Independência só no fim do ano

Carlos Chagas

Alguns motivos terão levado a presidente Dilma a restringir a reforma ministerial ao preenchimento apenas de vagas em aberto, se é que algum dia pretendeu mudanças ampliadas em sua equipe de governo. O maior terá sido a avidez com que os partidos da base oficial lançaram-se à perspectiva de um troca-troca do qual pretendiam sair reforçados.

O jogo de pressões tinha começado, podendo até abalar a solidez do esquema parlamentar do governo. PMDB e PT imaginaram avançar nos ministérios das Cidades, do Trabalho, dos Transportes e da Agricultura. O PP ameaçou sair da base caso perdesse o ministério das Cidades, mesmo disposto a sacrificar Mário Negromonte. O PR aproveitou para forçar saída de Paulo Silva, desde que mantivesse o ministério dos Transportes.

Quaisquer que fossem as opções de Dilma, o quadro – de resto já precário – seria desarrumado. Além de a presidente não poder evitar a imagem de continuar prisioneira dos partidos e do fisiologismo, além da sombra do Lula, que, mesmo sem pretender, o transforma em condômino do poder. Sendo assim, Dilma ficou com as substituições já efetuadas ao longo de 2011, na Casa Civil, na Defesa, no Turismo, na Agricultura, nos Esportes e no Trabalho, além do roque entre Coordenação Política e Pesca, optando apenas por nomear os novos ministros da Educação, da Ciência e Tecnologia, do Trabalho e da Política para Mulheres.

Salvo engano, é claro, porque apenas na próxima semana as mudanças serão anunciadas. Parece certo que Aloísio Mercadante irá para a Educação, provável que Marco Antônio Raupp será ministro da Ciência e Tecnologia e possível que Vieira da Cunha para o Trabalho, ignorando-se quem seria nomeada ministra da Política para Mulheres.

Não sobrevindo surpresas, em especial nas Cidades, resume-se a isso a reforma ministerial. 2012 por enquanto não será o ano da independência. Talvez possa ser depois de conhecidos os resultados das eleições municipais de outubro.

Uma nuvem de tranqüilidade paira sobre o ministério, parecendo que não vai chover na próxima terça-feira, quando da reunião da equipe inteira com a chefona. Entre mortos e feridos, salvaram-se todos, ou quase. A pergunta que se faz é sobre as diretrizes de governo para o ano em curso, tema que prende mais as atenções da presidente da República do que a reforma ministerial.

Dívida familiar brasileira deve atingir 51% dos salários em 2012

Pedro do Coutto

Estudo da Consultoria Tendências, reportagem de Valdo Cruz e Sheila Damorim, Folha de São Paulo de terça-feira 10, revela que o endividamento das famílias brasileiras deve bater o recorde em 2012 e atingir 51% da massa salarial. Como o volume de salários oscila em torno de 1 trilhão e 100 bilhões de reais, as dívidas vão somar aproximadamente 550 bilhões.

Em 2011, acentua a matéria, corresponderam a 47% dos salários pagos no exercício. Não é difícil calcular o total da massa de vencimentos. A arrecadação do FGTS (8% das folhas) deve ter fechado em 61 bilhões de reais. Multiplicando-se por 12,5 podemos estimar o rendimento dos celetistas na escala de 750 bilhões. Mas há os servidores públicos e os prestadores de serviços, avulsos. Além disso, o rendimento do trabalho significa 35% do PIB.

A Consultoria Tendências produziu um gráfico comparando o comprometimento da renda dos assalariados brasileiros com os de outros países. Nos EUA, por exemplo, é de 124%. Como o PIB lá é de 15 trilhões de dólares e a massa salarial pesa 60% (o oposto da relação brasileira) conclui-se que as famílias norte-americanas devem 12,4 trilhões.

Mas é indispensável considerar que, em nosso país, são 60 milhões de famílias. Nos EUA 100 milhões de unidades familiares. A população lá é de 300 milhões de habitantes. Aqui de 200 milhões. Na França, a apropriação é de 99%. Na Alemanha de 97. No Reino Unido, a mais alta de todas, de 165%.

Mas ainda não é esta a questão essencial.A questão fundamental está na diferença dos juros cobrados. Nos EUA, de dois pontos apenas, ao ano. Em nosso país, há diversas taxas: 4% ao mês para o crédito junto aos bancos; 4,5% no comércio; de 6 a 8% nos cheques especiais. De 10 a 12% no refinanciamento de compras por cartões de crédito. Nossas taxas são mensais. Para uma inflação anual de 7%, como o IBGE revelou há poucos dias, os sistemas comercial e financeiro cobram quase dez vezes mais.

Muito diverso, portanto, torna-se o efeito das dívidas familiares brasileiras com as dívidas das famílias de outros países. No Brasil, os juros dos cheques especiais e dos cartões de crédito tornam os débitos na realidade impossíveis de resgatar. Uma calamidade. Tanto assim que a inadimplência subiu de 5,7, em 2010, para 7,3% do volume de crédito em 2011. A inadimplência, aliás, aumenta com a maior injeção de crédito no mercado.

Mantido o mesmo ritmo, agora, este ano, ela deve alcançar nível maior que o atingido no ano passado. Mas além desse aspecto, existe ainda um outro, consequência dos juros excessivos: a retração natural do consumo. Isso já se evidenciou no ano passado. As vendas cresceram 5% em relação a 2010, para uma inflação de 7 pontos que tem de ser somada, para efeito mercadológico, ao índice demográfico de 1,2%.

A comercialização, assim, recuou 2 pontos em relação à inflação e mais 1,2% tomando-se como base uma população dois milhões de pessoas maior. Esse é o panorama geral visto sob a lente de janeiro. A Tendências, na versão de Valdo Cruz e Sheila Damorim, assinala que a política do governo Dilma Rousseff joga na elevação do consumo para manter adequado o nível de emprego e o crescimento do PIB.

Porém, digo eu, para que o consumo atenda a meta desejada é indispensável uma revisão nos juros cobrados. Porque aplicar uma taxa que supera de longe o ritmo inflacionário não vai contribuir positivamente para a economia. Muito menos para o desenvolvimento do país. Os juros brasileiros são estratosféricos.

Acontece que eu sou baiano

Sebastião Nery

Magalhães Pinto saiu pelo interior de Minas, em 1960, fazendo sua campanha para governador do Estado, pela UDN, disputando com Tancredo Neves, do PSD, que derrotou. Com ele, assessor de imprensa, o jornalista Toninho Drummond, depois diretor da TV Globo em Brasília. Magalhães chegou a Santo Antonio do Monte. Começou o discurso:

– Esta é a minha cidade. Aqui… (e continuou).

Terminou, foi embora. Desceu em Lima Duarte:

– Esta é a minha cidade. Aqui…

Parou em Formiga:

– Esta é a minha cidade. Aqui…

Entrou carregado em Juiz de Fora :

– Esta é a minha cidade. Aqui…

Toninho não entendeu:

– Doutor Magalhães, de que cidade afinal o senhor é?

– Depois da campanha eu lhe conto.

E foi para Belo Horizonte. Sua cidade era Santo Antonio do Monte.

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ALCKMIN

O governador Alckmin, ilustre paulista de Pindamonhangaba, descendente dos árabes Alkmin de Bocaiúva, em Minas (em São Paulo, acrescentaram um charmoso “c” para parecerem quatrocentões do Viaduto do Chá), descobriu agora que não é nem paulista nem mineiro. É mais. É baiano:

– “Eu sou nordestino, sou baiano, disse em Recife. Quando a minha família veio de Portugal, da Espanha (podia ter dito também: “das Arábias”), ela veio para a Bahia, para Carinhanha, lá nas barrancas do rio São Francisco. Nasci em São Paulo, mas minhas raízes são nordestinas. Eu sou baiano” (Folha).

Assim, o conterrâneo Alckmin acaba ganhando meu voto. E o de Caimmy.

 

Agnaldo Timóteo reclama do tratamento dado pela Organização Globo às notícias sobre a prisão de Aniz Abrão David.

O vereador de São Paulo e cantor Agnaldo Timóteo enviou correspondência à Organização Globo e ao diretor de jornalismo da Rede Globo, reclamando a respeito da cobertura dada à prisão do bicheiro Aniz Abraão David, presidente da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis. O texto é o seguinte, na íntegra:

Senhor Presidente do Complexo Globo de Comunicação e brilhante Diretor de Jornalismo.

A REDE GLOBO DE TELEVISÃO, nas ultimas quatro décadas, tem sido a grande beneficiaria da força dos ex-bicheiros, hoje, empresários vitoriosos.
Essa pergunta não pode calar:

– Por que este portentado mundial, permite que os referidos empresários, milionários, sejam bombardeados pelas ambições políticas do Beltrame e da Marta?

Alguma dúvida que todos os impostos não recolhidos pelos ex-bicheiros, hoje empresários vitoriosos, repito, tiveram destinação social? Inclusive, dando condições de vida aos ex-apenados?

O que é isto Dr. José Roberto?

O que é isto meu diretor Schroder?

Por que tamanha omissão? Por que tanta covardia dentro de um regime democrático?

Que mal o Anísio e seus colegas, fizeram ao Rio de Janeiro para merecerem tamanho exibicionismo.

O apartamento comprado ao saudoso Dr. Roberto Marinho teria sido pago com dinheiro sujo? O que é isso, ilustres comandantes?

SOCORRO!

Com respeito, mas indignado.

AGNALDO TIMÓTEO
Cantor e Vereador

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NOTA DE REDAÇÃO – Timóteo, infelizmente, dirigiu a mensagem a José Roberto Marinho, filho de Roberto Marinho, mas que não é presidente da Organização Globo. Trabalhou um tempo na Rádio Globo, mas não passou disso. Quem manda mesmo na Organização é o João Roberto, que cuida diretamente do jornal. O outro irmão, Roberto Irineu, hipoteticamente dirige a Rede Globo, mas seu cargo é decorativo.

O outro destinatário está correto: é Carlos Henrique Schroder, diretor de Jornalismo e Esporte da Rede Globo.

O mais curioso da nota é a informação de que o luxuoso apartamento de cobertura onde Anísio hoje mora, na Av. Atlântica,  pertencia a Roberto Marinho, e a família não reclamou de ter recebido dinheiro fruto da contravenção.

A velha farsa da liberdade de comunicação

Welinton Naveira e Silva

As defesas da liberdade de expressão e de comunicação pela grande mídia, tão apregoada nas democracias capitalistas, nunca existiu plenamente, em lugar algum. É mais outra grande mentira do Sistema. Antes da liberdade de comunicação, muito antes, vêm os interesses das elites dominantes. Tudo que se publica e divulga na grande mídia, de um modo ou de outro, sempre passou pelo crivo da censura e/ou da autocensura, salvo exceções.

É bem verdade que sempre existiu gente de muita competência e de coragem incomum, que ousaram peitar as elites dominantes, publicando coisas desagradáveis aos seus inescrupulosos interesses e objetivos. Mas pagaram e continuam pagando, muito caro por ousar desafiar as instruções do Sistema.

Um dos muitos exemplos do alto preço pago ao desafiar as elites dominantes pode ser visto no brilhante jornalista Helio Fernandes e sua indomável Tribuna da Imprensa, que não bastassem as miseráveis perseguições e censuras exercidas pela ditadura militar, até hoje, em plena democracia, continua sem receber as devidas indenizações obtidas, após mais de 32 anos lutando na Justiça.

Por tudo que já presenciamos e tomamos conhecimento, é muita ingenuidade acreditar que poderia existir liberdade de comunicação e de livre expressão, exclusivamente nos diversos veículos da internet, controlada e monitorada por grandes corporações estrangeiras, compromissadas com os maiores interesses, estratégias e políticas dos EUA.

De há muito que já escutamos e constatamos da impossibilidade de enviar certos artigos via internet, exclusivamente por conta de seu teor político, nada condenável aos olhos de um homem maior. Portanto, a menos que o sistema capitalista venha encontrar, urgentes recursos para poder sair do grande atoleiro, econômico e financeiro em que se encontra, atolado até o pescoço, a censura em todos os meios de comunicação, principalmente na internet, será cada dia maior, mais feroz e intolerável. Faz parte da democracia capitalista, só não vê, quem não quer.

Armas e drogas, qual a origem?

Paulo Peres

Nas operações policiais realizadas em favelas do Rio de Janeiro têm sido apreendidas grandes quantidades de armas e munições, segundo as autoridades. Parte desse aparato bélico foi identificado como originário de corrupção policial ou militar, pelo tipo de armas, mas grande parte não tem essa origem.

Logo, resta-nos uma pergunta: sabendo-se que as favelas não produzem armas nem munições e que a quase totalidade desse equipamento não é fabricado no Rio de Janeiro, como se explica que grande quantidade de armas e munições tenha chegado às favelas?

O jurista Dalmo de Abreu Dallari explica que, “este material bélico não é coisa que se possa transportar nos bolsos ou em pequenas embalagens, fugindo facilmente à vigilância dos controladores. Não é por qualquer caminho que se pode transportar uma carga pesada e volumosa como são as armas e munições. Como se explica que os caminhos do crime não sejam conhecidos dos organismos policiais responsáveis pela vigilância e que não sejam eficientemente bloqueados?”

Segundo o jurista, isso é muito grave e está exigindo estudos e providências urgentes e efetivas das autoridades responsáveis, porque se aplica também à entrada de armas e de drogas no Brasil por regiões de fronteira, terrestre e marítima. Nestas existe um aparato de vigilância especializado, inclusive bem aparelhado e bem armado, para coibir o contrabando desses produtos.

Maliciosamente, tentou-se aproveitar essa falha de vigilância em proveito de grileiros de terras indígenas, alegando-se que por elas é que passava esse contrabando. “Todavia”, para Dalmo Dallari, “essa tentativa de justificar a invasão de áreas indígenas não se sustentou, pois, além de serem poucas as áreas ocupadas por índios em regiões de fronteira, qualquer pessoa familiarizada com a questão indígena, inclusive as autoridades que atuam nessa área, sabe que os índios seriam os primeiros a denunciar qualquer utilização de suas terras que perturbasse sua ocupação pacífica e coerente com suas tradições.

Aqui também fica aberta a dúvida: como se justifica que as autoridades responsáveis não conheçam e não bloqueiem os caminhos usados pelos criminosos?”

Outro ponto de dúvida, nessa mesma linha, salienta o jurista Dalmo de Abreu Dallari, “é o caminho percorrido pelos traficantes de drogas para que elas cheguem, em grande quantidade, às cracolândias situadas em pontos centrais de cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, por exemplo.

Aqui também cabe a mesma dúvida: como explicar o transporte, para aquelas e outras regiões da cidade, de grande quantidade de drogas, sem que os caminhos do crime sejam conhecidos e bloqueados? A mesma pergunta cabe também em relação a outras partes do Brasil, incluindo-se aí a passagem pelas fronteiras e o transporte interno para distribuição.

Quais os caminhos do crime para a consumação bem sucedida de seus objetivos, sem encontrar obstáculos eficientes que tornem, pelo menos, muito difícil a consecução de seus objetivos ilegais? Esse é um ponto fundamental que vem sendo objeto de indagações e preocupações em muitos lugares do Brasil.

“Existe algo a ser aperfeiçoado na legislação que prevê e determina a vigilância rigorosa e a coibição dessa caminhada criminosa?”, questiona Dalmo Dallari, “visto que os órgãos responsáveis pela defesa da sociedade nessas áreas são suficientes, estão bem aparelhados e contam com agentes bem treinados e conscientes de sua alta responsabilidade jurídica e social?”

O fechamento dos caminhos do crime é uma das prioridades do povo brasileiro e deve ser também prioridade das autoridades responsáveis, pois isso está diretamente ligado à garantia dos direitos fundamentais consagrados na Constituição, como o direito à vida, à saúde e à convivência pacífica voltada para o bem comum, fundamenta o jurista Dalmo de Abreu Dallari.

Contudo, a mídia não divulga como deveria, que os verdadeiros chefões do tráfico no Rio de Janeiro, que conseguem armas e drogas para para os seus súditos nas favela, não moram nelas, e o corrupto governador Sérgio Cabral sabe disso. Na Barra da Tijuca, por exemplo, moram muitos criminosos da elite: juízes, desembargadores, políticos, policiais, etc. E nunca ninguém pensou em enviar uma força policial é enviada para revistar os condomínios suspeitos

Na verdade, o pé de chinelo da favela é uma vítima do narcotráfico, porque as armas e as drogas, vale repetir, não nascem nessas comunidades. O que falta ser revelado são os países de suas origens, e isso parece ser segredo de estado para a mídia e para algumas autoridades, mancomunadas com essas atividades ilegais.  A impunidade reina.

Índice de reprovação do Judiciário é de 92,6%

Roberto Monteiro Pinho

Enquanto os juízes se preocupam com aumento dos seus salários, a contratação de mais servidores e reformar imóveis dos tribunais para seu conforto, (até porque, enquanto as varas e seus estacionamentos exclusivos ganham mais espaço), os corredores se estreitam, de forma que as condições ambientais são sufocantes, desconfortáveis e desiguais.

O fato é que a morosidade do Judiciário para solucionar os diversos conflitos que chegam aos 91 tribunais do país, de acordo com uma sondagem realizada no mês de março de 2010 pela Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), é o maior entrave apontado pelo brasileiro no item que trata da confiança da população na Justiça. Até então, com 70 milhões de processos ativos, o Judiciário brasileiro amargava seu pior momento, com a média geral, eis que 92,6% da população reprovam a Justiça no quesito celeridade. O levantamento faz parte do cálculo do Índice de Confiança na Justiça (ICJBrasil) do 1º trimestre de 2010, organizado pela Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que chegou a 5,9 pontos, em uma escala de 0 a 10.

Longe do tolerável, os índices apurados nas pesquisas decrescem a cada ano, a queda vertiginosa se deve a dois fatores: isolamento do Judiciário com a sociedade e a soberba de seus integrantes. Assim, a Igreja deu um gigantesco passo na preferência da população, quando marcou sua posição na disputa à presidência da Republica no segundo turno das eleições – passou de 7º lugar no ranking de confiança nas instituições para a 2ª posição.

Nesse trimestre 54% dos entrevistados disseram que a Igreja é uma instituição confiável, em comparação com os 34% segundo trimestre de 2010. Em contraposição, a confiança nos Partidos Políticos caiu de 21% para 8% no período, mantendo-se em última posição no ranking de confiança nas instituições. Com apenas 33% dos entrevistados dizendo que o Judiciário é uma instituição confiável, a instituição empata com a Polícia e ganha apenas do Congresso Nacional (20%) e dos Partidos Políticos (8%).

As outras instituições ficaram com os seguintes resultados no que diz respeito à confiança da população: Grandes Empresas (44%), Governo Federal (41%), Emissoras de TV (44%) e Imprensa Escrita (41%). As Forças Armadas continua sendo a instituição que conquista a maior confiança da população, 66% de respostas afirmativas.

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EM BELO HORIZONTE, 86,4% CRITICAM

Pesquisa realizada pelo Instituto Nexus, nos dias 29 e 30 de abril de 2011, na cidade de Belo Horizonte, avaliou a opinião dos mineiros em relação à imagem do Poder Judiciário. Foram entrevistados 221 moradores de Belo Horizonte, com mais de 16 anos. A margem de erro da pesquisa é de 6,7 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o intervalo de confiança de 95,5 %. Foi avaliado o nível de conhecimento e de confiança dos Tribunais Superiores que compõem o Poder Judiciário.

De acordo com o Instituto em um primeiro momento, a pesquisa analisou como a população enxerga o Poder Judiciário como um todo, e a opinião dos belo-horizontinos foram francamente desfavoráveis. Eis os resultados: 86,4% dos entrevistados consideram o Judiciário lento; 67,9% não transparente; 57,9% ineficiente; 56,1% sem credibilidade, 54,3% injusto e 50,2% não ético. Entre os Tribunais mais conhecidos estão o Tribunal Superior Eleitoral e o Tribunal Superior do Trabalho, ambos com 68,3% do conhecimento.

A imagem geral do Poder Judiciário também se revela negativa: 12,7% confiam totalmente no Poder, 63,8% confiam apenas em parte e 20,8% não confiam no Judiciário.

Faz sucesso na internet a declaração de Datena, dizendo que Boninho, diretor do BIg Brother, deveria ser preso

O jornalista Hildeberto Aleluia nos chama atenção para a extraordinária repercussão das declarações do apresentador José Luiz Datena, sobre o episódio do estupro no Big Brother Brasil. Convidado por Adriane Galisteu para dar sua opinião durante o programa “Muito+”, Datena  foi categórico: “Tinha que prender o diretor de programa da Rede Globo.”

Ele justificou dizendo que uma afiliada da Record foi tirada do ar por mostrar cenas de estupro durante um programa jornalístico. “Se a coisa fosse séria, tinha que prender o diretor, esse Boninho”, afirmou. “Mas não é.”

“A droga que é distribuída nessa porcaria desse programa aí, que é o álcool, é uma droga pesada e é a principal responsável por matar pessoas. Se você bota isso na televisão, bota um monte de meninos com os hormônios lá em cima e enche a cara de todo mundo, você está incitando que isso aconteça. Então a responsabilidade deveria ser primeiro de quem coloca o programa no ar, da Rede Globo de Televisão.”

O apresentador disse que a história toda parece ter sido “um grande golpe publicitário”, já que ninguém do canal foi preso.

“Você acha que alguém da TV Globo vai pra cadeia por causa disso? Evidente que não vai. Você acha que vão tirar o programa do ar? Evidente que não vai. Pode ser que dê um aperto no menino, no Daniel”, disse. “O resto é jogada comercial, o resto é jogada publicitária e é um verdadeiro absurdo. Esse tipo de programa estimula a sacanagem da molecada.”

Sobrou até para a emissora de Edir Macedo que, para Datena, não tem que falar mal da concorrência: “E a sacanagem daquela “Fazenda” lá? A única diferença é que o troço é atrás da moita em vez de ser no cafofo.”

Maratonas de hackers estimulam as inovações na internet

Hildeberto Aleluia

O ser humano é provido de um rosário de sentimentos nobres e uma penca de outros nada nobres, para não dizer mesquinhos, ultrajantes e sórdidos. Indivíduos são movidos, às vezes, por opiniões e atos estúpidos associados a oportunismo, preconceito, intolerância, estupidez, ganância, inveja, insensatez e vilania. Nada disso impede ou limita a sua capacidade criativa e sua força realizadora. Há um tipo que produz, realiza e dota a humanidade de trunfos sem precedentes na história do homem.

E no que diz respeito a tecnologias os exemplos são infinitos e quase diários. Um exército de homens criadores, privilegiados por neurônios férteis, não param de surpreender o mundo e dotar nossas vidas de instrumentos modernos e ágeis na chamada tecnologia da informação. Enquanto navegamos nesse mar de conhecimentos e novidades que tornou o mundo uma pequena caixa de fósforos, e sem fios, desconhecemos que existe um outro exército criativo produzindo e disseminando o vírus do mal.

Dotados de uma inteligência superior, indivíduos jovens, em sua imensa maioria homens, dedicam-se a criar e produzir, e a disseminar na rede uma família de vírus, causando estragos de toda ordem, e sobretudo prejudicando, roubando, atrasando, destruindo e infectando o trabalho de milhões de pessoas e empresas nos quatro cantos do planeta.

São eles os hackers ou crackers. Muitas vezes, sem objetivo definido, outras com o declarado intuito de roubar, dedicam-se com maestria a criarem programas perfeitos. O grande esforço da indústria da tecnologia da informação, hoje, além de criar, é encontrar uma fórmula salvadora, se é que ela existe mesmo, destinada a incorporar os hackers ao mundo legal.

Dessa forma, nos Estados Unidos, um grupo de pessoas e empresas se reúne, anualmente, coordenados por um blog, o TechCrunch, numa maratona conhecida como “hackatona”, como se fora um encontro de bandas musicais em local pré-escolhido e ali quem apresentar ou compuser na hora a melhor música leva o prêmio. Só que o troféu pode significar algumas dezenas de milhões de dólares.

Em junho de 2010, durante a maratona de hackers, realizada em Nova York, a hackatona, os fundadores da empresa GroupMe, dois jovens, Martocci (Steve) e Hecht (Jared), criaram em apenas 24 horas um serviço para enviar mensagens de textos para grupos. Alguns meses depois, a empresa Skype comprou o projeto pela bagatela de 80 milhões de dólares. Desde então, a Yahoo.com criou o Dia do Hack que é celebrado na hackatona.

Essas maratonas vêm deixando de serem encontros onde jovens se reúnem para fumar e beber, sem censuras, para se tornarem uma competição aberta e criativa entre programadores de computador, os hackers. Nesses encontros, eles criam aplicativos na hora e repassam para empreendedores que irão usar como plataformas em suas empresas iniciantes.

As grandes empresas gostaram da ideia e lá plantam seus olheiros nessa forma divertida e barata de inovar. Segundo o editor do site TechCrunch, de cada 100 projetos exibidos no palco da hackatona cerca de 70 costuma evoluir para algo e apenas 30 por cento viram projeto de verdade, e cinco costumam virar empresas.

A ideia não é nova. O site Facebook costuma realizar sua hackatona entre seus próprios funcionários a cada oito semanas em um determinado lugar escolhido pelos jovens empregados. Uma média de 300 funcionários costuma se inscrever para os encontros que levam 8 horas de duração. Já houve encontro que rendeu 50 projetos. Nem todos são aproveitáveis, mas em pelo menos em um nasceu o aplicativo “CURTIR” do Facebook.

Os investidores já descobriram este celeiro de oportunidades, assim como os governos das cidades americanas. O primeiro foi o da cidade de Nova York que lançou o concurso ReiventeNY.gov atualizando seu site, coisa que não era feita há cinco anos.

Acesse o Blog – http://aleluiaecia.blogspot.com

Continua a turnê nacional do jornalista Amaury Ribeiro Jr. para divulgar seu livro A Privataria Tucana,

Marcelo Delfino

Terça-feira, Amaury Ribeiro Jr. esteve na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, no Rio de Janeiro, num debate baseado no livro. O debate contou com a presença do sociólogo Emir Sader, do jornalista Fernando Brito (editor do Tijolaço de Brizola) e de Luiz Fernando Emediato, editor da Geração Editorial.

O debate foi aquela coisa positiva que se esperava. Ali se discutiu seriamente o processo de privataria da Era FHC, e tudo relacionado: pagamento de propina, enriquecimento ilícito, evasão de divisas, internação de dinheiro em paraísos fiscais, venda de empresas estratégicas com preços subfaturados e financiamento público, etc.

Não deixaram de ser citados nominalmente algumas das personalidades da privataria, destacando os dois principais personagens do livro: José Serra e seu tesoureiro de campanha Ricardo Sérgio. Também foram citados acusados pelo livro de lavagem de dinheiro, desde Paulo Maluf a Ricardo Teixeira.

Abriram espaço para seis pessoas fazerem perguntas para os quatro debatedores. Dentre eles, apareceu até um ex-funcionário de bancos estatais privatizados do Espírito Santo e do Distrito Federal, dizendo saber muita coisa podre sobre a privataria do banco capixaba. Apareceu também uma servidora da saúde do estado de São Paulo, para perguntar ao Amaury se ele tinha algum dado sobre as OSs que estão participando do processo de privatização da rede do SUS no estado hoje governado por Geraldo Akckmin. Amaury prometeu averiguar.

Também apareceu um aposentado do BNDES afirmando que os concursados do banco na época da privataria trabalharam honestamente em seu dia a dia sem participar das privatarias, no que a plateia concordou. O problema é que o cara trouxe um calhamaço de papel para tentar provar que a cúpula também não participou da bandalheira tucana, e que o processo não teve propinas.

No que foi rechaçado por muita gente, inclusive pelo Amaury. O aposentado também disse que o livro era incompleto e mal escrito, e não tinha linguagem acadêmica. Teve um cara da plateia que sugeriu ao aposentado que publicasse o calhamaço em livro ou que mandasse para Merval Pereira, ironicamente, um acadêmico, ao contrário de Amaury, que disse explicitamente que não é acadêmico, e sim jornalista.

Fui lá, mas não pude fazer as perguntas que queria. Além da falta de espaço, aquele debate estava cheio de adoradores de Lula, daqueles que não admitem sequer uma semelhança entre os governos tucanos e o governo lulo-dilmista, e não admitem sequer um questionamento a respeito do presidente Lula, mesmo de seus eleitores.

Havia exceções, claro. Conversei a sós com o ex-funcionário de bancos estatais, que concordou comigo no raciocínio de que o governo Lula-Dilma não está interessado em levar adiante as investigações sobre a privataria tucana, para fazerem a deles. Há parlamentares governistas interessados em participar da CPI sobre o assunto, mas pouca gente ou ninguém do governo propriamente dito quer apoiar.

Por fim, destaco algo dito por Amaury e seu editor. O problema não são as privatizações em geral, em todas as épocas e lugares do mundo. Pode-se ser a favor delas ou ser contrário, dependendo do caso. A privataria tucana é que tem todos aqueles problemas específicos: pagamento de propina, enriquecimento ilícito, evasão de divisas, internação de dinheiro em paraísos fiscais, venda de empresas estratégicas com preços subfaturados e financiamento público, etc. Coisas que devem ser rechaçadas por qualquer pessoa decente, independente do pensamento político que tenha.

www.mjdelfino.blogspot.com
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Os Estados Unidos, que se julgam a meca da Liberdade, preparam-se para censurar a internet.

No site Brasil Indomável, uma matéria de André o’Zaca mostra que a ameaça mais recente à liberdade está sendo arquitetada atualmente pelo Congresso americano, na forma de duas leis antipirataria na Internet, em discussão no Senado, ambas inconstitucionais

Os supostos objetivos destas leis seriam combater e erradicar da internet a pirataria de material com conteúdo protegido pelas leis de direitos autorais, tais como músicas, filmes etc. Por isso, seu processo de elaboração é feito sob um massivo lobby da indústria de gravadoras e produtoras de filmes de Hollywood e de outros setores interessados.

O jornalista André o’Zaca denuncia que corporações privadas terão o direito de tirar sites do ar sem o devido processo legal. Somente será necessário que estas corporações denunciem um site que alegadamente esteja disponibilizando a seus usuários o download de filmes, programas de TV e de músicas protegidos por direitos autorais.

Acontece que a maioria destes sites está fora da jurisdição dos EUA. Por isso, as leis que estão sendo elaboradas fazem uso de táticas diferentes:

* Elas dão ao governo o poder de fazer com que provedores de internet dos EUA bloqueiem o acesso a nomes de domínios de sites supostamente infratores.

* As leis também possibilitarão que se processem judicialmente sites de busca, blogs e fóruns para fazer com que estes removam links que direcionem a sites infratores.

* As leis darão às corporações e ao governo o poder de impedir que estes sites infratores tenham acesso a recursos financeiros, fazendo com que anunciantes e serviços de pagamento com base nos EUA cancelem suas contas com os mesmos.

* Usuários comuns poderão ser condenados a 5 anos de cadeia por postar qualquer conteúdo que seja protegido pelas leis de direitos autorais.

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YOUTUBE E FACEBOOK, COMO FICAM?

As novas leis antipirataria darão ao governo americano e às grandes corporações o poder de tirar do ar sites como o YouTube, que recebem conteúdo postado por seus usuários.

Caso este conteúdo viole os direitos autorais de uma terceira parte (como quando postamos um trecho de um filme, de uma música, ou até de uma pessoa desconhecida apenas cantando uma música, o site, e não mais o usuário que individualmente postou o conteúdo, é que será responsabilizado pela violação destes direitos.

Em consequência, estes sites serão obrigados a avaliar com antecedência todo conteúdo postado ou até mesmo a fechar contas e canais de usuários que só querem circular informação e se comunicar, limitando a abrangência dos maiores veículos de interação social e de divulgação de mídia do mundo, além de minar a criatividade de seus usuários. Isto cerceará o direito à liberdade de expressão de todas as pessoas que usam a Internet no planeta.

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FIM DA IMUNIDADE DO “PORTO SEGURO”

Nos últimos meses temos visto como sites como YouTube, Twitter e Facebook podem mudar a face do globo, literalmente. O seguinte trecho pertence a um artigo do New York Times:

“O YouTube, o Twitter e o Facebook têm tido um papel importante nos movimentos políticos, desde a Praça Tahrir até o Parque Zucotti. Atualmente, os serviços de redes sociais estão protegidos por uma provisão de ‘porto seguro’ da Lei de Direitos Autorais Milênio Digital, que garante a sites da Web imunidade contra processos judiciais desde que eles ajam de boa-fé para retirar conteúdo ilegal tão logo os detentores de seus direitos o identifiquem. A lei da Câmara de Representantes destrói esta imunidade, atribuindo ao YouTube a responsabilidade de verificar vídeos de forma antecipada, sob risco de este site sofrer ação judicial. Ela colocaria o Twitter numa posição similar a de seu primo chinês, o Weibo, sobre o qual foi reportado que são usadas cerca de mil pessoas para monitorar e censurar o conteúdo de seus usuários e para manter-se benquisto pelas autoridades.”

Não é preciso dizer mais nada.

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PROTESTO TEVE ADESÃO, AOS POUCOS

A Agência Reuters informa que grandes potências da Internet resolveram não aderir ao “apagão digital” realizado nesta quarta-feira em protesto contra um projeto de lei dos EUA que pune atos de pirataria eletrônica.

As principais adesões foram da enciclopédia eletrônica Wikipedia e do site de notícias sociais Reddit, que escureceram suas páginas para que os visitantes só pudessem encontrar informações sobre os dois projetos. Mas, aos poucos, os grandes sites, como Google, AOL,  Yahoo, eBay, Facebook e muitos outros registraram protestos.

As empresas de tecnologia em geral se mostram preocupadas com os projetos de lei, mas a baixa adesão ao protesto desta quarta-feira mostra que essas companhias não estão dispostas a sacrificar um dia do seu faturamento e ainda correrem o risco de atrair a fúria dos usuários por causa de um protesto cujo impacto sobre os congressistas é difícil de avaliar.

 

Juízes respiram aliviados: o homem dos R$ 282,9 milhões é um modesto servidor

Carlos Newton

A imprensa divulga que o presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Antonio Gustavo Rodrigues, enfim revelou que o servidor do Judiciário do Rio que aparece no relatório do órgão com movimentações financeiras atípicas de R$ 282,9 milhões é um ex-doleiro que já está sendo alvo de investigação da polícia.

“No fundo, boa parte da movimentação dessa pessoa é porque, antes de estar no Judiciário, ela tinha uma participação numa casa de câmbio, uma sociedade, e nos nossos bancos de dados ela apareceu com essas movimentações. Até pensei em ligar para o presidente da OAB do Rio para tranquilizá-lo de que, na verdade, as coisas não são tão assustadoras quanto parecem” – afirmou o presidente do Coaf na terça-feira, ao deixar a sede do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Rodrigues afirmou que o funcionário do Tribunal Regional do Trabalho do Rio já havia sido preso, mas não revelou sua identidade e nem a função que exerce no tribunal. Falta explicar agora como ele entrou no Tribunal: se fez concurso público ou foi “terceirizado”, como é moda hoje em dia, na admnistração pública.

Continua o mistério: quem é o corrupto felizardo que movimentou R$ 282 milhões e é ligado ao Tribunal Regional do Trabalho no Rio?

Carlos Newton

Na ansiada entrevista coletiva no Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro (TRT-RJ), segunda-feira, quem apareceu foi o vice-presidente Carlos Alberto Araujo Drummond, que disse não saber qual foi o magistrado ou servidor que movimentou, em 2002, R$ 282, 9 milhões.

A transação foi considerada atípica, segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), divulgado semana passada. As informações, que foram entregues pelo Coaf à Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), indicam que apenas uma pessoa do TRT-RJ movimentou a quantia.

São consideradas “transações atípicas” pelo Coaf as operações financeiras que fogem dos padrões bancários e do sistema de prevenção à lavagem de dinheiro. Entre 2000 e 2010, foram identificadas R$ 855,7 milhões de operações do tipo, feitas por juízes e servidores do Judiciário. E o caso mais grave foi Tribunal do Trabalho no Rio de Janeiro.

De acordo com o vice-presidente Drummond, o Tribunal já está pedindo esclarecimentos ao CNJ, porque as movimentações financeiras são protegidas por sigilo fiscal. “Seria crime se eu soubesse quem fez essas movimentações ou violasse qualquer sigilo fiscal” – disse Drummond, ressaltando que divulgará o nome do responsável pela transação atípica assim que o tribunal souber.

Como se sabe, na última sexta-feira a seção estadual da Ordem dos Advogados do Brasil enviou ofício ao TRT-RJ pedindo que o tribunal apresentasse quem realizou a transação milionária. Se for comprovada movimentação irregular ou ilícita de servidor ou de algum juiz, a OAB-RJ espera que o Ministério Público Federal abra investigações.

Para o presidente da OAB do Rio, Wadih Damous, o mais importante é que há magistrados que não resistem a um sistema de transparência. “Os indícios (de irregularidades) são muitos. Se constituem crime ou conduta irregular é o que queremos saber. Os juízes, a associação dos magistrados, em vez de clamar tanto por sigilo, deveriam clamar por publicidade. Como servidores, têm a obrigação da transparência, mostrar que não têm nada a temer. Mostrar que sua movimentação, mesmo atípica, foi regular” – declarou.

A corregedoria do Conselho Nacional de Justiça, que recebeu os dados sobre as movimentações irregulares, repassou na última sexta-feira as informações ao Supremo Tribunal Federal, que vai decidir se cassa ou não os poderes de investigação do órgão de controle do Judiciário, vejam a que ponto chegamos.

Agora, o presidente da OAB-RJ cansou de esperar a divulgação do nome do multimilionário do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região e anunciou que pretende acionar o Ministério Público para investigar as movimentações financeiras atípicas. É a pergunta que não quer calar: quem é esse funcionário ou magistrado tão sortudo em matéria de finanças. Deveria ser nomeado ministro da Fazenda. Ninguém  consegue mexer com dinheiro tão bem quanto ele, não é mesmo?

Sobre a expulsão de Miracapilo e Volcke

Carlos Chagas

Para os naturais, nos tempos do Brasil Colônia, chamava-se degredo. Depois, no recente período militar, virou banimento, justificativa para definir os presos políticos mandados para o exterior em troca da vida de seqüestrados. Hoje, acabou. Cidadão brasileiro não pode mais ser mandado embora do país. Para os estrangeiros, porém, continua valendo a expulsão, com a ressalva de que se casados com brasileiras, tendo filhos brasileiros, não podem ser expulsos.

Ignora-se o estado civil de Jerome Volcke, mas é certo de não ser casado com brasileira. Situa-se, assim, no rol dos estrangeiros que vivendo no Brasil, ou por aqui passando, devem ser expulsos por violar nossas leis ou adotar atitudes inconvenientes. Faz pouco voltou da Itália o padre Vito Miracapilo, expulso nos idos da ditadura castrense por se ter recusado a rezar missa de ação de graças pela passagem de mais um 31 de março.

Isso significa que, se for expulso agora, quem sabe Volcke retornará daqui a 40 anos? Não menos, porque entre ele e Miracapilo a distância é imensa. Um sofreu a discriminação do obscurantismo, outro precisa ser mandado embora porque, além de discriminar o Brasil, está se mostrando o mais obscuro dos nossos visitantes.

O assessor principal da Fifa precisa ser expulso o mais breve possível, apesar de ontem ainda se encontrar entre Brasília, Fortaleza e Salvador, recebido com todas as honras e mordomias. Por quê? Porque na presença do ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, fez imposições ao Congresso Nacional e ao governo da República, exigindo que se vote imediatamente a Lei da Copa, de acordo com os interesses da entidade que representa. Usou expressões duvidosas, como “estar na hora de parirmos a lei” ou de que “o bebê tem que nascer imediatamente”.

Suas exigências são inaceitáveis, em especial quando ameaça com o cancelamento da realização da Copa do Mundo de 2014 em nosso território, caso governo e Congresso brasileiros não se curvem às suas determinações. Quais? Violar a lei, acabando com a meia-entrada para estudantes e idosos. Vender bebidas alcoólicas nos estádios, desde que seja a cerveja patrocinadora da Fifa. Estabelecer que nas avenidas e ruas que demandam os estádios se proíba expor e comercializar produtos variados que não os autorizados por sua entidade. Assumir nosso país os ônus e as indenizações de erros praticados pela Fifa durante a realização do certame.

Uma tropa de ocupação não faria melhor do que esse pretenso interventor, se quisesse sufocar nossa soberania e humilhar-nos perante o mundo. Volcke deve ser expulso imediatamente, como jamais deveria ter sido o padre Vito Miracapilo.

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O SEGUNDO A SABER?

Ignora-se o conteúdo da conversa entre o vice-presidente Michel Temer e a presidente Dilma Rousseff, ontem. As indicações são de que ela participou a seu substituto as linhas gerais da reforma ministerial a se verificar nos próximos dias. Pode ser que sim, pode ser que não, mas se Temer já detiver o segredo das mudanças na equipe de governo, será a segunda pessoa. A primeira certamente foi o ex-presidente Lula, em encontro da semana passada.

Os pobres ministros à beira de um ataque de nervos aguardam a palavra do vice-presidente, quem sabe um gesto ou uma expressão facial, ainda que exista a hipótese dele saber tanto eles, ou seja, nada além da substituição de Fernando Haddad por Aloísio Mercadante.

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FALTAM ARTIGOS NO DECRETO

Louve-se o decreto assinado segunda-feira pela presidente Dilma, mudando o rito de licitação de outorgas para rádio e televisão, com mais exigências financeiras e técnicas. A partir de agora ficará mais difícil a políticos, deputados, senadores e seus laranjas obterem emissoras em troca do seu voto e do apoio ao governo no Congresso. Só participarão de licitações caso comprovem capacidade financeira e origem de seus recursos.

Trata-se de um bom começo, mas falta muita coisa. Por exemplo: a obrigação dos pretendentes às concessões em mãos de empresas falidas serem obrigadas a saldar suas dívidas, em especial as trabalhistas. Sem um plano de normalização dos débitos, nem poderiam candidatar-se. E se descumprissem o acordado, perderiam imediatamente a concessão. Numa palavra: são sucessores nos bônus e nos ônus, sem filigranas jurídicos…

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FOGO AMIGO MAS NEM TANTO

Queixou-se o renascido ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, de ter sido alvo de fogo amigo, nas últimas semanas, por conta das denúncias de irregularidades em seu ministério. Não deixa de ser singular esse diagnóstico, já que os amigos, em Pernambuco, parecem estar no Partido Socialista. Quem teria interesse nesse suposto bombardeio que só faria prejudicar os planos do governador Eduardo Campos? Ou está para acontecer o inevitável, ou seja, a declaração de guerra entre o PSB e o PT?

Lei Complementar não amplia, e sim reduz, os recursos para Saúde

Pedro do Coutto

A presidente Dilma Rousseff sancionou, com vetos, a lei complementar 141 traçando as diretrizes para o programa nacional de saúde em 2012. Está publicada no Diário Oficial de 16 de janeiro e, na realidade, não amplia os recursos a serem aplicados no setor e sim os reduz. Isso porque, em relação à lei orçamentária de 2011, ficou estabelecida a correção com base no percentual de crescimento do PIB. No caso algo em torno de 4,5%, mas não com base do PIB, e, como deveria ser, adicionado à taxa de inflação encontrada pelo IBGE (6,5 pontos) e também ao índice demográfico de 1,2%.

Neste caso, sim, os investimentos em 2012 seriam mais elevados que os efetuados no exercício passado. Como ficou, o volume concretamente diminuiu. Mesmo sem considerar o aumento da população (mais dois milhões de pessoas de um ano para outro), basta que se compare o PIB de 4,5 com a inflação de 6,5%. Não houve avanço. E sim retrocesso.Nas razões sobre os vetos aplicados encaminhadas pela presidente da República ao senador José Sarney, presidente do Congresso, ela assinala que foram aconselhados pelos ministros da Fazenda, Justiça e Planejamento, além de pelo advogado Geral da União. A visão financeira predominou sobre o ângulo social.

Os Estados e o DF terão de aplicar 12% de suas receitas. Os municípios, 15%. As percentagens estaduais e municipais são, como se vê, mais elevadas que a que rege as aplicações da União. Se o governo federal tivesse que destinar 12%, seriam praticamente 120 bilhões de reais.

Pela lei que entrou em vigor esta semana, aplicará apenas cerca de 82 bilhões. Em 2011, injetou 77 bilhões em números redondos. Como a nova lei só corrige (nominalmente) de acordo com o PIB, o resultado será a incidência de 4,5 pontos sobre 77 bilhões. Ilusório avanço. Deveria ser a soma de 4,5 ,mais 6,5 (inflação) e 1,2 (aumento do número de habitantes). Ou seja, 12,1%.

A lei exige mais dos governadores e prefeitos do que do governo central. Inclusive estados e municípios não poderão contabilizar para as respectivas metas de 12 e 15% as obras de saneamento e remoção de lixo. Os recursos (aliás, para o governo federal, também) terão que se destinar de forma total à universalização dos serviços de saúde.

Um dos dispositivos da lei, inclusive, (parágrafo 2º do artigo 5) determina que, em caso de variação negativa do PIB, o orçamento não poderá ser diminuido, em termos nominais, de um exercício para outro. Não é o caso de 2011 em relação a 2012. Mas poderá ser de 2012 para 2013. O resto é preventivo. Quanto à forma aparente, não relativamente ao conteúdo. Pois não está projetada, em momento algum, a atualização inflacionária. Lacuna grave essa.

Num país em que todos os preços são vinculados a algum indexador, a lei de meios, principalmente, deveria estar. Pois caso contrário, estará havendo redução disfarçada de valores. Que representa, como na questão salarial, a predominância do adjetivo sobre o substantivo. Cria, nesta questão, uma nítida inconstitucionalidade, porque a Constituição do país determina explicitamente o contrário. Proibe de forma explícita, porém o governo age em sentido contrário de forma implícita.

Razão pela qual os serviços públicos, caso da saúde e da educação, não se expandem nem em quantidade nem em qualidade. O projeto justo seria a expansão nos dois sentidos. Acontece invariavelmente o contrário. Uma pena que seja esta, no fundo, a visão brasileira do processo social. Em nosso país, o capital recebe tratamento muitíssimo melhor do que o ser humano. Deveria haver um equilíbrio entre os dois únicos fatores de produção. Mas não, apesar de vivermos dois milênios depois do cristianismo.

Um ministério para o PDT

Sebastião Nery

“No imenso palanque armado na Candelária (para o comício de encerramento da campanha de Lula, no Rio, no segundo turno de 1989), já se falava abertamente em ministeriáveis de um possível governo Lula.

Em nome de Brizola, Roberto D’Ávila veio me pedir que transmitisse a Lula a única reivindicação do PDT: o ministério da Fazenda. Perguntei ao amigo quem era o indicado pelo ex-governador:

– “Você não vai acreditar, mas ele mesmo gostaria de ser o ministro”.

O petista mais cotado para o posto era Aloizio Mercadante, que estava no avião (na volta para São Paulo) quando contei a Lula sobre o pedido de Brizola. Eu não saberia dizer qual dos dois ficou mais atônito”.

O dono dessa história e seu livro estão aí: Ricardo Kotscho (“Do Golpe ao Planalto – Uma Vida de Repórter”, Companhia das Letras, pag. 176).

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BRIZOLA

Imaginem o fuzuê que teria havido se Collor não tivesse derrotado Lula (49,94% contra 44,23%). Brizola ia cobrar o ministério da Fazenda na ponta da bota. E não era a primeira vez que ele queria o ministério da Fazenda.

Em dezembro de 63, quando João Goulart foi obrigado a tirar o conservador Carvalho Pinto do ministério da Fazenda por exigência dos banqueiros, que não aceitaram a Instrução nº 255 da Sumoc para combater a inflação, e por pressão dos Estados Unidos, que não admitiam a Lei da Remessa de Lucros, Brizola também exigiu o ministério da Fazenda.

Jango não deu (nomeou seu amigo gaúcho e ex-presidente do Banco do Brasil Nei Galvão), Brizola nunca perdoou, veio o golpe de 64 e os dois passaram doze anos exilados no Uruguai sem se falarem.

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LUPI

Como a história gosta mesmo de se repetir como farsa, desde a campanha o PDT vinha fazendo oposição cerrada a Lula. De repente, sem explicar por que, aderiu. E exige um ministério pelo apoio ao governo Lula.

Partido trabalhista, ao menos no nome, deveria querer o ministério do Trabalho, mas é uma pasta pobrezinha, maneja pouco dinheiro. O PDT já escolhera e “fechou questão”: queria o ministério da Previdência, cheio de grana.

Dizia-se no Planalto que Lula toparia, desde que o ministro fossea “seu amigo” Miro Teixeira. A direção do PDT nem quis ouvir falar. Desde que ele foi ministro das Comunicações no primeiro mandato, não confiam em Miro. O ministro “tem que ser” (falavam textualmente) Carlos Lupi, o presidente.

Agora, como ex-ministro, está de volta à presidência do partido.