Os juros no Brasil: 34 vezes mais altos que nos EUA

O ministro da Fazenda retumbou: “O ideal para o Brasil seria o dólar a 2,60”. Não é, e não chegará lá, na atual situação. Com os trilhões distribuídos pelos governos americanos e europeu, sobra dinheiro. E com os juros na Matriz e na Filial, inundam o “mercado” de dinheiro. Mas não para investimento e sim para jogatina.

A Bovespa chega ao Índice
de antes da crise misteriosa

Hoje, às 13 horas, estava em 67.365 pontos, perto dos 74 mil de 2008. Compram, ganham muito, levam uma parte do lucro, o resto fica em títulos do Tesouro, ganhando 34 vezes mais. Que República.

Esportivas, observadas e comentadas

“Classificação” da França

Protesto, revolta e inconformismo com o gol do Henry que eliminou a Irlanda. Todos os que viram o jogo no campo ou na televisão não podem aceitar a decisão do presidente da Fifa: “Não podemos anular o jogo”. Nem precisava, bastava anular o gol, expulsar o jogador e continuar dali.

Não foi um lance duvidoso, como acontece geralmente em impedimento, quando o auxiliar “vê” dez centímetros dificílimos. A mão foi visibilíssima, o jogador confessou e pediu desculpas, a Irlanda perde anos de trabalho, de esforço, de esperanças para ficar fora da Copa dessa maneira? (E o Supremo Tribunal Federal não se manifesta, com um voto de mais de 3 horas do ministro-advogado Gilmar Mendes?).

Mundial de Futebol de areia

Em Dubai o Brasil obteve o tetracampeonato verdadeiro. (4 vezes seguidas). E invicto. Esperavam a final com Portugal (que já ganhou um título), mas foi com a Suíça, que disputava pela primeira vez. Surpresa: a presença de Ricardo Teixeira, imensamente gordo. (Fisicamente e na conta bancária).

Flandrade, Fladriano, Flakovic, sem
o título, pelo menos por enquanto

Foi a primeira e grande oportunidade de liderança. Não ganhou do Goiás, decepcionou a multidão que lotou o Maracanã. Joguinho monótono. No estádio, quase 80 mil frustrados, decepcionados, assustados. Fora os milhões pelo Brasil.

São Paulo perdeu, ficou na mesma situação

Era o único que não dependia de ninguém. Bastava ganhar os 3 jogos. Não ganhou, os outros também não. Agora, se ganhar os dois que faltam, campeoníssimo.

E o Palmeiras, com um técnico de 700 mil reais?

Jorginho, o interino, deixou o time em primeiro lugar. Muricy manteve quase o campeonato inteiro. Nas últimas 10 rodadas, entregou tudo. Quem sairá primeiro? Muricy ou Belluzzo?

Tristão, o matemático triste

Errou em quase tudo. No início, vá lá, era quase adivinhação, pouco de projeção. Mas na semana passada, garantiu: “Para ser campeão, o time terá que marcar 72 pontos, com 71 será difícil”. Pois o único que poderá chegar a 68 é o São Paulo. Para isso precisa vencer os dois jogos. Flamengo 67, Internacional 65, Palmeiras idem.

E o rebaixamento?

Na 15ª rodada, registrei: “O Sport será o primeiro rebaixado”. Foi. Na 18ª: “O Fluminense está na série B, precisa ganhar os 9 jogos que faltam”. Ganhou mesmo, além de 4 na Sul-americana. No ritmo em que vai, não perde.

3 rebaixados, 4 tentam
permanecer na série A

Sport, Náutico e Santo André vão para a série B. Não é vergonhoso. Coritiba, Atlético do Paraná, Botafogo e Fluminense tentam continuar no que chamam “elite do futebol”. Pode ser fora do campo. Dentro. Não existe elite, a mediocridade domina e encarcera todos.

Copa dos Campeões de Vôlei:
Brasil três títulos seguidos

Venceu todos os jogos e com total autoridade. Como dizem comentaristas criativos: “O Japão vendeu caro a derrota”. Além de melhor time, outras pre4miações para brasileiros. Melhor jogador, Giba. Melhor libero, Serginho. Melhor levantador, Bruninho.

“Botafogo, Glorioso”

O título vale para a atuação do time. Jogou com garra, determinação, venceu e quase dá a liderança ao Flamengo. E o título é também o do livro de Roberto porto, um dos jornalistas mais participantes do futebol. Foi editor da Tribuna impressa, meu amigo, referência de sua geração. O lançamento é hoje, às 7 da noite, na Saraiva do Rio-Sul. Imperdível para botafoguenses e não-botafoguenses.

Mário Sergio Pontes de Paiva

Jogador, comentarista, treinador, sempre com atuação marcante. Pegou o Internacional quase no final. Está em terceiro, disputando o título ou uma vaga na Libertadores. Merece.

A importância de ser leal

O jornalista Vicente Limongi fez 65 anos ontem. Tem amigos (e inimigos) em todos os lugares, há dezenas e dezenas de anos escreve cartas para jornais do país todo, tem blog, se manifesta sempre. Gostem ou não gostem, sua opinião aparece em todos os lugares.

Defende (incondicionalmente) os amigos, critica (incondicionalmente) os inimigos, não se omite jamais. No aniversário (como o de ontem), telefonemas, correios eletrônicos, abraços pessoais dos que estão em Brasília mesmo. Na impossibilidade de transcrever todos, sumarizo na carta que recebeu do amigo Agenor Carvalho, general Chefe da Casa Militar do presidente Collor, e figura irrepreensível.

“Caríssimo amigo Limongi,

As tuas notas estão fazendo sucesso entre os milicos, meus amigos e moradores aqui da Urca. Sensacional o comentário do nosso amigo HF sobre os mesmos. Não poderia haver melhor elogio. Parabéns!

João Havelange não teve na mídia, o reconhecimento que merecia pela participação decisiva na escolha do Rio para sede das Olimpíadas de 2016. Se estivesse como titular da Fifa e não como Presidente de Honra, não faltariam os bajuladores de plantão. Você disse muito bem “Ainda é referência universal, aclamado e respeitado por todos”. Concordo e assino embaixo!

Fico contente em ver o nosso Gilberto Amaral em franca atividade. À época tivemos ótimo relacionamento com ele. Desejando-lhe sucessivos êxitos pessoais, profissionais e jornalísticos, mando saudações e o abraço que você merece”.

Comentário de Helio Fernandes
65 anos, Limongi, combatendo, concordando carinhosamente, discordando bravamente, marcando a presença nos mais diversos momentos. Com amigos nos mais diversos setores do Poder (incluindo a presidência) e com relacionamento no Legislativo e no Judiciário, jamais pediu nada a ninguém, não usou ou utilizou os amigos para coisa alguma.

Muitos políticos cometeram o equívoco (que estava dentro deles mesmos) de oferecer dinheiro a quem só queria notícia, e negar notícia a quem só queria dinheiro. Com você não haveria possibilidade de engano. Você só queria (e quer) notícia e para publicar.

Terminando: você deveria publicar em livro, as cartas publicadas. São tantas, acho que milhares, seria obrigatória a seleção. Felicidades.

Sem reforma política e eleitoral, não há representatividade, o Senado tem 25 por cento de “senadores”, sem voto, sem povo, sem urnas, arrogantes

O Supremo Tribunal Eleitoral cometeu gravíssimo equívoco, considerando a INFIDELIDADE PARTIDÁRIA, o grande inimigo das instituições. Devia rever a decisão junto com uma outra, ABSURDÍSSIMA: tirar do cargo o governador eleito e empossar o derrotado. Que na certa cometeu os mesmos desvios éticos-eleitorais que o cassado.

Não existe INFIDELIDADE PARTIDÁRIA, pela razão muito simples de que não existem partidos. Se estes existissem, poderíamos acreditar nessa suposta INFIDELIDADE. As cúpulas podem tudo, não há militância, então muitos são perseguidos, não têm oportunidade para coisa alguma.

O TSE (famoso Tribunal Superior Eleitoral) em vez de se preocupar com essa suposta infidelidade, deveria cuidar da representatividade. Não basta contratar técnicos em informática, e declarar autoritariamente: “As urnas eletrônicas são invioláveis”. Embora este repórter tivesse concordado com Brizola, que era preciso “alguma coisa impressa para a garantia do voto”, não é aí que esse voto macula e invalida a representatividade.

No Brasil tudo é falso em matéria de voto. E não é de agora. A partir da primeira eleição direta da República, implantaram a catastrófica RATIFICAÇÃO DOS PODERES. Só o presidente da República estava livre. Governadores, senadores e deputados, precisavam de RATIFICAÇÃO. Quem fazia isso era uma Comissão nomeada pelo presidente da República.

Então, o mais comum, estados com 2 governadores. Um eleito e outro ratificado pela Comissão e pela Justiça, que Justiça.

Em 1896, voltando do exílio, Rui Barbosa foi eleito senador. Só que a Comissão decidiu não RATIFICÁ-LO. J.J. Seabra, senador, e Manuel Vitorino, Vice de Prudente, estavam contra ele. O Governador Luiz Viana, (o pai, o pai e não o filho ou o neto, que ficou 9 meses como “governador” e “arrumou” toda a sua geografia bancária), se insurgiu e perguntou: “Como vamos explicar à opinião pública, o corte do mandato do maior brasileiro vivo?”. Tomou posse.

O “senador” João Pedro, que até hoje não disputou nenhuma eleição, mas está no senado há 2 anos e 10 meses, falou tentando atingir os que defendem a autenticidade da representatividade do voto: “O prefeito de Nova Iorque foi eleito para o terceiro mandato, no Brasil isso não é permitido”.

Antes de tomar o Bloomberg como exemplo, o “senador” deveria estudar a Constituição dos EUA. Prefeitos e governadores podem ser reeleitos à vontade, está na Constituição estadual. Mas pela Constituição Federal, o presidente só pode ficar no cargo 4 anos, e ser reeleito por mais 4. Depois, mais nada, nem eleito nem nomeado. (Está aí Obama, pode ser reeleito em 2012, depois vai para casa cuidar das filhas).

E há mais e muito mais importante. Pela Constituição dos EUA, o cidadão SÓ PODE OCUPAR O CARGO PARA O QUAL FOI ELEITO. Está aí Hillary Clinton como grande exemplo. Senadora com mais 4 anos e 1 mês de mandato, para ser secretária de Estado teve que renunciar no Senado. Pode ser demitida por Obama, ficará sem nada.

Agora vejamos o que acontece no Brasil. Alfredo Nascimento era Ministro dos Transportes no primeiro mandato de Lula, foi falar com ele: “Presidente, vou deixar o cargo, sou candidato ao Senado. Lula disse imediatamente: “Bota o João Pedro como suplente”. Feliz da vida, Nascimento colocou, já sabia que se fosse eleito, seria novamente Ministro. Que clarividência, aconteceu exatamente assim.

Agora, o mesmo Alfredo Nascimento é candidato a governador do Amazonas, pode e até deve ganhar. Aí , João Pedro deixará de ser SUPLENTE EM EXERCÍCIO, ganhará 4 anos como SENADOR ELEITO. (Sem eleição).

* * *

PS- Existem muitos casos como esse. Está aí Sua Excelência o governador de São Paulo, que foi senador sem ocupar o cargo, (a não ser transitoriamente) fazendo a festa do suplente financiador.

PS2- O STJ tem a obrigação de autenticar a representatividade. As piores irregularidades estão na participação (?) dos suplentes sem votos, que chegam até a presidente da República.

Quércia apóia Requião: o precesso sucessório presidencial está de cabeça para baixo

Carlos Chagas

Apesar da tentativa do governo, de um lado, e dos tucanos, de outro, para  minimizar a reunião do PMDB em Curitiba, no fim de semana, a verdade é que o maior partido nacional balançou a roseira da sucessão presidencial.  Roberto Requião foi lançado e aceitou candidatar-se à presidência da República, com o apoio de 17 diretórios nacionais e, em especial, com a declaração de Orestes Quércia de que,  a partir  daquele momento, desligava-se da candidatura José Serra e passaria a apoiar o governador do  Paraná.

Isso aconteceu até a madrugada de ontem, domingo, com entusiasmo invulgar dos quase mil representantes das bases estaduais do PMDB.  A cúpula nacional não compareceu, ou seja, Michel Temer e sua substituta, Íris Araújo, não foram à capital paranaense.  Mas não fizeram falta. Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul formaram por unanimidade a  tropa de choque de Requião, que esta semana  deve iniciar sua campanha pelo país, depois de passar por Brasília.

O importante nesse lançamento é que o PMDB começa não com um nome, mas com um projeto. Coube ao ex-ministro Mangabeira Unger apresentar cinco diretrizes fundamentais para nortear o futuro nacional,  sendo que o governador do Paraná só admitiu aceitar a candidatura depois dos diversos pronunciamentos dos diretórios estaduais.

A candidatura própria do partido atropela a adesão das cúpulas nacionais à candidatura Dilma Rousseff e já chegou ao palácio da  Alvorada, até como  alternativa  para a hipótese de a candidata não decolar. Requião, ao aceitar de forma inarredável a indicação, não se cansou de elogiar o presidente Lula. Fica em aberto uma opção futura, para o palácio do Planalto,  mas o importante, do encontro de Curitiba, e apesar de a grande imprensa haver ignorado o que aconteceu,  leva a uma  conclusão maior:  o processo sucessório presidencial está de cabeça para baixo…

Apesar de tudo, 21 anos de democracia

Lembra o presidente do Supremo Tribunal Federal que os 21 anos da promulgação da Constituição de 1988 consagraram igual tempo de normalidade democrática. Para Gilmar Mendes, não há que culpar nossa lei fundamental pelas dificuldades que o país enfrenta. Muito pelo contrário, tem sido graças a ela que vivemos o maior período  republicano até agora registrado sem rupturas institucionais.   Mesmo tendo  um presidente da República sofrido impeachment, importa  registrar  a normalidade democrática, que  decorre da Constituição.

A partir dessa constatação, Gilmar Mendes avança a certeza de que inusitados não acontecerão, no processo sucessório. A alternância no poder é uma constante, inexistindo hipóteses continuístas ou prorrogacionistas, que não seriam aceitas por nossas instituições. Tomara que Sua Excelência esteja certo…

A eternidade de 2010, a longevidade sem credibilidade, a sucessão sem sucessores. Ou Dona Dilma e Doutor Meirelles, sem votos, sem povo, sem urnas, sem legenda, mas com notável e desenfreada ambição de Poder

A sucessão de 2010 está tão complicada que mais parece uma sessão do Supremo. Tudo é confuso, necessita de interpretação, e para espanto geral só uma autoridade concentra não só o Poder de decidir, mas também o que interpretar. Seu nome: Luiz Inácio Lula da Silva. Seu cargo: presidente da República até agora e por vontade própria, desde que ninguém consiga afastá-lo.

Os oposicionistas (?) que pareciam ter uma união sólida entre dois candidatos, se dividiram e não conseguem se reunificar, nem mesmo no que sempre se chamou de “chapa pura”. No caso, Serra e Aécio, embora nada esteja decidido.

No lado governista, a união ou desunião, terá que passar pelo crivo, avaliação e consagração do próprio presidente. Que controla tudo, tem sempre a primeira e a última palavra. Principalmente na sucessão que pode nem existir.

A chapa pura, que parecia unanimidade no PSDB, virou bandeira do PT, perdão, do presidente Lula. O partido não decide nada, quem faz e desfaz é o presidente Lula. E os que discordam, no máximo apelam para ele: “Presidente, me apoiando o senhor terá mais um palanque”. Assim, nos mais diversos estados.

Os candidatos dos dois lados não são melhores ou piores. Só que a possível chapa pura da oposição, reuniria nomes fartos de disputar eleições. Já a imaginável chapa pura do governo, reuniria candidatos que jamais subiram num palanque eleitoral.

No PSDB as coisas só estarão resolvidas a partir da desincompatibilização. No lado de Lula, excluindo ou excluído o próprio, sobra Dona Dilma como cabeça de chapa, uma incongruência, que palavra. O vice deve (ou pode) sair do PMDB, o que tem tudo para se chamar de chapa pura, sem nenhuma gozação.

Meirelles à procura de um partido

Quando Lula se lembrou (assim oficializou) do nome de Meirelles para vice de Dona Dilma, ele estava sem partido, e sua ambição se restringia a governador de Goiás. Precisava se filiar a um partido, Lula chamou o presidente do BC, ordenou no tom amável que usa sempre com os subordinados: “O senhor pode entrar em qualquer partido, desde que seja no PMDB”. E assim foi feito.

Dilma-Meirelles jamais disputaram votos

Seria verdadeiramente insensato apresentar uma chapa composta por dois nomes sem experiência eleitoral, e muito menos política. Podem dizer: “Meirelles se elegeu deputado por Goiás com 180 mil votos”.

Não era eleição e sim trampolim

Tão evidente, que tendo “sido eleito”, Meirelles renunciou, exigência para ser presidente do Banco Central. Na verdade ele só foi a Goiás para nascer, fez carreira no exterior, (Banco de Boston) voltou com objetivos e ambições. Custos? Nenhum problema.

O PT no seu pior momento

Desde que surgiu o PT vem construindo, ou melhor, destruindo a imagem positiva que marcou seu aparecimento. Agora, de fora do partido e dentro dele, as maiores restrições.

Meirelles faz vestibular
para vice-presidente

O presidente do Banco Central, à tarde, pela primeira vez compareceu a uma reunião do seu novo e glorioso partido, o PMDB. Suas convicções político-eleitorais, são iguais às econômico-financeiras.

Em 7 anos de pastor,
saiu do PSDB para o PMDB

Em 2002, nem ele sabia que logo, logo seria tão poderoso quanto Celso Amorim, os dois que completarão os 8 anos dos dois primeiros mandatos de Lula. Tanto Meirelles não sabia, que comprou 183 mil votos para deputado, inscrito pelo igualmente glorioso PSDB.

Não sabe o que o futuro (Lula)
reserva para ele, tenta adivinhar

Ficou satisfeito com o “tratamento recebido”. Confessou isso a um amigo. Este não pôde deixar de fazer a pergunta que todos fazem: “Por que entrou no PMDB e não no PSDB, pelo qual se “elegeu” deputado em 2002?”.

* * *

PS- Agora surgiram duas jogadas numa só. Henrique Meirelles, um dos “grandes” do PMDB, passou a “amestralizar”: “O Presidente Lula me pediu para ficar com ele até o fim”. Suspeitíssimo. Como ninguém sabe o que é o fim, segundo Luiz Inácio, a reflexão é imediata. Lula pediria a Meirelles para encerrar a carreira tão cedo?

PS2- Surgiu então o nome de Michel Temer para vice de Dona Dilma. Nenhuma concretização, apenas o lado positivo. Como Dona Dilma não se elege, Temer também não se elegeria, encerraria o tempo de vida pública, não tem sido eleito nem deputado.

Battisti é criminoso político ou terrorista? Por que a Itália não pediu extradição à França? Quem redigirá o “vencido” se ninguém perdeu? Fascista e mafiosa a Itália ameaça o Brasil

Tenho tratado desse assunto desde o início, e não pratiquei o gravíssimo delito da omissão, acompanhando o Supremo no que chamei de “longa exibição de cultura inútil”. Considero que no momento não há nada mais importante a decidir.

Mais importante e delicada só a tentativa (dos dois lados) de transformar a sucessão de 2010, numa decisão plebiscitária. O que chega a provocar perplexidade, é que o PSDB se envolva nessa armadilha política e eleitoral, montada e coordenada pelo PT, perdão, o presidente Lula.

Sem que isso seja a glorificação do atual presidente, não há a menor dúvida que, em qualquer confronto ou comparação, o “sociólogo” perde longe. Por isso cunhei a observação da qual FHC não se livrará: “Comprometeu o país com o retrocesso de 80 anos em 8”. E 8 que não estavam na Constituição.

Quando o Ministro Marco Aurélio Mello, pediu vista do processo, ressaltou: “Votarei contra a extradição, mas a impressão é de que o resultado já está decidido contra Battisti”. O lúcido Ministro aparentemente tinha razão, mas só aparentemente.

No julgamento de quarta e quinta-feira, houve reviravolta tão grande, que o presidente do STJ, Gilmar Mendes (que tem vida dupla, como Ministro e como advogado, ministro no STJ, e advogado dentro de casa) ficou revoltado e confuso. Revoltado pelo fato de ter falado horas e não vencer. E confuso por não saber como DECLARAR o resultado.

O que provocou o comentário (ou sugestão) mordaz e irônico do lúcido Marco Aurélio: “Presidente, podemos convocar UM SIMPÓSIO PARA ESCLARECER como votou o Supremo”.

Amuado, ressentido, amargurado, o presidente ouviu dos Ministros “como deveria anunciar o resultado”, sussurrou o que ninguém ouviu e encerrou a sessão. Levantou-se, passou pelo aliado no dissabor (relator César Peluso) nem falou com ele.

Nesses meses todos não fiquei contra ou a favor do personagem, o que me interessava era o que está no título destas notas: ele praticou crime político ou terrorismo? De qualquer maneira, a Itália não é o país mais credenciado a tratar dessas questões.

Base eterna da MÁFIA. Dominada pelo fascismo desde 1922, protagonista da belíssima campanha das MÃOS LIMPAS, assistiu a morte dos juízes que comandaram a reação. Tão corrupta que ex-Primeiros-Ministros e grandes personalidades ficaram “escondidos” em países vizinhos, até que a revolta contra a corrupção amainasse, que palavra. E amainou, a corrupção sempre vence.

O Primeiro-Ministro Berlusconi não é precisamente um estadista a ser considerado ou respeitado. Manteve durante 12 anos “engavetado”, um processo contra ele. Uma semana depois do processo estar “PRESCRITO”, um juiz-Pinochio, declarou: “Não posso fazer mais nada, o tempo favoreceu o réu”. E ninguém foi preso, nem Berlusconi nem o juiz.

Agora, esse mesmo Berlusconi faz trapaça (no que é praticamente invencível), ameaça o Brasil. E não se incomoda com a intimidação de longe ou de perto, determinando que o embaixador da Itália acompanhasse todas as sessões do STF, no que foi obedecido.

Desde o princípio deixei bem claro: o STJ não tem nada a fazer na questão, o Executivo (presidente da República, seja quem for) tem a primeira e a última palavra, não precisa consultar ninguém. A grande prepotência do Supremo, foi dividir os votos em três fases.

Gilmar Mendes nem se preocupou em votar desabridamente dessa forma, dizendo textualmente: “Esta é a primeira fase, entramos agora na segunda”. E antes do que chamou de “terceira fase do voto”, suspendeu a sessão por 20 minutos. Que se transformaram em 55, um cansaço para o embaixador da Itália e o caríssimo advogado contratado para acusar.

Agora, esse brilhante causídico, entrará com EMBARGOS DECLARATÓRIOS. Geralmente a decisão do Supremo é final, definitiva e irrevogável. Mas como nem alguns ministros sabem como votaram, como recorrer ou como o STJ irá decidir?

Mesmo o recurso, só depois do Acórdão. Normalmente, quando perde, o relator redige o VENCIDO. Mas César Peluso já veio a público, para dizer, “não tenho condições intelectuais para fazer isso”. (Não estou aqui para desmentir ninguém).

O apagão dominou o Supremo, tudo ficou escuro, atingindo mesmo os que votaram claramente. Basta dizer, (como já ressaltei) que pretendiam “interpretar” o voto de Eros Grau, até que ele declarou: “Estou presente, quem sabe como votei sou eu”.

E conhecendo o presidente Gilmar Mendes, afirmou: “Para que não haja dúvidas, voto com Marco Aurélio, Carmem Lúcia, Ayres Brito, Joaquim Barbosa. Somos 5, a maioria”. O fato do Ministro Tofoli ter dito, “não votarei nessa questão”, não tem a menor sustentação.

* * *

PS- Além de toda a perplexidade com a arrogância de alguns ministros (principalmente o relator e o presidente), uma série de equívocos e contradições, até mesmo em alguns ministros dos quais sou admirador. Falo especificamente de Ayres Brito.

PS2- Um dos mais cultos, brilhantes e lúcidos, votou contra ele mesmo. Decidiu que “só o presidente da República pode determinar a extradição”. Mas votou a FAVOR DESSA EXTRADIÇÃO. Se tivesse dado um voto uno e indivisível, as duas questões teriam sido vencedoras por 5 a 4. Se é que existiam DUAS QUESTÕES EM JULGAMENTO.

Briga desnecessária

Carlos Chagas

O ministro da Justiça, Tarso Genro, endossou o comentário de que a Itália está “cavalgando celeremente” para o fascismo. Noves fora a semelhança física do primeiro-ministro Silvio Berlusconi com Benito Mussolini, parece ter havido um exagero por parte do jornal que assim se manifestou e, em seguida, do ministro.  Afinal, as eleições são livres naquele país. A imprensa, também. O Judiciário funciona a contento e o Congresso não sofre constrangimentos.  Acresce que não estamos assistindo, nas telinhas, desfiles de camisas negras pelas ruas de Roma ou Milão.

Se alguma observação pode ser feita diante da Itália é de que adota uma política econômica neoliberal e que suas instituições são conservadoras, mas se fascismo for isso, o que dizer dos Estados Unidos, da Alemanha e de quantas nações a mais?

Tarso Genro tem-se destacado pela ousadia em palavras e atos, no ministério da Justiça. É polêmico e não esconde o viés esquerdista que marca sua carreira política desde o início. Funciona até mesmo como uma espécie de consciência ideológica no governo,  tantas vezes posicionado à direita. Demonstrou coragem ao conceder refúgio a Cesare Battisti. Certamente coordenará  os estudos que embasarão a decisão do presidente Lula  diante do nó dado pelo Supremo Tribunal Federal nessa questão.   Convenhamos, porém, que rotular a Itália de fascista, além de um exagero, equivaleu a comprar uma briga desnecessária.

Assunto tem

Declarou o presidente Lula andar  a oposição com falta de assunto. Pode até ser, mas o mais provável é que PSDB, DEM e penduricalhos estejam fugindo de temas realmente importantes para prestigiar sua performance, incômodos para o governo.  A oposição não se pronuncia sobre a maldade feita contra os aposentados. Nem  diante da farra dos cartões corporativos.  Muito menos denunciando o financiamento de montes de ONGs fajutas,  pelos cofres públicos. A perseguição fiscal contra a classe média e as facilidades concedidas aos bancos passam ao largo.

Sabem por quê? Porque  todas essas práticas vêm dos tempos em que a oposição estava no poder.  Foram eles, tucanos, democratas e ex-comunistas, a  inaugurar a lambança. Como, agora, iriam contestar o que o atual governo faz?

O conflito não terminou

Para o presidente do Supremo Tribunal Federal, a questão Battisti não se encerra com a autorização dada ao presidente da República para extraditar ou não o terrorista. A mais alta corte nacional de justiça ainda poderá ser acionada, caso alguém conteste a decisão que o presidente Lula vier a tomar, qualquer que seja.  A situação não é clara diante da interpretação de que existem sentenças autorizativas e determinativas, expressões inexistentes na Constituição e no regimento do tribunal que ele preside. Acresce que numa ação posterior qualquer, semelhante, o caso também exigirá uma definição terminativa.

É claro que Gilmar Mendes não se sentiu satisfeito com o resultado da votação entre os ministros. Até porque o plenário não estava completo. Celso Mello declarou-se impedido de participar do julgamento, assim como o mais novo colega, Tofolli. Para o presidente do Supremo, todas as sentenças devem ser cumpridas. Como a questão foi resolvida, constrangimentos se criaram até para o presidente da República.

Virá nova Lei de Imprensa

No entender de Gilmar Mendes, o Congresso deverá aprovar uma nova Lei de Imprensa, tendo em vista que diversas lacunas surgiram com a decisão do Supremo Tribunal Federal de revogar a lei anterior, dos tempos do regime militar. A começar pelo direito de resposta, hoje a cargo de juízes de primeira  instância.

Nossa tradição jurídica é pela existência de legislação específica para os meios de comunicação. Deixar que os abusos praticados através da imprensa venham a ser julgados pelo Código Penal pode consistir num prejuízo para jornais e jornalistas.

Quanto à extinção da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista, o presidente do Supremo sustenta o voto dado há algum tempo. Para ele, os meios de comunicação não deixarão de aproveitar profissionais  saídos dos cursos de jornalismo e correlatos. Prevalecerá a natureza das coisas, ainda que agora sem o caráter corporativo que marcava obrigatoriedade. Aliás, o Supremo deverá decidir sobre questão paralela: como regulamentar a profissão de músico?

Os 32 países que estarão na Copa 2010: ficou de fora alguém que fará falta? Intrusos estarão na maior festa do futebol? 32 nas 8 chaves, 16 no mata-mata

Já podemos dizer e analisar: começou para valer a Copa de 2010. Dos 52 países da Europa, estão aí os 14 melhores. Da América do Sul, beneficiada por terem 5 vagas para 10 participantes. Nos outros continentes, também nenhuma ressalva. Vejamos individualmente.

África do Sul: anfitriã, não passará da primeira fase. O ego colossal de Parreira crescerá, tentará “emplacar” 2014 pelo Brasil.

Portugal: a grande sensação quase no abismo. Precisava vencer 4 jogos para ir à repescagem, fez o surpreendente dever de casa.

Coréia do Sul e do Norte: dos primeiros a se classificarem, vão à África do Sul, com a idéia de “derrubarem o muro” que as separa. Mas fora do campo. Dentro dele, nenhuma esperança.

Espanha: ainda não ganhou nenhuma Copa, nem mesmo a que realizou em casa, em 1982. Agora, enormes chances.

Argélia: pode ser considerada uma surpresa, da mesma forma como conquistou a Independência e a Liberdade nos tempos de De Gaulle. Morrerá na chave, não terá o prazer do mata-mata.

França: único título em 1998, com uma boa seleção e as convulsões do Fenômeno. Ficou só nesse título. E vai para a África do Sul, diante do que exibiu, pode considerar uma “mão” na roda. Do Henry, que venceu em 1998.

EUA: gostam de futebol, mas não de jogos que dão o título a campeões que só fazem 1 gol. Sediou a Copa de 94, não fez nada, como não fará. Seu futebol feminino é melhor.

Itália: sempre surpreendente. Ganhou em 1982 e 2006, quando ninguém esperava. E em 1934 e 38, ninguém se lembra.

Honduras: devia ter como técnico o aventureiro Zelaya. E essa vaga ficaria muito melhor com a Costa Rica, único país da América Central, que vale a referência.

Austrália: disputava num continente que na repescagem enfrentava sempre um país da América do Sul. Mudou de continente, foi o segundo a se classificar. Para quê? Para nada.

Brasil: sempre favorito, devia ter ganho em 1978, 1982 (principalmente), 1986, 1998. Agora, tudo pode acontecer, até mesmo perder.

Suécia: sempre coadjuvante, pelo menos superou a Noruega. Não passará disso.

Argentina: chegou à primeira final em 1930, ganhou com a ditadura em 1978, e com Maradona sozinho em 1986, mesmo com “a mão de Deus”. Agora com o mesmo Maradona e o sofrimento, não pode ser descartada ou desprezada.

Chile: sempre esteve como o quarto ou o quinto da América do Sul. Dependendo da chave, pode não chegar ao mata-mata.

Costa do Marfim e Camarões: são os melhores da África, têm garra e até uma dose razoável de competência. Não esquecer deles.

Dinamarca: a Europa tem mais de 20 países “inexistentes” e quase o mesmo de “coadjuvantes”. Estão na segunda citação.

Gana: deram trabalho e ganharam citação na Copa de 2006. Não estão na mesma boa fase, darão trabalho na chave, mas não passarão.

Suíça: foi uma sorte, “honraram” a sede da Fifa. Eram conhecidos por não participarem das duas Guerras Mundiais, (não beligerantes), mais citados pelas contas numeradas. Ficarão na chave, não precisarão prestar contas a ninguém.

Alemanha: é sempre concorrente forte, embora ganhe pouco. Beckembauer confessou: “Precisávamos ganhar a Copa de 1954 (na Suíça), para nos reabilitarmos com o mundo”. Ganharam e repetiram em 2006, em casa. Agora? É esperar.

Eslovênia e Eslováquia: é o excelente que durante a ditadura soviética, se chamava o “Pacto de Varsóvia”. Dependendo, podem fugir da chave, passar às “oitavas”.

Grécia: surpreendeu ganhando a Copa de Seleções da Uefa, nova surpresa na classificação. É uma das incógnitas, depende do momento. Não para o título, mas para o primeiro jogo do mata-mata.

Inglaterra: só tem um título, conquistado em  casa, em 1966. Com 1 gol que até hoje se discute e poucos aceitam. Incluindo o repórter, que estava em Wembley. Pode chegar ás oitavas, depende do terceiro e quarto da chave.

Japão: outro coadjuvante esforçado mas não realizado. Um bom mercado de trabalho.

México: está jogando um futebol razoável. Sediou duas Copas, 1970 e 86 e não chegou nem às semifinais. Mas melhorou, não há duvida.

Nova Zelândia: a satisfação é a de todos: “Ir à Copa”. Está indo, voltará para casa rápido.

Paraguai: tem ido à Copa regularmente. Em 1994 se destacou. Quando atua em casa no Estádio Defensores Del Chaco, é um grande adversário, não esquece a estranha Guerra do Paraguai.

Nigéria: o país de maior índice de corrupção da África, (Berlusconi devia ser seu Primeiro Ministro) não tem a menor chance de nada. Estão achando petróleo no meio da rua, sem precisar prospectar. Nada a ver com futebol.

Sérvia: jogo de futebol de espetáculo, mas o resultado não conforta. Ter se classificado, pelo menos, satisfação.

Holanda: é sempre um prazer. O auge do seu futebol foi 1974 e 1978, nas duas finais enfrentou os donos da casa. Primeiro na Alemanha, e depois a seleção (armada) da Argentina.

Uruguai: campeão em 1950, derrotando o Brasil na final, nunca mais fez bonito nas Copas.

***

PS- Faltam 6 ou 7 meses. É difícil, quase impossível, indicar os finalistas, pelo menos os que têm possibilidades de títulos. Não acredito que surja um novo país vencedor que ainda tenha triunfado.

Poderes em conflito

Carlos Chagas

Pela maioria de um voto, o Supremo Tribunal Federal concluiu  que o presidente Lula não é obrigado a cumprir a decisão adotada pela corte, que,  minutos antes, também por escassa maioria, optara pela extradição  de Cesare Batistti para a Itália. São coisas do Brasil, daquelas que pouca gente entende aqui dentro e ninguém, lá fora. Tomamos conhecimento, agora, da existência de sentenças “autorizativas”, em oposição a sentenças “determinativas”.

O presidente do Supremo,  Gilmar Mendes,  bem que tentou impor seu ponto de vista, sustentando estar o presidente da República obrigado a cumprir  a decisão. Perdeu por um voto mas é possível que não se conforme, disposto a levantar a questão através de algum artifício.

Aumentam as dúvidas com relação à harmonia e independência dos poderes da União. Ainda  há dias a mesa do Senado levou uma semana para cumprir determinação da mais alta corte nacional de justiça, que mandava afastar imediatamente um senador já condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral. José Sarney e os demais dirigentes entenderam subordinar a ordem do Supremo à apreciação da Comissão de Constituição e Justiça. Depois, voltaram atrás e mandaram o já agora ex-senador para casa.

Episódios como esses demonstram a fragilidade das instituições, ainda que também revelem a tradicional luta pelo poder. O Congresso não vota as reformas política e eleitoral, e o Judiciário ocupa o espaço vazio, legislando em seu lugar. Em paralelo, o Executivo produz mais leis do que o Legislativo, através de medidas provisórias sem caráter  de urgência e relevância, como manda a Constituição. Faltava o confronto entre o governo e o Supremo. Não falta mais. É bom tomar cuidado.

O filho do vampiro

Depois da amostra do sucesso que será a exibição nacional do filme “O Filho do Brasil”, apologia do presidente Lula contestada pelas oposições, só resta mesmo aos adversários do primeiro-companheiro encomendarem uma produção sobre a vida de José Serra. O diabo é que a irreverência do PT e demais detentores do poder já sugeriu o título: “O Filho do Vampiro”. No caso, mais uma agressão ao ex-presidente Fernando Henrique.

Simon e o circo

Poucos líderes do PSDB, no passado, tem demonstrado performance tão digna e corajosa quanto o senador Artur Virgílio. Não se passa um dia sem que ele ocupe a tribuna do Senado não apenas para protestar, mas para apresentar soluções e caminhos capazes de superar impasses e conflitos.

Como todo mundo na vida, porém, o representante do Amazonas teve seu dia de escorregar. Propôs, a sério ou por humor, que uma das  comissões técnicas encarregadas de apurar as causas do recente apagão convoque representantes da entidade esotérica “Cobra-Coral”, especializada  em  prever o futuro através da incorporação de espíritos e de almas do outro mundo.

O senador Pedro Simon não perdoou. Exortou o Senado a evitar o  espetáculo de circo que seria a presença de um vidente em suas instalações, encarregado de elucidar questão que o governo não resolve.

A vantagem do analfabetismo

Bertrand Russel era um pacifista tão empedernido que durante a Segunda Guerra Mundial foi confinado a uma cidade do norte da Inglaterra, impedido de lecionar e de escrever em favor da paz. O momento exigia de Winston Churchill a mobilização de toda a opinião pública no esforço  para  derrotar Hitler e os nazistas.

O filósofo também era comunista. Certa vez   foi à  União Soviética, que reverenciava como se fosse o paraíso. Depois de algumas semanas, desiludiu-se. Não com o marxismo, mas com a forma como era aplicado por Stalin.

Na volta, para não dar o braço a torcer, fez longo elogio ao analfabetismo vigente entre os russos. Ninguém entendeu e ele explicou: quanto mais pessoas não puderem ler os jornais e as revistas lá publicadas, melhor, porque não serão influenciadas pelas mentiras divulgadas pelos  meios de comunicação soviéticos.

Guardadas as proporções, a matreira lição do mestre que revolucionou a História deixaria de ser aplicada entre nós, hoje.  A enganação vem pela televisão…

Tortura é crime imprescritível

Edson Khair

A recente divulgação, sobre o assassinato e posterior esquartejamento de presos políticos à época da ditadura militar, merece apuração. O assassinato e posterior esquartejamento do deputado Rubens Paiva e do operário Manoel Fiel Filho, denunciado por  agente da repressão à época da ditadura militar, Marival Pontes, clama por apuração na justiça.O ex-agente depõe sobre o extermínio brutal de presos políticos ao cineasta Jorge de Oliveira para o filme “Perdão, Mister Fiel”.

O esquecimento de tais crimes nos faz lembrar a tese de Hannah Arendt sobre a banalidade do mal. Tal entendimento da notável filósofa veio a propósito do julgamento de Adolf Eichman em tribunal de Israel, no qual o carrasco nazista foi condenado à morte. Como se sabe, Eichman foi um dos executores da política de extermínio do povo judeu empreendida pelo nazismo.

O Brasil não pode desconhecer tais crimes. Não se trata de revanchismo, até porque seus executores dificilmente seriam condenados. Contudo,  temos o direito de saber seus nomes, o perdão pode ser possível para alguns. O esquecimento de tal barbárie, jamais. Há  quem argumente também que os torturadores “eram pessoas que levavam uma vida normal. Não eram necessariamente maus.

Tinham afeto por suas famílias. Estavam cumprindo um papel. Eram profissionais da classe média. Foi a  visão de Fernando Gabeira em depoimento ao Tribunal Bertrand Russel para tratar de crimes cometidos contra a humanidade pela ditadura militar brasileira. Espantoso. Votei em Gabeira para prefeito nas últimas eleições. Não conhecia até onde  iam “suas teses” sobre torturas e torturadores. Tais pontos de vista foram por ele revelados em seu livro DOSSIÊ Gabeira,  pag. 125, em entrevista a Geneton Morais Neto.

É óbvio que a consciência moral e jurídica de qualquer país repudia tais conceitos. Vide o exemplo de todos os países da América do Sul que estão levando aos tribunais torturadores que  cometeram crimes contra a Pessoa durante as ditaduras militares que assolaram o subcontinente.

Assim, mesmo que não sejam condenados tais delinqüentes,  pois há entendimento muito contestado que tais criminosos foram “anistiados” pela lei de anistia de 1979 votada pelo Congresso Nacional. Contudo, não é essa a posição jurídica  dos tribunais internacionais, que consideram o crime de tortura imprescritível. Esse é o entendimento da própria ONU. No caso brasileiro, considerando a “tradição” de esquecer e jamais investigar tais crimes (vide Estado Novo), é possível à Justiça tomar conhecimento deles. Assim, podem ser declarados responsáveis por crimes de torturas seus autores. Já há processo em andamento na Justiça brasileira acatando tal posição jurídica.

Portanto, com a palavra o Ministério Público Federal, que, tendo noticia de tais crimes, deve começar investigações que levarão os culpados aos tribunais. A memória do Exército de Caxias e de Henrique Lott, não pode continuar a ser manchada por tais criminosos fardados ou não.

Palmeiras e Fluminense

Há 9 jogos o Palmeiras não ganha. Já festejavam o título, agora sentem saudades de Jorginho, o interino que a 700 mil por mês entregou o time a Muricy, na ponta da tabela.

E o Fluminense? No ritmo em que vai, acaba no G-4. (Pena que faltem poucos jogos). Fred não fez gol, mas quando a torcida já se desesperava, nos descontos, o time marcou duas vezes, ganhou e está na final. Alguém pode ganhar desse time?

Cesare Battisti no limite

Depois de longa exibição de Cultura inútil, envergonhado pela contradição, o Supremo confessa, sem constrangimento: “Só o presidente da República fala sobre extradição”.

A sessão terminou às 8:15 da noite, mas já estava decidido há meses, antes mesmo de começar: só o presidente da República tem PODERES para determinar a extradição. É um caso de política internacional, de cumprimento ou descumprimento de Tratados, que só o presidente pode assinar, ficava tão claro, que perguntei aqui várias vezes: “O que o Supremo está fazendo tentando entrar numa “propriedade” que não lhe pertence?”

Escrevi sempre sobre o assunto, não fui CONTRA ou a FAVOR da extradição. Na mente e no coração considerava que era um “CRIME POLÍTICO”, e que a Itália não cumpriria as condições que teriam que ser exigidas pelo Brasil, no caso do pedido de extradição fosse como a Itália desejava, ou melhor, impunha ao Brasil, exibindo uma série de medidas RETALIATÓRIAS, caso o Brasil negasse a extradição.

Chamei a atenção para a obsessão da Itália por esse caso, a partir de determinado momento. Battisti ficou 10 anos na França, ali pertinho, podiam resolver pelo celular, a Itália não se incomodou. A partir da vinda de Battisti para o Brasil, o “furor extraditório” da Itália se manifestou, não só pelo pedido mas também pelas represálias que anunciou, caso o Brasil decidisse com independência.

1- Impediremos a entrada do Brasil no G-8. 2- Boicotaremos produtos brasileiros na Itália. 3- O Ministro da Justiça do Brasil só disse “asnices”. E foram por aí. Sem falar na autorização da contratação do advogado mais caro do Brasil. E a ida do embaixador da Itália no Brasil a todas as sessões do Supremo para constranger os Ministros.

Na verdade, o processo ganhou vida própria e importância, a partir do pedido de vista do Ministro Marco Aurélio. E seu voto foi de tal maneira extraordinário, que mesmo os que ao concordavam, se ressentiam só com a idéia de contestá-lo.

Mas pelo que órgãos de comunicação anunciavam e adivinhavam, o ponto final seria ontem com o voto final e inquestionável (?) de Sua Excelência Gilmar Mendes. Seria “o herói da sessão, ditaria as regras que o presidente da República teria que cumprir”.

Mas como Gilmar Mendes tem vida dupla, seu voto também teve e ele acabou soterrado pela avalanche de bobagens que alinhou em quase 4 horas de “parlatório”.

Foi uma sessão “tempestuosa”, que palavra. Soberbo, longo e praticando o exercício do troglotismo, Gilmar só parava para beber água, e olhar em volta, já gozando ou festejando o triunfo que não veio. Pois o grande e simples herói de ontem, foi o Ministro Eros Grau.

Quando começou a falar, com 3 ou 4 laudas na mão, contrariou imediatamente as 100 ou 200, lidas anteriormente pelo relator Cesar Peluso, e ontem mesmo pelo Ministro Gilmar Mendes. Arrasou de tal maneira com o relator e com o presidente, que começaram o exercício exorcista de INTERPRETAR O VOTO DE EROS GRAU. Até que este, cansado daquilo tudo, afirmou: “Parem de tentar interpretar o meu voto. Estou aqui e quem sabe COMO EU VOTEI SOU EU”.

E diante da insistência dos que pretendiam “ganhar” seu voto, exclamou: “Já que não se pode discutir nada aqui no Supremo dominado pela paixão”, liquidou: “Voto com o Ministro Marco Aurélio, Carmem Lúcia, Ayres Brito e Joaquim Barbosa, somos 5 contra 4”.

Aí, vendo que havia PERDIDO junto com o relator, (que tentava provar que Eros Grau votara exatamente como ele, no que foi refutado pelo próprio) Gilmar Mendes, AMUADO, não queria proclamar o resultado. Com verve, sarcasmo e gozação, Marco Aurélio fustigou Gilmar Mendes: “Presidente, podemos realizar um simpósio para definir o resultado do julgamento”.

O presidente disse algumas bobagens sussurradas e encerrou a sessão. Estava consumada a perda de tempo. Sessões e mais sessões para confirmar aquilo que o professor de Coimbra, o maior Constitucionalista de Portugal, Gomes Canotilho, já dissera: “No Brasil o Supremo se mete em tudo, na Europa isso causa espanto”. Ninguém discordou.

***

PS- A grande vítima jornalística foi O Globo. Na pressa, não se incomodou com a contradição. E a manchete ficou assim: “STF aprova extraditar Battisti, mas deixa decisão para Lula”. Ha! Ha! Ha!

PS2- A Folha, também sem entender nada, fugiu da definição, deu apenas uma linha na Primeira, sem definição: “Lula tentará manter Battisti no país”. Guttemberg ficaria orgulhoso.

Serra pode não ser presidenciável agora. Pretende ficar na vida pública até os 80 anos. Em 2010 estará com 68, mais 4 de governador, seria candidato a presidente com 72, sairia com 80

Embora quase todos, nos mais diversos partidos, considerem José Serra candidato certíssimo à sucessão de 2010, isso pode não acontecer. A obsessão de Serra, que jamais trabalhou na vida, é continuar sem trabalhar. E isso só pode acontecer se ficar mais alguns anos ocupando cargos públicos.

O raciocínio (?) de Serra é o seguinte. 1- Se disputar a presidência em 2010 e perder (perderá), sua carreira acabou. 2- Estará então com 68 anos, fazer o quê? 3- Se em 2010 for reeleito governador (será), deixará o cargo com 72 anos.

4- Disputará então a presidência da República. 5- Digamos que se eleja, e como não existe a menor possibilidade de voltarmos ao mandato único, sem reeeleição, Serra ficará mais 4 anos. 6- Sairá então com os citados 80 anos, e ficará como o “patriarca” do Brasil, que era o objetivo de FHC. Foi traído pela ambição, pela arrogância e pela doação do patrimônio nacional.

FHC e Serra que se detestam “intimamente”, têm muitos traços em comum, principalmente esse de não trabalharem. FHC foi professor, atraído pelas “menininhas”, que não aprenderam nada, nem ele tinha o que ensinar. (Ainda “escreveu” um livro em parceria, nem vou falar sobre isso, o Millor já disse tudo que precisava ser dito).

Em 1964, com 22 anos, estava quase saindo da Faculdade, precisava trabalhar. Veio o golpe de 1964, fugiu para o Chile, veranear era melhor do que lutar. (FHC nem precisou fazer coisa alguma, a ditadura não se incomodou com ele. Como não tinha o que fazer, e muitos amigos estavam no Chile, ia para lá. Depois, em 1978, foi suplente do senador Montoro, começava a carreira “democrática”, sem voto, sem povo, sem urna. Mas isso já é outra história).

José Serra voltava para o Brasil 15 anos depois, no limite dos 40 anos. Protegido por empresários que não podendo chegar pessoalmente ao Planalto, apostavam em nomes, Serra viveu sem trabalhar até 1983. Montoro eleito governador de São Paulo, nomeou Serra secretário. Era o primeiro cargo público, que maravilha viver. Aí não parou mais, só que perdia seguidamente quando concorria a cargos que precisavam do voto popular.

Apressado, Serra deixou a secretaria, candidato ao importantíssimo lugar de prefeito da capital. Perdeu, ninguém o conhecia. Os amigos poderosos colocaram-no novamente numa secretaria. Insistente e péssimo analista, voltou a se candidatar a prefeito, o que esperava? Foi fragorosamente derrotado. Aí o governador já era Orestes Quércia, que não queria nada com Serra.

Ficou vagando, sentia que o fim chegaria antes do princípio, o que fazer? Depois de derrotado duas vezes, se elegeu deputado federal, financiado pela Febraban, e por muitos bancos. Reeleito, participou da Constituinte, que promulgaria a Constituição de 1988.  Sem maior destaque, e sem que se soubesse como vivia.

Aí, inesperadamente foi procurado por grandes empresários de SP, que pretendiam financiá-lo para disputar o Senado. Desde que o suplente fosse “o pai da Fiesp”, Klabin Segall.

Antes e depois, foi 5 vezes lembrado (e descartado) para Ministro da Fazenda de vários presidentes. Mas foi com o amigo (?) FHC que sua carreira ministerial deslanchou. Primeiro no Planejamento, depois na Saúde, com o suplente se divertindo com o mandato de senador.

Em 1994, surpreendentemente, FHC é candidato a presidente. Mas compreendendo que não ganharia de Lula, reduziu o mandato de 5 para 4 anos. Ganhou e se vingou, prolongando a permanência no Planalto de 4 para 8 anos.  Comprando a prorrogação ou reeeleição, com dinheiro amealhado pelo amigo Sérgio Motta. (Sócio de Golbery em negócios escusos).

Aí, com o patrocínio dos mais reacionários empresários de SP, (quase todos são) foi prefeito, candidato derrotado a presidente em 2002, governador em 2006, o mandato acaba em 2010.  O primeiro grito pela PRIVATIZAÇÃO DA VALE, foi dado por José Serra, por ordem desses empresários. Depois da Vale, foi todo o resto (com prioridade para os bancos) do patrimônio nacional.

Por tudo isso, por ser um homem que se dizia, “o arauto da transição entre o CAPITALISMO e o SOCIALISMO”, e que passou a ser um dos mais reacionários homens públicos, é o que eu disse ontem, “tenho medo de Serra presidente”. (Idem, idem para Dona Dilma e Ciro Gomes).

Com essa rápida passagem e ligeira documentação de sua vida, José Serra é a grande incógnita da sucessão de 2010. Há 10 dias dei uma nota sumária sobre o que Serra pensava (?) do próprio futuro. Agora vou mais fundo.

Serra não dá como definitiva a candidatura a presidente em 2010. Está atentamente monitorado na trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva, incógnita maior ainda do que o governador.

Serra tem medo de Lula, e acha que o presidente ainda não deu o lance vencedor para 2010. Enquanto Lula não se decidir, Serra também não se decide. Esse é o panorama sucessório visto da ponte de 2010.

***

PS- Lula leva vantagem sobre Serra em matéria de tempo para resolver. Se não conseguir uma das três opções com as quais está jogando, pode ficar no Planalto até á eleição, sem qualquer impedimento.

PS2- Para Serra as coisas são e serão diferentes. Em 31 de março (vá lá, mais dois ou três dias) de 2010, sua decisão será pública e definitiva, sem fazer qualquer pronunciamento. Se deixar o governo de SP, é candidato a presidente. Se continuar no cargo, disputará a reeleição. Falta pouco tempo.

O patinho feio no lago dos cisnes

Carlos Chagas

Reúnem-se  domingo a convenções municipais  do PT,  para o início da   escolha dos novos integrantes dos Diretórios Estaduais e, depois, do  Nacional. O mais forte candidato à presidência do partido é o ex-senador José Eduardo Dutra, de Sergipe, mas,  com todo o respeito,  ele  parece o patinho feio posto  no lago  dos cisnes.

Mais se acentuará na legenda a preocupação com o poder e sua preservação, em detrimento das  lutas  ideológicas do passado, pela  melhoria das condições de vida do trabalhador e da afirmação da soberania nacional.

De José Dirceu a José Genoíno e a João Paulo Cunha, só para citar alguns dos prováveis  novos dirigentes,  estão todos  mais ligados na obrigação de eleger  Dilma Rousseff do que na  apresentação de um roteiro de reformas capazes de exprimir um passo adiante no desenvolvimento social do país.  Curvam-se às determinações do primeiro-companheiro, do neoliberalismo econômico à  imposição da candidata, tudo  sem um mínimo  debate interno.  Comportam-se como amigos do rei, empenhados em prestar-lhe vassalagem em vez de conduzi-lo de volta  aos caminhos um dia  percorridos em favor das verdadeiras mudanças sociais, políticas e econômicas  do país.

É uma pena, mas o PT de hoje tornou-se  pálida versão do partido que se propunha construir um novo  Brasil.

Último esforço

Por  coincidência no mesmo fim de semana, enquanto acontece a  reunião do PT, em São Paulo, o PMDB estará promovendo amplo encontro,   em Curitiba. Não propriamente todo o PMDB, porque seus dirigentes nacionais vão boicotar, infensos à iniciativa do  governador Roberto Requião cujo objetivo é   sensibilizar as bases partidárias em favor do lançamento de uma candidatura própria à presidência da República. Um dos oradores será o ex-presidente Paes de Andrade, que prestará homenagem ao dr. Ulysses Guimarães e,  mesmo à revelia do governador, lançará o nome dele como candidato.

Fica óbvia a divisão entre a cúpula nacional do PMDB, já comprometida com a candidatura Dilma Rousseff, e as bases, pelo jeito empenhadas em não perder a condição de maior partido do país. O objetivo da reunião de Curitiba é levar à realização de  uma convenção nacional capaz de solucionar o impasse.

Ano da marcha-a-ré

Como ano que vem é de eleições, quer dizer, de bondades, 2009 passará à crônica como ano de maldades. Melhor para o governo e as elites praticá-las de uma vez, confiando em que a curta memória nacional esquecerá rápido o mal.

Só esta semana, decidiu-se que o plenário da Câmara não aprovará a decisão da Comissão de Constituição e Justiça, extinguindo o abominável fator previdenciário, aquele que fez escolher a cada ano o valor real das aposentadorias.  Da mesma forma, os deputados não votarão o projeto aprovado no Senado, dando a todos os aposentados o mesmo reajuste daqueles que recebem o salário mínimo. É a segunda consagração do nivelamento por baixo de todos os que pararam de trabalhar.

Ao mesmo tempo, aumenta-se o IPTU em até 60%, para ao ano que vem. Sem falar que a nova lei do Inquilinato está para ser sancionada pelo presidente Lula, acabando com o direito de ponto para pequenos e médios empresários e autorizando os proprietários a despejar em quinze dias os locatários, caso disponham de melhores contratos.

Será que o eleitorado se lembrará disso, daqui a um ano?

O filme do Serra

Andam as oposições em paroxismo por conta da pré-estréia do filme sobre a vida do Lula, onde  os seus erros são omitidos e as suas virtudes, exaltadas. Trata-se de mais um capítulo da campanha sucessória, sem dúvidas, mas censurá-lo seria um ato de truculência, além de uma burrice. A liberdade de expressão do pensamento e de imagem é constitucional.

Se quiserem mesmo neutralizar os efeitos de “O Filho do Brasil” melhor seria que os tucanos contratassem um cineasta e produzissem uma película sobre José Serra. Poderia ser “O Filho do Palmeiras”, ou coisa parecida.  E se não pensaram, anos atrás, em fazer um filme sobre Fernando Henrique Cardoso, certamente foi pela falta de um mocinho no  presumível roteiro.   Com todo o respeito, só haveria bandidos…

Palanque voador

Razão tinha mesmo mestre Gilberto Freire, para quem o Brasil era o país de possibilidades tão impossíveis que qualquer dia o Carnaval acabaria caindo na Sexta-Feira Santa.

Além do presidente Lula, estão confirmadas as presenças de Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva em Copenhague, no começo de dezembro, para a Conferência Mundial do Meio Ambiente. Com mais um jeitinho Aécio Neves e Ciro Gomes estarão presentes, quer dizer, o palanque eleitoral brasileiro sairá dos trópicos para o frio, transferindo-se para a Dinamarca.

Só Heloísa Helena não irá, por haver-se decidido a apoiar Marina Silva. O PSOL se aliará ao PV, com Heloísa disputando o Senado por Alagoas.

Negócios da China

Durante séculos era moda aventureiros, especuladores e banqueiros viajarem para a China, lá realizando negócios capazes de enriquecê-los em quinze minutos. Negócios da China, que corriam por conta do imperialismo explícito e exacerbado, às custas do  sacrificado povo chinês.

Pois as coisas mudaram e agora é a China que faz negócios especialíssimos no resto do mundo, tornando-se a segunda economia do planeta e em vias de virar a primeira.  Não dá para os neoliberais acusarem o comunismo, que prevalece pela  metade naquele país. O tiro poderia sair pela culatra e a moda pegar.

Assim, culpam a política monetária de Pequim, porque enquanto o dólar cai, o yuen permanece imóvel, facilitando as  exportações chinesas. Afinal, a mão de obra, lá, é baratíssima. Um operário recebe o equivalente a 25 dólares por mês. Um engenheiro, 40 dólares. O milagre é que esses ordenados bastam para todos morarem, comerem, vestirem-se e até pouparem. Pelo jeito, nossas elites intentam fazer  meio milagre: reduzir os vencimentos dos assalariados para que nossos produtos possam competir lá fora…

Extradição de Battisti, impunidade de Gilmar Mendes

Hoje, quando o presidente do Supremo abriu a sessão na qual seria o principal personagem, oito ministros já haviam votado. Quatro a FAVOR da extradição, quatro CONTRA.

Foram sessões atípicas, com a intimidação do próprio governo da Itália, cujo presidente chegou a escrever carta ao presidente Lula. (Coisa rara: meus parabéns a Lula, que esteve na Itália e se recusou a conversar sobre o assunto com o primeiro-ministro Berlusconi).

Nas semanas que antecederam o voto de Gilmar Mendes, já se sabia que na sua hora, três coisas aconteceriam. 1- Seu voto seria longo, cansativo e monótono. 2- O presidente, pelo vazio do seu voto, seria desanimador. 3- Gilmar Mendes ficaria a FAVOR da extradição.

As duas premissas iniciais, confirmadas. E depois de 3 horas e 24 minutos, Gilmar Mendes disse as palavras que não terão a menor importância: “VOTO A FAVOR DA EXTRADIÇÃO”. Mais do que presidente do STF, Gilmar é o campeão mundial do óbvio, ou melhor, do ÓBVIO ULULANTE, como pretendia Nelson Rodrigues.

M-a-m-o-g-r-a-f-i-a difícil de entender, admitir, acreditar

Médicos e cientistas não se sabe bem de onde, com que títulos e credenciais, derrubam de uma vez só, tudo aquilo no qual as mulheres eram ensinadas a ter como “para raio” ou defesa contra o imprevisto: O EXAME PRÉVIO DEPOIS DOS 40 ANOS.

Agora, “permitem” o exame depois dos 50 ou 60 anos e apenas uma vez. Também condenam o exame que as mulheres costumam fazer com as mãos, num exercício de detectar qualquer caroço ou suposto tumor.

E ainda agridem o bom senso e o que estava mais ou menos acertado: “O exame prévio, permite que o câncer seja curado, desde que no início”. Excetuado o câncer do pâncreas.

Num tempo naturalmente bem distante, não se falava nem em câncer. Minha avó repetia sempre, quase se conversava sobre o assunto: “Essa palavra não pode ser pronunciada”. Era o câncer.

Agora tenho procurado esclarecer a questão, com médicos respeitados. Eles mesmos estão surpreendidos. E mulheres de todas as classes, idades e relacionamento, estão assustadas e mais do que isso, perplexas: O QUE FAZER?

O MEDO da ditadura, a obsessão de combatê-la. O MEDO de ditadores civis (como Serra, Dilma e Ciro), como combatê-los depois de ELEITOS?

Lógico, falo de Serra, Dilma e Ciro. Têm formação e convicção draconiana, dominadora, não suportam diálogo, controvérsia, debate. Mandam, e quem não obedecer terá que sofrer as consequências. Por isso afirmei que, com os três, qualquer um deles no Planalto, a democracia brasileira estará em perigo.

Tenho medo desses democratas autoritários que colocam sempre a segunda palavra na frente da primeira. E não tenho o menor constrangimento de dizer que tenho medo. Quem diz, “não tenho medo de nada”, é um irresponsável ou um mentiroso.

O normal é ter medo, a grandeza está em resistir a ele, saber que está no limite da perseguição, que tudo pode acontecer, o Poder nefasto e torturador tem o “direito da força” e pode fazer o que quiser. Isso dá um medo terrível, irreprimível, irresistível.

Por causa do comportamento desses três que pretendem chegar e dominar o Planalto, tenho medo pelo passado deles e obviamente pelo futuro do país. A glória deles é o Poder, se conseguirem conquistá-lo, assustarão milhões. Todos me perguntam: “Nesse caso, em quem votar?”.

Nas inúmeras vezes que fui levado preso para o Codi-Doi, ia apavorado. Mas por dentro. Quem olhasse a minha fisionomia, mirasse meus olhos, poderia dizer ou perguntar: “Esse homem não tem medo?”. Eu só era preso de madrugada, assustador. Depois melhorei a constatação: “Eles só prendem os que resistem, de madrugada e de preferência com temporal”.

Quem prendia, por ordem dos militares, era a polícia civil. Mas nos carros, sempre me diziam: “Não gostamos de trazer prisioneiros ao CODI, entregamos e vamos embora”. Aqueles oficiais de no mínimo 1,80m  (chamados de “Catarinas”) me gozavam: “O senhor escreve contra nós mas está sempre aqui”. Mal sabiam eles, que eu escrevia menos de 1 por cento do que desejava, a censura devorava tudo.

Esse antro de terror ficava na Barão de Mesquita, foi IDÉIA de Orlando Geisel, (irmão de Ernesto) que queria tanto ser “presidente”, não conseguiu. Foi montado numa parte da antiga Polícia do Exército. Inicialmente se chamava CODI-DOI. Surpreendentemente mudou de nome, inverteram as palavras, passou a ser DOI-CODI. Ninguém conseguiu explicar.

Numa daquelas madrugadas de choros, gritos e lamentos, fui levado mais uma vez para lá. Eram duas da manhã, quando chegou o comandante dessa “Universidade do Terror”, seu nome era Fiúza de Castro. (O filho, o pai foi um homem digno, quase Ministro da Guerra, ainda se chamava assim).

De paletó esporte, sorumbático, que palavra, disse se referindo a mim: “Eu gosto tanto quando senhor escreve sobre esportes, por que tem que se meter na vida dos governos?”. Ele se julgava governo, e legítimo.

Voltou a fingir que dormitava, até que um capitão, nunca soube o seu nome, perguntou: “Coronel, por que esta unidade mudou de nome?”. E Fiúza de Castro, às gargalhadas, “trocamos de nome porque DOI primeiro”. Pouco depois, no Almanaque ele era o número 1 para general. Ninguém queria promovê-lo, o candidato forte era o número 2. Fizeram então o seguinte. Promoveram Fiúza de Castro, foi nomeado Comandante da polícia Militar, agregava. E promoveram o número 2. (Naquela época a Polícia Militar era comandada por um general da ativa).

Aquele antro vivia (?) cheio de jovens de 19, 20, 21 anos, todos de classe média. Eram presos, levados para lá, torturados imediatamente, tiravam “informações”, quando chegava o pistolão, eles soltavam. Uma noite, na minha casa, o general Cordeiro de Farias contava para José Aparecido, Oscar Pedroso Horta, (Ministro da Justiça de Jânio) o grande advogado Evaristinho, o que sofrera pra tirar o filho de um amigo desse CODI ou DOI.

Cordeiro, (que na FEB já era general, Castelo Branco ainda Tenente-Coronel) contava: “Quando fui governador de Pernambuco, (pelo voto direto) fiz grandes amigos civis. Um deles teve a filha de 20 anos levada para lá, me telefonou desesperado. Levei mais de um dia para localizá-la, já havia sido torturada”.

(Foi lá que assassinaram o bravo Rubem Paiva. Foi preso por causa de revelações irresponsáveis, todos os telefones eram gravados. Levado para a Aeronáutica, começaram a torturá-lo. Gostavam muito de amarrar o prisioneiro num jipe, e “passear” com ele por aqueles caminhos cheios de pedras, ninguém resiste. Já estava agonizante, foi levado para a Barão de Mesquita, onde morreu horas depois. Montaram então a farsa: “estavam levando o prisioneiro num jipe, pela Quinta da Boavista, quando foram atacados”. Inacreditável, nenhum órgão publicou coisa alguma. (Nós tentamos, a muralha da censura nos soterrou).

Foram vezes incontáveis, a mesma rotina do medo, meu e deles. Pois como eu era um nome nacional, eles se compraziam antecipadamente no prazer de me torturar, como aconteceu com tantos. E se eu não resistisse à tortura e morresse? Foi o que aconteceu com o jornalista Wladimir Herzog, assassinado em São Paulo, na sucursal do DOI, que lá se chamava OPERAÇÃO OBAN.

***

PS- Comecei a falar em MEDO da ditadura, mas lutar contra ela basta (basta?) ter disposição, coragem e determinação. O EXÍLIO é uma satisfação, como disse Darcy Ribeiro: “Nunca me diverti tanto como no exílio, visitei países que jamais conheceria, não gastei um tostão”.

PS2- Mas como respeitar e deixar de combater Dona Dilma, Serra ou Ciro, se chegarem ao Planalto? Aí, estarão LEGITIMADOS por essa representatividade falsa, mas que será necessário renovar, revolucionar ou renovolucionar. Sei que irei combatê-los, haja o que houver. Mas nesse HAJA O QUE HOUVER, como ultrapassar o tempo?

PS3- Ia contar outras OPORTUNIDADES de MEDO quase PÂNICO, são tantas, fica para outra vez. De preferência sem nenhum dos três no Poder.

Unidos contra o povo

Carlos Chagas

Existem momentos em que situação e oposição se unem. Quando? Quando é para ficar contra o povo. Brada aos céus assistir o presidente Lula e o governador José Serra de mãos dadas,  pressionando suas bases parlamentares para, na Câmara, rejeitarem projeto já aprovado no Senado, estendendo a todos os aposentados os níveis de reajuste daqueles que recebem o salário mínimo.

Quer dizer, se é para impedir gastos que beneficiariam milhões dos que pararam de trabalhar, estão juntos. A alegação é de que a Previdência Social iria à falência, levando o atual governo a despender seis bilhões ano que vem, e o futuro governo a enfrentar a multiplicação da despesa nos anos seguintes.

Importa menos aos dois que desde o governo Fernando Henrique vem sendo reduzido o valor das aposentadorias de quantos recebem  mais do que o salário mínimo, ainda que tenham descontado para isso.  Há sete anos, por exemplo, um cidadão aposentado  fazia jus a cinco salários mínimos. Hoje, recebe apenas dois. Continuando as coisas como vão, por força desse abominável fator previdenciário, logo todos estarão nivelados por baixo.

Outra solução para esses algozes da população seria chamarem o Herodes, convencendo-o a terminar  sua trajetória  mandando matar os velhinhos, depois de ter feito o mesmo com os bebês. Afinal, os aposentados apenas consomem.

Recursos, não faz muito, a administração Lula encontrou para liberar mais de cem bilhões de reais para os bancos falidos e as indústrias em dificuldades. Para fazer justiça aos aposentados, não encontra. Vale o mesmo para o período José Serra, se ele vencer a eleição. Mas será a mesma coisa se Dilma Rousseff chegar em primeiro lugar.

Convenhamos, trata-se de  canibalismo explícito. Uma evidência a mais de que, contra o povo, as elites se unem.

O pior é que ele tem razão

Em entrevista concedida em  agosto e  apenas agora divulgada pelo “El País”, de Madri, o ex-presidente Fernando Henrique sustenta haver muito pouca diferença entre o seu passado governo e o governo do presidente Lula. O pior é que ele tem razão, tanto nos fatos quanto nas intenções.

Circula nos corredores do Congresso que o Palácio do Planalto aproveitará a consolidação das leis sociais para impor mais uma maldade. Seria permitido às empresas parcelar em doze vezes o décimo terceiro salário e as férias remuneradas. Com o passar dos anos, esses dois benefícios desapareceriam, dada a queda permanente do poder aquisitivo dos salários.

Perde tempo quem acreditar que PT, PMDB e penduricalhos se oporiam à malandragem. Muito menos o PSDB e o DEM. Acontece com os partidos o mesmo verificado entre os governantes: unem-se contra o povo…

Mil formas de dar emprego

Getúlio Vargas encontrava-se no zênite do poder, depois da decretação do Estado Novo. Foi procurado por um antigo colega da Faculdade de Direito, naqueles dias em péssima situação financeira, atrás de um emprego. O ditador o recebeu com alegria e carinho, mas pediu-lhe para  voltar no dia seguinte, até para tomarem o café da manhã.  Na oportunidade, conversaram sobre os tempos de estudante e nada do emprego.  Espantou-se o comensal quando recebeu outro convite, para outro café da manhã. E assim aconteceu,  sem que Getúlio abordasse o pedido. No quarto dia,  o espantado colega tomou-se de coragem e cobrou o emprego. Recebeu a resposta  final: “Quando souberem que você tomou o café da manhã a semana inteira com o presidente da República, não faltarão convites…”

O resto eu faço

Outra de Getúlio Vargas: todas as manhãs, quando não chovia, ele  deixava o Palácio Guanabara, onde morava, indo a pé até o Palácio do Catete, onde trabalhava. Na confluência da rua Paissandu com a praia do Flamengo, encontrava sempre um grupo de empresários que conversavam antes de ir para o trabalho e o saudavam com grande respeito.  Acostumou-se com os cumprimentos e um dia perguntou a um deles se não desejava nada do governo. O esperto interlocutor respondeu que não. Nem empregos, nem empréstimos do Banco do Brasil. Contentar-se-ia se o presidente, toda vez que passasse pelo grupo, se dirigisse a ele pelo nome, dando bom dia. Getúlio não entendeu e o empresário completou: “O resto eu faço sozinho…”

Belluzzo falou demais, em Cuba, falou de menos

Já disse e repito: o economista Belluzzo, como economista obteve muito menos repercussão do que como presidente do Palmeiras. E nesta condição, foi grosseiro, violento, indesculpável, não podia dizer do árbitro 1 por cento do que disse. Embora o árbitro tenha errado mesmo.

Em 1987, seminário sobre
“dívida” externa, ficou calado

Nesse ano, realizou-se em Cuba o mais importante debate sobre a dependência dos países por causa da “dívida que não deviam”. Da América do Sul e Central, eram 4 mil (isso mesmo) convidados. Do Brasil incluíam o sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva, já candidato a presidente, e mais 61 pessoas de diversos partidos. Belluzzo e este repórter, entre os 62 do Brasil. Só falaram: Luiz Carlos Prestes e este repórter. Belluzzo ninguém conhecia, ainda não era presidente do Palmeiras.