conceituado jornal “O Estado de S. Pauto” vem sofrendo inaceitável censura prévia.  O irresponsável artigo só faz crescer a convicção dos inimigos da liberdade de imprensa e que clamam por censura prévia mais ampla, indistintamente.”

São esses comentários que fazem parte desse artigo da “Tribuna da Imprensa” que me trouxeram a esse microfone. Não vai aqui nenhuma intenção no sentido de que se volte a ter neste País aquilo que tantos brasileiros lutaram para que  tivesse fim – a censura, o autoritarismo, o controle das opiniões, a falta de liberdade de organização política e a falta de liberdade de organização sindical. Ao contrário, nós queremos aprofundar, cada vez mais, as liberdades democráticas do nosso País. Mas não podemos aceitar que um veículo, da dimensão da “Folha de S.Paulo”, se ofereça para uma tarefa tão sórdida como essa apresentada e assinada pelo dito colunista César Benjamim.

Ainda gostaria de reproduzir mais um trecho da matéria assinada por Hélio Fernandes, do jornal “Tribuna da Imprensa”.

“No mais, é pacífica a responsabilidade civil da empresa jornalística quando o autor da publicação tenha desejado ou assumido o risco de produzir o resultado lesivo, ou ainda, embora não o desejando, tenha lhe dado causa por imprudência, negligência ou imperícia.  O fato de a “Folha” estar amparada pelo direito de liberdade de expressão não a isenta da responsabilidade pela prática de ato ilícito e, no caso, repugnante contra a figura de um Chefe de Estado e de Governo.

Assim, o direito da liberdade de informar não deve ser tolhido, mas exercido com responsabilidade sem lesionar os direitos individuais dos cidadãos.  Em síntese, sem tirar nem por, com a extemporânea “revelação”, a “Folha de S. Paulo” abusou de seu direito de liberdade de expressão, o que resultou na violação da honra objetiva do cidadão Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República Federativa do Brasil, em âmbito nacional e internacional.”

Esse debate sobre a responsabilidade da liberdade de imprensa é necessário, é fundamental. Mas todas as vezes que se pede para debater essa questão, imediatamente, a reação é  fortíssima e vem no sentido de abafar essa discussão, de impedir que ela aconteça e que censura o debate desse tema – isso sim é censura -, porque os órgãos de comunicação de massa deste País reagem com veemência contra a discussão a respeito da liberdade com responsabilidade dos veículos de comunicação deste País. Todas as vezes que alguém imagina poder debater com absoluta liberdade essas questões, vem à tona uma reação fortíssima daqueles que imaginam que liberdade pode ser confundida com libertinagem. Liberdade não deve ser confundida com algo que tenha capacidade de atacar, de destruir a vida de alguém, através da divulgação de estórias, na sua grande maioria das vezes, inverossímeis, como esse apresentado pela “Folha de S.Paulo”, com assinatura desse cidadão de nome César Benjamim.

É sobre essa questão, Sr. Presidente, que passo a ler o texto assinado pelo Helio Fernandes, do jornal “Tribuna da Imprensa”, cujo título é “A Folha Ensandeceu de Vez”, para fazer parte da nossa sessão de hoje e para que conste nos Anais desta Casa.”

Para ler o artigo citado de Helio Fernandes “A Folha ensandeceu de vez”, clique aqui.

* * *

PS- Quero ver, depois do pronunciamento do deputado ANTONIO MENTOR, quem tem medo de Virginia Wolff, perdão, da Folha de São Paulo. Todos os que disseram que estavam no citado almoço, negaram ou disseram que não houve nada do que foi publicado.

PS2- E lideranças do PT na Câmara e no Senado, vão participar do debate e da defesa da dignidade da República e do seu chefe? Mercadante, (que “concordou” em ficar na liderança), Ideli Salvatti, Suplicy (que fala todo dia), Chinaglia, manterão a cumplicidade do silêncio? Espero que não. E Romero Jucá, poderoso, arrogante, do PMDB da base e líder do governo?

Quando a violência se explica

Carlos Chagas

Toda violência é deplorável. Nenhuma se justifica, ainda que algumas se expliquem. É o que está acontecendo nas instalações da Câmara Legislativa do Distrito Federal, ocupada  desde quarta-feira por montes de estudantes, sindicalistas e filiados a alguns partidos de oposição ao governo local.

Choca assistir a quebra de vidros, o arrombamento de portas e, mais do que tudo, jovens dormindo no chão do plenário, em meio a uma bagunça dos diabos. Mesmo assim, a gente pergunta: haveria outra forma de a população manifestar sua indignação diante de comprovadas denúncias de corrupção envolvendo deputados distritais, além, é claro, do chefe da quadrilha, o governador José Roberto Arruda?

Essas coisas costumam pegar feito sarampo, ainda que em matéria de corrupção a opinião pública se encontre anestesiada, tantos tem sido os episódios denunciados ao longo dos últimos anos, em Brasília e em todo o país.

A movimentação popular serve de combustível para alimentar providências judiciárias. Imaginar a votação do impeachment do governador pela Câmara Legislativa será mais do que sonhos de noite de verão. Equivalerá a delírio, pois dos 25 deputados, pelo menos nove foram flagrados recebendo dinheiro vivo, tornando-se necessária a condenação por parte de 16, para afastar José Roberto Arruda. Mas a abertura de  processos no Tribunal de Justiça, na Justiça Eleitoral ou na Justiça Federal tornam-se hipóteses tão necessárias quanto viáveis, existindo ainda a opção de o Supremo Tribunal Federal entrar na dança.

Uma evidência aparece,  no meio dessa tempestade: Brasília não conseguirá chegar incólume a dezembro de 2010 se alguma coisa não acontecer. Como a renúncia dos implicados não acontecerá, melhor  que os jovens continuem  nas ruas, até estimulando novas manifestações.

E os corruptores?

Cairá  no vazio a lembrança de que a existência de corruptos implica necessariamente na existência de corruptores. Até agora encontram-se em cone de sombra as empresas de informática prestadoras de serviços ao governo do Distrito Federal. O máximo ouvido de seus responsáveis é que foram achacados pela quadrilha do governador, que foram obrigados a dar dinheiro para poder sobreviver.

Na verdade não é nada disso. Se colaboraram com recursos de origem escusa foi por pretenderem favores ilegais e ilegítimos. Assim como as empresas de informática, o que dizer de tantas outras incrustadas na máquina administrativa da capital federal? As que se dedicam aos transportes públicos, à construção civil, ao saneamento, à saúde, educação e tantas outras? Valeria a Polícia Federal e o Ministério Público  prosseguirem nas investigações a respeito dos corruptores. A lama capaz de escorrer deles será igual ou maior…

Michel poderá agradecer

Michel Temer alega haver cumprido a lei quando recebeu doações da empreiteira Camargo Correia, num total aproximado de 350 mil dólares para enfrentar  despesas na campanha de 2006. Poderá estar certo, se registrou na Justiça Eleitoral o montante que foi parar em sua conta especial. O que está em jogo é mais profundo: como a lei permite que determinados candidatos sejam beneficiados com doações até maiores que as concedias ao atual presidente da Câmara, necessário se torna votar a reforma política para impedir toda e qualquer doação, estabelecendo-se o financiamento público das campanhas.

Quanto à situação política de Michel Temer, é claro que sofrerá arranhões. Lá pelos lados do palácio do Planalto já não se fala com tanto entusiasmo quanto antes na possibilidade de o parlamentar paulista entrar como companheiro de chapa de Dilma Rousseff.

Agora, a ironia: ele poderá estar agradecendo à Camargo Correia, porque o risco seria ficar ao sol e ao sereno por quatro anos, caso a candidata não emplacasse.

Três semanas para a bandidagem

Nesta semana de baixarias incontáveis, não faltou o governador Sérgio Cabral, do Rio. Sem mais aquela, Sua Excelência deu três semanas de prazo aos traficantes dos morros da Tabajara e dos Cabritos para interromperem suas atividades criminosas e se mudarem para outros logradouros. Se é assim que o governo fluminense trata os bandidos de Copacabana, os demais poderiam reivindicar a mesma proteção. Mais três semanas para enfrentarem a polícia, lutarem pelo domínio dos pontos de venda de droga, intranqüilizarem as comunidades e continuarem estimulando assaltos, assassinatos e seqüestros. Logo pedirão ampliação do prazo de alforria, ou seja, mais tempo para reforçarem, adquirirem mais armamento e conquistarem mais usuários de cocaína…

Impeachment de Cabral

Na matéria deste repórter, sobre o ASSOMBROSO discurso de Cabral na solenidade na Harvard Law School, há quem veja mais que justificativas para pedir a saída do governador.

Não havia nenhum deputado presente, (estadual ou federal) nem mesmo o onipresente, indiciado por exploração de trabalho escravo, Jorge Picciani, presidente da Alerj.

70 deputados estaduais, 46 federais, ninguém quis assistir o “haraquiri” de Sua Excelência?

No discurso dele, existe de tudo: confissão de lobismo, negócios com um homem como Eike Batista, assédio à própria mulher, irresponsabilidade, e a REVELAÇÃO em público que o presidente teria feito a ele, DEPOIS DE TOMAR DUAS CAIPIRINHAS? Se não há motivo para impeachment, falta o quê?

Emenda/Renan do calote passou a fazer parte da Constituição

Luiz Nogueira

Uma vergonha. O Brasil está de luto. O Congresso Nacional promulgou a emenda constitucional proposta pelo senador Renan Calheiros, que, na prática, zerará, sem o pagamento devido, as dívidas judiciais de cerca de R$100 bilhões, que os Estados e os Municípios têm com mais de 1 milhão de brasileiros há dezenas de anos (VIÚVAS, DESAPROPRIADOS, LESADOS, INDENIZAÇÕES POR MORTE  E INVALIDEZ..)

A emenda aprovada pelos deputados e senadores, que são pagos para legislar para o povo e em nome do povo, observando sempre a Lei Maior,  institucionalizou o CALOTE NA ORDEM JURÍDICA NACIONAL.

Para o presidente nacional da OAB, advogado Cezar Britto, essa imoral  e medonha emenda “constitucional”, é,  sem dúvida, o maior atentado já perpetrado contra a democracia desde a ditadura.

Essa emenda está transformando em letra morta  os direitos e garantias fundamentais de todos os brasileiros, pois, a partir de agora, a LEI PREJUDICARÁ O DIREITO ADQUIRIDO, O ATO JURÍDICO PERFEITO E A COISA JULGADA.

A OAB e diversas outras entidades representativas deverão imediatamente propor Ação Direta de Inconstitucionalidade contra essa nova aberração jurídica que apequena  o nosso país e gera absoluta insegurança jurídica. Para a OAB, o que deveria ser o título mais seguro do país, pois amparado na coisa julgada, transforma-se em moeda podre, senão em direito inexistente.

A partir de hoje, o Estado paga se puder e se  quiser, baseado em dispositivo constitucional. QUEM DISSE QUE NÃO VIVEMOS EM UM PAÍS SÉRIO?

Se você for fazer negócio com o Poder Público, cuidado, pois, com essa emenda do calote, os governantes estarão blindados até contra as decisões judiciais, que reconhecerem seus direitos. No máximo, seu crédito será leiloado pelo próprio estado-devedor que lhe oferecerá duas alternativas: aceite o que eu lhe proponho (quase nada) ou esqueça o seu título judicial (crédito reconhecido pela Justiça em todas as instâncias).

Mais uma vez tudo vai terminar no Supremo Tribunal Federal, que, se espera, via rápida medida liminar, enterre essa monstruosa e deletéria “criação” jurídica, que só nos envergonha.

“Radicalização” palavra que assusta

Arruda aparentemente atingiu o objetivo ao ameaçar de “contar tudo o que sabe”. E segundo alguns, até mesmo da cúpula do DEM, “ele sabe muito”.

E um homem como Arruda, pelo passado e pelo presente, é bem capaz de tentar salvar o futuro, mesmo que seja chafurdando ainda mais. O que se percebe, é que o DEM, ao receber emissários do governador (ainda) demonstra todo o receio do confronto.

Assembléia Legislativa

Não votarão o impeachment de modo algum. São 24, 9 estão acusados e envolvidos. Ora bastariam mais 4 votos para salvar a todos. A decisão da OAB, será importante e deve ser anunciada dentro de pouco tempo.

O DEM preserva Paulo Otávio

Revelei isso, logo no primeiro dia do escândalo. O DEM perderia Arruda, mas ganharia o próprio governo, o vice é do DEM. Defesa do DEM: “Paulo Otávio não aparece em nada, falam o nome dele, não aparece no vídeo”. Além do mais, divulgarão: “O vice é um homem riquíssimo, sempre respeitado, por que se SUJARIA com essas bobagens?”.

A reviravolta de Lula

O presidente da República, em Portugal, afirmou, “esse fato não tem a menor importância, é preciso esperar o inquérito, o processo e o julgamento”. Isso foi considerado a favor de Arruda.

Na Ucrânia, já tendo conversado com gente do seu governo, mudou embora taxativamente. Essa segunda declaração, prejudica visivelmente Arruda, na medida em que ajuda a “coragem” do DEM.

A terceira de Lula

Mas o que se discute e se acredita, é que Lula não ficaria por aí. Chegando ao Brasil, ou do exterior mesmo, faria declaração que não precisaria de nenhuma interpretação. Liquidaria Arruda mas tranquilizaria o DEM.

A sucessão no DEM, ponto
para sepultar Arruda

Expulso ou desfiliado, Arruda consideraria uma boa solução. Certo de que não sofrerá impeachment, teria 1 ano no governo para escolher novo partido. Não conseguirá? Existem 22 partidos sem representatividade, que “adorariam” receber Arruda. E este garante, “os votos são meus e não de qualquer partido”.

Tudo pode acontecer.

Faltam 3 dias para o Flamengo ser campeão

Será. Com seu próprio esforço, luta, garra, raça. Meus aplausos a Luiz Fernando Veríssimo, histórico torcedor do Internacional, que pede ao Grêmio que vença o Flamengo. É isso, determinação e obrigação de lutar 90 minutos.

A paixão por ser Grêmio, pode manchar a dignidade de perder sem lutar. Sem dignidade, a paixão não vale coisa alguma.

Fred símbolo da reação, lamento da expulsão

Nesses últimos 15 jogos aconteceu de tudo com o Fluminense, Precisava vencer todos os jogos para evitar o rebaixamento, surpreendeu, só falta o de domingo. Foi apoiado por uma torcida admirável.

Perdeu de 5 a 1 no Equador, aqui precisava ganhar pelos mesmos 4 gols de diferença. Entrou em campo disposto a devolver o placar para a LDU. Fez tudo certo, terminou o primeiro tempo vencendo por 2 a 0, ótimo, iria jogar mais 45 minutos, vencer por outros 2 a 0, ir para a prorrogação.

Marcou o terceiro, e quando faltavam 20 minutos e mais 1 gol, Fred, o símbolo, desastradamente tenta agredir o árbitro, saiu de campo e o Fluminense da disputa. Não pôde nem comemorar, ia entrar em campo, estava expulso, o árbitro devolveu-o ao vestiário. Sofrimento, mas como o importante não era a Sul-Americana e sim a raça, 65 mil comemoraram.

Estranhíssimo: todos assistiram as cenas selvagens conta torcedores que pretendiam comprar ingressos, os últimos 5 mil. Pois ontem estavam lá, 65 mil. Vasco e o próprio Flu colocaram no Maracanã, 82 mil. Onde estão os outros 17 mil?

Sérgio Cabral confessou que é lobista e trabalha para Eike Batista

Disse que a mulher “é a melhor advogada do Brasil”. Textual: “Lula, depois de tomar duas caipirinhas me garantiu que não disputará o TERCEIRO MANDATO”

Ontem, quarta-feira, acabando bem tarde, almoço de confraternização da Harvard Law School. Salão da Bolsa de Valores do Rio, lotadíssimo. Personalidades diversas presentes, principalmente do mundo jurídico. Desembargadores, Marcus Faver, (que foi cogitado para Ministro do Supremo um mês depois de completar 65 anos), Murta Ribeiro, (que presidiu o Tribunal de Justiça do Estado), Sergio Cavalieri (idem), Leila Mariano, o Procurador Geral da Justiça, Promotores, advogados e outros personagens importantes.

Sergio Cabral, que não estava inscrito para falar, pediu a palavra. E num longo discurso, cheio de gafes, equívocos e devaneios, assombrou a todos com um show de EXIBICIONISMO, que provocou olhares cruzados e sussurros diante de tanta leviandade, irresponsabilidade e falta de credibilidade.

Para facilitar e resumir a leitura, numeremos.

1- Chegou com mais de 1 hora de atraso. Ele e o cônsul dos EUA, Dennis Herarne. (Eram convidados especiais). Explicação para o atraso: “Estou vindo de Duque de Caxias, onde implantei o maior projeto de inclusão digital do Brasil”. Textual.

2- Aplaudiu o cônsul americano, que falou antes dele, e disse: “O governo do meu país vai investir recursos financeiros no Rio, para incentivar o povo carioca a falar inglês com mais fluência”. Textual.

3- Cabral começou espantosamente “pedindo publicamente ao Presidente da Fundação Getúlio Vargas e membro da Fundação Roberto Marinho, uma vaga para estudar em Harvard”. Textual.

4- Muitos cochicaram ou sussurraram, “o que o governador iria estudar em Harvard? E quando? Admite não se reeleger?”. Textual.

5- Mais perplexidade, quando Sérgio Cabral afirmou: “Minha mulher é a maior advogada do Brasil”. Textual.

6- Sem qualquer PUDOR ou CONSTRANGIMENTO confessou: “Sou muito amigo de Eike Batista, trabalho com ele e juntos tentamos trazer NEGÓCIOS da China para o Rio de Janeiro. Fui à China com esse objetivo”. Textual.

7- “Meu governo está indo muito bem, escolhi excelentes nomes para me ajudar, Joaquim Levy, Regis Fichtner, Joaquim Bueno”. Segundo ele, representam “a ELITE PENSANTE do Estado”. Textual.

8- “Estive com o presidente Lula, e ele DEPOIS DE TOMAR DUAS CAIPIRINHAS, me disse que não disputará o terceiro mandato”. Textual.

9- Continuaram conversando, e segundo o governador, o presidente teria dito, “não farei como outros populistas da América Latina, o Brasil tem uma Constituição que tem que ser cumprida”. Textual.

10- Contou “tenho total admiração por Álvaro Uribe, presidente da Colômbia, que combate corretamente o crime organizado em seu país”. Parou um pouco e continuou: “A política de PACIFICAÇÃO DAS FAVELAS segue o modelo da Colômbia”. Textual.

11- Só muito mais tarde alguém disse a Cabral, que “Uribe obteve (?) o terceiro mandato, sem sequer concorrer ao referendo golpista de Zelaya”. Textual.

12- Revelou, que na primeira vez que viajou como governador (com o continuista Gouveia Vieira, da Firjan) sentiu ou percebeu que “o Brasil era a bola da vez no mundo e o Estado do Rio também seria”. Textual.

13- Se gabou dos Jogos Panamericanos, dizendo, “foi um sucesso total como realização e com o que ficou para o povo carioca”. Textual.

14- “Eu, Eduardo Paes, o presidente do COB e Ricardo Teixeira, fomos FUNDAMENTAIS para a vitória do Rio”. Textual, embora não citasse Lula e João Havelange.

15- Todo orgulhoso: “Pedi ao presidente Lula para conceder ou conseguir o patrocínio da Eletrobrás para o Vasco, ele arranjou logo”. Textual.

16- Enfaticamente se revelou tremendo lobista, ao dizer: “Existem muitos negócios em aberto no Rio, como a ampliação do prazo para a concessão do metrô, e a contrapartida da PEQUENA CONSTRUÇÃO da linha 2 para a linha 1”. Textual.

17- “Meu parceiro Eduardo Paes, é altamente positivo, ajudou a derrubar a Lei Municipal que impedia a construção em terrenos do metrô, o que dará o ganho de 1 bilhão de reais”. Textual.

* * *

PS- As pessoas iam saindo, ficou apenas a impressão de que Sérgio Cabral ADORA negócios e nada mais, por isso Eike Batista é seu amigo.

PS2- Eike adora “empregadinho descartável”. Textual.

O primeiro passo da grande marcha

Carlos Chagas

O governador Roberto Requião pegou o peão na unha. É candidato à presidência da República, no caso de as bases do PMDB atropelarem a decisão das cúpulas, de apoiar Dilma Rousseff. Só uma convenção poderá determinar se haverá candidato próprio ou aliança com outra candidatura. Essa convenção acontecerá no primeiro semestre do ano que vem. Até lá, estará percorrendo o país para visitar os diretórios estaduais e sustentar a opção partidária. E não se preocupa se o presidente Lula vai gostar ou não.

Para Requião, o importante a partir de agora é apresentar ao PMDB um programa para o futuro, calcado na necessidade de limitar o capital financeiro e ampliar as conquistas sociais, com ênfase para o trabalhador.  Demolir as últimas tentativas de o mercado prevalecer sobre o interesse nacional, começando pelo enquadramento do Banco Central e dos bancos públicos e privados.

Não admite que a maioria de seu partido permaneça atrás de liberação de verbas e da ocupação de postos e funções no governo do PT quando, como maior estrutura política  nacional, dispõe de mais vereadores, prefeitos, deputados estaduais, governadores, deputados federais e senadores do que as demais legendas. 

Lembra que o Instituto Ulysses Guimarães, presidido pelo deputado Eliseu Padilha, promoveu consulta às representações estaduais e obteve 25  manifestações favoráveis à candidatura própria. Dá menos importância ainda à tentativa malograda da direção nacional do PMDB de boicotar a campanha pela candidatura própria, acolitada por parte da mídia. Contra a natureza das coisas ninguém investe impunemente.

Começa em atmosfera adversa o vôo pilotado pelo governador do Paraná, tendo em vista a estratégia das elites nacionais, ironicamente divididas entre as candidaturas de Dilma Rousseff  e José Serra, ambas tão iguais quanto o seis e o meia-dúzia. Apesar de sua amizade com os dois candidatos, o pré-candidato não vê como possam promover as mudanças de que o país necessita. Não critica o programa de governo do presidente Lula no que diz respeito ao avanço social, apesar  da  capitulação frente ao neoliberalismo. O bolsa-família é um programa irreversível que será continuado por quem vier a ser eleito, mas é preciso que avance.

Toda grande marcha, para Requião, parafraseando o presidente Mao, começa pelo primeiro passo, que acaba de ser dado.

Depois da informática

Terá desdobramentos essa  imensa lambança tornada pública com a operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. Porque até agora revelaram-se apenas as distribuições de dinheiro irregular tomadas de empresas especializadas em informática.  Quanto terá sido arrecadado de empresas que se dedicam aos transportes públicos, à construção civil, à saúde, educação e sucedâneos.

A pergunta que se faz é se essas ações criminosas de governantes, funcionários, parlamentares e, dizem, até juízes, restringem-se a Brasília ou se dispõem de tentáculos nos diversos estados. Na maioria dos casos, só falta o cinegrafista-larápio que resolveu documentar tudo.

Um sacrilégio

Andam brincando com fogo os mensaleiros e demais bandidos empenhados na desvairada corrupção que nos assola. Porque um sacrilégio daqueles dignos do fogo eterno começa a circular pelo país. São muitas as vozes que indagam o que teria feito o tonitruante general Ernesto Geisel caso a lambança do Arruda tivesse acontecido nos idos em que governou o país.  No mínimo, teria mandado recolher à cadeia todos os implicados e denunciados no  mensalão do DEM. E em outros mensalões. Com ou sem garantias constitucionais, não sobraria ninguém, de governador a vice-governador, secretários, deputados, juízes e muito mais gente. Apesar de tratar-se de um ato ditatorial, quanta gente aplaudiria? É bom que  os tempos do autoritarismo tenham escoado pelo ralo, mas fica a pergunta: por que a democracia carece de  instrumentos para impor a ética e a honestidade?

Discussões inócuas

A comissão de Constituição e Justiça do Senado discutiu, essa semana, proposta de emenda constitucional restabelecendo a necessidade de diploma universitário para o exercício do jornalismo. A iniciativa deveu-se à incompreensível decisão do Supremo Tribunal Federal de extinguir o diploma, permitindo a quem dispuser do dom de escrever a permissão de trabalhar em jornais, revistas, rádios, televisões e toda a parafernália informativa.

Vai demorar até que o Congresso se pronuncie, mas seria fácil a qualquer parlamentar decidir a questão em dois minutos. O dom de escrever faz o escritor, que não está impedido de ter seus escritos publicados na imprensa. Mas apenas como colaborador, jamais como jornalista, que para exercer a profissão precisa de outras credenciais além de saber escrever: editar, selecionar, diagramar, apresentar – tudo a partir da aquisição de conhecimentos ordenados de história, política, economia, geografia, ética, filosofia e quanta coisa a mais? Apenas nos bancos universitários esse conjunto poderá ser recebido de forma ordenada e sistematizada, como para o advogado só na faculdade de Direito receberá lições de Direito Civil, Penal, Constitucional, Comercial, Trabalhista e muitos outros.

Alguém pensa em extinguir o diploma de advogado só porque determinado cidadão tem o dom da oratória? Ou o diploma de medicina porque o açougueiro é um craque na arte de cortar carne?

PT e Lula divergem sobre o fim de Arruda

O partido, às 13:22 protocolou pedido de impeachment do governador de Brasília. Lula havia tentado ficar em cima do muro, quando disse, “não posso falar, só depois do fim da investigação policial”.

O partido não esperou e contrariou o presidente da República. Mas não querendo dar a impressão de hostilidade, disseram aos jornalistas: “Queremos garantir mais um palanque para o candidato do PT à sucessão”.

Ler corretamente: escreveram e falaram candidatO e não candidatA.

Royalties do Pré-Sal

Sou a favor de todos os estados e principalmente municípios se beneficiarem com as riquezas da descoberta, a milhares de quilômetros de profundidade.

Acho que os produtores devem receber mais, justíssimo. Mas os municípios não podem ser abandonados, é ali que começa a Federação, por mais injusta que ela seja.

O que não admito, protesto e me revolto, é que tudo seja resolvido por Henrique Eduardo Alves e Eduardo Cunha. O primeiro ganhou manchetes e mais manchetes com as denúncias e acusações da ex-mulher. Com 10 mandatos de deputado, jamais conseguiu ser governador do seu estado, o voto é diferente. (Deputados e senadores querem sempre governar o seu estado.

Eduardo Cunha, bem, é  Eduardo Cunha, o maior e mais corrupto lobista de Brasília. Chamado de ladrão na televisão por César Maia, e na Alerj pela deputada Cidinha Campos, vai dispor e decidir sobre o FUTURO DO PAÍS. Isso não existe, nem pode existir, mas vai existir.

Arruda confessa, mas diz que a CORRUPÇÃO aconteceu em 2006, na campanha e não no governo

Os três advogados caros e famosos se reuniram, concordaram: a questão do panetone, é ridícula e dá margem a gozação. Por sugestão do doutor Bulhões, ficou decidido que “o dinheiro era para a campanha e foi contabilizado”.

É uma confissão, mas segundo eles, muito menor e não sujeita a IMPEACHMENT. Imaginação é uma ferramenta principal do “kit” de qualquer candidato. Só que não vai “colar”.

Os cabeças de chave para 2010

A Fifa faz o que quer, e não há recurso. Normalmente, a chave A, é formada pelos que já conquistaram títulos e mais o anfitrião. Mudaram. O Uruguai, duas vezes vencedor, foi retirado. E não colocado na chave 2, para não enfrentar o Brasil. Foi jogado para a fila 3.

A França, também campeã, foi retirada da chave A

Não precisava muita capacidade de análise para constatar: a FIFA, desconfortável com a forma como a França se classificou, “exerceu o Poder de vingança”. Se acovardou, bastava anular o gol com a mão, e continuar o jogo a partir dali. E com aquele gol retirado do placar, se ficasse como estava, a Irlanda iria para os pênaltis.

IPTU de São Paulo, aumenta 100 por cento

É tão escandaloso quanto outros episódios. Dobrar o imposto sobre os imóveis é uma vergonha. E mais grave: esse aumento será repetido todo ano, os prédios ou apartamentos mais velhos, pagarão ainda mais do que os outros

Serginho cabralzinho filhinho,
lamenta que o IPT seja municipal

Se fosse da sua área, já estaria copiando e imitando. Mas Eduardo Paes não merece a menor confiança. Depois de ter dito e repetido, “Lula não passa de um chefe de gangue”, foi procurá-lo para se eleger prefeito. Que República.