A verdade é a poesia

Sebastião Nery

A Grécia é filha de Homero. Nasceu do ventre da Ilíada e da Odisséia. Sócrates, Platão, Aristóteles, germinaram a filosofia. Ésquilo, Sófocles, Eurípides, sangraram a tragédia. Mas foi a poesia de Homero que gerou e plasmou a alma eterna da Grécia.

Roma foi de César, de Augusto, de Adriano. Mas sem a Eneida de Virgilio, as Odes de Horácio, as Metamorfoses de Ovídio, Roma teria sido um Império mas não teria sido uma civilização.

A Itália é Dante e o depois dele. A Inglaterra é Shakespeare e o sempre. Como a Alemanha é sobretudo Goethe, Portugal Camões.

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A PALAVRA

Por quê? Porque a poesia é o Genesis. “In principio erat verbum”. No princípio era a palavra. No início era a poesia. E “o poeta é um pequeno Deus”.

Platão sabia disso: – “O poeta é um ser alado, sagrado, todo leveza, e somente capaz de criar quando saturado de Deus”.

Shakespeare também: – “O olhar do poeta, girando em delírio, vai do céu para a terra, da terra pára o céu. Quando a imaginação toma corpo, captura a essência das coisas”.

E Goethe: – “Poetas não podem calar-se. Quem vai confessar-se em prosa? Abrimo-nos como rosa, no calmo bosque das musas”.

E Victor Hugo: – “Um poeta é o mundo dentro de um homem”.

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PILATOS

Impalpável, intangível, só ela, a poesia, é a verdade. Etérea. A verdade alada de Platão, a verdade ensangüentada do Cristo.

Pontius Pilatus ganhou de Tiberius, imperador de Roma, o governo da Judéia e da Samaria, quando exilou Arquelau, filho de Herodes, o Grande, e irmão de Herodes, o antipático Antipas, que deu a Salomé o pescoço de João Batista.

Philo Judaeus e Josephus, historiadores judeus, contemporâneos de Pilatus, disseram que ele era “ríspido e intratável”.

Mas não queria matar Jesus Cristo.

Quando aquele homem de olhos mansos, coberto de sangue, chegou preso ao palácio, trazendo na cabeça a coroa sarcástica – “Jesus Nazarenus Rex Judeorum” –, Pontius Pilatos lhe perguntou quem ele era:

– “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”.

O caminho Pilatos sabia o que era. A vida, também. Mas a verdade, não. Pilatos outra vez lhe perguntou:

– O que é a verdade?

Jesus não respondeu. E foi levado para morrer.

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CRISTO

Beletristas medievais, monges e poetas, diziam que Jesus não respondeu porque a resposta já estava na pergunta, em latim:

– “Quid est veritas”? (O que é a verdade?).

Com as mesmas 14 letras da pergunta, escreve-se a resposta:

– “Est vir qui adest”. (É o homem que está aqui).

Nem a verdade disse o que é a verdade, porque indefinível.

Como a poesia. Ninguém a definirá. Sentida, vivida, sofrida ou gargalhada, mas indizível. Nasce e morre no mistério. Como as gaivotas, levita e mergulha. Aflora e submerge. É feita de luz e sombra, flor e cacto, carne e sangue. A poesia é o mágico encontro entre a beleza e a pedra, o sonho e a dor, a vida e a morte.

Na impossível busca da verdade, só a poesia é a verdade.

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GUEVARA

Para finalizar, um pequeno, belo, talvez anônimo poema. Consta, embora jamais comprovado, que seria de Che Guevara.

No Natal de 1966, em Nancahuazu, na Bolívia, nas derradeiras trincheiras da inviável guerrilha, cercado de solidão e da certeza do sonho perdido, ele o teria escrito:

– “Cristo, te amo / não porque desceste de uma estrela /mas porque me revelaste / que o homem tem lágrimas, angustias /e chaves para abrir as portas fechadas da luz. / Tu me ensinaste que o homem é Deus / um pobre deus crucificado como tu./ E aquele que está a tua direita no Gólgota / o bom ladrão / também é um Deus”.

Começou a debandada: PR abandona a base aliada do governo.

O repórter Gerson Camarotti, de O Globo, revela que o líder do PR no Senado, Blairo Maggi (MT), anunciou que os sete senadores do partido farão, a partir desta quarta-feira, oposição ao governo federal.

A mudança na postura do partido se deve à negativa do governo em manter com o PR o Ministério dos Transportes, apesar de o próprio maggi ter sido recentemente convidado para o Ministério.

O líder do PR esteve com ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, na tarde de quarta-feira, e ouviu dela que a posição da presidente Dilma Rousseff é de que o partido não terá mais a pasta, como deseja a bancada.

– PR do Senado está fora do governo. Os sete senadores estão na oposição – afirmou o líder no Senado.

O senador e ex-ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, afirmou:

– Acabou, chega! Ninguém aqui é moleque!

Blairo contou que já comunicou a decisão à ministra Ideli. Ele respondeu que não quer mais discussão com o governo.

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CORRUPÇÃO

A crise no Ministério dos Transportes, alvo de denúncias de corrupção em obras e favorecimento ao PR, causou a demissão de 15 pessoas da pasta. Em apenas 18 dias após a divulgação das denúncias de irregularidades, o senador licenciado do PR, Alfredo Nascimento, deixou o comando da pasta junto com pelo menos quatro auxiliares diretos. Os diretores da Valec e do Dnit também perderam seus cargos. Luiz Antonio Pagot, que comandava o Dnit, entrou em férias, mas foi exonerado do cargo quando retornou.

Esta é a história do PR no Ministério.

E por falar em desindustrialização…, apenas as exportações de matérias-primas aumentam

Reportagem de Luiz Guilherme Gerbelli, em O Estado de S. Paulo, mostra que o Brasil vem aumentando cada vez mais nos últimos anos sua dependência da exportação de matérias-primas. No ano passado, apenas seis grupos de produtos – minério de ferro, petróleo bruto, complexo de soja e carne, açúcar e café – representaram 47,1% do valor exportado. Em 2006, essa participação era de 28,4%.

Esse aumento da dependência ganha contornos ainda mais preocupantes porque o maior comprador atual das matérias-primas brasileiras passa por um momento de transição. Na semana passada, a China anunciou que vai perseguir uma meta de crescimento de 7,5% ao ano. A meta anterior era de 8% ao ano.

“Esse novo crescimento chinês ainda é expressivo para qualquer país, mas, nesse momento, cria um fato negativo para a cotação das commodities”, diz o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. “Ao dizer que vai reduzir o ritmo de crescimento, a China diz, indiretamente, que vai comprar menos insumos.”

Em dezembro, a entidade previu que o Brasil terá este ano um superávit de US$ 3 bilhões, resultado bem inferior ao saldo comercial de US$ 29,7 bilhões do ano passado. “Mas houve uma melhora do cenário dos preços desde então”, diz Castro.

De qualquer forma, o Índice de Preços de Commodities do Banco Central (IC-BR) já aponta um recuo na cotação das commodities. Em fevereiro, o indicador caiu 2,96% na comparação com janeiro e, no acumulado de 12 meses, teve queda de 12,68%.

“Essa tendência de queda só não é mais forte porque está havendo uma injeção global de recursos no mundo todo. Há uma expansão de crédito para economia mundial que não começou agora”, diz Fábio Silveira, economista da RC Consultores. Apesar disso, ele estima um recuo de 10% no preço da soja, carne, açúcar e do café este ano. “O crescimento menor da China reafirma a perspectiva de baixa dos preços”, afirma.

Entre 2006 e 2011, puxada pelas commodities, a receita de exportação do Brasil aumentou de US$ 135,9 bilhões para US$ 256 bilhões. Este ano, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) definiu US$ 264 bilhões como a meta de exportação, valor 3,1% maior que o do ano passado.

Para Rodrigo Branco, economista da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), as exportações de commodities vão continuar dominando a pauta brasileira este ano. Ele ressalta, porém, que o saldo comercial do País deverá ser menor, porque, além do preço mais baixo das commodities, as importações devem permanecer em um patamar elevado.

“Estamos com uma demanda relativamente aquecida em relação ao resto do mundo, principalmente de bens de consumo duráveis”, diz.

Senado aprova projeto que regulamenta direito de resposta na mídia

Confirmado. Reportagem de Gabriela Guerreiro, na Folha, revela que oO Senado aprovou nesta quarta-feira projeto que regulamenta o direito de resposta na imprensa para pessoas ou entidades que se sentirem ofendidas pelo conteúdo publicado.

Pelo texto, o direito de resposta deve ser “gratuito e proporcional” à ofensa, se o conteúdo da reportagem tiver atentado contra “honra, intimidade, reputação, conceito, nome, marca ou imagem” do ofendido.

Como o projeto foi aprovado em caráter terminativo, sem a necessidade de passar no plenário do Senado, segue para análise da Câmara –a não ser que pelo menos oito senadores apresentem recurso para a sua votação no plenário.

A exceção ao direito de resposta vale para comentários de usuários na internet. Se houver retratação ou retificação espontânea, aceita pelo ofendido, o direito de resposta não precisará ser concedido. O projeto estabelece que a palavra final é do ofendido – a quem cabe ingressar com ação judicial se não se sentir contemplado com a comunicação do veículo.

Pelo texto, o ofendido tem o prazo de 60 dias para apresentar o pedido de direito de resposta ao veículo de comunicação, contados a partir da data de publicação da reportagem. Este, por sua vez, tem sete dias para responder oficialmente. Ao não se sentir contemplado, entra com a ação na Justiça para publicar ou veicular a resposta.

Relator do projeto na CCJ, Taques disse que as mudanças não têm como objetivo censurar a imprensa. “Este projeto não toca na liberdade imprensa. Aqui não se trata, como poderia ser, de qualquer limitação ao conteúdo, muito menos de censura prévia à manifestação de imprensa que deve ser livre no estado democrático de Direito.”

Hoje, a Constituição Federal assegura o direito de resposta em seu artigo 5º, ao determinar que ele deve ser “proporcional ao agravo”, com indenização por “dano material, moral ou à imagem”. Mas não define regras para a sua aplicação.

Pelo texto, o ofendido pode reivindicar diversos pedidos de direito de resposta se o conteúdo original for replicado por outros veículos. “Se o agravo tiver sido divulgado, publicado ou republicado, transmitido ou retransmitido, em mídia escrita ou em cadeia de rádio ou televisão para mais de um município ou Estado, idêntico alcance será conferido à divulgação da resposta”, diz o projeto.

O projeto é de autoria do senador Roberto Requião (PMDB-PR), que apresentou o projeto no ano passado, depois de retirar um gravador das mãos de um repórter por ter discordado de sua pergunta.

 

A guerra suja dos laboratórios: ‘Os medicamentos que curam completamente não dão lucro’

O comentarista Mario Assis nos envia esta entrevista com Dr. Richard J. Roberts, Prémio Nobel da Medicina 1993, que assim se apresenta: “Tenho 68 anos e o pior do envelhecer é ter muitas verdades como sagradas, pois é quando é realmente necessáriio fazer perguntas. Nasci em Derby e o meu pai era mecânico, ofereceu-me um kit de química e ainda gosto de brincar. Sou casado tenho quatro filhos e sou tetraplégico devido a um acidente. O que me estimula é a investigação e por isso ainda a faço, participo no Campus for Excellence”. Roberts trabalha na empresa New England Biolabs.

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– A pesquisa pode ser planejada?
Se eu fosse ministro da Ciência procuraria pessoas entusiasmadas com projetos interessantes. Bastava financiar para que aparecessem em 10 anos resultados surpreendentes.

– Parece uma boa política.
Acredita-se geralmente que financiar a pesquisa é o bastante para se poder ir muito longe, mas se se quer ter lucros rápidos, tem de se apoir a pesquisa aplicada.

– E não é assim?
Muitas vezes as descobertas mais rentáveis são feitas baseadas em perguntas básicas. Foi assim que foi criado, com bilhões de dólares, o gigante da biotecnologia dos EUA, a firma para quem eu trabalho.

– Como foi criado esse gigante?
A biotecnolgia apareceu quando apaixonados pela matéria se começaram a questionar se poderiam clonar genes. Assim se começou a estudar e a purificá-los.

– Uma aventura por si só.
Sim, mas ninguém na altura esperava enriquecer com essa matéria, foi difícil arranjar financiamento para as pesquisas, até que o Presidente Nixon em 1971 resolveu lançar a guerra contra o cancer.

– Foi científicamente produtivo?
Permitiu muitas pesquisas, uma delas foi a minha, com uma enorme quantidade de fundos públicos, com pessoas que não estavam diretamente ligadas ao cancer, mas foi útil para compreender os mecanismos que permitem a vida.

– Que foi que o Prof. descobriu?
Phillipe Allen Sharp e eu descobrimos o DNA em íntrons eucarióticas e mecanismo de “splicing” do gene, e fomos bem recompensados.

– Para que foi útil?
Essa descoberta levou a perceber como funciona o DNA, no entanto tem apenas uma ligação indireta com o cancro.

– Que modelo de pesquisa é mais eficaz, o americano ou o europeu?
É óbvio que os EUA, onde o capital privado tem um papel ativo, é muito mais eficiente. Tomemos por exemplo o progresso espetacular da indústria de computadores, onde o dinheiro privado é que financia a pesquisa básica aplicada, mas para a indústria da saúde … eu tenho as minhas reservas.

– Eu escuto.
A pesquisa sobre a saúde humana não pode depender apenas de sua rentabilidade. O que é bom para os dividendos das empresas, nem sempre é bom para as pessoas.

– O senhor poderia explicar?
A indústria farmacêutica quer servir o mercado de capitais …

– Como qualquer outra indústria…
Não é apenas qualquer outra indústria, nós estamos a falar sobre a nossa saúde e as nossas vidas, os nossos filhos e milhões de seres humanos.

– Mas se são rentáveis, eles vão pesquisar melhor.
Se você só pensar em benefícios, você vai parar de se preocupar em servir as pessoas.

– Por exemplo?
Eu vi que em alguns casos, os cientistas que dependem de fundos privados descobriram um medicamento muito eficaz, que teria eliminado completamente uma doença …

– E porque pararam de investigar?
Porque as empresas farmacêuticas muitas vezes não estão tão interessadas na cura mas na obtenção de dinheiro, assim a investigação, de repente, foi desviada para a descoberta de medicamentos que não curam completamente, tornam isso sim, a doença crónica. Medicamentos que fazem sentir uma melhoria, mas que desaparece quando o doente para de tomar a droga.

– É uma acusação grave.
É comum que as empresas farmacêuticas estejam interessadas em pesquisas que não curam, mas que apenas tornam as doenças crônicas, com drogas mais rentáveis, do que medicamentos que curam completamente uma vez e para sempre. Você só precisa seguir a análise financeira da indústria farmacêutica e verificar o que eu digo.

– Estão atrás de dividendos.
É por isso que dizemos que a saúde não pode ser um mercado e não pode ser entendida meramente como um meio de ganhar dinheiro. E eu acho que o modelo europeu de capital privado e público misto, é menos susceptível de encorajar tais abusos.

– Um exemplo de tais abusos?
Pararam investigações com antibióticos porque estavam a ser muito eficazes e os doentes ficaram completamente curados. Como novos antibióticos não foram desenvolvidos, os organismos infecciosos tornaram-se resistentes e a tuberculose hoje, que na minha infância tinha sido vencida, reaparece e matou no ano passado um milhão de pessoas.

– Está falando sobre o Terceiro Mundo?
Esse é outro capítulo triste: doenças do Terceiro Mundo. Dificilmente se fazem investigações, porque as drogas que iriam combater essas doenças são inúteis. Mas eu estou a falar sobre o nosso Mundo, o Ocidental : o remédio que cura completamente não é rentável e, portanto, não é pesquisado.

– Há políticos envolvidos?
Não fique muito animado: no nosso sistema, os políticos são meros empregados das grandes empresas, que investem o que é necessário para que os “seus filhos” se possam eleger, e se eles não são eleitos, compram aqueles que foram eleitos. O dinheiro e as grandes empresas só estão interessados em multiplicar. Quase todos os políticos – e eu sei o que quero dizer – dependem descaradamente destas multinacionais farmacêuticas, que financiam as suas campanhas. O resto são palavras …

(Transcrito de http://www.revista-ariel.org)

Lupi não aceita Brizola Neto no Ministério e o Planalto recua.

Carlos Newton

A nomeação do deputado Brizola Neto como substituto de Carlos Lupi no Ministério do Trabalho virou novela de bastidores. Na hora em que a presidente Dilma Rousseff ia usar a caneta, ocorreu a rebelião do PMDB e Lupi conseguiu jogar a negociação com o PDT na estaca zero.

O líder do PDT da Câmara, André Figueiredo (CE), que é do grupo de Lupi, reuniu-se com a ministra de Relações Institucionais Ideli Salvatti e disse que os nomes que têm mais apoio da bancada são os do deputado Vieira da Cunha (RS) e do secretário geral do partido, Manoel Dias, que, por coincidência, é considerado braço direito de Lupi.

Segundo fontes do Palácio do Planalto, o nome de Brizola Neto é o preferido no governo, mas ele só será nomeado se conseguir se viabilizar dentro do PDT. Nos últimos dias ele se articulou em parceria com o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) e com as centrais, mas houve reação contrária da bancada, controlada por Lupi.

– Se alguém pensa que pode nomear ministro por meio de jornais isso pode ser um tiro no pé – disse Ideli para o lider André Figueiredo, segundo o repórter Gerson Camarotti, de O Globo.

Traduzindo: Lupi saiu do Ministério, mas seu ectoplasma continua lá, dando ordens, nomeando e vetando nomes.

Senado pode votar hoje projeto sobre direito de resposta

Reportagem de Gabriela Guerreiro, na Folha de São Paulo, revela que o Senado pode votar esta semana projeto que regulamenta o direito de resposta na imprensa para pessoas ou entidades que se sentirem ofendidas pelo conteúdo publicado.

De autoria do senador Roberto Requião (PMDB-PR), o texto está na pauta de votações da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado em caráter terminativo – o que significa que só vai ser votado em plenário se houver recurso apresentado por um grupo de senadores.

Pelo texto, o direito de resposta deve ser “gratuito e proporcional” à ofensa, se o conteúdo da reportagem tiver atentado contra a “honra, intimidade, reputação, conceito, nome, marca ou imagem” do ofendido. A exceção vale para comentários de usuários na internet na página dos veículos de comunicação.

Se houver retratação ou retificação espontânea do veículo, o direito de resposta não precisará ser concedido – mas a ação por danos morais pode continuar a correr na Justiça.

O projeto fixa o prazo de 60 dias após a veiculação da reportagem para que a resposta seja publicada, contado a partir da notificação do veículo – por meio de correspondência com aviso de recebimento. Passado sete dias desse prazo, o ofendido pode recorrer em juízo para veicular a resposta.

O texto determina que seja concedido o mesmo espaço à resposta da matéria que resultou no processo, no mesmo veículo onde a reportagem foi veiculada.

“Se o agravo tiver sido divulgado, publicado ou republicado, transmitido ou retransmitido, em mídia escrita ou em cadeia de rádio ou televisão para mais de um município ou Estado, idêntico alcance será conferido à divulgação da resposta”, diz o projeto.

Segundo o texto, a resposta deve ter o mesmo destaque e publicidade que a matéria original. As condições devem ser impostas pelo juiz. Fica previsto o pagamento de multa diária ao veículo até a suspensão das suas atividades se a determinação judicial não for cumprida.

A Constituição Federal já assegura o direito de resposta em seu artigo 5º, ao determinar que ele deve ser “proporcional ao agravo”, com indenização por “dano material, moral ou à imagem”.

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RELATOR QUER APROVAR

Relator do projeto na CCJ, o senador Pedro Taques (PDT-MT) defende a aprovação do projeto – mas sugere pequenas modificações no texto que não alteram seus pontos principais.

“O direito de resposta reforça o próprio direito público à informação, ao ponto que garante a sociedade a plena ciência sobre fatos e versões envolvidas, veiculando informações do meio jornalístico e as versões do interessado sujeito da reportagem ou publicação”, afirmou o relator.

Requião apresentou o projeto no ano passado, depois de retirar um gravador das mãos de um repórter por ter discordado de sua pergunta. O jornalista questionou se ele abriria mão de sua aposentadoria como ex-governador do Paraná.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Com a derrubada da Lei de Imprensa, quem é ofendido por jornalista ficou prtaicamente sem direito de resposta, e isso é um erro. A imprensa (internet, inclusive)  precisa ter responsabilidade ao denunciar. Mas há controvérsias, como dizia o genial humorista Francisco Milani. Afinal, num país onde a impunidade dos poderosos é a regra, querer punir jornalista que faz denúncia chega a ser patético. Viva a imprensa livre!

Ministro Fernando Pimentel é a bola da vez na ciranda da corrupção

Reportagem de Thiago Herdy, em O Globo, mostra o cerco se apertando em torno do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel. A Procuradoria Geral da República (PGR) apresentou denúncia contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF) por crimes de fraude em licitação pública e “desvio de recursos em proveito alheio”, em 2004, época em que ele era prefeito de Belo Horizonte.

O caso estava nas mãos da subprocuradora da República Cláudia Sampaio Marques, que na última segunda-feira optou por apresentar a denúncia depois de examinar sete volumes e 33 apensos do processo, movido originalmente pelo Ministério Público de Minas Gerais, e petição apresentada por Pimentel ao Supremo em sua defesa.

Os autos chegaram ao STF no ano passado, quando Pimentel virou ministro e passou a ter foro privilegiado. Segundo a PGR, o processo está em segredo de Justiça. O motivo da ação é um convênio firmado pelo petista mineiro com a Câmara de Dirigentes Logistas (CDL) e a Polícia Militar para implantação de câmeras de segurança na cidade, num projeto conhecido por Olho Vivo.

O MP-MG argumentava que o prefeito, o procurador-geral do município, Marco Antônio Rezende, e outros dois diretores da prefeitura de BH teriam subcontratado a CDL para que ela comprasse as câmeras do projeto e fosse evitada a licitação para aquisição dos equipamentos. Com valor inicial estimado em R$ 14,7 milhões, o convênio foi cancelado no ano seguinte à sua assinatura, quando vieram à tona denúncias de irregularidades na compra das câmeras. Até então, a prefeitura de BH havia transferido à CDL R$ 4,4 milhões para o projeto.

Depois da quebra do sigilo bancário da CDL na Justiça, perícia da Polícia Civil constatou gastos de somente R$ 3,3 milhões com os equipamentos. Os peritos ainda encontraram indícios de que os recursos repassados pela prefeitura teriam sido usados pela CDL, com quem Pimentel sempre teve bom trânsito, para pagar parte da dívida de Imposto sobre Serviços (ISS) que a entidade tinha com o município.

Além da diferença de R$ 1,1 milhão entre os valores repassado e gasto com a compra, os promotores mineiros cobravam de Pimentel e dos outros envolvidos a devolução aos cofres públicos de mais R$ 4 milhões, que foram emprestados pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) à CDL para a execução do projeto. Com isso, o prejuízo aos cofres públicos cobrado pelo MP é de R$ 5,1 milhões.

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NOTAS FISCAIS FALSAS

Em fevereiro deste ano, os ministros do Supremo decidiram que apenas a situação de Pimentel seria apreciada pela Corte, dando 15 dias para o ministro se explicar. A defesa foi apresentada em 23 de fevereiro. Com a decisão da PGR de apresentar a denúncia, agora o processo aguarda parecer do ministro relator, no caso Dias Toffoli.

Outro braço do processo continua tramitando na Justiça mineira com os demais réus: dois funcionários da administração municipal e dois dirigentes que representavam a CDL no convênio – Roberto Alfeu e Glauco Diniz – por crimes de fraude em licitação e lavagem de dinheiro, por supostamente terem usado recursos públicos para quitar parte da dívida tributária da entidade, e apresentarem notas fiscais falsas para justificar as despesas do projeto.

Para não pegar mal, centrais sindicais fazem reivindicações ao governo, mas é só para constar.

Carlos Newton

Para evitar às críticas sobre sua inoperância e sua conivência ao governo federal, representantes das centrais sindicais vão se reunir nesta quarta-feira com a presidente Dilma Rousseff e com o secretário-geral da presidência, Gilberto Carvalho, em Brasília, para discutir a pauta trabalhista.

Os jornais anunciam que, entre as “reivindicações”, estão a isenção do imposto de renda para PLR (participação dos lucros e resultados), abono salarial, aumento para os aposentados que ganham valores acima do piso nacional, fim do fator previdenciário e reajuste para os servidores públicos e queda nas taxas de juros.

Estão previstas duas reuniões: uma às 11h, com o ministro Carvalho, e outra às 16h30, com a presidente Dilma.

Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força Sindical e deputado federal pelo PDT, a isenção do pagamento do imposto de renda na participação dos lucros é uma forma de distribuir renda e fomentar o mercado interno. “A desoneração pode garantir cerca de R$ 1,8 bilhão no bolso dos trabalhadores, garantindo mais consumo e produção”, disse.

“Vou cobrar o governo da necessidade de reajustar as aposentadorias de quem ganha acima do salário mínimo. Não podemos mais permitir esta política de achatamento dos benefícios”, reiterou.

Quem lê esse noticiário, pode até ficar pensando que as centrais sindicais estão mesmo reivindicando alguma coisa. Mas é só para inglês ver. Assim, pode até ser uma homenagem à visita do príncipe Harry, representante da Casa de Windsor. Mas não é para valer.

Juiz do Maranhão causou prejuízos milionários a empresas e foi punido apenas com a aposentadoria.

Reportagem de Felipe Recondo, de O Estado de S. Paulo mostra que. no mesmo momento em que a corregedora-nacional de Justiça, Eliana Calmon, defendia punição a “meia dúzia de vagabundos que estão infiltrados na magistratura”, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aposentava compulsoriamente o juiz da 5ª Vara Cível da Comarca de São Luís (Maranhão), José de Arimatéia Correia Silva.

As investigações do CNJ mostraram que ele atuava de forma dirigida a multiplicar os valores de indenizações cobradas de grandes empresas e bancos. Apesar de ter sido punido, algumas de suas decisões são irreversíveis.

Em um dos casos relatados ao CNJ, a matemática do juiz José de Arimatéia transformou um pedido de indenização de R$ 20 mil em uma pena de R$ 3.329.155,72. Desse total, R$ 964.588,37 foram liberados numa canetada pelo juiz. Dinheiro que não volta mais aos cofres da em presa Marcopolo, mesmo com a decisão do CNJ e mesmo que consiga reverter o processo no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Em outro caso, a vítima foi o Banco do Brasil. Uma disputa entre o banco e a empresa Del Rey Transporte e Comércio tramitava na Justiça desde 2000. Na época, o valor em discussão era de R$ 392.136,14. Oito anos depois de iniciado o processo, José de Arimatéia, valeu-se de sua autoridade para determinar de imediato o bloqueio de R$ 1.477.232,05 nas contas do BB.

Em seguida, determinou a transferência desse montante para uma conta judicial, sem exigir da Del Rey uma caução para o caso de um recurso do Banco do Brasil ser deferido e o dinheiro ter de voltar aos seus cofres. Por conta dessa falha detectada pelo banco e confirmada pelo CNJ, o Banco do Brasil resistia a cumprir a decisão. José de Arimatéia determinou então a transferência dos recursos em duas horas. Caso contrário, o BB teria de pagar multa de R$ 15 mil por hora.

Para garantir o pagamento, o juiz determinou a busca e apreensão do valor em qualquer uma das agências do Banco do Brasil. Em caso de resistência, José de Arimatéia determinou a intervenção policial.

Um terceiro processo julgado por José de Arimatéia atingiu os cofres da Companhia de Águas e Esgotos do Maranhão (Caema) numa ação movida pela Construtora Vale do Paraíba Ltda. Conforme informações do CNJ, em decisão liminar, sem o pedido da construtora e sem exigir caução, o juiz determinou o bloqueio de R$ 2.414.191,09 das contas da Caema.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A reportagem só erra ao culpar o Conselho Nacional de Justiça. O que falta fazer é mudar a lei que protege os magistrados corruptos, para que enfim possam ser punidos. Quem muda a lei é o Congresso, o Conselho Nacional de Justiça apenas tem de cumpri-la.

Coronel Curió é o primeiro militar a ser processado por crimes durante a revolução de 64

Carlos Newton

Não precisou nem esperar que a Comissão da Verdade iniciasse os trabalhos. A Lei da Anistia já está sendo contestada pelo Ministério Público Federal, que anunciou na tarde de terça-feira que ajuizará hoje um processo judicial contra o coronel da reserva do Exército Sebastião Curió, acusado de sequestrar militantes políticos durante a guerrilha do Araguaia (1972-1975), no Pará.

Nem adiantou o ministro Gilmar Mendes ter debochado da intenção do Ministério Público, ao lembrar que o Supremo Tribunal Federal já julgou e confirmou a vigência da Lei da Anistia. Os procuradores não querem nem saber e se apressaram em divulgar a primeira ação criminal contra agentes da ditadura no país.

Detalhe: a iniciativa do Ministério Público não é um fato isolado. A denúncia contra Curió é assinada por procuradores da República do Pará, do Rio Grande do Sul e de São Paulo. Segundo esses procuradores, a ação não desrespeita a decisão do Supremo, que em 2010 reafirmou a validade da Lei da Anistia, editada em 1979 e que impediu o julgamento e a condenação por crimes cometidos no período da ditadura militar (1964-1985).

A ação acontece um ano após a CIDH (Corte Interamericana de Direitos Humanos) determinar que o Brasil apure e puna os crimes cometidos na época. Curió é acusado do desaparecimento de Maria Célia Corrêa (Rosinha), Hélio Luiz Navarro Magalhães (Edinho), Daniel Ribeiro Callado (Doca), Antônio de Pádua Costa (Piauí) e Telma Regina Cordeira (Lia).

Segundo a repórter Nádia Guerlenda, da Folha, os procuradores argumentam que os crimes cometido por Curió, de acordo com os indícios encontrados, foram o de sequestro e maus-tratos – as testemunhas ouvidas teriam dito que os cinco desaparecidos, que estavam sob a custódia do Estado, foram torturados, retirados da base militar e nunca mais vistos.

“Após a apuração dos fatos, chegamos à inexorável conclusão de que estávamos diante de crimes de sequestro qualificado. Ouvimos um grande número de testemunhas e todas elas, em uníssono, apontam Curió como autor”, afirmou à Folha Tiago Rabello, procurador da República em Marabá (PA).

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CRIME PERMANENTE

A repórter Nádial Guerlenda explica que, como até hoje não se sabe o paradeiro das vítimas e de seus restos mortais, os procuradores que fizeram a denúncia argumentam que se trata de um crime permanente, ou seja, que continua ocorrendo até que os corpos sejam encontrados.

Por esse motivo, o Ministério Público argumenta ainda que esses crimes não estariam abrangidos pela Lei da Anistia, já que o texto anistia os crimes cometidos até 15 de agosto de 1979. Esse entendimento evitaria a aplicação do julgamento do Supremo sobre a lei.

O crime permanente também não está sujeito à prescrição (prazo máximo pelo qual um acusado pode ser processado), o que autorizaria o processo atual. “Estamos obrigados a ajuizar essa ação por dever profissional. Não podíamos jamais fechar os olhos para esses fatos, uma vez que a responsabilização dos agentes deve ser feita”, disse Rabello.

De acordo com os procuradores, em dois casos de extradição o STF adotou o mesmo entendimento. Militares argentinos foram extraditados para serem julgados em seu país pela acusação de “desaparecimento forçado” de guerrilheiros, crime que foi igualado ao sequestro pelo Supremo, segundo os procuradores, e considerado de caráter permanente.

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OUTROS PROCESSOS

A jornalista da Folha diz que a caça aos militares de 64 não vai parar por aí, porque o procurador Rabello não descarta a inclusão de outras vítimas ou outros acusados no processo que será iniciado hoje, a depender de outros indícios encontrados.

Também há a possibilidade de abrir processos em outros Estados do país: segundo o procurador Sérgio Suiama, há atualmente 55 investigações em curso nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Pará.

“Em todos os casos em que possamos provar que um agente do estado estava responsável por alguém e essa pessoa desapareceu, então esses serão os casos em que o Ministério Público buscará a responsabilidade criminal dessas pessoas”, afirmou Suima.

Ele afirmou ainda que existem, atualmente, seis ações civis públicas em São Paulo que pedem que os responsáveis por torturas durante a ditadura sejam obrigados a pagar de volta o que o Estado gastou em indenizações.

Relações tensas, apesar da festa

Carlos Chagas

Não se espantou quem assistiu a chegada de Dilma Rousseff, ontem, ao Congresso, para ser homenageada com o Prêmio Berta Lutz, destinado a exaltar as mulheres que se destacam nas campanhas feministas. Mesmo chegando com trinta minutos de atraso, a presidente cumprimentou efusivamente José Sarney, Marco Maia e muitos parlamentares que a esperavam na entrada do Salão Negro, junto com dezenas de senadoras e deputadas. Além do vice-presidente Michel Temer. Até o ex-líder do governo, Romero Jucá recebeu afagos, apesar de demitido na véspera.

O singular na solenidade, além dos tradicionais beijinhos para todo lado, foi que nenhum dos presentes demonstrou o menor constrangimento, a começar por Dilma, apesar da delicadeza que marca o relacionamento entre Executivo e Legislativo. Os presidentes da Câmara e do Senado andam agastados com Dilma. Michel Temer, também. Para não falar de Jucá.

À margem da festa, dos papagaios e das papagaias de pirata, vistos em profusão, acima e além dos discursos protocolares, registre-se que desde sua posse a presidente Dilma não havia retornado ao Congresso. Como também jamais enfrentou situação tão incômoda no diálogo com as forças partidárias que a apóiam. Sua presença no plenário do Senado não terá sido bastante para desfazer tensões.

O interregno dessa celebração do papel das mulheres na vida nacional, na manhã de ontem, não foi suficiente para afastar a sombra de mais dias de tensão entre o governo e os partidos que o apóiam. Dilma abriu brechas no PMDB a ponto de a bancada de deputados do partido haver-lhe enviado manifesto de protesto contra o que chamaram de discriminação favorável ao PT. Para não falar na súbita defenestração de Romero Jucá da liderança do governo, substituído por Eduardo Braga, não propriamente nas graças de dirigentes como José Sarney e Renan Calheiros.

Mesmo disposta a prestigiar o PDT e o PR, devolvendo a seus parlamentares os ministérios do Trabalho e dos Transportes, obstáculos ainda turvam o dialogo entre a presidente e esses partidos.

Nesta semana poderão ser votados na Câmara e no Senado projetos polêmicos de interesse do governo. Caso sobrevenha outra derrota, como no caso da rejeição de Bernardo Figueiredo para a Agencia Nacional de Transportes Terrestres, pelo Senado, fica evidente que o palácio do Planalto irá retaliar.

José Sarney e Marco Maia despejaram monumentais elogios sobre Dilma, do tipo “popularidade ímpar”, “excepcional capacidade política”, “criatura extraordinária”, “grande liderança” e outros. Mais beijinhos, abraços e sorrisos, entre diplomas, placas e flores, mas a pergunta feita por parlamentares, claro que em surdina, era a respeito de qual o próximo lance nesse delicado jogo de xadrez. Nada de xeque-mate, mas, quem sabe, xeque à rainha?

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REAÇÃO NA SOMBRA

De público, nenhum companheiro confirmará, mas a verdade é que no PT não apenas paulistano e paulista, mas nacional, registram-se sinais de que se Fernando Haddad não decolar nas próximas pesquisas, poderá não chegar a outubro como candidato.

A situação do ex-ministro da Educação complicou-se a partir da decisão de José Serra candidatar-se a prefeito. Líderes petistas começam a refletir que se Haddad perder de forma espetacular, sequer indo para o segundo turno, a derrota fatalmente se refletirá nas eleições gerais de 2014. Depois de chegar a dispor da maior bancada na Câmara dos Deputados, o que aconteceria se o PT perdesse a posição? Melhor aguardar.

Emílio Ibrahim destrói a ideia de Eduardo Paes de demolir elevado

Pedro do Coutto

Em excelente artigo publicado na edição de O Globo de terça-feira 13, o engenheiro Emílio Ibrahim, oportunamente, destruiu, em termos de pura lógica, o absurdo projeto do prefeito Eduardo Paes de demolir o elevado da Perimetral. Ibrahim iluminou o problema e – aí sim – demoliu a ideia que, além de desfigurar a paisagem exaltada por Lúcio Costa, em carta que lhe enviou, bloquearia a conexão norte-sul da cidade e o acesso à ponte Rio Niterói.

Eduardo Paes, ele próprio já disse, deseja revitalizar a zona portuária através do oferecimento de condições de infraestrutura para empreendimentos imobiliários. Está completamente por fora. Quem assegura o êxito de empreendimentos imobiliários é o consumo. Não o poder público. A Avenida Rodrigues Alves não é Porto Madero, Buenos Aires.

Grande secretário de Obras dos governos Carlos Lacerda e Chagas Freitas, por mais uma coincidência do destino, coube a Emílio Ibrahim iniciar a obra, em 62 e concluí-la em 79. A conclusão, no segundo governo de Chagas, teve que superar um obstáculo. O ministro da Marinha, Adalberto Barros Nunes, resistia à perspectiva de a pista passar sobre o Quartel dos Fuzileiros Navais.

Chagas Freitas e Emílio Ibrahim, então, final do governo Ernesto Geisel, colocaram em pauta a solução de gradear o elevado naquele trecho. Não se registrou problema algum ao longo dos 33 anos que separam o fim da obra com os dias de hoje. Eduardo Paes quer destruir tudo isso.

Por uma coincidência também, testemunhei, como repórter do Correio da Manhã, a assinatura do convênio que viabilizou a obra. Foi entre o governador Carlos Lacerda e o ministro Virgílio Távora, dos Transportes. Governo João Goulart, ano eleitoral. Na antiga Guanabara, defrontavam-se, para vice-governador, Eloi Dutra, apoiado por Jango, Lopo Coelho, por Lacerda.

Mas Goulart liberou Virgílio para destinar os recursos iniciais, apesar do confronto e da cerrada oposição que o governador lhe fazia. Lacerda disse na ocasião, sou testemunha: “Receba ministro o agradecimento, e o transmita ao presidente, de quem, como eu, não agradece com facilidade. Dezoito meses depois, Lacerda se envolveria profundamente no golpe militar que derrubou Goulart. Mas esta é outra história.

Coincidência existem, é claro. Todos nós nos lembramos de tantas ao longo da vida. Quando Chagas Freitas, em 79, inaugurou o elevado da Perimetral, fui um dos primeiros a passar pela pista. Era diretor da LBA e saia de uma entrevista no programa O Povo na TV, de Wilton Franco, SBT. Dava 14 pontos, apenas 3 abaixo da Globo. Sucesso de audiência. Dialoguei com um dos entrevistadores: era Roberto Jefferson. Wagner Montes integrava o elenco de Wilton Franco. Bem, isso ficou no passado.

A obra se prolongou através de 17 anos. Cito o exemplo para mostrar como são lentas as realizações brasileiras, exceto as que marcaram os anos dourados de JK. O custo da lentidão é elevadíssimo. Não só acarreta o encarecimento, como diminui o retorno econômico e social das obras. Maior rapidez na execução, maiores os efeitos do que foi construído.

Eduardo Paes quer derrubar todo um esforço imenso, uma solução de engenharia fantástica, basta observar como o elevado se conecta com a ponte Rio Niterói e também, como frisou Emílio Ibrahim, com a Avenida Brasil.

O prefeito parece desejar submergir o trânsito nas áreas centrais do Rio. Impressionante desconhecimento da realidade. As manifestações contrárias vêm de todos os lados. Mas Eduardo Paes insiste como uma estranha compulsão no sentido do desastre. Mas agora, diante dos argumentos em série de Emílio Ibrahim, o prefeito terá que recuar. Prosseguir na intenção tornar-se-ia até uma alucinação. O artigo publicado no Globo é uma peça em defesa da cidade.

O Trono do patrono

Sebastião Nery

Estrasburgo (França) – Velhinho miúdo de cabeça grande e longos cabelos e bigodes brancos, ele não nasceu aqui. Foi perto daqui, do outro lado do Reno, na Alemanha, onde o Meno se encontra com o Reno, em Mainz, que portugueses, espanhóis, italianos chamam de Moguncia. Nasceu em 1400 e também não morreu aqui, mas na sua Mainz, em 1468.

Mas é aqui, à beira do Reno, nesta maravilhosa Estraburgo, que já foi romana, germânica, alsaciana, francesa, alemã, de novo francesa e ocupada quando Hitler ocupou a França, que está seu trono, todo em bronze, no meio da praça, sobre um pedestal, segurando uma página de sua primeira Bíblia:

– “Et la lumière fut”. “E a luz se fez”.

E Gutenberg iluminou para sempre a humanidade, criando a imprensa.

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GUTENBERG

E, como geralmente a imprensa, sempre perseguido. Viveu correndo entre Mainz (Moguncia) e Estrasburgo. Operário modesto, empregado nos fundos do palácio do arcebispo, começou a fazer pesquisas, tomou dinheiro emprestado, que não pagou, e por isso foi perseguido. Um dia inventou uma maquina tosca que acabou derrubando todo o império da Igreja Medieval.

É arrepíante entrar na pequena oficina, lá da sua Mainz (Moguncia), em que ele pesquisou 25 anos seguidos, para afinal, em 1432, 500 anos antes de eu nascer, editar pela primeira vez uma pagina impressa. Nos mais mínimos detalhes, foi criando um a um os tipos gráficos, fazendo a composição à mão, inventando a prensa de imprimir. Ameaçado por motivos políticos, fugiu aqui para Estrasburgo e trabalhou como ourives.

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BIBLIA

De volta a Mainz em 1448, em 1455 terminava a primeira edição de um livro: a Bíblia, que por isso se chama a “Biblia de Moguncia” Apesar disso, de escolher a Bíblia para primeira obra impressa, acabou novamente perseguido. Tomaram-lhe os exemplares impressos, expulsaram-no do palácio, prenderam-no, alegando que não havia pago as dividas.

Na verdade, a nobreza e o clero medieval sabiam que ali estava o fim de seu brutal Imperio de mil anos. Gutenberg, o velhinho miúdo de cabeça grande, tinha dado à humanidade seu melhor pedaço de pão: a palavra impressa, onde ela poderia alimentar a liberdade de pensar e de existir.

Seu monumento é de 1840, quatro séculos depois de sua invenção. Numa cidade bem própria: além de belo e poderoso centro cultural, Estrasburgo é a capital política da Europa, sede do Conselho da Europa e do Parlamento Europeu. Em Bruxelas funciona o Poder Executivo da União Européia. Mas as decisões políticas, coletivas, são tomadas aqui.

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ESTRASBURGO

A França teve razão de lutar séculos por ela, disputando-a com a Alemanha. Estrasburgo é contemporânea da humanidade. Desde a Idade de Bronze já morava aqui uma comunidade de pescadores. Conquistada pelos romanos, que a chamaram de “Argentoratum”(“cidade de prata”), no ano 12 antes de Cristo, logo virou posto militar para vigiar as tribos germanicas.

Conta a historiadora Annamaria Giusti :

– “Na Idade Media, a maior autoridade eram os bispos. Em 1262, foi liberada da tutela dos bispos. Em 1300, construíram uma ponte sobre o Reno, para negociar madeira, vinho, algodão. No século 15, transformou-se numa Republica Livre, governada por um Conselho de Representantes. E logo aderiu à Reforma Protestante, virou polo cultural com a presença de pensadores, pregadores e perseguidos políticos da França, Itália, Suíça, etc”.

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HITLER

Em 1697, foi anexada ao reino da França. Em 1870, o novo Império Alemão, para fazê-la capital da Alsacia-Lorena, bombardeou e destruiu grande parte de seus monumentos. Acabada a Primeira Guerra, passou a ser França de novo. Em 1940, Hitler a ocupou, quando ocupou a França. Em 1944, foi a vez dos americanos. Em agosto e setembro, já Hitler cercado em Berlim e derrotado, os americanos, com sua estupida política militar de ocupar a Europa antes dos russos,bombardearam-na brutalmente, “fruto de grave erro que custou muitas vidas francesas e danos à cidade”.

A grande jóia de Estrasburgo é a deslumbrante catedral, “um dos monumentos mais maravilhosos do gótico europeu”, que o poeta Paul Claudel chamou de “o grande Anjo rosa de Estrasburgo”, construida de 1236 a 1275. É rosada, no centro, construída no perímetro da antiga cidade romana, sobre as ruínas de um templo dedicado a Mercúrio e em 550, igreja.

O Relógio Astronômico da catedral é por si um monumento, com um Cristo expulsando a morte, representada por um esqueleto, a cada quarto de hora e abençoando as quatro idades da vida. Um carro passa mostrando o dia da semana. E também as horas, o mês, o ano e outras informações astronômicas em um enorme globo terrestre. Ao meio dia os apóstolos desfilam diante de Cristo e se inclinam, recebendo a benção, enquanto um galo abre as asas e canta. Cristo volta-se para a praça e abençoa a todos.

A corrupção e sua filosofia

Altamir Tojal

Uma operação intelectual de indulgência à corrupção atribui ao moralismo a idéia de que o poder pode não ser corrupto.

Um dos aspectos intrigantes da política brasileira é o silêncio nas universidades e a ausência do movimento estudantil no debate e nas manifestações contra a corrupção e a impunidade, dois pilares tradicionais do poder da oligarquia, que foram transformados agora no Brasil em política pública universalizada e em padrão de governança. Isso se tornou intolerável para uma parcela expressiva da sociedade, mas não parece sequer inquietar a juventude e o meio acadêmico.

Há duas pistas óbvias a seguir para chegar à razão dessa acomodação: a domesticação do movimento estudantil pelo governo e o aparelhamento partidário das universidades. E há outra, menos difundida, mas também relevante: o uso militante da idéia de que “o poder nasce da corrupção”.

Trata-se de uma assertiva do repertório de condenação do capitalismo, da globalização e, junto com isso, da democracia representativa. Mas aqui, ela passou a servir também para legitimar a corrupção como arma política de supostos portadores da verdade transformadora da sociedade, que no caso seriam o PT e seu governo.

Esse pensamento germina num ambiente de distanciamento e mesmo aversão à política, com a expansão na juventude e no sistema de ensino de uma subjetividade ávida por competência para vencer ou sobreviver no mercado e, portanto, com pouca ou nenhuma disposição para questionamentos e muito menos para engajamento em causas difíceis e conflituosas, como é o caso da campanha anticorrupção e contra a impunidade.

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INDIGNAÇÃO E PERSEVERANÇA

O alarido na sociedade por uma política mais comprometida com a ética e por uma justiça mais republicana ganhou corpo no Brasil em meados de 2011, depois que o jornalista Juan Arias, correspondente do jornal El País, nos chamou às falas no artigo ‘Por que os brasileiros não reagem?’.

O burburinho inicial se tornou fato político a partir dos protestos de 7 de setembro. De lá para cá, as manifestações não cessaram na rede e nas ruas.
Impulsionados, no começo, pela indignação, os movimentos se multiplicaram no país e definiram uma agenda substantiva.

A perseverança na mobilização já rendeu avanços e mesmo algumas vitórias, como o reconhecimento da constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa, a confirmação do poder do CNJ de investigar e punir irregularidades de juízes, o veto a candidaturas com contas de campanha reprovadas, a discussão de projetos para limitar o foro privilegiado e ampliar a responsabilidade de autoridades, bem como alguns sinais de mais diligência no Judiciário para o acolhimento e julgamento de ações contra a corrupção.

Tudo isso, porém, é muito pouco frente à pandemia de corrupção que o governo empreende com seu esforço de reprodução de poder. Isso é exposto todo dia no noticiário da imprensa crítica e nas redes sociais, dando conta da multiplicação de fraudes em concorrências, desvios de dinheiro público, aparelhamento, nepotismo e tantos outros vícios e malfeitos em todos os escalões.

Apesar disso, as universidades e o movimento estudantil seguem omissos. Não se pode, porém, dizer que o problema é totalmente ignorado neste estamento crucial para a reflexão e ação da sociedade. Ouvem-se sim algumas vozes, mas não são contra a corrupção e sim contra a imprensa crítica, que veicula os escândalos. E teorias para desqualificar quem protesta, rotulando esta atitude de hipocrisia moralista. De resto, o silêncio. Por quê?

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AS TRÊS PISTAS

Sabe-se que o PT cresceu e chegou ao poder junto com os movimentos sociais e que estes passaram a compartilhar os governos junto com o partido. Há avanços que podem ser atribuídos a este processo, principalmente nas políticas sociais. Mas a contrapartida tem sido a domesticação dos movimentos.

Ou seja, o preço dos ganhos sociais está sendo o enfraquecimento e o controle dos movimentos pelas oligarquias, que facilmente assimilaram o PT e lhe impuseram não só a prática da corrupção como forma de governo, mas também a neutralização ou mesmo a anulação dos conflitos em nome da governabilidade.

A UNE, por exemplo, não passa hoje de uma repartição pública. É uma caricatura melancólica e decrépita da entidade que, no passado, combateu pela democracia e por todas as grand es causas da sociedade brasileira. É esta a primeira pista.

Sabe-se também da grande influência do PT nas universidades, principalmente na administração das federais. Vale lembrar o manifesto dos reitores em apoio a Dilma nas eleições de 2010. Imagine a milionária combinação de verbas, patrocínios, bolsas, oportunidades e homenagens para alunos e professores, manipuladas com esse aparelhamento. Quanta moeda de troca! Pense também no potencial de patrulhamento de vozes discordantes. Esta é a pista número dois. Frente a isso, as irregularidades na gestão das universidades, descobertas já em 13 estados, são troco na conta do prejuízo para a sociedade.

E há a referida operação intelectual de indulgência à corrupção, entrincheirada na noção que atribui “ao moralismo a idéia de que o poder pode não ser corrupto”, que é a nossa terceira pista.

Podemos segui-la, desde 2005, quanto eclodiu o escândalo do Mensalão. Naquela ocasião, o livro ‘Global: biopoder e luta em uma América Latina globalizada’ ia para o prelo. E os seus autores, Antonio Negri e Giuseppe Cocco, incluíram nele uma nota mantendo a avaliação positiva do Governo Lula, sustentada na obra, mesmo que a acusação de corrupção fosse demonstrada nas investigações que começavam.

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MORAL E ÉTICA

O argumento central é a distinção entre moral e ética. A moral, sob esta visão, afirma-se a partir de princípios abstratos, enquanto a ética é inseparável do processo e dos sujeitos que a produzem. Daí, os autores assumem que “o poder é sempre corrupto, pois é fruto da corrupção da democracia”. E concluem: “o moralismo continua afirmando que a democracia representativa deve ser ‘depurada’, quando é a própria representação que implica corrupção”.

Mais tarde, em outro livro, ‘Goodbye Mr. Socialism’, Negri formula a tese da justificativa do Mensalão com uma narrativa mais própria do vale-tudo da política: “Pagaram sistematicamente aos pequenos partidos para que apoiassem as leis propostas por Lula ao parlamento. Quem é corrupto? O sistema. De outro modo, Lula não podia governar porque os partidos evangélicos eram pagos pela oposição de direita. Assim funciona o poder”.

Como supor, porém, que as regras do jogo da corrupção sejam ditadas pelos esclarecidos estrategistas do PT em nome da salvação do povo? E o outro da relação? Como considerar a corrupção sem o poder do corruptor? Que evidência pode ser mais forte da submissão do PT às oligarquias que o uso da corrupção como ferramenta privilegiada de reprodução do poder?
Cabe suspeitar, portanto, que temos aqui um caso de suspensão da crítica ao poder quando se trata do poder do amigo.

A influência de Antonio Negri no PT e nos setores da academia caudatários do partido, não deve ser menosprezada. A Filosofia reverbera pouco e em círculos muito restritos dos partidos e mesmo da academia. Mas não se deve desconsiderar a força do pensamento sobre a ação e a inação na política.

Negri é um dos principais renovadores do pensamento político contemporâneo. Lamentavelmente, sua repercussão no Brasil decorre menos do que vem produzindo de mais potente – como os conceitos de trabalho imaterial, império, multidão e comum, entre outras contribuições para dar conta das mutações na vida contemporânea – do que de sua militância.

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OMISSÃO E CUMPLICIDADE

Não é livre de controvérsia a tentação do filósofo de transformar o mundo, buscando sentido prático para as idéias. Boa parte da produção filosófica debate exatamente o tema da ação. Embora seja da essência do filósofo político querer tornar carne o seu verbo, também é fato que a teoria é uma caixa de ferramentas que serve ao conhecimento. Querer que ela seja mais que isso pode deslocá-la à condição de crença religiosa e levá-la a inspirar calamidades, como a história demonstra.

Outro pensador contemporâneo, Slavoj Zizek sugere: “Leia Marx. Mas leia a 11ª. tese sobre Feuerbach ao contrário, aquela que diz que os filósofos se limitaram a interpretar o mundo, quando devemos transformá-lo. Devemos parar de querer mudar o mu ndo às cegas, para interpretá-lo, saber o que ele é.”

Essa discussão nem ao menos é nova. Hannah Arendt, uma das mais influentes pensadoras do século passado, ao homenagear Martin Heidegger no livro ‘Homens em tempos sombrios’, constatou “uma tendência ao tirânico” nas teorias de quase todos os grandes pensadores: “não podemos sequer nos impedir de achar chocante, e talvez escandaloso, que tanto Platão como Heidegger, quando se engajaram nos afazeres humanos, tenham recorrido aos tiranos e ditadores”.

Não parece que esta constatação desqualifique ou mesmo diminua a tradição da Filosofia Política, cuja fundação é reivindicada para Maquivel, e na qual Negri e outros prestigiados pensadores contemporâneos se alinham. Mesmo sobrepondo as razões do estado ao moralismo e defendendo que é melhor vencer pelo ardil que pela força, Maquiavel não está necessariamente apoiando a corrupção de hoje no governo brasileiro e não pode ser responsabilizado pelos criminosos que se acobertam atrás do seu nome.

A obra de Negri certamente persistirá e continuará produzindo ação, da mesma forma que as obras de outros pensadores importantes. Mas inocentando a corrupção no Brasil, ele dá, aos que estão sob sua influência aqui – intelectuais, professores e estudantes – pretexto e fundamentação para a omissão e, portanto, para a cumplicidade com o que há de pior na política brasileira. Ironicamente, a indiferença é também uma das marcas da subjetividade produzida por relações aviltantes, exacerbadas na economia pós-industrial, que são criticadas pela teoria anticapitalista do próprio Negri.

O vitorioso Ricardo Teixeira, derrotado pela doença

Vicente Limongi Netto

Ricardo Teixeira capitulou para a doença. Jamais se rendeu, porém, aos pregoeiros do caos, aos decaídos, parasitas e fracassados. Seus adversários formavam um timeco de rebotalhos que nunca levantou sequer um tijolo em benefício do futebol brasileiro.

São maledicentes na fabricação de crises. Só mesmo malucos, ressentidos e invejosos não admitem o legado vitorioso que Ricardo Teixeira deixou para o futebol. Foram 112 títulos. Entre eles, duas Copas do Mundo, 5 Copas das Americas e 3 Copas das Confederações.

Para piorar os pesadelos e ataques de fígado das eternas vestais grávidas, o experiente José Maria Marin anunciou que na presidência da CBF dará continuidade ao trabalho e aos esforços de Teixeira visando o êxito da Copa do Mundo de 2014 e à modernização do futebol brasileiro.

Ou seja, Marin não é criança nem tolo para permitir ser monitorado por arrogantes e donos do monopólio da verdade.