TSE: prazo para publicar relação de candidatos termina amanhã

Pedro do Coutto

Termina amanhã, sexta-feira, dia 3, o prazo para que a Justiça Eleitoral, portanto o TSE, publique a relação de todos os candidatos habilitados no país para as eleições de 3 de outubro. A tarefa não é nada simples, pelo contrário. Muito complicada em face do número acentuado de impugnações apresentadas junto aos Tribunais Regionais. Muitas aceitas, outras rejeitadas por falta de motivo ou de provas. Em anbos os casos, cabe recurso do Tribunal Superior Eleitoral. E aí é que está o problema. Isso porque, de acordo com o texto explícito do parágrafo 5º do artigo 12 da Lei Eleitoral, lei 9504 de setembro de 97, o TSE tem prazo até atrinta dias antes do pleito para organizar e publicar as relações dos candidatos. Este prazo, improrrogável pela legislação, acaba exatamente sexta-feira, dia 3. Como enfrentar o desafio e resolver todas as questões pendentes?

São centenas, pelo menos. A mais emblemática: o registro de Paulo Maluf, como candidato a deputado federal pelo PP de São Paulo. Para as urnas do mês que vem, apresentaram-se pouco mais de dez mil candidatos à presidência da República, governos estaduais, Senado, Câmara Federal e Assembléias Legislativas. Foram colocadas cerca de duas mil impugnações. Destas, os Tribunais Regionais aceitaram em torno de quinhentas. Mas não concluíram os trabalhos, uma vez que em vários estados permanecem dúvidas na primeira instância. Assim, não respeitaram outro prazo legal – o artigo 16 da mesma lei – que estabelece que deveriam ter remetido ao Tribunal Superior as relações de cada unidade da Federação a 45 dias antes das eleições. Esse prazo, não respeitado, terminou a 16 de agosto. Estamos a 2 de setembro. Como vai ficar o emaranhado de problemas? Qual o destino dos recursos?

Em primeiro lugar, os atingidos recorrem ao próprio TRE que os vetou. Perdendo, tentam o rumo do Superior. Mas, como é provável, é possível que os recursos não sejam aceitos. Nesta hipótese, terão, primeiro que recorrer contra o indeferimento. Se acolhido, então o TSE examina o mérito da questão, ou seja, o seu conteúdo. Se a passagem para a candidatura não for aberta por medida liminar, os impugnados vão procurar ultrapassar as portas do Supremo Tribunal Federal. Mas estas estão blindadas. O artigo 121 da Constituição Federal define que as decisões do TSE são irrecorríveis, salvo se a questão envolver matéria constitucional e não apenas legal. É muito difícil que o STF aceite quaisquer recursos, até porque torna-se praticamente impossível à Corte Suprema examinar quinhentas ou mais ações antes de 3 de outubro. A lógica, portanto, conduz à rejeição. No caso, uma negativa em massa. A perspectiva de liminar assim é mais que remota.

Já existem duas. Uma do ministro Henrique Neves, do TSE, habilitando Anthony Garotinho a concorrer; outra do ministro Gilmar Mendes, no STF, liberando a candidatura à reeleição do senador Heráclito Fortes. Heráclito Forte, acentue-se, não está bem, segundo o IBOPE, nas intenções de voto no Piauí. Mas esta é outra questão. O fato é que os dois casos são exceções até agora.

Um complicador que existe a mais em toda a teia de dúvidas está na necessidade de os partidos ou coligações terem que substituir os candidatos considerados inelegíveis. Está no artigo 13 da lei 9504. As substituições terão que ser realizadas dentro de dez dias após a sentença. Mas como as relações completas dos candidatos efetivos e definitivos poderão estar publicadas até a meia noite de amanhã? Um caso difícil. Talvez impossível. Qual a saída?

Um voto magistral

José Carlos Werneck

Deixando as razões políticas de lado, como devem ser as decisões judiciais, sob o ponto de vista eminentemente técnico e respeitando as normas jurídicas consagradas no Direito Constitucional das grandes democracias, o voto do Ministro Marco Aurélio, na sessão do TSE, que julgou a impugnação da candidatura de Joaquim Roriz ao Governo do Distrito Federal, foi uma verdadeira lição de Direito.

Marco Aurélio ateve-se, única e exclusivamente à questão maior e a principal garantia do Direito, a Anterioridade da Lei, sem a qual a estabilidade democrática passa ser uma mera ficção, modificada casuisticamente, de acordo com o humor das facções, que ocupem eventualmente o Poder, de forma arbritária e desordenada, abrindo sérios precedentes e pondo em risco a própria Democracia.

O magistrado deixou de lado, os detalhes, por vezes até mesmo verdadeiros e irrefutáveis, as louváveis preocupações de ordem moral, os excelentes propósitos do chamado “Projeto Ficha Limpa”, para ater-se a questão maior que é a manutenção da ordem jurídica, garantia da extensão da aplicação das normas de Direito a todos os jurisdicionados.

Ninguém em sã consciência pode ser contra aos louváveis e benéficos propósitos do Projeto Ficha Limpa, mas acima dele estão garantias constitucionais, que jamais poderão ser desprezadas. O projeto é excelente e deve ser definitivamente incorporado a legislação brasileira e posto em vigência nas eleições municipais de 2012. Aí sim não haverá quaisquer questionamentos jurídicos sobre sua imediata aplicação.

O ministro Marco Aurélio, repito, proferiu um voto eminentemente técnico, alicerçado nos princípios mais nobres do Direito. Não defendeu o titular da candidatura impugnada, mas o sagrado princípio da anterioridade da Lei.

Marco Aurélio não se deixou seduzir pelos holofotes da mídia, nem pelo clamor popular. Agiu estritamente, de acordo com suas convicções e com a isenção que deve nortear os magistrados. Procedeu de certa maneira de acordo com aquela máxima de Voltaire, tão cara aos profissionais da Imprensa e aos ativistas políticos, amantes da Liberdade de Expressão: ”Não concordo com uma só palavra do que dizes, mas lutarei até o fim pelo direito de pronunciá-las”.

Quando no futuro alguém quiser explicar aos estudantes desta belíssima carreira que é o o Direito, o que é, Reserva Legal, Anterioridade da Lei e Direito Adquirido, o voto solitário e corajoso do eminente ministro Marco Aurélio, na sessão de 31 de agosto de 2010, do Tribunal Superior Eleitoral, obrigatoriamente será lembrado.

Secretário da Receita Federal: “Estou constrangido e envergonhado”

E tem que estar mesmo. Seu órgão, que é responsável pelo sigilo de todos os brasileiros, foi violado de forma humilhante. Não interessa que tenha sido para DOSSIÊ ou para COMPRA e VENDA. Essas opções precisam ser punidas.

Mas cabem também duas observações. Por que uma agência da Receita, em Mauá, tem todas as declarações sigilosas das mais variadas pessoas?

E quem quer quebrar o sigilo do Sr. Luiz Carlos Mendonça de Barros? Sua vida pública de irregularidades é mais do que notória. Associado ao manipulador, jogador e especulador Nagi Nahas, deu prejuízo a milhares de pessoas, explodindo a Bolsa do Rio.

Além do prejuízo individual, atingiu profundamente o Estado do Rio. A Bolsa daqui, a mais importante do Brasil, desapareceu. Agora só existe a de São Paulo.

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PS – E há mais e muito mais grave. Ministro de FHC, suas irregularidades foram de tal ordem, que teve que ir depor no Senado.

PS2 – Pedro Simon, da tribuna, apelava para “Mendonça de Barros renunciar”. Simon dizia a ele: “O senhor ficaria em situação muito melhor”.

PS3 – Não se passaram 15 minutos, chegou a notícia: o presidente demitira o Ministro. Entrou no cargo, saiu do Senado já sem direito ao carro oficial  foi a pé mesmo.

Cabralzinho: imoral e anti-ético

Por consequências da campanha, do tipo de acordo a que foi obrigado, Fernando Gabeira está praticamente isolado. Candidato de renovação moral, política e eleitoral, não pode ser “apoiado” por Marcello Alencar e César Maia. Além do mais, não tem dinheiro para coisa alguma.

Ninguém acompanha o candidato a governador. Só uma exclusão: Paulo Pinheiro, boa figura, deputado estadual, candidato à reeleição. Gabeira tem se limitado a fazer visitas de surpresa a hospitais, todos, mas todos mesmo, em estado de calamidade pública. E Paulo Pinheiro, que já dirigiu o Miguel Couto, com ele.

Cabralzinho faz então o seguinte: lê a agenda de Gabeira, manda seguranças para lá, impede as filmagens. A campanha de Gabeira passou a fazer o seguinte: anuncia uma agenda e faz o contrário.

Ontem á tarde os seguranças de cabralzinho foram para o Hospital Rocha Faria, em Campo Grande, o anunciado, mas Gabeira visitou o Hospital Carlos Chagas, em Marechal Hermes. E filmaram a esculhambação, perdão, a rotina vergonhosa.

Doentes mentais em macas nos corredores, falta completa de higiene no hospital inteiro, dependências imundas, bicas sem água, tudo será mostrado na televisão nos próximos dias.

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PS – Quando cabralzinho soube, mandou os seguranças para lá, mas todo já havia sido documentado.

PS2 – Quando soube que não ia conseguir IMPEDIR o trabalho dos profissionais, cabralzinho partiu para o seu normal: PALAVRÕES.

Ps3 – E mandou apurar quais foram os responsáveis pelo fracasso da perseguição. Pânico à vista e punição a caminho.

Serra e Matarazzo, a festa dos 8 anos da “publicidade”

Na verdade, embora não tenha royalties sobre a palavra TROGLODITA, fui o primeiro a utilizá-la jornalisticamente, e lógico, minha referência era o então presidente FHC comprando a reeeleição à vista, com dinheiro que não tinha. Ele não respondeu nada, apenas reforçou o que já fazia: perseguiu a Tribuna da Imprensa, que ficou 8 anos (mais 8) sem qualquer publicidade.
É certo que FHC não agia sozinho. Quem distribuia essa publicidade, era o senhor Andrea Matarazzo, ligadíssimo a Serra Ministro. Que mandou o amigo para a Itália como embaixador. Ele foi embaixador não pelos títulos ou credenciais, mas sim pelo sobrenome.
Nessa oportunidade, um Ministro, (sem autorização deste repórter), falou com Matarazzo, este respondeu: “Puxa, não sabia disso, sou admirador do Helio e do seu jornal”. Não aconteceu nada, o jornal continuou discriminado. Realmente não sei se Serra e Matarazzo agiram em conjunto ou se Serra VETOU. Ele podia tudo, e é um portento em matéria de falsidade, embuste, falta de credibilidade.
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PS – Por causa disso, como Serra se dizia filantrópico, o senador Waldeck Ornelas, da Bahia, da tribuna, fez o jogo de palavras: “Serra não é FILANTRÓPICO e sim PILANTRÓPICO“. Nenhuma resposta.
PS2 – Na Constituinte, Serra queria acabar com o cargo de vice-presidente. Mas como era apenas para fazer figuração,não apresentou nenhuma solução para substituir esse cargo que pretendia eliminar.
PS3- Mais tarde, senador, deixou o suplente-financiador 7 anos e meio no cargo, enquanto se divertia como ministro. E suplente é muito pior do que vice-presidente, aceito em quase todos os países presidencialistas do mundo ocidental.
PS4 – Agora, presidenciável pela segunda vez, esquece as “convicções” constituintes, aceita um vice sem história, sem passado, sem prestígio e seu futuro.

Constituinte exclusiva

É um absurdo, audácia, afronta. Se vingar agora essa idéia, poderão recorrer a ela, toda vez que sentirem que a Constituição em vigor está impedindo o favorecimento de interesses escusos. Embora tenha que reconhecer, as elites empresariais não podem ser mais favorecidas do que têm sido. Com todas as Constituições.

Se fosse uma Constituinte exclusiva para a REFORMA PARTIDÁRIA, abriria mão da minha revolta e protesto por causa de uma constatação e uma conclusão. As cúpulas partidárias jamais irão reformar coisa alguma. A única que pretendiam assustou a essas mesmas cúpulas, por ser degradante: o VOTO DE LISTA.

Todos sabem o que significa isso. Colocam nomes (quantos bem entenderem nessa tal de lista), o cidadão-contribuinte-eleitor vota na legenda e não nos nomes. Este já estão na “cabeça” da chapa, não têm nem mesmo o risco ou o trabalho da campanha.

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PS – Sem a reforma partidária, não haverá representatividade, autenticidade, credibilidade. E sem o preenchimento desses três itens, o país será dominado pelo que existe de pior.

PS2 – Nem preciso enumerar os setores a serem eliminados e os incluídos nessa indispensável reforma partidária. Mas é preciso ressaltar, registrar, ressalvar: não se pode convocar Constituinte a qualquer dificuldade.

PS3 – Quem tem Poderes para convocar uma Constituinte, como chamam de DERIVADA? Mestre Afonso Arinos deixou aulas magistrais sobre o assunto. Por que não aproveitar.

Conversa com Paulo Sérgio, que deve estar lendo alguém com nome parecido ao meu

Paulo Sérgio:
“Sou teu assíduo leitor, mas não entendo por que você está contra a candidata Dilma, lembro quando você elogiava sua candidatura”.

Comentário de Helio Fernandes:
Agradeço pela assiduidade da leitura, mas acho que você anda lendo alguém com nome parecido. Desde que surgiu a “ideia” de lançar seu nome, fiquei contra e não podia mesmo ficar a favor.

Sua falta de credenciais, a mistificação a respeito do próprio currículo, a mentiralhada sobre a “tortura de três anos seguidos”, tudo foi criticado aqui com insistência.

Pior do que ela, só o Serra. Dilma vai ganhar, mas com o meu protesto, desde que amanheceu. E que só faz escurecer com a catástrofe (palavra que repito) que se aproxima com a sua posse.

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PS – Posse sem vitória, Paulo Sérgio, ela é candidata única com a máquina despejando votos, perdão, “votos”.

Belluzzo e o desperdício no Palmeiras

O clube devia 53 milhões ao Banco de Minas Gerais (BMG). Belluzzo, se julgando o “cara”, resolveu fazer alguma coisa. Conversou com o presidente do banco, passou a dever 72 milhões. Só que aumentou o prazo para pagamento, como se isso fosse vantagem.

Belluzzo, que sem nenhum exagero, é considerado pela oposição e pela situação, como um dos piores dirigentes da história do clube, é criticado administrativa e esportivamente. A única divergência: não conseguem identificar se ele é pior dentro de campo ou fora dele.

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PS – Não foi um ano bom para Belluzzo, que em 1987 esteve em Cuba, numa delegação de 63 pessoas, incluindo Lula, que se preparava para a primeira derrota presidencial.

PS2 – Em janeiro/fevereiro deste 2010, Belluzzo se preparou para assumir o Banco Central. Tinha até aval do FMI.

PS3 – Só que esse órgão preferiu manter Meirelles até meados ou o fim de 2011. Não é que desconfie do economista do Palmeiras, “Meirelles é de casa”. Ha!Ha!Ha!

VARIADAS, com Mano Menezes, Ganso e Neymar, Temer, Odebrecht, Lula, Netinho de Paula, “Reader’s Digest”, Muricy e Washington

Excelente o que Mano Menezes falou no “Bola da Vez” (da ESPN) sobre a operação do Ganso. Contusão lamentável para ele e para a seleção. No momento ele é insubstituível na seleção. ***  O treinador da seleção devia fazer um apelo para “não baterem tanto no Neymar”. Ele não pode pegar  a bola, os árbitros geralmente não marcam nada.  ***  Michel Temer, na declaração de renda, omitiu imóvel de 2 milhões e 200 mil. Flagrado, justificou: “Foi erro de digitação”. Só podia ser, quem iria desconfiar de um jurista desse porte?  ***  O dinheiro faz milagres. Emilio Odebrecht, dono da poderosa empreiteira e agora também administrador de estádios de futebol, “aprendeu” a escrever em jornal. Estamos em plena República do Faz de Conta, perdão, do ghost-writer.  ***  De Lula sobre órgãos de comunicação: “Nunca vi gostarem tanto de notícia ruim”. Lula devia examinar os fatos antes de falar. Nesse ponto os jornalões não são os culpados, e sim o próprio público que “prefere” notícia ruim. Durante a Segunda Guerra, foi fundada nos EUA, a revista “Reader’s Digest”, para dar só “notícia boa”. Subiu e fechou, o público “achava” que notícia boa, “cansa”.  ***  Constatação de senadores sérios: “Se o Netinho de Paula for eleito, o Senado ficará engraçadíssimo”. Mais ainda?  ***  Muricy não podia deixar o Washington bater o pênalti. O jogador tem um “trauma” antigo, perdeu um pênalti na primeira passagem pelo próprio Fluminense. Muricy não conhece história esportiva e do clube que dirige?

Roriz condenado e ultrapassado

Continua dizendo: “Vou ganhar todos os recursos e me eleger novamente”. Diz isso constrangido, sabe que o problema dele não é mais de tribunal de justiça e sim do tribunal do povo.

Agnelo Queiroz, que em 2006 perdeu o Senado para ele por pouca diferença, agora está ganhando, e a vantagem só faz aumentar. O ex-governador “quinhentas vezes”, garante: “Me recupero logo”. Ha!Ha!Ha!

Fala na filha e em Maria Abadia, a filha nem existe política e eleitoralmente, a “rejeição” de Maria Abadia, igual à de Roriz. Brasília finalmente, esperançosa.

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PS – FUC louco para aparecer e se exibir, fez o que o candidato não queria: apareceu, deu “conselhos”. Na verdade, na altura da eleição, Serra não tem mais jeito. O que deveria ter sido o tipo de “alavanca” para Serra desaparecer o mais possível.

PS2 – Como ele é o antivoto e antipopular, devia ter ficado fechado em casa, Aparecendo, sua chance vai desaparecendo.

Basta pedir para entrar

Carlos Chagas

Tem gente fazendo tempestade em copo d’água a partir da notícia de que o presidente Lula pretende formar uma frente de partidos de esquerda para neutralizar a influência do PMDB no governo Dilma Rousseff.  Integrariam essa frente o PT, o PSB, o PDT, o PC do B, o PRB e penduricalhos.

Por conta dessa suposta ameaça movimenta-se o deputado  Michel Temer, vice de Dilma, interessado em desmentir a versão de que o PMDB  dividirá o poder com a nova presidente, exigindo ministérios aos montes para garantir maioria no Congresso. Embora o próprio presidente do partido tenha convidado seus integrantes a “dividir o pão”, interessa-lhe evitar reações e confusões, pelo menos até a eleição.

Parece estar faltando experiência aos peemedebistas. Bastaria que lembrassem a malícia de Tancredo Neves para  encerrarem esse novo capítulo no relacionamento com o governo. Porque, governador de Minas, a velha raposa ouviu de seu principal auxiliar, Ronaldo Costa Couto, que parte da bancada na Câmara pretendia separar-se, votando  a criação do Estado do Triângulo. Sua resposta foi simples: “se eles criarem, nós  aderimos, pedindo   para entrar no novo estado.”

Vale a mesma coisa. Caso o presidente Lula insista em formar um  novo bloco de esquerda, bastaria o PMDB pedir para entrar.  Assim como o resto de Minas engoliria o Estado do Triângulo, o PMDB, sem ser de esquerda, dominaria o bloco…

Ousadia e clareza dão votos?

Atribui-se a Aécio Neves o comentário de necessitar a campanha de José Serra “mais ousadia e mais clareza”. Dificilmente o ex-governador mineiro, neto do dr. Tancredo, faria uma observação  dessas. Nem ao pé-do-ouvido, quanto mais de público. E por razão muito simples: trata-se do óbvio. Mais ou menos como afirmar que o sol nasce todas as  manhãs.  Coisa que o mundo já sabe e  não precisa ser dita.

O problema, para José Serra, é a falta de votos. Clareza e ousadia nos palanques e na televisão fariam o eleitor mudar de intenções? Fosse assim,  Neymar e Ganso não  deixariam o Santos perder  uma só partida, um a ousadia, outro a clareza, mas a verdade é que de vez em quando o time perde. Para o tucano eleger-se, hipótese cada vez mais impossível, seria preciso que a candidatura de Dilma implodisse, não que a de Serra crescesse.

Adeus Roriz

Voltam-se para o  Supremo Tribunal Federal  as esperanças do quatro vezes governador de Brasília, Joaquim Roriz, favorito nas pesquisas para outubro.  O Tribunal Superior Eleitoral confirmou a interpretação do Tribunal Regional Eleitoral de que a lei ficha-limpa aplica-se sobre quem tiver sido condenado ou renunciado ao mandato antes de sua sanção. Uma visão acorde com a voz rouca das ruas e de plena justiça, não fosse a Constituição,  que determina não poder a lei nova retroagir para prejudicar, senão para beneficiar. Além da exigência de que mudanças no processo eleitoral precisam ser aprovadas até um ano antes das eleições.

Caberá à mais alta corte nacional de justiça dirimir a dúvida, sabendo-se que as opiniões se dividem. Uma decisão pela validade da letra da Constituição favoreceria não apenas Roriz, mas quantos candidatos tem sido impugnados até agora.

Metodologias

Por mais boa vontade que a gente tenha com os institutos de pesquisa, a atividade não escapa de freqüentes  lambanças. Nem vale à  pena referir anteriores eleições, quando as urnas costumavam desmentir previsões, levando os responsáveis pelas consultas a concluir com empáfia que o eleitorado havia mudado de tendência de um dia para o outro.

Acaba de acontecer uma dessas trapalhadas. Sexta-feira o  Datafolha dava Helio Costa, em Minas, com dezesseis pontos percentuais à frente de Antônio Anastásia. Sábado, o Ibope divulgava o atual governador dois pontos acima do senador. O povo mudou ou uma das entrevistas foi feita em outro estado? Não vale a desculpa de  metodologias diferentes…

Dilma derrota Serra na simpatia e no campo social

Pedro do Coutto

Na edição de 29 de agosto, a Folha de São Paulo publicou excelente comentário do repórter Sílvio Navarro a respeito de uma pesquisa singular do Datafolha, que foge aos padrões dos levantamentos comuns em torno das intenções de voto. A mim parece que a empresa de FSP e Navarro procuraram traduzir as principais causas da disparada da ex-chefe da Casa Civil sobre o ex-governador de São Paulo. A pesquisa foi nacional. Dentre os motivos, faltou um, aliás essencial: o peso arrasador do apoio do presidente Lula. De qualquer forma, a influência desse apoio não seria tão ampla, como está sendo, se a candidata não conseguisse interpretar em si qualidades que o eleitorado identifica como sendo uma espécie, não de inconsciente, mas, ao contrário, de consciente coletivo.

Digo porquê: diante da pergunta quem defende mais os pobres? Dilma vence Serra por 45 a 20. Na seqüência, face à pergunta quem defende mais os ricos? Serra dispara por 41 a 17. Quer dizer: o eleitorado brasileiro considera Dilma candidata dos pobres, Serra como o dos ricos. E como os pobres são muitíssimo mais numerosos do que os ricos, mesmo considerando estes a partir da classe média alta, encontra-se nesse ponto uma explicação de raízes sociais envolvendo o confronto e conduzindo as intenções de voto em direção às urnas de outubro.

 As respostas dos entrevistados e entrevistadas foram sinceras. Tanto é assim que, no momento em que entrou em julgamento o tema saúde, Serra leva nítida vantagem: 47 a 33. No quesito simpatia, a exemplo de certos julgamentos seqüenciais, Dilma bate Serra por 37 a 26. Nota-se que os indícios assinalados não foram altos. Isso significa que nenhum dos dois é francamente simpático. Mas Dilma sai-se melhor do que Serra.

O resultado, penso eu, é uma conseqüência, não propriamente da simpatia, mas da antipatia de José Serra. Como escrevi outro dia, ele parece sempre estar falando com os eleitores do alto de um patamar ou de uma escada, vários degraus à distância. Ele não deseja ouvir. Tal hipótese o agride. Deseja apenas ser ouvido. Como se estivesse fazendo um favor em escutar, ou estivesse dando uma aula. Isola-se. Não é homem de diálogo. É um solitário da comunicação. Dilma Rousseff tampouco é uma mulher de diálogo, porém expõe-se melhor do que Serra na televisão. Está mais próxima d eleitor do que o seu adversário.

Um outro tema proporcionou substancial vantagem a Dilma: a estabilidade econômica. Feita a pergunta, pelo DataFolha, sobre quem é mais adequado para assegurar essa estabilidade (econômica),  a ex-ministra dispara cm 49 a 28 pontos. Correlatamente surge a questão do combate ao desemprego. Quem  é mais preparado para tal tarefa? Dilma 46, Serra 23. Quanto ao combate à violência, Dilma leva vantagem, mas por 38 a 30, como se constata margem mais estreita. Digo sempre que não basta ver os números. É indispensável ver nos números, traduzindo-os da matemática para a política, quando, é claro, se tratar de questões eleitorais. É exatamente este o panorama dessa magnífica pesquisa do DataFolha. Muito mais rica do que parece à primeira vista.

Se alguém se debruçar bem sobre as imagens estatísticas que ela fornece vai encontrar aparentes contradições. Mas só aparentes. Nos índices está  no fundo a realidade do dia a dia que preocupa a população. Os graus de essencialidade e importância refletidos nas manifestações de afinidade e de mensagem interpretada. Pois a tradução está presente em todos os momentos da vida humana. Nós estamos sempre traduzindo situações, gestos, palavras. Nós estamos sempre vendo a nós mesmos em nossas respostas.

Pilantropia oficial transforma o Brasil no paraíso das falsas ONGs, bancadas pelos governos

Nogueira Lopes

Neste encerramento da Era Lula, constata-se que uma de suas maiores barbaridades foi a portaria interministerial prorrogando indefinidamente o prazo para as organizações não-governamentais prestarem contas de verbas públicas. Afinal, são convênios e repasses voluntários da União que chegam a R$ 40 bilhões/ano (sem falar nas ONGs estaduais e municipais).

Há 2 mil ONGs que têm pendências de mais de R$ 2 bilhões com a Receita Federal ou o INSS. Apesar disso, no Congresso a tal CPI das ONGs acabou em pizza, devido ao grande número de parlamentares envolvidos com essas instituições falsamente filantrópicas.

Enquanto as autoridades se omitem, as tradicionais entidades beneficentes atravessam graves dificuldades, porque os governantes as desprezam e não suprem suas necessidades para que possam manter a assistência gratuita às populações carentes. Preferem “apoiar as falsas ONGs.

E vêm aí as negociatas da Copa 2014

No apagar das luzes, outra “façanha” do governo foi mudar na Lei de Licitações, para “facilitar” a reforma dos estádios para a Copa de 2014, fazendo a felicidade dos empreiteiros ligados aos políticos. A Lei n.º 8.666, é um avanço institucional, para garantir lisura às concorrências e proteger o interesse público. Mas, para a Copa, não está valendo. Significa que o jogo já começou.

Band condenada por causa de Datena

A TV Band foi condenada a indenizar em R$ 51mil a companhia aérea Alitalia, por causa do apresentador José Luiz Datena. De férias na Grécia, em julho de 2009, o apresentador ligou para o programa e acusou a companhia de ser racista por discriminar brasileiros. O apresentador ainda chamou a Alitalia de “lavanderia de dinheiro sujo” e classificou o episódio como “estelionato”. A Band recorreu da decisão.

Tiririca tem chance de ser eleito em SP

Acredite se quiser. O cômico Tiririca pode se tornar deputado federal, com base no voto gozação. Desestimulados pela corrupção na política, milhares de eleitores paulistas pretendem votar nele, marcando um protesto que já teve vários antecedentes. O macaco Tião, no Rio, o rinoceronte Cacareco, em São Paulo, e o bode Cheiroso, em Pernambuco,

Michael Jackson ia denunciar o Brasil

Se não tivesse sido morto pela imperícia do médico, Mickael Jackson estava decidido a liderar uma campanha internacional contra o Brasil, por causa dos desmatamentos e das queimadas. Seu show terminava com um trator invadindo o palco transformando em queimada. Tinha um impacto fortíssimo e valia por milhões de discursos.

Dra. Paula Bellotti faz trabalhos sociais

Com clientes de destaque, como as atrizes Mariana Ximenes. Juliana Paes e Camila Pitanga, ou até mesmo políticos, como o ex-prefeito Lindberg Farias, que também acha importante lutar desde cedo contra o envelhecimento, a dermatologista Paula Bellotti se consagrou como uma das especialistas mais respeitadas do país.

Mas é muito importante destacar também o trabalho social que vem realizando, dedicando-se a prestar assistência a pessoas de baixa renda. De início, Dra. Paula atendia gratuitamente pessoas carentes após o expediente da clínica no Leblon. A procura foi tão grande que montou um consultório no Méier. E depois instalou uma clínica popular em Madureira e outra em Duque de Caxias. È um exemplo a ser seguido por outros médicos de sucesso.

Inovação da Net: pagamento antecipado

A Net instituiu uma perigosa inovação no ramo da prestação de serviços. Os novos assinantes são obrigados a pagar a mensalidade com 30 dias de antecedência, uma afronta aos direitos do consumidor. Espera-se que a novidade não seja adotada também pelas demais concessionárias, como Light, Companhia do Gás, Ampla, Telemar etc.

Cientista brasileiro aperfeiçoa técnica russa

Uma das técnicas de maior sucesso para tratamento de celulite, flacidez e gordura localizada foi desenvolvida pelo médico e pesquisador brasileiro Arnaldo Delamare. É a chamada Estimulação Russa, que teve como base uma tecnologia desenvolvida por cientistas soviéticos no início da corrida espacial, quando os astronautas retornavam à Terra com tamanha fraqueza muscular que sequer conseguiam se manter em pé.

Dr. Delamare interessou-se pela técnica, estudou-a em profundidade e conseguiu aperfeiçoá-la, inclusive introduzindo elementos de ginástica ativa, e apresentou-a no VI Congresso Brasileiro de Medicina Estética, em 1998, com sucesso absoluto. E hoje mais de 300 médicos especialistas já utilizam a Estimulação Russa, com resultados surpreendentes.

Marx (Groucho) e a utilidade da televisão

A propósito da campanha pelo horário gratuito de TV, é sempre bom lembrar o célebre humorista americano Groucho Marx. Dizia ele: “Acho a televisão muito educativa. Toda as vezes que alguém liga o aparelho, vou para outra sala e leio um livro”.


Expulsão de Ricardo Teixeira do Flamengo

Ontem, terminando muito tarde, reunião histórica de TODOS OS PODERES DO CLUBE para expulsar o presidente da CBF. Mais de 400 presentes, unânimes em pedir sua expulsão. Ele se salvou por “sutilezas” estatutárias, mas se salvou ontem, o processo continua.

Até a presidente Patricia Amorim compareceu, pediu a “cabeça” de Teixeira, e disse textualmente, que “ele estava fazendo represália pelo fato do Flamengo, no Clube dos 13, não ter votado em Kleber Leite, candidato do todo-poderoso corrupto da CBF.

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PS – O processo voltou à Comissão de Administração, Ricardo Teixeira tinha sido intimado a prestar esclarecimentos, não compareceu. Não querem que depois entre na Justiça dizendo “fui cassado sem ser ouvido”.

PS2 – Mas consta da ata da sessão de ontem, MOÇÃO subscrita por todos os Poderes, TODOS MESMO, sem exceção, REPUDIANDO o comportamento do corrupto da CBF.

PS3 – E mais, o Flamengo decidiu: “Lutaremos em todas as instâncias, INTERNAS e EXTERNAS (na Justiça) para preservar os direitos do Flamengo”. Por isso chamei de noite histórica.

Jaime Lerner marcará espaço grande na Gávea

Ali naquele terreno enorme na Gávea, atrás da Visconde de Albuquerque, ficava o quartel da Polícia Militar. Queiram fazer um grupo grande de edifícios, é o que sabem fazer.

Alguém pouca coisa mais inteligente, teve ideia muito melhor, e concretizou logo a construção. Será um espaço público, agregado com um Monumento à Bossa Nova. E da ideia à ação passaram pelo positivo: convidaram o arquiteto Jaime Lerner (governador do Paraná e prefeito de Curitiba) para fazer o projeto.

PS – Lerner aceitou. viajou para Angola, voltou ontem com o projeto “já imaginado”. Maravilha viver.

PIRASSUNUNGA, 31 DE AGOSTO DE 1967. Carta ao General Aragão (da ativa, 4 estrelas). Respondendo ao artigo contra mim em “O Globo”, com o título: “Afastai-vos do Exército”. Só podia ser mesmo no balcão do “Globo”.

Infelizmente não conheço suas credenciais militares nem a sua fé de ofício profissional. Mas como estrategista político e jornalístico, o senhor é realmente genial: atacou precisamente no momento em que o inimigo, amordaçado, sequestrado, desterrado, não tinha nenhuma possibilidade de se defender publicamente.

O senhor conseguiu o que acredito, seja o sonho e objetivo de todo grande general, de Eisenhower a Guderian, de Rommell a Zukov: desfechar o ataque sabendo previamente que o inimigo estava imobilizado. E o senhor conseguiu isso com uma fórmula tão simples que deve patenteá-la e resguardá-la para novas oportunidades: uma intriga torpe e torturadora antes, um artigo monótono e pretensamente revoltado depois.

Acho apenas que, como estrategista e moralista, o senhor cometeu um tremendo equívoco: pretendendo defender princípios éticos e morais, dirigiu-se à opinião pública através de “O Globo”, o jornal mais corrupto do país, de propriedade do maior traidor de interesses nacionais que este país já conheceu, o Sr. Roberto Marinho, que não teve outro jeito senão confessar na Comissão que investigou o caso Time-Life que recebeu mais de 7 milhões de dólares para trair o país.

“O Globo” não chega a ser um jornal, é um balcão onde se vende tudo, a retalho e por atacado, onde o Sr. João Goulart era chamado de estadista quando estava no Poder e podia distribuir favores, e hoje é chamado de canalha. Onde o Sr. Juscelino Kubitschek era o maior presidente vivo e hoje é vilmente insultado. Até mesmo o senhor será capaz de compreender que não fica bem a um general escrever num jornal cujas convicções se medem ou se pesam apenas pelo volume de dinheiro que se ofereça para satisfazer as ambições argentárias do Sr. Roberto Marinho.

Não li seu artigo por dois motivos principais. 1 – Que “O Globo” não chega a Pirassununga (veja que terra altiva e de bom gosto) e como desterrado não poderia sair por aí procurando o jornal. 2 – Que mesmo em épocas de liberdade e quando a democracia não está ameaçada por ambições de alguns generais vaidosos, ainda assim não leio “O Globo”, por nojo, por desinteresse (apesar de todo o dinheiro que recebe de grupos estrangeiros, “O Globo” é um dos piores jornais do Brasil) e por constrangimento que alguém me veja lendo semelhante “jornal”.

Mas não preciso saber dos detalhes para respondê-lo, pois o essencial do artigo está no título que o senhor lhe deu: “Afastai-vos do Exército”. E é apenas a esse ponto que desejo mesmo responder, pois as injúrias não me atingem, já que reconheço que elas são necessárias nessa batalha de ambição em que o senhor está empenhado. E naturalmente, o senhor há de acreditar que quanto mais me injuriar, mais estará capitalizando nesse verdadeiro pau de sebo que é a luta política para ver quem se aproveita mais da herança do ex-presidente falecido. Como não disputo nenhuma herança, como a minha vida é dura e sofrida, desde os 10 anos quando fiquei órfão de pai e mãe, suas injúrias não me atingem e não vou perder tempo em revidá-las. Vamos, portanto ao essencial.

Mas antes permita que eu manifeste a minha quase timidez e constrangimento ao me dirigir a um homem de tanto talento quanto o senhor, de tão poderosa inteligência, de tão notáveis e reconhecidos dotes intelectuais. Mas mesmo com todo esse constrangimento, não posso deixar seu artigo sem resposta, mesmo porque, acredito que um polemista e um guerreiro do seu porte não se sinta bem combatendo sozinho.

1 – Faltou um esclarecimento ao título e suponho que também ao conteúdo do artigo. De qual Exército quer o Sr. que eu me afaste. Daquele Exército que condecorou um simples capanga (falo naturalmente do “tenente” Gregório) com uma das mais altas condecorações militares, (entregue a ele pelo próprio Ministro da Guerra da época, com a presença de inúmeros oficiais superiores) presenteada também a outras personalidades iguais?

Se é desse Exército, o senhor perdeu o seu tempo, pois jamais me aproximei dele, e nessa época, eu o Sr. Carlos Lacerda éramos praticamente os únicos que combatíamos essa ignomínia e verberávamos esse estado de coisas. O senhor naturalmente estava preso ao respeito à disciplina e à hierarquia, disciplina e hierarquia que o senhor parece manejar mais à vontade do que a palavra escrita: se acomoda a ela quando isso serve aos seus interesses, desrespeita-a quando isso serve à sua ambição.

2 – Se o senhor quer que eu me afaste daquele Exército dominado pelos antigos generais do povo, perdeu seu tempo novamente. Pois quando eles eram poderosos de verdade, eu fui o único a enfrentá-los, e por causa disso, fui também o único civil preso no governo João Goulart.

Enquanto estava preso, fui interrogado precisamente por um desses generais do povo, que queria me intimidar de todas as maneiras. Enquanto eu os enfrentava, o senhor lhes fazia continência (eu sei, os Regulamentos) e o Sr. Roberto Marinho frequentava tanto o Palácio para conversar com o Sr. João Goulart, que o Sr. Leonel Brizola (que o senhor deve conhecer pelo menos de nome) declarou certa vez na televisão, numa tirada não desprovida de humor, e fora de dúvida, rigorosamente verdadeira: “Não há uma só vez que eu vá ao Palácio Laranjeiras que não encontre o Sr. Roberto Marinho. Já não aguento mais ver a cara desse sujeito”.

Mas apesar de todas as pressões contra mim e contra o meu jornal, combati até o fim o governo João Goulart, enquanto “O Globo”, onde o senhor escreve e parece tão orgulhoso disso, continuava a chamar o Sr. João Goulart de estadista em editoriais e nas manchetes, até que derrubado ele, achou mais prudente chamar de estadistas os que o sucederam.

Também não me lembro, apesar de ter excelente memória, de ter lido nenhum artigo seu, fosse onde fosse, combatendo o governo do Sr. João Goulart. Mas é compreensível. A hierarquia e a disciplina o impediam. Eu que combati o Sr. João Goulart quando ele estava no Poder e era poderoso, tenho o direito de continuar a combatê-lo, coisa que outros não podem fazer, pois silenciaram quando ele era forte ou até se entenderam com ele, como conhecidos donos de jornais, que iam com ele conversar e se compor em casas de amigos em Petrópolis, e agora o chamam de canalha, quando ele está banido, derrotado e exilado. Confesso que ainda não entendi o seu malabarismo moral, pregando renovação de costumes e princípios éticos através de “O Globo”.

3 – Mas se o senhor quer que eu me afaste do verdadeiro Exército brasileiro, um Exército formado e forjado na base da tradição, de convicções e de vocação nacionalista, um Exército de nacionalistas por compromisso e de democratas por juramento, um Exército que fez a revolução precisamente para assegurar as eleições, pois estava convencido que o Sr. João Goulart não iria fazê-las, ainda aí o senhor perdeu o seu tempo novamente. Pois esse Exército não tem proprietários nem condôminos, não deu procuração a ninguém para dizer quem deve se afastar ou quem é que pode se aproximar dele.

4 – Num dos artigos, o senhor faz referência a heroísmo. Nessa matéria, me parece que o senhor está usando óculos bifocais com lentes trocadas. O verdadeiro heroísmo, General Aragão, não é físico, é cívico. Os fabulosos interesses internacionais não se resolvem mais nas guerras, como antigamente, e sim nas mesas das conferências internacionais, como acontece nesse momento em Londres, a Conferência do Café, quando pela primeira vez, embora timidamente, o Brasil defende seus legítimos interesses. E se decidem também, General, nas espantosas verbas que são gastas indistintamente pela União Soviética e pelos Estados Unidos, para a montagem, compra ou controle dos grandes órgãos de divulgação, com o único objetivo de entreter e mistificar a opinião pública. Precisamente como acontece com o órgão onde o senhor escreve, sentinela avançada no Brasil, dos mais poderosos interesses antinacionais.

5 – A última guerra total do nosso tempo, General, foi a de 1939. E a nossa geração (já nem falo da sua, pois sou muito mais moço) não verá nenhuma outra guerra como a de 1914 ou a de 1939. E pela razão muito simples de que isso não interessa à União Soviética e aos Estados Unidos.

As guerras agora, são como a do Vietnam, travadas apenas para enganar os tolos (civis e militares), fogo de artifício e divertimento para dar tempo às duas superpotências, de dividirem o mundo entre si, sem muito estremecimento e com o mínimo de hostilidade, para não despertar os países imbecis, como o nosso, “deitados eternamente em berço esplendido”, enquanto nos levam todas as riquezas e sugam todo o esforço do nosso trabalho.

6 – É por isso, General, que União Soviética e Estados Unidos não deixarão que ninguém penetre no santuário da energia nuclear, para que nenhum país subdesenvolvido possa se desenvolver. E falar em segurança nacional em país faminto e subdesenvolvido, é idiotice das maiores, e soviéticos e americanos sabem disso.

Só os povos desenvolvidos, General, podem falar em segurança nacional própria. Segurança nacional só pode existir com independência econômica, pois onde é que senhor já viu exércitos armados de bodoques e atiradeiras enfrentando exércitos munidos de armas nucleares ou outras, aperfeiçoadas e supermodernas?

7 – Heroísmo, General, é combater os poderosos grupos internacionais, os trustes que devoram tudo, pois as feridas que se obtêm nessa luta, são mais profundas, mais contundentes, rigorosamente irrecuperáveis. Na guerra convencional, os ferimentos são individuais, embora possam atingir muita gente. Na guerra de extermínio econômico não escapa ninguém, é toda a coletividade que é atingida, esmagando-a, triturando-a, condenando-a à miséria eterna e ao subdesenvolvimento definitivo.

8 – Escreva artigos violentos, General, defendendo o legítimo interesse nacional. Por exemplo, combata a intromissão da Hanna e de outras empresas estrangeiras na exploração do nosso minério. Combata a distribuição de gasolina por empresas estrangeiras (a Esso, a Shell etc.), quando essa distribuição, que é o filé mignon do negócio, poderia ser feita pela Petrobras. Combata os grandes frigoríficos estrangeiros, que fazem o querem no mercado brasileiro.

Apoie o Ministro Andreazza, que botou a mão num formigueiro perigosíssimo, que é a questão dos fretes internacionais, quando somos vilmente roubados. Combata os trustes estrangeiros de tecidos, os maiores do mundo, que ainda não asfixiaram a indústria nacional, porque felizmente nesse ramo, existem alguns homens de garra e de fibra que não se entregaram e lutam com armas desiguais, mais lutam.

Combata os tremendos monopólios farmacêuticos (uma das indústrias mais poderosas do mundo, que mesmo nos Estados Unidos constituem um estado dentro do outro) e que asfixiaram e liquidaram brutalmente a indústria brasileira desse ramo, que hoje é mais de 88 por cento estrangeira. Combata o vergonhoso acordo assinado entre Brasil e Estados Unidos sobre bitributação do imposto de renda, por onde se esvairão somas fabulosas, num assalto vergonhoso às nossas reservas.

Apoie a recente medida do Ministro Delfim Neto, sobre identificação de dólares, que vai poupar ao Brasil, por ano, centenas de milhões de dólares. Combata a vergonhosa autorização dada aos norte-americanos para fazer o levantamento aerofotogramétrico do Brasil, e que eles completam (mesmo sem autorização) com aparelhos eletrônicos moderníssimos para fazer ao mesmo tempo o levantamento do nosso subsolo.

9 – Como vê, General,  se o senhor quer combater, e como não haverá mais guerra convencional, aproveite a sugestão e comece a liquidar esses poderosos grupos. Desenvolvimento e independência econômica, General (coisas que não se separam nunca), só serão possíveis no dia em que os 85 milhões de brasileiros deixarem de ser miseráveis e se transformarem em compradores dos nossos próprios produtos.

Combater um simples jornalista e deixando de lado todos esses poderosos interesses, usar um jornalista desterrado como trampolim para satisfazer as suas ambições, não tem gloria nenhuma. Sem contar que eu não tenho medo desses arreganhos, nem do senhor nem de ninguém. Como o Brasil não vai participar de nenhuma guerra, General, use as armas que a Nação lhe confiou, não para ameaçar um jornalista e intimidar todos os outros, não para coagir a Nação, mas para defendê-la de quem lhe rouba todo o esforço do seu trabalho, que são os trustes estrangeiros.

10 – Se o senhor fizer isso, comprometo-me a chamá-lo de herói em praça pública, ou até a ir visitá-lo em Fernando de Noronha, pois é possível que o senhor não seja desterrado, mas que uma tempestade cairá em cima do senhor, não tenha dúvida. Sem falar que na hora em que o senhor começar a atacar a Esso, a Hanna, os laboratórios, os grandes frigoríficos, todos esses fabulosos interesses, o Sr. Roberto Marinho não publicará mais os seus artigos, por exigência dos patrões. Experimente só.

***

PS – Creia que não lhe tenho ódio ou ressentimento, pois o Sr. não tem a menor importância para mim. Lamento apenas que o Sr. gaste tanta bravura para uma causa inglória.

PS2 – Finalmente, General, mil desculpas por não ter respondido antes seu artigo. Na verdade, respondi 48 horas depois dele ter sido publicado e chegou ao meu conhecimento.

PS3 – Mas a carta extraviou-se (tenho o recibo em meu poder) e tive que esperar um portador que viesse a Pirassununga para enviá-la a minha mulher, que mandou entregá-la em sua casa.

PS4 – Como esta carta não é particular, o senhor poderá publicá-la no mesmo local em que publicou o artigo contra mim. Que é na certa o que acontecerá. Não é à toa que estou me dirigindo a um professor de ética.

PS5 – O que não consegui entender, General, foi a sua bravura e altivo comportamento. Abriu, leu a carta, se irritou, fechou-a e devolveu para minha casa. Não conseguiu fechá-la devidamente, e da sua própria casa, contaram a sua raiva e revolta com a minha resposta. Como General (da ativa), pensou (?) que a última palavra fosse sua?

Mais um crime financeiro de Ricardo Teixeira na CBF

Desde 1994, vem sendo “flagrado” pela Receita, mas não perde o conjunto de mordomias chamado de CBF. Nesse citado 1994, o Brasil campeão, Teixeira trouxe equipamento valioso e volumoso no avião especial. Era tudo para a boate que possuía. Foi executado, levou anos, condenadíssimo.

Mas tarde, fizeram uma CPI na Câmara para investigar suas tramóias, desculpem a palavra. Foi enquadrado em 6 ou 7 CRIMES FINANCEIROS. Fiquei impressionado com a subserviência, embora esse seja sempre o comportamento dos corruptos.

Era acusado pelos deputados que pediam “documentos para confirmar o que dizia”, repetia: “vou mandar, excelência, vou mandar, excelência”. Isso quase chorando. Se livrou de tudo, é o Berlusconi da corrupção brasileira.

***

PS – Agora, a “Folha”, num furo espetacular, mostra mais uma condenação de Ricardo Teixeira, se escondendo atrás da CBF. Multado em 3 milhões por SONEGAÇÃO de imposto de renda.

PS2 – Já havia sido indiciado por SONEGAÇÃO ao enviar recursos ILEGAIS para o exterior. Além de lavagem de dinheiro e outros crimes. Está há 20 anos (na verdade, 21) presidindo a CBF. Ficará 40.

PS3 – Como acabou de completar 62 anos, vai ficar no mínimo até os 80. Corruptíssimo e “dono” absoluto da PAIXÃO NACIONAL que é o futebol.

VARIADAS, com Serra e Dilma, FHC e Janio, Frossard e cabralzinho, Genro e Fogaça, Jader e Roriz, Lula e Mão Santa, Sarney e a verdade.

José Serra sobre o comportamento de Dona Dilma em relação à tão proclamada (e certa) vitória em 3 de outubro. Normalmente diria: “Está abusando do já ganhou”.  ***  Mas como precisa sempre atingir o amigo FHC, reclamou: “Sentou na cadeira antes da vitória”. Quem fez isso em 1985 e perdeu? FHC candidato a prefeito de São Paulo, derrotado por Jânio Quadros já velho e alquebrado.  ***  Complicou a luta para senador no Estado do Rio. Dona Frossard teria ganho com facilidade. Em 2002, para governador, foi para segundo turno com cabralzinho, perdeu por equívocos de campanha.  *** No Rio Grande do Sul, Tarso Genro estava na frente, Fogaça chegou, haverá segundo turno garantido.  ***  E Jader Barbalho, (o Roriz do Pará, renunciou ao Senado para não ser cassado) volta ao lugar que abandonou. É um país surrealista e trágico.  ***  Pelo menos Roriz não voltará, perderá os recursos que tem à disposição. Dizem que lançará a filha, Maria Abadia, falavam que era a candidata dele?  ***  No Piauí, vetado pelo PMDB por ordem de Lula, Mão Santa pode voltar por uma legenda pequena.  ***  Suspense em relação à maioria no Senado. Sarney garante: “O PMDB mantém a maioria e eu mantenho a presidência”. Pode estar falando a verdade, surpreendente.

O embate futuro entre Lula, Aécio e Geraldo

Carlos Chagas

Surpreendente ou não,  dá o que pensar o crescimento de Antônio Anastasia em Minas, já ultrapassando Hélio Costa. Trata-se do fenômeno da transferência de votos, no caso, de Aécio Neves para o candidato que foi seu vice-governador até pouco. Sem tirar nem pôr, a mesma coisa verificada entre o presidente Lula e Dilma Roussef, na sucessão federal. Antes,  parecia verdade absoluta que votos não se transferiam. Agora, acontece o contrário,  de onde se tira a cristalina evidência de que para transferir é preciso ter. Lula e Aécio tem aos montes.

Em São Paulo a situação é outra: Geraldo Alckmin lidera com vantagem a corrida para o palácio dos Bandeirantes, mas não terá recebido muitos votos  de José Serra, pela simples razão de que já possuía o seus. Como governador, em dois mandatos, e candidato à presidência da República em, 2006, mesmo derrotado, tornou-se estrela com luz própria, amplamente conhecido.

A conclusão é de que tanto Dilma quanto Anastásia são tutelados, criaturas  girando  em órbita dos criadores.  Se mantidas as previsões e as pesquisas,  a nova presidente da República e o novo governador mineiro administrarão pela metade o país e o estado. Sobre ambos irá pairar  a sombra do Lula e do Aécio. Na hora de governar. Com Alckmin, será diferente: nenhuma influência de José Serra.

Eis aí, se mantidos os caprichosos números das consultas populares, os três atores principais da peça ainda não escrita a respeito da sucessão de 2014. Lula, Aécio e Geraldo sairão na frente, numa  hoje longínqua projeção futura. Os dois tucanos travarão, antes, florentino duelo para saber qual deles disputará o poder maior:  um, assentado no comando do estado mais poderoso da federação; o outro, compensando  o desequilíbrio econômico entre São Paulo e Minas através de suposta ação dinâmica no  Senado.

É claro que uma vez instalada no palácio do Planalto, Dilma Rousseff  sempre poderá reivindicar a reeleição, não  faltando quem  desde já a estimule a ocupar os espaços  naturalmente pertencentes ao  Lula.  Prevalece aquele ditado árabe de que “bebe água limpa quem chega primeiro na fonte”…

Um que deu certo

Para a composição do ministério de Dilma não devem ser  esperadas consultas, muito menos nos quartéis,  para o preenchimento do ministério da Defesa. Mas se por hipótese valesse a opinião dos chefes militares, quase por unanimidade prevaleceria a tendência de que “se está bom assim, para que mudar?” Nelson Jobim conta hoje com o apoio do Exército,  Marinha e Aeronáutica, como um dos melhores ministros que já  ocuparam a pasta. Poliu arestas, atendeu reivindicações e conteve bissextos arroubos de insatisfação  castrense. Cuidou da “sua turma” com firmeza e competência. Se  a provável nova presidente da República decidir manter alguns auxiliares do governo Lula, provavelmente começaria pela Defesa.

Abandonada a aventura

Indicações começam a fluir do PT e adjacências a respeito de haver Dilma Rousseff abandonado a perigosa proposta de convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte exclusiva, a se reunir nos primeiros tempos de seu governo, destinada a  promover ampla reforma em nossa Lei Fundamental.

Primeiro porque a Constituição não se encontra posta em frangalhos, muito pelo contrário. Sempre serão necessárias reformas, mas nada retumbante ou catastrófico.  Para promovê-las, sempre haverá o poder constituinte derivado,  de que todos os Congressos estão investidos, tornando-se desnecessário apelar para o poder constituinte originário.

Depois, porque realizar eleições exclusivas para uma Constituinte, provavelmente ano que vem, seria abrir um risco do diabos em termos de representatividade. Quem disputaria com  mais avidez senão os derrotados do próximo outubro, trazendo como credencial maior a vontade de dar a volta por cima na derrota? Senão os piores, os candidatos a  deputado constituinte seriam os menos votados nas diversas eleições deste ano.  Impossível se tornaria exigir deles conhecimentos aprofundados  de Direito ou, pior ainda, diploma de advogado ouprofessor.

Ignora-se terem sido esses os argumentos que levaram Dilma a arquivar a proposta semanas  atrás por ela elogiada. Melhor assim, porque atrás dessa estranha tentativa estão  as elites econômicas interessadas em suspender direitos sociais e eliminar exigências e obrigações ligadas ao poder público que o então presidente Fernando Henrique não conseguiu suprimir…

Em busca da unidade

O Ministério Público  da União e o Ministério Público do Rio de Janeiro realizaram, no fim de semana que passou, o primeiro encontro institucional denominado “Em Busca da Unidade”, reunindo mais de quinhentos  procuradores e promotores públicos. Lá estavam membros do Conselho Nacional do Ministério Público, do Ministério Público Estadual, do Ministério Público Federal, do Ministério Público do Trabalho, do Ministério Público Militar e do Ministério Público Eleitoral, liderados pelo Procurador Geral da República e o Procurador Geral de Justiça do Rio de Janeiro, além do governador do estado.  A proposta foi de conquistar a unidade entre os diversos setores do Ministério Público, estimulando a ação conjunta de todos. Um excelente começo, envolvendo discussões entre  temas criminais, de tutela coletiva, institucionais e eleitorais.

Violadores da receita; criminosos e estúpidos

Pedro do Coutto 

Os funcionários da Receita Federal que, na base de dados da cidade paulista de Mauá, violaram as declarações de Imposto de Renda e patrimônio do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, de Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro de FHC, de Ricardo Sérgio de Oliveira, diretor do Banco do Brasil, e do empresário Gregório Marin Preciado, casado com uma parente de José Serra, além de terem praticado um crime, e portanto serem criminosos, são essencialmente estúpidos. Cometeram uma burrice sem tamanho.

Querendo prejudicar a candidatura do ex-governador paulista, desnecessariamente, pois esta vem declinando sem cessar, enveredaram pelo perigosíssimo caminho de imaginar um lance para agradar o presidente Lula, a candidata Dilma Rousseff e ao PT. São os aloprados versão 2010. A experiência de fabricar dossiês já fracassou seguidas vezes. A começar pela campanha de Mercadante para governador de São Paulo em 2006, derrotado amplamente pelo mesmo José Serra de agora.

Há muitos outros na história do Brasil. Para não alongar a relação, cito a Carta Brandi, falsa, divulgada por Carlos Lacerda na véspera das eleições presidenciais em 55, e o falso manifesto comunista que uma quadrilha de mercenários, da qual faziam parte jornalistas sem escrúpulos. Foi lançado na campanha eleitoral de 65 pelo governo da Guanabara, publicado  pelo Jornal do Brasil e arrasado por reportagem de O Globo que apoiava Negrão de Lima contra Flexa Ribeiro, candidato de Lacerda, então governador.

Fracasso em cima de fracasso. As tentativas de falsificação sempre revertem em favor da vítima do crime. A violação dos dados da Secretaria da Receita Federal contra Serra explodiu dentro de si mesma. Portanto implodiu. E os bajuladores de sempre, na ânsia de mostrar e carregar as malas dos poderosos do dia para geralmente fazer negócios em seus nomes amanhã, arruinaram-se. Querendo se aproximar, terminaram expulsos da periferia do poder. Tentavam com o lance penetrar na fortaleza. Foram lançados ao próprio crepúsculo. Acontece permanentemente isso, pois nada pior do que a incompetência, a falta de sensibilidade política, a estupidez, e, ainda por cima, a burrice.

Burrice sim. Porque todos os que possuem um mínimo de percepção e inteligência sabem muito bem que os grandes negócios, as grandes tacadas, como por exemplo o depósito de 442 milhões de dólares na conta de Paulo Maluf na agência do Citibank na Ilha Jersey, Canal da Mancha, não estão no Imposto de Renda. Inútil procurar aí. Não vai aparecer nada.

 Somas estratosféricas encontram-se depositadas em bancos internacionais fora do país. Mas como descobri-las e seus saldos de tantas cifras? Impossível. Somente surgem à tona quando ocorre uma contradição entre o titular da conta e o estabelecimento bancário. O segredo  é quase total. Já se admitiu que existem depósitos em algumas milhares de contas lá fora cujo montante ultrapassa a casa dos 200 bilhões de dólares. São saldos em dólares ou euros, valores monetários padrões, que além do câmbio, oferecem pequenos juros anuais. Não estão no Brasil. Estão longe do binóculo da SRF.
Se alguém tentar saber os saldos não vai conseguir, claro. Mas o único caminho é o Banco Central, não a Fazenda. Por quê? Simplesmente porque, teoricamente, com base na resolução 3854, publicada no Diário Oficial de 28 de maio de 2010, página 147 para facilitar, todos os que possuem dinheiro e bens no exterior têm que informar ao BACEN. Pelo menos é o que está no papel. Um segredo. E como na canção, segredo é pra quatro paredes.