A sutileza de Serra

Tem mandado recados “encobertos” para o seu PSDB, principalmente para o “amigo” Aécio: “Vou esgotar todo o meu prazo para definição”. O que deixa entrever: que pode continuar governador até 2014, mudando apenas de vice. Sairia o ex-stalinista, entraria Aloizio Nunes Ferreira.

Explicação velada do governador: “Seu eu sair agora, tenho que fazer campanha. E não posso fazer o que acuso Lula de estar fazendo”.

Meu trono por um palanque

Tirando a preocupação com a ONU, Lula é dominado inteiramente por uma palavra que o preocupa: PALANQUE. Só fala nisso, repete dezenas de vezes no mesmo dia: “Como posso transferir votos sem levar a candidata comigo, nos palanques?”

Efeito Bachelet

O presidente nem esconde: amarga até agora o resultado da eleição no Chile. Se Eduardo Frei tivesse ganho, Lula estaria retumbando aqui, a vitória de lá. Tem dito: “O candidato dela era muito fraco”. Com isso condena sua própria candidata, f-r-a-q-u-í-s-s-i-m-a.

Collor, a volta sem revolta

Há 6 meses disse aqui, nada muito surpreendente: como seu mandato no Senado vai até 2014, em 2010 disputará algum cargo. Como era óbvio, relacionei: governo de Alagoas (já foi), presidente (já foi) ou vice. (Esta é a opção que não depende apenas dele).

De acordo com o desespero do amigo-inimigo Renan, pode concorrer a governador. Mas se a “porção-inimigo”, prevalecer, concorre e não apóia Renan para a dificílima reeleição.

Aloizio Mercadante, o suicida
da vez do PT de São Paulo

Haja o que houver, o PSDB não perde o governo de SP. Com Serra continuando ou com Alckmin disputando. Palocci e Dona Marta brigavam pela “honra de perder”. Agora surgiu o “líder” de Lula, que ficou 8 anos na “geladeira”, esperando ser Ministro.

Desconfiado que não se reelege, “pensa” em ser governador. Não terá legenda, se tiver não ganha. É a Dona Dilma, em versão masculina e estadual.

Arruda conseguiu apoio do vice Paulo Otávio

Convencido de que não acontecerá nada com ele, Arruda cuida do futuro. Seu advogado caríssimo garantiu: “Há uma brecha para você disputar a reeeleição”.

Enquanto espera, convenceu o vice bilionário, a “desistir da desistência” da vida pública. O que Paulo Otavio fará, com apoio total do DEM.

Nadal venceu um jogo, não será campeão na Austrália

Precisou de mais de 3 horas para ganhar do número 27 do ranking. Perdeu um set e ganhou pelo menos dois, debaixo de tensão.

Domingo enfrentará Karlovic, que venceu jogo baseado apenas no saque. (Outro que passou à quarta rodada apenas com o saque, foi o grandalhão Isner)

Depois que parou por causa do joelho e do abdômen, o espanhol não se recuperou.

Hortência – Wlamir Marques

A ex-jogadora domina o basquete. Foi à Europa, disse sensatamente: “Os técnicos brasileiros não se renovam, não viajam, não assistem jogos no exterior, nem sabem se existe basquete lá”.

Está quase contratando o argentino Magnano para técnico da seleção, nada contra. Mas poderia convidar o bicampeão mundial, Wlamir para analista da seleção. Ninguém conhece basquete como ele, no Brasil ou fora do Brasil.

Poderia ser analista ao lado de Magnano ou da própria Hortência. Nem sei se aceitaria. Só vejo jogos do Brasil, quando Wlamir comenta, é melhor que a própria partida.

A instransponível e indecifrável Fifa

A entidade que controla a maior paixão esportiva do mundo, vetou credenciais para a TV Record. Explicou: “Só podem ter esse passe livre, empresas televisivas, que compraram o direito de transmissão”. Perfeito.

Mas a Fifa deve uma explicação que o mundo esportivo espera: por que recusou a proposta de transmissão da Record, o dobro da TV Globo? Coisa de 90 milhões de dólares ACEITOS, e 180 milhões RECUSADOS.

Quem vai para o senado

Luiz Nepomuceno, São Gonçalo
Jornalista, pode dar notícia do paradeiro da juíza Denise Frossard? Foi para o segundo turno com Cabral, não quis disputar a Prefeitura, e agora?”

Comentário de Helio Fernandes
Tinha e tem prestígio, é respeitada. Na Câmara só era chamada de “Deputada-Juíza”, o que não é comum. Ia disputar a Prefeitura, desistiu para ser senadora agora. Sumiu, nem se sabe se desistiu ou se trocou de celular. De qualquer maneira, se quiser voltar, tem cacife.

Com apoio incondicional de Chávez, agora é que Dona Dilma não ganha eleição mesmo

Como dizia o genial Aparicio Torelly, o Barão de Itararé, “era só que faltava” para destruir os sonhos sucessórios de Lula. O presidente da Venezuela, coronel Hugo Chávez, acaba de declarar seu apoio incondicional, formal e descomunal à candidatura de Dona Dilma Rouseff ao Planalto-Alvorada.

E não ficou só nisso. Empolgado com a inauguração de um sistema de teleféricos construído em uma favela de Caracas pela empreiteira brasileira Odebrecht, o ditador venezuelano deitou falação e alertou que haverá uma “REORGANIZAÇÃO” DA DIREITA CONTINENTAL” para impedir a vitória da candidatura da Chefe da Casa Civil, que o presidente tenta impingir ao PT, ao PMDB e a quem mais interesse.

“Há eleições no próximo ano no Brasil. Vão fazer todo o possível, a direita, não somente a brasileira, a continental, o império norte-americano, para impedir que haja continuidade no governo progressista e de esquerda do nosso irmão, presidente Lula”, advertiu Chávez.

Na verdade, esta não é primeira vez que o ditador da Venezuela se manifesta sobre a sucessão brasileira. Só que, agora, foi mais enfático. Nos últimos meses o “presidente” venezuelano já vinha demonstrando preferência pela vitória da candidata governista ao Planalto, e desta vez afirmou taxativamente que “A COMPANHEIRA DILMA ROUSSEFF SERÁ A PRÓXIMA PRESIDENTE”, ao elogiá-la como “líder da esquerda brasileira”. E sentenciou: “O povo brasileiro não se deixará manipular para frear as mudanças que o Lula impulsou”.

Um “deputado baiano” que não passa de um ditador

Chávez é, no mau sentido, uma espécie de “deputado baiano”, o famoso personagem criado e interpretado pelo humorista Mario Tupiínambá na televisão: não pode ver um  microfone que começa a falar tudo quanto é bobagem que lhe vem à cabeça. Assim, aproveitou a ocasião para analisar (?) a recente eleição chilena, que teve como vitorioso o candidato conservador Sebastián Piñera.

O governante (?) venezuelano disse que no continente “continuam tentando a restauração do projeto neoliberal, que é o que está por trás desses governos de direita”.

Chávez está furioso. porque Piñera, logo depois de ter sido eleito, afirmou ter “profundas diferenças” com a forma como “se concebe e se pratica a democracia e o modelo de desenvolvimento econômico” na Venezuela.

“Espero que o senhor Piñera não pretenda converter o Chile em outra plataforma de ataque contra a Venezuela”, ameaçou Chávez, acrescentando: “Faço um chamado a que não se meta conosco, que se dedique a governar o Chile e faça o que tem que fazer.”

No embalo das críticas ao presidente eleito do Chile, Chávez então desafiou seus opositores a convocarem um plebiscito para retirá-lo do governo da Venezuela, cuja Constituição prevê a possibilidade de se realizar um referendo para destituir o presidente na metade de seu mandato.

Aliás, esses plebiscitos tem sido a maneira “democrática”, que o ditador venezuelano utiliza para permanecer eternamente no poder, depois de ter tentado usurpá-lo por meio de um fracassado golpe de estado, quando ainda era militar (coronel).

Foi assim que Chávez conseguiu sucessivas reeeleições e já está há 11 anos no poder. Como todo tirano, não governa para o povo, mas exclusivamente para si. Sua interminável administração é um fracasso, um verdadeiro desgoverno, e Chávez vem recebendo ataques da oposição devido à crise de abastecimento de água e energia, que levou o “governo” a decretar racionamento em todo o país. Pateticamente, pede que cada venezuelano não demore mais de 3 minutos no chuveiro.

Como dizia a velha marchinha “Vagalume” de Vitor Simon e Fernando Martins, sucesso no carnaval de 1954, Caracas hoje é como o Rio de Janeiro daquela época: “De dia falta água, de noite falta luz”. E isso é fatal para qualquer governante. Chávez está só blefando, por saber que a oposição não tem número para convocar o plebiscito. Se fosse realizado o referendo, ele perderia, e feio.

* * *

PS – Para acabar de vez como qualquer possibilidade de eleição da “candidata” Dilma Rousseff, aguarda-se agora as declarações de apoio do presidente boliviano Evo “Cocalero” Morales, do terrorista italiano Cesare Batistti, e de outro amigo de Lula, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, aquele que vive a declarar que não houve holocausto de judeus na Segunda Guerra.

PS1 – Já ia esquecendo. Há também a possibilidade de Osama Bin Laden mandar, das profundezas de suas cavernas, um vídeo aderindo à candidatura da Chefe da Casa Civil, que pode estar aguardando, ainda, a adesão de Silvio Berlusconi, que é imbatível em matéria de mensalões e outras jogadas.

Haiti – desafios à liderança brasileira

Gen Ex Luiz Gonzaga Schroeder Lessa

O desastroso terremoto que se abateu sobre o Haiti se constitui em uma das maiores tragédias recentes sofridas pela humanidade, com conseqüências mais graves do que a ocorrida na China, em 2008.

A completa destruição de muitas cidades, inclusive da sua capital Porto Príncipe e da precária infraestrutura do país, impediu qualquer reação do estado haitiano. As estimativas de até 200.000 mortos, com  milhares de feridos e um população de 3 milhões de pessoas desabrigadas e totalmente desassistidas, constituem-se num dos maiores desafios à comunidade internacional e à própria  ONU, duramente atingida pela catástrofe, com a morte das suas lideranças e mais de centena de qualificados funcionários mortos ou desaparecidos, levando o seu Secretário Geral, Ban Ki Moon, a declarar ser esse o mais trágico acontecimento na história da organização.

O Brasil que desde 2004 comanda com invejável sucesso as tropas da ONU,  integradas por 17 países, sob a denominação de Minustah, tem pela frente um formidável desafio, que vai exigir da sua diplomacia gestões, negociações  e acompanhamentos muito além do que até então vinha ocorrendo .

O esforço de quase 6 anos, com melhorias sensíveis na vida do povo haitiano, foi posto por terra, levando o atual  comandante da Força, Gen. Floriano Peixoto, a declarar que a situação do Haiti tornou-se pior do que aquela que lá encontramos em 2004. No seu dizer, o país volta à estaca zero.

A resposta da comunidade internacional ao chamamento de socorro ao Haiti foi imediata, mostrando uma solidariedade raramente vista em tragédias dessa natureza.  Todavia, pelo despreparo da ONU, duramente atingida, trouxe complexos  problemas de coordenação e controle ainda não resolvidos, incapazes  de harmonizar os trabalhos das 43 equipes de socorro de todo o mundo que para lá acorreram, envolvendo cerca de 1.800 homens(mulheres) e 160 cães amestrados para a tarefa de localizar corpos, o que  possibilitou resgatar com vida 75 pessoas até a data de hoje. Sem dúvida, nos próximos dias, esses problemas e os demais relacionados com a assistência humanitária estarão resolvidos.

Por certo, a  preocupação atual  da diplomacia brasileira e, também, do nosso Exército, é a ameaça que se coloca à liderança do país na condução das operações da Minustah.

Parece muito frágil o acordo a que chegaram Hillary e Amorim na divisão das tarefas entre a Minustah e as forças norte-americanas que, de maneira desproporcional, chegaram e continuam chegando ao Haiti.

Dizer que cabe à Minustah prosseguir na sua missão de manter a segurança do país e assegurar a sua normalidade democrática e às forças norte-americanas  a condução das tarefas humanitárias não guarda respaldo com o alto poder de combate que ainda está se desdobrando no Haiti: cerca de 10;000 homens, oriundos das melhores unidades combatentes estadunidenses, como uma poderosa brigada da  renomada 82ª Divisão Aeroterrestre (cerca de 3.600 homens) e 2.000 fuzileiros navais.

A esquadra, ao largo do litoral haitiano, vai muito além das necessidades de uma operação humanitária. Tendo como núcleo o porta-aviões Carl Vinson,  em torno dele agrupam-se  vários outros potentes navios como o cruzador Normandy, a fragata Underwood, o desembarque-doca Carter Hall,  o de assalto anfíbio Bataan ( com 2.000 fuzileiros navais a bordo), o Fort McHenry, o de salvamento Grasp, o oceanográfico Henson, o hospital Comfort, vários navios auxiliares, lanchas de desembarque e um grande número de helicópteros, meios navais sob o comando do almirante Victory Guillory, atual Comandante da 4ª Esquadra, que tantas reações políticas motivou no Brasil quando da sua criação.

O comandante geral das forças norte-americanas desdobradas no Haiti é o Ten-Gen. P. K. Keen,  que é o subcomandante do Comando Sul dos EUA, com sede em Miami.

O poderoso dispositivo militar comandado por Keen guarda coerência com as suas preocupações nas recentes declarações que fez à  ABC, em 16 de janeiro p.p., quando reafirmou que “ a nossa principal missão é a ajuda humanitária, mas a componente segurança terá uma crescente importância nela. Nós vamos enfrentá-la junto com as Nações Unidas e teremos que fazer isso rapidamente”. Keen  disse estar acompanhando com muita atenção os incidentes de violência que estão recrudescendo no país. “Obviamente, nós realmente necessitamos de um ambiente seguro  para fazermos o melhor que pudermos no que diz respeito à ajuda humanitária”, declarou Keen.

Apesar de ser grande a potencialidade de conflito entre as missões atribuídas aos norte-americanos e aos brasileiros, os contatos pessoais devem ser facilitados, pois o Gen. Keen cursou a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército Brasileiro (ECEME), nos anos de 1987-88,   e, por isso mesmo, deve falar o português e bem compreender a mecânica operacional das nossas forças.

Mesmo para os leigos, é óbvia a necessidade da mais ampla coordenação das operações de segurança e humanitárias. Não são compartimentos estanques, pelo contrário, se complementam mutuamente e uma é estreitamente dependente da outra no processo de normalização da realidade haitiana. É impossível  estabelecer uma barreira rígida entre uma e outra missão, o que forçará, como abertamente sugeriu o seu comandante, que as tropas norte-americanas dêem alta prioridade à componente segurança no efetivar das suas tarefas humanitárias. E, por isso mesmo, é grande a possibilidade de choques diplomáticos e operacionais, com conseqüências desastrosas para o processo de reconstrução do Haiti.

Como se estima que a presença dos EUA no Haiti seja de longa duração, no dizer do próprio  presidente Obama, a solução dessa problemática deve passar, necessariamente,  por uma possível modificação da missão da Minustah e por atribuição de setores específicos de atuação para as forças da ONU e dos EUA, onde as missões humanitárias e de segurança se complementem mutuamente. O recente aumento dos efetivos das forças da Minustah, autorizado pelo Conselho de Segurança, aconselha que assim seja.

Por fim, uma menção especial às perdas brasileiras no trágico terremoto, que ceifou dezenove preciosas vidas de militares e civis. Desde a 2ª Guerra Mundial e a despeito de ter participado de inúmeras missões de paz sob o comando da ONU ou da OEA, o Exército não tinha a lastimar tão grande número de vítimas. Os feridos- vinte e cinco – haverão de se recuperar e voltar ao serviço ativo.

É enorme a tristeza que se abate sobre o nosso Exército, acostumado à crueza dos acontecimentos imprevistos. Conforta-nos, contudo, saber que esses devotados brasileiros muito bem cumpriram as suas missões e imolaram as suas vidas em benefício da paz. A missão bem cumprida é apanágio dos fortes e torna heróis os que, como eles, doaram as suas vidas por causa tão nobre.

Camaradas, civis e militares!

Seu sacrifício toca profundamente a Nação Brasileira. A tristeza  refletida nas nossas lágrimas é temperada pelo orgulho que sentimos pelos seus valorosos feitos.

O Exército,  perfilado, presta-lhes a sua mais democrática saudação de respeito e admiração – a continência –  cônscio de que o seu sacrifício não foi em vão. Sigam em paz!

Reeleição de Temer: recado ou ameaça?

Carlos Chagas

Ao antecipar para 6 de fevereiro a convenção que reelegerá  Michel Temer seu presidente, o PMDB embutiu contundente   recado ao presidente Lula. Caso o atual presidente da Câmara termine garfado na pretensão de tornar-se companheiro de chapa de Dilma Rousseff, o partido passará a estimular a candidatura  do governador Roberto Requião ao palácio do Planalto.

Trata-se de  uma questão de orgulho ferido, para o parlamentar paulista e para a  cúpula  do PMDB. Afinal, o nome dele concentra a maior tendência na direção e nas bancadas no Congresso. Pensavam tratar-se de uma questão da competência interna, exclusiva do partido. Surpreenderam-se quando o presidente Lula atravessou o samba, falando no desejo de receber  uma lista tríplice para o preenchimento da candidatura, ao mesmo tempo estimulando outras opções, como Helio Costa, Edison Lobão e Sérgio Cabral.

Além de um obvio complexo napoleônico, o primeiro-companheiro terá tido seus motivos para agir assim. Percebeu que Michel Temer, como candidato a vice de Dilma Rousseff,  pouco  acrescenta em termos eleitorais. Em especial em São Paulo, onde não ocupa propriamente uma liderança popular. A candidatura dele  não compensará  a vantagem eleitoral  com que José Serra deverá partir de seu estado. Já Helio Costa mobilizaria Minas para enfrentar a influência de Aécio Neves, assim como Edison Lobão sedimentaria o Nordeste e Sérgio Cabral, o Rio. O problema é que nenhum dos três mostra-se empolgado pela aventura. Costa e Cabral tem seus próprios planos para os governos de seus estados.  No caso do ministro das Minas e Energia, a reeleição para o Senado.

Poucas vezes as relações entre o PMDB e o governo  balançaram tanto como agora. O partido sabe da importância que terá, nacionalmente,  para a vitória ou a derrota de Dilma e mostra-se disposto a engrossar.  Michel Temer  reconduzido à sua presidência equivalerá  tanto a um recado  quanto  a uma ameaça.  E Requião poderia embolar o meio campo.

Tucanos com orelhas de burro

A natureza dotou os tucanos de bicos desproporcionais ao corpo, mas parece que o  PSDB tenta implantar imensas orelhas de burro nas penosas.  Ingressar na Justiça  para condenar o presidente Lula por propaganda eleitoral antecipada  equivale a abrir mais um palco para o primeiro-companheiro e sua candidata. Não haverá juiz ou ministro em condições de proibir o presidente da República e a chefe da casa Civil de percorrerem o país, inaugurando e fiscalizando obras públicas. Só a partir de julho, se formalizada sua candidatura,  Dilma ficará impedida de comparecer a inaugurações. O Lula, nunca.

Abre-se agora a oportunidade para o governo demonstrar o óbvio junto aos tribunais. A Advocacia Geral da União deveria exigir que os tucanos venham  a arcar com as custas do processo.

Bronca particular

Na reunião ministerial de ontem,  na Granja do Torto, o presidente Lula passou uma  reprimenda genérica nos presentes, mas com endereço certo para alguns. Repetiu que abomina os ministros que levam a público suas divergências e, mesmo,  fazem  críticas ostensivas  à  política oficial.  Acha naturais confrontos de idéias e de objetivos. Muitas vezes os projetos envolvem dois ou mais ministérios, cada um com sua parcela de  razão. O importante é que resolvam tudo no âmbito do governo, sem alarde na imprensa. E quando parecer impossível que se  entendam, tragam a ele as questões.

Certas orelhas ficaram mais vermelhas do que outras, mas o ministério engoliu calado a repreensão. Ninguém quer sair prejudicado neste último ano de mandato do presidente. Nem os ministros que vão sair até 31 de março, nem os que imaginam continuar.

Até que enfim

Promissora informação para a reabertura dos trabalhos do Congresso, a 2 de fevereiro: por iniciativa do deputado Aldo Rebelo, a Comissão de Relações Exteriores  e Defesa Nacional da Câmara ouvirá de  lideranças indígenas veementes denúncias  contra a ação de ONGs estrangeiras que se intrometem na Amazônia. Financiadas por governos e por multinacionais, essas organizações agem para dividir as diversas tribos espalhadas na região.  Buscam solapar a soberania nacional na Amazônia e tem petulância, até mesmo, de confrontar as forças armadas brasileiras ao longo de nossas fronteiras. Se partem os protestos  dos próprios índios que as ONGs dizem defender, eis aí um bom começo para se botar ordem na bagunça.

Mais um dia com todas as ações em baixa na Bovespa

O primeiro dia foi ontem, como registrei com exclusividade. (Eu não tinha a exclusividade da notícia e do fato, e sim da vontade e da obrigação de publicar). Agora, tudo se repete.

A Bovespa fecha em menos 2,75% em 66 mil 350 pontos. Ontem, estranhei que a Pão de Açúcar tivesse a menor queda, hoje foi a que mais caiu, acertaram. As ações podem sofrer ligeira alteração, por causa dos leilões, pouca coisa.

O dólar fecha mais cedo, subiu 0,80%, em 1,80 baixo. Mas resiste.

A vantagem da internet

Já participei de não sei quantas conferencias e debates a respeito da sobrevivência do jornal impresso. Defendo sempre que o jornal não acabará, apenas se localizará e se isolará.

Só que Joe Rollino, intitulado o “homem mais forte do mundo”, tinha tudo para discordar de mim. Aos 104 anos, em forma extraordinária, saiu de casa para comprar jornal, foi atropelado. Para “comprar” internet, não precisaria sair, estaria vivo. Estaria?

Desincompatibilização

Está chegando a hora. Quem pretende disputar a presidência ou a vice, antes de obter a indicação e a legenda, precisa estar livre de cargos no Executivo. O maior problema: José Serra. A mais incerta: Dona Dilma. O pior ranquiado: Michel Temer.

Os que não têm problema para saírem: Requião e Aécio, já reeeleitos, não podem continuar. Jarbas Vasconcellos, que quase foi vice de Serra em 2002, pode ser agora, é senador até 2014.

Collor também com mandato até 2014, tem três opções, gostaria de ser candidato a presidente e repetir 1989. Ontem, no Brasil todo, caíram 26 mil 489 raios, nenhum no mesmo lugar. O que o ex-presidente diz sobre isso?

Por que o TJ de Brasília, não tira Arruda do cargo?

Normalmente, o Legislativo é que tira presidentes e governadores, que exorbitam. Mas como b-r-i-l-h-a-n-t-e-m-e-n-t-e o TJ afastou o presidente da Assembléia (o Prudente do dinheiro nas meias), 8 deputados e os 8 suplentes, pode muito bem mandar o governador para casa.

Essa Assembléia, tem cinco quartos dos seus membros, viciados e comprometidos, como julgarão o governador? Eram 24, ficaram 16, com que número votarão o impeachment?

Muitos dizem, “afastar os efetivos, está bem, mas os suplentes que nem estavam nos cargos?”.

Representavam as mesmas idéias. Em 1948, o STJ (Superior Tribunal eleitoral) suprimiu o registro do partido Comunista. Seus 15 deputados e 1 senador foram cassados, junto com os suplentes. Ainda na revista O Cruzeiro, fiquei contra cassar o registro do PC. Mas fiquei a favor de cassar os suplentes.

Se afastavam os que foram eleitos, tinham votos e prestígio, por que empossar suplentes que não representavam coisa alguma?

Podiam mandar Arruda para casa. É bem verdade que quem vem no fim do ano é Roriz, que perdeu 7 anos e meio de senador, por corrupção EXPLÍCITA e IMPLÍCITA.

Dona Benedita – Cabralzinho

Secretária de Ação Social, perguntou ao governador: “Deixo o cargo para me desincompatibilizar e concorrer ao senado?” Resposta nada surpreendente do candidato à reeeleição: “Deve perguntar ao presidente Lula, você é do PT e não do PMDB”. Fez o que Picciani mandou.

O ostracismo de César Maia

Ninguém quer nada com ele. Já foi derrotado para governador, para senador não consegue nem legenda, votos então nem se fala. Tentou ser vice de Serra, teve que ouvir gargalhadas.

Pelo visto, terá que esperar 2012, para outra aventura na Prefeitura. Por que o Rio tem que conviver com esse pesadelo? Fará uma nova “Cidade da Música” (superfaturada), abandonando o essencial?

Reverso ou revertere

Dona Suplicy fez carreira ascendente, nem ela mesmo acreditava. Deputada, prefeita, tentava o governo do estado, pensava (?) na presidência.

Voltou a disputar a prefeitura, perdeu. Como presidente nem foi lembrada, para o governo está esquecida, admite voltar à Câmara. Se elege.

Corrida contra o tempo

Tarso Genro era prefeito de Porto Alegre, quis desbancar o companheiro que era governador, perdeu. Agora deixa de ser Ministro da Justiça para tentar novamente ser governador. Começou na frente, todos acreditavam que o adversário fosse Rigoto. É o prefeito Fogaça que já está na frente nas pesquisas. Pouco mas está. Só que não definitivamente.

Novo estado, progresso

Pode surgir o Estado de Carajás, a governadora do Pará está contra. Foi pedir ao presidente Lula para não deixar a Câmara referendar o plebiscito, já aprovado no senado. Há anos defendo que podemos chegar perto dos 50 estados americanos.

Propaganda das cervejas

“Ótimo, deveria haver repressão a essa propaganda como acontece com o cigarro”.

Eluisio Fontenele
“Ídolo de qualquer setor, não deveria fazer publicidade de cervejas, os mais jovens se espelham neles”.

Alexandre Campbell
“Não poderiam aumentar o imposto sobre a bebida, como se faz na Rússia? É preciso impedir o vício, hoje já se fuma muito menos do que antigamente”.

Cláudio Mendonça
“Jornalista, é ótimo que o senhor faça essas campanhas de esclarecimento, é o único, não sei a razão, mas gosto muito, e me associo ao protesto”.

Augusto Césario, Ceará
“Quero aplaudi-lo, porque leio você há muito, quando a Tribuna era impressa, tua coluna e artigo eram reproduzidos aqui, e você só defende as causas que servem à coletividade. Nunca vi você defender um poderoso ou que esteja no poder, banqueiro, dono de seguradora”.

Comentário de Helio Fernandes
Obrigado a todos, partilhamos dessa vontade de mudar as coisas, em benefício da maioria. Cigarro e bebida são trágicos, ganham fortunas, matam com enfisema, (cigarro), dentro e fora (dos carros), a bebida.