O goleiro Bruno fala pela primeira vez, diz ”SOU INOCENTE”, apresenta versão totalmente nova para o assassinato. Pode (vejam bem) MUDAR O LINCHAMENTO

Há 72 horas a Organização Globo recebeu INFORMAÇÕES PRECIOSAS sobre o caso Bruno. Parou o linchamento, o massacre, “descontinuou” a mobilização dia e noite que envolvia toda a parafernália, constituída dos mais diversos órgãos de comunicação (?).

Ninguém nega que a Organização é poderosa e, sendo poderosa, é bem informada. (No mundo inteiro, especialistas proclamam: “Informação é Poder”).

Não se passou muito tempo, o jogador veio a público, PELA PRIMEIRA VEZ, dar a sua versão sobre os fatos. E como todos chamavam a atenção para o fato do jogador SER FRIO, NÃO REVELAR A MENOR EMOÇÃO, quebrou inteiramente esse comportamento, SE EXALTOU E SE EMOCIONOU ao contar fatos que ninguém se interessava em desvendar.

Vejamos, pura e simplesmente como informação, o que ele contou.

1 – “SOU INOCENTE, armaram contra mim”.

2 – “Como podia esperar isso do “Macarrão”, amigo quase irmão de 18 anos”?

3 – “Quando conheci a Eliza, já ESTAVA SEPARADO DA MINHA MULHER VERDADEIRA, com quem tenho dois filhos”.

4 – “A Eliza era conhecida por gostar de relacionamento com atletas PARA LEVAR VANTAGEM“.

5 – “Não tive nada a ver com a morte dela, não sei como foi morta, onde está, mas o grande culpado de tudo é o “Macarrão”.

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PS – O próprio advogado que ASSESSORA a Organização, hoje, duas vezes (até o momento em que escrevo) se mostrou inteiramente diferente.

PS2– Textual dele, às 9,10 da manhã: “Essa versão é surpreendente, não sei como é que o advogado do Bruno vai lidar com isso. Mas houve OU PODE HAVER (a dúvida é dele, compreensível) modificação completa”.

PS3 – O assunto é apaixonante e daqui a pouco a gente volta com novos comentários.

As aventuras do gângster Murdoch, que se tornou o maior dono de jornais do mundo, e a morte do Jornal do Brasil (que não foi causada pela internet)

Helena Martins:
“Um dos homens poderosos do que se chama de empresário jornalístico, chegou da Austrália como dono de um mísero jornalzinho, dominou o mundos de jornais impressos, rádios, televisão aberta e por assinatura, é invencível. Como conseguiu isso? Você, é evidente, sabe de quem estou falando”.

Comentário de Helio Fernandes:
Só pode ser o gângster maior, Rupert Murdoch. Isso que você citou, rigorosamente verdadeiro. E também totalmente vitorioso. Começou a emergir a partir de 1985, portanto 25 anos, quando comprou um jornal no interior dos EUA. Não parou mais, só que nenhuma explicação.

Há 8 anos, por volta de 2002, comprou a DirecTV, nos EUA, pagando 27 BILHÕES de dólares. (Ainda não chegara a Era do TRILHÃO). E cumpriu as rígidas regras impostas, dava o “sinal” de graça, para localidades sem poder aquisitivo, que somavam 300 mil pessoas.

Apesar do preço, foi um negócio que não podia dar errado. Televisão aberta ou por assinatura depende da programação e da capacidade de comercialização, ninguém quer saber quem é o dono, como acontece com jornais e revistas.

A primeira grande operação audaciosa que pretendeu fazer, foi a compra do “New York Times”. Ele mesmo retrocedeu, não tinha (e continua não tendo) caráter, escrúpulos, dignidade, mas possui a enorme sensibilidade. Quando o seu emissário conversou com o porta-voz do jornal, recebeu a resposta: “Não queremos vender nada, mas começando em 10 BILHÕES DE DÓLARES, podemos conversar”.

Viu então, que quando soubessem que o “New York Times” passara a ser dele, seria uma catástrofe financeira. E sai comprando outros jornais, no EUA e em outros países. Decidido a penetrar no alto mundo jornalístico, planejou e executou o que ninguém imaginava: comprou o “Wall Street Journal”, que representava para as Bolsas, para os negócios, para a Economia e as Finanças, o que o “Times” representava no geral. Assombro, mas nenhuma restrição visível.

Permaneceu desconhecido, (principalmente pela “elite”, o que lhe interessava) não era recebido nem temido, mesmo constrangido continuou. E mais ou menos há 6 meses, deu entrevista até lógica e de certa maneira lúcida. Que deveria ter grande repercussão, só não conseguiu porque vinha com o carimbo do seu nome desprestigiado.

O que ele disse, sintetizado.

1 – “A internet começou toda errada”.

2 – “Deveria ser paga, não seria a bagunça na qual se transformou”.

3 – “Dentro de algum tempo, vou lançar um completo jornal diário pela internet, pago, mas pela metade do preço da banca.

4 – “A excessiva liberdade da internet, acabará por provocar uma forma de censura”.

5 – “Não sei como será feita, mas haverá. Se tivesse iniciado com pagamento, como o jornal que entregarei aos internautas, não haveria esse risco”.

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PS – Esse Murdoch é o maior proprietário de órgãos de comunicação, mas não conhece a “1ª Emenda”.

PS2 – É um defensor intrépido da Liberdade de Imprensa, só que com todas as aspas possíveis e imagináveis. Mas também não é o ÚNICO. Não sei a razão de ser tão desprezado pelos COMPANHEIROS DE PROFISSÃO.

Antigamente, o cidadão
comprava vários jornais

Custódio: “Com o fim da edição impressa do JB e com a crise que atinge vários jornais internacionais, pode ser dito que a tendência é acabar ou pelo menos restringir a venda de jornais em banca? Você lembrou que o Rio já teve 18 jornais”.

Comentário de Helio Fernandes:

Não foi a internet que atingiu os jornais impressos. Diminuiu a compra, mas não vai acabar com eles. Os fatores são vários. 1 – Antigamente o cidadão comprava 3 e até 4 jornais por dias, hoje quase não tem tempo para ler um,

2 – Os jornais tinham 16, 24 ou no máximo 32 páginas, dava para diversificar. 3 – Hoje têm no mínimo 100 páginas, e às vezes mais. 4 – Um exemplo: antes da Segunda Guerra Mundial, o “Jornal dos Sports” era absoluto e continuou por muito tempo.

5 – Os jornais “tinham uma página de esportes, ou uma seção de esportes, a mesma coisa”.

6 – Quando os jornais cresceram em número de páginas, o “Jornal dos Sports” foi sendo atingido. E a partir de determinado momento, todos passaram a ter Cadernos especializados, o “Jornal dos Sports” desapareceu. Não é lamento, tristeza, saudosismo, mas seu proprietário, Mario Filho, foi um dos maiores jornalistas brasileiros.

7 – Entre os 18 jornais que havia no Rio, (que destaquei e você citou) os mais importantes, lidíssimos, e de maior prestígio eram matutinos. “Correio da Manhã”, “Diário de Notícias”, “Diário Carioca”, “O Jornal” (órgão líder associado), morreram antes do aparecimento da internet.

8 – Eles saíam à meia noite, os vespertinos ao meio dia. Isso durou até 1966. Com o engarrafamento do trânsito, era impossível começar a distribuir jornal ao meio dia. Os vespertinos não circulavam aos domingos, os matutinos não saíam às segundas-feiras.

(Por causa desse funcionamento dos jornais aos domingos e segundas-feiras, Lacerda, já inimigo de Golbery (chefe do SNI), fez a seguinte piada que levou, o espião-mor ao desespero: “No fim de semana, o chefe do SNI não sabe de nada, porque não consegue ler jornais”).

Também muito antes, o “Estado de S. Paulo”, matutino, decidiu lançar um vespertino, “Jornal da Tarde”, para ser distribuído depois da 16 horas, na periferia, chegava às 17 horas. Foi a segunda grande crise do jornal. Durou anos, quase a falência, solução que continua até hoje: o vespertino e o matutino saem juntos, distribuídos da mesma forma e à mesma hora.

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PS – Para terminar, o assunto é vasto e importantíssimo, os jornais internacionais. O mais atingido foi o “The New York Times”. A razão? Todos têm blogs, sites, publicam mais cedo, o que imprimirão e distribuirão mais tarde.

PS2 – A publicidade no impresso, diminuiu, mas todos conseguiram transferir para os sites, o que perderam. O “Times” perdeu para ele mesmo. A publicidade diminuiu no impresso, e não foi o mínimo dos mínimos, para a internet.

PS3 – Daí as dívidas astronômicas, a venda de “BLOCOS” de ações para aventureiros da lista de RIQUÍSSIMOS da “Fortune” e da “Forbes”.

PS4 – Mas não perderão o controle, nos EUA existe a Golden Share, com a qual o maior acionista controla tudo. Estão tentando capitalizar os sites, acabarão conseguindo.

Não foi a internet que
matou o Jornal do Brasil

Guilherme Corrêa: “Helio, gostaria que você escrevesse sobre a lenta agonia do Jornal do Brasil (JB). Já teve rádio e queria TV, hoje deve 100 milhões de reais. Quando o jornal mudou para o formato tablóide, com impressão mal feita e conteúdo fraco, percebi que o JB jamais seria o mesmo. O jornal O Dia segue o mesmo caminho”.

Comentário de Helio Fernandes:
Uma lástima pelo passado, mas já não existia há muito tempo. Você teve uma boa intuição, mas a morte não veio embrulhada no tablóide. O jornal saiu em 1891. Quando fez 100 anos, (lógico, em 1991), Barbosa Lima Sobrinho, que escrevia no jornal há mais de 50 anos, muito justamente decidiu homenagear esses 100 anos.

Não conseguimos sair da sua sala, éramos tão poucos que no plenário, surpresa lastimável. (Eu fui conselheiro da ABI durante 18 anos, meu compromisso com o Doutor Barbosa era ficar com ele, enquanto ele fosse presidente. Era a razão de estar ali).

O jornal foi realmente importante. No mundo inteiro, nenhum teve ao mesmo tempo, como Redator-Chefe, (editor, só a partir dos anos 50) Rui Barbosa, (o maior brasileiro vivo) e Joaquim Nabuco, (o estadista da República) que não emprestavam apenas o nome, davam expediente diário.

E mais tarde, teve outro Redator-Chefe, nomeado para o Supremo Tribunal Federal. Qual o jornal que poderia ostentar essas identificações?

Riquíssimos, esbanjavam dinheiro. Desde 1908 ou 1909, funcionavam na Avenida Rio Branco, 110. Como nunca houve revisão de numeração, ficou lá uma redação ótima, simpaticíssima, até o início dos anos 80, quando resolveram mudar. Não apenas de local, mas também de ritmo jornalístico. Construíram então, no início da Avenida Brasil, o que desde logo, passou a ser conhecido como ELEFANTE BRANCO. E era mesmo, o Jornal do Brasil foi enterrado ali.

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PS – Jogaram fora o dinheiro que tinham (fortuna) e levaram a ideia até o fim. A partir de 1985 ou 1986 funcionava ali. O espaço edificado era tão grande que vai funcionar ali, um Centro de Traumatologia, o maior da América Latina.

PS2 – Foi aí afundando, financeira e jornalisticamente. Abusando do prestígio antigo, foi “tomando” dinheiro de bancos e outros órgãos, ninguém resiste a isso.

PS3 – O JB, é outro cuja morte não foi provocada pela internet, mas vai se refugiar nela para tentar manter a sobrevivência.

PS4 – “O Dia” está sendo negociado com um grupo português, que já lançou um jornal de economia, em São Paulo. José Dirceu é um bom intermediário, principalmente usando os formidáveis contatos que acumulou no governo, como “Chefe da Casa Civil”, e primeiro personagem dessa Era.

PS5 – “O Dia” também não foi derrotado pela internet, o público que compra o jornal, não acessa a tecnologia moderna.

Sobre a multa cobrada pelo Jóquei aos sócios, só lembrando Manuel Bandeira: “Quanta besteira”.

José Antonio: “Hélio, os 10% cobrados pelo Jóquei não são juros, são multa. O Jóquei não é um prestador de serviço. É uma excrescência num país que diz não permitir o jogo. E mais: está corretíssima a leitura do André Luiz Dantas. Não há porque se confundir a emissão da declaração da inexistência de débitos com o fato do pagamento atual não quitar débitos anteriores”.

Comentário de Helio Fernandes:
Só mesmo dizendo como o grande poeta, que quando errava, falava para ele mesmo: “Quanta besteira, Manuel Bandeira”. É lógico que eu sei que 10 por cento por um dia de atraso no pagamento, não é juro, é GANÂNCIA.

O Jóquei, como outros clubes, é prestador de serviço, para isso cobra mensalidade. Como já respondi ao outro porta-voz, o Jóquei (outros clubes já fizeram) deve a QUITAÇÃO, até o fim de 2009.

Quanto ao fato das corridas serem EXCRESCÊNCIA, inteiramente de acordo. Mas dizer que no Brasil o jogo é PROIBIDO, engraçadíssimo. Quantas dezenas de exploradores dos caça-níqueis já se mataram? Segundo a polícia, mais de 50 nos últimos 4 ou 5 anos.

Parecenças

Carlos Chagas

A quem José Serra pretendeu atingir ao declarar  que o Lula e Fernando Henrique “são mais parecidos do que parece”? Não que a comparação surja absurda ou despropositada. Pelo contrário, o ex-governador de São Paulo  tem toda razão. As diferenças entre eles  são apenas  periféricas, como a de que um é sociólogo, outro torneiro-mecânico. Este oriundo do movimento sindical, aquele com carreira universitária. O primeiro falando inglês, francês e espanhol, o segundo mal arranhando o português.

Tudo isso desfaz-se como fumaça quando se atenta que ambos, na presidência da República, privilegiaram as elites e multiplicaram o assistencialismo para as massas. Aceitaram a cartilha neoliberal e convocaram equipes econômicas subordinadas ao “Consenso de Washington”.  Aumentaram a carga tributária do cidadão comum  e não  interromperam a farra da especulação financeira. Prometeram mas não realizaram a reforma política. Trataram comercialmente o Congresso e humilharam os respectivos partidos, minimizando suas lideranças.   Reelegeram-se às custas da máquina pública.

Que José Serra tenha tentado atingir o Lula, comparando o atual governo ao de Fernando Henrique, ainda se explica, mas o raciocínio inverso espanta e choca. Pelo jeito,  o candidato procurou muito mais livrar-se da sombra do emplumado companheiro  tucano, prevenindo-se contra a hipótese de vencer as eleições e ter Fernando Henrique  nos calcanhares, do que propriamente enfraquecer o atual presidente.

O fracasso dos palanques

Muitas  razões podem ser apresentadas para justificar o fracasso  dos dois primeiros comícios da campanha de Dilma Rousseff. No caso da inauguração de seu comitê central, em Brasília, terça-feira, o local péssimamente escolhido, uma engarrafada rua do centro da capital,  e a súbita ausência do presidente Lula.  No Rio, a chuva que não deu tréguas, da Candelária  à Cinelândia, mais o fato de que a organização  a cargo  do governador Sérgio Cabral não propriamente empolgou os cariocas.

No fundo de tudo, porém,  estão os novos tempos da mídia  eletrônica, claro que reunida ao desgaste cada vez maior da classe política.  Nas décadas de cinqüenta e sessenta, quando não havia televisão, ou quando ela engatinhava, o eleitor precisava comparecer à  praça pública, se queria ver e ouvir seus candidatos. É verdade que nos anos oitenta,  milhões se reuniam nas principais capitais, mas era para protestar e demonstrar indignação diante da ditadura militar já nos estertores.

Mesmo assim, há que registrar: continuando as coisas como vão, encerra-se a milenar temporada dos comícios. A comodidade e  o desencanto do eleitor servem de coveiros daquelas monumentais manifestações populares. Acrescente-se, porém, a titulo de compensação: em 1945 os comícios do brigadeiro Eduardo Gomes empolgavam o país. Grandes oradores, dezenas de milhares de lenços brancos abanando ao final de cada noite, ao tempo em que os comícios  do  general Eurico Dutra eram os mais lamentáveis. Pouquíssima gente e uma oratória abominável por parte do candidato. Abertas as urnas, um banho.  De quem? De Dutra…

Excessos

Mais uma vez, excessos de parte a parte. Não tinha o presidente Lula o direito de ridicularizar a vice-procuradora eleitoral que o advertiu sobre propaganda eleitoral ilegítima e abuso de poder político,  à sombra das facilidades de governo. Ao referir-se  a ela como a “uma procuradora qualquer”, o primeiro-companheiro perdeu excelente oportunidade de ficar calado. Ofendeu uma categoria inteira.

No reverso da  medalha, porém, a procuradora Sandra Cureau exagerou ao ameaçar governantes em geral, do presidente Lula  ao  governador Alberto  Goldman, de São Paulo, porque manifestam suas opções eleitorais.  Ora, são cidadãos na posse de seus direitos políticos, dispõem da prerrogativa constitucional da liberdade de expressão. Situá-los entre a castração  e a cassação, só porque  o  Lula declarou que vai votar em Dilma, e Goldman elogiou o governo do antecessor, será que também não representa  abuso de poder?

Dois pesos e duas medidas

Cai a grande imprensa de pau em cima do presidente Hugo Chavez por ter ele decidido exumar os restos mortais de Simon Bolívar, transferindo-os para um panteão, ao tempo em que mandará examinar se o patriarca pode  ter sido  envenenado.

A gente lembra que os jornalões abriram  manchetes sucessivas,  espaços grandiosos e elogios sem fim  nas primeiras páginas quando o então general-presidente Garrastazu Médici mandou buscar os ossos de D. Pedro I  em Portugal, com toda pompa e até  decretação de feriado nacional.  Algo também meio macabro, mas a favor, pode. Contra é que não…

Cuba não anistiou, baniu os dissidentes

Pedro do Coutto

A ditadura dos Castro – Fidel e Raul – em Cuba, ao contrário do que muitos pensam, ao retirar da prisão cinquenta e dois condenados pelo crime de divergir do regime, não os anistiou, como aconteceu no Brasil em 1979, mas lhes aplicou a pena de banimento. Um tipo de pena que em nosso país, depois da Constituição de 88, foi retirado do sistema penal, seja ele civil ou militar. Está literalmente explícito no art. 5º, item 46, letra D do texto.

Existiu no período dos governos militares. Tanto assim que atingiu José Dirceu, Gregório Bezerra, Flávio Tavares, Vladimir Palmeira, que formavam entre os quinze presos soltos pelo governo militar, em 1969, em troca da libertação do embaixador Charles Elbrick, dos EUA. Foi seqüestrado, entre outros, pelo atual ministro Franklin Martins e pelo deputado Fernando Gabeira, então redator do Jornal do Brasil. O ato que os trocou pelo diplomata aplicou a pena de banimento aos presos objetos da permuta.

Esta pena, rejeitada hoje universalmente, continua a vigorar em Cuba. A ditadura cubana não abre mão. O que os brasileiros aboliram em 88 permanece vinte e dois anos depois na Pérola das Antilhas. Um retrocesso secular. Pois a punição que começou a desaparecer do Direito Internacional no século 19 permanece hoje em Cuba.

Qual o tipo de negociação que reuniu a Espanha, o Vaticano e o governo de Havana e culminou na retirada das grades estatais dos primeiros cinqüenta e dois de um total de 92 presos políticos acusados do crime de divergir – que não existe na consciência humana – não se sabe. Dados concretos ainda não vieram à superfície. Mas virão. Aliás, começaram a surgir com a reportagem de Andrei Neto, correspondente de O Estado de São Paulo em Paris, publicada na edição de 16 de julho.

Ele foi a Madrid ouvir os primeiros nove que lá chegaram levando consigo as memórias dos cárceres, belo título de Graciliano Ramos. Luis Milán, Mijail, Julio Cesar Galvez, jornalista, e o médico Luis Garcia Paneque, revelaram satisfação, pois se livraram das grades, mas temerosos quanto ao futuro ]e a subsistência. Para enfrentar os riscos da falta de recursos, procuram ser reconhecidos por Madrid como asilados políticos e não apenas dissidentes banidos. Isso de um lado.

De outro, é necessário considerar que a pena de banimento real aplicada por Havana não inclui prazo de prescrição. Desta forma, pode se tornar eterna, significando que os banidos de hoje possam ser eternamente mantidos nessa condição. Ou seja: jamais poderão voltar a residir em Cuba. Esta perspectiva representa o fim de suas vidas civis como cidadãos nascidos em um país da América. É desumano. Menos desumano, entretanto, do que manter na cadeia réus sem crime, título de livro do governador de Sergipe, Seixas Dória, quando em 64 foi conduzido à prisão em Fernando de Noronha.

Mas como houve uma negociação internacional, envolvendo até o Papa Bento XVI, é de supor que vão obter emprego e se transformar em espanhóis naturalizados. Porém tal hipótese não exclui a crueldade da ditadura cubana que está sempre pronta a prender qualquer um que vier a divergir, nem só de suas ações, mas até de seu pensamento.

E, diante disso, pensar que a revolução de 59, etapa heróica de Sierra Maestra, foi feita exatamente contra a ditadura de Fulgêncio Batista. Com o passar do tempo, rapidamente transformou-se em outra igual. É sempre assim na história.

A tenaz Justiça do Trabalho à luz do social

Roberto Monteiro

Não existe no horizonte da Justiça do trabalho a mínima perspectiva do surgimento de uma nova justiça, tendo como espinha dorsal um Código do Trabalho, enxuto, de fácil manejo e com o capitulo destinado à execução coberto por uma variedade de aplicativos próprios. Ao que tudo indica o número de novas ações continuará quebrando recordes, e seu formato processual ainda estará colhendo frutas no terreno alheio, com préstimos do Código de Processo Civil (CPC), Código de Defesa do Consumidor (CDC), Código Civil (CP) e a Lei Fiscal.

Tudo se resume num elenco de adjetivos jurídicos para saciar a fome da pobre CLT, que se arrasta há seis décadas, protegida pela magia de seus artigos sociais, que data vênia, apesar de serem substanciais para o emprego, deixam a desejar, porque seu intérprete o juiz trabalhista, ao importar as regras legais de outros códigos, o deforma, confunde e manipula, atraindo a nulidade, e por isso acaba transformando o processo do trabalho cada vez mais lento.

Este desarranjo material tem a reprovação da sociedade brasileira, porque segundo dados do programa “Justiça em Números” (Indicadores Estatísticos do Poder Judiciário), produzido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) desde 2003, a JT gasta R$ 3, 5 mil por trabalhador atendido, num total de R$ 8,4 bilhões (0,31% do PIB) por ano, o necessários para sustentar 2,4 milhões de trabalhadores e empresas em 2007, e por isso este quadro é inaceitável.

O mesmo programa revela ainda que a folha de pagamento é responsável pela maior parte desses R$ 8,4 bilhões da Justiça do Trabalho (94%), vão para o bolso dos servidores e juízes. O número aumentou em relação à 2006 (93,65%) e 2005 (92,5%), o orçamento da Justiça do Trabalho foi de R$ 7,3 bilhões em 2006. O valor é R$ 1,3 bilhão a mais em comparação ao ano anterior. Já o gasto só com o Tribunal Superior do Trabalho foi de R$ 422 milhões. A folha de pagamento pesou mais no orçamento da Justiça do Trabalho. Em 2006, 93,65% dos gastos foram destinadas ao pagamento dos funcionários. No ano anterior, o número foi de 90,50%.

Em contraste aos dissabores constatados em seus tribunais o TST foi entre os tribunais trabalhistas o que mais investiu em informática, destinando 8% de seu orçamento para a área. A média de gastos com informática da segunda e primeira instância na justiça laboral foi de 0,95%.

Em 2006, ingressaram na JT, 3,5 milhões de novas ações e foram julgados 3,3 milhões, o salto foi por conta da EC 45/2004, que migrou as execuções dos processos da Previdência Social para a especializada. A conclusão é que no final do ano havia quase 200 mil processos a mais nas gavetas da Justiça do Trabalho, que se somaram ao estoque de anos anteriores de cerca de 3 milhões de causas, mas segundo fontes estima-se que existem 14,5 milhões de ações congeladas na especializada.

Ainda de acordo com os números de 2007, a Justiça do Trabalho é entre todas a que a tem a maior taxa de reforma das decisões da primeira e segunda instância do Judiciário brasileiro. De cada cem sentenças das varas trabalhistas submetidas à análise dos tribunais regionais, 43 são modificadas. Enquanto os números indicam uma embolia deste judiciário, não visualizamos no horizonte da Justiça do trabalho uma visão de uma nova justiça, enquanto permanecer este formato ofuscado de idéias sobre as relações trabalhistas, com predominância dos temas jurídicos inaplicáveis, senão pelo seu exagero, sem dúvida pela desnecessária e aguçada criatividade dos seus juízes.

O tema social que é  base de todo projeto trabalhista brasileiro tem na teoria uma enorme gama de ditames, que subsidiam o julgador na tarefa de julgar os conflitos da relação contratual, o desvio deste principio e a forma, seu uso é que está conflitando. Por outro vivenciamos um formato de judiciário que exige há muito exige a reciclagem do comportamento da magistratura trabalhista, que deve se corrigido através das escolas judiciário, capitaneado pelo ordenamento quanto à aplicação de interpretação do texto laboral atual, (porque é o que temos).

Mas é por este caminho que vertem as maiores injunções, que são justamente objetos das criticas da comunidade jurídica e tem a reprovação da sociedade, já que o tribunal do trabalho foi criado sob a égide da mais fraterna relação entre trabalhadores e patrão, e não um elemento ensejador de antagonismo no pólo que dela necessita e faz uso.

De qualquer forma não se justiça a convivência com esse sistema que cheira a injustiça, e inconcebível que o professor, o militar, o estudante, o aposentado, a dona de casa, tenham de pagar custas judiciais para mover ação ou se defender, em pé de igualdade com os grandes conglomerados empresariais, muitos dos quais estrangeiros que estão aqui pisoteando o direito dos consumidores, escravizando mão-de-obra, burlando as leis, debochando do judiciário, descumprindo sentenças e emperrando a máquina judiciária.

Soderling: tenista “esperto”

Sabendo que os 4 primeiros, (Nadal, Djokovic, Federer, Murray) não disputariam o insignificante Torneio de Bastad, se inscreveu, com a certeza: “Vou faturar esses 150 mil reais e somar 250 pontos”. (Até o ano passado, era ainda mais insignificante. Recebia 70 ou 80 mil reais, e 125 pontos no ranking).

Acontece que teve que enfrentar três espanhóis, não faturou. Perdeu para o Almagro, quebrou uma raquete e jogou 5 ou 6 com força no chão, não quebrou por sorte.

Felipão há seis meses, textual: “Quero terminar minha carreira de treinador em 2014, se possível como técnico da seleção brasileira”

Foi claríssimo, não enganou ninguém, concluiu: “Não abandonarei o futebol, depois exercerei um cargo possivelmente executivo”. Agora, com a humilhação da seleção, começaram as substituições do treinador, que aconteceriam mesmo em caso de vitória.

Tudo deveria ser colocado na “conta” de Ricardo Teixeira, o analfabeto mais esperto que já surgiu no futebol brasileiro. (Perdão, não apenas no esporte, mas na vida pública brasileira).

Dunga e sua subserviência intolerância, (parece contradição mas não é) foram criados pelo próprio Ricardo Teixeira, da mesma forma como pretende repetir agora. Por que não repetiria?

Seu prestígio aumentou, passou a ser INTIMÍSSIMO do presidente da República, e “DONO” dos governadores, SUBORDINADOS a ele, por causa da repercussão da Copa no Brasil.

Não custa lembrar: no final de 2006, início de 2007, depois de mais um devaneio e delíquio do exibicionista Carlos Alberto Parreira, o presidente da CBF decidiu fazer uma experiência com Dunga, que saíra enxovalhado e diminuído como jogador. Sua saída de campo, fora rotulada como Era Dunga, totalmente desprezada e desprezível.

O raciocínio (?) de Teixeira era o seguinte. Faltavam 4 anos para a Copa de 2010, a improvisação não correria nenhum risco. Se o Dunga desse certo, seria um novo Beckenbauer, campeão como jogador e mais tarde como treinador, sua primeira e única experiência nessa função vitoriosa.

Dunga aceitou logo, não hesitou, e não tinha mesmo como recusar. Tendo abandonado o futebol estigmatizado, criando a Era Dunga NEGATIVA, quem sabe não reverteria as coisas, implantando a Era Dunga, POSITIVA, como treinador?

A TV Globo, sócia e apaniguada da CBF, (e principalmente e pessoalmente de Ricardo Teixeira) aceitou a jogada, viu que a “explicação”-análise a respeito da experiência Dunga, não representava nenhuma espécie de aventura. Nesse início, Dunga era amargo, mas não intransigente ou vingativo, perfeitamente assimilável.

Todos conhecem a trajetória do treinador da seleção. Ficou sempre desequilibrado, mantido pelos resultados, bons ou ruins. Em determinado momento chegou a hora: ficava visível que 4 anos no cargo ninguém resistiria. Decidiram então DERRUBÁ-LO, TELEVISADAMENTE.

Montaram um programa no carro chefe da Globo esporte por assinatura, maravilha, comandado por Galvão Bueno. Explicação ESTARRECEDORA e sem nenhuma base jornalística: “A CBF decidira demitir o Dunga e substituí-lo por Muricy Ramalho”. Este, presente, batendo palmas para o próprio nome, satisfeitíssimo, até se arrumara, não parecia tão desgrenhado e sujo como o habitual.

A idéia e explicação para o programa se baseava, de fato, em declaração do presidente da CBF? Nada disso. Disseram somente o seguinte, negação de tudo que se conhecia como “PADRÃO GLOBO DE QUALIDADE”. Apenas isto: “O que vamos mostrar é afirmação de UMA PESSOA QUE CIRCULA PERTO DO PRESIDENTE DA CBF”.

I-N-A-C-R-E-D-I-T-Á-V-E-L: jogar para centenas de milhares de pessoas, o que VINHA de alguém que CIRCULAVA (Ha!Ha!Ha!) em volta de Teixeira? Não era jornalismo em lugar algum, principalmente na arrogante e pretensiosa Globo. Como sempre, só este repórter contou tudo, o “informante” que circulava em volta de Ricardo Teixeira, era o assessor de estrebaria.

Não esperavam nem acreditavam, a seleção de Dunga começou a ganhar. Venceu várias competições de prestígio. E nas eliminatórias, indo muito mal, passou a ganhar, ficou em primeiro lugar. Não podiam demitir um treinador vitorioso e o tempo ia passando.

2009 acabou, Muricy cobrando de Galvão, este insistindo com o assessor de estrebaria, Ricardo Teixeira que autorizara o programa cumprindo ORDENS, não tinha nem coragem de exigir que a Globo se manifestasse. Dunga, numa posição pessoal perfeita, se mantinha em silêncio, cumprindo o roteiro que traçara.

Nem dizia que era o executor de tudo, mas quem criava o “clima” era seu auxiliar, Jorginho, que ele nem citava. Chegou 2010, prazo curtíssimo para a CBF e a Globo. Na verdade o tempo deles se esgotara, só que não perceberam.

No dia 23 de maio, os jogadores seriam convocados, quase todos eles já ESTAVAM NA CONCENTRAÇÃO-RECLUSÃO. O país inteiro, (“o futebol é a paixão nacional”) exigia a renovação da seleção, com média de idade altíssima, e muitos nem sabiam o que faziam (ou o que iriam fazer) na África do Sul.

Aí Dunga sabia que estava vitorioso. Os que exigiam a convocação de alguns jovens, foram derrotadíssimos no 23 de maio. Dunga não atendeu ninguém, a CBF e a Globo, nem foram ouvidas, a convocação não trouxe nenhuma novidade. E o treinador, absoluto, girou a metralhadora para todos os lados, principalmente contra os patrocinadores, sabia que atingia a CBF e a TV Globo.

Dunga tinha certeza de que não continuaria VENCENDO ou PERDENDO, exagerou na CONTUNDÊNCIA. Mas aí quase tudo vinha de Jorginho, MENTOR de Dunga. Perdeu, em vez de pedir demissão na hora da eliminação, pensou (?) em ficar, foi demitido pela internet. Numa batalha campal, foi seu único equívoco.

Livre de Dunga, novamente Teixeira quer e pretende nomear um TREINADOR PARA 4 ANOS. Aparentemente a mesma coisa que aconteceu depois da humilhação de 2006, da fantasia Carlos Alberto Parreira,

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PS – Maquiavel do subúrbio, que apesar das viagens nababescas, que palavra, nao conhece Firenzi (Florença), Teixeira tenta o mesmo artifício, solilóquio, mesquinharia. Só que os personagens são diferentes.

PS2 – O mais importante (ou o único) liquidou a marginalidade dos 4 anos, sem se despedir de uma possível contratação. Mais  tarde, mais tarde. Assinou com o Palmeiras por 2 anos, esses 2 anos acabam quando? Em 2012, na hora de contratar o treinador definitivo.

PS3 – E as declarações, perfeitamente coincidentes, rigorosamente iguais. Teixeira: “Não dividiremos treinador com clubes”. Belluzzo, presidente (ainda?) do Palmeiras: “Felipão é nosso até 2012”. E Scolari: “Não consigo pensar em dois problemas ao mesmo tempo, sou Palmeiras até 2012”. Ha!Ha”Ha!

PS4 – O interessante é saber quem atravessará os dois primeiros anos, sabendo que não continuará. Não consigo lembrar a não ser de Carlos Alberto Parreira. Além de salários e mordomias exorbitantes, poderá manipular todo o EXIBICIONISMO, no qual é invencível, dividindo em voracidade, com o ministro expulso do Supremo, Nelson Jobim.

PS5 – Pode ser um outro, existem muitos. No entendimento deste repórter, existem dois personagens com títulos, credenciais e ética. O Scolari, todos conhecem, altos e baixos.

PS6 – O outro seria Ricardo Gomes. Grande jogador, treinador na França, elegante, educado, conhecendo todos os procedimentos. E ainda melhor: nem ARROGANTE nem SUBSERVIENTE, apenas COMPETENTE.

PS7 – Se assumisse agora, e por circunstâncias precisasse ser o segundo de Scolari, aceitaria, ficaria, sem RESSENTIMENTO. ACEITO por Scolari, sabendo que estaria SOMANDO e não DIMINUINDO.

Jóquei Clube cobra juros de 10% por um dia de atraso

André Luiz Dantas (sobre a nota “Banco Jóquei Clube S/A”:
“É evidente que o pagamento de 1 mês não pode “quitar débitos anteriores”. A legislação não diz isso, bastaria pagar 1 mês e estaria tudo resolvido”.

Comentário de Helio Fernandes:

Ah, André, desculpe, mas você não é bom defensor nem porta-voz. Eu sei o que diz a legislação. Os prestadores de serviço (como o Jóquei) devem mandar a comunicação de que não há débito, ATÉ O ANO ANTERIOR. No caso, até 2009.

Se o Jóquei é tão ganancioso que manda cobrar 10 por cento (e mais outros juros) por 1 dia de atraso, ou seja, 23 reais para uma mensalidade de 231, é claro que não deixaria nos 7 meses deste 2010, alguém ficar sem pagar.

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PS – Para contestar é preciso constatar.

Amazônia: nova campanha para internacionalização

Carlos Chagas

Aproveitam-se os eternos abutres do Hemisfério Norte para voltar à velha cantilena de constituir-se  a Amazônia em  patrimônio da Humanidade, devendo ser administrada por um poder internacional, sobreposto aos governos dos países amazônicos. Editorial do New York Times acaba de  funcionar como  toque de corneta capaz de arregimentar as variadas tropas de assalto.

Vinte anos atrás incrementou-se a blitz institucionalizada por governos dos países ricos, de Al Gore,  nos Estados Unidos, para quem o Brasil não detinha a soberania da floresta, a François Mitterand, da França, Felipe Gonzales, da Espanha, Mikail Gorbachev, da então União  Soviética, Margareth Tatcher e John Major, da Inglaterra, entre outros.

Quando de sua  primeira   campanha, George W. Bush chegou a sugerir que os países com grandes dívidas externas viessem a saldá-las com florestas, coisa equivalente a perdoar  os países do Norte da África e do Oriente Médio,  que só tem desertos.

Naqueles idos a campanha beirava os limites entre o ridículo  e o hilariante, porque para fazer a cabeça da infância e da juventude,   preparando-as para integrar as forças invasoras, até o Batman, o Super-Homem, a Mulher Maravilha e outros  cretinos fantasiados levavam suas aventuras à Amazônia, onde se tornavam defensores de índios vermelhos e de cientistas lourinhos, combatendo fazendeiros e policiais brasileiras desenhados como se fossem bandidos mexicanos, de vastos bigodes e barrigas avantajadas.

Depois, nos anos noventa, a estratégia mudou. Deixou-se de  falar, ainda que  não de preparar, corpos de exército americanos especializados em guerra na selva. Preferiram mandar batalhões precursores formados por montes  de ONGS com cientistas,  religiosos e universitários empenhados em transformar tribus indígenas brasileiras em nações independentes, iniciativa que vem de vento em popa até hoje e que logo redundará num  reconhecimento fajuto de reservas indígenas como países “libertados”.

Devemos preparar-nos para uma nova etapa, com a participação da quinta-coluna brasileira,  composta por ingênuos e por malandros que dão a impressão de  recrudescerem  na  tentativa de afastar nosso governo  da questão. Terá sido por mera coincidência que os Estados Unidos anunciaram a criação da Quarta Esquadra de sua Marinha de Guerra, destinada a patrulhar o Atlântico Sul, reunindo até porta-aviões e submarinos nucleares?

Do nosso lado, bem que fazemos o  possível, aparentemente pouco. Não faz muito que uma comissão de coronéis do Exército Nacional, chefiados por dois generais, passaram meses no Vietnã,   buscando receber lições de como um  país pobre pode vencer a superpotência mais bem armada do planeta, quando a guerra se trava na floresta. Do general Andrada Serpa,  no passado, ao ex-ministro Zenildo Lucena, aos generais Lessa, Santa Rosa e Cláudio Figueiredo, até  o general Augusto Heleno e o coronel Gélio Fregapani, agora, a filosofia tem sido coerente.

Nossos  guerreiros transformam-se em guerrilheiros. Poderão  não sustentar por quinze minutos um conflito  convencional, com toda a parafernália eletrônica do adversário concentrada nas cidades,  mas estarão  em condições de repetir a máxima do hoje venerando general Giap: “entrar, eles entram, mas sair, só derrotados”.

Em suma, pode vir  coisa por aí,   para a qual deveremos estar preparados. Claro que não através da  pueril sugestão de transformar soldados em guarda-caças ou guardas  florestais. Os povos da Amazônia rejeitaram, na década de setenta, colaborar com a guerrilha estabelecida em Xambioá, mas,  desta vez, numa só voz, formarão  o  coro capaz de fornecer  base  para uma ação militar nacional.

Para aqueles que julgam estes comentários meros devaneios paranóicos, é bom alertar: por muito  menos transformaram o Afeganistão e o  Iraque em campo de batalha, onde, aliás, estão  longe de sair vitoriosos, apesar  de enfrentarem o deserto e não a selva, mil vezes mais complicada…

Impugnações: Supremo só aprecia casos excepcionais

Pedro do Coutto

Está ocorrendo com frequência um erro de interpretação quanto aos recursos contra impugnações de candidatos na Justiça Eleitoral. A instância máxima de tais recursos, na quase totalidade dos casos, ao contrário do que escreveu por aí, não é o Supremo Tribunal Federal e sim o Tribunal Superior Eleitoral. Basta ler a íntegra do parágrafo 3º do artigo 121 da Constituição: “São irrecorríveis as decisões do TSE, salvo as que contrariarem o texto constitucional e as denegatórias de habeas corpus ou mandados de segurança”.

Mais claro impossível. Depreende-se inevitavelmente que as ações junto  ao STF são as exceções, não a regra. Pois se regras fossem, não haveria necessidade de ressalva contida no art. 121. Esta visão é fundamental para se analisar objetivamente a matéria. Nem poderia ser o contrário. Imaginem os leitores a seguinte situação: Nas sua edições de 14 deste mês O Globo e a Folha de São Paulo realizaram levantamentos sobre as impugnações já formalizadas e chegaram à conclusão, a três semanas antes do prazo legal, elas já atingem uma escala de 2 mil e 300 nomes no país, equivalendo a quase 17% do total de candidatos.

Se cada um recorresse primeiro ao TSE e depois à Corte Suprema seriam 4 mil e 600 recursos às instâncias superiores. Isso partindo do pressuposto de que essas impugnações fossem aceitas pelos Tribunais Regionais Eleitorais.

Os lances da escada jurídica relativamente à matéria são os seguintes: as convenções escolheram os candidatos a deputado estadual, federal, senador, governador e presidente da República, até 30 de junho. Em seguida, os partidos efetuaram os pedidos de registro. Isso até o dia 5 que passou. As impugnações junto aos Tribunais Regionais, um para cada Estado, foram colocadas até a semana passada. A primeira instância tem prazo até 5 de agosto para conceder ou não o registro. As impugnações podem ser feitas pelo Ministério Público, por partidos ou outros candidatos. Se os Regionais concederem o registro, assunto encerrado. Se negarem, cabe recurso ao TSE. Agora, se o TSE mantiver a negativa, eis o enigma. O STF poderá aceitar examinar ou não.

Surgem então duas questões: primeira, a aceitação da iniciativa; segunda, o julgamento de seu mérito. Não são processos pacíficos. Não basta recorrer ao STF para que impugnados consigam concorrer. É fundamental serem aceitos. Podem não ser. Não existe nada automático nesta escala da legislação a respeito do sistema eleitoral.

Por isso, considero corretíssima a decisão do ministro Aires de Brito, presidente do TSE, negando, na qualidade de ministro também do Supremo, liminar prévia requerida por um candidato às próximas eleições. Ele acentuou a necessidade da passagem do processo pelo TRE e pelo TSE antes de qualquer coisa. E, depois, sustentou que só o plenário do STF, e não um ministro isoladamente deve anular despacho de colegiado imediatamente inferior.

Assim agindo e dizendo, contestou a validade da liminar concedida pelo ministro Gilmar Mendes para o senador Heráclito Fortes. O TRE do Piauí não chegou a examinar a impugnação. Logo, muito menos o TSE. Como, então, o ministro Gilmar Mendes se antecipa a um resultado de julgamento que ainda não ocorreu? Não faz sentido. É preciso ler a legislação e as normas processuais nela contidas. Vamos ver o seguinte: se o TRE conceder o registro a Heráclito Fortes, como ficará o ministro Gilmar Mendes? Terá simplesmente concedido uma liminar contra uma negativa que não houve. Essa não.

Lula: sem GENÉTICA, sem TALENTO e com uma INTELIGÊNCIA esperta, o DESTINO fez dele um personagem especialíssimo na História

José Antonio:
“Helio, em que bilhão figura o nosso presidente Lula? Ou é tão especial que talvez pertença ao milhão, nem isso, ao milhar?”

Comentário de Helio Fernandes: Lula permite a mais implícita e explícita análise. A transparência de sua existência, é óbvia. Ele mesmo se farta de negar a GENÉTICA, seria insensato se quisesse exibi-la. O que não é desapreço, como disse, é raríssima, uma espécie de herança não oficializada em cartório.

No terceiro item, TALENTO-INTELIGÊNCIA, o presidente não se enquadra na primeira, pega “carona” numa parte da segunda, uma espécie de INTELIGÊNCIA-ESPERTA, meio sobre o depreciativo.

Lula está inteiro, inviolável, inquestionável, irrevogável, até insuperável, na identificação de beneficiado e favorecido pelo DESTINO. Aí, se fosse possível, mais de 100 por cento. E até mesmo um destino que custou a “esquentá-lo, empurrá-lo, realizá-lo”.

O que levaria Luiz Inácio (ainda nem incorporara o Lula) a disputar a eleição para governador de São Paulo, sem jamais ter disputado eleição, com 37 anos de idade? Ficou bem longe dos três primeiros colocados, com pouco mais de 1 milhão de votos, em São Paulo, quase nada.

Depois foi constituinte “apagadíssimo”, a não ser pelo fato de ter “descoberto” que no Congresso existiam “300 PICARETAS”. Em 1989, candidato pela primeira vez a presidente da República, com 44 inexistentes anos políticos, o que o movimentaria a não ser o DESTINO?

Esse DESTINO não pressentido, (lógico) mas quase fosforescente, levou-o ao segundo turno. (Foi o maior trauma que Brizola sofreu desde que o conheci). Não foi para o segundo turno por causa de meio por cento. Em conversas eu havia dito a ele várias vezes: “Para ganhar a eleição, precisa MORAR em São Paulo”. Não ligava, com a superioridade impressionante no Rio Grande do Sul e no Estado do Rio (antiga Guanabara) achava que iria para esse SEGUNDO TURNO.

Perdeu a calma, se descontrolou, chamou Lula de “sapo barbudo”, viajou para o Uruguai, voltou, sabia que não tinha saída ou opção, apoiou Lula. O “sapo barbudo” não ganhou, mas Brizola ficou absoluto para voltar a ser governador, pensando, como presidente, o que não o abandonava desde 1963.

Impulsionado por esse DESTINO, imprevisível, indecifrável, inalienável, Lula (já oficializado) perdeu mais duas eleições presidenciais. Em 1994, (com o mandato reduzido pelos adversários apavorados) e em 1998, quando nem ele acreditava na vitória, uma parte do PT também não o queria, pedia DECISÃO NA CONVENÇÃO.

Ganhou a convenção, disputou a eleição, não foi derrotado e sim massacrado. Estava com 53 anos, parecia um perdedor nato e realmente dava essa impressão. Sem GENÉTICA, reconhecidamente sem TALENTO e com INTELIGÊNCIA capenga, qualquer um desistiria.

Se transformara no único personagem no mundo ocidental, a PERDER TRÊS VEZES SEGUIDAS PARA PRESIDENTE. Qualquer um desistiria, insistiu. Em 2002, aos 57 anos, finalmente foi presidente, REPETIU em 2006 com 61 anos.

***

PS – Agora, deixa o governo (mas não o Poder) ILUMINADO pelas vitórias. Faz 65 anos em outubro, podem escolher a data das felicitações. A verdadeira e a do registro feito pelo pai, isso era comum na época e onde nasceu.

PS2 – Lula é a GLORIFICAÇÃO do DESTINO, o que pode servir como fator NEGATIVO ou POSITIVO. O primeiro pode estimular o NÃO FAZER, quem sabe o imprevisível me ajuda?

PS3 – O POSITIVO, pode ajudar quem não tem a herança embutida ou escondida no nascimento. Provadamente, não tem TALENTO, nem teve condições ou até mesmo VONTADE de estimular a INTELIGÊNCIA, sonha com um futuro maravilhoso, cheio de vitórias.

PS4 – Sem que isto seja um ELOGIO, a constatação: haja o que houver, Lula é um personagem especialíssimo na História do Brasil. Longe de quem foi financiado pela Fundação Ford e pelos “Encontros de Washington”

A vez da classe média

Carlos Chagas

As elites continuam muito bem, obrigado, por força da política econômica adotada pelo presidente Lula desde sua posse, mantendo as linhas fundamentais do neoliberalismo do sociólogo. No reverso da medalha, as massas desprotegidas receberam do governo  atenção e cuidados mais do que elogiáveis. Não há como o próximo presidente da República, José Serra ou Dilma Rousseff, deixar de manter as  mesmas diretrizes, como ambos vem prometendo.

Maravilha? Nem tanto, porque o Lula esqueceu a classe média,  de que o seu sucessor precisará obrigatoriamente cuidar, até por ter sido ela ampliada, conforme a propaganda oficial. O cidadão comum come o pão que o diabo amassou, submetido a monumental carga de impostos diretos  que as elites conseguem minimizar,  até burlar,  e que as massas simplesmente ignoram por não poder pagar.

Está na hora de os candidatos acordarem para a classe média. Tanto quem vive de salário quanto a  maior parte dos profissionais liberais e dos pequenos e médios empresários trabalham para o governo cinco meses por ano. Enfrentam pelo menos 35 impostos, taxas e contribuições.  Deixam de receber do poder público a contrapartida na saúde e na educação,  obrigando-se a recorrer a planos de saúde privada  e a escolas particulares para os filhos. Sofrem com a falta de segurança nas ruas e a carência nos transportes coletivos.

A vez precisa ser do cidadão comum.  Dilma e  Serra continuam devendo planos e programas em condições de atendê-lo. Até porque, ele constitui a maioria do eleitorado.

Oportunidade perdida

Tucanos e democratas convencionaram não  falar mais da trapalhada expressa na escolha do vice-presidente na chapa de José Serra. O Índio que permaneça em sua  reserva.

Mesmo assim, no recôndito dos travesseiros, lamentam a oportunidade perdida.  Poderia, o DEM, ter indicado um candidato ideal  para companheiro de chapa do ex-governador de São Paulo. Quem? Marco Maciel. Foi exemplar quando exerceu o cargo . É do Nordeste. Sua probidade está acima de qualquer suspeita. Dispõe até de capacidade administrativa. Tem votos.

Maciel está para Pernambuco assim como Milton Campos estava para Minas. Serra o receberia de braços abertos. Por  que não viabilizaram sua indicação? Por isso mesmo…

Ostentação inconsequente

Não dá para resistir ao comentário.  Mais de 35 bilhões serão gastos pelos cofres públicos e as empresas privadas para a implantação do trem-bala ligando o Rio a São Paulo, numa obra capaz de demorar dez anos. Sua finalidade será transportar  passageiros entre as duas capitais em 90 minutos. Um luxo. Uma ostentação sem qualquer valor econômico. Por que não aprimorar a ligação ferroviária já existente?

Morumbi e críticas da FIFA foram fatos ótimos para Lula

Pedro do Coutto

Muitos não perceberam – isso é natural -, mas o veto da CBF ao Morumbi para abertura da Copa de 2014 e as críticas de Jérôme Valcke, gerente geral da Fifa à capacidade de realização brasileira, forma o que de melhor, sob o ponto de vista político-eleitoral, poderia ter acontecido ao presidente Lula.

Ele aproveitou bem o lance e respondeu frontalmente em sentido contrário, ainda por cima condenado a eternização de Ricardo Teixeira e Joseph Blatter no comando das duas entidades. Lá estão, os dois, há mais de vinte anos. Tempo excessivo, acentuou o presidente da República. E, recorrendo ao próprio exemplo, afirmou que o prazo de oito anos é suficiente. Tem que haver renovação. Se o Ibope, Datafolha ou Vox Populi fizerem uma pesquisa sobre o fato certamente vão revelar que as palavras de Luis Inácio da Silva repercutiram favoravelmente junto à população e, portanto, junto ao eleitorado. Somou para ele.

Inclusive aproveitou também o episódio do Morumbi para defender a abertura da Copa de 2014 em São Paulo, maior colégio eleitoral do país. E não é apenas isso. Mostrou-se favorável a uma reivindicação regional bastante procedente. Pois, no fundo, a rejeição do estádio do São Paulo Futebol Clube significa exatamente a perspectiva de não haver jogos realizados no Estado.

Para fechar um círculo lógico de raciocínio, Lula condenou a idéia da construção de um estádio novo em Pirituba. Ele disse justamente o que o povo paulista queria dizer e ouvir. Foi bastante hábil. Tomara a ele – há de estar pedindo a Deus – que episódios como esses venham a se repetir. Eles dão margem a que assuma uma posição extremamente popular. Teixeira, Blatter e Valcke tornaram- se aliados de Lula e, por via de consequência, da candidatura Dilma Roussef, a quem, no lançamento do edital para licitação do Trem-bala, atribuiu até a iniciativa da obra. Lula mergulhou de corpo inteiro na campanha. A CBF e a Fifa o ajudaram enormemente no lance. A bola veio cruzada na área e Lula cabeceou para gol. Marcou pontos eleitorais preciosos.

Talvez até decisivos, dado o equilíbrio hoje apontado pelas pesquisas. Política é assim. Muitas vezes quando opositores de determinado governo pensam que, atacando-o, somam votos para si, estão agindo exatamente em sentido contrário. No caso dos três mosqueteiros do futebol citados, tentando atingir o presidente e até o país, ressaltando o que seria uma incapacidade executiva, acabaram abrindo as cortinas do palco para o presidente da República, ao mesmo tempo descortinando no panorama visto da ponte a ótima oportunidade dele defender o país, os brasileiros, enfim nossa capacidade de concretizar projetos.

Podem estar atrasados, não discuto e as restrições serem precedentes, embora feitas em tom deseducado. Sem dúvida. Foram, no fundo da questão um sinal de alerta. Mas isso de um lado. De outro , o alerta serviu para que Lula se aproximasse sobre um tema extremamente popular, que é o futebol. No caso até o futebol de 14 é a véspera da Olimpíada de 16, dois anos apenas depois. Nada melhor, principalmente neste período que sucede nossa derrota para a Holanda, do que atingir os brios – espontâneos ou fabricados de momento, não importa – do Brasil e dos brasileiros. Lula respondeu por todos. E, sem dúvida, construir um gigante em Piritibua soa mais para o delírio. E em matéria de futebol, delírio só com o gol e a vitória. Que se ouve no rumor e no clamor das multidões.

Os bancos e a penhora de salários

Jorge Folena

No artigo postado em 10/07/2010, sobre a abusiva cobrança de juros, alguns leitores solicitaram esclarecimentos quanto à penhora de salários feita por bancos.

A lei do empréstimo consignado (10.820/2003) autoriza o desconto em folha de pagamento dos valores tomados pelos trabalhadores junto à instituição bancária.

Todavia, mesmo assim os bancos induzem seus clientes, em muitos casos funcionários públicos, a utilizar o limite de crédito, por meio de cheque especial ou outras modalidades de concessão de financiamento sem maiores formalidades, para ampliar o seu endividamento e apropriar-se de seus vencimentos.

Em conseqüência desta “facilitação”, os correntistas ficam presos aos bancos, pagando indefinidamente juros extorsivos e taxas bancárias, indevidamente “descontadas” sobre seus vencimentos, aposentadorias e pensões.

Há  casos em que o correntista é obrigado a contrair empréstimo com outras instituições financeiras para tentar quitar a dívida original com o banco que, sem dúvida, pode conduzir sua vida pessoal e familiar à indignidade, pois lhe retira a autonomia do que fazer com o próprio salário e cria dificuldades para suprir suas necessidades fundamentais, como alimentação, educação, vestuário, lazer etc.

Isto porque a instituição financeira captura como se fosse sua qualquer quantia que ingresse na conta corrente do cliente. Ou seja, mal ingressa o crédito, seja proveniente de salário ou de outra natureza, o banco executa forçadamente a suposta dívida, apoderando-se de tudo.

A conduta dos bancos, de reter e se apropriar indevidamente de verbas de natureza salarial dos clientes, contraria o artigo 649, IV, do Código de Processo Civil, uma vez que o salário, proventos e pensões têm natureza alimentar, sendo impenhoráveis.

Tribunais da vida e direito de todos

As instituições financeiras se aproveitam do sistema, que obriga os empregados a receber seus vencimentos através de agência bancária e, assim, se enriquecem à custa do trabalho.

A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça tem manifestado que:

“Não pode o Banco se valer da apropriação no salário do cliente depositado em sua conta corrente, como forma de compensar-se da dívida deste em face do contrato de empréstimo inadimplido, eis que a remuneração, por ter caráter alimentar, é imune a constrição dessa espécie, ao teor do disposto no art. 649, inciso IV, da lei processual civil, por analogia corretamente aplicado à espécie pelo Tribunal a quo” (4ª Turma, REsp 353.291-RS, rel. Min. Aldir Passarinho)

“Mesmo com cláusula contratual permissiva, a apropriação do salário do correntista pelo credor para pagamento do cheque especial é ilícita e dá margem à reparação de dano moral.” (3ª Turma, REsp 507.044-AC, rel. Min. Humberto Gomes de Barros)

“O banco não pode apropriar-se da integralidade dos depósitos bancários feitos a título de salários, na conta corrente de seu cliente, para cobrar-se de débito decorrente de contrato bancário, ainda que para isso haja cláusula permissiva no contrato de adesão.” (3ª Turma, REsp 492.777-RS, rel. Min. Ruy Rosado de Aguiar)

Além disso, o ato dos bancos viola as normas da Constituição Federal referente à proteção ao salário (artigo 7º, IV, VI e VII), de repercussão geral na ordem econômica e jurídica, pois alcança o imenso contingente de cidadãos brasileiros que se encontram em idêntica situação.

Com efeito, é nula qualquer cláusula contratual padrão que autorize a instituição financeira a descontar empréstimo decorrente de limite de crédito em conta corrente (artigo 51, incisos I e IV, § 1º, incisos I a III, do Código do Consumidor).

Desta forma, a instituição financeira deve restituir em dobro as verbas salariais apropriadas com violação à Constituição Federal, ao Código de Processo Civil e ao Código do Consumidor, acrescidas dos respectivos encargos legais, respondendo ainda por danos morais, mesmo que o cliente esteja em débito, porque o direito determina que qualquer cobrança deve ser feita pelos meios normais, com a intervenção do Poder Judiciário, e não a manu militari, como fazem os bancos nestes casos, que não são típicos de empréstimo consignado.

Se até o poder público tem que recorrer ao judiciário para executar seus créditos, por que deveria ser diferente com os bancos?

A morte (assassinato?) de Juscelino. O tiro no pé de Lacerda, total ignomínia. Brizola e a prorrogação do mandato de Figueiredo. Meu primeiro encontro com ele, em 1979.

Muitos questionam e pedem esclarecimento sobre o acidente do ex-presidente. Não há esclarecimento, da mesma forma como nos casos de João Goulart e Lacerda. São todas mortes estranhas, ou melhor, estranhíssimas. E que serviram sempre aos que estavam no Poder total e ditatorial, e não queriam perdê-lo.

Alguns até “justificam” com o fato de JK estar numa estrada movimentada, à noite, quando todos estão com faróis acesos. Tudo isso muito bem colocado.

Mas o que se discute e se contesta é a razão de Juscelino estar naquela estrada, tendo no bolso uma passagem de avião. E sendo mais do que conhecida a sua resistência ao carro e sua predileção por avião.

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PS – Mas depois de mais de 30 anos, como descobrir algum fato verdadeiro? Idem, idem para João Goulart, que estava querendo voltar ao Brasil, não suportava mais ficar longe do país.

PS2 – O próprio Jango cuidava da volta, “que apressaria, CORRENDO TODOS OS RISCOS”. (Textual). Pode ser que não estivesse se referindo a assassinato. Mas pela vida pública, era informadíssimo.

PS3 – Ministro do Trabalho de Vargas em 1952, com 33 anos, vice-presidente pela primeira vez em 1955, com 36 anos, logo depois de ultrapassada a fase limite de 35 anos.

PS4 – Outra vez vice e com 7 meses do segundo cargo, assumindo a Presidência, era muito bem informado. Queria vir para o Brasil, “correndo todos os riscos”. Mas jamais sairemos da DÚVIDA, SUSPEITA, INDECISÃO, “COINCIDÊNCIA”.

Lacerda – Brizola

O mesmo com os dois candidatíssimos à sucessão presidencial. Quaisquer que sejam as posições de todos, CONTRA ou a FAVOR dos ex-governadores, a verdade é que cumpriram uma carreira que deveria levá-los à Presidência.

Íntimo dos dois, em épocas diferentes mas não divergentes, defendi em inúmeras oportunidades que GOSTARIA DE VER LACERDA E BRIZOLA COMO PRESIDENTES. Um depois do outro, FHC ainda não havia inventado a pólvora, perdão, a REEELEIÇÃO.

Em 1946, mocíssimo na Constituinte, quando conheci Lacerda, tive muito mais contatos e em determinada fase, mais assiduidade com ele. Morávamos na mesma capital, (depois transformada em estado), escrevia aqui, era natural a proximidade.

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PS – E se volto ao assunto, porque alguns leitores também voltam a uma “acusação” da época, investigada e sempre distante da realidade: que Lacerda teria dado um tiro no próprio pé.

PS2 – Isso foi tão discutido na época, (1954) que se fosse verdadeiro, ou tivesse “resquícios” de verdade, teria sido apurado. Não seria agora, 56 anos decorridos, que alguma coisa se provaria.

PS3 – Não cuidarei mais do assunto, haja o que houver. No entanto, não impedirei ninguém de especular, (nada passará de especulação) cada um faz o que bem entender.

Brizola – João Figueiredo

Também volto aos dois personagens, em episódios, citados por “seguidores”. O primeiro, que “João Figueiredo teria salvo a vida de Brizola, ainda no exílio”. Isso foi divulgado antes, na época, agora negado aqui mesmo. Nessa época, eu jamais havia falado com Brizola, o episódio é contestado, com a mesma convicção. E não conheci o episódio, nem mesmo como repórter.

O segundo, prorrogação do mandato de Figueiredo até o final de 1987 e não 1985. Mas as razões, muito distantes das que são apregoadas. Governador, o mandato de Brizola terminava na eleição de 1986. A INDIRETA, combinada num acordo entre civis e militares, seria em 1985.

Esse entendimento tinha como OBJETIVO o próprio Brizola. Sabiam que se a eleição fosse DIRETA, Brizola seria invencível. Lacerda, Jango e Juscelino estavam mortos, sobrou apenas ele. Brizola pretendia que a eleição fosse direta, a intenção era essa. Podem dizer que se tudo acontecesse como foi acertado entre DITADORES e os que NÃO COMBATERAM A DITADURA, Brizola não poderia ser candidato.

Nessa oportunidade, falo de corpo presente. Nunca havia estado com Brizola até 1979. Principalmente por causa da distância. Ele fez toda a carreira no Rio Grande do Sul até 1963, embora com LAMPEJOS de liderança nacional.

Deixou o governo do Rio Grande do Sul em 1963, no mesmo ano, em outubro, foi candidato a deputado federal na ainda Guanabara, governada por Lacerda. Foi ELEITÍSSIMO. De cada 10 eleitores, 4 votaram em Brizola. Foi para Brasília, cuja fundação eu repudiava. Não nos vimos, 1 anos e meio depois teve que sair do Brasil para não ser assassinado, o repórter decidiu lutar aqui mesmo. Na verdade, o golpe era mais contra Brizola do que contra Jango.

Este sempre admitiu conversar, até mesmo em 1952, quando foi tirado do Ministério do Trabalho pelo chamado Manifesto dos Coronéis.

(Eram 69, a primeira assinatura de Amaury Kruel, depois protegido, promovido, favorecido pelo próprio Jango. A quem trairia no golpe de 64, negando apoio a ele, quando comandante do II Exército, São Paulo).

***

PS – Brizola chegou a Brasília em 31 de janeiro de 1963, deputado. Eu cheguei preso em 23 de julho, do mesmo 1963, enquadrado na Lei de Segurança Nacional. Pediram 15 anos de prisão para mim. Num julgamento com recorde de público, até hoje não ultrapassado, o resultado ficou em 4 a 4.

PS2 – Os quatro ministros nomeados por Jango, (políticos) votaram pela CONDENAÇÃO, aberração completa. Os outros 4, apenas juristas (não políticos), decidiram pela ABSOLVIÇÃO. Com o empate, o presidente Ribeiro da Costa desempatou, 5 a 4, fui libertado.

PS3 – O repórter contrariava os generais GOLPISTAS, os CIVIS GOLPISTAS, os governadores GOLPISTAS, os governistas GOLPISTAS. 1961 (com a “renúncia”), 1962, 1963 e até final em 1º de abril de 1964, anos tumultuadíssimos.

PS4 – Esses 16 anos, de 1963 a 1979, um tempo que merece verdadeiramente a identificação de HISTÓRICO, devia ser contado em livro. Muitos editores me pediam e insistiam. Aliás, deveria ter publicado vários livros, a partir do GOLPE contra a posse de Juscelino em 11 de novembro de 1955.

PS5 – Termino aqui, contando meu primeiro encontro com Brizola. Estava na minha sala no jornal, e a secretária, quase pedindo desculpas, abre a porta para Brizola. E ele, me abraçando, cordialíssimo: “Helio, estou chegando ao país, minha primeira visita tinha que ser para você, ninguém merece mais, que assombro”.

PS6 – Tudo textual e também a minha pergunta a ele, habitual no repórter, distante do combatente: “Como é que eu o trato? De engenheiro, governador, apenas Brizola?”

PS7 – E ele, cordial: “Você pode me chamar como quiser, conquistou o direito de ser chamado de COMBATENTE”. E ficamos assim durante anos, num diálogo tão bom quanto foi o diálogo com Lacerda. Sem interrupção, mas com divergências. Nenhuma pessoal, todas rigorosamente de interpretação.

Chantagem (e traição) dos bancos suíços

Mais famosos do que o chocolate e os relógios, que fizeram a fama internacional da Suíça, são os depósitos em “contas numeradas”. Além de utilizarem esse dinheiro em investimentos, a Suíça decidiu não pagar mais juros a essas contas.

Esses juros eram pequenos, mas como o total dos depósitos é fabuloso, formavam uma importância espantosa. A Suíça (que construiu a segurança financeira, não participando da Primeira e da Segunda Guerra Mundial, e por isso é chamada normalmente de “NÃO BELIGERANTE”) comunicou aos “clientes” a decisão unilateral.

Como represália e em defesa do seu RICO DINHEIRO (a expressão não tem duplo sentido), os depositantes resolveram transferir esse CAPITAL, para os mais de 20 PARAÍSOS FISCAIS, que têm hoje a mesma segurança, e continuam pagando juros.

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PS – A Federação dos Bancos Suíços, decidiu então publicar o nome dos donatários das contas, denunciando-os às autoridades estrangeiras.

PS2- Mas como não têm caráter, escrúpulo e dignidade, mantiveram o SIGILO e o SILÊNCIO, sobre os que não transferiram as contas.

PS3 – Chantagem clara, sinônimo de extorsão. Mas eles controlam tudo, o Banco Central dos mais diversos países não sabe de nada, não podem perseguir os que se mantiveram FIÉIS.

PS4 – Incompreensível é a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), presidida pelo presidente do Santander, um dos mais globalizados, que ficou com o acervo do Banespa. Que República.

Banco Jóquei Clube S/A

Tem 6 mil sócios, me inundam de denúncias. Principalmente estas três. 1 – Se passar um dia do vencimento, manda cobrar 10 por cento. (Está escrito no recibo, o caixa do banco tem que cumprir).

2 – Além disso, mais juros de 0,08 AO DIA. Inscrito no recibo: “Este pagamento não quita débitos anteriores”. Já existe legislação mandando que os recibos anteriores sejam inutilizados, só permaneçam os do ano atual).

Só para lembrar: a sede da Lagoa, é construída em terrenos DOADOS por Pedro Ernesto, o primeiro prefeito eleito do então Distrito Federal. Esse terreno não pode ser vendido nem construída qualquer coisa fora da atividade rigidamente ESPORTIVA.

A existência através dos que não existem

Carlos Chagas

Estabeleceu o Alcorão valer  uma espada  mais do que dez mil palavras, contrariando o Novo Testamento, segundo o qual o amor move montanhas. Tantos séculos depois, nesses tempos bicudos em que em vez de arrefecer, o choque de religiões só faz acirrar os sentimentos, com todo respeito valeria apelar para elas como a derradeira hipótese de preservação da existência através dos que não existem.

Que tal, para começar, a co-habitação entre o Padre Eterno,  seu Filho e o Espírito Santo,  de um lado,   Alah do outro,  abrindo-se  vaga também  para Jeová?  Sem esquecer  os espaços  ocupados no passado ou no presente  pelos  plácidos  Buda e Confúcio, os gelados Odim e Thor, mais    o ambientalista Tupã,  lembrando  ainda  os irascíveis  Júpiter e  Zeus,  além de Zaratustra, Isis e Osíris, entre tantas  outras divindades.

Está na hora desse conjunto  de seres superiores que Spinosa reduziu à própria natureza realizarem uma espécie de congresso planetário. Unirem-se, já que sem a força do conjunto para  dominar a fraqueza das partes  logo sobrevirá o  pior. No caso, a supressão  das platéias de  onde os deuses tiram sua condição de encenar tantas  comédias divinas.

Importa menos saber onde se acenderá  o estopim da hecatombe universal. Pode ser nas planícies do Armagedon, já que Israel possui a bomba atômica e o  Irã, quase. Quem sabe na fronteira da Índia com o Paquistão?  Nas geleiras da Sibéria ou no meio-oeste americano, voltadas que estão essas duas  regiões,  uma contra a   outra,  apesar da falácia de que a Guerra Fria terminou. Aceitaria a China abandonar a nuclear  Coréia do Norte à sanha da suposta superpotência que deixou de ser única?

Pelo equilíbrio instável entre as nações conclui-se que um dia, cada vez mais próximo, cumprir-se-á o vaticínio de Albert Einstein, que reconheceu não saber precisamente como se daria a Terceira Guerra Mundial, mas podia prever  com clareza a Quarta, a ser travada entre paus e pedras.

Já  que os esforços das Nações  Unidas redundam em nada, que  os cinco  continentes armam-se cada vez mais através da sofisticação, saída mesmo só existe uma: apelar para a união dos deuses de ontem e de hoje. E se Eles não puderem vir, que se organizem seus representantes, mas despojados de qualquer sentimento de superioridade ou de domínio da verdade absoluta. Por mais estranha que  possa ser  a conclusão, será através daqueles que não existem o caminho para perpetuar a existência…  

Hoje tem comício

Caso o presidente Lula não volte atrás,  como fez esta semana em Brasília, faltando ao comício de inauguração do comitê central da campanha de Dilma Rousseff, hoje à noite os cariocas assistirão a candidata e seu mentor dividirem o  palanque armado na Candelária  pelo governador Sérgio Cabral.

Uma saraivada de críticas e até alguns possíveis recursos à Justiça Eleitoral serão disparados pelos tucanos e penduricalhos, sob a acusação de propaganda desmedida. Só que não vai adiantar nada. No máximo, o presidente Lula poderá ser multado outra  vez pelo Tribunal Superior Eleitoral, provavelmente a sétima, mas nada vai mudar. Na verdade, se não tiverem  sido utilizados recursos públicos na manifestação, a presença do chefe do governo deve ser considerada normal,  mesmo contra a lei.

Esse conflito entre a natureza das coisas e a legislação soa como ridículo. Deve-se atentar para o espírito da mini-reforma eleitoral aprovada em dezembro do ano passado pelo Congresso. Sua intenção foi evitar desmandos e mau uso da coisa pública, jamais cercear o direito de qualquer cidadão manifestar-se política e eleitoralmente. Proibir o presidente da República de opinar equivale a regredir institucionalmente.  Se em 2002 Fernando Henrique, então no poder, manteve-se de braços cruzados diante  de sua sucessão, foi por outros motivos.  No caso, a idiossincrasia ostensiva para com  Serra, seu ex-ministro rebelde e competidor nas tertúlias verificadas dentro do ninho. Se as oposições perdessem parte do complexo de inferioridade, estariam programando comício ainda maior e mais vibrante que o de hoje, na antiga capital.

Charutos de debates

Michel Temer anda tão feliz com sua candidatura a vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff  que na madrugada de ontem, depois de lauto jantar com  a candidata e perto de 200 deputados, deu-se ao luxo de  comparecer ao bar de um afamado restaurante de Brasília, a pretexto de fumar charutos. Estava feito pinto no lixo, agora que foi aceito sem contestações pelo PT. Admitiu comparecer a um debate com os demais candidatos a vice, caso alguma emissora de televisão se interesse em promovê-lo. Deve cuidar-se, caso a hipótese se concretize, pois os demais postulantes a inquilinos do palácio do Jaburu só teriam um objetivo:  agredi-lo de todas as formas possíveis, credenciando-se, assim, a quinze minutos de exposição nas telinhas.

Melhor faria o ainda presidente da Câmara se aceitasse posicionar-se à sombra de Dilma, acompanhando-a na campanha por todo o país e falando o mínimo possível. Depois, se eleita a candidata, trataria de coordenar a política do novo  governo com o Congresso.

Falta de terra

Em 1960, perdeu-se nos céus de Mato Grosso o  avião em que viajavam Jânio Quadros e Milton Campos, em campanha pela presidência e vice-presidência da República. O piloto suava frio, o combustível se  esgotava  e nada de aparecer algum  município ou aeroporto oportuno.  O dr. Milton tinha problemas de pressão arterial  e logo as atenções  voltaram-se para ele, com a célebre pergunta sobre se estava com falta de ar. O magistral mineiro não perdeu a oportunidade e respondeu: “falta de ar, propriamente, não. Estou mesmo é com falta de terra…”

Corrupção não deixa saúde melhorar no RJ

Pedro do Coutto

O governador Sergio Cabral está na obrigação de abrir, de imediato, pelo menos um inquérito para apurar as denúncias apresentadas na noite de segunda-feira pela Rede Globo, e pelo jornal O Globo do dia seguinte, sobre a prática descarada de superfaturamento em compras efetuadas pela Secretaria de Saúde. O titular da pasta, Sergio Cortes, terá que apontar os responsáveis por este assalto aos cofres públicos. Não se trata apenas de efetuar compras no montante de 81 milhões de reais sem concorrência.

Além disso, a Secretaria de Saúde pagou preços superiores aos de mercado numa escala de 77%, assinalou a reportagem publicada. Dinheiro jogado no ralo da roubalheira, da corrupção. Quanto maior for esta, na razão direta, menor será a capacidade de atendimento à população. Os ladrões da saúde são ladrões do povo, são ladrões imundos da integridade e da vida humana. Quantas pessoas deixaram de ser atendidas este ano em conseqüência das ações deletérias apontadas? Dezenas de milhares. A Secretaria de Saúde – vejam só – adquiriu 7 milhões e 500 mil unidades de rolos de gaze ao preço unitário de 59 centavos, acentua O Globo. Comprou portanto no atacado, mas pagou o preço unitário de varejo nas farmácias e drogarias. A diferença entre uma face e outra foi para o bolso dos desonestos.

Este episódio ocorrido no Rio de Janeiro é mais um entre tantos que se sucedem, na saúde e fora dela, contaminando as administrações públicas. O roubo, de tão freqüente, está contribuindo não só para a riqueza ostensiva de uns, mas também para a consolidação de uma nova cultura. O pensamento de que aquele que tem alguma oportunidade de aproveitar, e não aproveita, não passa de um otário. Assim não dá. Dessa forma, o progresso social torna-se efetivamente impossível. Pode-se até projetar uma equação: se na parcela de 81 milhões, roubou-se 77%, em que montante se roubaria ou roubará num patamar, digamos , de 500 milhões de reais?

Quinhentos milhões  calculando-se por baixo pois o orçamento estadual para este ano atinge 47,9 bilhões e o orçamento federal, de acordo com o balanço da Secretaria do Tesouro publicado no DO de 28 de maio deste ano, alcança 1 trilhão e 766  bilhões de reais.

No Estado do Rio de Janeiro, incluindo ativos, aposentados e pensionistas,  as despesas com pessoal são de 42% da lei de meios. No plano nacional, a percentagem do funcionalismo é muito menor: 9%, o que equivale a 169,6 bilhões. Quem duvidar deste percentual deve ler os números contidos na página 107 da edição do Diário Oficial a que me refiro.

A corrupção é algo de fato terrível, principalmente quando ultrapassa, para citar uma expressão médica, a taxa de colesterol. Superado o limite inevitável, torna-se uma prática inaceitável. Ela, a corrupção, transforma-se num processo continuado de assalto à população. Assalto indireto de visibilidade e difícil de decifrar, mas que no caso da Secretaria Estadual de Saúde foi traduzida pelo RJ-TV e pelo O Globo para o conhecimento da opinião pública.

O fato é, ao mesmo tempo, cínico e estarrecedor. Duplamente. Os ladrões não se intimidaram com a hipótese de punição por parte do governador e não se retraíram na perspectiva de roubar a população e contribuir até para a morte de milhares de pessoas. É demais. O ladrão não ostenta porque roubou: rouba para ostentar.

Uma compulsão sinistra.