Casa Civil de Dutra a Lula, centro nervoso dos governos

Pedro do Coutto

De Eurico Dutra, eleito na redemocratização de 45, a Lula da Silva, eleito em 2002 e reeleito em 2006, passando especialmente por Vargas, Juscelino, Médici, Ernesto Geisel, João Figueiredo, e o atual presidente da República, a Casa Civil constituiu-se e se constitui no mais importante centro nervoso dos governos. Provavelmente pela intimidade com o poder maior, talvez pelo fato de seus ocupantes terem acesso irrestrito às salas do Planalto, e sobretudo porque se transformam em homens e mulheres que sabem demais, como na obra de Alfred Hitchcock.

Agora mesmo, como a Folha de São Paulo publicou na edição de sexta-feira, o triste episódio Erenice Guerra causou perda de pontos de Dilma Rousseff no Paraná, em Brasília, e na Bahia. As quedas mais fortes ocorreram em Brasília e no Paraná. Ela mantém a frente, porém com diferenças setoriais maiores. No panorama geral, sua vitória permanece assegurada: tem 51 a 27. Não há dúvida. Entretanto a margem pode cair se a repercussão do desastre chamado Erenice Guerra se prolongar. Vejam só. No Paraná, Dilma desceu de 46 para 41 pontos. Em Brasília, de 51 para 43. Na Bahia, de 59 para 57. O fantasma Erenice Guerra causou efeitos concretos. Nomeá-la foi um erro de Lula e da própria Dilma Roussef. Afinal de contas, a ministra agora afastada produziu um dos maiores escândalos da história política do país.

Mas eu falava na importância e na extrema sensibilidade que envolve o desempenho da chefia da Casa Civil. O avesso do avesso como na canção de Caetano Veloso. O jurista Pereira Lira comandava o posto no governo Dutra. Era homem de total confiança , centralizador. Absolutamente íntegro, um homem rigoroso, a única crítica que lhe era dirigida repousava exatamente na centralização excessiva. Mas foi um governo sem crises.

Em 50, Dutra apoiou Cristiano Machado, deputado pelo PSD, contra Getúlio que retornava triunfalmente ao palco , e viu seu candidato chegar em terceiro lugar, atrás portanto de Vargas e do brigadeiro Eduardo Gomes. O chefe da Casa Civil de Vargas foi Lourival Fontes, cuja atuação foi considerada péssima pelos dirigentes partidários e pela própria família Vargas. Eleito em 55, JK, atendendo indicação do jornalista Paulo Bitencourt, diretor proprietário do Correio da Manhã, jornal politicamente mais influente da época, nomeou o escritor e jornalista Álvaro Lins, um dos maiores editorialistas da imprensa brasileira. Mas Álvaro Lins (não confundir com o deputado cassado pela Alerj) deslumbrou. Convocava reuniões ministeriais para traçar normas, teve que deixar o cargo. Terminou rompendo com o Correio da Manhã, jornal em que trabalhava. Procurado por Niomar Moniz Sodré, mulher de Paulo Bitencourt, no Palácio do Catete, a deixou esperando por mais de duas horas. Burrice incrível. Ingratidão também.

O general Médici teve o professor Leitão de Abreu no posto. Honesto, adotou porém o estilo Pereira Lira. Desgostou a quase todos. Não só sabia, mas era o homem que mandava demais. No governo Ernesto Geisel, o poder do chefe da Casa Civil, general Golberi do Couto e Silva, atingiu o máximo. Golberi, como revela a obra monumental de Élio Gáspari, que foi seu amigo e recebeu a guarda de seus arquivos, transformou-se no Cássio de Júlio Cesar, peça famosa de Shakespeare. Passou a gravar todas conversas do presidente, recorrendo ao SNI, que chefiara no passado, em busca de fazer a história no futuro. As gravações não ficaram só no Palácio, mas se estenderam à residência particular de Geisel. Este morreu sem saber o que se passava. Permaneceu no governo João Figueiredo, mas foi derrubado na crise da bomba no Riocentro. Queria que o Exército punisse os verdadeiros responsáveis.

Os mesmos que, também em 81, explodiram as rotativas e incendiaram o prédio da Tribuna da Imprensa. Não conseguiu. Demitiu-se. Melhor dizendo: foi demitido. Chegamos a José Dirceu. Este merece um capítulo especial. Foi demitido no desastre do mensalão, teve o mandato parlamentar cassado. Com isso a perspectiva de ser presidente da República, em vez de Dilma Rousseff. Jogou fora o que parecia ser o seu destino. Atravessamos o período Dilma Roussef, que o substituiu, e chegamos finalmente a Erenice Guerra. Fim da linha. Ela desembarcou tristemente do que se pode chamar de expresso da vitória. Não deixa saudade.

Para o eleitor de Dilma, a saída de Erenice Guerra não influi

José  Carlos Werneck

Para quem vai votar na candidata Dilma Rousseff (leia-se, presidente Lula) em nada influi a saída da ministra-chefe da casa civil da presidência da República nas pesquisas que dão a vitória da candidata do PT.

O eleitorado de Dilma não está nem aí para as denúncias envolvendo os integrantes do governo. Para dizer a verdade nem sabem o que significa o cargo de ministro chefe da casa civil, o segundo posto mais importante da Administração Federal, logo após o presidente da República.

Secularmente a maioria de nossa população, não mora decentemente, não tem emprego, e quando tem ganha mal, não tem assistência médica e previdência dignas, sofre nas filas dos hospitais, não possuiu um bom sistema de saúde e não tem segurança pública.  Isto tudo para não se estender, ainda mais,nas mazelas de que padece nosso povo.

Nossa gente carente e abandonada identificou-se com um Governo, que apesar de inúmeras falhas, preocupou-se com os menos favorecidos e procurou melhorar suas vidas.

Por isso as pesquisas de intenção de voto maciçamente favoráveis à candidata de Lula e a aprovação quase unânime ao Governo atual, não surpreendem a ninguém, que conheça um pouco da realidade deste País, em que os menos favorecidos SEMPRE foram esquecidos.

Diziam que Lula eleito ia estatizar os bancos, tomar as propriedades dos mais “ricos” e outras sandices espalhadas por seus adversários.

Ao contrário, nada disso aconteceu, Nunca os bancos lucraram tanto no Brasil, como nos dois últimos governos, chefiados pelo “perigoso” Lula”. Creio que os banqueiros sejam os maiores doadores da campanha de Dilma Rousseff e seus maiores cabos eleitorais.

Com a Democracia plena e as instituições funcionando razoavelmente o debate sucessório, felizmente, perdeu seu conteúdo ideológico e o que interessa ao eleitor é uma democracia econômica, um capitalismo de massas, com uma distribuição equânime das riquezas nacionais, a geração de novos empregos, aposentadorias e salários dignos e o tal sonhado bem estar social.

O presidente Lula, com seus programas sociais tornou menos perversa a situação dos miseráveis. Isso é inegável e esse é um dos acertos de seu governo.

Só que não existe almoço grátis, a conta é alta e está sendo paga pelas pessoas erradas.

Os muito ricos é que deveriam pagar essa conta, já que também lucraram muito com o crescimento da economia como um todo.

Mas a fatura veio parar nas mãos erradas. Caiu no colo da classe média, constituída de pequenos empresários, funcionários públicos, profissionais liberais, gente que paga impostos, na fonte e fora dela, para que o governo possa gerir seus bem sucedidos programas sociais,

E é essa classe média que está fazendo das tripas coração, para pagar o plano de saúde, a prestação da casa própria, ou o aluguel da moradia, a escola dos filhos e todas as demais contas no fim do mês. Nunca houve tantos integrantes da chamada classe média vivendo tão mal e sofrendo tanto. Esses são os que querem ver a coisa mudar. Esse pessoal é que compõem o percentual de votos de José Serra.

Podem ter certeza, após a DEMISSÃO DA MINISTRA Erenice Guerra e de mais este escândalo governamental, Dilma continuará liderando as pesquisas e aposto que aumentará sua diferença em relação a Serra. Viva o Bolsa Família!

O surrealismo brasileiro. O Boni enriqueceu com a televisão, critica a televisão, numa entrevista à televisão. É bem verdade que o programa “Roda Viva” não é bem televisão.

Fiquei surpreendido, passando para ver alguma coisa, vi o todo poderoso e enriquecido Boni, sendo entrevistado pela TV Cultura.

Não ia ficar. Há anos, logo que o programa apareceu, apelidei-o de “Entrevista Vôlei”, os apresentadores “LEVANTAM” para os entrevistados “CORTAREM”. Já se foram tantos APRESENTADORES, mudaram mas tudo continua o mesmo.

Com o Boni apresentava assuntos não rotineiros, fiquei, esperava controvérsia, debate, polêmica. Não houve nada, mas o Boni colocou problemas interessantes.

1 – “Os programas jornalísticos da televisão, são todos iguais, falta criatividade e autenticidade”.

2 – “As televisões não têm JORNALISMO INVESTIGATIVO, se conformam com a rotina. Dessa forma, ficam todos desprestigiados”.

3 – As televisões ESCONDEM tudo o que interessa publicar, por isso são todas iguais, as notícias são as mesmas”.

***

PS – O Boni foi por aí, num caminho surpreendente, mas que estava à disposição dos “debatedores”, só que ninguém debateu.

PS2 – Quando um homem de televisão como o Boni, diz que a televisão ESCONDE fatos e notícias, qualquer um responde na hora: “Não dão uma linha ou 1 minuto sobre as DÍVIDAS externa e interna.

PS3 – Eu dizer isso, normalíssimo. MAs um poderoso senhor da TELEVISÃO, tentar colocar o assunto e não receber resposta, não é ele que FICA MAL. São os PARTICIPANTES SILENCIOSOS.

Dirceu e a ditadura anunciada

Valdenor de Souza:
“Helio, aí chega o Dirceu e fala na DITADURA ANUNCIADA. E a imprensa?”

Comentário de Helio Fernandes:
A imprensa (amestrada e enriquecida) não diz nada, pois não é para dizer mesmo. À medida que a tecnologia avança, os lucros se multiplicam . Para esses senhores, tanto faz a DITADURA ou DEMOCRACIA, quem tem razão, apesar do deliberado e profundo radicalismo, é o Paulo Solon.

Tanto faz. Quando Gutemberg, em 1460, permitiu a fabricação das máquinas de IMPRIMIR, os PROPRIETÁRIOS DE ÓRGÃOS, que se diziam jornalísticos, mas não sabiam escrever, começaram a enriquecer, era o que interessava.

Em 1894 veio o rádio, invenção de Marconi (Guglielmo Marconi), mais um órgão para explorar, no sentido da palavra, e para juntar mais dinheiro. Por volta de 1940, inventaram a televisão. Mas como o mundo estava em plena Segunda Guerra Mundial, só pôde ser utilizada a partir dos anos 50.

Passamos mais um menos 40 ou 50 anos sem nada, aí o mundo da tecnologia E-N-D-O-I-D-E-C-E-U, no bom e mau sentido. O avanço é tão grande que chega a ser difícil decorar e lembrar os nomes. Mas tudo se volta contra a coletividade e a proliferação dos BILIONÁRIOS, QUE JÁ SÃO TRILIARDÁRIOS.

Os milhões do Fundo Partidário

Paulo Lima:
“Helio, você disse que os 27 partidos brasileiros recebem 2 milhões por ano do Fundo partidário. É muito mais, Helio, mas muito, esses 2 milhões são apenas o início. Vão aumentando em relação ao número de parlamentares eleitos”.

Comentário de Helio Fernandes:
Desculpe, Paulo, posso até concordar com você, sem o menor constrangimento. A informação que obtive foi essa, mas também acho que a voracidade dos 27 partidos não se conforma com isso.

Meu objetivo é acabar com 2 ou com 20, e obrigar os partidos a se reformarem, a existir realmente. Agradeço a você e a quem debater este assunto, fundamental.

Os votos de Tiririca e Romário

Cláudio Sarmento:
“Helio, se o povo sabe votar, como explicar o Romário, Tiririca e outros?”

Comentário de Helio Fernandes:
A colocação não está certa, Cláudio. Infelizmente não dá para transformar, a não ser modificando os partidos, estruturando-os, dando participação à militância. Aí surgirá um sistema mais correto, com credibilidade, autenticidade, representatividade.

VARIADAS, com a viagem do Papa, o envelhecimento da população na França, na China e no Brasil, as drogas e a pedofilia na Igreja

O que é que o Papa Bento XVI foi fazer na Grã-Bretanha, que não é católica há centenas de anos? E insiste em “alertar o mundo contra o sexo”.  XXX  Está perdendo tempo, se não fosse o sexo, não haveria reprodução, o mundo desapareceria.  XXX  Mesmo com sexo, os países estão cada vez com populações menores, os governos desesperados e assombrados, sem saber o que fazer.  XXX  Em alguns países, (por exemplo, a França) o governo oferece o que deveria fazer por obrigação. Dão bonificação para cada filho a mais, garantem os estudos até o final da Universidade, estão assustados com o envelhecimento da população.  XXX  A China, que tem 1 BILHÃO e 300 MILHÕES de habitantes, admitia-se que estivesse livre do problema, punia quem tivesse mais filhos. Agora, mesmo com esse total de pessoas, está incentivando o aumento da prole, pois se não nascerem, estará como enorme população de idosos.  XXX  Aqui no Brasil, todos se referiam ao país como um dos mais jovens. Acontece que as pessoas deixaram de ter mais filhos, hoje somos um PAÍS DE IDOSOS.  XXX  O Papa devia falar mais contra as drogas, todas elas, bebida, fumo, e a DROGA propriamente dita.  XXX  E deveria se voltar VIGOROSAMENTE contra a PEDOFILIA, na própria Igreja. Pedofilia não tem nada a ver com sexo, é a indignidade da humanidade, a vergonha elevada ao ponto mais alto.  XXX  Volte para casa, Bento XVI e cuide do seu próprio REBANHO.  XXX

É preciso investigar

Carlos Chagas

Erenice Guerra foi demitida, apesar de ter assinado o pedido  de exoneração  levado por Gilberto Carvalho e Franklin Martins, mas agora é que deveriam começar as investigações. Em primeiro lugar, torna-se necessário saber quando seus dezessete parentes entraram para o serviço público: só depois dela haver assumido a chefia da Casa Civil ou antes, quando era assessora de Dilma Rousseff? Quem sabe até quando  exercia a consultoria jurídica no ministério de Minas e Energia?   Nesse caso, a antes ministra e  hoje candidata presidencial sabia do furor da amiga em nomear marido, filhos, irmãs e irmãos, sobrinhos e papagaios para a máquina estatal? É preciso investigar, também, se a família Guerra trabalhava ou simplesmente valia-se da força da patriarca para faltar ao trabalho e  auferir vencimentos.

Em seguida deve-se passar do geral para o particular: quantas operações foram desenvolvidas pela empresa de seus filhos, traficando a  influência da mãezona  e obtendo de empresas públicas e da administração direta  vultosos contratos com empresas privadas? Estas, beneficiadas, é preciso identificar. Contribuíram com que valores no ítem “cláusula de sucesso” para o bolso da família? Foram muitas ou poucas vezes que dirigentes de empresas privadas eram levados à presença de Erenice, só para saberem  quem realmente geria os negócios?

Estamos diante de um poço aparentemente sem fundo, tornando-se impossível vedá-lo só porque foi descoberto, como em tantos outros episódios anteriores. E não se diga que tudo aconteceu apenas no governo Lula, porque buraco ainda maior foi aberto e tapado no governo Fernando Henrique, com as privatizações.

INFLAÇÃO DESMEDIDA

Tomara que os jornais tenham acrescentado um zero a mais nas contas referentes às trapalhadas de um filho de Erenice Guerra, agenciando empréstimos do BNDES para empresas dispostas a pagar-lhe propina. Ou será que  os tempos passaram em tão vertiginosa corrida, fazendo a economia perder a noção de valores? Existe  mesmo uma empresa, em Campinas, pleiteando dois bilhões do banco empenhado em promover o desenvolvimento?  Teria o lobista-lambão exigido a estratosférica  comissão de  450 milhões de reais?

AS CAUSAS PRIMEIRAS

Pergunta-se porque tantas lambanças iguais às praticadas por Erenice Guerra sucedem-se no governo e arredores. Será por conta do grande coração do Lula, para quem auxiliares seus jamais cometem equívocos? Pela determinação do primeiro-companheiro de abrir as asas e abrigar honestos e desonestos?

Há quem suponha causas mais imediatas. Terá sido pela avidez do PT, tantos anos exposto ao sol e ao sereno e, de repente, guindado aos controles do poder? Caíram em tentação, os companheiros, conhecedores de atos anteriores praticados por outros partidos e grupos, no passado  igualmente envolvidos em tráfico de influência, formação de quadrilha, extorsão e sucedâneos?

Ou tudo acontece pelo simples fato de a política existir, desde tempos imemoriais?

A GRANDE DECISÃO

Anuncia-se para quarta-feira a sessão do Supremo Tribunal Federal que julgará recurso do ex-governador Joaquim Roriz   para escapar da lei ficha-limpa. A decisão, se tomada nesse dia, definirá a sorte de quantos candidatos tem tido negado seu registro, condenados anteriormente por crimes diversos. Ou por haverem renunciado a mandatos para evitar a cassação.

Além de perigoso, parece inócuo especular sobre sentenças judiciais antes  de exaradas, mas a informação é de que os dez atuais ministros da mais alta corte nacional de justiça estariam divididos: cinco pela imediata  aplicação da lei, cinco sustentando sua validade apenas para as próximas eleições, não as atuais.

Convém aguardar.

Dilma consolidada: Caso Erenice só afeta renda alta

Pedro do Coutto

Pesquisa do Datafolha publicada na edição de 16 de setembro, comentada conjuntamente por Fernando Rodrigues e Fernando Canzian, apresenta a liderança de Dilma Rousseff em matéria de intenção de voto plenamente consolidada. Ela, apesar das tempestades causadas pela invasão de sigilos fiscais e da corrupção que envolveu a ex-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, nesta semana que passou subiu de 50 para 51 pontos, enquanto José Serra desceu do vigésimo oitavo para o vigésimo sétimo andar. Marina Silva manteve 11%. Vitória previsível no primeiro turno, royalties para minha mulher Elena, primeira a identificar a tendência que começava a se desenhar no início da campanha. Mas este é outro assunto.

Rousseff está consolidada porque vence em todas as quatro regiões do país, em ambos os sexos, em todos os níveis de escolaridade, margem muito acentuada nas escalas de base, em todas as faixas de renda. Só um maremoto acompanhado por um tornado poderia alterar o panorama visto da ponte em relação às urnas de 3 de outubro. Além do mais, a ruptura dos limites legais no que se refere às declarações de Imposto de Renda, crimes praticados estranhamente em cidades satélites paulistas, e dos crimes de corrupção desfechados em Brasília à sombra da Casa Civil de Erenice, são episódios  que somente afetaram as classes de renda mais alta. O grupo A e B.

Nas faixas C e D/E não causaram a menor sensibilidade. Fernando Canzian observou bem este aspecto essencial revelado pelo Datafolha.

Vejam os leitores o seguinte. Nos grupos que abrangem os que ganham até 2 salários mínimos, Dilma tem 55 contra 24 de Serra. Junto aos que percebem mensalmente de 2 a 5 pisos, Dilma alcança 49 contra 28 de Serra. Na faixa que vai de 5 a 10, Rousseff marca 47, Serra 28. Entretanto, no que se refere àqueles cujos vencimentos superam 10 salários mínimos, aí sim, a diferença diminui muito. Dilma mantém-se à frente, porém pela margem de 36 a 34 pontos. Marina Silva, nesta escala, alcança 19% das intenções de voto. Como a diferença anterior era maior, e encurtou, pode-se interpretar o fenômeno como efeito dos escândalos de inverno, frase que componho inspirado em propaganda antiga da loja O Camiseiro, que não existe mais e ficava na Rua da Assembléia. Era tradicional no comércio do Rio.

Ocorre no entanto que a perda de alguns pontos de Dilma registrou-se num universo pequeno, em torno de 10% do eleitorado. Dilui-se no oceano de 90%. Não influi no rumo geral da disputa. A diferença de uma para outro permanece muito grande. Dilma, assim, está mais perto do Palácio do Planalto, do que José Serra.

* * *

Um outro assunto. O Diário Oficial de 13 de setembro, na primeira página, publica a decisão do Supremo Tribunal  Federal na ação proposta pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, considerando inconstitucionais quatro dispositivos da lei 9504/97, Lei Eleitoral. São os incisos 2 e parte do inciso 3 do artigo 45, além dos itens 4 e 5 do mesmo artigo. Assim, o STF além de liberar os programas de humor envolvendo os candidatos, permitiu a colocação de opiniões favoráveis ou contrárias a pessoas e partidos em programas jornalísticos e mesmo em novelas e minisséries. Foi, na realidade, uma abertura muito grande, ainda não bem percebida pelas redes de televisão e emissoras de rádio. Afinal de contas, o resultado do julgamento foi ao encontro da Constituição de 88, que proíbe qualquer tipo de censura ou restrição às manifestações de arte e pensamento.

O desenvolvimento nacional – I

Jorge Folena

Faltam quinze dias para a eleição presidencial de 2010 e os principais candidatos não discutiram com a profundidade necessária os problemas brasileiros, que são muitos.

O país não tem um projeto de nação.

Vou aproveitar a oportunidade e a confiança depositadas pelos jornalistas Hélio Fernandes e Carlos Newton para, nesta coluna aos sábados, discutir alguns impasses brasileiros, pois como disse Thomas Woodrow Wilson, ex-presidente dos Estados da América do Norte, “um povo que entrega suas riquezas naturais para que outros povos explorem, está condenado a ser um povo de escravos e aguadeiros”.

Assim, o Brasil tem que defender o que é seu, sob pena de sermos um “povo de escravos”, e para que as crianças e os jovens possam ter esperança de um Brasil melhor.

Contudo, é  necessário reverter o triste cenário atual, uma vez que, segundo pesquisa Datafolha, “42% dos jovens brasileiros sonham em deixar o País para sempre e 18% não querem nunca mais voltar”, como registrou o jornalista Nogueira Lopes em sua coluna na Tribuna da Imprensa, de 05/08/2008, p. 11. Daí a importância de lutarmos pelas riquezas do País.

Como pensam os políticos brasileiros

A Tribuna da Imprensa de 30/08/2008, p. 07, noticiou que o ministro da Fazenda (Guido Mantega) manifestou que “não haverá mais problemas de contas externas no Brasil”, uma vez que “a venda do petróleo da camada do pré-sal, localizado abaixo do leito marinho, será a base para o aumento das reservas internacionais de US$ 400 bilhões.”

O País ainda está definindo como será explorado o suposto petróleo do “pré-sal”, mas importantes autoridades governamentais já expressam que o óleo será destinado para o exterior.

Nestes últimos dois anos, tem se debatido muita coisa: redistribuição dos royalties do petróleo, criação de uma nova empresa estatal e de um fundo soberano, mudança da legislação etc. Mas ninguém questionou a necessidade de ser criada uma reserva estratégica de petróleo, fundamental à soberania do País.

Como se sabe, toda a história de desenvolvimento do Brasil, até o início do século XX, alicerçou-se em ciclos econômicos monoculturais: pau-brasil, ouro, cana-de-açúcar, borracha, café, soja, minério de ferro e, hoje, petróleo.

Parece que, agora, com a exploração do “pré-sal”, nossos dirigentes vão conduzir a política econômica do País para a exportação do petróleo. Sendo certo que o que for arrecadado será destinado ao pagamento dos encargos da absurda dívida mobiliária interna, que conduz ao empobrecimento do povo brasileiro.

Se existirem de fato as quantidades anunciadas, não será correto proceder à exportação do óleo como produto primário, que deverá  ser utilizado para fortalecer as reservas estratégicas do país, a exemplo do que fazem os Estados Unidos da América do Norte.

O Brasil, sem sombra de dúvida, é muito rico em recursos naturais e culturais. Tem tudo o que é necessário para o crescimento de uma grande nação e para a prosperidade de seu povo. O País tem minerais, água doce, diversas fontes de energia, terras abundantes e férteis e quase duzentos milhões de habitantes.

A propósito, são oportunas para reflexão pelas autoridades brasileiras as palavras da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, ao lembrar que: “a pobreza não veio à América Latina com o vento e a chuva, mas sim pela desapropriação de recursos desde que foi descoberta, somando ainda os erros dos dirigentes locais”. (La Nacion, 18/05/2008, p. 15)

Com efeito, o Ministro da Fazenda ou qualquer outra autoridade tem que agir buscando o melhor para o País, a fim de eliminar a herança perversa do processo de colonização, ainda baseado na expropriação das nossas riquezas.

Caso contrário, valerá a triste constatação do maestro Antonio Carlos Jobim, que afirmou que “o Brasil não gosta do Brasil”, citando como exemplo que “o Japão é um país paupérrimo, com vocação para a riqueza. Nós somos um país riquíssimo, com vocação para a pobreza.”

Portanto, nossos dirigentes não podem continuar a repetir os erros do passado na condução da administração do País. Assim, em vez de anunciar a venda do que ainda não foi explorado, devem planejar a constituição de uma reserva estratégica que venha a beneficiar as gerações presente e futura.

O que estamos vendo nestes últimos dias é o anúncio da capitalização da Petrobras com reservas do pré-sal, antecipada pela União. Por que o governo não acabou com a especulação, que só favorece alguns poucos, criando uma empresa 100% brasileira para explorar as grandes reservas de petróleo? O Presidente Lula deve esta resposta, antes do término do seu mandato.

Fidel de hoje complica tudo, até o entendimento sobre ele mesmo. Não é o de 25 anos, o de 33, completou 84, reaparece no vazio. E o discreto, silencioso e omisso Raul, que já nasceu comunista, o que faz?

Não esperava voltar ao tema e ao personagem, tão cedo. Não tenho a menor dúvida nem constrangimento de dizer: haja o que houver, qualquer que seja a análise sobre Fidel, ele é um homem que conquistou o seu lugar na citação dos séculos, o XX e o XXI. O XX foi mais positivo, o XXI, apenas com 10 anos, não está sendo favorável a ele. Mas não interessa, ele é inatingível, embora tenha vivido demais. A história é dele.

Mas positiva ou negativa a apreciação sobre Fidel, não passará ignorado pela História, será discutido, desvendado, amado ou odiado. Um homem que aos 34 anos se lançou para o mundo, que ficou 50 anos combatendo e sendo combatido, não poderá ser esquecido apenas porque juntou meia dúzia de tolices sobre ideologias, sistemas de governo, o que ficará para sempre (“capitalismo eterno”) e aquilo que no seu entendimento, será ultrapassado.

Três fatos me obrigam a tratar novamente de Cuba, Fidel e Raul, não por condescendência, e sim por necessidade jornalística, usando e aproveitando os conhecimentos acumulados nas inúmeras vezes em que estive na belíssima ilha. Duas vezes com Batista (uma, sargento de carreira, a outra, “marechalíssimo” por decisão ditatorial dele mesmo), precisamente aquele que foi derrubado por Fidel.

Com Raul a seu lado, sempre comunista, silencioso e omisso, que naturalmente não esperava nem admitia que aquela então aventura se transformaria numa lenda ou legenda (que pode ser exaltada ou reprovada), mas que duraria 50 anos, e continua envolta em mistério, quanto à duração e possível transformação. Com Fidel ou sem Fidel, mas certamente com Raul, a não ser que a longevidade física atrapalhe a longevidade cívica.

Naquele final de 1958 que no mesmo minuto daria passagem para a entrada de 1959, ao lado dos dois, o bravo Camilo Cienfuegos. Era das melhores figuras, não demorou muito tempo a perceber que Fidel partia para uma ditadura, não concordava de maneira alguma. Como era uma voz isolada, foi isolado.

Cienfuegos protestou, se revoltou, queria democracia, e um país livre para ele e seu povo. (Pode ser comparado a Benjamin Franklin, a luta pela independência contra a Inglaterra, um dos Fundadores da República. Quase todos os Fundadores tiveram cargos relevantes, muitos chegaram a presidentes. Recusou, dizendo com grandeza: “Só queria uma Pátria, e viver livremente”).

Numa noite fria, quase gelada, Cienfuegos foi jogado no mar, e vigiado até que desaparecesse. E bem longe da costa, os “homens fortes” de Havana, cuidaram para que a palavra “desaparecer”, fosse utilizada em todos os sentidos. E como eram poderosos, quase nada se falou sobre a ausência dele, poucos souberam o que aconteceu.

48 horas depois da publicação da entrevista de agora, Fidel fez um desmentido sobre sua “definição” a respeito da duração do capitalismo, nenhuma importância ou significado. Ele disse, podia desdizer, que leu e interpretou (ou traduziu) a entrevista, pode ignorar o adendo que tem apenas uma frase.

Mas o que é importante, na verdade I-M-P-O-R-T-A-N-T-Í-S-S-I-M-O, é a afirmação-revelação conjugada de Raul e Fidel, sobre o futuro (de hoje mesmo) de Cuba e da sua forma de ser administrada.

Nessa revelação pública e oficial, está declarado e desvendado: “1 milhão de funcionários públicos serão demitidos. É preciso reduzir as despesas, todos pagos pelo Estado, que gasta demais”. Isso me surpreende, me revolta, me desagrada, me decepciona. Não era o que estava no mapa ideológico, profissional, na caminhada para o futuro.

Na última vez que estive em Cuba, (parando na Jamaica para trocar de avião, não havia como, não há voo direto do Brasil para Cuba) me abasteci, (me abasteceram) com notícias animadoras. (Fiquei satisfeitíssimo, escrevi sobre isso, na então Tribuna da Imprensa, que não circulará NUNCA MAIS. Apesar da DECISÃO DO SUPREMO, QUE DETERMINOU O CONTRÁRIO. O que vale ou representa o SUPREMO DIANTE DE UMA PERSEGUIÇÃO DE 31 ANOS?)

O que estava planejado, idealizado, que comemorei como GRANDE FINAL, a conquista do futuro. Cuba tinha 42 ou 43 estatais, (na época) com um presidente e 8 a 10 diretores, todos com títulos universitários. Multipliquem sumariamente, seriam 400 ou 500 jovens, formados no amor à PÁTRIA e à divisão da produção pelos 11 milhões de cidadãos.

Seria o desejado futuro, dirigido e comandado por jovens, que continuavam respeitando e adorando Fidel, mas queriam outro tipo de vida.

Inesperadamente, tudo se transformou, não sei se a doença de Fidel teve alguma importância, também não sei quem está mandando de verdade em Cuba, Fidel ou Raul?

De qualquer maneira, um fato que não pode nem ser contestado: esse 1 milhão de FUNCIONÁRIOS demitidos, são aqueles mesmos, preparados para dar roupagem diferente à uniformizada Cuba ditatorial.

Calculei em 400 ou 500 presidentes e diretores de estatais. Mas devem existir pessoas do segundo escalão, diplomados, participantes, dobrando o total.

O outro fato que traz o assunto a explicações, é o seguinte: muitos já apregoam e admitem, que sem Fidel ou Raul, com um novo formato de governo, textual, “Cuba será uma nova China, contribuindo para o equilíbrio do mundo”. Quem dera, quem dera.

Isso está tão longe que não convém sequer discutir. Bastam estes números: a China tem 1 BILHÃO E 300 MILHÕES de habitantes e um dos maiores territórios do mundo. Cuba tem um território mínimo e apenas 11 milhões de habitantes.

Cuba pode ser um lugar próspero e progressista para seus habitantes, e provocar uma convivência agradabilíssima para pessoas de fora, que passearão por lá, (como passeiam por outros lugares) contribuindo para a riqueza dos 11 milhões de cubanos.

***

PS – A China vai ajudar a transição da economia, pela QUANTIDADE que trará a qualidade, mas só depois. O mundo inteiro, hoje, se preocupa com o PIB da China, não por ela, mas por todos.

PS2 – O mundo todo COMPRA e VENDE da China. É a ordem natural das coisas. É quase uma volta à Era do “escambo”, quando não havia dinheiro.

PS3 – Os países TROCAVAM o que tinham de sobra pelo que lhes FALTAVA. Hoje, fazem a mesma coisa, só que criaram uma porção de ÓRGÃOS COMPLICADORES, que esmagam e empobrecem países, ao mesmo tempo que fazem crescer e enriquecer outros.

PS4 – Quando eu disse que o CAPITALISMO É QUASE PERFEITO, provoquei a ira dos que sempre querem contestar.

PS5 – O CAPITALISMO É PRATICAMENTE PERFEITO, para aqueles que se servem dele. É uma TRAGÉDIA INEVITÁVEL, para QUASE METADE da população do mundo. E o CAPITALISMO, como eu disse, tem UMA CAPACIDADE DE ADAPTAÇÃO, que nenhum ISMO apresenta. Ou exibe.

NÃO PERCA AMANHÃ:
Boni, o poderoso senhor da TELEVISÃO,
diz que a TELEVISÃO não tem jornalismo investigativo,
é tudo igual. E mais grave: diz que a TELEVISÃO ESCONDE
fatos.
Ninguém responde nada, os entrevistadores s-i-l-e-n-c-i-a-m

A saída de Erenice Guerra deixa a campanha de Dilma em paz. Ou a força da OAB, que pode muito.

O governo utiliza a “menas” verdade até para tratar de fatos que todos conhecem. Anunciaram: “Erenice Guerra concordou em PEDIR DEMISSÃO da Casa Civil”. Não pediu demissão alguma, o governo (o que restou) e a própria Dilma, queriam preservar a amiga, muito mais amiga do que correligionária.

Colocando as coisas de forma correta e irrefutável: Dona Erenice NÃO QUERIA SAIR, argumentou até com toda razão: “Se eu pedir demissão, ipso facto, (ela gosta dessas formas de expressão) estarei confessando a culpa”.

Em qualquer parte do mundo, teria sido DEMITIDA, assim que surgiu o lobismo, confirmado pelo próprio filho. Isso tem acontecido em diversas partes do mundo, quase todos, POTÊNCIAS OCIDENTAIS.

Quem garantiu a permanência de Dona Erenice até ontem à tarde, foi o próprio Lula. Ele achava que a continuação de Erenice na Casa Civil não afetava a campanha. (Não falou explicitamente, mas deixou de forma implícita, “Dilma já ganhou”). Além do mais, por que demitir uma pessoa que não o ameaça em coisa alguma?

Mas quando a OAB entrou em campo, (vá lá, concessão ao presidente, que gosta tanto de futebol que vai financiar o estádio do Corintians) o Planalto-Alvorada ficou em pânico.

E na reunião “para decidir como contar a DEMISSÃO à própria Erenice”, a OAB foi citada 6 vezes, sendo quatro pelo próprio Lula.

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PS – Dona Dilma chegou atrasada para a reunião, não tomou posição. Não foi CONTRA ou a FAVOR da demissão, não falou, mas ficou claro, “se o presidente já disse que estou eleita, depois eu e Erenice resolveremos”.

PS2 – O presidente não erra nunca, embora esteja preocupado e absorvido com a CONSTATAÇÃO de José Dirceu: “Com a Dilma, o PT vai mandar muito”.

PS3 – Tradução de Lula, para a fala de Dirceu: “O PT fará oposição a Dilma? Puxa, mais trabalho para mim”.

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VARIADAS, com Messi e Neymar, Globo, Record e Ibope, FHC e Serra

Estreando na Copa da Europa, Messi deu o show habitual, fora da seleção. O mágico Messi, será um jogador de clube? Se fosse não perderia um pênalti, como aconteceu.  XXX  Já disse aqui várias vezes: “Estão batendo muito, exageradamente, no Neymar. E os árbitros e os dirigentes (?) não tomam providências?  XXX  E o mais grave: penalizam o próprio jogador, alegam que é “simulação”. Fiquem no lugar dele.  XXX  Se não vier uma decisão contra esses árbitros e até os “responsáveis” pelos clubes, a situação só pode se agravar.  XXX  Me dá tristeza muito grande, lamento e tenho vontade de não fazer mais blog algum, quando dizem, “o senhor está seduzido pela Record”.  XXX  Ora, eu publico o que o Ibope divulga, números, apenas números, nada contra a Globo ou a favor da Record.  XXX  Se amanhã o Ibope der um resultado contrário, publico do mesmo jeito, sou um dos poucos que dizem e fazem isso.  XXX  Paguei o preço exigido pelo meu direito de dizer a verdade, ou o que acreditei, pensei e conclui que fosse a verdade.  XXX  Que péssimo analista é o DOADOR FHC, quando diz: “Se Serra pedir, posso aconselhá-lo”. Ha!Ha!Ha! Ainda não percebeu que Serra quer tudo menos esse personagem a seu lado?  XXX  Serra, que já perdeu e não tem a menor chance, pelo menos prefere perder sem a “ajuda” de FHC.  XXX

Identificação e comparação

O ex-presidente FHC, critica o presidente Lula, diz que é “chefe de FACÇÃO”. Nada a opor, pode ser mesmo. Quanto a compará-lo a Mussolini, FHC revela sua total ignorância política, e age e fala sempre dominado pelos sentimentos anti-nacionais.

FHC pode ser rotulado, sem nenhum exagero, como CHEFE DE QUADRILHA. (No caso, favorecendo invariavelmente as multinacionais, no seu governo de GLOBALIZADAS).

Para evitar “interpretações deturpadas” de alguns, registre-se: não estou CONTRA ou a FAVOR de Lula, CONTRA ou a FAVOR de FHC.

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PS – Na verdade, se formos constatar apenas os prejuízos DADOS AO PAÍS, FHC é I-N-A-T-I-N-G-Í-V-E-L. O que ele DOOU, chega ao total de TRILHÕES, em recursos vivos.

PS2 – Fora o que permitiu que ROUBASSEM DO BRASIL, (antes mesmo de ser presidente, através do CONSENSO DE WASHINGTON).

PS3 – Na COMISSÃO DE DESESTATIZAÇÃO, outros TRILHÕES E MAIS TRILHÕES, IRRECUPERÁVEIS. E ainda PRORROGOU o próprio MANDATO, pagando os votos À VISTA, e ganhando MAIS 4 ANOS, A PRAZO.

PS4 – Lula não ganha elogio, mas devia ter RECUPERADO TUDO QUE FHC DEU ÀS MULTINACIONAIS.

PS5 – Se tivesse CUMPRIDO o que o povo exige, Lula estaria em ótima situação. Assim, praticamente se iguala a FHC.

A farsa do horário de verão

Carlos Chagas

Repete-se, uma vez mais, a oitava no governo Lula, a  farsa do horário de verão, anunciado esta semana para começar a 17 de outubro. A moda vem de muito antes, primeiro intermitente, depois absoluta. Os relógios deverão ser adiantados por uma hora, visando economizar 5% de energia até o final de fevereiro.

Quer dizer, o governo surripiará uma hora de sono da população. Da população? Nem tanto, porque os estados do Nordeste e do Norte insurgiram-se contra a determinação e já não aceitam o horário de verão. Contestam a autoridade central em defesa de  seus cidadãos. No Sul, Sudeste e Centro-Oeste, porém, o esbulho tem data marcada.

O cidadão que sai cedo para trabalhar, acordando às seis da manhã, ou antes, precisará acender a luz para escovar os dentes e tomar café. Vai-se parte da economia dos 5% de energia, ainda que quando chegar em casa depois do serviço, o sol ainda brilhe. Bom para quem mora à beira do mar, que se não estiver muito cansado ainda poderá arriscar alguns mergulhos. Mas péssimo até para a unidade nacional, porque se um indigitado bóia-fria morador  na Bahia colhe café em Minas, sairá de casa às seis da manhã quando já são sete na roça. Ou chega atrasado ou acorda às cinco. Na hora de voltar é pior: deixa o trabalho às cinco da tarde mas já são seis em sua casa, correndo o risco de a mulher acusá-lo de ficar uma hora bebendo cachaça em vez de vir logo jantar.

O estrago que o horário de verão causa no relógio biológico dos habitantes das regiões mais populosas do país levará semanas, até mais de um mês,  para ser absorvido. E quando as coisas estiverem  normalizadas,  repete-se a confusão  com o atraso obrigatório de outra hora, no relógio mecânico.

Logo que empossado, o  presidente Lula não teve forças ou não quis acabar com a farsa do horário de verão, dizem até que influenciado pela sua então ministra de Minas e Energia, partidária dessa economia que, com todo o respeito, tem sido a base da porcaria. Mas bem que poderia, o primeiro-companheiro, dar um basta à  aberração no último ano de seu governo.  Interromper essa prática subdesenvolvida e insistir para que Dilma Rousseff mantenha como uma de suas metas principais a geração de mais energia em todo o país. Mais investimentos em hidrelétricas, por exemplo.

A NATUREZA DAS COISAS

Contra a natureza das coisas ninguém investe impunemente, já dizia Napoleão. As informações  são de que, quarta-feira, até o presidente Lula irritou-se com a nota oficial expedida pela chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, rebatendo acusações de tráfico de influência com adjetivos desairosos contra José Serra.

Mais do que protestar diante de tais exageros, o primeiro-companheiro mandou recomendar à  indigitada ministra que evitasse comparecer a cerimônias públicas onde ele estivesse  presente. Portanto, encontrava-se, dona Erenice, prisioneira em seu próprio gabinete, sem a mínima condição de exercer as funções de coordenadora da administração federal.  Perdera até mesmo o apoio de sua madrinha, Dilma Rousseff.

Ficou famosa a indagação do rei Juan Carlos, da Espanha, ao presidente Hugo Chavez, da Venezuela: “por que não te calas?” Pois o país inteiro estava naturalmente perguntando a Erenice Guerra: “por que não vais logo embora?” E só com o flagrante agravamento das denúncias é que ela enfim se demitiu (ou melhor, foi demitida).

NÃO COLOU

Não deixam dúvida   os números anunciados ontem pela Datafolha a respeito da sucessão presidencial: não pegaram  em Dilma Rousseff  as denúncias de quebra do sigilo fiscal de tucanos, promovida por alguns petistas aloprados. A candidata até cresceu um ponto percentual, com 51% contra 27% de José  Serra. Aguarda-se a próxima pesquisa, quando as trapalhadas de Erenice Guerra poderão pesar nas respostas dos consultados. Agora, convém aguardar o Ibope, a Sensus  e a Vox Populi.

HISTÓRIA OPORTUNA

A história é velha mas merece ser recontada.  Durante a expansão árabe, lá pelos anos setecentos, o general Ibn-El-Abbas ocupou o Egito. Chegando ás portas de Alexandria, então a maior capital do mundo, extasiou-se com a riqueza de sua biblioteca. Dizem que até originais de Homero estavam, em suas prateleiras, se é que Homero existiu.  Como suas ordens eram de conquistar pelo fogo e a espada as regiões dominadas, o general hesitou e mandou uma correio a Bagdá para consultar o Califa. O que fazer com aquele patrimônio fantástico?

O Califa respondeu que se todos aqueles escritos concordavam com o Alcorão, eram inúteis e deveriam ser destruídos. E se discordavam, eram perniciosos e precisavam ser queimados.

Diz a lenda que durante muitas semanas as centenas de  termas de Alexandria deixaram de ser alimentadas a lenha, passando a ser utilizados os papiros de toda a cultura universal reunidos até a conquista. Agora que um energúmeno prometeu queimar o Alcorão, ainda que tivesse voltado atrás, a gente fica pensando se o fogo tem sido mesmo amigo da Humanidade…

Dirceu tentou ajudar Erenice, mas ela meteu os pés pelas mãos

Pedro do Coutto

No encontro que manteve terça-feira com petroleiros, na Bahia, manchete principal da edição de quarta-feira de O Globo, José Dirceu afirmou  textualmente que o PT terá mais influência no governo com Dilma Roussef do que a que possui no governo Lula. Acentuou que Lula é maior que o Partido dos Trabalhadores, deixando no ar, tacitamente, a afirmação de que Dilma não é. O fato é que Dirceu, este homem fatal, expressão usada por Nelson Rodrigues, fez o pronunciamento tentando atrair o debate político para si, desviando assim a atenção da opinião pública a respeito do episódio Erenice Guerra.

Mas na hora em que falava, acontece, não soube que, ao mesmo tempo, a própria chefe da Casa Civil divulgava nota publicada com destaque pela Folha de São Paulo, culpando o candidato José Serra pelas acusações desfechadas contra ela e seu filho, Israel Guerra. Impressionante e indisfarçável campanha de difamação – acrescentou Erenice, que ainda relutava em pedir demissão.

Em matéria de falta de habilidade, esta foi total. Pois na verdade as acusações partiram da Revista Veja que circulou à tarde de sábado, ampliadas com depoimentos adicionais nas edições de domingo de O Globo, O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo. Erenice Guerra, ao acusar alguém, deveria ter acusado a Veja, o empresário Fábio Baracat e o coronel Eduardo Artur Silva. Mas não. Alvejou Serra e assim deu a entender que a Veja praticou o ataque a mando do candidato do PSDB.

José Dirceu, entretanto, prosseguiu além do erro de Erenice. Cometeu uma série de equívocos, alguns propositais, outros nem tanto, movidos pela dimensão do seu ego. Por exemplo: ao falar a respeito da vitória de Lula em 2002, disse ganhamos a eleição quando pusemos José Alencar como candidato a vice. Atribui-se desta forma um papel decisivo no desfecho de oito anos atrás, na medida em que recorreu a plural abrangente. Não parou aí, claro. Aproveitou a deixa para atacar José Sarney e Renan Calheiros, lembrando que em 2002 o PMDB apoiou Serra indicando para vice a deputada Rita Camata. Ele fez isso, estou certo, no sentido de prolongar a confusão e assim amortecer o impacto do torpedo chamado Erenice. Queria prolongar a discussão, receber críticas e manifestações der todos os lados. Neste ponto cometeu um erro, este grave.

Além de sua alusão inicial evidentemente desagradar o presidente da República, passou-lhe despercebido que Lula mandara a Polícia Federal abrir inquérito contra Israel Guerra. Com isso, indiretamente, forçou Erenice a pedir afastamento ou demissão. Não podia ser outra a atitude da ministra, uma vez que foi levantada clara suspeita sobre a situação de seu filho. Mas o ex-deputado, que perdeu o mandato em 2005 no escândalo do mensalão, e até hoje espera julgamento de STF, embora a denúncia do Ministério Público tenha sido aceita pelo ministro da Joaquim Barbosa em 2007, não desejou apenas esquentar a batalha. Não. Resolveu ferver o ambiente e generalizar o estouro da pólvora. Atacou o ministro Ayres Brito, do Supremo, por sua opinião favorável à vigência mediata da lei Ficha Limpa, provocando-o e estendeu a provocação à Imprensa ao declarar que ela atua com excesso de liberdade.

Empolgado com seu próprio desempenho aos petroleiros, ao sentir a presença de jornalistas, daí o enorme destaque que O Globo deu à matéria, acrescentou em tom heróico ligado à sua personalidade: eles (os conservadores) me cassaram em 2005, e, em 2008, em conluio com a Polícia Federal, o Ministério Público e o Judiciário (referindo-se ao STF) tentaram me prender. O capítulo de Freud sobre o ego idealizado aí entrou em cena. Não fosse o segundo erro de Erenice, que enfim se demitiu (ou foi demitida?) Dirceu teria multidões emocionadas como platéia.

Erenice Guerra foi derrubada pelo fogo amigo, mais do que pelas acusações da oposição ou da imprensa.

Carlos Chagas

Confirmaram-se as previsões: Erenice Guerra foi obrigada a pedir demissão da Chefia da Casa Civil, hoje pela manhã, depois de curta conversa com o presidente lula, no Palácio do Planalto.

As sucessivas denúncias divulgadas na imprensa contra ela, seus filhos e demais membros da família evidenciaram tráfico de influência. Quer dizer, extorsão de empresas privadas para pagarem propinas para a celebração de contratos com empresas públicas, dos Correios ao BNDES.

O presidente Lula, outros ministros e até Dilma Rousseff  tentaram blindar Erenice, temendo que sua demissão prejudicasse a campanha eleitoral e a liderança de Dilma, mas chegou um momento em que não dava mais.

Assim, os conselheiros do presidente Lula  convenceram-no de que melhor seria precipitar a demissão do que levar Erenice a ser fritada em fogo lento, tantas eram as acusações da participação dela e de sua família em trapalhadas que terminavam em propinas e tráfico de influência.

A pergunta que se faz é se a esperada e anunciada demissão de  Erenice irá   refletir-se na campanha de Dilma Rousseff. À primeira vista parece que não, mas é bom aguardar as próximas pesquisas.

O povo brasileiro gosta de votar e sabe votar. O problema é que os candidatos, escolhidos ditatorialmente pelas “cúpulas”, são péssimos e não merecem o voto

João da Bahia:
“Helio, poderia responder a este meu questionamento? Dizem que o povo brasileiro não se interessa por política e não sabe votar. O senhor concorda?”

Comentário de Helio Fernandes:
Nenhuma possibilidade, por menor que seja, de ser verdade. Platão e outros filósofos, ensinavam: “a política é a arte de governar os povos”. Através da política, interferem na vida de todos os cidadãos, geralmente para prejudicá-los.

O que acontece é que a legislação partidária (e logicamente política)  no Brasil é tão ultrapassada, que só chamam o cidadão para participar, OBRIGATORIAMENTE, do ato de votar. Mas ninguém escolhe em quem votar, procura o melhor, aquele com quem mais se identifica.

Veja com simplicidade, mas com toda clareza, Jõao da Bahia. Somos praticamente 200 milhões, mais de 130 milhões em condições de votar, mas para presidente a escolha se restringe a dois CANDIDATOS. E CANDIDATOS de quem?

Ultraje, desprezo, desinteresse, ausência total, é o que os políticos deixam para o povão. Então, nas vésperas de toda eleição, o pais inteiro é mobilizado, se não votar, não pode exercer alguns dos atos fundamentais de sua vida pessoal.

Já tenho protestado há anos, escrito e repetido, que a mais importante de todas as reformas a serem feitas no Brasil, é a PARTIDÁRIA. (Existem outras, mas não tão importantes quanto essa, pois do exercício do voto, surge a AUTENTICIDADE DA REPRESENTATIVIDADE).

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PS – Mas quem determina que mais de 130 milhões de eleitores têm que escolher entre Dilma ou Serra e estamos conversados? Revoltados com essa restrição, ainda são caluniados, dizem; “o brasileiro não sabe votar”.

PS2 – O povo gosta, sabe e quer votar, por que não deixam que escolha o que mais lhe agrada? O Brasil tem 27 partidos, que recebem mais de 2 milhões por ano do Fundo Partidário, usam o chamado horário eleitoral, quando chega a eleição.

PS3 – Pois durante a longa e cansativa campanha, nenhum candidato fala na existência da REFORMA PARTIDÁRIA. Você, João da Bahia, que levantou o importante problema, responda afirmativamente.

PS4 – Diga aos seus amigos que o povão sabe votar e gosta de eleição. E pergunte a eles: ALGUM DE VOCÊS JÁ OUVIU UM CANDIDATO EXIGIR REFORMA PARTIDÁRIA.

130 mil reais, debaixo do colchão

Quando revelaram que Dona Dilma tinha essa importância em casa, em dinheiro VIVO, muita gente achou estranho e esquisito. Ela respondeu; “É legal, o dinheiro é meu”. LEGALÍSSIMO, ela está com a razão.

Mas precisaria explicar o seguinte, em vários itens. 1 – Qual o fato positivo de guardar o dinheiro em casa? 2 – Chama a atenção, pode ser assaltada, principalmente numa cidade “governada” por cabralzinho, aliado de traficantes e milicianos.

3 – E finalmente o desprezo pelo dinheiro. 4 – Se pegar essas 130 mil e colocar na poupança, recebe 7 por cento ao ano, o que renderia 9 mil e 100 reais, o que daria mais ou menos700 reais por mês.

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PS – Sem imposto de renda, sem problema ou preocupação.

PS2 – Mais do que o salário mínimo. Para o povão fica a impressão de que ela não liga para as necessidades deles.

PS3 – Afinal, o que significam 700 reais a mais ou a menos?

Derrota de Lula no Amazonas

O presidente se jogou “inteiro” na campanha para governador desse estado. Por dois motivos. O primeiro de ressentimento, o segundo por amizade e também interesse político.

1 – Queria (não tem mais tempo) eleger o senador (e seu ex-ministro duas vezes) Alfredo Nascimento. Pediu ao ex-governador Eduardo Braga para apóia-lo. Braga está elegendo seu vice, Omar Azis. O ex-governador não atendeu, Lula ficou furioso, comentou, “atendi a todos os pedidos dele, durante anos”.

2 – Se Alfredo Nascimento fosse eleito, sua vaga no Senado seria preenchida pelo amigo João Pedro. Suplente durante 3 anos e 3 meses, agora ganharia mais 4 anos no Senado. Só que EFETIVO, deixaria para trás seu diminutivo SUPLENTE.

VARIADAS, com Erenice, Verônica Serra e Verônica Dantas, José Serra, Lula, Daniel Dantas e Michel Temer

Se houvesse o Prêmio Nobel de tráfico de influência, haveria luta tremenda entre Erenice Guerra, Verônica Serra e Verônica Dantas. A primeira, Ministra Chefe da Casa Civil, substituiu Dona Dilma, a quem era ligadíssima.  XXX  As outras duas se chamam Verônica (as duas), uma filha de Serra, a outra filha de Daniel Dantas. Nenhuma coincidência, mas a constatação: são do outro lado.  XXX  Dona Erenice “protegia” o filho e mais pessoas da família, o que para muitos, pode até ter “caráter positivo”, o de ajudar o esquema familiar.  XXX  A filha de Serra, tão elogiada, “laudada” de todas as formas, tinha uma empresa, que quebrou o sigilo de 60 milhões de brasileiros. (Royalties para a revista Carta Capital”, que até hoje não recebeu nenhum desmentido).  XXX  Por que e para quê as duas Verônicas precisavam saber os dados bancários de 60 milhões de pessoas? E mais: como a “empresária” filha de Serra ficou tão indignada com as acusações? Se antes já manipulara detalhes sigilosos de brasileiros, por que se julgava injuriada?  XXX  E o presidenciável Serra, que tanto defende a filha, não sabia de nada, como falam sobre Lula?  XXX  E um pai tão cauteloso, previdente e autoritário, como Serra, se transforma em complacente, deixando que a própria filha seja sócia de uma filha de Daniel Dantas?  XXX  Isso foi há muito tempo, o fato era tão notório, que provocava até a intervenção do presidente da Câmara, então Michel Temer.  XXX  Só que existe outra versão: quando soube da sociedade de sua filha, Daniel Dantas advertiu-a: “Cuidado, ela é filha do Serra”.  XXX

Nunca, jamais, em tempo algum, afirmei que o Paulo Souto iria ganhar

Edmundo Adorno:
“Helio, você disse que o Paulo Souto ia ganhar, errou completamente”.

Comentário de Helio Fernandes:

Nunca, jamais, em tempo algum, afirmei que o Paulo Souto iria ganhar. O que afirmei e reafirmo: “Se houver segundo turno na Bahia, será entre Wagner e Souto, Geddel tira terceiro longe”. O resto não passa de figuração ou adorno.

Falta um conselheiro no Planalto

Carlos Chagas

Fecha-se o círculo em torno de Erenice Guerra. A aposta é sobre quanto tempo vai agüentar na chefia da Casa Civil. Breve seu desgaste será maior do que o suportado por José Dirceu. Justiça se faça ao ex-todo-poderoso antecessor, em meio às trapalhadas do mensalão ele jamais envolveu sua família.

Registra-se estar sendo a imprensa implacável com Erenice, mas imaginar  as denúncias dos jornalões como manobra eleitoral beira as raias da insanidade. Não houvessem os fatos, não haveriam as notícias.

Quem mais se prejudica é o presidente Lula. Cada dia que passa com a ministra despachando  no andar de cima fornece material para enfraquecer a biografia do chefe do governo, por enquanto  sem afetar-lhe a popularidade, mas alimentando dúvidas para o historiador do  futuro. De complacente ele poderá ser tido como  leniente.

Falta alguém no palácio do Planalto com coragem suficiente para aconselhar o Lula a livrar-se de Erenice, já que ela não toma a iniciativa de pedir as contas. Quem sabe  Dilma Rousseff  exerceria  esse papel?

Megalomania

Até a megalomania tem limites. Quem não tem é o sociólogo, que  acaba de produzir mais uma evidência de estar o seu ego na estratosfera. Declarou que o presidente Lula não engoliu até hoje haver perdido duas vezes para ele a eleição presidencial. E acrescentou: “acho que ele quer me derrotar, mas não sou candidato”.

Além de haver comparado o Lula a Mussolini e de se ter oferecido a José Serra, que solenemente o ignora,   Fernando Henrique Cardoso demonstra como não se deve comportar um ex-presidente da República. Dá palpite em tudo. Imagina-se no centro do mundo. Melhor faria recolher-se, quem sabe apelando à população para esquecer tudo o que vem falando.

Pior que o atual, só o próximo

Dizia o dr. Ulysses Guimarães: “pior do que o atual Congresso, só o próximo”.  Já o também  saudoso Gustavo Capanema sustentava ser o Congresso o retrato da nação, nem melhor nem pior. Para o Tiririca, “pior não fica”.

Na iminência de vermos o singular palhaço como o deputado federal  mais votado em São Paulo, a pergunta vai para o novo  perfil da Câmara e do Senado. Importa menos se de saída  a maioria dos futuros parlamentares entoará loas a Dilma Rousseff. Do que precisarão cuidar é da  instituição. Oportunidade ímpar abre-se para a próxima Legislatura caso, em seus primeiros meses, deputados e senadores cuidem de realizar a reforma política. Mesmo contra seus interesses. Uma Grande Comissão poderia encarregar-se de reunir as centenas de propostas encaminhadas nos últimos anos, todas, aliás, paralisadas. Seria o ponto de partida, com ou sem a participação do Executivo. Mas com prazos rigidamente estabelecidos, para aprovação até o final de 2011. Rejeitando, é óbvio, a absurda tese da convocação de uma Assembléia Constituinte exclusiva para essa finalidade.

Ausências sentidas

Duas  ausências registraram-se   lançamento, terça-feira,  do livro com depoimentos dos porta-vozes da presidência da República, desde Juscelino Kubitschek. Não se fala, é claro, dos que já embarcaram para o outro mundo, mas de profissionais que não compareceram  nem redigiram suas experiências. Por sinal, foram  dos mais competentes no exercício da amarga tarefa: o general Toledo Camargo, dos tempos do presidente Geisel, e Ana Tavares, do presidente Fernando Henrique. Terão tido suas razões, mas fizeram falta na solenidade presidida pelo presidente Lula, no palácio do Planalto.  Sem a pretensão de fazer História, os depoimentos ajudam a compreender um pouco mais os meandros políticos  das últimas décadas.