Reflexões sobre o conservadorismo do Blog da Tribuna

Marcelo Delfino

Não tenho o receio do comentarista Walter Martins. Este Blog pode, sim, virar um ninho de conservadores. Talvez tenha o dever de sê-lo.

Hoje toda politicalha nacional quer ser de esquerda e quer ser progressista, mesmo que falsamente. Não há conservadores assumidos, não há direitistas assumidos, e acima de tudo, não há nacionalistas. Só há políticos internacionalistas, da extrema-direita à extrema-esquerda.

Sobre o bispo comedor do Paraguai, pode-se classificar o que lhe aconteceu como quiser. Impeachment (como o que aconteceu com Fernando Collor), destituição, golpe etc. Agora resta ao traidor do voto dos paraguaios e do voto de castidade vir para o Brasil abrir uma igreja, como fazem alguns bispos daqui, muito deles lulo-dilmistas.

Já proclamam a necessidade de rechaçar o Paraguai. Mas que rechacem o governo paraguaio, não sua população, que está tão dividida quanto nós, gringos, que temos mania de meter o bedelho para botar e tirar mandatários de outros países, para apoiar e para reprovar. Se fizerem bloqueio comercial, o governo brasileiro terá que fazer o que jamais fez: barrar o contrabando de cigarro paraguaio, de eletrônicos paraguaios e de uísque paraguaio. Só não adiantará barrar os bispos paraguaios, porque esses já fazemos aqui mesmo. Tem até no nosso Congresso Nacional…

Assad é apenas um homem, ele não é a Síria

Paulo Solon

Não é correto pensar, deduzir ou concluir que, com a queda de Al Assad, a Síria vai deixar de ser a Síria, e que organizações como o Hesbolah e o Hamas vão ficar sem patrono. Não há adivinho, mago, profeta ou medium que possa vislumbrar o que vai ocorrer. Assad é apenas um homem. Ele não é a Síria.

Pelo que já ocorreu no Egito, Israel deve estar mesmo apreensivo, já que lá as coisas não rolaram como o governo de Israel certamente esperava. Não é tão simples assim. Estados Unidos são uma nação. Israel é outra, embora exerça certa influência no primeiro, e vice versa.

Há necessidade de se aprofundar mais na história do Oriente Médio, para se concluir que a permanência, ou a queda de Al Assad não tem grande importância.

Um outro fator que necessita ser sublinhado, se queremos refletir em profundeza sobre o radicalismo do Islam, desse Islam exttremista, é justamente a radicalização religiosa de Israel. O sucesso dessa radicalização religiosa dos que defendem uma Grande Israel e a legitimação religiosa e histórica do Estado de Israel pouco ou quase nada tem a ver com Assad e com o Irã.

Além do mais, através de Israel é que há uma legitimação do fundamentalismo árabe, que não começou nem vai terminar com Assad. Ao mesmo tempo que se constata a mais nobre resistência ao colonialismo.

Qualquer pessoa de média capacidade de raciocínio sabe disso. É primário demais pensar que o cenário está pronto para a invasão do Irã.

Os próprios americanos já se valeram de um certo Islamismo para combater o comunismo ateu. A América é uma potência que também se islamisa, ou que está prestes a acolher os germes de um islamismo ativista, potencialmente terrorista.

As trapalhadas de Lula prejudicam e dividem o PT em vários Estados

Carlos Newton

No partido, ninguém tem coragem de enfrentá-lo. Todos sabem que Lula está delirando, acometido por um surto de grandeza e egolatria que parece não ter fim. Nem mesmo a grave doença foi capaz de fazê-lo voltar ao normal, ele continua nas nuvens, achando que é o político mais importante do mundo. E se comporta como um ditador no PT, sem ouvir ninguém, nem mesmo José Dirceu, que foi grande seu mentor quando alçou o voo mais alto, rumo à Presidência da República.

Com o ego sempre inflado, Lula tem decidido tudo sozinho e o PT se vê obrigado a correr atrás das ensandecidas determinações dele, mas nem consegue consertá-las. O resultado é que Lula já conseguiu dividir o partido em vários Estados.

PERNAMBUCO – Uma das crises mais graves ocorre em Recife, onde Lula ordenou que o prefeito petista João da Costa fosse alijado da eleição, impondo o nome do senador Humberto Costa, para agradar ao PSB e abrir uma vaga no Senado para o suplente Joaquim Francisco, um neo-socialista egresso do antigo PFL.

Resultado: o partido está dividido e o prefeito João da Costa tenta conquistar judicialmente o direito à reeleição. A aliança com o PSB foi para o espaço, mas o neo-socialista Joaquim Francisco pode acabar ganhando seis anos no Senado, se Humberto Costa for o candidato e vencer.

RIO GRANDE DO NORTE – Na segunda cidade mais importante do Rio Grande Norte, Mossoró, Lula obrigou o PT a abandonar a candidatura do reitor da Universidade Federal do Semiárido, Josivan Barbosa, para dar apoio à candidatura da deputada estadual Larissa Rosado (PSB-RN) e manter a oligarquia que detém o poder em Mossoró há mais de 40 anos.

Resultado: o partido se dividiu e o apoio à dinastia Rosado será apenas simbólico.

RIO DE JANEIRO – Na ânsia da agradar ao PSB e fortalecer a candidatura de Fernando Haddad em São Paulo, Lula obrigou o PT de Duque da Caxias a abandonar a candidatura da escritora Dalva Lazaroni, que subia nas pesquisas, para apoiar o deputado Alexandre Cardoso (PSB-RJ), que na última vez que disputou a Prefeitura de Caxias teve apenas 3,3% dos votos válidos.

Com isso, abriu-se uma crise no partido, entre as alas do senador Lindhberg Farias, que também quer agradar ao PSB visando à eleição estadual de 2014, e da deputada Benedita da Silva, que apoia a candidatura de Dalva Lazaroni.

AMAPÁ – Ao conduzir solitariamente o acordo com o presidente do PSB, Eduardo Campos, Lula estava tão preocupado com o apoio a Fernando Haddad que esqueceu de cobrar o acordo fechado em 2010 com o então candidato ao governo do Amapá pelo PSB, Camilo Capiberibe, que se comprometeu a apoiar em 2012 o candidato do PT a prefeito de Macapá. Lula não cobrou a fatura e obrigou o PT a apoiar o candidato do PSB, que até agora ninguém nem sabe quem é.

A decisão de Lula abriu grave crise no PT e a deputada federal Dalva Figueiredo abandonou no meio a reunião que homologou a candidatura do PT a vice na chapa do PSB.

MATO GROSSO – Lula também pretendia fazer a Executiva Nacional intervir na capital de Mato Grosso, para que o PT abandonasse a candidatura do vereador Lúdio Cabral e apoiasse o empresário Mauro Mendes, lançado pelo PSB. Da mesma forma como aconteceu em Recife, Mossoró e Duque de Caxias, houve uma resistência tremenda contra o apoio ao PSB.

Como a essa altura o PT já acumulara problemas demais, Lula deixou de fazer pressão e o Diretório de Cuiabá conseguiu confirmar a candidatura de Lúdio Cabral. Foi o único que escapou.

SÃO PAULO – Todas essas intervenções determinadas por Lula em diretórios municipais do PT foram feitas exclusivamente para agradar ao PSB e fazê-lo apoiar Haddad em São Paulo. Lula não mediu esforços, fez tudo sozinho e conseguiu seu intento, porque o PSB paulista comprometeu-se a apoiar o candidato petista, embora na verdade os socialistas não consigam nem mesmo indicar um candidato a vice e se saiba nos bastidores que a maioria do PSB na verdade continua apoiando o tucano José Serra, sem entregar os cargos nos governos Alckmin e Kassab.

Mas o pior mesmo foi a humilhação de Lula diante de Maluf, que o obrigou a ir visitá-lo em sua mansão nos Jardins e ainda contratou fotógrafos para documentar a insólita e desmoralizadora cena. Realmente, isso foi demais. Assim, não há partido que resista.

16 anos depois, os acusados pela morte de PC Farias ainda não foram julgados


No ano em que o primeiro processo de impeachment de um presidente na América Latina completa 20 anos, a morte de um personagem importante dessa história completa 16 anos ainda à espera de julgamento. Paulo César (PC) Farias, o tesoureiro da campanha eleitoral de Fernando Collor de Mello, foi morto com um tiro no peito em 23 de junho de 1996 na praia de Guaxuma, em Maceió, junto com a sua então namorada Suzana Marcolino.

Na época, PC estava em liberdade condicional e era réu em inúmeros processos por crimes financeiros, sonegação de impostos, falsidade ideológica e enriquecimento ilícito. Tinha audiências marcadas e poderia fazer revelações sobre a participação de outras pessoas nas atividades ilícitas que comandava. Por isso, sua morte foi investigada como queima de arquivo.

A cena do crime tentava simular um assassinato seguido de suicídio, mas as circustâncias nunca foram de fato esclarecidas. Embora o Ministério Público Estadual tenha feito a denúncia sem apontar o autor para o crime, os quatro seguranças que trabalhavam na noite do crime são suspeitos pelo crime: Adeildo Costa dos Santos, Reinaldo Correia de Lima Filho, Josemar Faustino dos Santos e José Geraldo da Silva. Todos vão a júri popular.

A 8ª Vara Criminal da capital, onde o caso corre, ainda não tem um juiz titular, o que atrasa ainda mais o julgamento, ainda sem data para acontecer. Há expectativa de que o caso seja julgado no segundo semestre deste ano, mas nenhuma data foi divulgada ainda.

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PEDRO COLLOR

O emblemático PC Farias foi um dos personagens mais marcantes do caso do impeachment do ex-presidente e atual senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL). A denúncia feita por Pedro Collor à Veja, que acabou por derrubar o presidente, citava PC como sócio do presidente em negócios ilícitos para levantar recursos que custeavam gastos pessoais e campanhas políticas. Pedro se referia a PC como “lepra ambulante”.

Pedro Collor vinha revelando uma série de denúncias contra PC Farias. Na entrevista, ele afirmou que PC Farias era o “testa de ferro” do presidente e que os dois atuavam em “simbiose profunda”. Ele também disse que o presidente tinha um apartamento em Paris e sabia que PC Farias agia em seu nome para realizar tráfico de influência.

Pedro ainda foi mais à frente. Depois da denúncia à Veja, ele afirmou ao ‘Estado’ que PC havia lhe oferecido US$ 50 milhões para que desistisse das denúncias contra o presidente, mas ele não aceitou o dinheiro porque sua luta “não tinha preço”.

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AS INVESTIGAÇÕES (?)

A primeira versão para o caso – apresentada pelo delegado Cícero Torres e pelo legista Badan Palhares – foi de crime passional. Para os defensores da tese, Suzana teria matado PC e depois se suicidado. Essa versão foi contestada pelo médico George Sanguinetti e depois derrubada por uma equipe de peritos convocados para atuar no caso, fornecendo às autoridades policiais um contralaudo.

Em 1998, a equipe dos peritos Daniel Munhoz, da Universidade de São Paulo (USP), e Genival Veloso de França, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), derrubou a tese de crime passional e concluiu pela tese de duplo homicídio. Com isso, nova investigação foi iniciada, tendo à frente os delegados Antônio Carlos Azevedo Lessa e Alcides Andrade, que contaram com a colaboração do perito Ailton Vila Nova.

Foi com base na segunda perícia que os delegados indiciaram os 4 seguranças como autores materiais e apontaram o então deputado federal Augusto Farias como o autor intelectual do duplo homicídio. O ex-deputado nega envolvimento na morte do irmão e continua dizendo que acredita em crime passional.

(Transcrito do Estadão)

Repressão e fantasia

Tostão

As principais esperanças do futebol brasileiro, Neymar, Ganso, Lucas, Oscar e Leandro Damião, não estarão nas finais da Copa do Brasil e da Libertadores. Nas semifinais, predominou o jogo coletivo do Corinthians e do Coritiba.

Neymar, em campo, ainda não atingiu a simplicidade dos maiores craques. Messi é conciso e objetivo. O mesmo ocorre em todas as atividades. Talento é tornar simples o que é complexo. Muitos confundem simplicidade com simplismo e ingenuidade.

Toninho Nascimento, editor do jornal “O Globo”, disse, com exagero e com razão, no programa “Redação SporTV”, que Ganso, contra o Corinthians, parecia um ex-craque em uma pelada de veteranos.

Escrevi que o Corinthians, por causa da rigidez tática e do futebol compacto, é o mais europeu dos times brasileiros. No Brasil, é comum associar disciplina tática com futebol feio e pragmático. Nem sempre. Todas as grandes equipes, com todos os estilos, como a seleção brasileira de 1970 e o atual Barcelona, são disciplinadas taticamente. Unem a disciplina com a fantasia e a improvisação.

A disciplina e os esquemas táticos são a forma, o suporte, para os craques brilharem. São também uma mensagem aos jogadores: que eles não podem ultrapassar certos limites, fazer tudo o que desejam, e que suas ambições não podem atropelar o conjunto. Assim é também na vida. O esquema tático é o superego, a consciência dos atletas. Mas, se os treinadores e os Zé Regrinhas forem excessivamente rígidos, vão inibir a inventividade e a espontaneidade dos jogadores e dos cidadãos.

Uma das razões da queda de qualidade do futebol brasileiro é que os treinadores, desde os das categorias de base, entendem muito de disciplina, estratégia, esquema tático, e pouco de futebol.

As grandes equipes não ganham sempre, nem os vencedores são sempre grandes equipes. O Chelsea, campeão da Europa, e o Corinthians, se ganhar a Libertadores, não são grandes times. São organizados e eficientes. Falta mais talento. Em muitos momentos dos dois jogos contra o Santos, o Corinthians, que costuma marcar por pressão, atuou como o Chelsea, nos confrontos contra Barcelona e Bayern, com oito jogadores à frente da área.

Jogar dessa forma não é pecado nem proibido. Temos de respeitar, compreender as razões e as necessidades da equipe e reconhecer seus méritos. Mas a função do comentarista não é apenas exaltar os vencedores. É, principalmente, ser crítico e exigir melhores espetáculos.

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LEMBRANÇAS

O América está entre os primeiros e com grandes chances de voltar à Série A. Uma das razões é ter o mesmo e bom técnico há quase um ano. Joguei contra Givanildo várias vezes, na década de 1960. Era um excelente volante. Neste momento, lembro de outro pernambucano, o ponta Nado, convocado para os treinos da seleção para a Copa de 1966. Na época, diziam que eu, Nado e Alcindo tínhamos sido convocados para Minas Gerais, Pernambuco e Rio Grande do Sul.

Nado foi cortado antes do Mundial. Eu e Alcindo fizemos uma ótima dupla na frente, nos treinos. Jogamos contra a Hungria. O Brasil perdeu, assim como para Portugal, e foi eliminado. O Brasil não tinha conjunto, além de muitos jogadores decadentes que brilharam nas Copas de 1958 e 1962.

(Transcrito do jornal O Tempo, de BH)

Bocage achava que a filosofia cede à natureza

Rubem Braga dizia que a poesia é necessária. Hoje, vamos postar um soneto do português Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765/1805), sobre filosofia e natureza.

Manuel Bocage

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CEDE A FILOSOFIA À NATUREZA

Bocage

Tenho assaz conservado o rosto enxuto
Contra as iras do Fado onipotente;
Assaz contigo, ó Sócrates, na mente,
À dor neguei das queixas o tributo.

Sinto engelhar-se da constância o fruto,
Cai no meu coração nova semente;
Já me não vale um ânimo inocente;
Gritos da Natureza, eu vos escuto!

Jazer mudo entre as garras da Amargura,
D’alma estóica aspirar à vã grandeza,
Quando orgulho não for, será loucura.

No espírito maior sempre há fraqueza,
E, abafada no horror da desventura,
Cede a Filosofia à Natureza.

Bocage, in ‘Rimas’

Marta Suplicy diz que acordos políticos espúrios têm que acabar

Em oportuno artigo escrito na Folha, a senadora Marta Suplicy (PT-SP) coloca bem clara sua posição sobre os acordos políticos que o ex-presidente Lula vem fechando, sem ouvir o partido.

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“REALPOLITIK”

Marta Suplicy

O modelo “realpolitik” se esgotou e parece que nem todos estão percebendo. Não dá mais para viver essa praga que se entranhou no sistema político brasileiro. Erva daninha que corrói valores, exclui a participação, nega a democracia, desestimula o mérito e ignora a ética.

Nascida na Alemanha, a expressão “realpolitik”, segundo Luis Fernando Verissimo, é um termo invocado quando um acordo ou arranjo político agride o bom-senso ou a moral.

Os cidadãos eleitores, que ainda se dão ao trabalho de acompanhar a política, não suportam mais essa prática. Podem até entender a necessidade das composições, alianças e acordos que se tornaram imprescindíveis no Brasil muito em função do nosso sistema eleitoral, do número de partidos e do quanto tornou-se precioso o tempo de TV.

Os que criticam essa modalidade e as formas de fazer política, vistas como “normais” há décadas, têm hoje consciência de que elas são um terrível mal que compromete a ação de governar. Mas quando, pela sua simbologia, ferem os limites do bom-senso e têm a marca do estapafúrdio, tornam-se incompreensíveis para a população e são por ela rechaçadas. Encontram-se além dos limites da própria “realpolitik”.

Os sentimentos de indignação, insatisfação e, por fim, impotência estão fazendo com que uma parcela grande das pessoas se desinteresse pela política. A maioria dos jovens quer distância. E o povo, mais escolado, começa a achar “tudo igual”, o que acaba provocando o mesmo desinteresse.

A luta pela democracia no Brasil conseguiu eletrizar forças e corações que não suportavam viver num país sob ditadura. Cada um reagiu à sua maneira. Mas muitos morreram e sofreram pela liberdade. Esse resgate da democracia é tão importante que não poderia ter sido contaminado por práticas seculares que nos acorrentam à uma malfadada forma de fazer política. Esta mesma que aliena o povo que se vê –e se sente– excluído e desrespeitado.

Mas nem tudo está perdido. Tem gente formulando, e outros remoendo, novas práticas e métodos, buscando diferentes formas e canais de interação social e política. Um novo modelo que contemple e dialogue com os vários segmentos e forças heterogêneas da sociedade. Uma construção distante dos métodos agonizantes e ultrapassados que ainda hoje vigoram. Uma transição necessária, e imprescindível, que já passou da hora de acontecer.

Não está claro como, e em quanto tempo, se dará o nosso processo de libertação da chamada “realpolitik”. Mas, que esse sistema político e eleitoral que vivemos chegou à exaustão, tenho clareza.”

Recordar é viver: Toffoli se comprometeu a consultar os outros ministros sobre sua suspeição em casos ligados ao PT

Carlos Newton

Por sugestão do comentarista Marcelo Mafra, vamos reproduzir exatamente o compromisso assumido por Dias Tofolli quando foi sabatinado no Senado e teve aprovada sua nomeação para o Supremo Tribunal Federal.

Em sua mensagem ao Blog da Tribuna, o comentarista Marcelo Mafra destaca a importância de o procurador-geral da República atuar com firmeza para levantar a suspeição de Toffoli, pois o seu padrinho direto, o ex-presidente Lula, por ocasião da divulgação das conversas do encontro com Jobim e Gilmar, dissera que já havia dito a Toffoli que ele tinha que participar do julgamento do Mensalão. “Então, Lula já deu as ordens e as coordenadas do que Toffoli deverá fazer”, diz Mafra.

Pois bem. vamos relembrar que, em sua sabatina no Senado, Toffoli afirmou ainda que considerava “coisa do passado” seu trabalho em defesa do presidente Lula e do PT. “O fato de ter atuado em ações eleitorais para o presidente da República é algo do passado. Isso não faz mais parte da minha vida. Não nego minha história, mas no momento que fui para Advocacia-Geral da União já deixei isso para trás”, alegou.

Toffoli afirmou que se declararia impedido de julgar a legalidade das cotas raciais por já ter se manifestado sobre o tema enquanto esteve na Advocacia Geral da União. O raciocínio, no entanto, não se estendia ao caso do ex-ativista italiano Cesare Battisti e a polêmica sobre a possibilidade de excluir torturadores da lei de anistia de 1979. Nestes temas, ele disse que pretende consultar os futuros colegas do Supremo para se posicionar ou não por impedimento.

Maior crítico da indicação dele para ministro do Supremo, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) então ironizou os possíveis impedimentos de Toffoli. “São tantas as questões ligadas a Vossa Excelência que, se Vossa Excelência for se declarar impedido em todas, ficará de férias no Supremo Tribunal Federal”.

Bem, agora só resta aguardar se Toffoli vai cumprir o compromisso de consultar os outros ministros sobre a suspeição? Será que vai cumprir? Claro que não.

A conspiração das elites

Carlos Chagas

De vez em quando é bom mergulhar no passado, quando nada para não repetir erros, porque se não nos diz o que fazer, o passado sempre nos dirá o que evitar.

Há mais de quarenta anos vivia o Brasil uma situação de crise iminente. Depois da entusiástica reação nacional ao golpe, em 1961, liderada por Leonel Brizola, entramos em 1964 sob a égide da conflagração. O então presidente João Goulart tivera assegurada sua posse e governava, por força da resistência do cunhado, governador do Rio Grande do Sul e logo depois o deputado federal mais votado da história do país, eleito pela Guanabara.

O problema estava na permanência ativa das forças que tentaram rasgar a Constituição e permaneciam no mesmo objetivo. Uns pela humilhação da derrota, outros por interesse, estes ingênuos, aqueles infensos a quaisquer reformas sociais – todos se vinham fortalecendo sob a perigosa tolerância de Goulart.

Conspirações germinavam em variados setores sob a batuta de um organismo central, o IPES, singelo Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais, mas, na verdade, um milionário centro de desestabilização do governo trabalhista, erigido em cima de milhões de dólares. Sua chefia era exercida pelo general Golbery do Couto e Silva, na reserva, arregimentando políticos, governadores, prefeitos, militares das três armas, fazendeiros, empresários aos montes, classe média e até operários e estudantes.

O polvo tinha diversos tentáculos, como o CCC (Comando de Caça aos Comunistas), MAC (Movimento Anticomunista), CAMDE (Campanha da Mulher pelas Democracia), IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática) e outros, muito bem subsidiados, que se encarregavam de agir nas ruas.

Claro que a maioria da imprensa dava ampla cobertura a essas diversas atividades, sempre escondidas sob a fantasia da defesa da democracia “ameaçada pelas reformas de base pretendidas pelo governo comunista de João Goulart”. Publicidade e dinheiro vivo era o que não faltava, além, é claro, das inclinações pessoais dos barões da mídia.

Do outro lado, organizavam-se as forças que imaginavam estar o Brasil marchando para o socialismo. O CGT (Comando Geral dos Trabalhadores), a Frente Nacionalista, o Grupo dos Onze, as Ligas Camponesas e outros.

Depois da ridícula experiência parlamentarista, o presidente retomara, através de um plebiscito, a plenitude de seus poderes. Diante da resistência do Congresso em votar as reformas, Jango decidiu promovê-las “na marra”. Abria perigosamente o leque, ao invés de realizá-las de per si, uma por uma. Ao mesmo tempo, pregava a reforma agrária, pela desapropriação de terras por títulos da dívida pública; a reforma bancária, com a estatização do sistema financeiro; a reforma educacional, com o fim do ensino privado; a reforma urbana, através da proibição de os proprietários manterem casas e apartamentos fechados, sem alugar; a reforma na saúde, pela criação de um laboratório estatal capaz de produzir remédios a preços baratos; a reforma da remessa de lucros, limitando o fluxo de dólares que as multinacionais enviavam às suas matrizes; a reforma das empresas, impondo a participação dos empregados no lucro dos patrões e a co-gestão; a reforma eleitoral, concedendo o direito de voto aos analfabetos, aos soldados e cabos. Entre outras.

Contava-se, como piada, haver um túnel secreto ligando as instalações do IPES à embaixada dos Estados Unidos, no Rio. Verdade ou mentira, os americanos estavam enfiados até o pescoço na conspiração, por meio do embaixador Lincoln Gordon e do adido militar, coronel Wernon Walters, antigo oficial de ligação do Exército americano com a Força Expedicionária Brasileira, na Itália. Linguista exímio, sabendo falar até mesmo o português do Brasil e o de Portugal, em separado, tornara-se amigo dos majores e coronéis que lutaram na Itália, agora generais importantes. E em grande parte, conspiradores.

A estratégia inicial era impedir as reformas de base e deixar o governo Goulart exaurir-se, desmoralizado, até o final do mandato. Tudo mudou quando o presidente se deixou envolver por outra reforma, a militar. Partindo de um inexplicável artigo da Constituição que limitava a possibilidade de os sargentos se candidatarem a postos eletivos, bem como das dificuldades antepostas pela Marinha para a organização sindical dos subalternos, tudo transbordou.

Pregava-se a quebra da hierarquia entre os militares. Acusada de estar criando um soviete, a Associação dos Marinheiros e Fuzileiros rebelou-se, instalando-se na sede do sindicato dos Metalúrgicos. Mais de mil marinheiros e fuzileiros recusaram-se a voltar aos seus navios e quartéis, tendo o governo preferido a conciliação em vez da punição. A ironia estava em que o chefe da revolta, o cabo Anselmo, o mais inflamado dos insurrectos, era um agente provocador a serviço do golpe. Quanto mais gasolina no fogo, melhor.

Juntava-se a isso a decisão de Goulart de realizar monumentais comícios populares, onde assinaria, por decreto, as reformas negadas pelos deputados e senadores. Só fez um, a 13 de março, sexta-feira, no Rio, quando desapropriou terras ao longo das rodovias e ferrovias federais, encampando também as refinarias particulares de petróleo. Naquela noite, na Central do Brasil, e ironicamente diante do prédio do ministério da Guerra, discursaram revolucionariamente os principais líderes de esquerda: José Serra, presidente da União Nacional dos Estudantes, Dante Pelacani, dirigente do CGT, Miguel Arraes, governador de Pernambuco, Leonel Brizola, deputado federal, e outros. Cada orador sentia a necessidade de ir além do que pregara o antecessor.

Quando chegou a vez do presidente Goulart, não lhe restou alternativa senão superar os companheiros. Fez um discurso que os historiadores precisam resgatar. Uma espécie de grito de revolta diante das elites, a pregação da independência para os humildes e os explorados. O desfecho estava próximo, demonstrando que, do lado de cá do planeta, enquanto a esquerda faz barulho, a direita age. (Continua amanhã)

Marco Maia tem razão: teto é uma coisa, aposentadoria outra

Pedro do Coutto

Isabel Braga e Eliane Oliveira focalizaram, com destaque e objetividade, o debate aberto em face de projeto de emenda constitucional, me parece que da Mesa Diretora da Câmara, propondo alterar a legislação e permitir que funcionários aposentados, se retornarem ao trabalho, o que é permitido, possam receber o valor da aposentadoria mesmo ultrapassando o atual teto de remuneração, de 26 mil e 700 reais por mês. A reportagem foi publicada na edição de 22, de O Globo. A foto é de Ailton de Freitas.

Mesmo com o jornal tomando posição contrária no setor editorial, a matéria é bastante isenta, com as jornalistas ouvindo o deputado Marco Maia, presidente da Casa e também a ministra Miriam Belchior, titular do Planejamento. Marco Maia – penso eu – está certo no assunto, embora devesse ter articulado melhor a iniciativa, entrando em contato com a presidente Dilma Rousseff. Emendas constitucionais não necessitam da sanção da presidente para entrar em vigor, mas a chefe do executivo é quem tem a chave do Tesouro Nacional, é outra questão. Vamos por escalas.

Não há motivo para se debater o projeto como se estivesse no rumo de um escândalo ou de favorecimento ilegítimo. A emenda 41, de dezembro de 2003, limitou os vencimentos do Serviço Público, de modo geral, à remuneração funcional atribuída aos ministros do Supremo. Porém a emenda 47, de julho de 2005, posterior portanto à de número 41, alterou o princípio e, no seu artigo primeiro, definiu: Não serão computadas para efeito dos limites remuneratórios as parcelas indenizatórias previstas em lei.

Inclusive com base neste dispositivo excludente, a ministra Carmen Lúcia, do STF, informou que, pelo fato de se encontrar na presidência do Tribunal Superior Eleitoral, passou a receber mensalmente, não 26,7 mil, mas 33 mil reais. Foi absolutamente honesta, transparente e oportuna. A lei faculta que os ministros, convocados simultaneamente para o TSE, têm direito a receber o acréscimo, no caso de 7 mil reais. Perfeito. Se essa possibilidade se aplica a magistrados, deve-se, é claro, aplicar a servidores públicos, não só a magistrados.

É exatamente esta a atuação de ministro de estado que, porventura, tenham sido nomeados embora aposentados de cargos efetivos que ocuparam. Inclusive alguns aposentados por idade. Como foi o caso, por exemplo, do ministro Nelson Jobim. Aposentado do STF, ocupou o Ministério da Defesa nos governos Lula e Dilma Roussef. Perguntem a ele, os leitores deste site, se ele deixou de receber a complementação devida.

Marco Maia, na defesa da proposição que assinou, aprovada pela Comissão Especial da Câmara que examina todos os projetos da Mesa Diretora, pode usar esse, e inúmeros outros precedentes, como argumento válido e lícito. Não o fez até agora, francamente, não sei por quê. Será que não costuma ouvir a Consultoria Jurídica do Legislativo? É o que absurdamente parece. Este enfoque, entretanto, a que me refiro é setorial.

Vamos à escala geral. Alguém se aposenta, digamos com 20 mil reais por mês em qualquer dos poderes, e, aposentado, é convocado a trabalhar em outro, ganhando 10 mil. Não pode receber os 30 mil? Tem que ficar limitado a 26,7 mil reais? Não tem sentido. Não tem lógica. Aposentadoria ou pensão é um direito adquirido. Nada tem a ver com salário pelo exercício de um novo posto. O mesmo raciocínio cabe em dúvidas surgidas em torno da soma da aposentadoria com a pensão deixada pelo cônjuge falecido. Uma coisa nada tem a ver com outra. Tampouco com o teto. O teto refere-se aos vencimentos, não aos proventos. Marco Maia quer pacificar o problema. Não soube, apenas, explicar direito a matéria.

Maluf, Haddad e camburão

Sebastião Nery

Era um domingo, junho de 78. Pânico na Assembléia Legislativa de São Paulo. A fumaça invadiu o salão nobre, onde estavam sendo contados os votos da dramática convenção da Arena, que decidia se o candidato a ser referendado governador seria Paulo Maluf ou Laudo Natel.

Cláudio Lembo, presidente do partido, Olavo Drummond, procurador do Tribunal Regional do Trabalho, os deputados Cunha Bueno e Nabi Chedid, fiscais de Paulo Maluf e Laudo Natel, e o delegado Ribeti agarraram as duas urnas e saíram apressados para a sede do TRE, no Parque Anhembi.

Ninguém confiava em ninguém. Todos queriam ir em um carro só, para vigiar as urnas e os votos. Cinco passageiros e as duas urnas, não havia carro que desse. Entraram numa radiopatrulha parada em frente, um grande camburão, e tocaram para a Rua Francisca Miquelina.

No Viaduto Maria Paula, fechou o sinal, a radiopatrulha parou e os cinco ali dentro, amontoados, de olho nas urnas. Passava um crioulo, viu aqueles bacanas de terno e gravata dentro do camburão, abriu os dentes numa risada feliz e vingativa:

– Aí, seus brancões, chegou o dia de vocês!

O camburão arrancou com os brancões e o sonho de Laudo Natel. Maluf ganhou a convenção e a Assembléia o nomeou governador.

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GALDINO E HADDAD

Na campanha eleitoral de 76, o deputado José Bonifácio, o turbulento Zezinho de Barbacena, foi a uma pequena cidade do interior de Minas fazer a convenção da Arena para escolha do candidato a prefeito. Chegou lá, reuniu os líderes:

– Quando é que vai ser a reunião? E onde vai ser?

– O Galdino é quem sabe, deputado.

– Quem é o melhor candidato?

– É o Galdino, deputado. Não há ninguém para disputar com ele.

– Então não precisa haver reunião, nem eleição, nem nada. É só fazer a ata da convenção e o problema está resolvido.

Galdino chegou, discordou:

– Nada disso. Tem que haver convenção, disputa, urna, escolha em votação secreta e apuração. Se não for assim, não aceito a candidatura.

Fez-se a convenção, como Galdino queria, com urna e voto secreto. Resultado: em 31 votos, Galdino teve três. Tiveram que escolher outro.

Haddad é o Galdino do PT.

Paraguai representa a alma e a história da América do Sul.

Genilson Albuquerque Percinotto

Desde que obteve a independência, em 1811, o Paraguai iniciou um processo de isolamento das demais nações sul-americanas. Mas o seu grande momento naquele fatídico século XIX se iniciaria em setembro de 1840, ascendendo ao poder Carlos Antonio López, que promoveu um processo intenso e virtuoso de industrialização e investimentos em infraestrutura, construindo, inclusive, a primeira ferrovia na América do Sul.

Filho de Carlos Antonio López, Francisco Solano López assumiu a presidência em 1862, momento em que a promissora nação conseguia um elevado grau de desenvolvimento econômico e se destacava como uma verdadeira potência soberana regional em meio a um continente ainda obscurecido pelo espírito do colonialismo de renovados laços metropolitanos.

O pequeno país enfrentou Brasil, Argentina e Uruguai diante da pressão da metrópole imperialista, Inglaterra, que considerava estratégico o endividamento destes para a destruição daquele, rebelde e soberano.

A Guerra do Paraguai durou de 1865 a 1870, resultando na morte de metade da população paraguaia, desnecessária, mas cruel, destruição de toda a infraestrutura brilhantemente conquistada e perdas territoriais que em seu somatório condenaram o país e a região a um processo contínuo de subordinação.

No século XX, outro conflito marcante no qual o Paraguai esteve envolvido foi a Guerra do Chaco, entre 1932 e 1935, no seio de uma disputa territorial contra a Bolívia pelo Chaco Boreal, região petrolífera. E o Paraguai conquistou cerca de 75% da região disputada.Em 1936, oficiais liderados por Rafael Franco iniciaram a Revolução Febrerista, que realizou a reforma agrária e nacionalizou parte da economia, promovendo uma política populista. Porém, em 1937, Franco foi deposto pelos liberais.

Em seguida, o Paraguai passou por vários golpes políticos. Em 1954, com a queda do presidente Frederico Chávez e a posse do general Alfredo Stroessner, instalou-se uma ditadura no Paraguai, com o apoio do Partido Colorado. Somente em 1989 um golpe militar tirou do poder Stroessner, que se refugiou no Brasil. O líder do golpe, Andrés Rodríguez, elegeu-se presidente, restaurando a democracia.

O ex-bispo Fernando Lugo, em 2008, tornou-se presidente com 42,2% dos votos. Através da coalizão partidária Aliança Patriótica para a Mudança (APC), que reúne partidos de extrema esquerda e de centro-direita, findou-se a hegemonia do Partido Colorado, que governou o país durante 61 anos.

Em abril de 2009, o envolvimento de Lugo num escândalo de paternidade gerou uma grande crise política no país, que culminou na última sexta-feira, quando o presidente esquerdista, que jamais deteve a maioria no Congresso, sofreu um golpe sumário, apoiado pelos setores conservadores e saudosistas de mais de meio século de domínio indiscutível.

O Paraguai sempre ocupará uma posição estratégica em termos de energia, comércio (principalmente diante das vias paralelas de invasão chinesa), segurança e estabilidade, sendo ainda hoje peça chave para o ideal de construção de um bloco íntegro de nações sul-americanas para o enfrentamento e para a defesa dos interesses regionais no mundo neocolonial globalizado.

Todos esperam mais comprometimento da Justiça

Roberto Monteiro Pinho

No final do ano passado o então presidente do Conselho Nacional de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, ministro Cezar Peluso, afirmou, na abertura do V Encontro Nacional do Judiciário, que “o essencial é o que é perceptível pela sociedade”, lembrando o escritor francês Antoine de Saint-Exupéry, ao destacar que esse deve ser o foco do trabalho dos juízes e servidores do Judiciário no Brasil.

No encontro, houve a determinação de que “os tribunais brasileiros terão que julgar em 2012 uma quantidade maior de processos do que o número de ações que ingressarem no mesmo ano”. Mas como alcançar este objetivo? Seria apenas este o problema, a ser superado pelos julgadores, data vênia responsáveis pelo estrangulamento da Justiça? Como indicar das inúmeras situações que travam as ações e até mesmo criam o litígio, germinam no próprio cerne do judiciário.

Na Justiça do Trabalho, a desconsideração de negociação individual e a coletiva entre trabalhadores e empresas, quando não é prestigiada a negociação, invalidando-as, acaba criando passivos trabalhistas. E há ainda o empenho do TST em desconstituir penhoras online em contas de aposentadoria, insistentemente aplicadas e referendadas nos tribunais (TRTs), situação que mancha a credibilidade deste judiciário, tamanha a insensatez dos seus juízes.

Na coletiva realizada no TST pelo presidente ministro Orestes Dalazen, ele anunciou oficialmente o resultado da 2ª Semana da Execução Trabalhista, realizada no período de 11 a 15 de junho, revelando que foi pago um total de R$ 682 milhões em dívidas trabalhistas que tramitavam nos 24 Tribunais Regionais do Trabalho do país.

Avalio este resultado por dois aspectos: o de que houve uma concentração das conciliações e acordos numa só data, daí o comemorado número alcançado, formando assim a vitrine que demonstrou serviço, e por outro o simples fato de que os juízes trabalhistas foram instruídos a se empenharem mais no sentindo de forçar os acordos, e com isso, houve nítida tendência em que o polo ativo da demanda cedesse, alem do normal.

Em outras palavras, presumo que os juízes atuaram no sentido de trazer os acordos para melhorar a estatística do tribunal no quesito execução, o que refuto temerário por artificialidade, e ao mesmo tempo, um sinal de que a partir deste marco, os juízes passem a ser mais flexíveis em suas exigências para fechamento dos acordos.

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FLEXIBILIZAÇÃO

È notícia que no mundo inteiro a base do direito laboral está se transferindo da lei normativa para o contrato negociado. Isso ocorre na Inglaterra, Alemanha, Holanda, Nova Zelândia e vários outros países, sem escusar dos Estados Unidos, Japão, Tigres Asiáticos e outros, que não dispõe de tamanha complexidade judiciária para questões trabalhistas. Está claro e evidente que o governo brasileiro mantém um modelo de justiça laboral para atender seus próprios interesses, já que as empresas públicas e governos são os maiores litigantes e os que não honram suas dividas trabalhistas. Os processos contra a União, Estados, Municípios e as empresas públicas, são os mais antigos em tramitação na Justiça do Trabalho.

Mas parece que algo pode mudar, e para evitar o desgaste político, o governo orientou a CUT a convencer um grupo de líderes dos partidos a assumir a paternidade da proposta de flexibilizar as relações de trabalho. A principal mudança é permitir que sindicatos de trabalhadores e empresas pudessem negociar livremente a aplicação dos direitos trabalhistas.

Já existe um acordo que foi alinhavado entre representantes da CUT e o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência. Ficou acertado que a CUT (via Sindicato dos Metalúrgicos do ABC) vai encaminhar o projeto à Câmara, por meio de um parlamentar ou líder.

O “projetão” cria o Acordo Coletivo de Trabalho e estabelece regras para que os sindicatos possam negociar os direitos trabalhistas, exige que as entidades tenham habilitação prévia do Ministério do Trabalho e instalem comitês dentro das fábricas, eleitos pelos trabalhadores. A nova norma não revogaria a CLT e teria caráter facultativo, caso aprovada. Agora é preciso que se crie dispositivo, e que seja uma “blindagem”, para que os juízes trabalhistas não desmanchem o projeto, no caso de serem propostas ações trabalhistas pedindo a desconstituição desses acordos, como já vem ocorrendo na JT.

A respeito de Lula e de alianças espúrias

Felinto Ribeiro

Dizia o ex-presidente Vargas que nunca tinha encontrado um inimigo para não abraçar e um amigo para não desprezar, conforme as suas conveniências. O ex-presidente Lula está colocando em prática a teoria de Vargas.

O político não pode morrer de ódio nem de amores, ele tem que ser nem quente nem frio, sempre morno, não pode estar na extrema direita nem na estrema esquerda, deve manter-se no centro, porque as circunstâncias políticas são como as nuvens que se deslocam com muita facilidade.

As conveniências políticas transferem a posição de um indivíduo para outro. Fernando Collor na véspera de sua eleição para presidente da República, foi acusado de mandar uma ex-mulher de Lula para a televisão tecer comentários comprometedores contra o candidato do PT.

O líder dos marajás prometia fazer no Brasil uma república modelo, trouxe como seu anjo mal o PC Farias, que era o controlador da corrupção no governo. PC Farias foi assassinado, sua mulher Wilma Farias teve uma morte suspeita, e assim são os políticos brasileiro. Hoje Collor de Mello faz parte do PTB, que serve de suporte ao governo petista.

Os políticos fazem as suas negociatas. O caixa 2 com o dinheiro do contribuinte paga a conta. O eleitor, que deveria ser o patrão do político, passa a ser excluído de seus projetos, e os financiadores de campanha são os grandes privilegiados. No Brasil está tudo dominado e a estrutura política deixa muito a desejar. Renan Calheiros, líder do PMDB, foi acusado de corrupção, mas a maioria do Senado blindou o parlamentar. O Brasil inteiro está consciente da pratica de corrupção do Renan, mas seu partido e aliados não permitiram que ele respondesse pelos crimes.

Romero Jucá é acusado de oferecer fazendas fantasmas para o Banco da Amazônia como garantia de empréstimo. O senador José Sarney tem as suas façanhas com os atos secretos do Senado, com um passado de enriquecimento ilícito e nunca foi punido.

E assim vive o Brasil, com uma população adormecida, aguardando as eleições para receber alguns trocados pela venda de seu voto para eleger um Congresso Nacional que se torna apático e indiferente ao sofrimento de nosso povo nas filas dos hospitais, com as universidades sucateadas e tudo o mais.

A arrecadação do superávit primário é destinada ao pagamento de juros aos banqueiros e credores da dívida interna e externa. No ano passado foram pagos R$ 196 bilhões de juros, e assim permanece o Brasil com um Congresso alheio aos interesse nacional, defendendo apenas o interesse dos banqueiros e outros financiadores do Caixa 2.

O mundo está ficando menos monótono, mais interessante.

Paulo Solon

Hoje estamos sabendo que Mohammed Mursi, membro da Irmandade Muçulmana, ocupará o poder no Egito. É claro que não é o desfecho que Israel esperava com a queda de Mubarak. Eis porque o sionismo está apreensivo com o desenrolar da situação na Síria. Afinal, em Israel também existe aquele ditado: “Depois de mim virá quem bem de mim fará”. Mursi certamente se beneficiou da pregação de Mohammed Abdo (1849-1905), discípulo de Al Afghani, grande mufti do Egito no começo do século vinte.

Muita coisa vai acontecer. Vamos ver, por exemplo, o que a Irmandade Muçulmana vai fazer em relação à Saïka palestina na Síria. A Saïka, como se sabe, foi criada por Damasco como uma organização de resistência paramilitar à margem da central de resistência palestina, a O.L.P. Outras organizações de obediência pro Síria, sobretudo de extrema esquerda, geralmente incontroláveis, atuando de modo bem diferente do desejado pela O.L.P., provocam grandes represálias, afinal. algum controle, no entanto é obtido pelo governo al Assad.

Vamos ver o grande jogo. O conflito maior entre a lógica revolucionária e a lógica do Estado. A vitória, ainda que parcial, do Egito e da Síria em 1973 conquistou a revolução palestina que nem sequer tinha sido convidada a participar. E veio a demonstração, tanto do Cairo, como também de Damasco, do que foi chamado de “Injustiça histórica” do grito de guerra palestino condenando os supracitados governos e pretendendo que só a revolução poderia vencer Israel.

A Turquia pode se entender com Washington à vontade. Já passou a época do Império Otomano, assim como está findando a do Império Americano. O que se conhece como lógica do Estado é simplesmente o respeito pelas resoluções da ONU e também o cessar fogo, e as negociações com Israel para a obtenção de uma “paz justa e durável”. O problema é que nem Israel, nem a O.L.P., adotam a lógica do Estado. Esta última existe ainda, mas está na moita, aguardando o que vai acontecer, tal como a Fraternidade Mulçumana esteve (inclusive na clandestinidade) por 84 anos.

Para ser justo, nem mesmo a Síria seguiu a lógica do Estado, já que ela própria se proclamava Estado revolucionário. O apoio que o governo Erdogan tem dado de Istanbul (com n, e não com m) aos Estados Unidos em nada vai mudar a situação do Oriente Médio.

Oposição diz que EUA e o governo da Turquia são culpados pela desgraça dos sírios

Sayed Abdel-Maguid (Al-Ahram Weekly)

ANKARA – A secretária de Estado dos EUA Hillary Clinton tem muitos amigos em Istambul, cidade que visitou como primeira-dama do governo Clinton e, mais recentemente, como alta funcionária do governo Obama. Contudo, se olhasse pela janela de seu quarto de hotel na direção do Bósforo, veria o descontentamento que cresce nas ruas.

Na famosa Praça Taksin, em Istambul, secularistas protestam contra o apoio que o governo de Erdogan tem garantido às políticas dos EUA para a Síria; para muitos manifestantes, o que se vê acontecer hoje na Síria é efeito de plano dos norte-americanos, para gerar o caos na região.

A Associação da Juventude da Anatólia, que faz oposição cerrada ao Partido Justiça e Desenvolvimento, de Erdogan, não tem dúvidas de que o inferno que os sírios enfrentam hoje é, pelo menos em parte, efeito das políticas viciosas do atual governo turco.

Manifestantes que se reúnem próximo ao Monumento à República, em Istambul, chamam a atenção de todos os países árabes para o risco de não defenderem a Síria contra os EUA e para o que, para eles também, é efeito das políticas dos EUA para a região.

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ACUSAÇÕES À CIA

Alguns manifestantes acusam a CIA de apoiar o Exército Síria Livre, que combate contra as unidades legais do exército sírio.

Em praticamente todas as muitas manifestações de rua que agitam Istambul, veem-se secularistas preocupados com o futuro da região. Muitos são conhecidos opositores das políticas do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, cujo modelo de governo parece atender a todas as expectativas de Washington para a Turquia.

Tantos discursos de apoio ao governo de Al-Assad talvez soem estranhos a ouvidos ocidentais, sobretudo vindos de grupos secularistas, tradicionais opositores de governos apresentados no ocidente como de fundamento religioso, ou totalitários ou repressores. E essa não é a única anomalia que se vê na Turquia nos últimos dias: Israel também não vê com bons olhos a ‘mudança de regime’ que os EUA tentam promover na Síria.

Resultado desse cálculo regional, as políticas de Washington para a Síria não estão encontrando o apoio que Clinton esperava recolher na Turquia: grande parte da população turca culpa os EUA pela desgraça dos sírios; e Israel mais teme do que deseja o fim do governo de Assad.

Para o ex-ministro das Relações Exteriores da Turquia, Yasar Yakis, Israel está vendo com preocupação o rumo que as coisas vão tomando na Síria. Com a Fraternidade Muçulmana já tendo alcançado a maioria no Parlamento egípcio, Israel prefere continuar a enfrentar o governo laico de Assad a ter de enfrentar mais um governo islamita também na Síria.

A Fraternidade Muçulmana já começa a fazer barulho contra a influência de Israel no Sinai. Um governo de inclinação islamita na Síria devolveria à pauta a questão das Colinas do Golan – diz Yakis.

Parte significativa da elite turca está incorporada a esses protestos, porque os confrontos sectários que estão sendo estimulados na Síria, onde sunitas estão sendo empurrados contra xiitas, podem facilmente contaminar a Turquia e servir de combustível, num cenário mais amplo, para alimentar o movimento secessionista dos curdos.

Muitos turcos já temem que, se não se encontrar saída negociada para a Síria, a crise que daí advirá lançará ao caos toda a região.

Pela primeira vez, os diplomatas turcos parecem incapazes de formular ou defender qualquer política clara para a Síria. Ankara, que apoiou o levante inicial da oposição síria, talvez não encontre meios para perseverar em suas políticas atuais. Também no Parlamento turco já há forte oposição às políticas do ministro de Relações Exteriores de Erdogan, Ahmet Davutoglu, e vários partidos já falam abertamente em mudança no ministério.

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A QUESTÃO DOS CURDOS

A questão curda também é fonte de graves preocupações; e, desde o início da crise síria, vem aumentando na Turquia a influência do Partido dos Trabalhadores do Kurdistão (PKK). O partido PKK, com correligionários no norte do Iraque e aliados potenciais na Síria, passa a ter de ser ouvido mais atentamente.

Causou alarme entre os políticos turcos a notícia de que membros do Partido Baath que governa a Síria ter-se-iam reunido com líderes do PT curdo nas Montanhas Qandil. Para muitos, ainda é bem viva a lembrança de quando Ankara e Damasco constituíram uma frente unida contra os separatistas do PKK.

Agora, em vez de Síria e Turquia manipularem o PKK, é o PKK quem vai ganhando posição mais forte. Membros do PKK têm mantido encontros regulares com o presidente do Curdistão Iraquiano, Massoud Barzani – que já declarou que tem dois milhões de curdos sírios dispostos a levantar-se para depor o governo de Al-Assad na Síria.

Circulam também informações de que Barzani estaria treinando curdos sírios, em preparação para guerra de guerrilhas.

O governo sírio, por sua vez, também alarmado ante o risco de um levante dos curdos, prometeu autonomia e autogoverno aos curdos, em troca de desistirem dos projetos de agitação popular em suas áreas. Essas propostas foram apresentadas ao Partido Curdistão Democrático sírio, que se sabe que mantém laços íntimos com o PKK turco.

Agora, com os sauditas já tendo oferecido apoio aos sunitas sírios, e o Irã prometendo apoio aos xiitas sírios, a Síria já se precipita para uma perigosa guerra sectária – resultado absolutamente diferente do que os políticos turcos esperavam.

Ainda outra dificuldade diz respeito hoje aos alevitas, grupo étnico minoritário que vive na Turquia, estimado em cerca de mais de 10% da população nacional. Os alevitas não são alawitas, como a família al-Assad que governa a Síria, mas os dois grupos são frequentemente confundidos, porque ambos juraram fidelidade ao profeta Ali, fonte inspiracional de todo o Islã xiita. E nem alevitas nem alawitas confiam em sunitas.

Há quem preveja que no caso de haver confrontos entre alawitas e sunitas dentro da Síria – os quais podem começar a qualquer momento, e até por acidente –, os alevitas turcos abracem a causa dos alawitas sírios; mais um motivo pelo qual há quem recomende cautela máxima a Ankara, nas operações que envolvam a Síria.

Artigo enviado pelo jornalista Valter Xeu

Islamita ganha eleição no Egito, e os palestinos comemoram

Carlos Newton

A Junta Militar respeitou as pesquisas. Seu chefe, marechal Hussein Tantawi, anunciou neste domingo a vitória do candidato da Irmandade Muçulmana Mohammed Mursi nas eleições presidenciais.

“O marechal Hussein Tantawi parabeniza o doutor Mohammed Mursi por conquistar a presidência da república”, afirmou a rede de televisão estatal, fazendo com que milhares de egípcios lotassem a famosa praça Tahrir, no centro do Cairo, onde se concentraram as manifestações da chamada Primavera Árabe.

Militantes comemoraram a vitória de Mursi, agitando bandeiras e cartazes do líder islâmico. Segundo as agências de notícias France Press e Associated Press, “Deus é o maior” e “abaixo o regime militar” eram alguns dos slogans entoados pelos manifestantes, enquanto fogos de artifício eram lançados, depois que a comissão eleitoral declarou formalmente o candidato da Irmandade Muçulmana como vencedor.

A vitória de Mursi também foi comemorada pelos palestinos em Gaza, e o movimento islamita Hamas afirmou que era um “momento histórico”, porque o ex-ditador egípcio Hosni Mubarak colaborava com Israel no bloqueio de Gaza.

Agora, os palestinos estão otimistas de que o novo líder egípcio vai melhorar as relações com o empobrecido território de.Gaza, que tem uma faixa de 15 km de fronteira com o Egito no deserto do Sinai.