De 17 provocações dos “Direitos Humanos”, vão tirar o aborto

Depois de vários dias de bombardeio, o Ministro Paulo Vannuchi veio a público. Não para justificar a desastrada proposição, mas sim para tirar uma, mantendo as deslavadas e alopradas 16 outras.

Tirou a mais polêmica? Nada disso, todas são. E como juntar casamento gay, reforma agrária, concessão de radio e televisão e todo o resto? Agora que aparentemente Lula fez “as pazes” com Frei Beto, por que não chamá-lo de volta?

Projeto para o amanhã que não virá

De qualquer maneira, esse projeto não é para o segundo mandato de Lula. É uma provocação para executar no terceiro. Ou então, (como já disse) tema de campanha e de governo de Dona Dilma. Menos para a campanha do que para o governo, que aliás não existirá.

Sucessão nos bastidores

Nunca se conversou tanto sobre a eleição do fim do ano. Mas curiosamente só tratam da vice. E os que pretendem disputar esse segundo lugar, são do segundo time, perdão, do terceiro.

Requião embalança o PMDB

O grande problema que assusta os governadores-adesistas do partido, é a candidatura do governador do Paraná. Ele tem o apoio de Paes de Andrade, alavanca e ponto de apoio, e de Orestes Quércia, que provoca pânico. Pelo fato de não ter medo de nada. E também sobre ele, não poderem dizer nada, já disseram tudo. E não o destruíram.

Mandato intocável na ABI

Todos os grandes presidentes do órgão maior dos jornalistas, ficaram na presidência, praticamente até morrerem. O último foi Barbosa Lima Sobrinho, que só saía da ABI para ir a reuniões na Academia.

Foi substituído por Maurício Azedo, que vem fazendo remodelação completa na administração, e principalmente na consolidação do imprescindível órgão. Maurício estava (e está) na presidência da ABI, quando ela completou o centenário. Comemorou com uma repercussão, que a ABI não conhecia há muito tempo. Como coincidia com os 100 anos de Oscar Niemeyer, criou a Comissão dos 100, integrada por 100 grandes personalidades.

Agora, acaba o mandato de Maurício Azedo, não pode continuar, o artigo 44 do Estatuto não permite. No dia 2 de fevereiro, terça próxima, os sócios da ABI, decidirão em eleição aberta, se esse artigo deve ser REVOGADO. Sou a favor da REVOGAÇÃO, e votarei assim.

Mas se por qualquer motivo não puder ir votar, essa será minha decisão, por isso ESTOU VOTANDO PUBLICAMENTE e pedindo aos meus amigos que votem dessa maneira.

* * *

PS – Uma das melhores coisas da gestão Maurício Azedo, é o Jornal da ABI. Leitura agradabilíssima, pela soma de INFORMAÇÃO e OPINIÃO.

O tênis na Austrália pode ter 2 finalistas que ainda não ganharam Grand Slam

O primeiro finalista saiu hoje às 9:43. Murray venceu Lubicic, num jogo estranho e sem a menor emoção. Lubicic repetiu Davidenko na véspera, venceu o primeiro set, se deu por satisfeito, ENTREGOU os outros três.

Amanhã pela manhã, Tsonga (que também não tem Grand Slam) enfrenta Federer que tem um monte deles. Se o francês derrotar Federer, o Grand Slam irá para um jogador que não tem nenhum.

Lula e o Tribunal
de Contas de União

Não é de hoje que o presidente continuista fica furioso com decisões do TCU, que aponta irregularidades em projetos e ações do governo.Resolveu agir e desobedecer, sabe que nada lhe acontecerá.

Adriano-Wagner Love

O Flamengo jogou para o gasto, não precisava mais do que isso. A grande satisfação: o entrosamento dos dois jogadores. Na última partida, mostraram um pouco. Ontem, uma combinação da saída do gol até fazer o gol. Quatro passes Adriano-Wagner Love. Magnífico.

Lula, o enteado do Brasil: o filme

O próprio Luiz Carlos Barreto, que estava entusiasmado com a filmagem da vida do presidente, reconheceu: “Apenas 4 por cento do público previsto, assistiu o que na filmagem parecia extraordinário”. Fracasso de crítica e de bilheteria, sem recuperação.

Em toda a história do cinema brasileiro, nunca houve um número tão grande de cópias, cobrindo praticamente todos os cinemas. Lula, em tom amargo, compara o filme, com os “Dois filhos de Francisco”, recorde de assistência.

Sucesso completo: de financiamento. Todos queriam “dar dinheiro”, principalmente o alto empresariado e estatais. Ninguém sabe o que fazer com a sobra.

A obrigação de perder

Antonio Sepúlveda, Maceió
“Hélio, você disse que Golbery e Orlando Geisel criaram o domicílio eleitoral para invalidar a eleição do general Lott, que era militar e a favor do golpe. Por que então preferir a vitória de Negrão de Lima, que era da oposição? Me parece contradição, gostaria de explicação”.

Comentário de Helio Fernandes
Parece contradição, como você diz, e se não conhecer os fatos, ficará como sendo. O que acontece: isso estava dentro da “filosofia” de Golbery, e acatada inteiramente por Orlando Geisel, o estrategista da tortura. (Logo, logo, criaria o Doi-Codi, num pedaço da Polícia do Exército, terror completo. Esse Doi-Codi, que freqüentei com mais assiduidade do que gostaria).

A “filosofia” de Golbery era a seguinte: os militares queriam acabar com as eleições diretas, que Castelo Branco disse pessoalmente a Juscelino, “manterei de qualquer maneira, esse é o meu objetivo”. Mentiroso e sem convicção, acabou com a eleição, prendeu o próprio Juscelino.

Mas precisavam de uma desculpa. Golbery, que era apenas Major (passou para a reserva como coronel por causa das duas promoções obrigatórias) tinhas ascendência sobre os generais. Estes reconheciam: “Ele é um gênio”. Era mesmo, golpista e presidente da Dow Chemical, fabricante de napalm, que ganhava fortunas matando populações inteiras.

Golbery então convenceu os militares: “Se ganharmos a eleição, não teremos cacife para acabarmos com elas”. Como Lott podia vencer, invalidaram seu nome, Negrão ganhou fácil. Com a posse dele, foram para alguns generais que não queriam a ditadura (tinham medo do “comunismo”) e disseram: “Viram, toda vez que houver eleição perderemos para um corrupto”. (Negrão nem era corrupto).

(Em Minas usavam a mesma “filosofia” de perder como a melhor solução. O candidato era Sebastião Paes de Almeida, que não consideravam “suficientemente corrupto”. Optaram então pelo nome de Israel Pinheiro, por causa de suas ligações com Juscelino na mudança da capital. Israel foi presidente da Novacap, ganhou a eleição).

Como você vê, Sepúlveda, nenhuma coincidência ou acaso. Tudo planejado, premeditado, pensado e executado.

Reeleição de presidentes dos Tribunais de Justiça

Caminha em Brasília um projeto que cria grande novidade: a permanência desses personagens nos cargos. Nunca isso foi permitido. O principal artífice (artífice, então é isso) dessa modificação é o Ministro Gilmar Mendes, que não sai do Rio.

Além do mais, ele é presidente do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), que veio para moralizar e não para prorrogar.

A própria prorrogação

Nos círculos jurídicos de São Paulo, Rio e Brasília, muito comentada a conclusão: Gilmar Mendes gostaria de colocar entre as presidências “prorrogáveis”, a própria, no Supremo Tribunal. Como esse cargo é exercido em rodízio, é evidente que os outros ministros não concordarão. Mas não custa tentar.

Local de nascimento de presidente

Berto Fuchs
“Helio, há 104 anos não há um presidente paulista. Todos que você relacionou não eram de São Paulo e sim de outros estados”.

Comentário de Helio Fernandes
Excelente tua participação, mas que é verdadeira apenas em aparência. Até 1965, não existia domicílio eleitoral obrigatório, o cidadão nascia num estado e se candidatava a governador por outro, sem qualquer problema ou restrição. O que era justíssimo para um país de migrantes e imigrantes. Existem até levantamentos, mostrando que existem mais nordestinos do que paulistas em São Paulo.

Isso acabou a partir de 1965, quando Orlando Geisel e Golbery, “armaram” contra o general Lott, para ele não ser candidato a governador da Guanabara. Morava em Teresópolis que era do então Estado do Rio. Acharam que ele podia ganhar, queriam que ganhasse alguém da oposição, como Negrão de Lima.

Quanto aos presidentes da República “paulistas que não nasceram em SP”, nenhum problema. Deviam acabar esse odioso “domicílio”. Ciro Gomes fez o inverso: nasceu em São Paulo, fez carreira política no Ceará, voltou para o local de nascimento, eleitoralmente mais importante.

“Caro Francis”

Não chega a ser um filme, embora exibido em cinemas. Também não chega a ser uma exibição. Na minha sessão, apenas 4 pessoas, contando comigo. Como estava trabalhando, fui falar com o gerente. Informação: “A média tem sido essa, mas em 3 sessões, em dias diferentes, não havia ninguém”.

Patético, provinciano, parcial, prepotente, exorbitante, e sem o menor interesse. Não quero nem colocar o nome do diretor, seu primeiro filme, para que prejudicá-lo? É um monte de depoimentos deprimentes, para os que os faziam, não percebiam. O próprio Francis, se estivesse vivo, não permitiria tamanha depreciação.

Não sei se foi a intenção do diretor, mas ele apresentou um “caro Francis”, muito mais execrável do que o Francis da realidade. E escamoteou o Francis verdadeiro, como por exemplo, o jornalista mais injustiçado pela ditadura.

Em 1964, quando veio o golpe, ele escrevia a mais violenta coluna, (na Última Hora) contra os militares e a favor de Jango. Não foi cassado nem preso. Em 1968, no monstruoso AI-5, novamente ficou desconhecido, não foi cassado nem preso. Em 1970, foi então preso na Vila Militar, nada a ver com as prisões comandadas pelos torturadores.

Único ponto favorável do filme: mostrou o lado dúbio e não beligerante (como a Suíça das duas Guerras Mundiais) do “caro Francis” no assunto que mobiliza a humanidade dos 15 aos 60 anos. E agora, com o Viagra, tem prorrogação da preocupação.

Gilmar ataca novamente

Carlos Chagas

É bom o governo prestar atenção na mais recente farpa enviada pelo ministro  Gilmar Mendes sobre o presidente Lula,  exortando a Justiça Eleitoral a agir com critério único diante das representações contra abusos praticados nas campanhas, inclusive sua  antecipação. O presidente do Supremo Tribunal Federal criticou  a hipótese de padrões diferentes nesses julgamentos, quer dizer, rigor excessivo quando se trata de processos contra parlamentares e  prefeitos,  mas leniência dali  para cima.

O recado foi direto, pois as declarações de Gilmar Mendes coincidiram com mais  uma denúncia do PSDB e do DEM, esta semana,  contra o presidente Lula  e  Dilma Rousseff, precisamente por antecipação da campanha.

O primeiro-companheiro e a ministra tomam pouco cuidado quando, em viagens  pelo país, inauguram e fiscalizam obras. Nada tem de sutis as referências do Lula à continuidade dos programas em desenvolvimento e até as afirmações sobre haver chegado a vez de uma mulher  assumir o palácio do Planalto.    A candidata,  por sua vez, aceita a carapuça dourada e comporta-se como num ringue de boxe, atacando os tucanos e demais adversários.

Não passa pela cabeça de ninguém que o Tribunal Superior Eleitoral venha considerar o presidente culpado e determine a cassação do seu mandato. No auge da popularidade, nem com dinamite ele seria afastado.  Até porque, qualquer sentença daquela corte seria submetida ao Supremo Tribunal Federal, onde, dos onze ministros, o Lula já nomeou sete. Mesmo assim, um sinal foi enviado  por Gilmar Mendes. Resta saber se vai ser recebido.

Lamentos em profusão

Brasília foi criada para não ter representação política. Seria apenas a casa do presidente da República, com um prefeito nomeado. O tempo passou, o prefeito virou governador, o Congresso estabeleceu que a capital federal elegeria oito deputados federais, três senadores  e, depois, disporia de uma Câmara Legislativa.

Durante décadas elites frustradas de São Paulo e do Rio, principalmente, denegriam Brasília pelo fato de precisarem vir aqui cuidar de seus interesses. Chegaram a chamar a cidade de “Ilha da Fantasia” e até de covil de ratos, esquecidos de que os ratos vinham de fora, muitos chegando às terças-feiras e saindo às quintas.

Desafortunadamente, porém, aqui foi sendo criada uma classe política à imagem e semelhança das outras, de fora. Muita demagogia, corrupção e lambanças, apesar de haver  gente séria na política local. Mas também  há ratos em profusão. Chegamos ao limite máximo com o escândalo do mensalão do governo Arruda.

Por conta disso, muita gente sustenta a necessidade de uma volta ao passado. Só que não dá para extinguir a representação política da capital do país.  O remédio seria, a curto prazo, a intervenção federal. A longo, que a população votasse bem. Duas missões impossíveis a lamentar?

Quarenta anos atrás

Foi no começo de 1970. Era presidente da República o general Garrastazu Médici, e técnico da seleção brasileira de futebol, João Saldanha. Completavam-se os preparativos para a Copa do Mundo a realizar-se no México quando os radicais de sempre, incrustados  no governo,  lembraram-se de que Saldanha era do Partido Comunista. Começou uma campanha para afastá-lo.  O presidente Médici integrou-se nela ao sugerir que o Dario, “peito de aço”, deveria ser o centro-avante do time, no lugar do Tostão. O técnico respondeu com o que pareceu um sacrilégio contra o regime: “eu não me meto na composição do ministério, o presidente que não  se meta na minha  escalação.”  Foi demitido, ou melhor, dissolvido, mesmo protestando que não era sorvete. Veio o Zagalo, que convocou o  Dario, ainda que só o fizesse entrar no finalzinho dos jogos. O Brasil foi tri-campeão.

A história se conta a propósito da  constatação de que  os tempos mudaram. O presidente Lula não dá o menor palpite na seleção, mesmo entendendo mais de futebol do que o antecessor. Ou será que suas referências recentes às qualidades de Ronaldo Fenômeno encobrem  alguma intenção? Mesmo assim, não sendo o Dunga comunista, nada se repetirá.

Opiniões divididas

No ministério, formaram-se dois partidos. Um, liderado pelo assessor internacional Marco Aurélio Garcia, interpreta a queda na popularidade do presidente Barack Obama, dos Estados Unidos, pelo não cumprimento de suas promessas de campanha, como fechar a prisão de Guantánamo e retirar os soldados do Iraque e do Afeganistão.

Outros, com o ministro Celso Amorim à frente, achando que a baixa de Obama nas pesquisas deve-se aos seus esforços para implantar um novo e revolucionário plano de saúde em seu país, visando atender os menos favorecidos.

Como em matéria de política externa o presidente Lula parece muito mais interessado no que acaba de acontecer no Chile, a discussão sobre os Estados Unidos é apenas acadêmica.

Mario Magalhães deixa a Folha

Grande jornalista, já foi até ombudsman, sai temporária e não definitivamente. Mas o leitor ganha uma esperança, na verdade, uma certeza: vai se dedicar à biografia de Lamarca, quase pronta, mas sempre adiada pela necessidade do trabalho diário.

Na verdade, não é apenas a biografia de um homem e lutador, mas também e principalmente, de uma época, que entra na história de forma controversa, e até contraditória.

A Bovespa continua caindo,
os amestrados em silêncio

A última nota que postei aqui, entre meio dia e uma hora, o Índice havia caído para a casa de 64 mil pontos, mas logo depois voltava aos 65 mil e um pouquinho. Agora, no limiar do fechamento, (faltam apenas os leilões0 a Bovespa em queda mais acentuada. Veio para 64 mil e 800 pontos. Só uma ação em alta, Souza Cruz, assim mais 0,30.

O dólar em 1,86, alta de 1,25%.

Ações e dólar

Mal passava de meio dia, e a Bovespa vinha para a casa de 64 mil pontos, bem alto. Queda de 0,70%. Mas profissionais me diziam: “Falta muito jogo e a tendência é a recuperação, mesmo que não muito grande”.

O dólar em alta desde o início, neste momento sobe 1,23% em 1,85, alto.

Aberto da Austrália

A esperança de mais um grande jogo, agora semifinal, entre as irmãs Williams, acabou na madrugada de ontem para hoje. Serena fez a sua parte, mas Venus perdeu para a chinesa, a primeira a chegar às semifinais. Davidenko, que vinha jogando mais do que sabia, perdeu fácil para Federer.

Terminando hoje às 11 e meia da manhã, Tsonga deu uma surra no sérvio Djokovic, malabarista de sentimentos, fingindo que está sendo perseguido.

Mas a derrota teve lances curiosos. O sérvio perdeu o primeiro set no tiebreak, ganhou o segundo, igual, num descuido do francês. Animado, Djokovic venceu o terceiro facilmente. Tsonga parecia liquidado, “passeou” no quarto e quinto sets. Está na semifinal, só que enfrentará Federer.

Vans e ônibus

A batalha nas ruas do Rio (estado e município) se trava entre os dois grupos. Embora a poderosa Fetranspor tenha hoje uma parte considerável de vans, ninguém sabe quem está ganhando. E quem paga mais, naturalmente por fora.

Chávez vai acabar numa embaixada do Brasil

Vai juntando cada vez mais forças contra ele. Ditatorial como quase todos que chegam ao Poder, mas incompetente quanto esse coronel, é quase impossível. Quem está a favor dele? Ninguém a não ser os cidadãos enganados, iludidos e desinformados.

Como Zelaya vai desinfetar a embaixada do Brasil, Chávez é “candidatíssimo” a ocupar seu lugar. A dúvida, apenas uma: em quanto tempo?

Operação Robinho

Robinho saiu do Santos para a Espanha, movimentando fábulas de dinheiro. Cismou, foi para a Inglaterra, nova montanha de dinheiro. Ficou lá 6 meses, ganhando 1 milhão e 200 mil reais por mês. Desencantado, decidiu voltar para o Santos.

Apesar dessa reviravolta necessitar de espantosas somas de dinheiro, foi realizada em menos de uma semana.

Desde que Tevez, um então desconhecido argentino, veio para o Brasil por 22 milhões de dólares, ficou evidente: o futebol “lava mais branco” do que as farmácias.

Em tempo: o BC, o Ministério Público, e a polícia, investigavam a operação Tevez, já havia provas de irregularidade total.

Inesperadamente, veio ordem de “cima”, tudo foi engavetado e arquivado.

Na volta de Robinho, ele abre mão de 600 mil reais por mês. Passa a ganhar “apenas” 600 mil. Como poderá viver?

Sucessões estaduais, curiosamente iguais

Se não fosse o tumulto “plebiscitário” que domina a luta maior pela presidência, as lutas para governadores seriam sensacionais. No momento, apenas Cid Gomes e Cabral, apresentam ligeira vantagem. Mas não definitiva. Curiosamente, dois governadores de pior avaliação entre os 10 mais.

Temer, o desaprovado

Não imaginava que sua candidatura a vice sofresse tanto veto dentro do PMDB. Como é sempre eleito presidente do partido e da Câmara, pensava (?) que estivesse absoluto. Bem que o cidadão gostaria, encerraria a carreira.

Grande luta em Alagoas,
para senador e governador

Heloísa Helena, disparada na frente, o governador eleito e reeeleito Teotônio Vilela, são os favoritos para o senado. E Renan Calheiros, cuja carreira depende dessa eleição?

No momento depende totalmente de Fernando Collor. Já foram grandes amigos, inimigos, agora neutros mas se fingindo de parceiros. Se como recurso, Renan disputar a eleição de governador, corre os mesmos riscos.

Belluzzo: o perigo das contas negadas

Fracasso completo como presidente do Palmeiras. O prejuízo aumentou, pagou uma fortuna ao Muricy, não se colocou nem mesmo para a Libertadores. Quase sofreu impeachment.

Esperava ansiosamente a saída de Meirelles do Banco Central, para ficar lá, no mínimo por 9 meses. Agora, com o risco de ter as contas reprovadas, suas possibilidades de nomeação diminuem muito. Nem economista, nem cartola. Que República.

Ciro: medo do rebaixamento

O ex-governador do Ceará, tem muitos problemas para confirmar ou não, a candidatura a presidente. É lógico que existem várias etapas. Mas o ponto mais grave é a comparação com 2002. Nesse ano, Garotinho foi candidato pelo mesmo PSB e teve 15 milhões de votos.. Agora, pelas pesquisas e expectativas, Ciro está bem longe.

A propósito de Garotinho

Ele é mesmo candidato a governador? Se é, não parece. Seu nome não sai em lugar algum, está distante, ele que é indiscutivelmente, um tremendo marqueteiro de si mesmo.

Incerteza no Estado do Rio

Essa parece ser a chave da campanha do Rio. Existem 4 cargos desejáveis. Lançados mesmo, só Cabral e seu substituto diário, Pezão. Os que diziam que disputariam o governo ou uma vaga no senado: Gabeira, Picciani, César Maia, Dona Benedita, Lindberg Farias, Dona Frossard, e mais alguns. Todos silenciosos e indefinidos. Surpreendente. Assim acabam devolvendo ao Estado do Rio, a tragédia quase anunciada: reeeleição de Cabral

O PSDB pode estar resolvendo problemas, reinventando a “república velha”. Em vez de um mineiro depois de um paulista, um mineiro e um paulista, juntos e a esperança de ficarem para sempre.

A pedido de Serra, o governador Aécio foi conversar com ele. Motivo: o paulista fez um apelo ao mineiro: “Concorde em fazer chapa comigo. Ganharemos, tomarei posso em 2011 com 69 anos, sairei com 73”.

Aécio ficou esperando, Serra completou: “Não quero ficar o fim da vida disputando outro mandato, será a tua vez. Você está com 50 anos, quando acabar meu mandato, você estará com 55 anos, será eleito e reeleito, sairá com 63 anos”.

Aécio não disse nem que sim nem que não, mas Serra contou que sua reação era positiva e favorável ao acordo. Estaremos voltando à “república velha”, não com um depois do outro, e sim ao mesmo tempo?

A Primeira República, que já nasceu ultrapassada e dominada pelos militares, ganhou merecidamente a denominação de “república velha”. Os “Propagandistas da República”, que começaram a campanha ao lançar o jornal diário “A República”, em 1860, ficaram fora de tudo, desde o 15 de novembro de 1889. Foram portanto 29 anos perdidos. Naquela época, naquela época.

Se contarmos a partir de Pedro Álvares Cabral até 1930 ou desse golpe de 1930 até hoje, avançamos muito pouco. Como queremos falar apenas do início da sucessão de 2010, basta dizer o seguinte: os 3 primeiros presidentes da República foram paulistas, o último em 1930, também paulista.

(É lógico que os dois “marechais das Alagoas”, entram na História apenas para confundi-la, tumultuá-la, destroçá-la, não para construí-la. Deodoro nunca entendeu porque chegou a presidente. Floriano jamais pôde aceitar a idéia de não ter ficado para sempre. Derrubou o companheiro de golpe, voltaram a ser os coronéis inimigos irreconciliáveis da Guerra do Paraguai).

Depois de 1930, portanto completando agora 80 anos, o Brasil se dividiu em duas ditaduras, (36 anos) e a posse de vices que não se elegeram. Essa é a República sem sangue que implantamos e não promulgamos.

Quando falo em República sem sangue, lembro que quase todas no mundo ocidental, ficaram marcadas por guerras civis intermináveis e inacreditáveis. A República da França, que vinha quase que imortalizada por aquelas três palavras maravilhosas e insubstituíveis, levou 10 anos de assassinatos históricos.

De tal maneira, que Napoleão, em 1789 ainda com 18 anos e na Escola militar de Saint Cyr, pôde completar 28 anos e tomar conta da República. Na Espanha o povo elegeu um presidente que tomou posse mas não governou, com o país tiranizado por quase 50 anos de Franco, que mesmo morrendo, levou a monarquia novamente ao Poder. É uma monarquia do tipo, “reina mas não governa”, mas não deixa de ser monarquia.

No Brasil tudo era pacífico, porque os presidentes escolhiam seus sucessores. Todos concordavam, não havia protesto desde que fossem paulistas ou mineiros. Só houve uma ligeira alteração em 1909, quando o mineiro Afonso Pena morreu, assumiu o fluminense Nilo Peçanha, que levou ao poder outro marechal, para evitar que Rui Barbosa se elegesse.

A série ininterrupta foi interrompida pela morte desse mineiro, e em 1918 de um paulista, que não permitiram que as sucessões continuassem.

Depois de cada ditadura vinha um período “de transição”, que era chamado de r-e-d-e-m-o-c-r-a-t-i-z-a-ç-ã-o, ou seja, a volta de uma d-e-m-o-c-r-a-c-i-a, que só existiu mesmo na teoria ou na imaginação.

Agora, a disputa se dá depois que os presidentes se elegem e reeelegem, e infelizmente (para eles) não conseguem o terceiro mandato. Estamos vivendo esse período.

A confusão é total, embora não confessem nem admitam. O presidente que está no Poder, pretende continuar, por si ou por herdeiros truculentos. A oposição que não se opõe, circula entre um paulista também truculento e um mineiro meio trêfego peralta.

Se desunem permanentemente, só aparentam uma união que não confessam mas tramam em encontros secretos ou sigilosos, se forem para se sobrepor e não para se contrapor. Não têm criatividade mas apresentam ambição suficientemente desvairada para permitir um acordo que não cumprirão. Isso, se forem eleitos, mistificando o cidadão-contribuinte-eleitor.

* * *

PS – Esse é o quadro que tenta se sustentar. Ou se armar, para superar a vocação i-n-i-n-t-e-r-r-u-p-t-a do outro. Só que não há nada definido. Nem estabelecido quem é que assumirá o Poder. Num prazo que será definido depois de cumprida a primeira parte dessa novela. Que República.

Como Ciro acrescenta mais para Lula?

Pedro do Coutto

Com base no noticiário político tanto do Globo, quanto da Folha de São Paulo e de O Estado de São Paulo de segunda-feira, o presidente Lula teria chegado à conclusão que o deputado Ciro Gomes será mais útil à candidatura de Dilma Roussef disputando o governo de São Paulo do que se tornando candidato à presidência da República pelo PSB. De fato, pelo que os rumos sinalizam e indicam esta era a visão inicial do Palácio do Planalto. Caso contrário, Ciro não teria trocado seu domicílio do Ceará para a terra paulista. Em dado momento, o presidente Lula possivelmente supôs que a candidatura do ex governador do Ceará e também ex ministro da Fazenda de Itamar Franco assegurava o segundo turno entre Serra e Dilma. Mas como Dilma subiu bem nas pesquisas, Ciro pode vir a se tornar mais útil abalando com seu nome a principal base tucana, pelo menos ameaçado a provável candidatura de Geraldo Alckmin a governador e assim reduzindo a diferença de votos de José Serra sobre Dilma Roussef no principal colégio eleitoral do país. Reduzir esta diferença pode até se transformar num fator decisivo para os rumos do pleito.

A sensibilidade política possivelmente levou Lula a considerar também que um embate plebiscitário entre as candidaturas do PT e do PSDB tanto faz estabelecer-se  no primeiro quanto no segundo turno. Marina da Silva obteria algo em torno de 10% influindo mais entre os que anulariam, o voto do que tomaria sufrágios ou de Dilma ou de Serra. Além  de Marina Silva, Ciro não disputa a presidência, não se vislumbra qualquer outro nome capaz de integrar a liça do combate e a luta pela conquista de expressiva soma de votos.

A polarização entre Dilma e Serra seria fixada já no primeiro turno. Além dessa percepção, Lula de algum modo teme que a candidatura de Ciro à sucessão presidencial possa crescer além do previsto de maneira a abalar a posição da chefe da Casa Civil. Para que tal hipótese não suceda, o governo possui meios políticos como a tentativa de colar sua imagem na de sua candidata, uma garantia de continuidade especialmente junto às áreas de menor renda do eleitorado. Assim se de um lado Ciro asseguraria o segundo turno, de4 outro pode ameaçar os protagonistas do desfecho final. Por via das dúvidas, disputando o governo paulista, Ciro representaria uma garantia dupla de fidelidade à liderança de Luis Inácio, sem risco algum de uma inversão de posições. É improvável que Ciro chegue à frente de Dilma. Mas não é impossível. Tal hipótese em nada ajudaria o Planalto na reta de chegada às urnas de outubro. Nas eleições em dois turnos, pode suceder uma perspectiva menos ponderável. Até porque o desempenho dos candidatos está efetivamente na dependência do que fizeram em suas campanhas.

O mais seguro, portanto, para Lula, para o PT, para o governo, é o lançamento de Ciro Gomes em São Paulo. Fortaleceria o Planalto no Estado, que já possui uma boa base de intenções de voto com o governador Sergio Cabral no Rio para compensar um provável êxito do PSDB em Minas Gerais comandado pelo governador Aécio Neves através de sua candidatura já anunciada ao Senado Federal. O jogo sucessório deste ano não apresenta muitas alternativas. À luz dos fatos e tendências de hoje. Porém é necessário considerar que a política, como a nuvem, às vezes muda de repente. Agora não é provável. Mas sempre possível.

Falta denunciar a nudez do rei

Carlos Chagas

Todo mundo conhece a história do menininho que denunciou  a nudez do rei. Com todo o respeito, falta um pimpolho no governo para alertar o presidente Lula da bobagem que vem fazendo ao exigir dos partidos que o apóiam candidaturas únicas a governador, nos estados. O desgaste já é grande e muito maior ficará quando o primeiro-companheiro tenta enquadrar o próprio PT, assim como os demais associados, impondo que  sacrifiquem candidaturas próprias em favor  de alianças artificiais.  Enfiar num mesmo saco gatos, caranguejos, baratas, cobras e macacos nunca deu certo.

Alguém precisa dizer ao presidente que quanto mais palanques, melhor, desde que os diversos candidatos se comprometam em apoiar Dilma Rousseff. Equivale a enfraquecer o PT  obrigar Patrus Ananias e Fernando Pimentel a renunciar às  suas pretensões em  Minas, abrindo mão da disputa  pelo palácio da Liberdade em favor de Hélio Costa.  Em São Paulo, porque insistir em Ciro Gomes, em detrimento de Eduardo e Marta Suplicy, Aloísio Mercadante, Antônio Palocci e outros? No Rio, como explicar o abandono de Lindberg Farias em favor de Sérgio Cabral? Por que desagradar Geddel Vieira Lima e o PMDB, na Bahia, em favor de Jacques Wagner? E assim por diante.

Salta aos olhos que quanto mais candidatos nos estados,  melhor. Exprimirão mais votos. A única exceção vai para as eleições presidenciais, quando dividir poderá ser fatal, como parece que aconteceu no Chile. Mas nas escolhas de governadores, nem pensar.   Depressa, um menininho…

A marcha de quatro milhões

Sem ser militar, o ministro Reinhold Stephanes mostra ser bom de guerra. Ou de guerrilha, porque ainda esta semana voltou a criticar, de público, aspectos do Plano Nacional dos Direito Humanos. Reafirmou não ter sido consultado, nem a agricultura,  a respeito da recomendação inconstitucional de que invasões de terra devem ser submetidas a acordo entre invasores e proprietários, antes que a Justiça se pronuncie.

O ministro lembrou que seu colega da Defesa, Nelson Jobim, conseguiu reverter parte do plano porque tinha atrás dele o Exército. Mas completou, dizendo que uma tropa de quatro  milhões de produtores rurais poderia muito bem marchar sobre Brasília. Resta saber se com ele de general, à frente.

Visão distorcida

Na abertura dos trabalhos do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, escorregou o dirigente  maior do MST, João Pedro Stédile, ao exortar os sem-terra a   não votarem  em José Serra,  porque o governador paulista  seria a volta ao neoliberalismo e aos tempos de Fernando Henrique Cardoso. Escorregou por dois motivos: primeiro porque Serra pode muito bem não ser neoliberal, capaz de surpreender. Depois, porque o neoliberalismo não precisa voltar, porque  nunca foi embora.  Ou a política econômica do governo Lula não é, sem tirar nem pôr, a mesma do sociólogo?

Stédile não teve coragem, ainda, de recomendar o voto em Dilma Rousseff, talvez porque o governo dela, se eleita, significará a continuação do governo Lula, ou seja, a permanência do neoliberalismo…

A crise de Brasília

Na capital federal, o dia seguinte sempre consegue ficar um pouquinho pior do que a véspera.

Aliados do governador José Roberto Arruda conseguiram impedir o depoimento do cineasta-delator Durval Barbosa, aquele que distribuía maços de dinheiro para  deputados, secretários e o próprio governador. A maioria dos deputados distritais quer o ex-secretário calado porque uma só pergunta faria o céu desabar sobre Brasília: de onde vieram  os muitos milhões que distribuiu?

Outra abominável pratica a lamentar no Planalto Central corre por conta das telinhas. Todas as redes de TV vem cobrindo com eficiência o escândalo do  mensalão local. Os telejornais locais não poupam os participantes.

O constrangimento aparece   quando entram os intervalos comerciais. Neles, é  maciça a propaganda do governo Arruda, com criancinhas sorrindo, donas de casa festejando   e operários trabalhando entre tratores, guindastes e obras brotando do chão – tudo sob a mensagem de “três anos trabalhando para você!”

Raras vezes jornalismo e propaganda bateram tão de frente assim. Em termos de ética, as emissoras não deveriam ter denunciado os contratos de publicidade? Ou, no reverso da medalha, o Arruda não poderia tê-los retirado?