Pela importância do Estado do Rio, pelo envolvimento do presidente e do governador, quatro candidatos ao Senado travam batalha desesperadora. Todos precisam do cargo.

Os candidatos são: Crivella, Lindberg, Cesar Maia, Picciani. Só Crivella disputa a reeleição, a outra vaga renovável está ocupada pelo segundo suplente de cabralzinho, sua convicção democrática é essa: elevar à condição de parlamentar alguém sem voto, sem povo, sem urna, e até sem nome.

Inicialmente, o candidato tido como mais forte era o evangélico. Apoiado por Lula, sobrinho de Edir Macedo, era citado como reeleito. Mas lembrei aqui o fato indiscutível. Eleito senador em 2002, perdeu para prefeito em 2004 e 2008, o que deixou a impressão de que na sua vida, 2002 fora apenas acidente fortuito, sem maior profundidade.

Só que agora houve visível alteração no quadro e na disputa para o Senado. Pelas pesquisas, o ex-prefeito de Nova Iguaçu está em primeiro lugar, o que não chega a ser surpreendente. Pela sua própria contribuição, que não é pior do que a dos outros, mas se reforça com a garantia da máquina estadual (cabralzinho) e do Planalto-Alvorada (Lula).

E há um fato, que nem é revelação, a interpretação é que é. Desde os últimos dias, a campanha de Picciani, que só se interessava pelo presidente da Alerj, começou a aparecer com um adendo inesperado.

Picciani passou a pedir votos no horário eleitoral, da seguinte forma: “VOTEM EM PICCIANI E EM LINDBERG FARIAS”. Espertíssimo, o presidente da Alerj, sabendo que o ex-prefeito já estava na frente, juntou seu nome ao dele. E como os dois estão apoiados por cabralzinho, procurou o governador.

Picciani não só procurou cabralzinho, como PRESSIONOU-O, colocou a questão de forma intimidativa, dizendo: “Você me deve uma explicação. Está apoiando a mim e ao Lindberg, ele está em primeiro lugar e eu disputando a outra vaga, em situação desconfortável, atrás de Crivella e César Maia.

Cabralzinho, todo atrapalhado, no mesmo momento chamou um dos 300 coordenadores de sua campanha e ordenou:” A partir de agora, em todos lugares, em que eu apareça pedindo votos para senador, têm que APARECER OS NOMES DE PICCIANI E LINDBERG”.

Por que isso? Picciani e cabralzinho, há 16 anos dominam a Alerj, 8 anos de cabralzinho, 8 de Picciani. Enriqueceram juntos, têm medo um do outro, têm cópia do DOSSIÊ (a palavra da moda) da família Alencar. E esse DOSSIÊ atinge os dois.

A situação de cabralzinho em relação ao Senado é desesperadora. Se Lindberg se eleger, (como parece certo), e Picciani não, ficará bem certo que a força é do presidente e não do governador. Só que como complicador aparece este fato: Lula apóia e quer eleger Lindberg, mas também Crivella. Sensacional.

Na verdade, Lula quer vencer e eleger seus candidatos, mas quer principalmente DERROTAR CESAR MAIA. Lula não esquece a montagem feita pelo então prefeito do Rio em 2007, na abertura dos jogos Panamericanos. Ele sabe que tudo foi armado por Maia.

Por que Maia APLAUDIDO e Lula VAIADO, se naquele momento sua popularidade estava bem mais elevada? Lula sentiu de tal maneira o episódio, que decidiu não discursar , passando a tarefa, ESTRANHA, INESPERADA E SURPREENDENTEMENTE ao presidente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro).

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PS – Lula não discursou mas não esqueceu. Daí o seu empenho a favor de Crivella e Lindberg. Não totalmente por eles, mas porque sabe, é lógico, que elegendo os dois, derrota César Maia, acaba com seu futuro.

PS2 – E existe outro fator, que leva a questão da eleição estadual ao plano nacional. Ninguém desconhece (só os amadores) que Maia JOGA TUDO NA CONQUISTA dessa vaga. Já contei aqui há tempos, vou repetir.

PS3 – O DEM não tem quadros brilhantes e ao mesmo tempo artificiosos e ardilosos, como César Maia. Sua vida é um factóide, como ele mesmo identificou.

PS4 – Senador, Maia será presidente do DEM (substituindo o filho, o que prova a PRECARIEDADE dos líderes do partido) e praticamente garantido como presidenciável para 2014.

PS5 – E não apenas pela ambição, mas pela falta de concorrência, Maia será candidato do DEM, com apoio quase certo do PSDB, que vem acumulando derrotas.

PS6 – Diante disso, Lula sabe que, eleito senador, Maia que não foi punido pelas IRREGULARIDADES e o ENRIQUECIMENTO “absolvido”, fará devastadora campanha contra Dilma. Lula quer vencer, se vingar, mas desde já BLINDAR Dona Dilma. A oposição a ela, feita pelo próprio PT, pode até favorecê-lo.

Conselho do presidente do Banco do Brasil (e de Dilma): “Guardem dinheiro em casa”.

Comentando sua declaração de renda, que registrava “130 mil reais em dinheiro, em casa, respondendo aos que a criticavam, Dona Dilma disse simplesmente, “É LEGAL”, comentei que era mesmo. Faltava só a confirmação de onde viera essa importância, e por que abria mão de uma remuneração igual a um salário mínimo.

Agora, foi publicado: “O presidente do Banco do Brasil comprou uma casa por 150 MIL REAIS, PAGANDO EM DINHEIRO”. (A informação foi revelada pela jornalista Mônica Bergamo, reproduzida vastamente, praticamente sem citar o nome dela).

Como já disse de forma surpreendente o Boni, homem de televisão, sobre a própria televisão, “eles escondem fatos, não fazem JORNALISMO INVESTIGATIVO”. Logo, logo a informação (da Mônica) e o comentário (do Boni) eram confirmados, e-s-t-a-r-r-e-c-e-d-o-r-a-m-e-n-t-e.

No caso de Dona Dilma, faltou INVESTIGAREM, lógico, não tiveram tempo, vá lá. Mas em relação ao presidente do Banco do Brasil, o fato se agrava precisamente pela sua condição de presidente do maior banco brasileiro. COMPRANDO E PAGANDO EM DINHEIRO, estimula o NÃO DEPÓSITO, enfraquecendo o sistema bancário no que deveria ser o seu fortalecimento, o depósito.

Como ele não chegou à presidência do maior banco brasileiro, agindo ingenuamente, e não “esqueceu” de declarar essa IMPORTÂNCIA IRRISÓRIA, (para ele) de 150 mil reais, alguma coisa precisava ser investigada, esmiuçada, detalhada, destinada e constatada.

Vou citar vários fatos, que precisavam ser traduzidos para o cidadão-contribuinte-eleitor. São simples, facilmente verificáveis por órgãos de comunicação, que têm departamentos especializados”, com noticiosos dito jornalísticos, que estão sempre publicando “fatos que descobrimos com exclusividade”, documentos “sigilosos”, acusações que atingem muitos personagens geralmente sem importância.

O presidente do Banco do Brasil está do lado oposto dos “sem importância”. 1 – Não se sabe se ele DECLAROU à Receita, esses 150 mil. Pelo cuidado dos órgãos de “Comunicação”, ficou a suspeita gritante. 2 – Uma casa (ou apartamento) em São Paulo, por 150 mil reais, que maravilha viver.

3 – A impressão imediata de manter esses 150 mil em dinheiro, provoca a certeza da destinação planejada de sua utilização.  4 – Com o dinheiro declarado e fiscalizado, não surpreenderia tão fortemente, pessoas que trabalham no mercado imobiliário.

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PS– Acho que o Boni acertou em cheio em duas de suas afirmações. As poderosas televisões não fazem JORNALISMO INVESTIGATIVO.

PS2 – E ESCONDEM fatos, que não lhes interessa DESVENDAR, preferem ESCONDER, a palavra usada por ele.

Não formamos: informamos

Carlos Chagas

Mais uma vez o primeiro-companheiro investe contra a imprensa. Generaliza, como se os meios de comunicação do pais inteiro se limitassem a três  jornais do eixo Rio-São Paulo, além de uma revista semanal que não poupa seu governo.  Exagerou, ao reivindicar, num palanque em Campinas, que ele, Dilma e o PT são a opinião pública, negando  a propalada categoria dos “formadores de opinião”, no que pareceu correto.

Revelou-se atrasado,  o presidente Lula. Porque há décadas, nos  cursos de Comunicação, emergiu a corrente da humildade. Aquela que sustenta não sermos nós, jornalistas, “formadores de opinião”, excetuados alguns coleguinhas de nariz em pé e cérebro curto, assim como alguns de seus patrões.

A imprensa é apenas informadora, ou seja, quem se forma é a própria sociedade, estimulada por diversos fatores, um dos quais o de ser bem informada de tudo o que se passa nela de bom e de mau, de certo e de errado, de ódio e de amor.

Reivindicar a condição de  formadores,  artífices da opinião pública,  orientadores da sociedade e outras bobagens será anacronismo digno dos tempos em que os jornais existiam para defender ou opor-se a idéias, interesses e  situações. Evoluímos para transmissores de informações, mesmo sendo mantidos espaços para opinião, entretenimento e serviços. O fundamental para a  mídia, porém,  aquilo que faz sua razão de ser,  é a noticia.   A informação incapaz de ser confundida com a formação, constituindo-se apenas num dos fatores em condições de levar a sociedade a aprimorar-se e a decidir por ela mesmo.

Por fim, sobra a dúvida: quem deu ao presidente Lula, a Dilma e ao PT o privilégio de encarnar a opinião pública? Nem o sociólogo, de resto tão presunçoso, ousou chegar a tanto.

METENDO A MÃO  EM VESPEIRO

Que o presidente Lula tenha lançado Dilma Rousseff, pretendendo manter o poder para o seu grupo político, nada a opor. Tem o direito, até mesmo, de subir em palanques e pedir votos para a candidata.

Justificam-se até seus interesses e sua preferência por certos candidatos a governador, seja por julgá-los melhores, seja para evitar a eleição de seus concorrentes.

O que não dá para entender é o presidente fazendo listas de quem quer e de quem não quer ver eleito para o Senado. Serão  54 vagas de senador a preencher em todo o país e se ficar recomendando uns e vetando  outros, o  primeiro-companheiro arrisca-se a quebrar a cara.  É claro que sua popularidade poderá estimular a eleição de um e a derrota de outro, mas, como regra, não dá  certo. Acabará sendo apontado como o presidente que tentou mas não conseguiu afastar um monte de adversários. Perderá pontos em sua biografia caso as oposições mantenham suas principais  lideranças e até revelem outras.

“O Lula faz tudo para impedir  a vitória de Tasso Jereissatti”, ouve-se no Ceará. Caso o ex-governador seja reeleito, como parece que acontecerá, quem terá perdido? Não quer Heloísa Helena, em Alagoas, nem Mão Santa, no Piauí, nem César Maia, no Rio, nem Marco Maciel, em Pernambuco, nem Aécio Neves, em Minas, e quantos outros, nos demais estados?  E daí, caso seus adversários se elejam? E daí é que ficará tudo registrado.

E A CADEIA?

Acabam de ser soltos, mas antes foram presos, o governador e o ex-governador do Amapá. O mesmo aconteceu com o governador de Brasília, com Paulo Maluf e muitos outros.

A pergunta que se faz é porque Erenice Guerra e sua quadrilha, acusados pelos mesmos crimes,  deverão ficar imunes à  prisão, como se alardeia?  Apenas por terem trabalhado sob a sombra do palácio do Planalto? Para não criar problemas na sucessão presidencial?

O ENCERRAMENTO

Está previsto para daqui a uma semana, na segunda-feira, 27, o comício de encerramento da campanha de Dilma Rousseff, na praça da Sé, em São Paulo, com direito  à presença do presidente Lula. Esforços já se fazem em diversos setores para uma apoteose com um milhão de pessoas, coisa digna do comício das   “Diretas Já”.  Pode ser que a assistência não chegue a tanto, mas as imagens serão  utilizadas nos três dias seguintes como uma espécie de confirmação prévia  dos resultados do dia 3  de outubro. É bom ficarmos com a lição do humorista português, Raul  Solnado, que depois da Revolução  dos Cravos sentenciou: “Após a festa das flores, deve-se aguardar a conta do florista…”

De Vargas e Lacerda ao mar de lama, versão 2010

Pedro do Coutto

A corrupção administrativa foi o tema inicial e também dominante da campanha que o jornalista Carlos Lacerda, diretor proprietário da Tribuna da Imprensa, desfechou contra Getúlio Vargas e seu governo, em 54, a partir do financiamento, pelo Banco do Brasil ao jornal Última Hora, de Samuel Wainer, e que culminou com o suicídio do presidente a 24 de agosto. Dezenove dias antes a crise político-militar atingia o auge com o atentado da Rua Toneleros.

Lacerda, com base em seus artigos e reportagens lançou – vejam só – “O Livro Negro da Corrupção”, base de sua campanha em outubro para deputado federal naquele ano. Choviam denúncias envolvendo a guarda pessoal do Catete, chefiada por Gregório Fortunato, personagem central de “Agosto”, obra de Rubem Fonseca, transformada em minissérie da Rede Globo com José Mayer, Lima Duarte, Vera Fisher e Tony Tornado, este num desempenho fantástico como o “anjo negro” do Palácio.

Vargas dissolveu a guarda pessoal depois do episódio Toneleros e quando soube que Gregório havia comprado uma fazenda de propriedade de seu filho Maneco Vargas. O ato da demissão de Fortunato possui ainda uma testemunha viva, o embaixador Edmundo Barbosa da Silva, hoje aproximando-se dos 100 anos. Aos jornais, Vargas afirmou que “nos porões do Catete corria um rio de lama”. Especialista em denúncias de corrupção, detentor de talento excepcional, Lacerda transformou o rio em mar de lama. Passados 56 anos, um oceano de lama emerge na Casa Civil do presidente Lula, tragando e comprometendo diretamente a ex-titular do posto, Erenice Guerra e familiares próximos, com empresários distantes do poder, mas que dele desejavam se aproximar e participar de nebulosos negócios.

Se existe outra vida e dela os que lá se encontram têm comunicação com a existência terrena, Carlos Lacerda há de estar perplexo. Imaginem os leitores fosse ele vivo hoje. O que ele denunciou ontem não é nada perto do que se passa agora. Lendo-se no fim da semana a reportagem de Diogo Ecosteguy e Otávio Cabral, na Veja que está nas bancas e a matéria assinada por Fernanda Odila, Andreza Matais, Fábio Amato e Rubens Valente, Folha de São Paulo também de sábado, é que é possível avaliar o que se passou nos bastidores do executivo. Um verdadeiro bando de pessoas sem escrúpulos tomou de assalto diversos pontos estratégicos da Esplanada dos Ministérios e desencadeou um movimento de saques em sequência impressionante. Seus integrantes não se detinham diante de nada. Barreiras morais foram derrubadas caminho afora, limites éticos ultrapassados em alta velocidade. Sobretudo impressiona profundamente a parte da reportagem da Revista Veja assinalando como se distribuíam envelopes recheados de propinas no próprio Palácio do Planalto.

Como Vargas ontem dissolveu a guarda pessoa, Lula da Silva hoje viu-se obrigado a varrer a Casa Civil, antes que os escândalos em bloco pudessem desabar sobre a candidatura Dilma Rousseff. Erenice Guerra e o grupo que montou podiam ser incluídos na lista de amigos e detentores da confiança do presidente? Nada disso. Eram efetivamente inimigos disfarçados pois traíram de forma explícita e aparente a confiança que receberam. Drama muito ruim para Dilma Rousseff. Tanto na reta final da campanha, mas sobretudo quando assumir a presidência em Janeiro. Ela não percebeu a atuação de sua secretária executiva e sucessora na Casa Civil? Se não percebeu, é um mau sinal em relação ao que será o seu futuro mandato. Vamos ver.

Números do CNJ revelam malogro da Justiça do Trabalho

Roberto Monteiro Pinho

De acordo com os números divulgados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no dia 14 de setembro, o Brasil tem hoje 86,6 milhões de processos judiciais em tramitação, desses, 25,5 milhões chegaram à Justiça ano passado. A Justiça do Trabalho, cujo congestionamento é de 49%, assim mais da metade dos processos trabalhistas são resolvidos no mesmo ano em que ajuizados, com isso é a mais célere do Poder Judiciário.

Por outro lado olhando com critério, estamos diante de uma situação medíocre em termos de solução, por tratar de verba alimentar do trabalhador a taxa deveria ter sido muito maior. No quadro geral apenas 29% tiveram decisão definitiva antes do final do ano de 2009, deixando uma taxa de resíduo na ordem de 71%. A Justiça Estadual é a mais demandada, com 18,7 milhões de casos novos só em 2009, o que corresponde a 74% dos novos processos que foram ajuizados no país. Segundo ainda os dados do CNJ, a Justiça do Trabalho e na Justiça Federal aportaram 3,4 milhões de novas ações em cada um destes dois ramos do Judiciário.

Os números do CNJ, não levam em conta uma serie de informações, que estão incorporadas no universo de cada tribunal, por exemplo, na Justiça Estadual, existem milhares de centenas de ações em tramitação, porque a Justiça do Trabalho não possui Varas na grande maioria das cidades brasileiras, e as reclamações, nos casos de não existir Vara Trabalhista no município, é ajuizada na justiça civil, conforme preconiza a CLT.

Essa espantosa realidade é a maior lacuna na proteção laborativa, porque está justamente na própria estrutura da justiça trabalhista, onde 84% da população trabalhadora, não consegue ter acesso a prestação jurisdicional especializada. Dos 5.560 municípios, existentes no país, somente 1.150 cidades possuem Vara do Trabalho, e o tão propalado programa “Justiça Itinerante”, ainda é tímido. Até 2003 existiam 1.327 Varas do Trabalho no País, este número foi ampliado por força da lei nº 10.770/2003, que criou mais 269 Varas do Trabalho nas diversas regiões, da Justiça do Trabalho que foram gradativamente implementadas de 2004 a 2008.

Para o presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, ao analisar o programa “Justiça em Números 2009”, conforme nota publicada no site da OAB Federal, “é necessário que, a partir desses números tenhamos a exata noção de como o CNJ pode contribuir na gestão do Judiciário, que é uma das suas missões”. Para o dirigente, apesar de importantes para detalhar o Judiciário nacional, as estatísticas, no entendimento da OAB, ainda trazem duas lacunas: não medem a duração dos processos e nem discriminam detalhadamente os custos, o que gera dúvidas sobre a execução orçamentária em relação ao primeiro e ao segundo graus. “Enquanto não tivermos controle sobre a duração dos processos e conhecimento total sobre os custos do Judiciário não poderemos avançar no seu aperfeiçoamento” – salientou Ophir.

Na verdade em que pese à justiça comum poder julgar litígios trabalhistas onde não houver vara do trabalho, pouco se colhe desta improvisação jurisdicional, até porque, o juiz de direito está concentrado na matéria civil e o direito do trabalho na CLT, que é especialíssima, e não lhe é afeto, para o trabalhador principalmente nos municípios menos assistidos, à distância entre seu domicilio e a justiça é uma eternidade. Enquanto a prestação jurisdicional é insuficiente por questão de estrutura territorial, a demanda de crimes contra o trabalho aumenta. O resultado deste quadro é desalentador, é o trabalho escravo predominante nessas regiões acéfalas, a exploração de mão-de-obra sem carteira assinada é enorme, utilização de menores em atividades de risco e segundo se estima, em cada grupo de 10 trabalhadores, apenas três possuem CTPS anotada. O encargo administrativo no território brasileiro é faculdade das Delegacias do Trabalho (DRTS), a quem cabe processar as punições contra os abusos e quebra de regras trabalhistas, mas infelizmente tanto a JT, quanto a DTR, não atendem o clamor da classe trabalhadora nessas regiões.

O Brasil tem 16.108 juízes, média de oito magistrados por 100 mil habitantes, a Espanha há 10 juízes para cada 100 mil habitantes; na Itália, são 11 por 100 mil; na França, 12 por 100 mil; e em Portugal, 17 juízes para cada 100 mil habitantes. No conjunto da obra, o judiciário até o quadro fechado pelo CNJ, está próximo dos números de outros países, no entanto, padece de falta de estrutura administrativa, com a singularidade de melhorar a qualidade profissional dos seus integrantes (juízes e servidores). A Justiça brasileira tem 312.573 servidores, somados aos terceirizados, o pagamento de salários, benefícios e demais vantagens, correspondem a 90% do total da despesa do Judiciário, o que deixa apenas 10% para investimento na qualidade a exemplo de tecnologia e pesquisa.

O CNJ informou que pretende implementar o projeto para agilizar o andamento das ações, o método vai auxiliar o Tribunal na adoção de práticas mais modernas de gestão nos gabinetes, de maneira a reduzir o tempo de tramitação dos processos. O TRF3 é o primeiro atendido pelo projeto, que se estenderá a outros tribunais. Com toda venia, pode ser esta a oportunidade mister, para trazer auxílio aos desembargadores, através da convocação de juízes de primeiro grau, o que é plenamente louvável neste momento, por se tratar de recurso administrativo que visa à celeridade.

VARIADAS ESPORTIVAS, com a França na final, e o Brasil perdendo uma grande chance de voltar ao grupo de elite na Copa Davis

É impressionante o prestígio, a glória e a consagração proporcionada pela conquista da Copa Davis. E existe uma imponência esportiva e até cívica, só pelo fato de estar no chamado grupo de elite do tênis.  XXX  A França, que não era favorita, está na final, derrotando a Argentina, a vibração na quadra e na própria França (onde foi disputada a partida), inimaginável.  XXX  Ao mesmo tempo em que se disputa o título de 2010, acontecem as partidas entre os que estão no segundo escalão, e pretendem a ascensão.  XXX  O Brasil foi sorteado milagrosamente para enfrentar a Índia, adversário fraquíssimo, apesar do jogo ser lá mesmo na Índia. E pelas regras da Davis, o dono da casa escolhe o tipo de quadra, lógico a que mais lhe agradava.  XXX  Apesar disso, a previsão, análise, comparação indiscutível: o Brasil ganharia os jogos de simples, perderia o de duplas. Motivo: apesar dos dois “duplistas” da Índia estarem com 30 anos, já foram número 1 do mundo durante muito tempo. Não são mais, continuam em boa posição.  XXX  No primeiro jogo, Bellucci enfrentou o número 475 da Índia, devia liquidar o jogo facilmente em 3 a 0. Levou 4 horas e 28 minutos em 5 sets, declarou: “Tive que fazer força, mas ganhei bem”. Inacreditável.  XXX  Ricardo Mello devia ganhar o outro, quase número 200 do ranquing. Levou mais de 4 horas e 5 sets para vencer. Com arrogância mal dissimulada, afirmou: “Ganhei muito bem, não gosto de perder para quem está abaixo de mim na classificação”. Quer dizer, imitou Bellucci.  XXX  A Índia venceu a dupla, apesar do tempo surpreendente, o Brasil na frente pelos esperados 2 a 1. Nada pior do que o dia seguinte, principalmente para vencedores arrogantes e deslumbrados.  XXX  Ricardo Mello enfrentou o número 475 (que perdera de Bellucci) e apesar de ter confessado, “não gosta de perder para quem está abaixo de mim”, até agora ainda não compreendeu que a sua colocação de 89 é muito mais reluzente e brilhante do que a de 475. Perdeu.  XXX  Ficou então em 2 a 2, Bellucci só precisava vencer (facilmente, no entendimento deles) o quase 200, para o Brasil passar para o primeiro time, que perdeu em 2003.  XXX  Acontece que Bellucci perdia por 2 a 0, DESISTIU, desidratado pelo esforço das 4 horas e 28 minutos da véspera. Aos 22 anos? E o adversário, mais velho e menos capacitado, RESISTIU?  XXX  Conclusão: o Brasil foi eliminado, com a vitória garantida. Não faz mal. Ficaríamos apenas 1 ano na ELITE. Com esses jogadores e sem renovação, estaríamos REBAIXADOS EM 2011.  XXX

Nem Serra (dossiê contra e a favor), nem Dilma, corrupção na Casa Civil (comprovada e punida com demissão), serão PREJUDICADOS ou FAVORECIDOS

Tudo o que está no título, é rigorosamente verdadeiro. O cidadão-contribuinte-leitor está tão acostumado com esse tipo de “eleição hostil que pode ser chamada de baixaria previamente identificada”, que não ligará para mais nada.

Portanto, se estão esperando que acusações de um lado ou do outro, alterem a soma dos votos que levam à vitória, estão muito enganados. (Há mais de 25 anos, o Millor escreveu: “Eu sou a SOMA do quadrado dos catetos, mas pode me chamar de hipotenusa”).

Se pensam que isso não tem nada a ver, estão muito enganados. E a maior referência entre a criação jornalística e a realidade, é a palavra SOMA.

Dona Dilma atingirá os 50 por cento mais um voto para ganhar no primeiro turno? Serra conseguirá um total de votos que, SOMADOS (novamente a palavra) com os de Dona Marina levarão ao segundo turno?

De qualquer maneira nenhuma alteração, apenas prorrogação da monotonia, mas não da incerteza. Seria a ida pela segunda vez ao local da votação, para que Dona Dilma obtenha no segundo turno, a vitória que não obteve no primeiro.

Mas se houver segundo turno, será por causa da participação de Dona Marina, superior ao que se esperava.

***

PS – Não tenho o menor constrangimento de dizer agora, poderia omitir. Esperava que Marina Silva repetisse Heloisa Helena. Esta chegou a 10 e até 11 por cento, escrevi que não manteria, não manteve.

PS2 – Marina manteve e manterá, me surpreende agradavelmente. É possível que por causa disso, haja o segundo turno. A eleição se realizará dentro de 14 dias, está tudo estabelecido, o resultado só seria ou será alterado, com a ausência de um dos dois candidatos.

PS3 – 3 de outubro sem emoção, sem sensação, sem indefinição. Tudo ficará para o dia 1º de janeiro de 2011, posse, oficialização dos ministros, (alguns já serão conhecidos) começo do terceiro governo, não do Lula ou de Dilma, o primeiro do PT.

PS4 – Dificilmente, quase IMPOSSÍVEL, este blog chegar até lá. Mas se chegar, (ou se chegasse), j-o-r-n-a-l-i-s-t-i-c-a-m-e-n-t-e, que maravilha viver.

***

NÃO DEIXEM DE LER AMANHÃ:
Lula quer VENCER e se VINGAR de Cesar Maia.
E pretende também evitar os planos do ex-prefeito, no
caso de se eleger senador. Essa a razão da eleição
do estado do Rio ser FUNDAMENTAL.


Comandante da PM confirma: “pacificação” das favelas é um acordo entre o governador e os traficantes, que podem “trabalhar” livremente, desde que não usem armas nem intimidem os moradores

Em dezembro do ano passado, (como o tempo voa) publiquei aqui no Blog um artigo mostrando que a política de PACIFICAÇÃO das favelas não passava de uma MANOBRA ELEITOREIRA do governador, que incluía um incrível e espantoso acordo entre as autoridades estaduais e os traficantes que atuavam (e continuam atuando) nessas comunidades carentes.

Agora, o próprio comandante da PM confirma tacitamente o acordo de Cabral com o tráfico. Confira este trecho da entrevista do Coronel Mario Sergio Duarte nas Páginas Amarelas da revista Veja, semana passada. O repórter faz a seguinte pergunta: “Mas os bandidos expulsos das favelas por essas unidades permanentes da polícia não continuam a atuar no crime, só que em outro endereço?

E o comandante responde: “Isso é verdade. Tenho informações de que os líderes do tráfico estão fugindo para o Complexo do Alemão, QG da facção criminosa Comando Vermelho, onde seguem, sim, na criminalidade. Mesmo nas favelas em que a polícia está no comando, há traficantes na ativa. O QUE ACABOU FOI AQUELA HISTÓRIA DE BANDIDO DESFILANDO COM FUZIL E IMPONDO SUAS PRÓPRIAS LEIS, num sistema completamente à margem do estado. É só um começo, admito.”

Agora vamos conferir o que foi escrito neste Blog em dezembro de 2009: “O acordo está “firmado” sob as seguintes cláusulas: 1 – Os traficantes somem com as armas das favelas, com os “soldados” de máscaras ninjas, com os olheiros e tudo o mais. 2 – A PM entra na favela, sem enfrentar resistência, ocupa os pontos que bem entender, mas não invade nenhuma casa, nenhum barraco, e não prende ninguém, pois não “acha” traficantes ou criminosos. 3 – A favela é tida como “pacificada”, não existem mais marginais circulando armados, os moradores não sofrem mais intimidações, não há mais balas perdidas. 4 – Em compensação, o tráfico fica liberado, desde que feito discretamente, sem muita movimentação”.

No artigo-denúncia que publiquei no final de dezembro e nos outros que se seguiram em janeiro, chamei atenção para esse fato espantoso: ninguém reparou que a tal “pacificação” foi fácil demais, não houve uma só troca de tiros? Os traficantes e “donos” das favelas não lançaram uma só granada, um solitário morteiro, não acionaram seus lanças-chamas, seus mísseis portáteis, seus rifles AR-15 e M-16, suas submetralhadoras Uzi, nada, nada.

Chamei também a atenção para a atitude do governador, que deve pensar que os demais cidadãos são imbecis e aceitam qualquer “explicação” fornecida pelas autoridades. Recordemos que foi ele quem teve desfaçatez de vir a público e proclamar, textualmente: “DEI PRAZO DE 48 HORAS PARA OS TRAFICANTES DEIXAREM O CANTAGALO-PAVÃO-PAVÃOZINHO”.

Como é que é? O governador esteve como os traficantes, “cara-a-cara”, e fez o ultimato? Ou mandou recado por algum amigo comum? Como foi o procedimento? Ninguém sabe.

O que se sabe é que o governador alardeava (e continua alardeando) que, em todas as favelas onde a Polícia Militar instalou as UPPs, os traficantes e criminosos simplesmente sumiram, assustados, amedrontados, apavorados.

Seria tão bom se fosse verdade. Mas o que é a verdade para esse governador enriquecido ilicitamente, cuja mansão à beira-mar em Mangaratiba virou ponto de atração turística? Para ele, a verdade é a versão que ele transmite, por mais fantasiosa que seja, sempre na tentativa de iludir os eleitores.

Até o Blog publicar esses artigos, ninguém havia tocado no assunto. A implantação das chamadas UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) vinha sendo saudada pela imprensa como uma espécie de panacéia na segurança pública. Era como se, de súbito, as autoridades tivessem conseguido “colocar o ovo em pé”, resolvendo de uma hora para outra o maior problema da atualidade: a violência e o tráfico de drogas nos guetos das grandes cidades.

Mas meus artigos plantaram a semente da dúvida. Nas redações, os jornalistas começaram a questionar a veracidade do sucesso dessa política de segurança pública. Até que, há alguns meses, O Globo publicou uma página inteira em sua seção “Logo” (que é uma espécie de “pensata”), ironizando a facilidade com que as favelas teriam sido “pacificadas”.

Mais recente, em dia 2 de julho, mais uma vez em O Globo, uma reportagem de Vera Araújo comprovou que meus artigos de denúncia estavam corretos. Sob o título “FEIRÃO DE DROGAS DESAFIA UPP”, com fotos impressionantes feitas em maio na Cidade de Deus, a matéria mostrava que o tráfico de drogas está e sempre esteve liberado, exatamente como afirmei.

Ao que parece, a repórter nem chegou a ir à Cidade de Deus. As fotos na “favela pacificada” foram feitas por um morador do local, que as enviou ao jornal. Foi facílimo fazer a matéria, as imagens dizem tudo.

No dia, seguinte, mais um repique em O Globo, mostrando que, assim com o tráfico de drogas, também a exploração de caça-níqueis está liberada na comunidade “tomada” pela PM. As fotos, novamente, são de um morador da favela, que o jornal, obviamente, não identifica.

***

PS – Isso não está acontecendo somente na Cidade de Deus. Em todas as favelas pacificadas, o tráfico está liberado.

PS2 – Aproxima-se a eleição e, na campanha, o governador está massacrando a opinião pública com a divulgação do êxito da “pacificação das favelas”. Este é ponto mais forte de sua “plataforma” eleitoral, ao lado das UPAs (Unidades de Pronto Atendimento),  que também são um golpe de marqueting político-eleitoral.

PS3 – É interessante notar que, quando as denúncias foram publicadas, diversos leitores do Blog apoiaram Cabral, argumentando que foi ótimo ter feito acordo com os traficantes. É difícil acreditar que esses leitores não tenham um parente ou amigo destruído pelo uso dessas drogas.

PS4 – Esses defensores de Cabral esquecem que nenhuma autoridade TEM PODER de ficar acima da lei, de desconhecer a lei, de não aplicar a lei. E muito menos de proteger a ação de criminosos, porque automaticamente torna-se CÚMPLICE dos crimes por eles cometidos.

PS5 – Se a simples omissão já é crime, acobertar o tráfico de drogas, o que seria?

VARIADAS, com Neymar, um monstro do futebol, e René Simões, um monstro do exibicionismo

Não quis escrever sobre a “questão Neymar” em cima da hora, preferi deixar passar alguns dias. É um fato, mas com várias interpretações, e portanto é preciso muito cuidado.  XXX  Em primeiro lugar, o óbvio, todos concordam, só que massacram o menino de 18 anos, esquecem uma porção de coisas, dentro e fora do campo, ficam silenciosos.  XXX  Esse óbvio, é o erro, e várias vezes repetido, das atitudes de Neymar. Não quero nem diminuir e sim reprovar tudo o que Neymar tem feito de condenável, até de assombrosamente ERRADO, EQUIVOCADO, DESASTRADO.  XXX   E embora a vítima sejam sempre ele, não há dúvida que pela projeção que alcançou, o desastroso não fica apenas com ele, recai sobre gerações de jovens que têm por ele admiração cada vez maior. Não adianta entrar em campo com garotos e depois decepcioná-los.  XXX  Portanto, bem clara a posição do repórter sobre o assunto, e elogiando o presidente do Santos, pela nota admiravelmente redigida, os conselhos e a punição (multa) para o jogador.  XXX  Mas sou sempre e também obviamente contra os EXIBICIONISTAS, jornalistas ou não, que aproveitam para pegar “carona” na repercussão que acompanha sempre o jogador de 18 anos, fingindo respeito por uma ética que não conquistaram. No momento, esse MONSTRO de exibicionismo se chama Renê Simões, se finge de técnico, embora tecnicamente não ganhe nada.  XXX  Estava do lado, viu o arrebatamento culposso de Neymar, aproveitou para aparecer várias vezes na televisão, chamando Neymar de MONSTRO que estamos criando.  XXX  Esse senhor , que “dirigia” o  adversário do Santos, ganhava por 2 a 0, perdeu fácil por 4 a 2, é um MONSTRO de incompetência.  XXX  E repetindo: de EXIBICIONISMO passageiro e vazio. Ganhou seus 15 minutos de fama (royalties para Andy Warhol), que logo depois desperdiçará.

Desta viajada, ou se volta com honra ou não se volta mais

Carlos Chagas

Nem só de Erenices vive a política. Aproxima-se o mês de outubro e também não vamos tratar  de eleição, como não trataremos  de corrupção. Vale olhar no espelho retrovisor e verificar que oitenta anos atrás eclodia aquilo que mais de perto pode ser chamado de uma revolução, ainda que  propriamente não fosse. Porque uma revolução, pelo vernáculo, deve corresponder a alterações profundas nas práticas políticas, econômicas e sociais de um país. O tripé ficou capenga, sustentado apenas por ampla reforma social. Na política e na economia, nenhuma mudança.

Deflagrado dia 3 de outubro de 1930 em Porto Alegre, Belo Horizonte e Paraíba, então  capital do estado com o mesmo nome, logo o movimento tomou conta do país, atingindo o Rio, Recife e outras capitais. No dia 29 tomou posse como presidente provisório da República o chefe civil, Getúlio Vargas, então presidente do Rio Grande do Sul. Começou aí a primeira contradição com o termo revolução, pois o caudilho era político por excelência. Havia sido ministro da Fazenda do presidente que derrubara, Washington Luís. Trouxe com ele políticos aos montes, a começar pelo ex-presidente Artur Bernardes, outro expoente da República Velha.

Não houve, assim, grandes alterações  na política, ainda que coubesse o exemplo do golpe  da vassoura: simplesmente, inverteram-se seus pólos. Os que estavam por baixo subiram, os que se encontravam por cima desceram.

Importa misturar doutrinas e pessoas, sendo que estas fazem mais História do que aquelas. Na capital gaúcha, ao embarcar no trem que acabaria chegando ao Rio, Getúlio apropriou-se de uma frase dita pouco antes por Flores da Cunha: “desta viajada, ou se volta com honra ou não se volta  mais”. Estava ali a confirmação hoje consagrada na psicologia, de que um suicida dá sinais do gesto futuro muito antes que aconteça. A disposição do comandante improvisado de uma revolução que Luis Carlos Prestes não quis liderar  era de vencer ou morrer. Naquele dia, ignorava-se o grau de resistência do governo Washington Luís, esperando-se a grande batalha que acabou não havendo, na fronteira do Paraná com São Paulo.  Afinal, o presidente em seguida deposto fazia política em São Paulo e acabava de eleger o sucessor, Julio Prestes, outro paulista.  Precisamente contra Getúlio Vargas, porque naqueles tempos de eleições fraudadas,  nenhum candidato de oposição venceu. Até Rui Barbosa havia sido derrotado, anos antes.

O trem foi subindo sem lutas, aclamados os revolucionários com churrascos, flores e cerimônias cívicas. Aderir já fazia parte do sentimento nacional, diante de espingardas e canhões. Seria em Itararé o grande embate, com as tropas federais sediadas em São Paulo, mais a Força Pública paulista,  entrincheiradas naquela cidadezinha paranaense. Ia correr muito sangue.

Foi quando, no Rio, ainda dentro do sentimento apaziguador do  povo brasileiro,  chefes militares resolvem evitar o confronto. Prendem o presidente Washington Luís, disposto a resistir até de revolver na mão e passam um telegrama para a frente de batalha, exortando os paulistas a não resistir e os gaúchos a retornar aos pampas. Haviam criado uma Junta Militar e esperavam pacificar o país permanecendo indefinidamente no governo. Os soldados que defendiam São Paulo ou voltaram à capital ou  aderiram à revolução. Os gaúchos mandaram Osvaldo Aranha, num teco-teco, à capital da República, para dizer aos generais e um almirante que parassem de brincar com coisa séria. Deu-lhes prazo até que Getúlio chegasse para transmitir-lhe o poder.  Os membros da Junta devem ter olhado pela janela, verificando que o povo estava eufórico nas ruas, não por eles, mas pela revolução. Também contaram quantos corpos de tropa lhes eram fiéis e cederam em cinco minutos. Os gaúchos que viessem para assumir o poder.

Se a viagem do trem já era uma festa, maior ficou quando a locomotiva entrou em  solo  paulista. Na capital do estado, um fenômeno singular: sem poder reagir,  os quatrocentões ficaram em casa, partidários que eram de Washington Luís. Mas o povão, a começar pelos operários, lotou  praças e avenidas gritando “queremos Getúlio, queremos Getulio!”  Lembravam-se de que na recente campanha eleitoral o candidato derrotado anunciara as primeiras medidas sociais, se fosse eleito. Salário mínimo, jornada de oito horas diárias, férias remuneradas, estabilidade  no emprego e outras que, justiça se faça, o novo presidente cumpriu ao longo dos anos em que ficou no governo.

No Rio, jornais que apoiavam a República Velha foram “empastelados”, expressão  em uso para significar a destruição das redações com incêndios e muita pancadaria. Até o “Jornal do Brasil” ficaria fechado por alguns meses, resistindo até setembro passado, quando um pastelão resolveu suprimi-lo.

Alguns gaúchos arrogantes haviam prometido amarrar seus cavalos no obelisco da avenida Rio Branco, forma de humilhar o governo deposto e a capital federal,  sem recordar que os cariocas apoiavam a revolução.  Fizeram isso à noite,  mas, pela manhã, os cavalos haviam sido roubados e, no lugar deles, estavam amarrados alguns soldados gaúchos. Vingaram-se,  os cariocas.

Getúlio tomou posse dia 29, trajando farda de soldado. No palácio do Catete, senhoras em vestidos de luxo, políticos de terno e gravata e o povo em euforia. Assumia o presidente provisório,  tornado presidente constitucional em 1934 e ditador em 1937. Foi deposto em outubro de 1945, para voltar eleito em 1951 e cumprir o vaticínio exposto na estação de trem,  ao sair de Porto Alegre. Para não perder a honra diante da tentativa de sua deposição, matou-se com um tiro no peito.

Casa Civil de Dutra a Lula, centro nervoso dos governos

Pedro do Coutto

De Eurico Dutra, eleito na redemocratização de 45, a Lula da Silva, eleito em 2002 e reeleito em 2006, passando especialmente por Vargas, Juscelino, Médici, Ernesto Geisel, João Figueiredo, e o atual presidente da República, a Casa Civil constituiu-se e se constitui no mais importante centro nervoso dos governos. Provavelmente pela intimidade com o poder maior, talvez pelo fato de seus ocupantes terem acesso irrestrito às salas do Planalto, e sobretudo porque se transformam em homens e mulheres que sabem demais, como na obra de Alfred Hitchcock.

Agora mesmo, como a Folha de São Paulo publicou na edição de sexta-feira, o triste episódio Erenice Guerra causou perda de pontos de Dilma Rousseff no Paraná, em Brasília, e na Bahia. As quedas mais fortes ocorreram em Brasília e no Paraná. Ela mantém a frente, porém com diferenças setoriais maiores. No panorama geral, sua vitória permanece assegurada: tem 51 a 27. Não há dúvida. Entretanto a margem pode cair se a repercussão do desastre chamado Erenice Guerra se prolongar. Vejam só. No Paraná, Dilma desceu de 46 para 41 pontos. Em Brasília, de 51 para 43. Na Bahia, de 59 para 57. O fantasma Erenice Guerra causou efeitos concretos. Nomeá-la foi um erro de Lula e da própria Dilma Roussef. Afinal de contas, a ministra agora afastada produziu um dos maiores escândalos da história política do país.

Mas eu falava na importância e na extrema sensibilidade que envolve o desempenho da chefia da Casa Civil. O avesso do avesso como na canção de Caetano Veloso. O jurista Pereira Lira comandava o posto no governo Dutra. Era homem de total confiança , centralizador. Absolutamente íntegro, um homem rigoroso, a única crítica que lhe era dirigida repousava exatamente na centralização excessiva. Mas foi um governo sem crises.

Em 50, Dutra apoiou Cristiano Machado, deputado pelo PSD, contra Getúlio que retornava triunfalmente ao palco , e viu seu candidato chegar em terceiro lugar, atrás portanto de Vargas e do brigadeiro Eduardo Gomes. O chefe da Casa Civil de Vargas foi Lourival Fontes, cuja atuação foi considerada péssima pelos dirigentes partidários e pela própria família Vargas. Eleito em 55, JK, atendendo indicação do jornalista Paulo Bitencourt, diretor proprietário do Correio da Manhã, jornal politicamente mais influente da época, nomeou o escritor e jornalista Álvaro Lins, um dos maiores editorialistas da imprensa brasileira. Mas Álvaro Lins (não confundir com o deputado cassado pela Alerj) deslumbrou. Convocava reuniões ministeriais para traçar normas, teve que deixar o cargo. Terminou rompendo com o Correio da Manhã, jornal em que trabalhava. Procurado por Niomar Moniz Sodré, mulher de Paulo Bitencourt, no Palácio do Catete, a deixou esperando por mais de duas horas. Burrice incrível. Ingratidão também.

O general Médici teve o professor Leitão de Abreu no posto. Honesto, adotou porém o estilo Pereira Lira. Desgostou a quase todos. Não só sabia, mas era o homem que mandava demais. No governo Ernesto Geisel, o poder do chefe da Casa Civil, general Golberi do Couto e Silva, atingiu o máximo. Golberi, como revela a obra monumental de Élio Gáspari, que foi seu amigo e recebeu a guarda de seus arquivos, transformou-se no Cássio de Júlio Cesar, peça famosa de Shakespeare. Passou a gravar todas conversas do presidente, recorrendo ao SNI, que chefiara no passado, em busca de fazer a história no futuro. As gravações não ficaram só no Palácio, mas se estenderam à residência particular de Geisel. Este morreu sem saber o que se passava. Permaneceu no governo João Figueiredo, mas foi derrubado na crise da bomba no Riocentro. Queria que o Exército punisse os verdadeiros responsáveis.

Os mesmos que, também em 81, explodiram as rotativas e incendiaram o prédio da Tribuna da Imprensa. Não conseguiu. Demitiu-se. Melhor dizendo: foi demitido. Chegamos a José Dirceu. Este merece um capítulo especial. Foi demitido no desastre do mensalão, teve o mandato parlamentar cassado. Com isso a perspectiva de ser presidente da República, em vez de Dilma Rousseff. Jogou fora o que parecia ser o seu destino. Atravessamos o período Dilma Roussef, que o substituiu, e chegamos finalmente a Erenice Guerra. Fim da linha. Ela desembarcou tristemente do que se pode chamar de expresso da vitória. Não deixa saudade.

Para o eleitor de Dilma, a saída de Erenice Guerra não influi

José  Carlos Werneck

Para quem vai votar na candidata Dilma Rousseff (leia-se, presidente Lula) em nada influi a saída da ministra-chefe da casa civil da presidência da República nas pesquisas que dão a vitória da candidata do PT.

O eleitorado de Dilma não está nem aí para as denúncias envolvendo os integrantes do governo. Para dizer a verdade nem sabem o que significa o cargo de ministro chefe da casa civil, o segundo posto mais importante da Administração Federal, logo após o presidente da República.

Secularmente a maioria de nossa população, não mora decentemente, não tem emprego, e quando tem ganha mal, não tem assistência médica e previdência dignas, sofre nas filas dos hospitais, não possuiu um bom sistema de saúde e não tem segurança pública.  Isto tudo para não se estender, ainda mais,nas mazelas de que padece nosso povo.

Nossa gente carente e abandonada identificou-se com um Governo, que apesar de inúmeras falhas, preocupou-se com os menos favorecidos e procurou melhorar suas vidas.

Por isso as pesquisas de intenção de voto maciçamente favoráveis à candidata de Lula e a aprovação quase unânime ao Governo atual, não surpreendem a ninguém, que conheça um pouco da realidade deste País, em que os menos favorecidos SEMPRE foram esquecidos.

Diziam que Lula eleito ia estatizar os bancos, tomar as propriedades dos mais “ricos” e outras sandices espalhadas por seus adversários.

Ao contrário, nada disso aconteceu, Nunca os bancos lucraram tanto no Brasil, como nos dois últimos governos, chefiados pelo “perigoso” Lula”. Creio que os banqueiros sejam os maiores doadores da campanha de Dilma Rousseff e seus maiores cabos eleitorais.

Com a Democracia plena e as instituições funcionando razoavelmente o debate sucessório, felizmente, perdeu seu conteúdo ideológico e o que interessa ao eleitor é uma democracia econômica, um capitalismo de massas, com uma distribuição equânime das riquezas nacionais, a geração de novos empregos, aposentadorias e salários dignos e o tal sonhado bem estar social.

O presidente Lula, com seus programas sociais tornou menos perversa a situação dos miseráveis. Isso é inegável e esse é um dos acertos de seu governo.

Só que não existe almoço grátis, a conta é alta e está sendo paga pelas pessoas erradas.

Os muito ricos é que deveriam pagar essa conta, já que também lucraram muito com o crescimento da economia como um todo.

Mas a fatura veio parar nas mãos erradas. Caiu no colo da classe média, constituída de pequenos empresários, funcionários públicos, profissionais liberais, gente que paga impostos, na fonte e fora dela, para que o governo possa gerir seus bem sucedidos programas sociais,

E é essa classe média que está fazendo das tripas coração, para pagar o plano de saúde, a prestação da casa própria, ou o aluguel da moradia, a escola dos filhos e todas as demais contas no fim do mês. Nunca houve tantos integrantes da chamada classe média vivendo tão mal e sofrendo tanto. Esses são os que querem ver a coisa mudar. Esse pessoal é que compõem o percentual de votos de José Serra.

Podem ter certeza, após a DEMISSÃO DA MINISTRA Erenice Guerra e de mais este escândalo governamental, Dilma continuará liderando as pesquisas e aposto que aumentará sua diferença em relação a Serra. Viva o Bolsa Família!

O surrealismo brasileiro. O Boni enriqueceu com a televisão, critica a televisão, numa entrevista à televisão. É bem verdade que o programa “Roda Viva” não é bem televisão.

Fiquei surpreendido, passando para ver alguma coisa, vi o todo poderoso e enriquecido Boni, sendo entrevistado pela TV Cultura.

Não ia ficar. Há anos, logo que o programa apareceu, apelidei-o de “Entrevista Vôlei”, os apresentadores “LEVANTAM” para os entrevistados “CORTAREM”. Já se foram tantos APRESENTADORES, mudaram mas tudo continua o mesmo.

Com o Boni apresentava assuntos não rotineiros, fiquei, esperava controvérsia, debate, polêmica. Não houve nada, mas o Boni colocou problemas interessantes.

1 – “Os programas jornalísticos da televisão, são todos iguais, falta criatividade e autenticidade”.

2 – “As televisões não têm JORNALISMO INVESTIGATIVO, se conformam com a rotina. Dessa forma, ficam todos desprestigiados”.

3 – As televisões ESCONDEM tudo o que interessa publicar, por isso são todas iguais, as notícias são as mesmas”.

***

PS – O Boni foi por aí, num caminho surpreendente, mas que estava à disposição dos “debatedores”, só que ninguém debateu.

PS2 – Quando um homem de televisão como o Boni, diz que a televisão ESCONDE fatos e notícias, qualquer um responde na hora: “Não dão uma linha ou 1 minuto sobre as DÍVIDAS externa e interna.

PS3 – Eu dizer isso, normalíssimo. MAs um poderoso senhor da TELEVISÃO, tentar colocar o assunto e não receber resposta, não é ele que FICA MAL. São os PARTICIPANTES SILENCIOSOS.

Dirceu e a ditadura anunciada

Valdenor de Souza:
“Helio, aí chega o Dirceu e fala na DITADURA ANUNCIADA. E a imprensa?”

Comentário de Helio Fernandes:
A imprensa (amestrada e enriquecida) não diz nada, pois não é para dizer mesmo. À medida que a tecnologia avança, os lucros se multiplicam . Para esses senhores, tanto faz a DITADURA ou DEMOCRACIA, quem tem razão, apesar do deliberado e profundo radicalismo, é o Paulo Solon.

Tanto faz. Quando Gutemberg, em 1460, permitiu a fabricação das máquinas de IMPRIMIR, os PROPRIETÁRIOS DE ÓRGÃOS, que se diziam jornalísticos, mas não sabiam escrever, começaram a enriquecer, era o que interessava.

Em 1894 veio o rádio, invenção de Marconi (Guglielmo Marconi), mais um órgão para explorar, no sentido da palavra, e para juntar mais dinheiro. Por volta de 1940, inventaram a televisão. Mas como o mundo estava em plena Segunda Guerra Mundial, só pôde ser utilizada a partir dos anos 50.

Passamos mais um menos 40 ou 50 anos sem nada, aí o mundo da tecnologia E-N-D-O-I-D-E-C-E-U, no bom e mau sentido. O avanço é tão grande que chega a ser difícil decorar e lembrar os nomes. Mas tudo se volta contra a coletividade e a proliferação dos BILIONÁRIOS, QUE JÁ SÃO TRILIARDÁRIOS.

Os milhões do Fundo Partidário

Paulo Lima:
“Helio, você disse que os 27 partidos brasileiros recebem 2 milhões por ano do Fundo partidário. É muito mais, Helio, mas muito, esses 2 milhões são apenas o início. Vão aumentando em relação ao número de parlamentares eleitos”.

Comentário de Helio Fernandes:
Desculpe, Paulo, posso até concordar com você, sem o menor constrangimento. A informação que obtive foi essa, mas também acho que a voracidade dos 27 partidos não se conforma com isso.

Meu objetivo é acabar com 2 ou com 20, e obrigar os partidos a se reformarem, a existir realmente. Agradeço a você e a quem debater este assunto, fundamental.

Os votos de Tiririca e Romário

Cláudio Sarmento:
“Helio, se o povo sabe votar, como explicar o Romário, Tiririca e outros?”

Comentário de Helio Fernandes:
A colocação não está certa, Cláudio. Infelizmente não dá para transformar, a não ser modificando os partidos, estruturando-os, dando participação à militância. Aí surgirá um sistema mais correto, com credibilidade, autenticidade, representatividade.

VARIADAS, com a viagem do Papa, o envelhecimento da população na França, na China e no Brasil, as drogas e a pedofilia na Igreja

O que é que o Papa Bento XVI foi fazer na Grã-Bretanha, que não é católica há centenas de anos? E insiste em “alertar o mundo contra o sexo”.  XXX  Está perdendo tempo, se não fosse o sexo, não haveria reprodução, o mundo desapareceria.  XXX  Mesmo com sexo, os países estão cada vez com populações menores, os governos desesperados e assombrados, sem saber o que fazer.  XXX  Em alguns países, (por exemplo, a França) o governo oferece o que deveria fazer por obrigação. Dão bonificação para cada filho a mais, garantem os estudos até o final da Universidade, estão assustados com o envelhecimento da população.  XXX  A China, que tem 1 BILHÃO e 300 MILHÕES de habitantes, admitia-se que estivesse livre do problema, punia quem tivesse mais filhos. Agora, mesmo com esse total de pessoas, está incentivando o aumento da prole, pois se não nascerem, estará como enorme população de idosos.  XXX  Aqui no Brasil, todos se referiam ao país como um dos mais jovens. Acontece que as pessoas deixaram de ter mais filhos, hoje somos um PAÍS DE IDOSOS.  XXX  O Papa devia falar mais contra as drogas, todas elas, bebida, fumo, e a DROGA propriamente dita.  XXX  E deveria se voltar VIGOROSAMENTE contra a PEDOFILIA, na própria Igreja. Pedofilia não tem nada a ver com sexo, é a indignidade da humanidade, a vergonha elevada ao ponto mais alto.  XXX  Volte para casa, Bento XVI e cuide do seu próprio REBANHO.  XXX

É preciso investigar

Carlos Chagas

Erenice Guerra foi demitida, apesar de ter assinado o pedido  de exoneração  levado por Gilberto Carvalho e Franklin Martins, mas agora é que deveriam começar as investigações. Em primeiro lugar, torna-se necessário saber quando seus dezessete parentes entraram para o serviço público: só depois dela haver assumido a chefia da Casa Civil ou antes, quando era assessora de Dilma Rousseff? Quem sabe até quando  exercia a consultoria jurídica no ministério de Minas e Energia?   Nesse caso, a antes ministra e  hoje candidata presidencial sabia do furor da amiga em nomear marido, filhos, irmãs e irmãos, sobrinhos e papagaios para a máquina estatal? É preciso investigar, também, se a família Guerra trabalhava ou simplesmente valia-se da força da patriarca para faltar ao trabalho e  auferir vencimentos.

Em seguida deve-se passar do geral para o particular: quantas operações foram desenvolvidas pela empresa de seus filhos, traficando a  influência da mãezona  e obtendo de empresas públicas e da administração direta  vultosos contratos com empresas privadas? Estas, beneficiadas, é preciso identificar. Contribuíram com que valores no ítem “cláusula de sucesso” para o bolso da família? Foram muitas ou poucas vezes que dirigentes de empresas privadas eram levados à presença de Erenice, só para saberem  quem realmente geria os negócios?

Estamos diante de um poço aparentemente sem fundo, tornando-se impossível vedá-lo só porque foi descoberto, como em tantos outros episódios anteriores. E não se diga que tudo aconteceu apenas no governo Lula, porque buraco ainda maior foi aberto e tapado no governo Fernando Henrique, com as privatizações.

INFLAÇÃO DESMEDIDA

Tomara que os jornais tenham acrescentado um zero a mais nas contas referentes às trapalhadas de um filho de Erenice Guerra, agenciando empréstimos do BNDES para empresas dispostas a pagar-lhe propina. Ou será que  os tempos passaram em tão vertiginosa corrida, fazendo a economia perder a noção de valores? Existe  mesmo uma empresa, em Campinas, pleiteando dois bilhões do banco empenhado em promover o desenvolvimento?  Teria o lobista-lambão exigido a estratosférica  comissão de  450 milhões de reais?

AS CAUSAS PRIMEIRAS

Pergunta-se porque tantas lambanças iguais às praticadas por Erenice Guerra sucedem-se no governo e arredores. Será por conta do grande coração do Lula, para quem auxiliares seus jamais cometem equívocos? Pela determinação do primeiro-companheiro de abrir as asas e abrigar honestos e desonestos?

Há quem suponha causas mais imediatas. Terá sido pela avidez do PT, tantos anos exposto ao sol e ao sereno e, de repente, guindado aos controles do poder? Caíram em tentação, os companheiros, conhecedores de atos anteriores praticados por outros partidos e grupos, no passado  igualmente envolvidos em tráfico de influência, formação de quadrilha, extorsão e sucedâneos?

Ou tudo acontece pelo simples fato de a política existir, desde tempos imemoriais?

A GRANDE DECISÃO

Anuncia-se para quarta-feira a sessão do Supremo Tribunal Federal que julgará recurso do ex-governador Joaquim Roriz   para escapar da lei ficha-limpa. A decisão, se tomada nesse dia, definirá a sorte de quantos candidatos tem tido negado seu registro, condenados anteriormente por crimes diversos. Ou por haverem renunciado a mandatos para evitar a cassação.

Além de perigoso, parece inócuo especular sobre sentenças judiciais antes  de exaradas, mas a informação é de que os dez atuais ministros da mais alta corte nacional de justiça estariam divididos: cinco pela imediata  aplicação da lei, cinco sustentando sua validade apenas para as próximas eleições, não as atuais.

Convém aguardar.

Dilma consolidada: Caso Erenice só afeta renda alta

Pedro do Coutto

Pesquisa do Datafolha publicada na edição de 16 de setembro, comentada conjuntamente por Fernando Rodrigues e Fernando Canzian, apresenta a liderança de Dilma Rousseff em matéria de intenção de voto plenamente consolidada. Ela, apesar das tempestades causadas pela invasão de sigilos fiscais e da corrupção que envolveu a ex-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, nesta semana que passou subiu de 50 para 51 pontos, enquanto José Serra desceu do vigésimo oitavo para o vigésimo sétimo andar. Marina Silva manteve 11%. Vitória previsível no primeiro turno, royalties para minha mulher Elena, primeira a identificar a tendência que começava a se desenhar no início da campanha. Mas este é outro assunto.

Rousseff está consolidada porque vence em todas as quatro regiões do país, em ambos os sexos, em todos os níveis de escolaridade, margem muito acentuada nas escalas de base, em todas as faixas de renda. Só um maremoto acompanhado por um tornado poderia alterar o panorama visto da ponte em relação às urnas de 3 de outubro. Além do mais, a ruptura dos limites legais no que se refere às declarações de Imposto de Renda, crimes praticados estranhamente em cidades satélites paulistas, e dos crimes de corrupção desfechados em Brasília à sombra da Casa Civil de Erenice, são episódios  que somente afetaram as classes de renda mais alta. O grupo A e B.

Nas faixas C e D/E não causaram a menor sensibilidade. Fernando Canzian observou bem este aspecto essencial revelado pelo Datafolha.

Vejam os leitores o seguinte. Nos grupos que abrangem os que ganham até 2 salários mínimos, Dilma tem 55 contra 24 de Serra. Junto aos que percebem mensalmente de 2 a 5 pisos, Dilma alcança 49 contra 28 de Serra. Na faixa que vai de 5 a 10, Rousseff marca 47, Serra 28. Entretanto, no que se refere àqueles cujos vencimentos superam 10 salários mínimos, aí sim, a diferença diminui muito. Dilma mantém-se à frente, porém pela margem de 36 a 34 pontos. Marina Silva, nesta escala, alcança 19% das intenções de voto. Como a diferença anterior era maior, e encurtou, pode-se interpretar o fenômeno como efeito dos escândalos de inverno, frase que componho inspirado em propaganda antiga da loja O Camiseiro, que não existe mais e ficava na Rua da Assembléia. Era tradicional no comércio do Rio.

Ocorre no entanto que a perda de alguns pontos de Dilma registrou-se num universo pequeno, em torno de 10% do eleitorado. Dilui-se no oceano de 90%. Não influi no rumo geral da disputa. A diferença de uma para outro permanece muito grande. Dilma, assim, está mais perto do Palácio do Planalto, do que José Serra.

* * *

Um outro assunto. O Diário Oficial de 13 de setembro, na primeira página, publica a decisão do Supremo Tribunal  Federal na ação proposta pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, considerando inconstitucionais quatro dispositivos da lei 9504/97, Lei Eleitoral. São os incisos 2 e parte do inciso 3 do artigo 45, além dos itens 4 e 5 do mesmo artigo. Assim, o STF além de liberar os programas de humor envolvendo os candidatos, permitiu a colocação de opiniões favoráveis ou contrárias a pessoas e partidos em programas jornalísticos e mesmo em novelas e minisséries. Foi, na realidade, uma abertura muito grande, ainda não bem percebida pelas redes de televisão e emissoras de rádio. Afinal de contas, o resultado do julgamento foi ao encontro da Constituição de 88, que proíbe qualquer tipo de censura ou restrição às manifestações de arte e pensamento.

O desenvolvimento nacional – I

Jorge Folena

Faltam quinze dias para a eleição presidencial de 2010 e os principais candidatos não discutiram com a profundidade necessária os problemas brasileiros, que são muitos.

O país não tem um projeto de nação.

Vou aproveitar a oportunidade e a confiança depositadas pelos jornalistas Hélio Fernandes e Carlos Newton para, nesta coluna aos sábados, discutir alguns impasses brasileiros, pois como disse Thomas Woodrow Wilson, ex-presidente dos Estados da América do Norte, “um povo que entrega suas riquezas naturais para que outros povos explorem, está condenado a ser um povo de escravos e aguadeiros”.

Assim, o Brasil tem que defender o que é seu, sob pena de sermos um “povo de escravos”, e para que as crianças e os jovens possam ter esperança de um Brasil melhor.

Contudo, é  necessário reverter o triste cenário atual, uma vez que, segundo pesquisa Datafolha, “42% dos jovens brasileiros sonham em deixar o País para sempre e 18% não querem nunca mais voltar”, como registrou o jornalista Nogueira Lopes em sua coluna na Tribuna da Imprensa, de 05/08/2008, p. 11. Daí a importância de lutarmos pelas riquezas do País.

Como pensam os políticos brasileiros

A Tribuna da Imprensa de 30/08/2008, p. 07, noticiou que o ministro da Fazenda (Guido Mantega) manifestou que “não haverá mais problemas de contas externas no Brasil”, uma vez que “a venda do petróleo da camada do pré-sal, localizado abaixo do leito marinho, será a base para o aumento das reservas internacionais de US$ 400 bilhões.”

O País ainda está definindo como será explorado o suposto petróleo do “pré-sal”, mas importantes autoridades governamentais já expressam que o óleo será destinado para o exterior.

Nestes últimos dois anos, tem se debatido muita coisa: redistribuição dos royalties do petróleo, criação de uma nova empresa estatal e de um fundo soberano, mudança da legislação etc. Mas ninguém questionou a necessidade de ser criada uma reserva estratégica de petróleo, fundamental à soberania do País.

Como se sabe, toda a história de desenvolvimento do Brasil, até o início do século XX, alicerçou-se em ciclos econômicos monoculturais: pau-brasil, ouro, cana-de-açúcar, borracha, café, soja, minério de ferro e, hoje, petróleo.

Parece que, agora, com a exploração do “pré-sal”, nossos dirigentes vão conduzir a política econômica do País para a exportação do petróleo. Sendo certo que o que for arrecadado será destinado ao pagamento dos encargos da absurda dívida mobiliária interna, que conduz ao empobrecimento do povo brasileiro.

Se existirem de fato as quantidades anunciadas, não será correto proceder à exportação do óleo como produto primário, que deverá  ser utilizado para fortalecer as reservas estratégicas do país, a exemplo do que fazem os Estados Unidos da América do Norte.

O Brasil, sem sombra de dúvida, é muito rico em recursos naturais e culturais. Tem tudo o que é necessário para o crescimento de uma grande nação e para a prosperidade de seu povo. O País tem minerais, água doce, diversas fontes de energia, terras abundantes e férteis e quase duzentos milhões de habitantes.

A propósito, são oportunas para reflexão pelas autoridades brasileiras as palavras da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, ao lembrar que: “a pobreza não veio à América Latina com o vento e a chuva, mas sim pela desapropriação de recursos desde que foi descoberta, somando ainda os erros dos dirigentes locais”. (La Nacion, 18/05/2008, p. 15)

Com efeito, o Ministro da Fazenda ou qualquer outra autoridade tem que agir buscando o melhor para o País, a fim de eliminar a herança perversa do processo de colonização, ainda baseado na expropriação das nossas riquezas.

Caso contrário, valerá a triste constatação do maestro Antonio Carlos Jobim, que afirmou que “o Brasil não gosta do Brasil”, citando como exemplo que “o Japão é um país paupérrimo, com vocação para a riqueza. Nós somos um país riquíssimo, com vocação para a pobreza.”

Portanto, nossos dirigentes não podem continuar a repetir os erros do passado na condução da administração do País. Assim, em vez de anunciar a venda do que ainda não foi explorado, devem planejar a constituição de uma reserva estratégica que venha a beneficiar as gerações presente e futura.

O que estamos vendo nestes últimos dias é o anúncio da capitalização da Petrobras com reservas do pré-sal, antecipada pela União. Por que o governo não acabou com a especulação, que só favorece alguns poucos, criando uma empresa 100% brasileira para explorar as grandes reservas de petróleo? O Presidente Lula deve esta resposta, antes do término do seu mandato.

Fidel de hoje complica tudo, até o entendimento sobre ele mesmo. Não é o de 25 anos, o de 33, completou 84, reaparece no vazio. E o discreto, silencioso e omisso Raul, que já nasceu comunista, o que faz?

Não esperava voltar ao tema e ao personagem, tão cedo. Não tenho a menor dúvida nem constrangimento de dizer: haja o que houver, qualquer que seja a análise sobre Fidel, ele é um homem que conquistou o seu lugar na citação dos séculos, o XX e o XXI. O XX foi mais positivo, o XXI, apenas com 10 anos, não está sendo favorável a ele. Mas não interessa, ele é inatingível, embora tenha vivido demais. A história é dele.

Mas positiva ou negativa a apreciação sobre Fidel, não passará ignorado pela História, será discutido, desvendado, amado ou odiado. Um homem que aos 34 anos se lançou para o mundo, que ficou 50 anos combatendo e sendo combatido, não poderá ser esquecido apenas porque juntou meia dúzia de tolices sobre ideologias, sistemas de governo, o que ficará para sempre (“capitalismo eterno”) e aquilo que no seu entendimento, será ultrapassado.

Três fatos me obrigam a tratar novamente de Cuba, Fidel e Raul, não por condescendência, e sim por necessidade jornalística, usando e aproveitando os conhecimentos acumulados nas inúmeras vezes em que estive na belíssima ilha. Duas vezes com Batista (uma, sargento de carreira, a outra, “marechalíssimo” por decisão ditatorial dele mesmo), precisamente aquele que foi derrubado por Fidel.

Com Raul a seu lado, sempre comunista, silencioso e omisso, que naturalmente não esperava nem admitia que aquela então aventura se transformaria numa lenda ou legenda (que pode ser exaltada ou reprovada), mas que duraria 50 anos, e continua envolta em mistério, quanto à duração e possível transformação. Com Fidel ou sem Fidel, mas certamente com Raul, a não ser que a longevidade física atrapalhe a longevidade cívica.

Naquele final de 1958 que no mesmo minuto daria passagem para a entrada de 1959, ao lado dos dois, o bravo Camilo Cienfuegos. Era das melhores figuras, não demorou muito tempo a perceber que Fidel partia para uma ditadura, não concordava de maneira alguma. Como era uma voz isolada, foi isolado.

Cienfuegos protestou, se revoltou, queria democracia, e um país livre para ele e seu povo. (Pode ser comparado a Benjamin Franklin, a luta pela independência contra a Inglaterra, um dos Fundadores da República. Quase todos os Fundadores tiveram cargos relevantes, muitos chegaram a presidentes. Recusou, dizendo com grandeza: “Só queria uma Pátria, e viver livremente”).

Numa noite fria, quase gelada, Cienfuegos foi jogado no mar, e vigiado até que desaparecesse. E bem longe da costa, os “homens fortes” de Havana, cuidaram para que a palavra “desaparecer”, fosse utilizada em todos os sentidos. E como eram poderosos, quase nada se falou sobre a ausência dele, poucos souberam o que aconteceu.

48 horas depois da publicação da entrevista de agora, Fidel fez um desmentido sobre sua “definição” a respeito da duração do capitalismo, nenhuma importância ou significado. Ele disse, podia desdizer, que leu e interpretou (ou traduziu) a entrevista, pode ignorar o adendo que tem apenas uma frase.

Mas o que é importante, na verdade I-M-P-O-R-T-A-N-T-Í-S-S-I-M-O, é a afirmação-revelação conjugada de Raul e Fidel, sobre o futuro (de hoje mesmo) de Cuba e da sua forma de ser administrada.

Nessa revelação pública e oficial, está declarado e desvendado: “1 milhão de funcionários públicos serão demitidos. É preciso reduzir as despesas, todos pagos pelo Estado, que gasta demais”. Isso me surpreende, me revolta, me desagrada, me decepciona. Não era o que estava no mapa ideológico, profissional, na caminhada para o futuro.

Na última vez que estive em Cuba, (parando na Jamaica para trocar de avião, não havia como, não há voo direto do Brasil para Cuba) me abasteci, (me abasteceram) com notícias animadoras. (Fiquei satisfeitíssimo, escrevi sobre isso, na então Tribuna da Imprensa, que não circulará NUNCA MAIS. Apesar da DECISÃO DO SUPREMO, QUE DETERMINOU O CONTRÁRIO. O que vale ou representa o SUPREMO DIANTE DE UMA PERSEGUIÇÃO DE 31 ANOS?)

O que estava planejado, idealizado, que comemorei como GRANDE FINAL, a conquista do futuro. Cuba tinha 42 ou 43 estatais, (na época) com um presidente e 8 a 10 diretores, todos com títulos universitários. Multipliquem sumariamente, seriam 400 ou 500 jovens, formados no amor à PÁTRIA e à divisão da produção pelos 11 milhões de cidadãos.

Seria o desejado futuro, dirigido e comandado por jovens, que continuavam respeitando e adorando Fidel, mas queriam outro tipo de vida.

Inesperadamente, tudo se transformou, não sei se a doença de Fidel teve alguma importância, também não sei quem está mandando de verdade em Cuba, Fidel ou Raul?

De qualquer maneira, um fato que não pode nem ser contestado: esse 1 milhão de FUNCIONÁRIOS demitidos, são aqueles mesmos, preparados para dar roupagem diferente à uniformizada Cuba ditatorial.

Calculei em 400 ou 500 presidentes e diretores de estatais. Mas devem existir pessoas do segundo escalão, diplomados, participantes, dobrando o total.

O outro fato que traz o assunto a explicações, é o seguinte: muitos já apregoam e admitem, que sem Fidel ou Raul, com um novo formato de governo, textual, “Cuba será uma nova China, contribuindo para o equilíbrio do mundo”. Quem dera, quem dera.

Isso está tão longe que não convém sequer discutir. Bastam estes números: a China tem 1 BILHÃO E 300 MILHÕES de habitantes e um dos maiores territórios do mundo. Cuba tem um território mínimo e apenas 11 milhões de habitantes.

Cuba pode ser um lugar próspero e progressista para seus habitantes, e provocar uma convivência agradabilíssima para pessoas de fora, que passearão por lá, (como passeiam por outros lugares) contribuindo para a riqueza dos 11 milhões de cubanos.

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PS – A China vai ajudar a transição da economia, pela QUANTIDADE que trará a qualidade, mas só depois. O mundo inteiro, hoje, se preocupa com o PIB da China, não por ela, mas por todos.

PS2 – O mundo todo COMPRA e VENDE da China. É a ordem natural das coisas. É quase uma volta à Era do “escambo”, quando não havia dinheiro.

PS3 – Os países TROCAVAM o que tinham de sobra pelo que lhes FALTAVA. Hoje, fazem a mesma coisa, só que criaram uma porção de ÓRGÃOS COMPLICADORES, que esmagam e empobrecem países, ao mesmo tempo que fazem crescer e enriquecer outros.

PS4 – Quando eu disse que o CAPITALISMO É QUASE PERFEITO, provoquei a ira dos que sempre querem contestar.

PS5 – O CAPITALISMO É PRATICAMENTE PERFEITO, para aqueles que se servem dele. É uma TRAGÉDIA INEVITÁVEL, para QUASE METADE da população do mundo. E o CAPITALISMO, como eu disse, tem UMA CAPACIDADE DE ADAPTAÇÃO, que nenhum ISMO apresenta. Ou exibe.

NÃO PERCA AMANHÃ:
Boni, o poderoso senhor da TELEVISÃO,
diz que a TELEVISÃO não tem jornalismo investigativo,
é tudo igual. E mais grave: diz que a TELEVISÃO ESCONDE
fatos.
Ninguém responde nada, os entrevistadores s-i-l-e-n-c-i-a-m

A saída de Erenice Guerra deixa a campanha de Dilma em paz. Ou a força da OAB, que pode muito.

O governo utiliza a “menas” verdade até para tratar de fatos que todos conhecem. Anunciaram: “Erenice Guerra concordou em PEDIR DEMISSÃO da Casa Civil”. Não pediu demissão alguma, o governo (o que restou) e a própria Dilma, queriam preservar a amiga, muito mais amiga do que correligionária.

Colocando as coisas de forma correta e irrefutável: Dona Erenice NÃO QUERIA SAIR, argumentou até com toda razão: “Se eu pedir demissão, ipso facto, (ela gosta dessas formas de expressão) estarei confessando a culpa”.

Em qualquer parte do mundo, teria sido DEMITIDA, assim que surgiu o lobismo, confirmado pelo próprio filho. Isso tem acontecido em diversas partes do mundo, quase todos, POTÊNCIAS OCIDENTAIS.

Quem garantiu a permanência de Dona Erenice até ontem à tarde, foi o próprio Lula. Ele achava que a continuação de Erenice na Casa Civil não afetava a campanha. (Não falou explicitamente, mas deixou de forma implícita, “Dilma já ganhou”). Além do mais, por que demitir uma pessoa que não o ameaça em coisa alguma?

Mas quando a OAB entrou em campo, (vá lá, concessão ao presidente, que gosta tanto de futebol que vai financiar o estádio do Corintians) o Planalto-Alvorada ficou em pânico.

E na reunião “para decidir como contar a DEMISSÃO à própria Erenice”, a OAB foi citada 6 vezes, sendo quatro pelo próprio Lula.

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PS – Dona Dilma chegou atrasada para a reunião, não tomou posição. Não foi CONTRA ou a FAVOR da demissão, não falou, mas ficou claro, “se o presidente já disse que estou eleita, depois eu e Erenice resolveremos”.

PS2 – O presidente não erra nunca, embora esteja preocupado e absorvido com a CONSTATAÇÃO de José Dirceu: “Com a Dilma, o PT vai mandar muito”.

PS3 – Tradução de Lula, para a fala de Dirceu: “O PT fará oposição a Dilma? Puxa, mais trabalho para mim”.

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VARIADAS, com Messi e Neymar, Globo, Record e Ibope, FHC e Serra

Estreando na Copa da Europa, Messi deu o show habitual, fora da seleção. O mágico Messi, será um jogador de clube? Se fosse não perderia um pênalti, como aconteceu.  XXX  Já disse aqui várias vezes: “Estão batendo muito, exageradamente, no Neymar. E os árbitros e os dirigentes (?) não tomam providências?  XXX  E o mais grave: penalizam o próprio jogador, alegam que é “simulação”. Fiquem no lugar dele.  XXX  Se não vier uma decisão contra esses árbitros e até os “responsáveis” pelos clubes, a situação só pode se agravar.  XXX  Me dá tristeza muito grande, lamento e tenho vontade de não fazer mais blog algum, quando dizem, “o senhor está seduzido pela Record”.  XXX  Ora, eu publico o que o Ibope divulga, números, apenas números, nada contra a Globo ou a favor da Record.  XXX  Se amanhã o Ibope der um resultado contrário, publico do mesmo jeito, sou um dos poucos que dizem e fazem isso.  XXX  Paguei o preço exigido pelo meu direito de dizer a verdade, ou o que acreditei, pensei e conclui que fosse a verdade.  XXX  Que péssimo analista é o DOADOR FHC, quando diz: “Se Serra pedir, posso aconselhá-lo”. Ha!Ha!Ha! Ainda não percebeu que Serra quer tudo menos esse personagem a seu lado?  XXX  Serra, que já perdeu e não tem a menor chance, pelo menos prefere perder sem a “ajuda” de FHC.  XXX