Na avaliação dos russos, já se vê no horizonte uma nova guerra dos EUA no Oriente Médio

MK Bhadrakumar (transcrito do Indian Punchline)

A situação no Oriente Médio aproxima-se rapidamente do ponto crítico e o início do conflito já aparece nas cartas. Isso, em resumo, foi o que disse Nikolai Patrushev, secretário do Conselho de Segurança Nacional da Rússia (e ex-diretor do FSB, a organização que sucedeu a KGB) em entrevista à imprensa russa.

Patrushev é, sem dúvida, figura- chave do establishment político e das relações internacionais russas. Ninguém duvida de que falou bem refletidamente, com o objetivo de enunciar a profunda ansiedade do Kremlin, ante a evidência de que o mundo está a poucos passos de uma conflagração no Oriente Médio, de consequências imprevisíveis no plano da segurança regional e internacional e da política mundial.

Patrushev, É claro, tem acesso a inteligência de alto nível e falou baseado em dados que estão jorrando dos satélites e dos espiões e diplomatas russos. O Kremlin disparou um sinal de alerta.

As entrevistas foram dadas em idioma russo. Posso, portanto, reproduzir passagens. Patrushev disse: “Há informações de que membros da OTAN e de alguns estados árabes do Golfo Persa, agindo pelo cenário que se viu na Líbia, trabalham para transformar a atual interferência nas questões internas da Síria em intervenção militar direta.”

Foi específico. “As principais forças de ataque não serão francesas, nem britânicas nem italianas, mas, provavelmente, turcas.” Disse que o primeiro passo será criar uma zona aérea de exclusão sobre a Síria, para criar um santuário em território líbio próximo da fronteira turca, para entrada de mercenários que possam ser apresentados como rebeldes sírios. Em resumo, é intervenção ocidental ao estilo “líbio”,  e conduzida pela Turquia.

Patrushev disse que a escalada militar alcançará provavelmente também o Irã e há “real perigo” de ataque pelos EUA, destacando que tensões sobre a Síria, hoje, são, de fato, tensões relacionadas à questão iraniana. “Querem castigar Damasco, menos pela repressão à oposição e, mais, por a Síria ter-se recusado a romper relações com Teerã.”

Sobre a situação iraniana, Patrushev disse: “Já se veem sinais de escalada militar no conflito, e Israel está empurrando os americanos para a guerra. Há perigo real de um ataque militar norte-americano contra o Irã. Nesse momento, os EUA veem o Irã como seu principal problema. Querem converter o Irã, de inimigo, em parceiro apoiador; e, para conseguir isso, o plano é mudar o atual regime, pelos meios necessários.”

E qual será a provável resposta dos iranianos? Patrushev avalia: “Não se pode descartar que os iranianos sejam capazes de cumprir suas ameaças de suspender exportações do óleo saudita pelo Estreito de Ormuz[1], se sofrerem ataque militar direto.”

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POLÍTICAS DOS EUA PARA RÚSSIA, CHINA E ÍNDIA 

Patrushev também falou sobre as políticas dos EUA para Rússia, China e Índia. Disse que os EUA estão “persistentemente buscando manter sua dominação econômica, política e militar no mundo”. Põe sob essa luz a instalação dos sistemas de mísseis antibalísticos dos EUA na Europa.

“Hoje, [a instalação dos mísseis antibalísticos] talvez não seja grave ameaça à Rússia, mas o objetivo daquela ação, no longo prazo, é reduzir nosso potencial estratégico. Pelo que sei, os planos para uma barreira global de mísseis de defesa norte-americanos também estão sendo negativamente avaliados em Pequim.”

“Apesar das mudanças radicais no alinhamento global de forças, como resultado da modernização, os EUA insistem em manter sua dominação econômica, política e militar em todo o mundo. No presente, é importante para os EUA eliminar o que veem como ameaças a essa dominação – e ameaças que vêm da China, como creem os EUA.” (…)

Como “amigo de muito tempo” da Índia, Patrushev, evidentemente, não falaria contra a abordagem dos indianos e as atitudes de ‘sedução’ de Tio Sam. Em vez disso, falou da “vizinhança estendida” da Índia: “Simultaneamente, os EUA buscam acesso direto aos recursos e às facilidades de transporte na vasta área do Cáucaso, do Cáspio e da Ásia Central. Há inúmeras declarações de políticos norte-americanos sobre a necessidade de pôr sob controle dos EUA a energia, a água e outros recursos da Rússia.”

Mas, apesar de tudo, Patrushev não ignorou a importância que Moscou dá às relações Rússia-EUA, porque “os EUA são líderes do mundo ocidental e, faça a OTAN o que fizer, as estratégias da OTAN são sempre modeladas em Washington.”

Além disso, “nossos países [Rússia e EUA] têm vários e importantes interesses coincidentes em matéria de segurança. Por exemplo, estamos combatendo juntos contra o terrorismo, dentre outras coisas, ao tornar acessível a rota do norte, para atender as necessidades das forças dos EUA no Afeganistão; estamos enfrentando juntos o crime organizado e o comércio ilegal de armas, narcóticos e substâncias psicotrópicas, e cooperamos também na luta para manter a segurança das informações” – concluiu Patrushev, com boa dose do humor russo, ao acentuar o caráter profundíssimo da atual “parceria” entre Rússia e EUA.

Especialista em energia defende Belo Monte e diz que impacto ambiental da usina foi ferozmente reduzido.

Em entrevista à repórter Josette Goulart, do jornal Valor, e engenheira Virginia Parente, conselheira da Eletrobrás e pós-doutora em energia, professora do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo, defende a usina hidrelétrica de Belo Monte e do uso da Amazônia para gerar energia. E diz que o impacto ambiental da usina de Belo Monte foi “ferozmente reduzido”. Veja os principais trechos da entrevista.

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Ambientalmente a questão da hidreletricidade é bastante controversa, basta ver os protestos em torno de usinas como a de Belo Monte. Grandes hidrelétricas são ambientalmente justificáveis?

A hidreletricidade é mundialmente mais justificável do que energia gerada com qualquer combustível fóssil. Falo principalmente de óleos pesados, do próprio carvão, porque o efeito estufa é realidade e a energia é uma das principais fontes desse efeito. Se você tem energia ou algumas fontes que não causam efeito estufa e entre elas, a hidreletricidade, é claro que pula na linha de prioridade e fica na frente de outras. E mais uma vez com isso eu não quero dizer que ela não tenha problemas, porque tem. As novas renováveis, e estamos falando de eólica, biomassa moderna e energia solar, estão no varejo e não chegam a 3% da matriz mundial de oferta de energia. Então não se pode esperar resolver o problema de um mundo que está crescendo apenas com as novas renováveis.

O Brasil consegue gerar mais de 90% de sua energia com renovável e desse total 98% é hidrelétrica, então não dá para se ter o sonho de uma noite de verão achando que se vai substituir isso num passe de mágica. Isso significa que Belo Monte é um mal necessário?

Belo Monte tem características boas e, como qualquer hidrelétrica de grande porte, ressalvas. Não tenho dúvidas de que o Brasil precisa de projetos estruturantes e de grande porte do ponto de vista energético. Não chamaria nem de mal necessário, pois Belo Monte está sendo atacada de vários lados, pelos que não gostam e os que gostam de hidreletricidade. Os que gostam porque acreditam que com as concessões ambientais feitas vai se gerar pouca energia. Mas não é pouca, são 4.500 MW de energia firme. Se pensar em Santo Antonio e Jirau, nenhum dos dois projetos chega a 4.000 MW. As Organizações Não-Governamentais (ONGs), boa parte delas internacionais, criticam Belo Monte pelo fato de estar localizada em meio a Floresta Amazônica.

É preciso explorar a Amazônia?

O meu olhar sobre a Amazônia é a de que ela não é intocável. O cuidado é que tem que ser irretocável. O que significa que não se pode fazer um aproveitamento na Amazônia só do ponto de vista econômico, ou seja, pegar um rio ou um pequeno bioma e destruir. Colocar dez hidrelétricas em uma mesma região. Um estudo do WWF mostra que os rios funcionam como veias que drenam toda a floresta e se cortamos todas as veias, a região apodrece. Então não se pode usar a lógica apenas econômica. Mas a Amazônia não pode ser intocável do ponto de vista hidrelétrico.

No caso de Belo Monte, e até das usinas do Madeira, números como o retorno do investimento não chegaram ao conhecimento dos acionistas, mesmo depois de todos os contratos de fornecimento fechados. Não falta transparência?

É possível que essa seja uma área que precisemos apertar mais, para que a comunicação melhore. Não é fácil comandar uma empresa que tem tantas pautas e o governo como um dos principais acionistas. É preciso satisfazer gregos e troianos e não perder eficiência. E controlar para que custos não fujam ao que foi planejado. E em uma empresa como a Eletrobras, com tradição maior em engenharia do que em economia, esse é um grande desafio. Eu pedi muitas explicações, como conselheira, da participação da Eletrobras em Belo Monte e essas informações me foram dadas. E pedi um olhar multidisciplinar: sociológico, de assistência social, de indenização justa, de minimização de impactos, de prioridade, enfim, precisamos começar mesmo por esse projeto?. Fiz um ‘check list’ de coisas que gostaria de saber para ser convencida, antes de dar um parecer favorável. E eu fui convencida.

Que argumentos foram mais fortes para lhe convencer?

Sobretudo o de que não vai se fazer uma usina usurária. Você tem 11 mil MW instalados para aproveitar um terço disso, justamente porque se abre mão de muitos impactos ambientais, que foram reduzidos. Foram extremamente reduzidos. Ferozmente reduzidos. A ponto de ter sido questionado, tecnicamente, se valia à pena construí-la. Vale, porque o Brasil precisa de quantidades expressivas de energia. O Brasil tem uma legislação ambiental das mais rigorosas do mundo, então aprovar milhares de projetos em picadinho é muito complicado. E com Belo Monte se tem, em uma tacada, quantidade de energia que dá segurança energética ao sistema. Uma Pequena Central Hidrelétrica, por exemplo, vai até no máximo 50 MW. Precisaríamos de 300 PCHs para equivaler a uma Belo Monte. Imagina aprovar 300 projetos, encontrar 300 rios aproveitáveis, fazer com que 300 pequenas obras ficassem prontas ao mesmo tempo. E sem contar que elas custariam duas ou três vezes por unidade de energia o preço do megawatt da grande hidrelétrica.

Esse pensamento vale para a eólica?

A eólica tem uma questão mais grave em relação à intermitência e falta de um histórico maior de medição de vento. Não se tem ainda certeza do fluxo de energia. E mesmo que se tenha, a eólica exige um ‘back up’. Para preservar água no reservatório, por exemplo. Onde vai estocar a energia eólica? Bateria é impensável. Não existe essa tecnologia. A água é a forma de estocar logo, ainda precisamos desse mix de energia, que reduz riscos de abastecimento. Mas é fato que nossa eólica está se comportando quase como uma energia de atacado. Começou com pequenas fazendas e agora elas estão tão grandes que quase são comparadas a hidrelétricas de médio porte. Aí surge outra questão que é como equacionar essa energia que vai entrar nos sistemas de transmissão. Esse é o novo desafio da energia eólica. Estamos falando de parques que vão produzir 250 MW, 100 MW de uma vez. São quantidades expressivas e têm impacto na rede de transmissão. E não temos tradição de transmitir energia eólica nesse montante. Nem o mundo tem.

Anita Leocádia parece estar equivocada em relação à imagem do pai, Luiz Carlos Prestes

Carlos Newton

Em artigo publicado no jornal “Brasil de Fato”, Anita Leocadia Prestes queixou-se da banalização da imagem de seu pai, Luiz Carlos Prestes, pelos meios de comunicação. Leia o artigo.

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Já se passaram mais de 20 anos do desaparecimento de Luiz Carlos Prestes. Tendo sido sempre coerente consigo mesmo e com os ideais revolucionários a que dedicou sua vida, sem jamais se dobrar diante de interesses menores ou de caráter pessoal, Prestes despertou o ódio dos donos do poder, que se esforçaram por criar uma História Oficial deturpadora tanto de sua trajetória política quanto da história brasileira contemporânea.

Mesmo após seu falecimento, Prestes continua a incomodar os donos do poder, o que se verifica pelo fato de sua vida e suas atitudes não deixarem de serem atacadas e/ou deturpadas, com insistência aparentemente surpreendente, uma vez que se trata de uma liderança do passado, que não mais está disputando qualquer espaço político.

Num país em que praticamente inexiste uma memória histórica, em que os donos do poder sempre tiveram força suficiente para impedir que essa memória histórica fosse cultivada, presenciamos um esforço sutil, mas constante, desenvolvido através de modernos e possantes meios de comunicação, de dificultar às novas gerações o conhecimento da vida e da luta de homens como Luiz Carlos Prestes, cujo passado pode servir de exemplo para os jovens de hoje.

Atualmente tornou-se difícil e pouco convincente recorrer aos antigos expedientes para satanizar os comunistas: acusá-los de “comer criancinhas assadas na brasa”, de defender a “coletivização das mulheres”, de renegar a família, de desrespeitar as freiras, etc. etc. Hoje os expedientes são outros, mais de acordo com os novos tempos.

No caso de Prestes – o mais conhecido e o mais respeitado comunista brasileiro -, por tantos anos caluniado ou silenciado, uma nova tática de desmoralização foi adotada pelos grandes meios de comunicação, comprometidos com os interesses das classes dominantes.

Na impossibilidade de questionar sua reconhecida honestidade, assim como sua fidelidade aos princípios revolucionários por que sempre pautou sua existência, o novo expediente consiste na banalização de sua imagem.

Procura-se desviar a atenção do público do legado político e revolucionário de Luiz Carlos Prestes, chamando a atenção para aspectos de sua vida privada, tentando apresentá-lo apenas como um homem comum e inofensivo, portanto, para os poderosos deste país.

Da mesma maneira do que se passou há alguns anos atrás, com a ampla divulgação do filme “O Velho” – que apresentava Prestes como um comunista fracassado e dedicado a cultivar rosas -, agora a Revista de História da Biblioteca Nacional presta sua contribuição ao esforço de banalização da imagem de Prestes pelos grandes meios de comunicação.

Reproduz na capa de sua edição de janeiro de 2012, mês do aniversário natalício de Prestes, foto sua tirada em uma praia, com trajes de banho. Para isso, contou com a lamentável colaboração da viúva do personagem retratado, num flagrante desrespeito à sua vontade e à sua memória.

Todos que conviveram com Prestes sabem que ele não admitia confundir sua vida privada com suas atividades públicas e jamais concordaria com a publicação de semelhante foto na imprensa. Prestes era um homem sóbrio, que detestava qualquer gesto de exibicionismo, qualquer atitude na vida privada que pudesse vir a prejudicar sua atuação como dirigente comunista e revolucionário.

Frente à nova tática dos grandes meios de comunicação, voltados hoje para o expediente da banalização da imagem de revolucionários como Prestes e Guevara – cuja imagem vem sendo mercantilizada pelos donos do capital -, é necessário que todos aqueles, homens e mulheres, comprometidos com a luta pelo socialismo em nossa terra, reforcem a vigilância de classe e procurem contribuir para que o legado revolucionário desses grandes lutadores se torne acessível aos jovens de hoje, aos futuros combatentes de amanhã.

Anita Leocadia Prestes

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PARTIDÃO APOIA ANITA

Carta pessoal de Ivan Pinheiro, presidente do Partido Comunista Brasileiro,  a Anita Leocádia Prestes:

A publicação de uma foto do camarada Luiz Carlos Prestes em trajes de praia no jornal mais reacionário do nosso país (que deveríamos voltar a chamar de The Globe, como outrora) me deixou perplexo.

De início, feliz, por ver o incansável Velho num raro momento de justo descanso. Não dá para perceber o ano em que a foto foi tomada, mas sabemos que ele nunca teve uma vida tranquila.Mas comecei a me indignar quando percebi que a foto foi imposta a Prestes. Cochilando, com um chapéu que lhe cobre os olhos, é óbvio que ele não se deixou fotografar naquele momento íntimo; a foto foi tirada à sua revelia.

Acho natural e saudável que entre amigos e familiares de confiança registremos nossos momentos de descontração, de relaxamento.Mas não é ético que uma foto reservada, como que roubada a uma pessoa (que talvez nunca a tenha visto!) seja tornada pública por quem a possuia. E se trata de uma foto de alguém falecido, que não pode concordar nem discordar de sua publicação.

Prestes não era um desses medíocres “famosos” globais cujas fotos íntimas aparecem nas ridículas revistas com que se manipulam as pessoas simples para sonharem com a possibilidade de também virem a ser ricas, bonitas e famosas.Prestes foi um revolucionário, um dos mais importantes da história.

O diário oficial do imperialismo no Brasil certamente não escolheu esta foto para homenagear o Cavaleiro da Esperança, que sem sombra de dúvidas foi o brasileiro mais perseguido e satanizado por este monopólio.Desta forma, Anita, solidarizo-me pessoalmente com você, compartilhando a justa indignação diante desta (vã) tentativa de banalizar a imagem de Prestes.

Ivan Pinheiro

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Comentário de Carlos Newton:

Infelizmente, Prestes não está mais aqui para se posicionar sobre a própria imagem. Mas é possível lembrar seu pensamento, através da última entrevista que concedeu, poucos dias antes de morrer, à jornalista Jussara Martins, do Correio Braziliense.

Na matéria, Prestes disse ter parado de assistir à novela “Kananga do Japão” , da TV Manchete, na qual era um dos personagens principais, e estava sendo exibida à época. O líder comunista explicou que ficou indignado com o autor da novela, porque houve uma cena em que o pergonagem Prestes aparecia na praia de terno e gravata. Por isso, parou de assistir à novela.

Na entrevista, o líder comunista disse que a cena era absurda, porque ele ia normalmente à praia como qualquer outra pessoa, jamais apareceria de terno e gravata. E acrescentou que os policiais de Vargas não conseguiam prendê-lo justamente porque se vestia como uma pessoa normal e se misturava com o povo.

Anita Leocádia, é claro, idolatra a memória do pai. Ivan Pinheiro, também. Mas qual é o problema de se publicar uma foto de Prestes de calção de banho? Na verdade, isso apenas humaniza o líder comunista e mostra o ser humano extraordinário que ele era.

Num país onde a lei nem sempre é igual para todos, pelo menos a Lei Seca trata a todos igualmente.

Milton Corrêa da Costa

Passados três anos e meio da entrada em vigor da Lei Seca, ela vem mostrando que não distingue gregos e troianos. Num país onde burlar as leis é sempre rotina e mau exemplo, a Lei Seca continua surpreendendo os que a descumprem, aí incluídas autoridades e celebridades, ainda que a recusa de submissão ao teste do bafômetro venha também se tornando uma regra, como um caso ocorrido, no último final de semana, no Rio, envolvendo um deputado estadual.

Políticos de renome, autoridades governamentais, como o caso de um subsecretário de estado do Rio de Janeiro – alcoolizado ao volante, praticou homicídio – celebridades, artistas, cantores, apresentadores de TV, famosos jogadores de futebol e até magistrados já foram incursos nas penalidades previstas pela dura lei.

Vale esclarecer que são os seguintes os diferentes procedimentos de comprovação da direção alcoolizada: etiloteste (bafômetro), exame de sangue, exame médico-pericial (auto de exame de embriaguez); teste da saliva (ainda não aplicado em território nacional), outros exames técnico-científicos e a própria prova testemunhal, conforme prevista no parágrafo segundo do Artigo 277 do CTB ( redação dada pela Lei Seca), detectada e relatada pelos agentes e autoridades de trânsito através dos notórios sinais de embriaguez apresentados condutor: fala desarticulada, hálito etílico, andar trôpego e descoordenado, roupas em desalinho, comportamento exaltado, estado de torpor etc.

A margem de tolerância para a infração administrativa é de dois decigramas de álcool por litro de sangue, o equivalente, no teste do bafômetro, a 0,1 mg de álcool por litro de ar expelido dos pulmões. Por outro lado, a concentração igual ou superior a seis decigramas de álcool, ou 0,3 mg acusados no bafômetro, configura a infração penal que prevê pena de detenção de seis meses a três anos, multa e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.

A lei prevê as penalidades de multa (R$ 957,70), suspensão do direito de dirigir pelo prazo de 12 meses, além de frequência obrigatória a curso de reciclagem de motoristas infratores, com carga horária de 30 horas/aula.

O médico José Mauro Braz Lima, professor da UFRJ, em sua obra científica “Alcoologia – uma visão sistêmica dos problemas relacionados ao uso do álcool”, explica que uma dose padrão de 300 ml de cerveja (uma latinha tem 350 mg) atinge, em média, no organismo humano, a taxa de teor alcoólico da ordem de dois decigramas por litro de sangue ou 0,1 mg por litro de ar expelido dos pulmões.. Uma dose de vinho. de 150 ml ou uma de uísque de 40 ml, também atingem a dosagem de dois decigramas. O estudioso afirma ainda que a concentração de 4 a 6 dg ou 0,2 a 0,3 mg no bafômetro é suficiente para duplicar o risco de acidentes. De 6 a 10 decigramas ou 0,3 a 0,5 mg o risco de acidentes triplica.

Aqui vale também recordar uma decisão tomada pela 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, que manteve uma ação penal contra um condutor que apresentava sinais claros de embriaguez numa fiscalização de trânsito em Mato Grosso, e não havia bafômetro. No entendimento dos ministros, a autoridade e seus agentes têm autonomia para relatar a embriaguez. Ou seja, não é necessário que se estabeleça nem a dosagem alcoólica mínima de 6 dg de álcool para o enquadramento do infrator. E aquela turma do STJ fez apenas fez corroborar o já previsto na Lei Seca: a prova testemunhal pelos sinais da alcoolemia.

A recusa à submissão ao teste do bafômetro depõe contra o próprio condutor. Quem cumpre a lei, está ao volante e não bebeu, nada tem a temer. É cristalino, na jurispudência de tribunais do mundo, o entendimento de que o direito individual não pode sobrepujar-se ao interesse (maior) coletivo.

Não importa se você sempre bebeu, dirigiu e nunca bateu. A Lei 11.705/08 surgiu para evitar tragédias.

Escândalo com dinheiro público: TRT do Rio precisa explicar movimentação atípica de R$ 282,9 milhões

Roberto Monteiro Pinho

Como se não bastassem às agruras sofridas pelos que litigam no Judiciário trabalhista, onde sob a soberba de seus integrantes, a lentidão se tornou uma cultura sedimentada ad eterna, a sociedade amarga mais uma vez, outro escândalo, – o de suposto desvio de dinheiro público, que teve origem, a partir de 2002, quando ocorreu o incêndio que destruiu os 13° e 14° andares da sede do TRT do Rio de Janeiro, conforme denúncia veiculada nos principais órgãos de imprensa escrita e eletrônica do país.

Tudo partiu após a conclusão de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), enviado à Corregedora Geral do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em fevereiro de 2011. R|evelou que foram identificadas movimentações financeiras “atípicas” de R$ 855,7 milhões de 3.426 juízes e servidores do Poder Judiciário entre 2000 e 2010. De acordo com o documento enviado pelo Coaf (órgão de inteligência financeira do Ministério da Fazenda) à corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon, não indicou nomes ou CPFs individualmente – somente mencionou o volume e a natureza das chamadas movimentações atípicas dentre os magistrados e servidores sujeitos à fiscalização do Conselho Nacional de Justiça.

Ao que tudo indica “uma nuvem negra” paira no céu do Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro, e a situação não é nada alentadora, eis que as denÚncias estão embasadas em documentos fáticos e de fácil entendimento. Segundo fonte do Coaf, (que é composto entre outros, por membros do corpo de inteligência do governo), não existe a menor possibilidade de nenhum dois titulares envolvidos escaparem da responsabilidade. De acordo com o relatório do Coaf, as movimentações consideradas atípicas foram realizadas por meio de depósitos, saques, pedidos de provisionamento, emissão de cheques administrativos e transferências bancárias.

O documento explicita que, “as pessoas relacionadas receberam depósitos em espécie, em suas respectivas contas, de cerca de R$ 77,1 milhões e efetuaram, em contas de terceiros, depósitos, também em espécie, da ordem de R$ 29,7 milhões”.

Segundo ainda o Coaf, as movimentações atípicas concentram-se em tribunais dos estados de São Paulo (R$ 169,7 milhões), Rio de Janeiro (R$ 149,3 milhões) e Bahia (R$ 145,4 milhões).

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OAB EXIGE EXPLICAÇÕES

Diante do quadro alarmante, nesta semana o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Rio (OAB-RJ), Wadih Damous, encaminhou ofício à presidente do Tribunal Regional do Trabalho do Rio, Maria de Lourdes Sallaberry, pedindo explicações e a identificação do responsável por ter feito 16 movimentações financeiras no órgão, em 2002, totalizando R$ 282,9 milhões.

O site da OAB publicou a matéria, onde o dirigente, (…) destacou que em todas as democracias, o Poder Judiciário, mais do que qualquer outro, não pode tolerar suspeitas sobre a conduta dos seus membros. “O cidadão comum espera do juiz um comportamento irrepreensível, transparente e obediente aos mais rígidos preceitos éticos”. E acrescentou: “causa perplexidade a todos nós saber que servidores públicos, sobretudo magistrados, tiveram movimentações aparentemente inexplicáveis em suas contas bancárias”. Se não irônico, oportuno, autoridades do Judiciário e do Executivo dos setores de orçamento, planejamento e controle interno defendem, como fatores fundamentais para a adequada e eficiente administração dos órgãos de Justiça, a elaboração e execução de planejamentos estratégicos, o cumprimento da legislação, a melhoria dos gastos e a transparência na gestão pública.

Essas “condicionantes” foram destaques no I Seminário sobre a Gestão Orçamentária e Financeira dos Tribunais, realizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no mês de abril de 2010, no Auditório do Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília. Na palestra de encerramento do seminário, presidida pelo conselheiro Jefferson Kravchychyn, o secretário de Prevenção da Corrupção e Informação Estratégica da Controladoria Geral da União (CGU), Mário Vinícius Claussen Spinelli, defendeu o acesso da população a informações públicas como uma das principais ferramentas de combate à corrupção e de aprimoramento da transparência nos tribunais.

O encontro foi dirigido a presidentes e assessores técnicos dos 91 tribunais do país com o objetivo de analisar as atuais questões sobre orçamento visando o aumento do grau de eficiência da gestão e de transparência das contas do Judiciário.

O ex-corregedor nacional de Justiça, ministro Gilson Dipp, falou sobre “Gestão orçamentária e financeira dos tribunais na visão da Corregedoria Nacional de Justiça”. Durante a palestra, ele solicitou empenho dos servidores para aquilo que chamou de “grave problema” no Judiciário: a má administração dos recursos públicos. – se não sabia o que está por vir, o douto ministro vaticinou o quadro que assistimos.

Lula vai com Haddad até o fim

Carlos Chagas

Estava nos cálculos do Lula, conforme confidência de companheiros mais chegados a ele: neste começo de ano seria desencadeada, como está sendo, campanha para a defenestração de Fernando Haddad a candidato à prefeitura de São Paulo. Seria o derradeiro esforço de alguns petistas e de muitos adversários para desestabilizar a indicação do ainda ministro da Educação. Não erra quem supuser Marta Suplicy na manobra. Ela perdeu a chance de candidatar-se, foi humilhada e acumulou mágoas sem conta por ter sido preterida. Estaria dando o troco, agora.

Não é de graça que a blitz contra Haddad começou antes de iniciada a reforma ministerial da presidente Dilma. Dessa confusão artificial bem que poderia sobrar um ministério para a senadora. Jamais a Educação, mas por que não Ciência e Tecnologia?

De todas essas marolas detectadas nos últimos dias sobressai uma evidência: o Lula não abrirá mão da candidatura de Haddad, que lançou antes de o PT paulista organizar-se. Obteve, como comandante em chefe, a adesão dos que o seguem sem pestanejar e até dos que pensaram mas não tiveram tempo de reagir à imposição. Como iria, agora, ao sinal de uma conspiração parecida com o Exercito Brancaleone, dar o dito pelo não dito e aceitar que o ministro seja lançado ao mar como carga supérflua?

Até porque, o ex-presidente pouco tem errado em suas indicações eleitorais. Ai está o exemplo de Dilma Rousseff, que quando apontada candidata à sucessão presidencial, despertou em muitos companheiros sorrisos de superioridade, mas emplacou de forma indiscutível por força da liderança do chefe. O mesmo acontecerá, prevê o Lula, com a candidatura de Fernando Haddad. Se vai dar certo, só o futuro dirá, mas substituí-lo, nem pensar.

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UM PRESIDENTE OU UM CANTOR DE ÓPERA?

Quando pela primeira vez candidato à presidência dos Estados Unidos, em 1932, Franklin Roosevelt sofreu ampla resistência de alguns democratas e de todos os republicanos: como a América escolheria para governá-la um aleijado, um político que nem podia andar, fruto da paralisia infantil? Com muito humor ele rebateu, indagando se queriam um presidente da República ou um corredor da maratona.

Vem agora alguns desocupados para imaginar a próxima sucessão, por enquanto impossível de ser detectada, supondo que se Dilma não pleitear a reeleição, o Lula não poderia tornar-se candidato por conta do câncer na garganta, que provavelmente afetará sua voz, deixando-o rouco. Seria o caso de perguntar se querem no palácio do Planalto um cantor de ópera ou um presidente da República…

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ME ENGANA QUE EU GOSTO

Líderes do PMDB, do PT e de outros partidos da base oficial estão trocando idéias para, dizem eles, aprovar ainda este ano pelo menos uma fatia da reforma política. Falam do financiamento público das campanhas, iniciativa que proibiria as doações particulares para candidatos, limitando ao máximo a famigerada Caixa Dois.

O problema é que a proposta vem sendo debatida de mentirinha há muitos anos, pois jamais deputados e senadores votariam a extinção das doações eleitorais, passaporte para a sobrevivência de todos.

Como é preciso enganar a opinião pública, dando a impressão de que cuidam da reforma política, em mais um lance de prestidigitação, Suas Excelências preparam uma armadilha. Pensam estabelecer que o financiamento público das campanhas só entraria em vigor caso aprovado em plebiscito nacional. Voltam-se, assim, para a opinião pública, que jamais consideraram, sabendo que a maioria do eleitorado estranharia a entrega de dinheiro público para os políticos quando falta para saúde, educação, saneamento, segurança e muita coisa a mais. Acresce que já prevêem esse plebiscito para 2014, quer dizer, mesmo se por milagre aprovado, o financiamento público só valeria para as eleições de 2018.

Traduzindo: até lá as doações e o Caixa Dois ficariam valendo.

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QUEM PARTE E REPARTE FICA COM A MELHOR PARTE

Vamos imaginar uma empresa privada que no fim do ano registrou um lucro de 549 milhões de reais, mas na hora de distribuir dividendos a seus acionistas, destinou-lhes apenas 170 milhões. A diferença, de 379 milhões, ficou para ser repartida entre seus diretores.

Uma operação dessas determinaria a indignação dos acionistas, seguida de ações na Justiça, cadeia para os diretores e até o fechamento da empresa.

Pois é exatamente o que aconteceu em dezembro passado, quando dezenas de milhões de brasileiros separaram um dinheirinho para jogar na mega-sena da virada, totalizando 549 milhões arrecadados em todo o país. Só que o prêmio, por sinal dividido entre cinco felizardos, totalizou 170 milhões.

O resto, quer dizer, 379 milhões, o gato comeu, ou seja, o governo embolsou, como tem feito inúmeros governos anteriores. E não se culpe a Caixa Econômica, operadora dos sorteios, porque a decisão de dividir o bolo dessa forma canhestra veio de cima, há tempos, e continua prevalecendo. Se pelo menos essa diferença tiver sido usada para atender os carentes e os miseráveis, ainda será desculpável. Mas garantir, quem garante?

Marcelo Serrado é um ótimo ator e seu compromisso é com a arte

Pedro do Coutto

Na edição de 13 de Janeiro da Folha de São Paulo, o professor e diplomata Alexandre Vidal Porto publicou artigo criticando fortemente o ator Marcelo Serrado por ter afirmado à coluna de Mônica Bérgamo que não gostaria que sua filha, de 10 anos, assistisse na TV a um beijo gay.

Marcelo Serrado é um ator muito bom e seu compromisso é com a arte, de modo geral, e com a interpretação de seus personagens em particular. Vive o homossexual Crô na novela de Aguinaldo Silva, alcançando êxito reconhecido por todos. Viveu, ao longo da carreira, diversos outros papeis. Está brilhante na representação do homossexual sufocado por dúvidas e pela tentativa impossível de passar para o sexo feminino.

Ao responder uma pergunta de Mônica, domingo 8, Serrado apenas disse que não gostaria que sua filha visse um beijo gay na tela. O diplomata, de forma não diplomática, acusa Serrado de homofobia. Não é nada disso. O ator apenas achou o beijo gay (na boca) algo demais para uma menina de dez anos assistir. Não para a arte. São coisas distintas.

A aproximação gay, e o beijo na boca, está presente na história do teatro e do cinema. Por sinal as duas únicas manifestações artísticas que focalizam o comportamento humano, além do sentimento transmitido pela música que, inclusive, encontra-se presente tanto na tela quanto no palco. Está numa das versões cinematográficas sobre Oscar Wilde, quando interpretado por Peter Fisher. Está nas Horas, inspirado em Virgínia Woolf. Encontra-se, neste caso de forma agressiva, no Panorama Visto da Ponte, de Arthur Miller. Na peça de Sartre, Huis Clos, entre duas mulheres. Enfim os exemplos são muitos.

Existem centenas de interpretações homossexuais a que Alexandre Vidal Porto poderia se referir e nenhuma delas significa nem rejeição, tampouco apologia ou propaganda do homossexualismo. Dois grandes atores, como Richard Burton e Rex Harrison, viveram tal situação na arte. Encontra-se homossexualismo em Toda Nudez Será Castigada, de Nelson Rodrigues, envolvendo um dos personagens. Está no Beijo no Asfalto. Aparece em Perdidos na Noite, aproximando John Voight e Dustin Hofman.

Serrado não condenou homossexuais ou homossexualismo. Ele está seguindo com grande brilho a história de Aguinaldo Silva e a direção de Wolf Maia. Que deseja o articulista? Que ele recusasse o papel? Ou que Aguinaldo tivesse escrito outra história? Esse é um problema que os artistas, especialmente os autores, enfrentam. Os críticos não se conformam em analisar. Em muitos casos tentam arrasar a obra propondo mudanças até no conteúdo.

Nesta hipótese, seria um outro romance, um outro ensaio, um outro filme, uma outra peça. Ao tocar neste ponto, me veio à lembrança uma excelente reportagem publicada no Jornal do Comércio há alguns anos, reproduzindo longo artigo do intelectual Silvio Romero contra Dom Casmurro, de Machado de Assis. Silvio Romero, aliás, detestava toda a obra machadiana.

Li com atenção porque meu avô, Pedro do Coutto, historiador, também fizera restrições, aliás sem razão, à obra machadiana. Silvio Romero via inconsistência em tudo, expressão que utilizou ao comentar o desempenho dos personagens entre as páginas e as linhas do bruxo do Cosme Velho. Nenhum servia, nenhum convencia, nenhum era real. Como se personagens tivessem a obrigação de serem reais. Não há necessidade disso.

Os personagens e a arte estão em cada esquina, em cada praça, em cada residência, em cada local de trabalho. Existem. Ninguém, nem Shakespeare, escreveu até hoje algo que não tenha acontecido. Mover as situações é outro assunto.O articulista da Folha confundiu o personagem com o ator que o desempenha. Errou. Apreciar beijo gay não tem a ver com tudo isso.

O Bosco da PUC

Sebastião Nery

Às 20 horas de 13 de dezembro de 1968, em Recife, no auditório da Universidade Católica, o estudante de Direito Bosco Barreto (João Bosco Braga Barreto), paraibano, orador da turma, começava o discurso de formatura fazendo comovida e entusiástica saudação ao “grande comandante revolucionário Ernesto Che Guevara”, que morrera um ano antes.

Muito azar. Naquele exato momento, em todas as rádios e TVs, Costa e Silva apavorava o País, lançando o AI-5 (Ato Institucional nº 5), jogando a Nação no mais fundo porão da ditadura. De manhã cedo, o Exército mandou buscar em casa “o Bosco da PUC”. Erraram de Bosco. Em vez do Bosco Barreto, o orador da turma de Direito, levaram o Bosco Tenório, também “Bosco da PUC”, aluno da PUC, jovem vereador recém-eleito de Recife. No quartel, foi recebido pelo major Raimundo Sá Peixoto.

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BOSCO TENÓRIO

Desafiante, com o discurso na mão, o major lia uma frase e interrogava:

– Senhor Bosco, o senhor confirma este elogio desbragado a Che Guevara que o senhor fez ontem no seu discurso?

– Não confirmo não, major.

– Como não confirma? O senhor está louco? O senhor falou ontem à noite e hoje de manhã já não confirma? E este trecho aqui, o senhor confirma?

E o major Peixoto leu mais um longo pedaço do discurso e perguntou:

– E isso, confirma ou não confirma? Não sustenta o que disse ontem?

– Major, eu até concordo com o discurso que o senhor está lendo. Mas não confirmo nem sustento, porque não fui eu que disse isso. Quem falou foi o orador da formatura. Como é que eu podia ser orador de formatura, se não me formei e ainda sou estudante? Esse Bosco aí é outro Bosco, major.

O major quase esganou o Bosco numero 2. Em outubro de 69, o Bosco Tenório, valente vereador do MDB de Recife, hoje advogado, foi cassado.

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BOSCO BARRETO

O Bosco Barreto, formado, voltou para sua terra, Cajazeiras, na Paraíba. Advogado dos camponeses fugidos da seca e do povão das periferias, ganhou enorme popularidade. Em 72, saiu candidato a prefeito pelo MDB, quase ganhou. Logo em seguida, organizou uma romaria a Juazeiro do Norte para agradecer os votos ao Padre Cícero. 30 mil romeiros atrás dele, todos a pé.

Em 74, Bosco Barreto se elegeu deputado estadual pelo MDB, com 9.326 votos, quase todos em Cajazeiras. Mas havia alguém muito importante que não gostava nada dele, e que ele também detestava e se combatiam: era o bispo de Cajazeiras por 40 anos, dom Zacarias Rolim de Moura.

Culto, dedicado ao ensino, diretor de colégios e do seminário, criador da Faculdade de Filosofia, dom Zacarias era um poço de conservadorismo e reacionarismo, crítico de dom Helder Câmara e dom José Maria Pires, o dom Pelé arcebispo de João Pessoa, e inimigo da Teologia da Libertação.

De repente, em 2 de julho de 75, às 21 horas, durante a exibição do filme Sublime Renúncia, que contava a história de um assalto a banco com bomba-relógio, uma bomba poderosa explodiu no cinema de Cajazeiras, abalando a cidade de 30 mil habitantes, matando duas pessoas, ferindo muitos.

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DOM ROLIM

Escândalo nacional, em plena ditadura. A bomba explodiu exatamente ao lado da cadeira cativa do bispo, apaixonado por cinema, que escolhia os filmes em Recife e levava para lá. Naquela noite, por sorte, estava em Recife.

– “Atentado terrorista”, gritaram os jornais. O primeiro “suspeito” de organizar o atentado tinha que ser ele, o “subversivo” deputado Bosco Barreto. Outros suspeitos foram à linha-dura militar, para desestabilizar a “abertura” do general Geisel, como mais tarde fizeram no Riocentro e na OAB, no Rio.

Dez anos depois, já morando em Brasília, como advogado do CNPq e suplente de senador, Bosco Braga tentou reabrir o caso, mas nada se apurou.

Essa história está toda em um livro sobre a política da Paraíba e do Nordeste (Do Bico de Pena à Urna Eletrônica – Editora Bagaço, Recife, 2006), de Francisco Cartaxo Rolim, paraibano de Cajazeiras, advogado, economista, escritor, secretario de Planejamento do Estado, chefe de gabinete da Sudene e parente de dom Zacarias Rolim.

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DIRCEU

José Dirceu, embora tenha aprendido em Cuba, também não instala bomba. Muito menos embaixo de bispo. Mas insiste em dizer que era um “Bosco da PUC”: quem fazia nunca era ele, era sempre o outro. Quem criou e comandou o Mensalão, para comprar a maioria da Câmara, não foi ele, foi o “fazendeiro” Delúbio.

Até que afinal o Supremo Tribunal vai começar a julgar a “quadrilha” dos 40, cuja “cabeça” era Dirceu, com Waldemar Costa Neto, João Paulo Cunha, José Mentor, o Professor Luizinho, a Baleia Amarela, mensaleiros, cuequeiros, sanguessugas e aloprados.

Filho do ministro Fernando Bezerra puxou ao pai e liberou emenda para empresa com endereço fantasma

Carlos Newton

Era só o que faltava. Uma empresa com um endereço fantasma foi a segunda maior beneficiária de emendas destinadas em 2011 pelo deputado federal Fernando Filho (PSB-PE) ao Ministério da Integração Nacional, comandado pelo pai, Fernando Bezerra Coelho, informa reportagem de Breno Costa, publicada na Folha.

Criada em 2009, a CSSA Construtora São Salvador está registrada no endereço de uma oficina mecânica, em Juazeiro (BA). Uma ponte separa a cidade de Petrolina (PE), base eleitoral dos Coelho.

A Codevasf apresentou contrato de locação de uma sala comercial, a R$ 130 mensais, para negar que a empresa CSSA Construtora São Salvador seja fantasma. Pelo contrato, a sala fica num posto de gasolina. O endereço é o mesmo onde a reportagem encontrou uma oficina.

Como se sabe, o ministro Fernando Bezerra Coelho tem sido alvo nas últimas semanas por suspeitas de que teria beneficiado Pernambuco (Estado governado pelo seu partido, o PSB, e onde fica sua base política ) com verbas para a prevenção de enchentes.

Ele afirma que as acusações são infundadas, com origem no acirramento eleitoral. E defende o filho, pois quem sai aos seus não degenera, como diz o ditado popular.

A Ditadura do Pedágio Urbano

Antônio Ribas Paiva

A presidente da República sancionou a Lei de Mobilidade Urbana, que faculta a criação de pedágios urbanos, para restringir a livre circulação de veículos particulares e, supostamente, incentivar o uso do transporte coletivo.

Na realidade, a famigerada lei, inadvertidamente sancionada, apenas oprime e espolia as pessoas, cerceando-lhes o direito de ir e vir, além de promover o confisco tributário, porque todos os proprietários de veículos automotores já pagam o IPVA.

Além disso, não existe transporte coletivo suficiente. Em São Paulo, todos os meios de transporte coletivo conseguem transportar apenas metade dos passageiros. Os automóveis transportam, diariamente, 12 milhões de pessoas, que não têm outra opção.

É evidente o absurdo e a inconstitucionalidade da lei de (i)mobilidade urbana! O foco do legislador foi promover a ditadura do controle social, através do regramento excessivo, para beneficiar empresas terceirizadas, arrecadar tributos, para a farra da classe política, além de obter gordas contribuições para as campanhas eleitorais.

Esses “pacotes” de controle social são formatados pelo Instituto Tavistock de Londres, para implementar medidas do poder mundial, no Brasil e no mundo. Buenos Aires também tem os 20 pontos na carteira e Teerã o seu rodízio de veículos. A mesma receita da mesma origem.

A classe política e a presidente da República precisam ser lembrados que “democracia é segurança do direito”, o que inexiste no Brasil. A Constituição é constantemente desrespeitada pelas autoridades que amiúde revogam seus artigos.

Nesse caso, a lei faz letra morta dos princípios constitucionais da razoabilidade, moralidade, proporcionalidade, eficiência e legalidade, (art. 37 CF), além de triturar os direitos individuais dos cidadãos (art. 5º CF).

A presidente da República, certamente, foi induzida a erro, ao sancionar tal aberração “legiferante”. Todos sabem que contrariar a Constituição Federal para implementar no Brasil, medidas de interesse internacional consubstancia ato típico do artigo 85 da Constituição Federal, que trata da responsabilidade do Presidente da República.

O Estado existe para proteger as pessoas e não para oprimi-las e espoliá-las, como nesse caso. Com todo o respeito, não se pode admitir, que a presidente da República, primeira árbitra da Nação, sancione leis contrárias ao pleno exercício da cidadania.

Abaixo a Ditadura do Controle Social!

(Transcrito do blog Alerta Total. Antônio José Ribas Paiva,
advogado, é presidente do grupo de estudos
União Nacionalista Democrática).

Aguarda-se com ansiedade a explicação do Tribunal do Trabalho no Rio sobre as movimentações financeiras atípicas.

Carlos Newton

A Justiça Trabalhista saiu do recesso e a imprensa não dá folga à corrupção que assola o Poder Judiciário. No Rio de Janeiro, por exemplo, há grande expectativa nos bastidores forenses, porque o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Rio, Wadih Damous, pediu explicações formais à presidente do Tribunal Regional do Trabalho do Rio, Maria de Lourdes Sallaberry, sobre as movimentações financeiras atípicas no órgão, realizadas em 2002, no valor de R$ 282,9 milhões.

A solicitação formal ocorreu no fim da tarde de sexta-feira. “Protocolei um requerimento por conta das informações publicadas nos jornais de que um servidor ou um magistrado do TRT tenha feito essa movimentação. Como isso é estapafúrdio pedi que a presidente venha a público informar a que se deve essa movimentação”, disse o presidente da OAB-RJ á repórter Luiza Souto, da Folha, acrescentando que a medida foi tomada com base no interesse público e que espera um breve retorno do órgão.

Como já informamos aqui no Blog, a informação sobre as movimentações atípicas consta de relatório encaminhado na sexta-feira ao Supremo Tribunal Federal pela corregedora do Conselho Nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon.

Segundo o relatório, 81,7% das comunicações consideradas atípicas estão concentradas no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (Rio de Janeiro), Tribunal de Justiça da Bahia e o Tribunal de Justiça Militar de São Paulo.

Dos R$ 856 milhões considerados “atípicos” pelo Coaf (órgão de inteligência financeira do Ministério da Fazenda), o ápice ocorreu em 2002, quando “uma pessoa relacionada ao Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região”, no Rio de Janeiro, movimentou R$ 282,9 milhões. Uma grana preta. Nem ganhando dez vezes seguida na MegaSena se consegue acumular semelhante fortuna. Como diz o Helio Fernandes, que maravilha viver.

A presidente do TRT, Maria de Lourdes Sallaberry, convocou uma entrevista coletiva para esta tarde. Vamos aguardar o que ele dirá.

Aposentadoria: dinheiro arrecadado deve ser investido em desenvolvimento e depois retornando para garantir a velhice com dignidade, sem humilhação.

Martim Berto Fuchs

Não exagero ao dizer que o modelo capitalista. ou que nome se dê a esse regime, no Brasil, faliu. Em se tratando da Previdência Social, a história é longa e demonstra apenas que nunca acharam um sistema viável. Foram adaptando conforme as pressões que sofriam, sem nunca terem desenvolvido um projeto de caso pensado. Embora a história seja longa, em termos de tempo é curtíssima. Senão vejamos.

Tudo começou em 1888, quando foi regulado o direito à aposentadoria dos empregados dos Correios. Fixava em 30 anos de efetivo serviço e idade mínima de 60 anos os requisitos para a aposentadoria.

Até 1933 somente funcionários públicos de diversas categorias foram gradativamente sendo beneficiados. Os trabalhadores da iniciativa privada começaram, por categorias, a ter também benefícios a partir de 1934. De lá para cá, as alterações foram muitas.

2001. Na onda privatizante que acometeu o planetinha, Brasil no meio, resolveram sem prévio aviso cortar grande na aposentadoria da iniciativa privada. Foram os últimos a entrar e os primeiros a pagar o pato, num descumprimento de contrato, capaz de corar frade de pedra.

2012. Chegou a vez dos funcionários públicos também serem podados. Não tanto quanto seus irmãos das empresas privadas, mas também terão suas aposentadorias diminuídas.

Na iniciativa privada, CLT, se nada for feito, em poucos anos os aposentados atuais se transformarão em pedintes, mendigos, pois por mais que aumentem o salário mínimo, e o aposentado não usufruindo desta correção, acabará recebendo o mínimo. E isso não é recompensa para quem trabalhou uma vida e quando está incapacitado fisicamente, leva um chute nos fundilhos, como quem diz: “Vire-se, quem mandou ser honesto. Ou, como bem explicitou o Barata para aquilo que estão nos ensinando: “Não basta ser cidadão, tem que ser ladrão”.

A proposta de contribuir paralelamente para uma aposentadoria privada, ou seja, nosso suor entregue para banqueiros enriquecerem mais ainda, é obscena, é sádica, é perversa, é anti-social.

Minha proposta, que só terá validade num novo contexto geral e que se for utilizada isoladamente, na situação atual, não vingará, pois não pode ser gerida por delinquentes, é utilizar nosso dinheiro (recolhido compulsoriamente) para incentivar a produção e consequente geração de empregos, num círculo vicioso, através de Fundos de Investimento Social. Para as empresas, participação indireta de TODOS trabalhadores em vez de empréstimos para sua escalada evolutiva.

Para os trabalhadores, retorno garantido e a geração constante de novos empregos. Sem contar a valorização de outros princípios, começando pelos exemplos que vêm de cima.

Mais detalhes em: http://capitalismo-social.blogspot.com/

Pelo menos 14 cidades brasileiras estão entre as mais violentas do mundo.

O comentarista Carlo Germani nos envia uma matéria da Agência Brasil que causa preocupação. Mostra que pelo menos 14 cidades brasileiras estão entre as mais violentas do mundo.

A conclusão é do estudo feito pela organização não governamental (ONG) mexicana Conselho Cidadão para a Segurança Pública e Justiça Penal. Especialistas da entidade listaram as 50 cidades mais violentas em todo mundo.

O topo da lista é ocupado pela cidade de San Pedro Sula, em Honduras, com uma taxa de 158,87 homicídios para um grupo de 100 mil habitantes. Em segundo lugar, está Juárez, no México, com uma taxa de 147,77.

No Brasil, Maceió, capital alagoana, aparece como a mais violenta ocupando o terceiro lugar no ranking – com uma taxa de 135,26 homicídios para cada 100 mil habitantes.

Depois da capital alagoana estão Belém (PA) – em 10oº lugar no ranking, com uma taxa de 78,08 homicídios para cada 100 mil habitantes; Vitória (ES), em 17oº lugar, com taxa de 67,82; Salvador (BA), em 22oº na lista, com 56,98 e Manaus (AM), em 26oº, com 51,21.

Também são definidas como violentas as cidades de São Luís (MA), em 27oº lugar no estudo, com taxa de 50,85 mortes violentas para cada 100 mil habitantes, João Pessoa (PB), em 29oº, com 48,64; Cuiabá (MT), em 31oº na lista, com taxa de 48,32; Recife (PE), em 32oº lugar, com taxa de 48,23, Macapá (AP), em 36oº, com 45,08; Fortaleza (CE), em 37oº, com 42,90; Curitiba (PR), em 39oº na lista, com 38,09; Goiânia (GO), 40oº, com 37,17 e Belo Horizonte (MG), em 45oº no ranking das cidades mais violentas, com taxa de 34,40 homicídios para cada 100 mil habitantes.

Das 50 cidades apontadas como as mais violentas do mundo, além das 14 brasileiras, 12 estão no México e cinco na Colômbia, mostrando a que ponto chegamos na América Latina.

Equipe econômica é excelente em aumentar salários, quer dizer, em aumentar os próprios salários.

Por sugestão do comentarista Christian Cardoso, estamos divulgando informações das repórteres Ana D’Angelo e Cristiane Bonfanti, do Correio Braziliense, dando conta das remunerações e benesses recebidas pelas cabeças coroadas da equipe econômica, que viraram o ano liderando o bloco de uma turma seleta do funcionalismo que embolsa supersalários acima do limite constitucional de R$ 26,7 mil pagos a ministros do Supremo Tribunal Federal.

Donas das chaves dos cofres públicos, essas autoridades da equipe econômica estão recebendo entre R$ 32 mil e R$ 41,1 mil por mês, estão engordando os altos salários com participações em conselhos administrativos e fiscais de empresas estatais e até privadas. Os extras para comparecer, em geral, a cada dois meses às reuniões dessas companhias, vão de R$ 2,1 mil a R$ 23 mil por mês.

Os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Miriam Belchior, participam dos conselhos da Petrobras e da BR Distribuidora, que rendem, cada um, R$ 7 mil mensais, em média. Com tudo somado, o chefe da equipe econômica e sua colega vêm embolsando, atualmente, R$ 40,9 mil brutos todo mês.

O secretário executivo de Mantega, Nelson Barbosa, não tem o salário de R$ 26,7 mil pago a ministros de Estado. Ele recebe em torno de R$ 14 mil, correspondentes ao vencimento de professor cedido da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mais a gratificação pelo cargo, de R$ 6,8 mil. Mas Barbosa também abocanhou um assento nos dois dos melhores conselhos existentes: o da mineradora privada Vale e o do Banco do Brasil, que lhe pagam mais R$ 27,1 mil mensais, elevando seus ganhos para R$ 41,1 mil.

Na mineradora, o número dois do Ministério da Fazenda entrou em nome do governo de uma forma enviesada, como representante dos fundos de pensão de estatais — sócios de fato da companhia. Mas é o conselho que melhor remunera. Barbosa recebe R$ 23 mil por mês da empresa. Depois do cargo da Vale, o destaque é para o da Hidrelétrica Itaipu, que paga, em média, R$ 19 mil mensais. O ministro felizardo é o da Defesa, Celso Amorim, com renda total de R$ 45,7 mil.

Nem a Fazenda nem o Planejamento comentaram o fato de os jetons não integrarem as remunerações sujeitas ao limite constitucional e não sofrerem o chamado abate-teto, como ocorre com os rendimentos de diversos outros servidores do Executivo e de parte do Judiciário. Já o Planejamento informou apenas que o recebimento de verbas por participação nesses conselhos está previsto na Lei nº 8.112, de 1990, e que foi considerado constitucional pelo STF.

O ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Luís Inácio Adams, foi agraciado com dois jetons de empresas privadas para engordar ainda mais seus rendimentos. Ele integra o conselho administrativo da Brasilprev Seguros e Previdência e o da Brasilcap. A primeira é controlada pelo grupo norte-americano Principal Financial Group, com 50,1% do capital. A segunda tem como sócias majoritárias as companhias Icatu Hartford, Sul América e Aliança do Brasil. O Banco do Brasil detém 49,9% do capital das duas, por isso, tem direito a indicar metade dos membros dos respectivos conselhos.

Com os dois extras, os rendimentos de Adams estão na casa dos R$ 38,7 mil brutos. Na AGU, ele, que é procurador da Fazenda Nacional de carreira, é responsável por todas as ações judiciais da União contra empresas privadas, principalmente aquelas que cobram impostos de devedores. Ao contrário das estatais e das demais autoridades, o advogado-geral da União e as duas companhias se recusaram a informar o valor mensal pago para que o titular da AGU dê palpites na administração dos dois grupos privados. Pelas informações obtidas pelo Correio, porém, essa quantia é de pelo menos R$ 6 mil, em média, por conselho.

As repórteres do Correio só esqueceram um detalhe, muito importante. Esses obesos salários são engordados ainda mais pelos cartões corporativos, que não tenham a menor transparência e embutem todo tipo de gastos secretos. Como diz o Helio Fernandes, que maravilha viver!