Apoiar dois candidatos é impossível

Pedro do Coutto

Em matéria publicada na Revista Veja que está nas bancas, o jornalista Otávio Cabral analisa o que considera um plano estratégico do presidente Lula para a sucessão de 2010e conclui que, além da ministra Dilma Roussef, ele tem hoje como segunda opção o deputado Ciro Gomes. Pode ser. Mas o próprio Otávio Cabral define, com razão, que arquiteturas políticas assim só funcionam no papel. Está certo. É impossível alguém, muito menos o presidente da república apoiar dois candidatos à sua própria sucessão. Termina não apoiando nenhuma, sobretudo em função das contradições que, em decorrência, vão se evidenciar nos quadros partidários da base aliada.

O empenho de Lula é pela manutenção da aliança de chapa. Um aceno no sentido de Ciro, é claro, rompe o equilibro e abala a aliança. Principalmente porque o presidente não poderia consultar o partido de Michel Temer sobre tal dualidade. Além do mais desnecessária, já que se as eleições são em dois turnos.E ninguém poderá vencê-las já no primeiro. Maioria absoluta nem por sonho. Lula não a conseguiu nem em 2002, nem em 2006. Aproximou-se, mas não a alcançou. A investida de Ciro Gomes na hipótese de suplantar a chefe da Casa Civil e travar o duelo final com José Serra é outro assunto.

Se tal hipótese viesse a acontecer, seria extremamente improvável que pó ex governador do Ceará pudesse unir o PT em torno de seu nome, e muito menos o PMDB, sobretudo  porque uma ala da legenda, a de Orestes Quércia,defende aliança com o governador de São Paulo.Assim, plano B pode ser algo pessoal de Ciro,não de Lula. Inclusive Lula joga para o futuro, como é natural, sua visão projeta-se para 2014.

Ciro foi candidato em 98 quando teve 10% de votação. Repetiu a presença em 2002 e registrou 12%.Havia decolado bem,mas cometeu erros ao longo da campanha,na primeira vitória de Lula, que o colocaram em terceiro lugar.No primeiro turno, Lula atingiu 47 pontos,contra 23 de Serra, 18 de garotinho.No segundo turno, curioso, os 30% de Garotinho e Ciro dividiram-se em partes iguais: Lula subiu de 47 para 62 e Serra de 23 para 38. A impressão que ficou de Ciro nas duas campanhas é que ele começa bem, mas sua candidatura perde força no decorrer dos acontecimentos. Mas esta é outra questão.

No caso de seu nome passar a ser uma alternativa para o Planalto, a impressão que dá é que Lula fez um aceno mais para forçar a mobilização do PT em torno de Dilma Roussef do que para conduzir a um divisionismo, uma duplicidade. Ele deve estar tentando produzir um impacto, principalmente junto aos setores que não confiam na perenidade de uma articulação com Ciro. Este o panorama sob o ângulo de Luis Inácio e do PT. Sob o ângulo de Ciro Gomes é outra a questão. As pesquisas do Datafolha, Sensus e agora Ibope, descortinaram uma nova leitura do cenário. Mas também é preciso considerar que é um pouco cedo para interpretações mais precisas.

Política tem tempos certos que somente a sensibilidade do momento identifica. Porém uma coisa é certa: dualidade de candidaturas não é possível. Apoios políticos, para funcionar, têm que ser incondicionais, sem restrições, vacilações. Sem atitudes pendulares. Pois o movimento pendular desfoca o sentido e reduz o impulso a favor. Não funciona. E, sobretudo, reflete-se na decisão do segundo turno. Não existe exemplo de apoio duplo na política brasileira que tenha dado certo. Pelo contrário.

Autênticas, textuais e entre aspas

Depois de “empurrar” o Brasil para o abismo de Honduras, Chávez faz nova intervenção, agora no Brasil, e diz: “Dilma é a minha candidata a presidente no Brasil”.

É a primeira vez que um presidente estrangeiro invade o espaço eleitoral de outro país. E embora Dona Dilma não seja candidata, se fosse, qualquer ligação com Chávez é desgaste irrecuperável.

Manchete da Folha, sem deixar qualquer dúvida: “Da embaixada (do Brasil) Zelaya prega a revolta”. E Lula continua silencioso para não desgastar Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia e com medo da reação de Chávez.

Morales (Bolívia) e Correa (Equador), condenam a intervenção do presidente da Venezuela, mas não dão uma palavra, temem serem abandonados. Chávez é arbitrário, autoritário, atrabiliário. E vingativo.

Manchete de O Globo: “Honduras barra OEA e faz ameaças ao Brasil”. Logo a seguir nota uma foto de Lula e Chávez, mas não reproduz a fala do presidente da Venezuela ao do Brasil: “Se você quiser eu vou à Dinamarca ajudar à escolha da Olimpíada no Rio”. É por isso que os dois estão rindo.

Quando foi ao Gabão, Lula voltou admirado, dizendo: “Ele está há 28 anos no Poder”. Sua nova admiração é Muamar Kadafi, está há 40.

José Serra passou um domingo feliz, com o “lançamento” de 5 nomes do PT para o governo de SP. Telefonou para o amigo de infância, Quércia, e disse perguntando: “Você já viu os candidatos do PT? Marta, o ex-marido, Chinaglia, Palocci, e Haddad”. Caíram na gargalhada. Com razão.

Esportivas, observadas e comentadas

Olimpíada no Rio, na América do Sul e Central

Não pode haver dúvida ou hesitação. Na sexta-feira, estaremos festejando a escolha do Rio para sede da Olimpíada de 2016. O Rio tem todas as condições de realizar a Olimpíada, os nossos possíveis defeitos são os possíveis defeitos de todos os continentes, países e cidades.

Por que só América do Norte?

E as qualidades do Rio? Nisso saímos disparados na frente. Mas temos que colocar a questão que está no título que é uma discriminação, e mais do que isso: preconceito e perseguição. EUA, México e Canadá já sediaram Olimpíadas, por que representam a América pretensiosamente mais rica? Pois América do Sul e Central agora exigem seus direitos.

Até sexta-feira, bem cedo aqui, por causa do fuso horário da Dinamarca.

Flunimed-Horcades, que venceu e Sport,
que também ganhou, rebaixadíssimos

O time do plano de saúde, ganhou 4 jogos em 26. Em 12 precisa de 8 vitórias e 2 empates. Conclusão? O Sport em 26 venceu 5, agora tem que ganhar 8 e empatar 1. Alguma conclusão positiva ou duvidosa?

Botafogo, S. André, Náutico, Coritiba, Atlético do Paraná,
dos cinco, dois deles também irão a B

Escolher entre esses 5, dificílimo, praticamente só adivinhando, ou acreditando nos que fingem de “matemáticos”. Aparentemente a pior situação é a do Botafogo. Em 26 jogos ganhou apenas 4, impressionante.

Tiger Woods vence o Grande Prêmio de Atlanta, Geórgia

Patrocinado pelo xarope mais famoso (e mal cheiroso?) do mundo. Ganhou 10 milhões, que foram para a Fundação Woods. Mas teve que suportar a presença do presidente desse xarope.

Pelé com ciúmes da Marta

Não foi à apresentação dela, alegou que seu “salário de 150 mil é exorbitante”. Ontem não foi à estréia dela e de Cristiane (outra craquíssima), disse que tinha compromisso. O Santos ganhou de 6 a 0, Marta e Cristiane fizeram 4 gols.

Renault desesperada

Depois dos escândalos que envolveram a empresa na Fórmula 1, as vendas caíram no mundo inteiro. Não sabem o que fazer para a recuperação da marca.

Flamengo-Internacional no temporal

O jogo não deveria ter sido realizado. O campo, uma poça de 110 metros, intrafegável. Os clubes se desgastam, trabalham meses, enfrentam aquele lamaçal. Zero a zero era inevitável.

Cingapura, brilhantemente iluminada,
tecnicamente escuridão escancarada

Ninguém ultrapassou ninguém, saíram e chegaram. Mudanças de posições, só nos boxes. Barrichello e Button, mais de 1 hora e meia lutando por um ponto. Isso é a Fórmula 1.

Bob Burnquist, emociona saltando de rampa,
equivalente a edifício de 10 andares

Com esse nome brasileiríssimo, 18 mil pessoas foram vê-lo saltar, lutou contra os ventos, deu o salto mortal de costas, foi bicampeão. Pena que tenha sido em São Paulo, Serra vai dizer que a conquista foi dele.

Vôlei americano e brasileiro

5 jogos, 5 vitórias da seleção de Bernardinho. Mesmo desfalcada. E apesar de serem amistosos, os EUA são sempre grandes adversários, em Olimpíadas têm provocado frustração. Estamos ou estaremos em nova disputa em 2010.

O insensato Marco Aurélio Garcia, o irresponsável Ministro Celso Amorim, o inacreditável presidente Lula, os golpistas dos dois lados, colocaram Honduras à beira do tumulto, conseguirão escapar da guerra Civil?

Não há mais nada a dizer, nem solução, qualquer que seja. E desde o inicio, venho dizendo, quem complicou e tumultuou os acontecimentos, foi o Brasil e os três personagens que identifico e responsabilizo no título destas notas.

Se as coisas ficassem restritas aos golpistas-continuistas e os golpistas-aventureiristas, acabariam por se entender. Zelaya queria o segundo mandato, mas a Constituição não somente proibe, mas seu artigo 239 prevê que qualquer governante que faça uma proposta de reformar a Constituição para tentar se reeleger deve perder o mandato de forma imediata e ficar inelegível por 10 anos.

Zelaya não estava inovando ou inventando. Queria apenas copiar FHC, Menem, Fujimori, e “adivinhando” que era (ou seria) a mesma idéia ou ambição do presidente Lula, que agora só chama de “meu amigo”.

O ex-presidente (DEPOSTO) e o corrupto e irresponsável presidente (IMPOSTO) Micheletti, acabariam formando um governo de coalizão. Se não ficassem com o governo inteiro, ficariam com a metade do governo. Afinal, não têm convicções, ideologias, projetos ou planejamentos, só não querem perder o Poder, mesmo que seja um pedaço dele.

Agora, Zelaya, Micheletti, Chávez, Lula, constroem um novo DIREITO INTERNACIONAL. Zelaya diz que não quer nenhum ASILO, está na embaixada do Brasil como HÓSPEDE. O próprio Zelaya se desmente e diz que chegou na embaixada do Brasil POR ACASO, e sua mulher o esperava lá, por COINCIDÊNCIA.

Chávez que intervém, manipula, tumultua, mas não mente, informa: “Há 15 dias já sabia que Zelaya e o governo do Brasil tinham um acordo”. Invenção? De maneira alguma, é o que está acontecendo.

Hospedado com “100 ASSESSORES“, Zelaya incita e dá ordens a correligionários para que “DESAFIEM O GOVERNO GOLPISTA, OBRIGUEM-NO A PARTIR PARA A VIOLÊNCIA”. É o que vai acontecer.

Micheletti dá entrevista e declara publicamente: “O governo brasileiro tem 10 DIAS PARA ENTREGAR ZELAYA OU CONCEDER-LHE ASILO”. O governo brasileiro, depois de INTERVIR em Honduras, diz que “não admite intimidação”. E Zelaya ratifica: “Não PEDI nem quero ASILO, estou muito bem como estou na embaixada”.

***

PS- Desde o início minha posição é irreversível, condeno Zelaya golpista e Micheletti igualmente golpista. Jamais me passou pela cabeça que Lula fosse tomar essa posição, vá lá, deixar que os dois paspalhões que “dirigem” nossa política externa, (um no Itamarati outro fora dele) agissem livremente.

PS2- Lula compromete seu próprio futuro CONTINUISTA. Embora o projeto que o favorece e anda com mais velocidade é o que PRORROGA os mandatos do EXECUTIVO, LEGISLATIVO E JUDICIÁRIO. É inconstitucional? Ora, um presidente que não tem constrangimento de INTERVIR num país estrangeiro, não terá também de INTERVIR no seu próprio país.

A perereca paralisa o Rio de Janeiro

Carlos Chagas

Deve ser preso, não  mais como doido, mas como criminoso, todo aquele que se insurgir contra medidas destinadas a defender o meio ambiente. Sustentar a  queima indiscriminada da Amazônia, por exemplo. Ou a  transformação de florestas em pastos para produzir capim para as vacas comerem.  A poluição dos rios com mercúrio e com esgotos sem tratamento. O uso abusivo do carvão e até a ampliação das frotas automotivas movidas a derivados do petróleo. Se quiserem, mesmo a distribuição de saquinhos de plástico nos supermercados, para transportar compras.

Tudo, no entanto, tem  limite. A ecologia não pode atropelar o bom senso. Muito menos o desenvolvimento e a conquista de melhores condições de vida para o ser humano.

No fim de semana que passou fomos surpreendidos com a notícia da interrupção das obras de construção do Arco Rodoviário  do Rio, em 77 quilômetros de pistas de circulação de veículos até o porto de Itaguaí, solução capaz de duplicar sua capacidade de exportação. Obras incluídas no PAC, já em andamento, no valor de um bilhão de reais.

O motivo? O perigo de perturbação da reprodução de uma espécie rara de  perereca de dois centímetros,  única no mundo,    que se reproduz  no trecho da floresta por  onde passaria a nova rodovia. A physalaemus soaresi  levou o ministério do   Meio  Ambiente, através do Instituto Chico Mendes,  a revogar a licença ambiental para a  obra prevista para  conclusão em fevereiro. Já não  vai  mais, paralisados  que estão  tratores, escavadeiras e caminhões empenhados em implantar o Arco Rodoviário fluminense.

Convenhamos, parece piada. Será que as pererecas estabelecidas no meio do caminho  não encontrariam condições  para adaptar-se a viver alguns metros à direita ou à esquerda das pistas, onde o pântano,  a vegetação e a floresta estarão conservados?

Os exageros ecológicos parece não  terem limite, movidos pela ingenuidade de uns e a malandragem de outros.  Porque tem gente interessada em impedir o crescimento do porto de Itaguaí. Os mesmos que pretendem  manter a Amazônia como um imenso jardim botânico posto à margem da civilização.  Aqueles que ainda no governo Fernando Henrique interromperam as obras de implantação da hidrovia Cáceres-Bacia do Prata, essencial ao escoamento da soja e demais produtos do Centro-Oeste a custos muito  menores do que exporta-los por rodovia até Santos e Paranaguá. A razão? O mal-estar que causaria ao peixinho dourado de um  igarapé perdido entre as barrancas do rio Paraná.  O que dizer da proibição do asfaltamento da estrada Manaus-Porto Velho? Dos empecilhos às hidrelétricas de Mato Grosso e Amazonas? E tantas barbaridades ambientais a mais, que nada tem a ver com o aquecimento global.

Com todo o respeito, a  perereca tem gerado incontáveis conflitos na história da Humanidade, desde a guerra de Tróia. Mas que viesse a prejudicar o desenvolvimento do estado do  Rio de Janeiro, só mesmo com a colaboração do  governador Sérgio Cabral.

O fantasma do velho

Revelou o senador Pedro Simon, dias atrás, que alta madrugada,  em certas  praias isoladas do litoral de São Paulo, os pescadores costumam ver passar  um vulto alto, careca e descalço, acenando para eles. Não duvidam ser o dr. Ulysses, até hoje perdido  no  mar.

O senador pelo Rio Grande do Sul prevê mudanças na visão dos pescadores.  Logo o vulto, em vez de acenar amigavelmente, mostrará um  chicote  numa das mãos, anunciando utilizá-lo em breve. Onde? Na direção nacional do PMDB, expulsando de lá  os vendilhões do partido.

Simon não se conforma com o fato de o PMDB não lançar candidato próprio à presidência da República e,  mais ainda, de estar em andamento a operação para fazer de Michel Temer candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff. Para ele, não  demora muito para  o presidente licenciado do partido defrontar-se com o dr. Ulysses, prestes a trocar por um  momento o litoral paulista pela capital federal…

Furou o saco de maldades

Política é a arte de esconder o pensamento, já  escreveu alguém. Mesmo assim, parece difícil aceitar como falsa e enganosa a afirmação  da imensa maioria das bancadas governistas na Câmara e no Senado, de que novos impostos não serão aprovados no Congresso. A gente sempre desconfia de que nomeações, benesses, liberação de verbas e sucedâneos podem  mudar férreas opiniões, mas às vésperas das eleições gerais do ano que vem,  parece impossível acreditar na aprovação do novo imposto sobre o cheque e na taxação das cadernetas de poupança pelo imposto de renda. Seria um desatino, em especial quando o governo não se cansa de apregoar havermos saído da crise, estando o Brasil em excepcional  patamar de desenvolvimento social e econômico.

A criação desses novos impostos, anunciados pela equipe econômica, contraria de alto a baixo a propaganda oficial. Arrisca o sucesso das próximas etapas do governo Lula,  a começar pela tentativa de eleição de Dilma Rousseff.  Não haverá  um candidato sequer, entre os demais, que não venha a servir   esse prato indigesto em sua campanha.

Pelo jeito, o saco de maldades de Mantega, Meirelles e companhia está furado. Mas garantir, ninguém garante…

Quase imbatível

Gerou preocupação no PT e no PMDB o rescaldo da reunião do fim de semana entre José Serra e Aécio Neves,  em Natal, Rio Grande do Norte. Porque os dois candidatos tucanos, mesmo  negando de pés juntos, estão mais próximos do que  nunca da formação de uma chapa única no PSDB para disputar a sucessão do ano que vem. O DEM já deu sinal de que não se oporá, mesmo abrindo mão da tradicional compensação de indicar o candidato a vice.

Minas tem hoje 22 milhões de eleitores. De barato, 20 milhões estão com Aécio e não  abrem,mesmo se o governador vier a ser o companheiro de chapa de Serra. De São Paulo,  o  governador não sairá com menos de 15 milhões de votos.  Basta projetar esse volume para se ter a noção de que a dobradinha, salvo engano, deixa bem para trás a concorrência.

É cedo para conclusões, mas de  cada líder de partido  que recebe a hipótese ouve-se a mesma resposta: “uma chapa quase imbatível…”

Juízes julgam 4,6 processos por dia útil no mês

Roberto Monteiro Pinho

Levando em conta que hoje existe um estoque anunciado de 58 milhões de ações (média de 3,6 ação por brasileiro), e de acordo com o primeiro diagnóstico do Poder Judiciário realizado em 2003, a taxa média de julgamento por magistrado brasileiro foi de 1.104 processos naquele ano, ou seja, cada juiz julgou 92 processos por mês (4,6 por dia útil). Deste total, 16 milhões são ações trabalhistas, e podemos concluir numa análise otimista, que os processos em andamento deverão demorar em média de cinco a doze anos para serem resolvidos. Descontando o número de acordos em torno de 30% conseguidos nos tribunais, teremos cerca de 70% desse total ainda sem solução, daí que se pode concluir que a justiça brasileira vive sua pior crise e por isso, até que o governo encontre uma solução, ela permanecera engessada e morosa.

Este quadro desalentar vai se tornando cada vez mais temerário principalmente para ao judiciário trabalhista  que trata das questões de verba alimentar, e que teve sua competência alterada pela EC 45/2004 da Reforma do Judiciário, ampliando seu universo, absorvendo toda demanda executória do INSS, que antes era da Justiça Federal. A JT vive uma realidade incomum, deriva entre a prática processualista para servir o hipossuficiente, e ao mesmo tempo serve ao seu senhor governo federal, através das execuções fiscais, com isso está dividida operacionalmente, e com o gravame, sofre de retração quanto ao seu principal papel de defesa dos interesses do trabalho, o que tem sido constante, em razão da subtração do tempo para o processo natural do trabalho para o de arrecadação fiscal.

De fato os temas processuais relevantes, aliando a teoria à prática, vêm contribuindo de maneira decisiva, para a consolidação da autonomia doutrinária do Direito Processual do Trabalho, mas na relação eficácia da lei e de sua aplicabilidade, é uma outra situação, existe enorme fronteira que separa a solução do litígio da realidade social do sistema político vigente, daí que em contraste ao protecionismo ao trabalho, tratado de hipossuficiente, na relação Estado e sociedade os limites do tratamento são imperados por lei que determina o trato, muito embora, inexplicavelmente não adotado pelo juiz do trabalho, o festejado Estatuto das Micros e Pequenas Empresas, texto jurídico utilizado com êxito e eficácia pelo juízo federal e  estadual.

1966: o que escrevi sobre a violenta injustiça da minha cassação. Num jornal apreendido, num livro que jamais circulou. 43 anos depois, uma história vivida numa ditadura esquecida e protegida.

Minha cassação foi considerada por unanimidade, entre civis ou militares, como a maior injustiça do governo Castelo, ou melhor: como uma vingança pessoal do ex-presidente. Sem nenhuma justificativa, sem poderem me classificar como corrupto ou subversivo, minha cassação se juntou a tantas outras injustiças praticadas pela “revolução”, mas essas consumadas no calor dos primeiros momentos, naqueles dias de agitação e de adesões precipitadas, quando os próprios objetivos”revolucionários” ainda não estavam identificados. Mas a minha cassação foi feita 1 ano depois do furor cassatório já ter passado, 4 dias antes de uma eleição em que os menos otimistas previam que eu ultrapassaria os 100 mil votos, e 25 minutos depois de uma decisão do Supremo Tribunal Federal garantindo a minha candidatura, impugnada pelo governo “por defeitos na ata”, e 24 horas depois desse ato infame, injusto e de pura vingança, eu publicava o artigo que agora transcrevo. E transcrevo para que se veja que ele era mais contundente e duro do que os dois artigos que publiquei depois da sua morte, como contundente, dura e implacável foi a oposição que lhe movi durante todos os seus 3 anos de governo. Comparem e vejam que meus artigos de 19 e 20 de julho de 1967, depois da morte do “presidente” Castelo Branco, não têm a menor importância diante de tudo que eu disse dele quando ele era o mais poderoso “presidente” de toda a História brasileira.

* * *

Pela segunda vez eu ganho no Supremo Tribunal Federal, para honra minha e principalmente da dignidade e da independência dos Poderes. Na primeira vez, em julho de 1963, quando a opressão do despotismo procurava me roubar a liberdade. Fui então devolvido à vida e à família por uma decisão do Supremo Tribunal Federal e pela ação indômita e indomável do ministro Ribeiro da Costa.

Agora, quando a opressão também do despotismo e da boçalidade procurava impedir a minha candidatura, foi outra vez um ministro do Supremo Tribunal Federal (um tribunal que está sempre presente nas melhores páginas da História brasileira) que reconheceu o meu direito, que determinou o registro da minha candidatura, que de público afirmou que não se tira de um cidadão, nas vésperas de uma eleição, o seu legitimo direito de ser julgado pela opinião publica, que era apenas o que eu exigia. Desta vez a dignidade e a bravura do Supremo Tribunal Federal foram representadas pelo ministro Eloy Rocha, novo ainda, nomeado não faz muito tempo, mas já imbuído por aquele ar de grandeza e grandiosidade que tanto impressionava Rui Barbosa.

Mas infelizmente a decisão do Supremo só teve duração por escassos 25 minutos. Pois assinada a decisão do ministro Eloy Rocha às 13:30, às 13:55 o sr. Humberto Castelo Branco tomava conhecimento da decisão e resolvendo atingir muito mais o ministro e o Supremo do que a mim, imediatamente resolvia me incluir na lista de cassação que já estava pronta para ser publicada. Eram 17 nomes, passaram a ser 18. Mais um ou menos um não tem importância para quem já cometeu tanta indignidade, tanta barbaridade, para quem faz do insulto à Lei e à Ordem a razão maior da própria miserável existência. Pois é miserável toda existência sem amor, e sem o calor da amizade.

Esse decreto de cassação dos meus direitos, assinado pelo Sr. Humberto Castelo Branco, é o corolário de uma longa luta dos traidores da “revolução” contra mim e contra a minha voz que não há sedução que abafe, não há intimidação que silencie, que não há ameaça que possa calar. Não tenho o menor gosto pela encenação ou pela bravata, mas posso dizer, como Bernard Shaw, que paguei e continuarei a pagar o preço exigido pelo meu direito de dizer a verdade. Doa a quem doer, fira a quem ferir, atinja a quem atingir, mesmo ou principalmente se for poderoso.

Nem se diga que o “presidente” assinou um ato com raiva, revoltado ou dominado pela exasperação. Já estava tudo preparado. E tanto isso é verdade que 24 horas antes da decisão do Supremo Tribunal Federal o irresponsável chanceler que é o Sr. Juracy Montenegro, encontrando o jornalista Ibrahim Sued num jantar, afirmou-lhe a respeito do meu caso: “Não faz a menor diferença a decisão do Supremo no caso do jornalista Helio Fernandes. Se ele ganhar no Supremo o presidente imediatamente cassará os seus direitos políticos para que ele não seja candidato”. Era verdade, e talvez pela primeira vez na vida o chanceler não estava mentindo.

O objetivo da minha cassação era impedir a eleição. Os institutos de pesquisa de opinião pública, as velhas raposas eleitoreiras, todos os que participam do processo eleitoral da Guanabara, sabiam que eu iria ter uma votação espetacular e caminhava mesmo para ser o mais votado da Guanabara, repetindo a votação estrondosa que o Sr. Carlos Lacerda tivera duas vezes consecutivas. E isso o governo não podia permitir por dois motivos principais: 1- Que a mesquinhez do Sr. Castelo Branco não pode admitir a vitória de ninguém, principalmente junto ao tribunal da opinião pública, tribunal ao qual ele jamais ousou ou ousaria se submeter. 2- Porque evidentemente a minha consagração eleitoral seria debitada ao desprestígio do Governo, pois o povo iria votar em massa em quem não poupou nunca este Governo, que denunciou-lhe sempre as traições ao interesse nacional, que não hesitou nunca quando se tratava de revelar a monstruosidade do seu comportamento em relação ao patrimônio deste país, dilapidado e miseravelmente roubado com a colaboração, a conivência e a participação de quase todo o Governo do “presidente” Castelo Branco, com as possíveis exceções de praxe, exceções nas quais certamente não se pode inscrever o próprio chefe de Governo.

Eu precisava ser cassado, silenciado, amordaçado, para que este Governo tivesse mais tranquilidade e continuar o seu restinho de tarefa que é o de vender a retalho e a granel o pouco de patrimônio que nos resta, pois o resto já é propriedade dos trustes internacionais. E na verdade, a minha cassação é uma derrota imposta ao sentimento nacionalista, a este nacionalismo autêntico que está latente e domina o povo brasileiro, que já compreendeu que sem nacionalismo não há desenvolvimento, que sem desenvolvimento não há progresso, que sem progresso não há enriquecimento do País, e sem o País enriquecer não pode haver enriquecimento de ninguém, a não ser alguns privilegiados. Em suma: fui cassado pelos trustes estrangeiros, que viam em mim um inimigo incômodo, que era preciso calar de qualquer maneira.

Mas tenho a impressão que infelizmente (este infelizmente é para os trustes e para o Governo) ainda agora não atingirão os seus objetivos. Pois não tomo conhecimento de atos arbitrários e baseados apenas na vontade pessoal de um ditador enlouquecido e ensandecido, que usa o País inteiro como arena para satisfazer a sua auto-idolatria e o seu egocentrismo autocrático e delirante.

A História dos povos e das nações não se escreve com a covardia dos que se entregam e sim com a bravura e a intrepidez dos que resistem.

Não aceito, não acato, não admito, não reconheço e não ratifico a empulhação praticada por meia dúzia de cretinos, que assaltaram o Poder se aproveitando do descuido de alguns idealistas.

Já disse há muito tempo, já afirmei e reafirmo agora: não é a simples assinatura de um farsante que pode atingir ou derrubar um homem com as minhas convicções. Além do mais, meus atos e minhas ações não podem ser julgados por um Castelo Branco qualquer. Eles serão julgados por um tribunal altíssimo, que o Sr. Castelo Branco jamais conheceu, e que é constituído por minha mulher, pelos meus 5 filhos menores. Podem dizer aos meus filhos que seu pai foi ameaçado pela violência e pela arbitrariedade, mas o que não dirão jamais é que o pai deles se rendeu ou se entregou sem luta.

Continuarei a escrever aqui mesmo, continuarei a dirigir este jornal e esta empresa, continuarei a manter esta ilha de liberdade enquanto me sobrarem forças para isso. E livre ou encarcerado continuarei a protestar contra a quadrilha que a soldo de grupos estrangeiros pretende escravizar e espoliar eternamente este País, que sem o assalto desses grupos já seria a potência mundial com que todos sonhamos.

Contra mim não basta um simples decreto. Não me asilo, não me exilo, não fujo, não me entrego. Só sei viver neste País onde nasci, pois aqui é que estão as minhas esperanças, as minhas ambições, os meus objetivos, a minha família e todos os que dependem de mim e dos quais eu dependo também. Portanto, desistam da esperança de que podem me pressionar ou me intimidar até que eu “alugue” espaço numa embaixada.

* * *

PS- A eleição era no dia 15 de novembro, fui cassado no dia 11, a campanha terminava no dia 12. À noite do dia 11 me telefonou Mario Martins, (excelente figura, candidato a senador, foi eleito) disse: “Helio, o nosso comício final está marcado para amanhã na PUC, logicamente com você. Estamos te esperando”. Fui, lógico.

PS2- na porta, me esperando, o Reitor, Padre Laércio. Falou: “Helio, estão aí dois coronéis, que disseram que você não pode falar. Respondi que não recebo ordens deles e sim dos meus superiores da Igreja, disseram que eu resolvo”.

PS3- Resposta do repórter: “Padre Laércio, se o senhor garante meu direito de falar, já devíamos estar no palanque”. Fiz o mais violento discurso da minha vida. Ao sair, os dois coronéis me prenderam, me levaram, me cassaram, me proibiram de escrever e de dirigir o jornal.

PS4- É a primeira vez que conto esta história. Ou que publico o artigo sobre a minha cassação.

Ninguém com coragem para calar o vice

Carlos Chagas

Quinta-feira, na mesma hora em que em Nova York o Conselho de Segurança das Nações Unidas pronunciava-se pelo fortalecimento do tratado de não proliferação de armas nucleares, em Brasília o presidente em exercício, José Alencar, sustentava a necessidade de o Brasil dominar a tecnologia nuclear, inclusive produzindo a bomba atômica, importante para a garantia do petróleo do pré-sal.

No Conselho de Segurança da ONU, presidido pelo presidente  Barack Obama, dos Estados Unidos, estavam delegados da Rússia,  China, Inglaterra e França, todas potências nucleares. Quer dizer, eles podem, além de alguns outros, mas o resto do mundo, não.   Estamos  proibidos de seguir-lhes o exemplo. Trata-se de desfaçatez. Malandragem e prepotência.  Fingimento puro, voltado nesse momento contra o Irã e a Coréia do Norte. Entrará o Brasil no rol dos países  proscritos, caso o presidente Lula dê seguimento às exortações de seu vice?

Parece difícil, ainda que não impossível. O heróico José Alencar tem o dom de falar a verdade, mesmo incômoda. Há sete anos  insurge-se  publicamente  contra os juros astronômicos,  contrariando a política econômica do titular.  Ninguém, a começar pelo Lula, teve e tem coragem para  pedir ao vice-presidente que  se cale. Agora, também, na defesa do direito de nos tornarmos potência nuclear.

Dobradinha em ascensão

Hoje, no Rio Grande do Norte, os governadores José Serra e Aécio Neves confraternizaram outra vez. Compareceram à convenção regional do PSDB e não perderam oportunidade para, de novo, trocarem elogios e reafirmarem a disposição de seguirem juntos na sucessão do próximo ano.  Apesar das  negativas de formação de uma chapa única, que se divulgada  agora enfraqueceria um deles, parece óbvia  a dobradinha. Serra para presidente, Aécio para vice. E quem alegar tratar-se de uma volta aos tempos da República Velha, quando o acordo café-com-leite dominava a política nacional, é bom lembrar: há sete anos  a aliança São Paulo-Minas manda no país. Ou o Lula representa Pernambuco, apesar de ter nascido lá?

Desafio

O senador Mário Couto, do PSDB do Pará, ocupou novamente a tribuna do Senado para agredir o diretor-geral do DENIT, José Luís Pagot. Disse que o alto-funcionário rouba dinheiro público. Não teve meias palavras, desafiando o agredido  a processá-lo, oportunidade para apresentar provas.

A gente se pergunta como um episódio desses pode passar em branco, mas não é a primeira vez. Mário Couto já denunciou antes o mesmo personagem, pelos mesmos motivos. Pagot é suplente do senador Júlio Campos, de Mato Grosso.  Dias atrás, preferiu não assumir, quando da licença do titular. Certamente para evitar atrito ainda maior com o representante do Pará. O diabo é que essa baixaria não acontece num grêmio estudantil ou na diretoria de um clube de futebol. Verifica-se no Senado Federal, com transmissão direta para todo o país, via rádio e televisão.

Nova lambança

Para ficar no Senado, vale registrar o apelo do senador Pedro Simon para que a mesa diretora dos trabalhos recue na decisão de permitir a seus membros e  aos líderes dos partidos  nomearem  mais  três funcionários não concursados, cada um, para ficarem em seus estados de origem. E com salários de  mais de 9 mil reais por mês. Claro que para trabalharem na campanha de reeleição dos líderes e dos membros da mesa.

Simon lembrou o argumento do senador José Sarney, de que autorizou as nomeações  a pedido dos líderes dos partidos. Mais ainda, disse que os líderes do DEM, do PSB e do PT desmentiram a reivindicação e até afirmaram ser contra, não devendo, assim, nomear mais três funcionários.  Para o representante do Rio Grande do Sul, só  uma   palavra define a lambança: ridículo.

Aproveitou para  outra crítica ao presidente do Senado, em suas palavras dono de diversos órgãos de comunicação no  Maranhão, mas que criticou a imprensa por pretender representar o povo.

Autênticas, textuais e entre aspas

Chávez agradecendo o apoio de Lula, (longe dele, mas satisfeito) sem o menor constrangimento: “Amigo é como Lula, não falha na hora do perigo”.

Zelaya, hóspede da embaixada do Brasil: “Quando voltar ao Poder responderei ao presidente da Costa Rica. Ele pensa que como ganhou o Prêmio Nobel pode intervir em outros países”.

Apesar de ter retirado o insulto grosseiro e pedido desculpas, a fala do governador Puccinelli, (que pelo nome não se perca) tem que ser lembrada: “Se o Ministro Carlos Minc, um “veado”, viesse correndo, eu iria estuprá-lo”. Inacreditável.

Devia haver uma Lei Afonso Arinos, (contra o preconceito racial) para reprimir esses homófobos, que ESTUPRAM a si mesmo. Aí esse Puccinelli seria punido exemplarmente.

Aloizio Mercadante esperava ser Ministro da Fazenda, logo que eleito senador, não foi. Agora, pelo que escreveu hoje na Folha, também não poderia ser Ministro do Exterior.

Se fosse, introduziria na ação do Itamarati, como norma, os seguintes fatos, até dignos de gargalhadas:

1- Ratificaria para Zelaya a condição de HOSPEDADO sem convite do HOSPEDEIRO. 2- Estaria inventando e invertendo o direito de ENTRAR em vez do direito de SAIR.

3- Reconheceria que esse personagem, pode utilizar a embaixada como palanque, levando com ele, no mínimo 100 pessoas.

4- Mercadante aplaudiria Zelaya, que disse não quero ASILO e sim ser HOSPEDADO. 5- E daria razão ou negaria o que Chávez disse, “muitos antes do fato eu já sabia que Zelaya conversara com o governo do Brasil”.

Bovespa instável, o menor volume dos últimos meses

Movimentando apenas 3 bilhões e 300 milhões, o “mercado” de São Paulo confirmou: fim de semana, falta de perspectiva, o mês acabando, o aconselhável era parar ou diminuir o ritmo.

Às 15:20 caiu para 59.930 pontos, mas voltou logo para os 60 mil. Acabou em 60.330 pontos, mais 0,49%.

O dólar movimentou muito dinheiro, mas quase não saiu do lugar. Abriu em 1,797 menos 0,19%, fechou em 1,796, menos 0,16%.

Crise de Honduras

Pedro do Coutto
“Helio, você colocou de forma excelente, no artigo de hoje, a diferença entre asilado e hospedado, figura que, como você disse, não existe.”

Artur Adolfo
“Helio, é preciso jornalistas que expliquem o que acontece, como você fez hoje. Quer dizer que alguém pode se hospedar na minha casa sem ser convidado por mim? Desculpe, mas como é que você consegue citar personagens desde o Império, não esquecendo os perseguidos da República?”

Telma Bragança de Alencar
“Perfeito, Helio, você condena Zelaya e Lula, mas não deixa em nenhum momento de dizer que a solução é a eleição. Obrigado por tudo.”

Mauro Carvalho
“Como é que ficarão as coisas, Helio? Alguém tem dúvida, como você deixou claro sempre, que por trás de Zelaya está o presidente Chávez? Acredito que quem pode resolver tudo é o próprio Lula. E como é que ele deixa um assunto dessa importância para ser resolvido pelo senhor Marco Aurélio Garcia?”

Nair Fernandes de Aguiar
“Bem curto e sem dúvida: por que Zelaya quer voltar ao governo se a eleição é em novembro, portanto pouco mais de 1 mês? E tudo não começou pelo fato dele querer um novo mandato?”

Gilson Moraes
“Não gostaria de fazer carga contra Lula. Mas você mesmo, logo que tudo começou, sugeriu que chamassem o ex-presidente dos EUA, Jimmy Carter. Por que não chamam? Ele é melhor como conciliador do que foi como presidente dos EUA. Estão demorando.”

Comentário de Helio Fernandes
Se alguém tinha dúvida sobre a participação dos mais diversos personagens, agora está tudo esclarecido. Zelaya, que havia declarado, “não quero ASILO, estou HOSPEDADO” (muito bem explicado por Pedro do Coutto), agora diz que teve contato com Lula, ANTES, o que era facilmente compreensível.

O primeiro a chamar atenção para a participação de Chávez, foi este repórter. Lula não percebe nem percebeu, que o ditador da Venezuela tem que ficar sempre como o “anti-Lula ou desaparece”. Agora Chávez confessa: “Eu sabia de tudo antes de Zelaya chegar á embaixada do Brasil”.

Quase todos chamam atenção para o fato de colocar Honduras em chamas para ficar no Poder por 1 ou 2 meses. Nisso tudo, de personagem desconhecido, Zelaya virou um nome internacional, obrigando Lula e o próprio Obama a EXIGIREM sua volta ao governo. Se Zelaya voltar ou voltasse, seria o crime perfeito.

Quanto à sugestão de chamar Jimmy Carter para mediar a questão, já estão demorando. Daqui há pouco outubro está aí, as eleições estão marcadas em Honduras, com candidatos dos dois lados, o que fazer? E nesse tumulto e nessa confusão a única saída é A REALIZAÇÃO DA ELEIÇÃO, SEM ZELAYA E SEM OS QUE TOMARAM O PODER.

Ibovespa sem investidores

Conforme disse ontem, as expectativas para hoje não eram animadoras. Sexta-feira, fim de mês, informes sobre altas de juros, nada satisfatório. Duas horas seguindo esse figurino.

Abriu em alta de 0,67%, em 60.440 pontos. Logo depois começava a cair, ao meio-dia estava em 60.271, a alta passou a ser de 0,33%. O volume não chegou nem ao BILHÃO habitual.

O dólar em 1,80, rigorosamente estável.

Álvaro e Osmar Dias

Em 2006, Requião foi reeeleito governador do Paraná, ganhando do senador Osmar Dias por menos de 10 mil votos. Na mesma eleição, Álvaro Dias foi reeleito senador. Seu mandato vai até 2014, o de Osmar acaba agora, em 2010.

Expliquei: não haverá luta fratricida

Como conheço muito bem quase todos os personagens (e não apenas do Paraná) disse logo, com 4 anos de antecedência: Álvaro e Osmar não se destruirão. Agora de todos os lados surge a informação: os irmãos não serão candidatos um contra o outro. O adversário será Beto Richa, do PSDB.

O presidente da Fiesp, candidato a governador?

Sem votos, sem legenda, sem povo, entronizado na torre e na cúpula do elitismo, o senhor Skaf começa a “campanha” da maneira mais desesperadora: vetado por Orestes Quércia, o “disque Quércia para a corrupção”. Depois disso, só indo morar em Seropédica, antes que seja tarde.

Biografia de Andreazza

Está pronta, deve sair ainda este ano. O Ministro mais importante de Costa e Silva, amicíssimo de Figueiredo, foi um dos artífices da redemocratização. O livro tem prefácio de Carlos Chagas, recomendação maior.

Flamengo até morrer

Todo dia fazem pesquisa sobre a eleição no clube de maior torcida do país, eleição presidencial em dezembro. Sempre aparecem na frente, Patrícia Amorim e Clovis Sahione. Desde o início é assim, tanto que chegaram a tentar uma chapa com os dois.

Marcio Braga-Dumbrosky

O presidente interino, que era oposição, foi cooptado por Marcio Braga, “recompensado” com a vice. Tem a mesma votação pífia que teria Marcio Braga para senador, Só que desistirá antes. (Exclusiva)

Podem copiar à vontade

Anteontem e ontem, quarta e quinta, nas observações sobre a Bolsa (verdadeiras e não o que é distribuído por amestrados para amestrados) comentei a situação dos juros.

Vão subir mais em vez de cair

Registrei que este ano (2009) os juros ficarão como estão, nem alta nem baixa. Subirão ano que vem, 2010. Hoje, sexta-feira, na Primeira, O Globo diz quase o mesmo. Só erram na data. Dizem que esses juros serão ELEVADOS em 2011. É 2010, perdoem, o calendário deles está esburacado.

Refúgio, asilo, exílio, fuga à perseguição, injustiça, palavras corretas ou deturpadas, que infernizaram a vida de homens que lutaram e pagaram um preço exagerado pela Liberdade. Nada a ver com Zelaya ou HOSPEDAGEM.

No Império e na República, o Brasil tem travado luta contra seus melhores homens, perseguindo-os, privando-os da liberdade, até mesmo impedindo que vivessem no país onde nasceram. Lembrando, honrando e homenageando alguns deles, tento ligá-los às palavras do título, para que alguns se recordem do que fizeram, ou os que não conhecem os fatos, passem a admirar os personagens.

(Como ponto de partida, o episódio sem grandeza de Honduras, onde golpistas sacrificam o cidadão e a população, em nome da ambição. Pelo menos Zelaya e os que tomaram o Poder são utilizados para exaltar a liberdade, e os que se sacrificaram por ela).

O primeiro ASILADO do Brasil, além da família Imperial, foi o então Primeiro Ministro, Visconde do Ouro Preto, em 1889. Praticamente Republicano, (como o próprio Imperador Dom Pedro II) vai conversar com Rui Barbosa. Convida-o então (lógico em nome de Dom Pedro) para Ministro da Justiça.

Resposta de Rui: “Por favor agradeça ao Imperador. Não posso aceitar, estou envolvido num projeto que será executado com o Imperador, se for possível, sem ele se for necessário”. Era a República. Divagação e não informação. Se Rui tivesse aceito, talvez a República fosse a dos Propagandistas e não a dos marechais.

Nessa República, a primeira vítima é o próprio Rui. Deodoro e Floriano se apossaram do Poder, brigaram, Deodoro deu o golpe em 3 de Novembro de 1891, Floriano derrubou Deodoro 20 dias depois, tinha que fazer eleições, não fez, ficou como ditador.

Rui comandou a oposição, foi perseguido, teve que se EXILAR. Primeiro em Buenos Aires, depois Lisboa, Paris, Londres. Com a posse de Prudente, voltou, foi senador em 1896.

Em 1930, o presidente Washington Luiz, derrubado, foi ASILADO nos EUA, junto com seu chanceler Otávio Mangabeira. Em 10 de Novembro de 1937, no mesmo dia da implantação do Estado Novo, Vargas ASILOU o ex-presidente da República (grande Nacionalista) Artur Bernardes e o diretor proprietário (altamente Conservador) do Estado de S. Paulo, Julio Mesquita Filho.

Em 1941 foi a vez do grande Monteiro Lobato. Perseguido e preso incomunicável por Vargas, solto vai para o EXÍLIO nos EUA. Em 1936, publicara o livro, “Escândalos do Petróleo”. (Já naquela época). Em 1941 escreve ao ditador impressionante carta-libelo ainda sobre o petróleo. Carta que devia ser desenterrada pela SITUAÇÃO e OPOSIÇÃO e distribuída aos alunos da escola primária até às universidades.

Em 1957, perseguido por Juscelino que tenta cassá-lo e proíbe sua ida à televisão, (junto com o jornalista Millor Fernandes, o único jornalista a sofrer tal represália) Carlos Lacerda se ASILA na embaixada de Cuba. Absolvido, retoma o mandato, inferniza o governo, ou melhor, os governos.

Quase 20 anos depois, vem o golpe de 1964, PRISÕES, CASSAÇÕES, EXÍLIOS, ASILOS em massa. Arraes, governador, preso logo no dia 1º de Abril é mandado para Fernando de Noronha, é ASILADO, só volta em 1979.

Jango, Brizola, Marcio Moreira Alves e muitos deixam o país da forma que era possível, são ASILADOS OU EXILADOS. Os guerrilheiros são quase todos mortos, os que escapam vão para o exterior.

Terroristas da ditadura resolvem copiar o que se faz na Argentina, tentam jogar 50 resistentes VIVOS, no mar, do alto do avião. Publicam uma lista com 50 nomes, sou o número 37. Apesar da censura implacável, escrevo artigo protestando contra a minha colocação como 37 na lista dos que devem ser jogados VIVOS dos aviões. Provo que só posso ser no máximo, no máximo, o número 5, ou o número 1 dos que estão no Brasil. Sou preso, mais uma vez, do que adianta?

* * *

PS- Afirmo, reafirmo, confirmo: haja o que houver não saio do Brasil, fico aqui do primeiro ao último dia da ditadura. Rendo homenagem aos EXILADOS, foram obrigados a sair ASILADOS. Aqui ou lá fora, são os heróicos resistentes.

PS2- Depois de tantos exemplos que vêm desde o Império e atravessam a República, inventam a palavra HOSPEDADO para exibir um aventureiro que não é HÓSPEDE de ninguém. Essa palavra desonrosa, nada a ver com ASILADO ou EXILADO.

A versão moderna do PMDB

Carlos Chagas

Com todo o respeito aos patriarcas que sobraram no PMDB, fiéis à legenda responsável pela queda da ditadura militar e à memória de gente como Ulysses Guimarães, Tancredo  Neves, Teotônio Vilela, Mário Covas e outros, a verdade é que o partido foi atrás da vaca. Para o brejo, onde se encontra submergindo cada vez mais.

A última do PMDB, ou do grupo que o controla, é de não ter candidato à presidência da República no primeiro turno,  posicionando-se,  no segundo,  em favor do provável   vencedor. Quer dizer: arriscar-se, de jeito nenhum. Manter-se sempre à sombra do poder, qualquer que ele seja, beneficiando-se com ministérios, diretorias de estatais e altas funções, das ostensivas às encobertas.

Não dá para aceitar sem protestar uma estratégia dessas. Primeiro porque como ainda o maior partido nacional, o PMDB tinha obrigação de apresentar candidato próprio. Depois,  porque contentar-se com as migalhas do banquete antes servido por Fernando Henrique, e hoje pelo Lula, significa carimbar passaporte para o desaparecimento.  Pouco representa para o partido dispor do maior número de vereadores, prefeitos, deputados estaduais, governadores, deputados federais e senadores. Apenas bilhetes para usufruir das benesses governamentais. O preço a pagar tem sido o envelhecimento, a perda de identidade e, acima de tudo, a subserviência. Tucanos e companheiros olham de cima para baixo essa federação de divergências transformada num  aglomerado insosso, informe e inodoro.

Paranóia

A paranóia ecológica e ambientalista internacional não tem limites. Surgiu na Europa uma nova acusação contra o Brasil, que além  de queimar florestas,      poluir rios, plantar cana e arrombar a camada de ozônio, transforma-se agora no maior produtor de gás metano, ameaça fundamental  ao aquecimento do planeta.

Sabem porque essa investida? Porque as vacas andam fazendo cocô em demasia, responsável pela formação e pela invasão  de gás metano na atmosfera.  Lá da Holanda surge a denúncia de que possuímos o maior rebanho bovino do mundo, o que é verdade. Mas que,  por conta disso,  somos os maiores produtores de gás metano, ou melhor, as vacas é que são.

Fazer o quê? Condenar as vacas?  Submeter o rebanho a um regime rígido, para que produza menos bosta? Limitar a natalidade no pasto? Ou vender menos carne no mercado internacional, favorecendo a concorrência?

Certos absurdos costumam pegar, e esse é um deles, se  o ministro Reinhold Stephanes não reagir de imediato.

O mesmo Senado de sempre

Raras vezes se viu, no Senado, amontoado tão cheio de impropérios, agressões e adjetivos virulentos como no discurso de um fim de tarde, esta semana, do senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás. Extrapolou e abusou o  competente jurista, presidente da Comissão de Constituição e Justiça, nas  críticas ao ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

O chanceler foi chamado de “anedota de  proporções planetárias, mentiroso, megalonanico, trapalhão, pitbull” e dezenas de outros  rótulos, tudo por conta do apoio do Brasil a um egípcio derrotado dias atrás para diretor-geral da Unesco. Convenhamos, por mais que o Itamaraty tenha errado ao rejeitar a candidatura de um brasileiro, fica difícil  incluir   a catilinária do senador oposicionista no rol  dos pronunciamentos que honram o Congresso.

Foi tão chocante  o impacto de suas palavras que José Sarney, na presidência dos trabalhos, encerrou  abruptamente a sessão, negando até mesmo apartes a Eduardo Suplicy e Marina Silva, que  pretendiam defender o ministro agredido.

Mais uma do Marco Aurélio

Corre em Brasília que toda a lambança decorrente do asilo a Manoel  Zelaya em  nossa embaixada em Honduras deveu-se à inspiração do chanceler do B, Marco Aurélio Garcia. A ele cabe definir a política diante da América Latina, sob  irritação do Itamaraty.  Oferecer nossa representação em Tegucigalpa para abrigar o presidente deposto e seus adeptos significa, antes de mais nada, ingerência nos negócios internos de um país soberano, por mais execrável que tenha sido a troca do poder em Honduras. Sozinho, o presidente deposto teria o direito de lá  refugiar-se, mas levando com ele quase todo o antigo ministério e promovendo reuniões do ex-governo “no exílio” tornou-se algo inadmissível. O pior na história é que o presidente Lula continua apoiando o gesto inusitado.

Dia chuvoso, monotonia no mercado

Quando postei a primeira observação, às 13 horas, o Índice estava em 59.960 pontos, queda de 0,85%. Não havia entusiasmo, registrei: o movimento não deve chegar a 5 bilhões. Não chegou mesmo, parou em 4 bilhões e 600 milhões.

Por volta de 16 horas, passou dos 60 mil pontos, mas pouquinho, acabou em 60.076 a baixa foi de 0,74%.

O dólar fechou em 1,80, alta de 0,52%. Amanhã, último dia da semana e quase do mês, não esperem grandes novidades, embora voltem a falar em alta dos juros. Não imediatas. Mas que vão aumentar, não duvidem.

Palmeiras: encurralado pelo Cruzeiro, beneficiado pelo árbitro, “ganhou”

O Cruzeiro, só no segundo tempo fez mais de 40 ataques contra 4 ou 5 do Palmeiras. Este marcou 2 gols por acaso, o Cruzeiro perdeu muitos, por falta de sorte, vá lá, incompetência mesmo com as bolas na trave. E desespero do Muricy, correndo pela lateral, apontando para o relógio, gritando, “acabou, acabou”. Ha! Ha! Ha!

Flunimed de Horcades e do Plano de saúde

Conseguiu empatar no finalzinho, mas é um desastre. Jogava com o penúltimo do medíocre campeonato do Peru. Deve ganhar no Brasil, nada a ver com a série B do ano que vem. Tem que melhorar o time. E fica com Horcades e o Plano?