Superpetroquímica

Os Geyer, que já foram riquíssimos e poderosos, (riquíssimos ainda são) venderam sua parte para a Braskem-Petrobras. Não têm herdeiros interessados no negócio, foi bom para o país.

Em 1965/66, surgia a “Frente Ampla”, que reuniria Lacerda-Juscelino-Jango, inimigos que pareciam irreconciliáveis. Sete das 9 reuniões preparatórias do manifesto que assinariam, se realizaram na casa deles, no Cosme Velho. Belíssima. Eles não sabiam de nada, nem que durante semanas estiveram lá, personagens como estes: Brigadeiro Teixeira, Editor Ênio Silveira, Diretor de Teatro Flávio Rangel, o ex-Ministro Wilson Fadul, e o já ex-governador Carlos Lacerda. Nenhum deles conhecia pessoalmente Lacerda, ficaram todos amicíssimos.

Esportivas, observadas e comentadas

Não há dúvida que 6 a 0 entre os chamados grandes, é surpreendente. Mas o Vasco mereceu e jogou sempre para fazer mais. 3 a 0 no primeiro tempo, outros 3 a 0 no segundo. Mas é bom não exagerar nos louvores ao técnico.

Na Austrália,
feras contra feras

Entre hoje e amanhã, se enfrentarão, Davidenko e Federer, Nadal e Murray, que estão até o quinto lugar. Roddick pegará Chilic que vem de vitória sensacional. Djokovic, ganhou três vezes jogando com adversários (?) distantes de qualquer ranking.

As Williams

Serena já está nas quartas, Venus caminha para lá, jogará hoje. Se vencerem, estarão nas semifinais, já jogaram contra tantas vezes. Se isso acontecer, uma delas estará na finalíssima.

Mediocridade e lamento

É bom não apostar muito no Fluminense. Fez 1 gol no Volta Redonda aos 5 minutos, os outros 85, “viajando”.

Uma pena que Ronaldinho Gaúcho tenha perdido pênalti. Fora isso, marcadíssimo, não podia nem andar.

Não tenho qualquer respeito e admiração pelos donos de órgãos de comunicação, os Rupert Murdoch brasileiros, mas não admito de forma alguma, CENSURA À IMPRENSA, restrição À INFORMAÇÃO E OPINIÃO. Na verdade, sempre manejaram contra mim. Os governos e os apavorados “jornalistas”

Começando, em tempo e propósito: conheço todos esses DONOS DE ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO, sei como enriqueceram, juntando todos eles, dizia sem poder ser desmentido: “Sou o único dono de jornal que sabe escrever e escrevo diariamente”. Combati abertamente a ditadura, nessa convicção, joguei tudo que tinha. Antes de ir para a Tribuna em 1962, fui sempre O MAIOR SALÁRIO DA IMPRENSA brasileira.

Apesar de tudo isso, SOU CONTRA QUALQUER CENSURA, LIMITAÇÃO, RESTRIÇÃO À OPINIÃO E À INFORMAÇÃO. Tudo isso que está no projeto de DIREITOS HUMANOS, não serve à coletividade.

Precisamos muito mais de uma “PRIMEIRA EMENDA” da Constituição americana, respeitada e admirada no mundo inteiro, do que restrições vingativas de terroristas de “esquerda”.

Única satisfação e certeza, como tenho dito: nada que está no projeto chamado pejorativamente de “Direitos Humanos”, é para entrar em vigor. Pelo menos isso.

Logo que surge uma questão polêmica mas que atraia votos e promova espaços na mídia, lá está o antigo servo, submisso e subserviente aproveitador da ditadura, Miro Teixeira.

Quando sinalizaram sobre a Lei de Imprensa, (certo ou errado) lá estava o senhor Miro, campeão do “teixeirismo”, opinando sem ser chamado.

Agora, quando o projeto de “Direitos Humanos”, propõe descaradamente a CENSURA À IMPRENSA, a devassa dos meios de comunicação, vem o senhor Teixeira e diz: “Nos meios de comunicação, existe concorrência, diversidade de veículos e opiniões”. Ha! Ha! Ha!

Esse “teixeirismo” é diferente do que ele pregava de 1970 a 1982. (Até mesmo entre 1974 e 1978, quando aparentemente estavam fora do governo). Por 8 anos, Chagas Freitas foi “governador” da Guanabara e do Estado do Rio. E na ante-sala, de avental branco, o senhor do “teixeirismo”, vendia à vista, os decretos que o “governador” assinaria a prazo.

Durante 12 anos, Chagas Freitas e Miro Teixeira “pertenciam” ao mesmo MDB do que eu. Durante 12 anos, a Tribuna da Imprensa NÃO PUBLICOU UM CENTÍMETRO DE PUBLICIDADE DO GOVERNO.

Enquanto isso, Chagas Freitas “governador”, que era dono de jornal, fez acordo com o Ministro da Fazenda, Mario Henrique Simonsen. (Depois Citisimonsen, quando deixou de ser ministro e passou a ser Executivo do Citibanque).

Chagas se dizia “constrangido em faturar publicidade de seu “governo”, para os próprios jornais”. Então ficou assim: Simonsen encaminhava toda a publicidade federal para os jornais de Chagas, e o faturamento do estado era distribuído da forma como o Ministro da Fazenda determinava, Miro Teixeira executava.

Foi o tempo financeiramente mais feliz de todos eles.

Em 1966 fui cassado 3 dias antes da eleição, festejaram. Chagas deixou o “governo” pela segunda vez, vendeu os jornais por preço “enlouquecido”, desapareceu. Miro Teixeira é deputado desde 1970. Já tentou ser governador, perdeu, a ditadura acabara. Quis ser prefeito duas vezes, derrotado.

Em 1982, candidato a governador, acusou o já morto ex-governador Carlos Lacerda, “de ter mandado jogar mendigos no Rio da Guarda”. Processado pela brava Sandra Cavalcanti, condenado.

Apelou então para mim, queria ser candidato a deputado, se Sandra impugnasse sua candidatura, não poderia concorrer. Amigo e admirador de Sandra, falei com ela, me respondeu: “Helio, diga a ele que pode ser candidato, não vou impugná-lo”.

Fui intermediário, sem ódio e sem vingança. Esses 12 anos sem faturamento estadual, se acumulam com os outros da PERSEGUIÇÃO FEDERAL.

* * *

PS – Acho que em vez de CENSURA e PERSEGUIÇÃO, o Congresso poderia IMPEDIR que donos de órgãos de comunicação TIVESSEM NEGÓCIOS fora desse setor.

PS 2 – Poderiam também fazer uma Lei, CONSTITUCIONAL, determinando que o faturamento com venda avulsa, PAGASSE PELO MENOS A DESPESA COM PAPEL. O jornal custa 2 reais,paga 35 por cento ao jornaleiro (70 centavos) e 5 por cento ao distribuidor (10 centavos).

PS 3 – Entra para a “casa”, 1 real e 20 centavos, longe de pagar a montanha de papel que usam diariamente. Toda a formidável despesa do RESTO, tem que ser paga com a publicidade visível e a invisível, que vem através do “sistema”.

PS 4 – Muito mais fácil e constitucional: em vez de VIOLÊNCIA, TRANSPARÊNCIA.

Jogo de xadrez, não luta de boxe

Carlos Chagas

O PMDB voltou para cima do muro ao antecipar para o próximo dia 6 a convenção nacional destinada a reeleger Michel Temer para sua presidência.  Porque além dessa mais do que óbvia decisão, o partido submeterá às suas bases a questão  fundamental  de ter ou não candidato  próprio às eleições para presidente da República, em outubro.

A estratégia de Temer e da cúpula  que dirige  o PMDB é evidente: rejeitar a proposta da candidatura própria caso o presidente Lula, antes, dê garantias de haver esquecido a iniciativa  de receber uma lista tríplice de indicados à vice-presidência na chapa de Dilma Rousseff, curvando-se à indicação única do nome do parlamentar paulista.

Caso contrário, não significa que o partido lançará imediatamente a candidatura de   Roberto Requião, mas que deixará a decisão final para a convenção nacional de junho, mesmo abrindo desde já condições para a campanha do governador do Paraná.  Haverá tempo para o jogo continuar.

Trata-se de uma delicada partida   de xadrez,   não de uma luta de boxe.  Depois de saber da antecipação da convenção que reforçará a liderança de Michel Temer, o presidente Lula reagiu e mandou dizer que insiste na lista tríplice.  Foi quando a  direção nacional  do  PMDB treplicou,  anunciando que será debatida, também, a questão da candidatura própria.

Aguarda-se o  próximo lance, mas fica claro o favorecimento de  Roberto Requião, já contando com o apoio de doze diretórios estaduais para sua candidatura.  A manobra de Temer e seus companheiros poderá favorece-lo ainda mais, se bem que o objetivo maior do deputado paulista continue sendo  apoiar Dilma Rousseff, mas só se for ele o companheiro de chapa.

Sem bispo não há rei

Para continuar no xadrez, vale aproveitar a lição  do rei Jaime I da Inglaterra, depois de deixar de ser Jaime IV da Escócia, dizendo que sem bispos não há  rei. Justificou assim sua submissão ao Papa e obteve a boa vontade do clero inglês, conseguindo governar.

Da mesma forma pode estar pensando o presidente Lula. Já não parece fácil emplacar a candidatura de Dilma Rousseff com o apoio do PMDB. Sem ele, a sucessão se transformará numa aventura, para o governo.

Sem medo de desmatar

Lembra o governador Eduardo Braga, do Amazonas, que as árvores,   como   tudo o mais, dispõem de um inexorável ciclo de vida.   Nascem, desenvolvem-se, frutificam e,   mais tarde, morrem. Devem ser cuidadas, aproveitadas,  mas jamais indefinidamente preservadas, porque também  acabam.  Assim, ele  rejeita a tese da transformação da  Amazônia  num imenso  jardim   botânico, intocável.  O importante é aproveitar as riquezas da região sem prejudicar o meio ambiente. Países como a Noruega,  a Suécia e a Alemanha são grandes exportadores de madeira porque, ordenadamente, plantam e abatem florestas.

Eduardo Braga criou, em seu estado, o bolsa-floresta, que dá ao  morador da imensa região um auxílio financeiro semelhante ao bolsa-família,  para tornar-se guardião e   defensor do meio ambiente, mas, de forma alguma, mero espectador da natureza.

Quanto aos perigos de internacionalização da  Amazônia,  reage com a afirmação de serem os brasileiros, caboclos, índios, seringueiros e agricultores,  os maiores defensores  da soberania nacional.  A Amazônia deve ser desenvolvida, jamais estagnada.

Vai insistir

Pelo que transpira no governo, se abriu mão de revogar a Lei da Anistia, o presidente Lula insistirá na preservação, dentro do Plano Nacional de Direitos Humanos,  da criação de um conselho destinado a examinar o conteúdo da programação de emissoras de rádio  e televisão.  Tratando-se de uma concessão pública, telinhas e microfones precisam estar submetidos a algum tipo de controle, tendo em vista o volume das baixarias que assolam o país.  Renovar as concessões precisaria subordinar-se a um mínimo de postulados éticos, em defesa da população.

A tese continua polêmica quando se atenta para o fato de que esse tal conselho poderia ser manipulado pelo poder público, capaz de sujeitar suas decisões à linha  editorial  das emissoras. Em outras palavras, à boa ou má vontade dos noticiários para com o próprio governo. Um perigo.

A suicida deformação do processo trabalhista

Roberto Monteiro Pinho

A partir do ano 2000, por falta de uma identidade própria, a Justiça do Trabalho se transformou num laboratório de pesquisas jurídicas, provocando uma deformação altamente nociva à manutenção das relações do capital/trabalho, tamanha a canibalização dos textos de lei, com o propósito de atender a prestação alimentar do trabalhador, encerrando a lide para prestar contas ao TST, que segue norma do CNJ no controle do prazo para solução do processo. Este capítulo não pode ser visto isoladamente das agruras que enfrenta o próprio judiciário na sua estrutura, eis que sua geografia é deveras deformada, debilitada. Corroída no seu eixo central a JT padece do mal administrativo que infesta a maioria dos órgãos governamentais e o próprio judiciário. Este esforço ao preço de praticas lesivas, cria agravante causando efeito colateral na economia do país,  quadro em que o governo por pressão da sociedade civil, iniciou a partir das criticas a morosidade, bem após os julgadores da JT, terem arquitetaram este modelo de justiça, desenhada no Encontro de magistrados, organizado pela entidade de classe Anamatra, na cidade de Salvador, no ano de 2001.

No ano passado o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com objetivo de desafogar o judiciário, lançou o programa Meta 2, para julgar todos os processos distribuídos antes do ano de 2006, que acabou ficando pela metade, eis que segundo dados do CNJ até o dia 18 de dezembro quando o judiciário entrou em recesso, o projeto atingiu 54% das ações previstas, quando foram julgados 2,3 milhões, longe da meta de 4,4 milhões. Há muito nos operadores do direito detectamos uma endêmica anomalia no judiciário brasileiro, a voz de 1,5 milhões de bacharéis, assessores e advogados, não consegue superar a determinação de uma minoria de magistrados e serventuários, de manter posição antagônica ao ensejo deste segmento e também da sociedade.

Com a mesma morosidade em que tratam os processo na justiça, os integrantes dos tribunais, sofreram alguns revezes, o nepotismo é combatido através de enérgica medida, começando pelos integrantes dos órgãos de governo, Câmaras Municipais, Assembléias Estaduais e Congresso, recente, com a medida que faz marte da Resolução 102 do CVNJ, a Justiça terá a partir deste ano que informar como gasta seu dinheiro.

A volúpia do poder também está impregnada no judiciário laboral, que infelizmente experimenta toda sorte de injunções e praticas absurdas no trato do direito e da relação com as partes, mal que atinge inclusive o seu âmago, o hipossuficiente. Capitaneado pela morosidade, o judiciário brasileiro, (o que lhe vale severas criticas da sociedade), com maior preocupação o judiciário trabalhista, onde a execução convalesce na orfandade de texto legitimo, e por conseqüência se tornou um aberratio juris, porque neste capitulo concentram as mais absurdas, estapafúrdias e incabíveis praticas, em flagrante arrepio a texto de lei, até mesmo a violação da Constituição Federal. A exemplo do que ocorre no trato da questão dos Direitos Humanos, onde o governo pretende, sob posição antagônica dos seus próprios integrantes, estabelecer regras contestatórias do ponto de vista jurídico, as questões das vias legais institucionalizadas nos textos da CLT (com 922 artigos, dos quais a metade inócuos), faz a clonagem de má qualidade do Código de Defesa do Consumidor (CDC), que protege o pequeno empregador, a Lei Fiscal e titulos da CF, em seu artigo 7°, a magistratura rebelde da JT, estabeleceu um código paralelo utilizado no processo trabalhista.

Por conseqüência, este desarranjo estrutural, derruba a virtude sociológica emprestada ao trabalhismo, mergulhando este modelo exemplar de justiça, no obscuro mundo da discórdia e rebeldia, tendo como efeito negativo, a retração acentuada dos níveis de emprego no segmento do micro e pequeno negócio, (informação com base nos dados da Relação Anual de Informações Sociais – Rais do Ministério do Trabalho). Com 20% dos empregos formais do país, 1% menor que o emprego público responsável por 21% das ocupações formais brasileiras, cujos privilégios são incontestáveis, tamanha a nomenclatura de cargos e comissões gratificadas a JT é um sacrilégio ao contribuinte. A imigração de mão-de-obra formal para a informalidade, e a fuga inapropriada no processo executivo, com utilização de expedientes inaceitáveis, para se defender de execuções abruptas e sufocantes, formam um conjunto que desqualifica este judiciário laboral, colocando-o na berlinda dos causadores da desestabilização econômica. Para a uma justiça extremamente protecionista, mesmo se tratando de questões dissidiais aprovadas, deliberadas em Dissídio, ignorar o escrito é ironicamente questão de interpretação.

Dados oficiais de 2008 informam que o Brasil tem uma população de 189,604 milhões, neste ano havia um contingente de 39,441 milhões de trabalhadores com carteira de trabalho registrada, a maior parte concentrada na região Sudeste (20,386 milhões), e no Estado de São Paulo (11,713 milhões), com 7,3 milhões distribuídos nas regiões mais pobres, justamente onde residem o maior número de crimes contra o trabalho, com exploração de mão-obra-escrava de crianças e mulheres. Enquanto as autoridades do Ministério do Trabalho, Justiça do Trabalho, Ministério Público do Trabalho e Delegacias do Trabalho, privilegiam suas atividades nas duas regiões de maior número de formais, este mapa geográfico revela distorção da ação governamental, onde se verifica que a cultura de proteção ao trabalho é ostensivamente elitista, comodista e tem como visão o imediatismo da arrecadação fiscal, já que nessas regiões supra mencionadas, está o maior patamar de arrecadação de tributos do país. Na região desprotegida estão os tribunais nanicos da Justiça do Trabalho, alguns chegam a julgar no máximo 5 mil processos/ano. O resultado deste quadro anômalo é que a relação capital/trabalho é vista não como uma ação conjunta em prol do social e sim antagônica a este princípio, em razão da disseminação promovida pelos juízes trabalhistas, conforme comprovam as decisões processuais.

Excessos de leis e tributos contribuem para o caos

O fato é que o brasileiro está regulado por milhares de leis e artigos que desconhece e o resultado disso, na avaliação do presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, é uma grave contradição, pois o princípio básico do direito brasileiro diz que o cidadão não pode alegar desconhecimento da lei para se eximir de responsabilidade. Ele lembra que: “Além do esforço para consolidar a legislação, não podemos perder de vista a necessidade de tornar seu conteúdo compreensível“, para o dirigente o excesso de leis e códigos deixa o brasileiro confuso e o afasta da Justiça. Não bastando este fator, a sobrecarga de impostos cria um complicador de difícil equação, fazendo com que pequenos negócios operem sem condições de uma boa assessorai jurídica e tributária, se tornando refém de decisões do judiciário, e da gana fiscal. Assim conforme enfatizou o dirigente, “boa parte da morosidade da Justiça e dos conflitos jurídicos deve-se ao amontoado de textos legais”, e conforme nossa linha de texto, a ausência de um texto próprio para a o processo do trabalho, alem de permitir praticas delituosas ao bom direito, traz danos irreparáveis ao cidadão.

Relatório do Banco Mundial revela que vigoram no Brasil cerca de 3.000 normas tributárias, que são atualizadas com 300 modificações anuais, e em média, as empresas brasileiras pagam o equivalente a 71% do total do seu lucro líquido anual em impostos (22,4% em impostos diretos, 42,1% em tributos relativos à mão-de-obra e 7,2% em outras taxas e contribuições). Na América Latina uma das exceções é o Chile, onde a carga de impostos equivale a apenas 26% do total do lucro líquido aferido pelas empresas. No mesmo documento a revelação de que, “Brasil é o último lugar em ranking divulgado pelo Banco Mundial sobre o tempo gasto pelas empresas para manter em dia suas obrigações tributárias”. Segundo o IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário) as empresas brasileiras gastam cerca de R$ 20 bilhões ao ano para cumprir a burocracia exigida pelas autoridades fiscais no pagamento de mais de 60 impostos, taxas e contribuições a União, Estados e municípios, um melancólico “caos tributário”. Se por um lado o empregado enfrenta as agruras do governo, por outro na JT, experimenta o caos, tamanhas as práticas utilizadas neste judiciário.
Não foi de graça que o governo estimulou a aprovação EC n° 45/2004, ampliando a competência da especializada do trabalho, examinando seu texto este, trouxe um alento ao administrador público, desafogou a justiça federal, mas acabou inchando a JT com as novas execuções. Isso porque conforme determina: “VII – as ações relativas às penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos de fiscalização das relações de trabalho; VIII – a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, a, e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferi”. Na pratica equivale dizer que a estrutura que já era incapaz e com visível sinal de fadiga, após a EC 45, absorveu milhares de ações, que somadas às sentenças proferidas nas ações, acabou travando o andamento processual, aumentando os procedimentos e autuações. Muitos dos seus integrantes, apesar de saberem que este foi o meio político para sufocar um movimento pela extinção da justiça do trabalho, não diluem facilmente o fato de que o aumento da arrecadação do INSS, e a proximidade, (que antes não existia) dos membros do judiciário laboral com o governo federal, foi compensador, vez que hoje amargam a pecha de que são os responsáveis pela lentidão da JT.

Enquanto a magistratura do trabalho de forma geral, “pega pesado” contra o empregador, algumas questões de ordem celetista estão na pauta da discussão dos sindicalistas, a jornada de trabalho e da Ordem dos Advogados do Brasil OAB, o honorário de sucumbência, são questões periféricas. De acordo com a OIT, os coreanos figuram entre os que mais trabalham em todo o mundo, já os holandeses são os que menos horas dedicam à empresa. Na Espanha, trabalha-se acima da média européia, porém menos do que a média latino-americana, onde o México é o país com maior número de horas trabalhadas/ano, num total de 2.110 horas. De modo geral, os latino-americanos passam mais tempo trabalhando — 1.952 horas em média ao ano — do que os norte-americanos — 1.819 horas/ano no caso dos EUA. No Chile, esse número sobe para 1.974 horas anuais; em seguida, aparecem no ranking latino-americano a Colômbia (1.956), Venezuela (1.931), Argentina (1.903) e Brasil (1.841), que pode se igualar a França aprovando a jornada de 40 horas semanais. É bom lembrar que esta alteração no quadro de horas, deixará o empregador mais vulnerável quando enfrentar uma lide do trabalho, com o tópico de horas-extras.

Calúnia e difamação

Sergio Guerra e o PSDB anunciam: “Vamos processar a cúpula do PT, na esfera criminal”. É um direito, mas não obterão sucesso. O PT é que perdeu a chance de levar o presidente do PSDB ao tribunal criminal.

Motivo: o senador (que não gostou de ser chamado de jagunço, se julga intelectual), disse que no governo, “iremos reduzir os juros”. Como é que farão isso? Com FHC esses juros CHEGARAM A 44 POR CENTO, agora estão em 8,75. Mentindo deliberadamente e utilizando MENAS verdade.

Nova briga Minc e Ministra Dilma

Não é outro capítulo da luta entre o Ministro do Meio Ambiente e a Chefe da Casa Civil. Esse Minc é a sigla do Ministério da Cultura, que tenta refazer a “Lei Rouanet”. Como tudo que passa pela Casa Civil, é polêmico, incerto, duvidoso, mas autoritário.

Dois momentos de grande humorismo

Do “senador” Salgado, que nunca disputou eleição: “Qualquer decisão do PMDB, tem que passar por Temer”. Do ainda senador, correndo risco, Renan Calheiros: “Temos que fazer chapa única, aproveitando a unidade do PMDB”. Para os dois: Ha!Ha!Ha!

“Os odores do Haiti”

Quem publicou artigo com esse título foi José Sarney. Depois da Polícia Federal revelar que o grupo do senador “levava propina”, acreditei que seu artigo viesse com o título: “Os odores do Maranhão”. Os do Haiti têm o tom da tragédia, os do Maranhão, da farsa.

Zelaya-Celso Amorim

Foi assinado acordo entre Honduras e República Dominicana. Motivo: no dia 27, depois de amanhã, ele deixa a embaixada do Brasil, onde está “veraneando há quase 3 meses”. O acordo não saiu antes, porque o chanceler do Brasil queria que Zelaya ficasse na embaixada.

Esse Celso Amorim é o mesmo que presidiu a Embrafilme, nos anos 80. Nada parecido antes.

Os temporais atingem Serra?

As manchetes de todos os jornais (e da Internet) mostram que todo dia morre gente em São Paulo, por causa dos temporais. (Nada parecido com o Haiti). Muitos querem saber: isso atinge eleitoralmente a candidatura Serra? É possivel, é possivel, ele mesmo assustado.

Troca igualmente desvantajosa

Antonio Palocci, poderoso Ministro da Fazenda que foi demitido sem qualquer protesto, acaba de comunicar a amigos, que não disputará o governo de SP, coordenará a campanha de Dona Dilma.

Quer dizer, deixará de concorrer a um cargo sem a menor possibilidade de vencer. Em troca da volta a Ministro da Fazenda do governo de Dona Dilma, governo que não existirá.

Almir Barbassa, “financista” da Petrobras

Foi multado três vezes  pela CVM. Tem que pagar (pelo conjunto da obra) mais de 500 mil. Só que continua invicto. Quem pagou tudo foi a própria empresa. Ué, não é ele que cuida das finanças da empresa?

Empreiteiras associadas

Uma empreiteira, isolada e desacompanhada, já é um risco. Imaginem agora, que estão se juntando. Quem terá cacife para pagar as comissões? Bom mesmo é São Paulo, que chama as rodovias de MARGINAL. Homenagem a elas, que vem desde Ademar de Barros, consagradas por Paulo Maluf.

Obama-Wall Street

“Estou preparado para enfrentar a guerra contra os derivativos”. (Leia-se, jogatina). Depois do lobismo, essa é uma guerra que nenhum presidente venceu. Sem falar do Afeganistão, o novo Vietnã, e o repetido iraque.

Continuo apostando em mudanças nos 8 anos de Obama. Embora os EUA estejam na sua pior crise desde a “Guerra Fria”. 14 milhões de desempregados e uma população apavorada e restringindo suas compras, não é brincadeira.

Flamengo, dentro e fora do campo

Podia ter ganho facilmente, se complicou. Vencia por 1 a 0, Adriano jogou duas bolas seguidas na trave. E Wagner Love perdeu um gol feito, marcaria os outros dois. O arbitro inventou um pênalti para o Bangu, que pressionou e quase empata nos 10 minutos finais.

Um pouco mais tarde, na ESPN, Patrícia Amorim deu magnífica entrevista, entusiasmou. Articulada, convicta e compenetrada, mostrou a sorte do clube ao elegê-la. 40 anos, 4 filhos, vereadora, campeã carioca, brasileira e sul-americana de natação, respondeu tranquilamente, quando perguntaram, “não é muita coisa?”. O grande problema que não parece assustá-la: a dívida de 333 milhões deixada pelo tabelião que nunca trabalhou na vida.

Tenis: Del Potro, numero 4, eliminado

Mas que partida: 4 horas e 48 minutos, 46 games, 5 sets, só mesmo no ultimo game se soube quem era o vencedor (Marin Cilic).

Nadal passou por Karlovic, em 40 games, 3 horas e 4 sets. Mas teve que “assistir” o adversário marcar 36 aces, média de 9 por set. Amanhã Nadal e Murray se enfrentam, vai embora mais um dos 5 ranqueados.

Fim de carreira

54 senadoras acabam o mandato agora em 2010. Digamos que 27 se reelejam, o que farão os outros 27? Os que são da “base”, esperam a vitória de Dona Dilma, Ha! Ha! Ha! Os da “oposição”, acreditam que seus futuros como derrotados estão na vitória de Serra. Ha! Ha! Ha!

Início de carreira

Como há muito tempo digo que não acredito nela ou nele, muitos me perguntam, em quem acredito ou em quem votarei. Por enquanto em ninguém, o jogo para valer ainda não começou.

Só começará quando Lula “desencarnar” da continuação ou continuidade. E ele, para se transformar em presidenciável, pode se manter no cargo, a desincompatibilização não o atinge.

Por enquanto, pela seriedade, responsabilidade, ética e dignidade, escolheria Dona Marina, como escolhi Heloisa Helena em 2006, mas não votei.

O mesmo agora, ninguém se elege sem partido. Coisa que não diria há dois anos, mas digo hoje, conscientemente: votaria em Carlos Minc.

O atual prefeito de Paris, durante muitos anos vereador da capital, respondia aos que perguntavam porque não fazia carreira: “Quero ficar em Paris, é a minha cidade e a razão de viver”. Acabou prefeito, uma revelação.

Carlos Minc a mesma coisa. Dizia, “não quero sair do Rio”. Depois da fase da guerrilha, cumpriu a palavra. Ficou várias vezes como deputado estadual e secretário, até que foi chamado para Ministro. Em Brasília, ninguém conhecia Minc, achavam que Lula não sabia o que fazia.

Logo, logo Ministros, deputados e senadores, compreendiam quem era Minc e porque Lula o nomeara. O presidente faz escolhas medíocres, mas às vezes acerta. Minc mostrou coragem fora do comum, não fez concessões, brigou pelas coisas nas quais acreditava. Com tudo isso, não ganhou um milímetro de espaço eleitoral. Por causa da falência ou inexistência de partidos.

* * *

PS – Voltamos à República velha, à Revolução, (golpe), baseada na frase conceito: “É preciso acabar com o privilégio odioso, dos ocupantes do Catete (na época) escolherem seus sucessores”.

PS 2 – Vargas, que aparentemente era o chefe dessa revolução (golpe), não indicou ninguém, ficou ele mesmo 15 anos. Depois desses 15 anos ditatoriais, sempre houve golpe, vencido ou vencedor.

PS 3 – Finalmente, com tanta exploração eleitoral e política, FHC trilhou uma nova linha: a REEELEIÇÃO para quem estava no Poder, ele mesmo. Tentou continuar, não deu, Lula foi seu “herdeiro”. Ficou 8 anos e também tenta continuar. Que República.

Sempre contra Dilma

Nilsa Monteiro
“Helio, por que você não gosta da Chefe da Casa Civil? Nunca li uma nota tua a favor dela. E não perde oportunidade de criticá-la. Poderia explicar?”

Comentário de Helio Fernandes
Pessoalmente, nada contra ela. Jamais estive perto, portanto não a conheço nem por telefone. Mas como candidata a presidente, Deus me livre, tanto quanto peço para me livrar de José Serra. Se ela chegar a presidente, será a pré-ditadura, a entronização (isso mesmo) do autoritarismo. E o terrorismo de “esquerda” ficará ainda mais poderoso.

Hipocrisia tripla

Não gosto de baixaria, mas falsidade provoca a mesma reação. Exemplo: a foto que saiu em todos os jornais, de Lula, Serra e Dilma, juntos e se esbaldando, que palavra, de tanto rir.

Lula e Serra, tudo bem, um é presidente, inaugurando obra em São Paulo, terra de Serra. E Dona Dilma, o que fazia ali? Campanha eleitoral, claro, embora ainda não seja candidata. E se for, terá o protesto (velado, lógico) do próprio partido. Que não reconhece nela, uma petista.

“Não tenho nada com isso”

Lula chamou Sergio Guerra, presidente do PSDB, de “babaca”. Chulo, mas planejado. Pediram a FHC para responder, respondeu, “de maneira alguma”. É a tradicional falta de coragem do “sociólogo”. Depois, para se justificar, explicou: “É isso que ele quer, eleição plebiscitária, aproveitando o poder”

Usineiros não são mais heróis?

Ano passado Lula disse que eram, nunca foram. Quando o produto líquido (álcool) estava mais valorizado, produziam. Houve inversão no mercado, o sólido (açúcar) paga muito melhor, mudaram, são capitalistas.

Podiam ser progressistas ou reacionários, desde Gilberto Freire se sabe que a segunda espécie é maioria absoluta. Em vez de recomendar “não abasteçam os carros com álcool”, devia reler o autor pernambucano do qual o senhor tanto gostava.

Cartórios não deviam produzir milionários

Desde os tempos do Diário de Notícias, defendia: os cartórios deviam pertencer aos governos estaduais e municipais. Minha justificativa: os governos criam obrigações para o cidadão, e o produto dessa exigência vai para particulares, que enriquecem sem trabalhar.

Agora descobrem que “quase 8 mil desses cartórios estão irregulares”. São todos, deviam pertencer ao próprio estado e município. Aí, ficariam regulares.

Lembranças do volei de 1994

No jogo de ontem, entre o time carioca e o paulista, o Sportv teve a boa idéia de passar um vídeo da primeira grande conquista, que imortalizou a “geração de prata”.

William e Bernardinho, na quadra, 16 anos depois, técnicos e se enfrentando. William, craquíssimo como jogador, generosamente: “Bernardinho é o melhor treinador do mundo”. Não exagerou.

Sempre as Williams

Serena já ganhou três jogos, agora às 11 horas (do Brasil), Vênus venceu a terceira. Sofreu bastante no tiebreak. Se ganharem mais dois jogos, se enfrentarão na semifinal. E uma delas será mais uma vez finalista.

Todos contra Dona Dilma, dentro e fora do governo. Mas por que ficariam a favor? Ela mesma se encarrega de negar, confundir ou irritar “amigos”

Até as pedras da rua sabem, (Rui Barbosa) que Palocci vai comandar a campanha dela. Sem esse “alento” negativo já estava difícil, adivinhem como ficou? Palocci foi denunciado por corrupção quando prefeito, demitido violentamente pelo próprio Lula, fulminado pelo Supremo na questão da denúncia do caseiro, puxa, não tem nenhum ponto positivo? Entao, por que ele?

Lula apreensivo

O próprio presidente tem perguntado não tão discretamente: “O que esse Jobim vai querer depois da desincompatibilização?”. A situação do Ministro piorou depois que ele “vazou” o relatório sobre os caças.

Não foi Lula que nomeou “esse Jobim”? Acreditem: com todo o descaramento, sem constrangimento ou arrependimento, sobrou para ele uma cadeira de deputado. Aceita. Quer ficar no jogo. Sempre tido como morto, ressuscitou quatro vezes.

Lula,personalidade, vá lá,
mas ESTADISTA, é exagero

Pela movimentação e relacionamento com as maiores figuras do mundo, Lula poderia ganhar mesmo o prêmio que ganhou. Mas surpresa que está no título: ESTADISTA?

Paulo Bernardo, sem votos
mas com prestígio no governo

Já está resolvido: no final de março, início de abril, deixará o Planejamento, mudará para a Casa Civil. Explicação: não disputará nenhum cargo em outubro.

Mas não é dedicação e sim falta de votos. Em 2006, ele e a mulher tentaram tudo no Paraná, não conseguiram nada. Em 2010, “repeteco”, que se mantém. Com a expectativa de mais 4 anos, se Dona Dilma se eleger. Até agora, só quem tinha garantia, eram os terroristas de “esquerda”. Bernardo é “direitíssima”, mas não atrapalha.

Desespero

O Ministro do Trabalho, olha para o calendário com extrema preocupação. Deixará o cargo, para quê? Carlos Lupi não quer ser deputado, talvez se elegesse. Com Brizola, foi duas vezes candidato ao senado, onde está o mandato?

O presidente Lula, que gosta tanto de dizer, “eu não sabia de nada”, sabe tudo sobre a insuficiência de “sua” candidata. Na verdade, só é candidata dele mesmo e dos terroristas de “esquerda” que até pouco tempo não tinham muita afinidade com o presidente.

Agora dominam tudo, e é preciso compreender: jogam a sobrevivência. Estão no meio dos 60 de idade, se não ganharem com ela, perdem o último trem para Berlim. Lula tem certeza que impõe Dona Dilma ao PT e até mesmo à base, mas com protestos gerais. Só que todos acovardados.

* * *

PS – Em suma: em matéria sucessória, não há suma. Ao contrário dos terroristas de “esquerda”, Lula não desiste da continuação. Não esconde que se conseguir o terceiro mandato, sua permanência no Poder, será i-n-i-n-t-e-r-r-u-p-t-a.

PS 2 – Se não conseguir o terceiro, e se Dona Dilma não ganhar (não ganha mesmo) não perderá uma noite de sono. E não precisará tomar Kawa-Kawa, como FHC. Tranquilo, dormirá o sono dos injustos.

No reino da baixaria

Carlos Chagas

Estarrecido, ninguém ficou. Nem mesmo chocado. Faz muito que o singular vocabulário político do presidente Lula ultrapassa as  regras mínimas do vernáculo. Não vamos repetir os  anteriores substantivos e adjetivos pronunciados por Sua Excelência ao longo de seus improvisos, bastando  ficar no mais recente. Para ele, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, é um “babaca”.

Como o senador por Pernambuco havia, um dia antes, chamado Dilma Rousseff de “mentirosa”, se não ficam elas por elas, é quase isso, ainda que o tucano tenha sido mais parcimonioso em sua baixaria.

É assim que se vai desenvolver a campanha sucessória. Pode ser que José Serra pretenda poupar-se, mas se falam por ele companheiros menos educados, dá no mesmo.

Essas coisas costumam pegar mais do que sarampo. Ainda estamos em janeiro e a exacerbação de conceitos traduz a insegurança daqueles que os emitem. Porque nem Sérgio Guerra tem certeza do sucesso da  candidatura do governador de São Paulo, nem o presidente Lula arrisca imaginar a vitória de sua candidata. Sendo assim, a  reação dos dois grupos em choque torna-se lamentável, porém inevitável: esperam vencer a eleição menos pelas qualidades e o programa de seus indicados, mais pela virulência com que expõem o adversário.

Nem sempre foi assim, mas na maioria dos casos, foi. Quem não se lembra de que Jânio Quadros agitava,  nos palanques, um bambu com um rato morto pendurado na ponta, dizendo tratar-se de Ademar de Barros. Ou que este, de seu turno, balançava o corpo de um gambá, com as mesmas intenções. Na primeira eleição direta depois do regime militar, Fernando Collor anunciava que  Luiz Inácio da Silva confiscaria a poupança da classe média,  ao tempo em que mandava vestir de mendigos uns tantos correligionários para percorrerem as portarias de luxuosos prédios de apartamento em Copacabana, Ipanema e Leblon, alardeando estarem escolhendo para onde se mudariam  depois da expulsão de todos os proprietários, com a posse do Lula. O primeiro-companheiro, por sua vez, acusava o adversário de farsante e de marionete de usineiros e industriais. Fernando Henrique, faça-lhe justiça, foi mais moderado em suas duas campanhas, mas o Lula bateu firme, abaixo da linha da cintura.

Pelo jeito, vamos assistir a  um vídeo-tape dos piores momentos de sucessivas disputas eleitorais anteriores,  ignorados até agora o programa de   Dilma Rousseff  e os planos de governo de José Serra…

Reaberta a crise

A crise do governo com o PMDB foi reaberta pelo presidente Lula ao insistir em receber do partido uma lista tríplice de  possíveis candidatos a companheiro de chapa de  Dilma Rousseff,  em vez da indicação única do deputado Michel Temer.  A exigência foi transmitida à imprensa por dois  ministros,  menos de um dia depois de  dirigentes  do PMDB decidirem antecipar a convenção que reelegerá Michel Temer para presidente do partido, como forma de reforçar seu nome e  mostrar que mandam.

Parece briga de cabo de guerra entre o  Juquinha e o Zezinho.

Para o presidente Lula, é inadmissível essa “imposição dos aliados” porque, afinal, diz ele, será Dilma Rousseff a escolher o candidato a vice. Trata-se, sem dúvida, de uma ficção, porque todo  mundo sabe que ela apenas  cumpre ordens. O primeiro-companheiro gostaria de um peemedebista  com densidade eleitoral, capaz de agregar votos, predicado de que Temer carece. Um nome “mais competitivo” seria o ideal para o governo, mas o perigo, se a insistência na lista tríplice continuar, é de o PMDB rachar e favorecer, já na convenção de 6 de fevereiro, a candidatura própria do partido, no caso,  Roberto Requião. Pelo menos quinze diretórios estaduais estariam dispostos a reafirmar a indicação do governador do Paraná para a próxima e decisiva  convenção de junho.

Só intervenção federal resolve

Desmoralizou o que restava das instituições democráticas a  manobra dos aliados do governador José Roberto Arruda na Câmara Legislativa de Brasília. Deputados governistas extinguiram a CPI que investigaria a roubalheira por eles mesmo praticada, depois que um juiz determinou o afastamento dos envolvidos na tarefa de investigar as denúncias.  Sequer o pivô da lambança, o ex-secretário e cineasta  Durval Barbosa será mais ouvido, primeiro passo para a elucidação do escândalo.

A intervenção federal seria a única forma de restabelecimento da ética na capital federal, mas o presidente Lula nega-se a admitir a hipótese, mesmo constitucionalmente possível e  justificável.

Enquanto isso o governador Arruda continua no cargo, sem que mesmo os pedidos de seu impeachment tramitem na Câmara Legislativa.  Apesar de ninguém desejar a volta ao passado, há quem se refira à indignação geral com apenas uma pergunta: “já imaginaram o que teria feito o general Ernesto Geisel diante de tudo isso?”

Ficam todos até o último dia?

Uma questão envolve Brasília, depois da primeira reunião ministerial do ano. Será que todos os ministros que são candidatos às eleições de outubro cumprirão  a ordem do presidente Lula para  permanecerem  em seus postos até o limite máximo para as desincompatibilizações, dia 4 de abril? Muitos necessitariam mergulhar bem antes nas preliminares das campanhas para governador. Estão perdendo tempo enquanto as diversas forças estaduais aumentam as cobranças e aguardam as definições.

Desde que nenhum ministro ouse descumprir a fala do trono, o resultado poderá ser lamentável para a administração federal. Porque mesmo continuando ministros, estarão dando de ombros para suas tarefas formais.  Estarão nos  estados.  Os ministros das  Comunicações, Helio Costa, e dos Transportes, Alfredo Nascimento,  sequer compareceram à reunião do ministério. Pensam muito mais nas campanhas em Minas e no Amazonas. É possível que um ou outro mais rebelde formalize o afastamento, mas afastados, mesmo, desde já,  estarão quase todos os candidatos.

Volume das dívidas é quase o da massa de salários

Pedro do Coutto

Se, como o Jornal do Comércio publicou na edição de 19 de janeiro, a dívida média dos brasileiros é de 2732 reais per capita, o endividamento total, multiplicando-se o per capita pelo número de habitantes, passa de 500 bilhões para uma massa de salários em torno de 700 bilhões de reais. Para calcular a massa salarial, pode-se multiplicar a receita do FGTS no ano passado, de 47 bilhões, por 12,5 vezes, já que os empregadores recolhem ao Fundo de Garantia 8 por cento de suas folhas de vencimentos. Mas existem os funcionários públicos estatutários que não têm FGTS. Mas recebem salários, é claro. Calculemos algo em torno de 100 bilhões por ano. Chegamos assim a um cálculo razoável que conduz aproximadamente a 700 bilhões. Assim, as dívidas representam 70 por cento (mais de dois terços) da massa de salários. O problema é saber como os que fazem dívidas conseguem arcar com o peso dos juros cobrados pelos bancos e pelo comércio. Tem que haver uma explicação lógica. Só pode estar no giro dos créditos, produzindo uma moeda escritural paralelamente ao papel moeda circulante. Inclusive porque o consumo encontra-se aquecido no país. No caso do crédito bancário pessoal os juros médios são de 5,1 por cento ao mês. A taxa de inflação levantada pelo IBGE para o ano passado foi de 4,3 por cento. Logo os juros mensais cobrados pela rede bancária são praticamente 12 vezes maiores que o índice inflacionário. É só fazer as contas. A Selic, através da qual o governo remunera os bancos pelo giro da dívida interna que atinge 1 trilhão e 400 bilhões, é de 8,75 por cento ao ano. Pelo saldo devedor nos cheques especiais o mercado paga 8,79 por cento, ao mês.

Um mistério o fato de a população suportar o peso das taxas de juros. A explicação pode ser difícil. Mas tem que se encontrar em algum plano concreto. Inclusive os reajustes salariais nem de longe acompanham os juros cobrados. Os do comércio, na verdade, acompanham os dos bancos. A tradução só pode estar na elasticidade do crédito, embora diminuída em sua flexibilidade pelo crédito consignado através do desconto em folha. Neste caso, os juros podem ser de 2 por cento ao mês. Mas, mesmo assim, passam de 24 por cento ao ano, em face dos montantes, superando em várias vezes os reajustes de vencimentos. O salário mínimo, no governo Lula, vem superando a inflação oficial. Só ele, os demais salários empatam. Mesmo assim, suas revisões anuais ficam muito distantes da cobrança dos juros. Tudo isso faz do Brasil, nosso país, algo singular. Os dados a respeito do endividamento publicados pelo Jornal do Comércio são insuspeitos. São do Banco Central. O consumo, inclusive, vem avançando na mesma proporção do crescimento das dívidas. A inadimplência mantém-se baixa. Os brasileiros são bons pagadores.

A roda da economia continua em circulação e o prestígio do governo Lula é crescente. Logo, o endividamento não é uma preocupação marcante para a população. Sempre surge uma perspectiva. Talvez esta perspectiva seja a capacidade de o endividamento ser absorvida não por uma pessoa, média per capita teórica do Banco Central, mas sim por unidade familiar. Seja como for é notável o seu volume que, inclusive, se ajusta ao índice de bem estar da população. A grande maioria está satisfeita com os padrões obtidos e com a vida que leva. Apesar de tudo. Inclusive da violência urbana que coloca sob ameaça todos os que se deslocam para o trabalho e para o lazer nas grandes cidades. Há trinta anos atrás, o então ministro Delfim Neto anunciou o milagre brasileiro. Aqui está ele visível e sensível nos dias de hoje. Eis aí um tema interessante.