Problemas para Temer

Carlos Chagas

Corre o risco de surpreender o que parece ser uma convenção  modorrenta e pasmaceira, hoje, quando o PMDB se reunir para reeleger Michel Temer seu presidente. Porque mesmo com a determinação dos caciques do partido de deixarem para junho qualquer decisão sobre a sucessão presidencial, poderá ser contestada a permanência de Michel na direção  maior do partido. Pelo menos, é o que pretende o presidente de honra, embaixador Paes de Andrade, disposto a  pedir a palavra, pela ordem, e ler documento onde fica caracterizada a candidatura do deputado Eunício Oliveira.

O documento foi entregue a Michel Temer, meses atrás, que mesmo não o tendo rubricado, parece que aceitou a sugestão. É o que  sustenta Paes de Andrade, pronto para cobrar o compromisso.

De lá para cá as coisas mudaram. O próprio Eunício não parece muito empenhado em obter a presidência do PMDB, tanto que aceitou integrar o diretório nacional como Primeiro Tesoureiro.O problema é que Paes continua carne de pescoço. Empenha-se na candidatura própria do partido e forma no primeiro time dos defensores de Roberto Requião.

O governador  do Paraná decidiu não comparecer à convenção, já que Temer proibiu o debate a respeito, sequer admitindo a discussão sobre sua própria indicação a vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff. Prefere deixar a questão para junho, ganhando tempo enquanto enfrente as resistências o palácio do Planalto ao seu nome. Sendo reeleito presidente do PMDB, no entanto, demonstra sua força na legenda.

A intervenção de Paes de Andrade poderá acender o rastilho de pólvora, pois Temer será obrigado a declarar que a hipótese Eunício Oliveira não vale mais.  Nessa hora, o ex-representante do Brasil em Portugal pode virar fera. É bom aguardar.

Incontinências verbais

Ciro Gomes não se emenda, ou melhor, continua o mesmo político de sempre, aquele que não esconde o pensamento com palavras amenas. Desgostoso com o ex-ministro José Dirceu, que pretende anular sua candidatura à presidência da República, Ciro disse que se receber  do antigo chefe da Casa Civil algum apelo nesse sentido, “vai mandá-lo pastar”.

Ora, como quem pasta são os animais, está caracterizada a ofensa. Dirceu vem mantendo conduta exemplar,  desde que teve seu mandato cassado. Faz o papel de bombeiro em cada crise eclodida no PT e adjacências. Defende a indicação de Dilma Rousseff com unhas e dentes.  Até agora não retrucou a agressão de Ciro Gomes, mas, para quem o conhece, haverá que aguardar a tréplica. Possivelmente não  verbal, por isso mesmo mais contundente.

Trocando de geladeiras

Certas histórias são significativas. Teotônio Vilela Filho, hoje governador de Alagoas, era senador e presidente do PSDB. Seus encargos políticos deixavam-no exausto, chegava em casa alta madrugada. Mulher e filhos ficaram em Maceió e ele costumava preparar as próprias refeições, quando podia. Morava num dos edifícios destinados aos senadores, com os apartamentos todos iguais. Certa feita, zonzo de tanto cansaço, entrou em casa e foi para a cozinha. Estranhou quando abriu a geladeira. Estava repleta de guloseimas, fritas e doces. Olhou bem para as prateleiras, muito bem arrumadas e caiu em si. Não estava no 504 e sim no 604. Sai de mansinho para não acordar o verdadeiro inquilino  e jamais se referiu ao episódio.

Meses depois,Teotônio Vilela chegou outra vez extenuado e foi direto para a cozinha, desta vez em seu apartamento de verdade. Espantou-se ao ver o vizinho de cima abrindo a geladeira e praguejando porque estava vazia. Era o senador Roberto Requião, que também se enganara de andar. Diante da confusão, decidiram sair e buscar um restaurante ainda aberto na noite de Brasília…

Sai mas volta

Nos corredores do ministério de Minas e Energia, todo mundo especula a respeito do futuro do ministro Edison Lobão.  Será candidato a governador do Maranhão? Ia  pleitear novo mandato no Senado? Como reage às especulações sobre tornar-se companheiro de chapa de Dilma Rousseff?

Lobão permanece calado, mas um dia desses, percebendo a curiosidade dos auxiliares, aproveitou-se da análise de um projeto daqueles de longo prazo e, diante da perplexidade de um assessor a respeito de seu empenho e do tempo que demandaria a obra,  surpreendeu-o: “é, eu vou embora, mas eu volto para a  inauguração…”

A Bovespa caiu 7,22% em 2 dias

Isso não é o mais importante, foi como ontem e como sempre, pura jogatina. Que querem convencer a opinião pública, “de que isso faz parte do desenvolvimento, do progresso e da prosperidade”.

E os acionistas? Não ganham nunca. Os “controladores” não perdem jamais. Os “executivos”, aumentam suas bonificações, é parte do sistema. Qualquer dificuldade, “lançam pacotes de ações”, não se sabe de onde saem.

As ações que caíram ontem, caíram hoje, provavelmente cairão na segunda-feira. Até que alguém diga que é hora de COMPRAR.

O dólar que tem atuação e repercussão verdadeira no mercado, (embora também sujeita a uma parte de jogatina), fechou em alta pequena, em 1,88, caiu no final. Chegou a estar a 1,90.

Ao meio-dia a Bovespa ainda em queda, ações caindo mais de 4 por cento, mas muita expectativa

Às 12 horas, o Índice maior de São Paulo, em queda de 1 por cento cravado, principalmente as de Eike Batista, as mais vendidas e até apressadamente.

Magnesita, Lojas Americanas e Renner, entre as maiores quedas. Sul América, Tam, Gol, Usiminas, Eletrobras, continuam caindo muito. Mas a grande queda do dia foi a Ambev, até a esta hora, menos 5,66%.

Índice em 63 mil 280 pontos, menos 1 por cento. Mas corretores me diziam: “Muitos se preparam e vão comprar, o tempo é grande”.

O dólar em 1,87 em queda de 0,32%, mas também estável.

Análise política e eleitoral

Uma grande personalidade, me dizia ontem: “Helio, estou com a INTUIÇÃO de que José Serra será o presidente depois de Lula”.

Três observações. 1 – Uma pena que não possa revelar o nome dele, fonte é fonte, compromisso é compromisso. 2 – Intuição pode ser uma das armas dos analistas, até bastante importante. 3 – Minha intuição me diz exatamente o contrário, e essa “intuição” tem que levar para longe de Serra e também de Dona Dilma.

O que dá força a todos que me perguntam: sem Serra e sem Dilma, para que caminho irá a sucessão? No momento impossível dizer, o quadro está incompleto. Por falar em quadro: a sucessão de Lula é uma exposição “preenchida” por uma quantidade enorme de retratos apenas esboçados, e uma multidão de molduras vazias.

Mourão Filho, na ditadura de 1937 e na de 1964

Heitor Santos Aquino
“Helio, a respeito das tuas recordações sobre o Estado Novo de Vargas, é preciso lembrar: Mourão Filho participou das duas, em 1937 com o Plano Cohen, que movimentou todo mundo”.

Comentário de Helio Fernandes
Perfeito, Aquino, o Plano Cohen, foi uma farsa monumental, que Vargas aproveitou muito bem. Em 1964, Mourão Filho, sem querer ia prestando um serviço à coletividade, saindo apressadamente com as tropas golpistas de Minas. Por isso foi repudiado, como compensação feito Ministro do STM, (que agora está nas manchetes de jornais e televisões).

Meu único e curioso contato com Mourão. Logo que Juscelino tomou posse, passei para a oposição. E fui fazer comentários na TV Rio, a televisão estava começando. (9 anos antes da TV Globo).

Ele era presidente da CTB. (Comissão Técnica de Rádio, a televisão, desconhecida e sem órgão de controle). Um dia recebo um telefonema dele, que me diz: “Helio, preciso falar com você oficialmente”. Fui, naturalmente.

Era uma salinha pequena, levantou, me abraçou, e sem perder tempo, falou: “Helio, teu programa é imperdível, não sei como é que você pode saber tanta coisa e ter tanta coragem de contar”. Deu uma ligeira parada e concluiu: “Mas você não vai falar mais”. Me levou até a porta, não falei mesmo e a restrição não se limitou àqueles tempos.

Jornalões e televisões, “esqueceram” a derrubada da Bolsa

Quando as ações sobem, a gritaria é total, os principais órgãos de comunicação não param de festejar, dizem, “é a recuperação”. Ontem a Bovespa caiu quase 5%, (4,73%), as ações em baixa geral, quedas de 6, 7 e 8 por cento, a televisão, muda e quieta.

Os jornais impressos de hoje, também num silêncio total. Estou postando esta nota antes da abertura, a apreensão no “mercado” é geral, embora alguns me digam: “Vão recuperar uma parte”. Esperemos, não demora.

Farsa e fraude no mundo: os falsos prejuízos bancários, mas os banqueiros (e as seguradoras) continuam pagando fortunas a eles mesmos

A frase-conceito é atribuída a Lenine, mas é rigorosamente verdadeira, dita por qualquer um: “Mais ruinoso do que ASSALTAR um banco é FUNDAR um banco”. Pronunciada há exatos 90 anos, a frase definição vem se consolidando e dominando o mundo.

Os movimentos guerrilheiros que dominaram o mundo a partir do fim da Segunda Guerra Mundial, se financiavam e cresciam assaltando bancos, mas não conseguiram destruí-los. Pelo contrário, esses bancos cresceram incorporando outro setor invencível e cada vez mais lucrativo: o das seguradoras.

Esses bancos e seguradoras foram se tornando cada vez mais poderosos e pior: indispensáveis. As seguradoras não “seguram” coisa alguma, o lucro delas é cada vez maior, na medida em que reembolsam cada vez menos, ou quase nada.

Seguradoras, praticamente ligadas a bancos, se refugiam na burocracia e no que chamam de “franquia”, que é a forma de não bancarem nada, para eles tudo é lucro. Há tempos, um poderoso dono de seguradora, me dizia, num rasgo de sinceridade: “Helio, não devia te dizer isso, mas em matéria de automóvel, só vale o seguro que protege conta roubo ou perda total. O resto é desperdício de dinheiro”.

A poderosa AIG, tida como a maior seguradora do mundo, (junto com a Prudential) apresentou prejuízos fantásticos, praticamente inacreditáveis. Mas era e continua sendo farsa, fraude, fantasia para enganar pessoas físicas obrigadas a fazerem seguros. E até governos, (como o dos Estados Unidos) que “sensibilizados” com esses alegados prejuízos, despejaram fortunas para “salvá-las”.

Junto com essas seguradoras estão os bancos. Sempre ligadíssimos, (os gerentes de bancos são os maiores vendedores de seguros, pura intimidação e até chantagem), é impossível garantir quem ganha mais alegando prejuízos.

Os bancos no mundo inteiro, mantêm uma rivalidade destruidora para ver quem lucra mais. (Aqui no Brasil, Bradesco e Itaú estão sempre na frente de todos, os lucros ficam na casa dos bilhões. E o resto do mercado é dividido por multinacionais, que vieram para cá sem dinheiro, exatamente como a indústria automobilística, “tomaram” os bancos estatais, quando precisavam, recorriam ao BNDES. E este, “investia” o dinheiro do cidadão, nessas fábricas de exploração).

Esses bancos potências apresentaram prejuízos inimagináveis, mas seus diretores não mudaram o mínimo no padrão de vida, continuam recebendo fabulosas bonificações de fim de ano. E até durante o ano. E o governo Bush contribuiu para SALVÁ-LOS, com a primeira doação de 700 BILHÕES DE DÓLARES. Agora, descobriram o que consideravam impossível: desvio desses recursos.

Era a coisa mais previsível: não existe um só país no mundo que distribua graciosamente 700 BILHÕES DE DÓLARES sem que haja intervenção da corrupção. Esta não é privacidade apenas no Brasil, domina o mundo inteiro.

Agora, economistas, consultores e especialistas (?) garantem: “Até o fim de 2010, os bancos precisarão de mais 4 TRILHÕES DE DÓLARES para cobrir prejuízos. Esses “prejuízos” serão cobertos, lógico, com o dinheiro do contribuinte.

No início da chamada crise financeira, fiz uma afirmação e duas perguntas. 1 – Essa crise FINANCEIRA, será transformada em crise ECONÔMICA, sem dúvida. 2 – De onde vem tanto dinheiro? 3 – Para onde vai tanto dinheiro? Todos sabem as respostas, ninguém se interessa. A crise está longe, bem longe de apontar para uma solução.

Apesar dos governos devastarem as reservas (principalmente na Europa e nos EUA) o mundo não terá socialismo. O capitalismo é invencível, Marx já havia localizado e ensinado: “A eternidade do capitalismo é a fome do trabalhador”.

* * *

PS – Em todos esses acontecimentos, o surpreendente, mas surpresa das grandes, é a desvalorização do dinheiro, qualquer que seja o nome da moeda.

PS2 – A minha geração aprendeu e viveu com o MILHÃO. As gerações seguintes conviveram com o BILHÃO. Agora, o mais comum e rotineiro é o TRILHÃO. O milhão é coisa pré-histórica, o bilhão ficou no passado, quem citar outro valor que não seja o trilhão, estará ultrapassado.

PS3 – A melhor prova disso tudo: Lula, triunfante, afirmando, “estamos emprestando 10 BILHÕES ao FMI”. Esse mesmo FMI amaldiçoado, na verdade, não tanto quanto o CONSENSO DE WASHINGTON.

PS4 – Com ar triunfante, Obama retumba: “Vamos aumentar os impostos dos RICOS, PESSOAS FÍSICAS E EMPRESAS JURÍDICAS EM QUASE 2 TRILHÕES”. Pelo menos isso. Mas os 16 TRILHÕES “emprestados” a esses mesmos grupos, onde estão?

Bovespa arrasadora, mas contra ela

A queda hoje, foi de 4,73. (Fora os leilões, que alteram pouco). Veio abaixo de 63 mil pontos, não houve mísera ação que fechasse em alta. Do princípio ao fim em queda.

As que caíram 3 por cento, 4 e quase 5, são inúmeras. Vou relacionar apenas as que tiveram queda de mais de 5 por cento. Sem preferência ou prioridade, apenas como foram fechando.

Rossi,5,20, Tenda, 7,34, Cyrela, 7%, Gafisa, 5,20, MRV,6,43, todas imobiliárias.

Tim, 6,88, Gol, 5,95, LLX Logística, 8,11, Gerdau, 5,45, Lojas Americanas, 6,10, Pão de Açúcar, 6,10, Telemar, 6,25, Vivo, 5,40, Ambev, 5,43, Net, 5,11, Cemig, 5,27, Localiza, 6,12, Cesp, 5,43%.

As ações do senhor Eike Batista todas caindo mais de 6 por cento, os amestrados tentarão esconder, ganham para isso, MMX, mineração, 6,28, OGX Petróleo, 7,11. Telebras, 6,45.

Banco do Brasil só caiu 3 por cento, mas vem caindo desde segunda-feira. Qual a razão?

O dólar todo o dia em alta, fechou em 1,876 mais 1,31%.

Tony Blair, ídolo de Cabralzinho

O governador daqui, contratou o ex-Ministro da Grã-Bretanha. Cumpriu o mandato inicial, foi demitido pelo próprio partido, no início do segundo. Tentou vários empregos, não conseguiu nenhum. Foi contratado para assessor da Olimpíada de 2016. Devia dizer quanto o ex receberá no Brasil. Não deve ser pouco, vejam a declaração de Cabralzinho: “Foram necessários 3 dias de conversas para acertar seu salário”.

Na Bovespa, 12:30:
todas as ações em queda

Abriu para baixo, foi caindo, a essa hora não havia uma ação em alta. Até vício, (bebida e fumo) estará havendo movimento de recuperação da saúde? Todas as telefônicas em queda, as imobiliárias caindo muito e confirmando o fracasso do governo.

Até as ações do senhor Eike Batista, o último a chegar e o mais desavergonhadamente amestrado.

No momento, o Índice em menos 1,56% em 66 mil cravados. O dólar em alta de 1 por cento, em 1,87. Em Wall Street, todos os índices para baixo.

Eletrobras e CVM

Exatamente há 10 dias a empresa subiu 11 por cento em apenas um dia. Fui o único a estranhar e chamar a atenção da CVM. Nada aconteceu. Perdão, 3 dias depois, a Eletrobras anunciou o pagamento de dividendos de 3 reais e 61 centavos por ação. A partir daí, incluindo o inicio de hoje, estão caindo. E a CVM em silêncio.

Não quero Cabral,
apenas sua derrota

Seguidores me acusam de achar que o governador já está reeeleito. Na verdade, o que tenho exposto é a minha vontade de que ele seja vice de Dona Dilma, assim desaparece.

O sumiço de Garotinho

Quanto ao ex-governador, os seguidores têm duas opiniões ou posições, respeito as duas. Um grupo: “Bandido completo”. Outro: “É muito pior do que Cabral”. De uma certa maneira, estão todos certos.

Perguntinha ingênua, inócua, inútil: depois de Carlos Lacerda qual o governador do Estado do Rio que não foi corrupto? Alguns, POR SI E PELOS FILHOS?

A morte de Siqueira Campos

Euclides do Amaral, Minas
“Jornalista, ouço falar muito no acidente que matou um grande amigo de Prestes, quando foi visitá-lo na Argentina. Tenho 27 anos, não encontro notícia em lugar algum, recorro a você”.

Comentário de Helio Fernandes
Para começar, Euclides, não foi na Argentina e sim no Uruguai, Montevidéu. Os participantes da “Coluna” tinham um acordo: assim que Bernardes deixasse a presidência, em 1926, se internariam no país mais próximo. Prestes foi para a Bolívia onde trabalhou como engenheiro. Depois mudou para o Uruguai.

Foi lá que Siqueira Campos e João Alberto se encontraram com ele. Depois de três dias de conversa inútil, resolveram voltar. Tomaram um avião, um Latacoera da Condor, (mais tarde, Cruzeiro do Sul) que mergulhou no Rio Grande, logo depois de levantar vôo.

João Alberto, que não sabia nadar, se agarrou à asa do avião, foi salvo. Siqueira, campeão de natação do Exército (“fita azul”), resolveu nadar, seu corpo foi encontrado três dias depois, todo comido por peixes.

João Alberto fez uma bela carreira, (foi até dono e diretor de um jornal, que em 1932 lançou no Brasil os famosos quadrinhos), acabou fiscal de embaixadas no exterior.

Siqueira, (um dos sobreviventes dos 18 do Forte, em 1922), teria sido um dos grandes de sua geração.

Idade de Serra e de Lula

O nascimento dos dois, publicado por mim, provocou muita desavença e até desmentido. Então vejamos o que está na carteira de identidade. Serra: nasceu em 19 de março de 1942. No mês que vem completa 68 anos, exatamente como publiquei. E o próprio Serra, em 2002, quando queriam retirar sua candidatura, afirmou: “Estou com 60 anos, minha vez é agora”. Não mentiu, coisa que outros “presidenciáveis” fazem.

Lula: nasceu em 27 de outubro de 1945, portanto acabou de completar 64 anos, como afirmei. A diferença entre os dois é de 4 anos. E logicamente não falsificam a certidão. Aquino, desculpe, Serra pode ter ido ao comício de Jango na Central, mas não com 17 anos e sim com 21.

O fim do dólar e a provável moeda

A resposta deste repórter ao Paulo Solon, a respeito da possível mudança da moeda de troca internacional, bateu todos os recordes de comentários. Minha satisfação maior é o interesse dos seguidores, a ânsia de conhecimento e o ecletismo geral. Parabéns.

O Conar, tão inútil quanto a silenciosa CVM

A poderosa indústria automobilística , é a que mais anuncia. Principalmente na televisão, e muito mais nos canais por assinatura. E mentem vergonhosamente. Nas campanhas de vendas, dizem sempre: “Nos prazos que você quiser, COM ZERO DE JURO. Isso não existe. O JURO ESTÁ SEMPRE EMBUTIDO, DE FORMA MAIS ACINTOSA DO QUE FAZ O ASSALTANTE DE RUA.

Gabeira vai se definir

Está há muito tempo no centro dos acontecimentos, desde 1969. Ficou lá fora, voltou, só se candidatou a deputado. Ano passado, quase se elege prefeito, ficou exaltado e sacramentado. Entre uma vaga de senador e a disputa pelo governo do Estado do Rio, fica na dúvida.

Compreensivelmente. Com a absurda “coincidência” dos mandatos, se não ganhar o governo, fica sem cargo. Finalmente, garante que nos próximos dias se define. Com 17 segundos na televisão, teria que ser um novo Enéas.

Crivela desesperado

Na esperança de não ter o mandato de senador renovado, apelou para o “padrinho” maior, Edir Macedo. Este telefonou para o próprio Lula, que não atendeu nem retornou. Motivo: por que contrariar a poderosa Organização Globo?

Flamengo, segundo susto: e sem Adriano e Wagner Love?

Depois do grande jogo da reviravolta, contra o Fluminense, quase outra, ontem, contra o Olaria. Este vem jogando bem, ainda disputa um lugar nas semifinais, estaria lá, se não fosse a derrota inesperada.

O Flamengo está no “fio da navalha”, precisa vencer sempre. Mas com essa defesa não dá, ou melhor, o ataque precisa fazer muitos gols. E se a “dupla do amor” (royalties não sei para quem) não funcionar?

Advogados de fusões, os causídicos milionários

Todos os dias nos jornalões, rádios e até Internet, notícias de grupos “comprando” grupos, de todos os setores, estabelecendo o “monopólio” verdadeiro, mas legítimo? A serviço desses grupos, grandes profissionais, que deixaram o cível e o criminal, se refugiaram, é a palavra certa, no desejável enriquecimento sem muito trabalho.

Ah, mundo, mundo,
se eu me chamasse Raimundo,
seria uma rima, não seria solução

Enquanto no Haiti morreram 200 mil pessoas, a Roche, só com a venda de perfumes, aumentou seus lucros em 7 bilhões. Alguma coisa não está cheirando bem.

A ditadura de 64, começou 27 anos antes. Quantos governadores aderiram ao Estado Novo, a ditadura Vargas, em 1937? A renúncia de Jânio apressou os militares

Virgílio Malta
“Jornalista, o senhor falou uma coisa que me interessa muito. O Estado Novo, e os governadores que traíram a democracia. Isso foi há 73 anos, vou completar 40, gostaria de saber”.

Comentário de Helio Fernandes
Naquela época existiam 21 estados e Distrito Federal, que tinha prefeito nomeado. Negrão de Lima visitou todos os estados, “falo em nome do presidente Vargas, que gostaria do seu apoio para poder implantar a grande renovação que este país espera”.

O primeiro a recusar, imediatamente, foi Lima Cavalcanti, governador de Pernambuco. Disse ao pombo-correio: “Nem admito conversar, o senhor, por favor, se retire”. No dia seguinte viajou para a Europa, só voltou em 1945, quando a ditadura foi derrubada, acabou esse Estado Novo. (Identificado pelo Barão de Itararé, assim: “Esse é o estado a que chegamos”).

O segundo, Flores da Cunha, amicíssimo de Vargas, governador do Rio Grande do Sul. Recusou, disse a Negrão, “mobilizarei os provisórios”. (Era a tropa militar do governador). Getulio mandou prendê-lo, Flores se exilou no Uruguai. Processado, à revelia, foi condenado a 2 anos de prisão.

Implantado o Estado Novo, Vargas mandou um emissário ao Uruguai, dizer a Flores que “podia voltar, está tudo esquecido”. Acreditou, voltou, foi preso imediatamente, cumpriu os 2 anos na Ilha Grande. Apesar de tudo, fez uma bela carreira.

O aventureiro Juracy Magalhães, governador da Bahia, recebeu Negrão, e disse: “Vou ao Rio conversar pessoalmente com o presidente Vargas”. Foi, disse a ele: “Presidente, deixarei o governo, mas não criarei o menor problema para o senhor”.

Não demorou muito, o “fingimento” de democrata acabou, foi nomeado por Vargas para vários cargos.

E ainda durou para ser Ministro, embaixador e novamente Ministro, na ditadura de 1964. Ele, o próprio Negrão e o Almirante Amaral Peixoto, são as “três maiores biografias da História do Brasil”. Descubram qualquer cargo, aqui ou no exterior, todos os três ocuparam.

Juracy além de tudo chegou a general, Amaral a almirante. Negrão era civil.

* * *

PS – Esses fatos históricos e rigorosamente verdadeiros, deixam claro e de forma irrefutável: ter servido à ditadura (e muitos serviram a duas) não elimina ninguém, os ditadores, os subalternos, cúmplices, submissos e aproveitadores enriquecidos.

PS2 – Os que viveram, permanecem debaixo dos holofotes, na ponte ou no horizonte do Poder.

PS3 – Os que morreram, nomes de cidades, de avenidas, de pontes, reverenciados e endeusados. Essa forma de “eternizar” os ditadores do passado, é que estimula os ditadores do amanhã. Um amanhã que tem tudo para estar bem próximo, por causa do tempo, da biografia e da convicção ditatorial de quase todos.

PS4 – Que “pretendem salvar o Brasil”. Sozinhos, convictos e com a certeza inalienável: são enviados de Deus, e cumprem MISSÃO QUE NÃO PODE SER DELEGADA A MAIS NINGUÉM.

Nem mito nem santo

Carlos Chagas

Até que enfim um diagnóstico sereno, justo e necessário sobre o presidente Lula. Seu autor foi o deputado Ciro Gomes, em conversa com a jornalista Cristiana Lobo.

Ao anunciar que mantém sua  candidatura à presidência da República, Ciro reafirmou-se “um aliado indiscutível de Lula”, que continua tratando como um líder político, jamais como um mito, um santo ou alguém inquestionável. Deu um exemplo ao dizer que discorda da avaliação do presidente quanto ao processo sucessório. Ao contrário dele, sustenta   a existência de mais de um candidato saído do bloco governista como a melhor solução.

Ciro acrescentou não receber recados do Lula, “porque conversa diretamente com ele”. Combinaram encontrar-se em março. Pretende manter sua candidatura “até quando der”, ou seja,  o dia 4 de outubro, quando da realização das eleições.

Seria bom se  o PT raciocinasse como o ex-ministro e ex-governador. Menos na questão das duas candidaturas, mais na evidência de que o Lula não é um mito, nem um santo, muito  menos inquestionável. Bom para o partido, bom para o país e, acima de tudo, bom para o próprio Lula. É perigoso imaginar o presidente como acima do bem e do mal, guia genial do povos e todo-poderoso condutor dos destinos nacionais. As tempestades começam assim.   Uns por interesse, outros por ingenuidade, faz tempo que os companheiros  levaram seu chefe  para o altar. No passado, essa prática não deu certo, fosse com Getúlio Vargas, fosse com o general Garrastazu  Médici. Resta saber se o vírus já inoculou o paciente atual.

Espontânea  mas nem tanto

Espontânea, propriamente, não foi a indagação embutida na recente pesquisa da Sensus a respeito de em quem o eleitor votaria para presidente da República deixando de receber a lista de pretendentes.   Porque, na pergunta, faltou a ressalva de que o presidente Lula não poderia concorrer. A provocação teve  objetivo claro: levar a maioria  a concluir que, se dependesse dela, Lula continuaria presidente.

Tenta-se despertar o inconsciente coletivo, dada a inequívoca popularidade do primeiro-companheiro.  É claro que formulada de forma maliciosamente despojada, a questão só teria um resultado, no caso, dando ao Lula mais de 18% das preferências e aos dois candidatos de verdade, Dilma e Serra, 9%.  Ninguém votou em  Jesus Cristo, uma impossibilidade telúrica, mas, condicionados subliminarmente, os consultados votaram no Lula, uma impossibilidade constitucional.   Um perigo a merecer análise mais profunda.

Outro erro  da pesquisa  recente disse respeito a mais uma arapuca: por que ignorar, na lista de pretendentes, o já  lançado candidato  próprio do PMDB, Roberto Requião? A estratégia, no caso das elites governantes, é fazer o que a Igreja de tempos remotos e de tempos atuais  fez com Spinoza, Kant, D. Helder Câmara, D.   Paulo Evaristo Arns e outros: ignora-los, imaginando sufocar suas lições.  Bobagem, não adiantou.  A natureza segue o seu curso.

Rompida a barreira

Tarso Genro  acaba de fazer um gol em impedimento. Foi ao presidente Lula e participou a decisão de deixar o ministério antes do prazo fixado para todos os ministros, 4 de abril. A disputa eleitoral no Rio Grande do Sul será acirrada e ele pretende, desde já, dedicar-se integralmente às urnas. Não será  fácil enfrentar o prefeito de Porto Alegre, José  Fogaça, ao tempo em que permanecer mais dois meses na pasta da Justiça nada acrescentaria às suas pretensões de tornar-se governador do estado.

Outro que anda ávido pela carta de alforria é Alfredo Nascimento, dos Transportes, cujo gabinete faz algum tempo transferiu-se para Manaus.

O presidente Lula mandou dizer que “abriu uma exceção” no caso de Tarso Genro, mas estando a porteira aberta, vai ser difícil conter a boiada. Como o primeiro-companheiro decidiu-se por recompor o ministério aproveitando em maioria  os secretários-executivos, a conclusão é de que este ano final de seu mandato não será, propriamente, um período de novidades capazes de coroar sua passagem pelo poder.

Sarney de volta ao Planalto

Brasília ainda comemora os ecos da monumental e espontânea homenagem prestada pelo  Congresso ao vice-presidente José Alencar. Cinco vezes aplaudido de pé por deputados e senadores de todos os partidos, quando da abertura dos trabalhos parlamentares deste ano, segunda-feira, o fiel substituto do Lula só não será senador por Minas se não quiser.

O problema é que nas viagens do presidente ao  exterior, a partir de abril, não poderá ocupar a presidência da República,  sob pena de tornar-se inelegível. O próximo  na lista sucessória é  o presidente da Câmara, Michel Temer, ávido por tornar-se companheiro de chapa de Dilma Rousseff.  Se der certo, também ficará de fora. Resultado: José Sarney, presidente do Senado, mesmo momentaneamente, subirá outra vez a rampa do palácio do Planalto.

Bovespa: quedas indiscriminadas? Ou muito bem discriminadas?

Por que Lojas Renner e Lojas Americanas caíram tanto se não têm peso? Imobiliárias e corretoras de imóveis, quedas previsíveis. Telefônicas, quase todas em baixa, mas por que algumas escaparam, se são todas incompetentes?

Petrobras e Vale, caíram e se recuperaram, por causa do volume de negócio. E no setor de vício, o que houve que a bebida caiu muito e o cigarro não caiu quase nada? Não, podem fazer operações diferentes mas não se hostilizam.

O mercado de ações não é um mistério, é apenas pano verde, que alguns jogadores, daltônicos, enxergam de maneira diversa? Melhoraria com óculos bifocais?

Curiosidade: os 5 Índices de Wall Street que estavam em alta de até 2 por cento, fecharam em baixa bem pequena, ou até estável. Reviravolta não explicada.

Aqui, Bovespa, girou de 13 às 18, em 67 mil, subindo e descendo, mas fechando inalterada. O dólar subiu 1,31% ficando em 1,856. Interesses gigantescos, ao contrário das ações.

Alta na Matriz, baixa na Filial

Normalmente a Bolsa de lá, influencia a daqui. O que até é bem compreensível. Hoje foi diferente. Desde a abertura, os 5 Índices de Wall Street em melhor posição. Às 13 horas, quando posto estas observações, o quadro (numérico) é o seguinte.

A Bovespa abriu em alta, acharam bom negócio vender, lógico, venderam. O Índice que já subiu e desceu, agora, rigorosamente estável em pouco mais de 67 mil pontos.

O dólar que já esteve em queda, sobe 0,35% em 1,835. Mas há muita jogatina pela frente.