Em defesa do diploma para jornalistas

Carlos Chagas

O “seu” Manoel, dono do  açougue ali da esquina, é um craque na arte de cortar  carne. Com seu  facão, tira cada filet, cada costela. Tem o dom de cortar carne. Por isso deve despir o avental, vestir o jaleco, entrar no Hospital Distrital e operar alguém de apendicite? O camelô da estação rodoviária também é um craque na palavra. Vende tudo o que expõe no seu caixote. Deve vestir a beca, entrar no Supremo Tribunal Federal e defender alguma causa? Argumenta-se ser o diploma de jornalista desnecessário, porque a   pessoa nasce com o dom de escrever ou de exprimir-se nas telinhas e microfones.  

Aplausos para eles,  mas o dom de escrever  faz o escritor, como o de apresentar-se com desenvoltura e boa estampa, nas telinhas e nos microfones, faz o  apresentador.  Eles não estão proibidos, pelo contrário, tem o direito de expor seus escritos tanto quanto de mostrar-se no rádio e na televisão. Podem  escrever em jornais e  revistas, mas como colaboradores,  assim como nos meios  eletrônicos, como mestres de cerimônia. Jamais como jornalistas, porque ser jornalista  não  é nem  melhor nem pior do  que ser escritor ou apresentador. É apenas diferente.

O jornalista, além de saber escrever ou divulgar notícias, deve estar preparado para identificá-las através das  diversas funções da profissão, adquiridas de forma ordenada e sistematizada como só o ensino  universitário pode proporcionar: editar, diagramar, selecionar, iluminar,  saber o  que é notícia, e, acima de tudo, tornar  a notícia precisa e verdadeira. Saber como transmiti-la, por escrito ou nos meios  eletrônicos.

Para isso,  necessita, além de conhecer a técnica, dispor de  noções claras de História, Política, Economia, Filosofia, Ética, Geografia.  Esses conhecimentos se adquirem com muito mais eficiência nas Faculdades de Comunicação. Durante séculos não  havia Faculdades de Medicina. Eram os  curiosos, os estudiosos, os curandeiros,  que se dedicavam à tarefa de enfrentar  doenças através do exemplo dos mais velhos e da experiência adquirida.  O mundo andou para a frente e foram surgindo os cursos de Medicina, há muito obrigatórios para quem a exerce.  Sem o diploma, dá até  cadeia, pelo Código  Penal. O mesmo em outras profissões, como Arquitetura, Engenharia e tantas mais. Inclusive a militar, pois saber atirar bem não faz um general.

O Jornalismo seguiu o  mesmo  caminho. Por que tanta gente se opõe ao  diploma? A resposta está nos próprios estudante de Comunicação. Porque é  nos bancos universitários, que acima e além de ideologias, doutrinas e preferências políticas, filosóficas e outras, vocês adquirem um valor  maior. São unidos pelo denominador comum da valorização da profissão, pela dignidade   pautada pelo nosso  objetivo maior, de transmitir à sociedade tudo o que se passa nela de bom, de mau, de certo, de errado, de ódio e de amor. De tragédia e de comédia. Porque será apenas sabendo tudo o que se passa nela que a sociedade poderá aprimorar-se.  Formar-se.

Pertenço à escolada humildade: não acho que sejamos  “formadores de opinião”. Somos informadores, porque conhecendo-se é que a sociedade poderá formar-se, estimulada por mil fatores. Mas existem  outros motivos porque muitos se insurgem contra o diploma. Porque será através dos cursos de Comunicação, de múltiplos semestres convivendo, estudando, debatendo, duvidando  e questionando juntos  que vocês adquirem o sentido de unidade, em defesa da informação, vale repetir,  precisa e verdadeira.

Vocês são os demolidores daquele tipo de  jornalismo hoje quase ultrapassado, que fazia da notícia um trampolim para a concretização de interesses muitas vezes ilícitos, fossem   econômicos, políticos, de conquista do poder e do domínio de grupos e até de nações. No  passado, mais do que no presente, fundava-se um jornal para  defender ou para  opor-se a uma idéia, um partido, uma doutrina e uma ideologia. Ou um interesse.  Colocava-se  a noticia a serviço do enriquecimento, da dominação e da prevalência de minorias sobre a sociedade. Não mudou de todo,mas mudou bastante.

Era mais fácil para os  donos dos meios de comunicação, que se julgavam donos da notícia, escolher a dedo quem trabalharia em suas redações, desde que comprometidos  e postos a serviço de seus interesses.  As coisas foram  mudando, ou  continuam mudando, ainda que haja muito que mudar. Vocês chegam nas redações unidos por uma vontade maior de cultuar, jamais de  travestir a notícia. Além de apresentarem um sentido muito maior de unidade para dignificar a profissão. Para exigir não apenas  mais ética na comunicação social, porém  refratários à sua distorção. Além de melhores salários, melhores condições de trabalho, mais dignidade. Chegam às redações não  por subserviência ou por  serem amigos,   parentes ou sabujos dos donos de jornal  ou de seus prepostos. Há um longo caminho a percorrer, mas o diploma serve de  trator para abrir  estradas no rumo do  objetivo de fazer da notícia  um agente a serviço da sociedade.

Uma pequena história serve para ilustrar porque cabe a nós, jornalistas  essa função de  contribuir  para o aprimoramento  social através da notícia. Na década de 60. em plena guerra fria, um escritor russo  começou a incomodar os donos do  poder na União Soviética. Não era jornalista,   mas escritor, capaz de manipular ficção e emoção como bem imaginava. Chamava-se Alexandre Soljenitchin,  e tanto  criticou o  regime que se viu proscrito. O outro  lado, os Estados Unidos, também por interesses  escusos,  começou a exaltar o escritor, até mais do que suas qualidades recomendavam, e ele acabou recebendo o Premio Nobel de Literatura. Foi expulso da União Soviética, refugiando-se nos Estados Unidos. Lá,  imaginaram a CIA, o FBI, Wall Street e outros braços do confronte ideológico  utilizá-lo como instrumento de sua  propaganda. Queriam passear com ele pelo país e pelo  resto do  mundo como testemunha  viva  dos  horrores do socialismo soviético. 

Soljenitchin negou-se ao papel  de fantoche, rejeitou polpudos empregos e gratificações. Recusou conceder qualquer entrevista à  imprensa e refugiou-se numa pequena universidade, recebendo pequeno salário como professor de Literatura  Russa. Estava congelado  pelos dois  lados. Passados cinco ou seis  anos, como era uma personalidade que despertava curiosidade e respeito, achou  haver  chegado a hora de falar. Convocou a imprensa para uma entrevista coletiva,  comparecendo os  maiores expoentes do jornalismo americano, inclusive o Papa de todos eles, Walter Cronkite. Disse o russo estar preparado para  analisar e criticar   não apenas o regime da União Soviética, mas, também, para apontar as distorções do sistema  capitalista americano.  E foi duro ao extremo.

Quando  abordou a imprensa russa, não poupou a omissão da notícia lá  verificada, sendo os  meios de comunicação   mero instrumento de exaltação de seus governantes. Mas ao chegar à imprensa americana, foi igualmente implacável. Indagou dos jornalistas presentes quem lhes havia dado  o direito de selecionar o que devia e o que não devia ser publicado.  Com que direito manipulavam a notícia, divulgando e omitindo o que bem  entendessem.Uma pergunta dos diabos, danada  de profunda, daquelas de fazer pensar muito tempo.

Foi quando Walter Cronkite levantou-se, mesmo fora de hora, e surpreendeu todo   mundo levando a mão ao  peito, contristado,  sussurrando estar sendo acometido de um enfarte. Soljenitchin, assustado, gritou para os organizadores  da entrevista: “depressa, chamem um  médico!”Nessa hora, Cronkite ficou bom, olhou para o entrevistado e disse apenas: “está respondida a sua pergunta”.     

Em suma, o jornalista americano deixou claro que quando alguém tem  uma dor, chama o médico. E quando as notícias são divulgadas, quem melhor para selecioná-las e divulgá-las do que  os  jornalistas, preparados para a função,  assim como os médicos se preparam para diagnosticar as dores?

Vale encerrar esse capítulo do diploma, tão contestado e combatido por razões mais do que canhestras, acentuando que o  diploma significou a carta de alforria do jornalismo, a prevalência da natureza   das coisas sobre o obscurantismo, imenso  passo à frente nessa  trajetória que não tem fim, para o aprimoramento de nossa profissão.  Importa também  relegar  à lata do  lixo o argumento de que os nossos cursos de Comunicação são fracos, preparam muito mal os estudantes, constituindo-se não raro em  arapucas comerciais desprovidas de conteúdo. Replica-se:   se os cursos são  ruins, deficientes e incompletos, como boa parte deles, vamos melhora-los. Reformula-los. Revoluciona-los, até.

Mas suprimir a   obrigatoriedade do diploma, como fez o Supremo Tribunal Federal,  em 2009, será apenas reconhecer que a batalha é árdua, penosa e longa. Que os donos de jornal ainda dispõem de muito  poder, mas que serão   inexoravelmente derrotados pela notícia precisa e verdadeira.

Na ONU, ao defender imprensa livre, Dilma respondeu ao PT de Dirceu

Pedro do Coutto

Em momentos diversos, nos dois primeiros dias da reunião da ONU 2011, a presidente Dilma Roussef aproveitou o cenário internacional para, ao defender a imprensa livre, responder no plano nacional à corrente do PT de José Dirceu que propõe exatamente o contrário e se transformou, claramente, no principal  foco da oposição a seu governo.

Na terça-feira, 20, ao participar, ao lado de Barack Obama, de mesa redonda sobre transparência política e administrativa, destacou o papel da liberdade de imprensa como instrumento de combate à corrupção. Sobre este tema, reportagem de Cristiane Jungblut e Fernanda Godoy, O Globo de 21, publicou o pronunciamento com exclusividade. O que até surpreende, já que o painel foi aberto aos jornalistas que se encontravam em Nova Iorque.

A impressão que tenho é que Jungblut e Godoy perceberam melhor a exatidão e o endereço do recado. Mensagem, digo eu, ao principal reduto oposicionista que não se encontra hoje em São Paulo, mas no Hotel Naoum, Brasília. Mas esta é outra questão. O fato é que Dilma Roussef, em seu primeiro pronunciamento, por diversas vezes, concentrou-se no impulso de exaltar a importância de uma imprensa livre sem constrangimento governamental.

A corrente do ex-ministro-chefe da Casa Civil propõe controle da mídia, como se isso fosse possível. Não é. É mais viável controlar-se a corrupção do que a informação. Até porque a informação é um direito de todos. A corrupção constitui crime praticado por alguns. Bem, o primeiro pronunciamento ocorreu na terça-feira. O segundo na quarta, quando a presidente abriu a sessão anual.Focalizando o conflito e as contradições do Oriente Médio, Dilma afirmou: O Brasil é pátria de adoção de muitos imigrantes daquela parte do mundo. Os brasileiros se solidarizam com a busca de um ideal que não pertence a nenhuma cultura, porque é universal: a liberdade. É preciso, continuou ela, que as nações aqui reunidas encontrem uma forma legítima e eficaz de ajudar as sociedades que clamam por reforma, sem retirar de seus cidadãos e condução do processo.

Mais adiante, acentuou: O autoritarismo, a xenofobia, a miséria, a pena capital, a discriminação são algozes dos direitos humanos. Há violações em todos os nossos países, sem exceção. Reconheçamos esta realidade e aceitemos, todos, as críticas. Devemos nos beneficiar delas. E criticar, sem meias palavras, os casos flagrantes de violação, onde quer que ocorram.

Mais claro, impossível. E na parte final, criando momento raro na história da ONU, acrescentou: Como mulher que sofreu tortura no cárcere, sei como são importantes os valores da democracia, da justiça, dos direitos humanos e da liberdade. Basta ler o texto inserido apropriadamente no contexto para se ter certeza de que as palavras da presidente não foram lançadas ao vento, mas se dirigiram a alguns endereços certos. Principalmente aos que se opõem à liberdade (dos outros) querendo fazer prevalecer a sua versão, seja falsa ou real.

É o tal negócio: querem a democracia quando precisam dela, tornam-se adeptos da opressão e da supressão da imprensa quando tal perspectiva os ajuda em seus negócios. Negócios de poucos, mas que causam permanentemente prejuízos a milhares de seres humanos. É o caso da corrupção, contra a qual a sociedade brasileira se revolta. E, no fundo, só encontra, para o combate, a imprensa a seu lado.Por estas razões, assinalo ser bastante importante a leitura serena e desapaixonada dos dois primeiros pronunciamentos de Dilma Roussef na ONU. Com eles, traçou para si mesma e para o país um compromisso sem retorno.

Os primos da Petrobras

Sebastião Nery

RIO – Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota, magro, alto, elegante, cardeal-arcebispo de São Paulo de 1944 a1964 e de Aparecida de 1964 a 1982, mineiro de Caeté, antes de entrar para o seminário estudou Direito até o terceiro ano e foi vereador. Foram seus companheiros, na Câmara Municipal de Caeté, Israel Pinheiro e Euvaldo Lodi.

Logo depois da Revolução Paulista de 1932, dois primos do cardeal Mota, Jurandir e Darci Figueiredo Mota, mudaram-se de Caeté para São Paulo e precisavam de emprego. Foram procurar o primo-padre, que nomeou os dois: um, médico do Estado. O outro, delegado. Mas eram nomeações provisórias. Como as de Sarney no Senado.

Que logo depois viraram permanentes. Como as de Sarney.

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DOM MOTA

Havia um decreto mandando efetivar todos os servidores do Estado de São Paulo que haviam participado da rebelião. Como enquadrar os dois? Um día, chegou a São Paulo um documento da delegacia de Caeté informando que Darci e Jurandir tinham sido bravos e fervorosos revolucionários.

E só não chegaram a pegar em armas em São Paulo porque, quando saíam de Caeté para se incorporarem às tropas rebeldes do coronel Euclides de Figueiredo, foram presos e passaram todo o período da luta sofrendo as agruras do cárcere.

O atestado foi aceito, os dois foram efetivados. Caeté inteira sabia que da revolução paulista os dois sabiam apenas alguns telegramas ouvidos entre uma partida e outra de bilhar, no manso botequim da cidade.

O delegado de Caeté, que deu o atestado, também era Mota. Também era primo.

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MISTER LINK

Quando a Petrobrás foi criada, em 1953, era a gata borralheira. Ninguem queria saber dela. As empresas internacionais de petróleo, as famigeradas e criminosas “sete irmãs” (Standard, Texaco, Esso, Shell, etc), lançaram grande campanha no pais para “provarem” que o Brasil não tinha petróleo.

Presidente da Petrobrás e mais norteamericano do que a Coca Cola, Juracy Magalhães, que tinha sido adido militar lá (depois do golpe de 64 foi embaixador) contratou um ex-geologo-chefe da Standard Oil, o incrível Mister Walter Link, que produziu o “Relatorio Link” dizendo que o Brasil não tinha petróleo em terra e, se um dia aparecesse, só no mar, sem condições de ser explorado, por falta de tecnologia e dinheiro.

Queriam guardar nosso petróleo para quando o deles acabasse.

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EPOPEIA

A Petrobrás, costurando com suas próprias linhas, e dinheiro apenas do Brasil, começou a pesquisar, perfurar, descobrir, extrair e refinar sozinha, a partir da Bahia e da refinaria de Mataripe (Lanulfo Alves).

Uma epopeia de 60 anos, que começou com a campanha do “O Petróleo é Nosso”, iniciada em 1948, e chegou ao “Pré-Sal”. Na Bahia, no começou da década de 60, logo se formou um grupo de jovens engenheiros, geólogos, paleontologos, que passaram a procurar petróleo no fundo do mar.
E encontraram. Eles, os tecnicos brasileiros. Ela, a Petrobrás.

E vieram os campos das plataformas da Bahia, Sergipe, Rio Grande do Norte, depois Espírito Santo, Campos, Macaé, Santos, Tudo pesquisado, perfurado, descoberto, extraído pela Petrobrás. As empresas internacionais, diante da evidencia, passaram a dizer que a exploração era antieconomica.

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“7 VAMPIRAS”

No governo Fernando Henrique, com petróleo no mar, alta rentabilidade e lucros crescentes nas contas da Petrobras, as “sete canalhas” apareceram para “participar”. A tecnologia da Petrobrás tinha sido aprovada, o petroleo descoberto pela Petrobrás e os campos demarcados tambem pela Petrobrás. A cama feita, estava na hora de pularem em cima.,

As “sete vampiras” promoveram outra forte campanha na “grande imprensa”, sempre aliada de qualquer gringo com dinheiro, desde Pedro Álvares Cabral. E acabaram com o monopólio da Petrobrás. Passaram a faturar, em condições iguais às da Petrobrás, o petroleo já descoberto.

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PRÉ-SAL

De repente, estoura o “Pré-Sal”. Também estudado, pesquisado, descoberto, viabilizado pela Petrobrás. Elas pularam em cima na primeira hora. Exigiam“participar”nas mesmas condições anteriores de “concessão”.
O governo, felizmente certo, disse o obvio : – “O Pre-Sal é uma situação diferente, excepcional. É uma riqueza que durará décadas de exploração. Logo, o sistema vai ser diferente. Não concessão, mas partilha”.

Na “concessão”, as empresas estrangeiras exploram em pé de igualdade com a Petrobrás. Na “partilha”, a Petro-Sal comandará o processo em nome da União, a Petrobrás tem garantido um mínimo de 30% na exploração de qualquer campo e a União decide a aplicação do lucro.

Esperem a guerra no Congresso e sobretudo na imprensa. Sempre ela. Agora, a gata borralheira virou uma bela prima. E todos eles primos.

Por coincidência, mera coincidência, montadoras estrangeiras “previram” o aumento do IPI de carros importados.

Carlos Newton

Não causa o menor espanto a notícia de que montadoras estrangeiras tenham nacionalizado todos os seus veículos que estavam na alfândega uma semana antes do governo brasileiro anunciar o aumento do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para carros importados.

E foi tudo coincidência, é claro. O presidente da indústria chinesa JAC no Brasil, Sérgio Habib, negou ter tomado a decisão com base em informações privilegiadas do governo, mas afirmou que já esperava uma alteração no imposto.

A fábrica KIA, segundo o presidente José Luiz Gandini, recebeu seis navios seguidos de veículos vindos da Coreia do Sul. Mas negou que a importação tenha sido feita com base em informações de que o governo aumentaria o imposto. E assim como a KIA, outras empresas também se armaram contra a decisão do governo, tudo coin.

Mas no mercado, a medida tomada pelas montadoras estrangeiras foi considerada como estratégica para driblar o aumento do IPI. Terça-feira, a chinesa Chery informou por meio de um comunicado que está “concentrando todos os esforços para continuar oferecendo carros completos com preços justos, qualidade e tecnologia a todos os brasileiros”.

Como se dizia antigamente, fica combinado assim. Foi só coincidência.

Associação do Aço do Rio Grande do Sul denuncia desindustrialização do país.

Polibio Braga

O presidente da Associação do Aço do Rio Grande do Sul, José Antonio Fernandes Martins, botou mais lenha na fogueira das discussões atuais sobre desindustrialização. Ele é o primeiro líder empresarial gaúcho de peso que bate de frente no problema.

Suas reclamações e denúncias:

1) A concorrência chinesa e de outros países asiáticos, é a principal responsável pela desindustrialização, devido aos seus menores custos tributários, cambiais e trabalhistas.

2) A situação está se agravando ainda mais devido ao procedimento da triangulação, através do qual empresas chinesas estão “instalando” montadoras no Mercosul.

3) Em Países como Argentina e Uruguai, os chineses e coreanos “montam” seus produtos, porém com componentes totalmente importados da China. Como não há uma checagem rigorosa sobre o “Certificado de Origem”, esses produtos ingressam como produtos do Mercosul e são exportados para o Brasil sem imposto de importação.

4) O presidente da Associação do Aço refere-se a produtos do setor metal-mecânico, como tratores, colheitadeiras, automóveis, ônibus, caminhões, pregos, cutelaria, talheres, mas denúncias semelhantes partem de todos os setores ligados ao agronegócio do RS.

5) Nesta sexta-feira, 12 horas, na Fiergs, a entidade ouvirá o diretor comercial da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Luiz Fernando Martinez, que falará sobre o impacto da “desindustrialização” sobre o setor siderúrgico, tendo em vista as crescentes importações de aço.

6) O pessimismo dos empresários sobre as condições atuais da economia cresceu em setembro sobre agosto. O indicador caiu de 44,5 pontos, no mês passado, para 44,2 pontos em setembro.

Luta contra a corrupção começa a ser disseminada pela internet.

Circulam na internet muitos manifestos contra a corrupção e defendendo a moralização do serviço público. Um deles, assinado pelo brigadeiro Ivan Frota, é muito extenso e nem dá para publicar. Mas o comentarista José Guilherme Schossland, sempre atento e atuante, nos manda um desses manifestos, que por ser mais curto e objetivo, merece transcrição aqui no Blog, embora seja anônimo.

A guerra contra o mau político, e contra a degradação da nação está começando. Não subestimem o povo que começa a ter conhecimento do que nos têm acontecido, do porquê de chegar ao ponto de ter de cortar na comida dos próprios filhos! Estamos de olhos bem abertos e dispostos a fazer tudo o que for preciso, para mudar o rumo deste abuso.

Todos os ”governantes” do Brasil até aqui, falam em cortes de despesas – mas não dizem quais despesas – mas, querem o aumentos de impostos como se não fôssemos o campeão mundial em impostos.

Nenhum governante fala em:

1. Reduzir as mordomias (gabinetes, secretárias, adjuntos, assessores, suportes burocráticos respectivos, carros, motoristas, 14º e 15º salários etc.) dos poderes da República;

2. Redução do número de deputados da Câmara Federal, e seus gabinetes, profissionalizando-os como nos países sérios. Acabar com as mordomias na Câmara, Senado e Ministérios, como almoços opíparos, com digestivos e outras libações, tudo à custa do povo;

3. Acabar com centenas de Institutos Públicos e Fundações Públicas que não servem para nada e, têm funcionários e administradores com 2º e 3º emprego;

4. Acabar com as empresas Municipais, com Administradores a auferir milhares de reais/mês e que não servem para nada, antes, acumulam funções nos municípios, para aumentarem o bolo salarial respectivo.

5. Acabar com o Senado e com as Câmara Estaduais, que só servem aos seus membros e aos seus familiares. O que é que faz mesmo uma Assembleia Legislativa (Câmara Estadual)?

6. Por exemplo as empresas de estacionamento não são verificadas porquê? E os aparelhos não são verificados porquê? É como um táxi, se uns têm de cumprir porque não cumprem os outros? E como não são verificados como podem ser auditados?

7. Redução drástica das Câmaras Municipais e das Assembléias Estaduais, se não for possível acabar com elas.

8. Acabar com o Financiamento aos partidos, que devem viver da quotização dos seus associados e da imaginação que aos outros exigem, para conseguirem verbas para as suas atividades; Aliás, 2 partidos apenas como os EUA e outros países adiantados, seria mais que suficiente.

9. Acabar com a distribuição de carros a Presidentes, Assessores, etc.., das Câmaras, Juntas, etc., que se deslocam em digressões particulares pelo País;

10. Acabar com os motoristas particulares 24 h/dia, com o agravamento das horas extraordinárias…. para servir suas excelências, filhos e famílias e até, as ex-famílias…

11. Acabar com a renovação sistemática de frotas de carros do Estado;

12. Colocar chapas de identificação em todos os carros do Estado. Não permitir de modo algum que carros oficiais façam serviço particular tal como levar e trazer familiares e filhos, às escolas, ir ao mercado a compras, etc.;

13. Acabar com o vaivém semanal dos deputados e respectivas estadias em  em hotéis de cinco estrelas pagos pelos contribuintes;

14.. Controlar o pessoal da Função Pública (todos os funcionários pagos por nós que nunca estão no local de trabalho). HÁ QUADROS (diretores gerais e outros) QUE,EM VEZ DE ESTAREMNO SERVIÇO PÚBLICO, PASSAM O TEMPO NOS SEUS ESCRITÓRIOS DE CONSULTORIAS A CUIDAR DOS SEUS INTERESSES….;

15. Acabar com as administrações numerosíssimas de hospitais públicos que servem para garantir aos apadrinhados do poder – há hospitais de cidades com mais administradores que pessoal administrativo… pertencentes Às oligarquias locais do partido no poder…

16. Acabar com os milhares de pareceres jurídicos, caríssimos, pagos sempre aos mesmos escritórios que têm canais de comunicação fáceis com o Governo, no âmbito de um tráfico de influências que há que criminalizar, autuar, julgar e condenar;

17. Acabar com as várias aposentadorias por pessoa, de entre o pessoal do Estado e entidades privadas, que passaram fugazmente pelo LEGISLATIVO.

18. Pedir o pagamento da devolução dos milhões dos empréstimos compulsórios confiscados dos contribuintes, e pagamento IMEDIATO DOS PRECATÓRIOS judiciais;

19. Criminalizar, imediatamente, o enriquecimento ilícito, perseguindo, confiscando e punindo os ladrões que fizeram fortunas e adquiriram patrimônios de forma indevida e à custa do contribuinte, manipulando e aumentando preços de empreitadas públicas, desviando dinheiros segundo esquemas pretensamente “legais”, sem controle, e vivendo à tripa forra à custa dos dinheiros que deveriam servir para o progresso do país e para a assistência aos que efetivamente dela precisam;

20. Não deixar um único malfeitor de colarinho branco impune, fazendo com que paguem efetivamente pelos seus crimes, adaptando o nosso sistema de justiça a padrões civilizados, onde as escutas VALEM e os crimes não prescrevem com leis à pressa, feitas à medida;

21. Impedir os que foram ministros de virem a ser gestores de empresas que tenham beneficiado de fundos públicos ou de adjudicações decididas pelos ditos.

22. Fazer um levantamento geral e minucioso de todos os que ocuparam cargos políticos, central e local, de forma a saber qual o seu patrimônio antes e depois.

23. Pôr os Bancos pagando impostos e, atendendo a todos nos horários do comércio e da indústria.

24. Proibir repasses de verbas para todas e quaisquer ONGs.

25. Fazer uma devassa nas contas do MST e similares, bem como no PT e todos demais partidos políticos.

26. REVER imediatamente a situação de todos os APOSENTADOS, inclusive os Federais, Estaduais e Municipais, que precisam muito mais que estes que vivem às custas dos brasileilros trabalhadores.

27. REVER as indenizações milionárias pagas indevidamente aos “perseguidos políticos” (guerrilheiros-quadrilheiros-assaltantes).

28. AUDITORIA sobre o perdão de dívidas que o Brasil concedeu a outros países.

29. Acabar com as mordomias (que são abusivas) da aposentadoria do Presidente da Republica, após um mandato, nós temos que trabalhar 35 anos e não temos direito a carro, combustivel, segurança ,etc.

30. Acabar com o direito do prisioneiro receber mais do que o salario mínimo por filho menor, e, se ele morrer, ainda fica esse beneficio para a família.  O prisioneiro deve trabalhar para receber algum benefício, e deveria indenizar a família que ele prejudicou.

31. Acabar com a farra das informações que adormecem o povo pelos veículos de comunicação. Não permitir a renovação da concessão, que é pública, para famílias que possuem mais emissoras do que é permitido por lei.

32. Rever verbas para UNE e outras entidades estudantis que, atualmente, só aplaudem o governo.

33. – Revendo estes itens não haverá necessidade de nova CPMF (ou outro apelido qualquer) para atender a SAÚDE (viu, dona Dilma!).

34. Limitar e acabar com os abusos bancários.

35. Acabar com qualquer tipo de Cartórios (privilégios de uma minoria hereditária)

36. Diminuir o numero de municípios (fundir ou incorporar a maioria dos povoados deficitários), numero mínimo de habitantes por município: 50 mil.

Democracia, família, corrupção e marxismo

Paulo Solon

Dos países que compõem o chamado BRIC, dois, pelo menos, ignoraram a questão de democracia e família que, no caso do Brasil, são dois fatores a gerar essa onda desenfreada de corrupção. Russia e China trilharam outros caminhos.

Mao Tse Tung aparece na política da China como assistente de um livreiro politicamente ativo chamado Li Dazhao, que publicava o jornal Nova Maré, rejeitando os valores culturais centrados na família, herdados do Confucionismo, e advogando a primazia do indivíduo. Isto é importantíssimo para se entender o desprezo que Mao teria, não só pela família, como pelo CRISTIANISMO ADULTERADO, que também a exaltava. Adulterado, sim, porque Cristo jamais exaltou a família. Muito pelo contrário.

Foi Li Dazhao, e não Mao, quem deu boas vindas à Revolução Russa de 1917, urgindo a China a se adaptar à Nova Onda Social, a assumir suas idéias sobre valores sociais e culturais. Organizou a Sociedade Marxista de Pesquisas, que se tornou muito popular entre os estudantes.

O mais importante naquela época entre os novos ativistas políticos foi Chen Dixiu e não Mao Tse Tung. Foi Chen quem organizou demonstrações, chegando a passar certo tempo na cadeia em decorrência de suas atividades políticas. Como catedrático da Universidade de Beijing, Chen era também editor do Nova Juventude, trabalhando com Li Dazhao para explicar o Marxismo ao povo chinês. Em 1920 fundou a Sociedade de Estudos Marxistas e a Juventude Estudantil Marxista. Ambas organizações sedimentaram as bases do que é hoje o Partido Comunista Chinês.
Porém, o editor Li Dazhao, de quem Mao foi assistente, era um herdeiro da rebelião dos Boxer. Em 1884, após a Revolução americana de 1776 e a francesa de 1789, Karl Max já havia publicado “O Homem Comum” em 1848, tres anos antes da revolução dos Boxer.

Como se sabe, os Boxer constituiam um movimento radical xenòfobo, anti-estrangeiro, que se espalhou pela China. Combinando artes-marciais com rituais místicos, atacava alvos estrangeiros (britânicos, americanos, alemães, russos, franceses, e japoneses). Os Boxer também atacavam violentamente os cristãos. Mas essa é outra história que não interessa a este comentário.

O foco aqui é Mao Tse Tung, como ele surgiu no cenário político da China e sob quais influências. Mao surgiu já sob a influência xenófoba dos Boxer e já como um intelectual e filósofo marxista.

Como Chen Dixiu e Li Dazhao não chegavam a um acordo sobre os detalhes de como o comunismo poderia ser implementado na China, Mao interveio. Chen tinha predileção pelos trabalhadores urbanos. Li, pelos trabalhadores do campo. Foi surpreendente a habilidade de Mao para encontrar uma solução que gerasse o Partido Comunista Chinês, hoje no comando da China Potência.

 

Caso de nepotismo do genro do ministro do Turismo mostra a incompetência da Câmara.

Carlos Newton

Como todos sabem, as duas casas do Congresso Nacional, Câmara e Senado, se transformaram em gigantescos cabides de emprego, com salários altíssimos em relação ao mercado de trabalho brasileiro e com funcionários ganhando até mesmo acima do teto constitucional, que hoje é de R$ 26,7 mil mensais.

O que se pergunta é como pode uma estrutura privilegiada como a Câmara ser tão irresponsável, a ponto de aprovar uma contratação totalmente ilegal, como ocorreu no caso do genro do ministro do Turismo, Gastão Vieira, o assessor técnico André Bello de Sá Rosas Costa?

Como a direção da Câmara pôde conceder autorização a uma contratação flagrantemente ilegal, mesmo após ter sido feita consulta se haveria ou não problemas em o pretendente ser admitido, já que era genro de um deputado?

O que aconteceu foi o seguinte. A legislação proibiu nepotismo. O Supremo Tribunal Federal julgou e reforçou a constitucionalidade dessa proibição. Resolução interna da Câmara então seguiu a legislação, impedindo nomeação “para exercício de Cargo de Natureza Especial (CNE) de cônjuge, companheiro, e parentes consanguíneos ou afins, até segundo grau civil” de deputados, senadores, ministros do TCU e diretores da Casa. A Diretoria Jurídica da Câmara redigiu informações a respeito e as distribuiu a todos os deputados. Mesmo depois de tudo isso, foi aprovada uma consulta sobre uma contratação ilegal e o pretendente foi efetivado no cargo comissionado. Como explicar?

O resultado de tudo isso: o desgaste prematuro para um ministro que mal assumiu uma pasta cheia de problemas de corrupção, a desmoralização da Diretoria Jurídica e da Mesa Diretora da Câmara, e a consequente demissão de André Costa, que pediu exoneração do cargo comissionado que ocupava desde abril, na Comissão de Desenvolvimento Urbano da Casa.

A justificativa foi de que ele decidiu entregar o cargo “para evitar desgaste político para o sogro”, mas na verdade teve de se exonerar porque a contratação era ilegal. Quanto ao ministro Gastão Vieira, sua argumentação era de que não tinha nada a ver com isso. Negou ter interferido na contratação do genro para trabalhar como assessor na Câmara, alegando que André Costa já tinha sido funcionário da casa em 2007, saiu para estudar e voltou, procurando por conta própria, um emprego.

Em rio de piranha, jacaré nada de costas

Carlos Chagas 

O ex-presidente Lula exortou os políticos acusados de atos de corrupção a se apresentarem de casco duro. Presume-se que tenha falado para políticos injustamente acusados, não propriamente para Antônio Palocci, Alfredo Nascimento, Pedro Novais e Wagner Rossi, para começar. Foi infeliz a lição do primeiro-companheiro, ministrada em Salvador, Bahia. Porque casco duro não evita perfurações, ainda que possa protelá-las. Precisamente como aconteceu com os referidos e indigitados ex-ministros. Eles deveriam ter presente a lição do saudoso senador Vitorino Freire, mestre em imagens populares, para quem “em rio de piranha, jacaré nada de costas”.

Quase sempre os políticos corruptos, como, também, os corruptos sem ser políticos, conseguem escapar das malhas da lei. Não vão parar na cadeia. Mas ficam com o couro marcado, por mais duro que seja. Podem poupar a barriga mole, nadando de costas, e por isso custam a chegar à outra margem. Fica fácil identificá-los, ainda que não puni-los. O que não dá para entender é o Lula sair em sua defesa. Parece estar defendendo seus dois mandatos, quando muita gente meteu a mão.

À exceção de Pedro Novais, os demais catapultados pela opinião pública, mais do que pela presidente Dilma, serviram ao governo Lula. As irregularidades de que são acusados começaram bem antes. Resistiram por conta do casco duro, ainda que no fim tivessem suas entranhas abertas. Não haverá que comparar a imprensa responsável pelas denúncias a um bando de piranhas, segundo a imagem do ex-senador pelo Maranhão. Melhor seria admitir que os meios de comunicação cumprem o seu dever.

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MAIS UMA

Outro exemplo da distorção das greves que nos assolam. Esta semana, depois dos ônibus em Brasília, dos professores em Belo Horizonte, dos carteiros em todo o país, e dos policiais civis no Nordeste, são os médicos contratados pelos Planos de Saúde que paralisam suas atividades. Nem haverá que discutir a razão dos grevistas. Tem toda. São explorados, seja pelas empresas, seja pelo patrão-mor, o governo. Carecem de imaginação. Entram em greve contra o povo. Prejudicam os menos favorecidos e raramente abalam os interesses dos responsáveis por suas agruras. O povão é o maior atingido, pois fica sem transporte, escola para os filhos, correspondência e segurança, mas nem por isso a classe média permanece imune.

No caso dos médicos, salta aos olhos a distorção. O sujeito paga uma fábula para os Planos de Saúde, é explorado por eles, submete-se a regras e a exigências descabidas e, quando vai atrás da compensação, bate com o nariz na porta dos consultórios. Falta, nessa equação abominável, que o Estado cumpra o seu dever. Que intervenha nas relações entre empregado e empregador, mesmo sendo ele, muitas vezes. Se os Planos de Saúde exorbitam, cobrando muito dos usuários e pagando pouco aos médicos, pau neles. O que não dá é assistir a falência do sistema criado precisamente para suprir as deficiências da estrutura pública.

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CAPACIDADE LIMITADA

No discurso de ontem, pela abertura da Assembléia Geral das Nações Unidas, Dilma Rousseff foi extremamente realista. Elogiou o bom momento que o Brasil atravessa, na economia, mas falou que nossa capacidade de resistência diante da crise internacional não é ilimitada. Deixou claro que os responsáveis são os países ricos, ainda que preferindo olhar para a frente, sem acusá-los de per si.

Também foi corajosa ao defender a quebra de patentes de remédios de primeira necessidade para baratear o seu preço. Quando voltar, deveria prestar atenção na venda de remédios no Brasil, produzidos em maioria por laboratórios estrangeiros. Estão aumentando muito mais do que a inflação. A viagem da presidente brasileira vem obtendo sucesso na medida em que ela se expõe e expõe o país, ainda que resultados práticos pareçam pequenos. O auditório não entende muita coisa, apesar das traduções simultâneas, e a imprensa americana não está nem aí. Apesar de a Newsweek ter apresentado Dilma na capa, poucos jornais dedicaram mais do que uma notinha ao pronunciamento de ontem.

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ESQUECIMENTO?

Que a imprensa americana e a mundial tenham dado pouca atenção à fala da presidente Dilma nas Nações Unidas, compreende-se. O que não dá para entender, porém, é porque a TV Brasil, estatal com cabeça de rede em Brasília e ramificações nas principais capitais, tenha solenamente ignorado a participação da presidente brasileira na sessão de abertura da Assembléia Geral. As emissoras comerciais ainda deram mínimos flashes do início do discurso, aproveitando depois espaços maiores em seus telejornais. Só que a televisão criada para tornar-se a voz do poder público nacional preferiu transmitir desenhos animados e sucedâneos. Esquecimento?

Caso Gabriel Paulino: foi imunda a atuação da saúde pública do RJ

Pedro do Coutto

O título acima diz quase tudo e exprime o sentimento de revolta: foi de fato imunda, não há outra palavra, a atuação do sistema de saúde pública do Rio de Janeiro no caso do jovem Gabriel Paulino dos Santos Silva, acidentado em sua residência em Caxias e que percorreu uma via dolorosa de 88 km, seis hospitais, sete horas de sofrimento e angústia, para finalmente ser internado no Hospital Salgado Filho, no Meier. Incrível.

Depois de tal périplo dramático, encontra-se entre a vida e a morte. Inadmissível que o Secretário de Saúde, Sérgio Cortes, não tenha pedido demissão. Ou tenha sido demitido pelo governador Sérgio Cabral, cuja imagem, por omissão, foi atingida no episódio. Os principais jornais do país, como não podia deixar de ser, publicaram matérias denunciando a insensibilidade da administração pública estadual.

A reportagem mais completa de todas, entretanto, foi a do Extra, assinada por Priscila Souza. Manchete principal da edição de quarta-feira, extremamente impressionista e realista, destacou os estágios da dor do acidentado e da angústia de seus pais: percurso de 88 km, passagem por seis hospitais, sete horas de viagens intercaladas sem sucesso, culminando com o índice zero em matéria de respeito ao ser humano. Onde estavam durante a sinistra maratona o governador Sérgio Cabral e o secretário de Saúde? Na véspera, trágica ironia do destino, Sérgio Cabral publicava no Diário Oficial a lei que autoriza a contratação das Organizações Sociais de Saúde.

O sistema social do RJ faliu. Não pode haver a menor dúvida. O caso Gabriel Paulino é emblemático e fica na história do Rio. Ao consertar a antena de onde reside, perdeu o equilíbrio e caiu de uma altura de cinco metros, revela o Extra. Sofreu várias fraturas e traumatismo craniano. Ficou entre a vida e a morte. Necessitava de atendimento urgente. Mas não encontrou. Era direito seu, paga impostos diretos e indiretos para isso. Não estava pedindo favor, mas começava a percorrer a estrada da dúvida e do infortúnio.

Primeiro – revela Priscila de Souza – tentou o posto de Saúde de Caxias. Dali foi encaminhado para o hospital Adão Pereira Nunes em Saracuruna. Nada feito. Não havia tomógrafo funcionando. Omissão. Em seguida, bateu às portas do Hospital Getúlio Vargas. Nada feito. Oscilando entre a vida e a morte, buscou o Souza Aguiar, um dos maiores do pais. Não havia centro cirúrgico disponível. Da Praça da República, partiu para – vejam só –  Marechal Hermes, unidade Carlos Chagas, grande médico brasileiro. Porém o destino lhe reservava mais uma estação como as do Inferno de Dante. Finalmente foi internado no Salgado Filho, no Meier, nome do primeiro ministro da Aeronáutica do Brasil, quando a pasta foi criada por Vargas em 1941. Aí finalmente o jovem de 21 anos foi acolhido e atendido na sua luta surda para sobreviver.

Foram essas as estações da omissão e da insensibilidade. Características do egoísmo social e da desigualdade, pois se o acidentado fosse parente de personagens da sociedade, o tratamento seria diametralmente diverso. Não haveria necessidade de se consagrar privilégios: bastaria a Secretaria de Saúde recorrer à lei federal que rege o exercício da medicina: em caso de sofrimento intenso e risco de vida, qualquer unidade, pública ou particular, pode ser acionada sem ônus. Isso porque este princípio rege a profissão cujo desempenho desenrola-se na linha que divide a existência e a eternidade.

Não havia lugar na rede pública de Caxias? O Secretário Sérgio Cortes, que deve ser o responsável pela Saúde, deveria ser informado e determinar o atendimento em qualquer hospital particular mais próximo. Por que não foi adotado tal procedimento? Esta a pergunta que todos fazem e aguardam uma resposta. Não basta abrir inquérito para não se apurar nada de concreto. Palavras não são suficientes. Ações concretas, sim. Mas estas faltam no mar de interesses no qual submergem os direitos humanos e a responsabilidade social da administração pública.

O DNA da França

Sebastião Nery

PARIS – Os dois tinham uma marca que levaram com eles para o tumulo : a mania de grandeza. Grandeza deles e grandeza da França. Charles De Gaulle falava de si como se falasse da França : – “Com que outra coisa contentar-se quando se encontrou a Historia”?

E falava da França como se falasse dele :

– “A França não pode ser a França sem a grandeza”.

Condenado à morte pelo governo e pelo exercito francês submetidos por Hitler, De Gaulle foi para Londres, depois o norte da África, organizou e comandou a resistencia e a libertação do pais, entrou em Paris em 1944 já como libertador e presidente da Republica, e se demitiu em 1946. Em 1958 foram busca-lo em casa para outra vez salvar a França como presidente da Republica que deu a independência à Argélia e acabou com o massacre.

Reeleito presidente em 1965, De Gaulle convocou um plebiscito em abril de 1969, depois da crise de maio de 68, perdeu, deixou o governo e morreu logo depois, em novembro de 1970, com 80 anos.

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DE GAULLE E MITTERRAND

François Mitterrand, ministro de De Gaulle, disputou com ele a presidência em 1965, foi para o segundo turno, perdeu. Em 1974 disputou com Giscard d`Estaing, também perdeu. Em 1981, derrotou a reeleição de Giscard, foi presidente dois mandatos de sete anos, entre 1981 e 1995.

Até hoje a França vive sobretudo das idéias e legados políticos dos dois. Quando Mitterrand, do Partido Socialista, ganhou a presidência em 81, derrotando Giscard d`Estaing, que tinha sido ministro das Finanças de De Gaulle e em 74 derrotara Mitterrand para presidente, dizia-se que a “Era De Gaulle” tinha definitivamente passado. Como a “Era Vargas” de FHC.

Engano. Em 85, seus discípulos da UPF (União Pela França) fizeram maioria na Assembléia Nacional e assumiram o governo com Jacques Chirac de primeiro ministro.
Mitterrand reelegeu-se presidente em 88 e em 89 os socialistas ganharam a Assembléia Nacional e portanto o governo.

Sai Mitterrand depois do segundo mandato, Jacques Chirac ganha a presidência e os herdeiros de De Gaulle o governo. Em 2007, Sarcozy era um degaullezinho e Segolene, ex-ministra e discipula de Mitterrand.

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LIBERALISMO

Por que a força toda desse DNA, dessa herança? Por causa da Historia. A pequena Bíblia de De Gaulle,“Doctrine Politique” (Ed. Du Rocheur) mostra que, em 48, já fora do primeiro governo, ele dizia:

1. “O que se fez economicamente no mundo foi um sistema que se
chamava liberalismo e grandes coisas foram feitas. Mas também é evidente que o liberalismo, tal como era visto ontem, tornou-se inconcebível, insuportável para o mundo e especialmente para a França hoje. O velho liberalismo não é o caminho economico e social para a França”.

2. – “Nem o velho liberalismo nem o comunismo esmagador. Deve ser outra coisa. O que? Há uma terceira solução: a associação, a participação, que muda a condição do homem dentro da civilização moderna. A questão social tem que ser colocada em primeiro lugar”.

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ESQUERDA E DIREITA

3. – “A esquerda me abandonou no dia seguinte da libertação porque
ela é contra o Estado. A direita me abandonou logo depois porque ela é contra o povo. Na direita, diz-se que faço uma política de esquerda. Na esquerda, diz-se que estou aqui para a direita, para os monopólios. O fato de uns e outros dizerem que pertenço ao outro lado prova precisamente que não sou de um lado nem do outro. Sou pela França” (1953).

4. – “Um dia, a Europa inteira se reencontrará na liberdade. Nós nos reencontraremos com os paises do Leste à medida que eles saiam de suas esmagadoras dominações. Veremos a esperança renascer do Atlântico aos Urais. Os povos têm direito de disporem inteiramente de si. Não para enriquecer oligarquias internas e externas. Para libertar o homem” (1950).

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VERDES

O que há de novo na França são os Verdes e o movimento ecológico. O Parlamento Europeu e as eleições regionais da França revelaram duas novas lideranças, exatamente do Partido Verde e do movimento ecológico : Cecile Duflot, secretaria-geral do Partido Verde, alta, morena, bonita, olhos fortes excelente oradora, 34 anos, quatro filhos “é o personagem político frances do momento,a estrela emergente na esquerda francesa”. (“El Pais”):

– “O socialismo é do século passado. O ecologismo já está maduro. O socialismo era um projeto do seculo passado, baseado no crescimento e na ideologia. Essa ideia de crescimento não serve para um planeta com os recursos limitados”. É a Marina Silva francesa.

Outro que está nas TVs, revistas, jornais, discutindo o meio ambiente e seu projeto de criação da “taxa carbono”, o “imposto verde”, é Nicolas Hulot, amigo de Sarcozy (“o homem que fala no ouvido de Sarcozy”).

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PARISIENSES

1. – O francês catava cocô de cachorro na rua. Hoje cata toco de cigarro. Como não pode fumar em nenhum interior, vai para a rua fumar.

2. – Em 1949, com “O Segundo Sexo”, Simone de Beauvoir pensava defender o segundo sexo. Estava era criando o terceiro. É maioria absoluta aqui em Paris. Invadiram. Eles com eles, elas com elas. Adão e Eva já eram.

3. – Em 1988, com “O Alquimista”, Paulo Coelho entrou para a lista dos mais vendidos na Europa toda. Segurou o posto 20 anos. Agora, saiu.

Querem saúde de qualidade, vão trabalhar no Congresso Nacional!

Joaquim Barreto

Já viram a qualidade (e quanto custa) o centro médico do Congresso? Coisa “chique”! Quase 50 médicos, 13 psicólogos (e ainda não resolveram o problema do Suplicy) e salários que começam nos 13 mil reais.

Falando sério, ontem “sem querer querendo” acabei ouvindo a conversa de um médico que falava alto ao celular. Discutia com outra pessoa um plano do secretário de saúde aqui da cidade de terceirizar as unidades de pronto atendimento.

Em São José dos Campos, a prefeitura não dá aumento aos médicos, estes não querem fazer concurso e ficam se agitando para criar empresas para gerir hospitais e agora estas unidades. A UNIFESP gerencia o principal hospital público da cidade com médicos contratados, que desistem de plantões nos hospitais de convênios e vão para estas empresas.

E o prefeito prefere não contratar médicos, não aumentar seus salários para depois contratar uma empresa que paga ao médico mais que planos de saúde ou concursados, além, obviamente, de pagar o lucro da empresa. Bem mais caro para o contribuinte. Mas estes contratos de terceirização permitem “otras cositas más” impossíveis na contratação de médicos concursados, como superfaturamento, doações futuras em campanhas etc.

Especificamente sobre a greve, não é exatamente o que os planos querem? Receber em dia do cliente e ter menos despesas no fim do mês com menos consultas e exames para pagar. Os planos são inimigos tanto dos pacientes quanto dos médicos, mas estes até agora ajudaram os planos e prejudicam os pacientes com a greve.

 
 

Temos de admitir que, sem os EUA, a ONU não existe.

Luiz Claudio Argonauta

Qualquer intervenção militar, ajuda financeira ou mediação política, os Estados Unidos estão à frente, sempre os americanos. Onde há um terremoto, um furação ou qualquer outra tragédia ambiental, os americanos estão à frente na organização da ajuda internacional. Depender de russos ou chineses, por exemplo, é esperar pela morte.

Os EUA são o país que mais faz doações em todo o mundo, disparados. No terremoto recente do Japão, eles enviaram sete navios da Marinha com doações. Na tragédia do Haiti, mandaram muitas toneladas de ajuda e até um navio hospital.

O Brasil, por estar com tropas no país, queria ficar na frente coordenando as doações americanas, sem nem mesmo mandar um único pacote de bolachas ou meio quilo de carne moída para os haitianos.

Há inúmeras ocorrências de solidariedade americana no mundo, até ao inimigo Irã e ao próprio Brasil. Na relação dos principais países doadores do mundo, o primeiro lugar é dos americanos (no ano 2000, foram cerca de 200 bilhões de dólares de pessoas físicas e jurídicas, não do governo), o segundo lugar é da Grã-Bretanha, o Brasil nem aparece entre os médios doadores, nenhum país de maioria muçulmana, China ou Rússia.

Esse é o nosso país, ávido por uma cadeira do Conselho de Segurança da ONU, para julgar os problemas dos outros, sem ao menos cuidar dos seus(que nos digam os 50 mil mortos nas estradas e os outros 50 mil anuais da violência armada). E essa entidade, a ONU, sem os EUA não tem a menor razão de existir. Quem a bancaria?

EUA vão vetar a criação do Estado palestino, mostrando que a ONU é um organismo antidemocrático.

Carlos Newton

A organização das Nações Unidas serve para quê? Alguém por favor responda. Desde a formação da ONU que está para ser criado o Estado palestino. Agora, o assunto vai a votação no Conselho de Segurança da ONU, integrado por 15 anos, inclusive o Brasil, que é membro temporário.

Os palestinos precisam de nove votos, mas os Estados Unidos – um dos cinco membros permanentes com direito a veto – já anunciaram que vetarão a medida, o que impediria a sua aprovação. Mas que democracia é essa, em que um só país pode impedir a aprovação de um projeto apoiado por todos os demais?

Inglaterra, França, Rússia e China também desfrutam desse poder de veto. Os demais países, inclusive os três derrotados na Segunda Grande Guerra (Alemanha, Japão e Itália) são a ralé da ONU.

O ministro palestino das Relações Exteriores está confiante de que sua delegação vai angariar o mínimo de nove votos necessários para obter o apoio do Conselho de Segurança da ONU a um Estado palestino. “Estamos trabalhando para isso e acho que conseguiremos”, disse o ministro Riyad al-Malki, a jornalistas depois de se reunir com o chanceler venezuelano.

Malki é por demais otimista e não considera imutável a posição dos EUA. “Esperamos que os Estados Unidos revisem sua posição e fiquem do lado da maioria das nações ou países que querem o apoio ao direito palestino de obter autodeterminação e independência”, afirmou Malki.

Mas as autoridades de Israel disseram que os palestinos terão dificuldades para garantir o número mínimo necessário. A delegação israelense, que pediu por novas negociações diretas com os palestinos, opõe-se à medida na ONU e diz que ela é destinada a deslegitimar Israel.

Já os palestinos afirmam que sua candidatura na ONU tem como objetivo abrir as portas para novas conversas de paz entre dois Estados soberanos. A última rodada de negociações diretas entre Israel e os palestinos fracassou há um ano, depois que Israel se recusou a renovar uma moratória a novos assentamentos em áreas desejadas pelos palestinos para um futuro Estado.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, pretende apresentar na sexta-feira ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, uma inscrição para que o Estado palestino se torne um membro pleno da ONU, o que será contestado por Israel e os EUA.

O Brasil ocupa atualmente uma das vagas rotativas do Conselho de Segurança da ONU, sonha em ser membro permanente, isso pode até acontecer, mas jamais terá direito a veto. Traduzindo: nosso voto não vale nada mesmo.

 

Era só o que faltava. A Justiça, que já anda a passos de tartaruga, pode entrar em greve para aumentar os próprios salários

Carlos Newton

 A pressão continua implacável. Aproveitando a ausência da presidente Dilam Rousseff, que faz discurso nas Nações Unidas, representantes do Judiciário e do Ministério Público Federal foram ao Palácio do Planalto para tentar o apoio do vice-presidente da República, Michel Temer, exigindo reajuste salarial.

Como Michel Temer não tem o que fazer, esta foi a primeira vez que o Planalto recebeu entidades de classe para tratar do assunto, depois que o governo cortou as propostas de aumento previstas para o Orçamento de 2012.

O encontro com o vice-presidente ocorreu depois de ser anunciado que está sendo preparada por juízes e membros do Ministério Público em Brasília uma macromanifestação de protesto. A expectativa é que o evento reúna 1,3 mil profissionais para exigir não só a reposição integral das perdas inflacionárias – que consideram superiores a 20% nos últimos seis anos – mas também por mais segurança no trabalho. Há hipótese de greve caso as demandas não sejam atendidas.

De acordo com o representante da Associação dos Juízes Federais do Brasil, Fernando Tourinho Neto, Temer não fez promessas e se limitou a ouvir as demandas. Também participaram da reunião a Associação dos Magistrados Brasileiros, a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho e a Associação Nacional dos Procuradores da República.

A pressão das entidades de classe é vista com receio pelo Supremo Tribunal Federal, que negocia paralelamente com o Executivo e com o Legislativo. Um dos motivos é a intransigência na cobrança de reajustes integrais, que estaria prejudicando a negociação de índices próximos dos demais Poderes.

O problema é que o reajuste do Judiciário tem efeito dominó sobre a administração pública, praticamente com um todo. Como se sabe, o limite constitucional é o salário dos ministros do Supremo. Quando ele sobe, podem apostar que as remunerações dos outros podres poderes também acabam sendo reajustadas. Como diz a gíria, aonde a vaca vai, o boi vai atrás.

Briga entre ambientalistas e ruralistas pelo Código Florestal ainda vai render muito.

Carlos Newton

Com apenas cinco votos contrários, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou o relatório do senador Luiz Henrique (PMDB-SC) que trata da reforma do Código Florestal. Agora, a matéria será analisada pelas comissões de Agricultura, Ciência e Tecnologia e Meio Ambiente. Se a reforma for aprovada nas comissões, será votada no plenário do Senado e depois retornará à Câmara. Traduzindo: o assunto ainda vai render muito.

A proposta é polêmica e não agrada a ambientalistas e a ruralistas. Cada facção quer defender seus interesses particulares sem levar em consideração o direito alheio, jamais se entendem.

O texto determina como deve ser a preservação de rios, florestas e encostas, combinada com a produção de alimentos e a criação de gado, uma equação muito difícil de conciliar.

A votação do texto de Luiz Henrique, que também é relator em outras duas comissões, só foi possível depois de um apelo do peemedebista e do senador Jorge Viana (PT-AC), relator na comissão de Meio Ambiente, para que a proposta fosse aprovada e as mudanças do texto fossem discutidas nas outras comissões que vão analisar o mérito do texto.

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado é responsável apenas por avaliar se uma proposta está ou não de acordo com a Constituição. Em mais de quatro horas de discussão, pelo menos sete senadores levantaram dúvidas sobre a constitucionalidade do relatório e pediram mudanças de mérito.

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), por exemplo, chegou a apresentar um voto em separado alegando inconstitucionalidades, como o desrespeito ao preceito de um meio ambiente equilibrado, mas acabou derrotado.

Para viabilizar a aprovação, o relator Luiz Silveira se comprometeu a devolver parte da proposta para a CCJ, caso os debates nas outras comissões apontem  inconstitucionalidades.

Outro entendimento que permitiu a análise do texto foi a decisão de estabelecer “regras transitórias” na proposta. Ou seja, o Código terá dispositivos específicos que só vão valer por determinado período, como no caso de agricultores que desmataram ilegalmente, especialmente em APPs (áreas de preservação permanente), que são locais sensíveis por estarem localizadas em topos de morro e várzeas de rios, importantes para a produção de água e a proteção do solo contra a erosão.

A ideia é que esses agricultores que desmataram ilegalmente sejam legalizados desde que participem de um programa de regularização ambiental. O que deve levar até quatro anos.

Na semana passada, o relator tinha feito concessões ao Planalto e alterado o texto permitindo que apenas por decreto do Presidente da República possam ser definidos critérios de desmate em áreas protegidas.

Antes da votação na CCJ, ativistas do Greenpeace fizeram um protesto. Em frente ao anexo do prédio do Senado, eles pregaram uma faixa com os dizeres: “Senado desliga a motosserra” e distribuíram um panfleto atacando o relatório de Luiz Henrique. “Esse texto desprotege as florestas e extinguirá a possibilidade de o Brasil ser a primeira potência econômica e ambiental do mundo”, afirma o documento.

Portanto, se depender dos ambientalistas, tudo será uma imensa floresta e não se planta mais nenhum pé de couve no país. Eles não lembram que o Brasil é hoje o país que tem as mais rigorosas leis ambientais do mundo.

Como se sabe, a reforma do Código Florestal tem causado polêmica desde o ano passado, quando foi aprovada por uma comissão especial da Câmara dos Deputados. O texto do relator, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), agradou à bancada ruralista e irritou ambientalistas e o Ministério do Meio Ambiente, que reclamaram de brechas para novos desmates e legalização de desmatamentos ilegais.

Mesmo com a resistência do Planalto, o texto foi aprovado pelo plenário da Câmara e chegou em maio no Senado. Como o Senado pretender alterar a proposta, a reforma terá que passar por uma nova votação na Câmara. O assunto ainda vai causar muita discussão. E como o país nao pode prescindir da produção agrícola, que é sua atividade sustentável mais promissora, os ambientalistas radicais vão ser levados à loucura.

Planos de Morte: os serviços de saúde deveriam ser públicos, gratuitos e iguais a todos os brasileiros.

José Reis Barata

Repetitivamente escrevo que saúde, segurança e educação não são mercadorias, por dizerem respeito diretamente à sobrevivência em uma sociedade dita civilizada. Retirá-las do mercado e colocá-las exclusivamente nas mãos do Estado (como prescreve a Constituição Federal) é a única via material que concede um determinado tipo de igualdade, além da igualdade na lei. Ou seja, a de oportunidades iguais para todos; todos que, com seu livre–arbítrio, por ela se interessarem.

Este é o princípio basilar de cidadania que fez dos EUA a nação que é. Esta é a ótica que leva o cidadão previdente que trabalha, contribui tributariamente e paga por um seguro–saúde fechar os olhos para a sobrevivência de um concidadão que fez a opção dele em não possuir o seguro, em participar.

O homem é capaz de tudo, menos trabalhar para outro. Selvageria e barbárie são estágios ultrapassados. Hábitos geram necessidades, e os hábitos civilizados geraram necessidades próprias, novas e atuais.

Não se trata de ideologia, menos ainda de demagogia: os tempos modernos, da ciência, da objetividade, portanto, da racionalização e intelectualização, exigem uma nova interpretação da realidade, somente.

Vivemos um sistema que ninguém idealizou, resultante do próprio progresso humano, rotulado de capitalismo e que não pode ser confundido com as práticas humanas abusivas, ilegais e imorais que dele e nele acontecem, como igualmente soe ocorrer em qualquer outro já experimentado ouem evidência. Ocomunismo ou socialismo por exemplo.

Toda idealização é um ideal e como tal, uma perfeição. Nesta o defeito, pois, quem realizará, aplicará o ideal é o homem, imperfeito, egoísta, interesseiro e interessado.

Nele, no capitalismo e com o advento da moeda e coadjuvado pelo Direito e novos meios contábeis cibernéticos on-line, o lucro e acumulação são meios e fins, tudo para eles converge. É assim. Não se trata de invenção, basta olhar para você mesmo ou para o lado. O computador traz o mundo financeiro até você, para participar, lucrar, acumular suficiente e ter capacidade para tal. Nisto e disto é que se sustentam os conglomerados financeiros sem pátria, sem limites, sentimentos, moral ou ética sem que de nenhuma anormalidade possam ser interpelados.

A vida do cidadão, ilegal e imoralmente entregue pelo governo aos “Planos de Morte” do pessoal da saúde e mais propriamente dos médicos que se integram perfeitamente neste cenário. Fazem da saúde mercadoria tanto quanto da segurança e educação.

O Estado moderno de tudo pode se ocupar. No entanto,em um Estado Constitucional, democrático, republicano e de Direito, nele se inscrevem direitos e deveres individuais e coletivos, bem como Garantias Fundamentais inarredáveis.

No instante que um governo circunstancial, usando da intrínseca natureza da burocracia, fazendo–a de ninguém, inatingível, ele tripudia, faz do texto constitucional letra morta, vazia, utilitária, despe a cidadania de seus valores mais importantes e capeia a Constituição com os qualificativos de: Judas, Cigana e Bombril, desnorteia, brutaliza a nação, avilta o cidadão, implantando a insegurança jurídica onde vige a desordem, o direito da força e a violência.

Médicos de planos de saúde fazem greve. Como são mal pagos, não atendem adequadamente aos clientes. Esta é a Medicina no Brasil de hoje.

Carlos Newton

 Enquanto a saúde pública vai de mal a pior, médicos conveniados a planos de saúde vão parar de atender nesta quarta-feira em 23 estados e no Distrito Federal, em protesto contra as operadoras e seguradoras. È a segunda manifestação este ano. No dia 7 de abril, os médicos também suspenderam o atendimento eletivo aos clientes de todas as operadoras do país.

Organizada pelas principais entidades profissionais dos médicos, a paralisação vai durar o dia todo. A principal reivindicação da categoria é o reajuste do valor das consultas e serviços pagos pelas operadoras. Outra reclamação é interferência das empresas na autonomia dos médicos, seja recusanado exames ou dificultando a internação de determinados pacientes, de acordo com denúncias do Conselho Federal de Medicina.

A Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde), que representa as 15 maiores operadoras do país, informa que está negociando a remuneração dos credenciados, mas os médicos vão suspender consultas aos clientes de planos que, segundo eles, não apresentaram propostas satisfatórias para categoria ou não negociaram. Cada estado definiu a lista dos planos afetados.

Os atendimentos de urgência e emergência serão mantidos. Segundo o Conselho Federal de Medicina, os usuários foram avisados com antecedência para reagendarem as consultas e exames suspensos.
Somente os estados do Amazonas, Rio Grande do Norte e de Roraima não vão participar do protesto.

Traduzindo: o serviço público de saúde não presta, todos sabem, mas o atendimento dos planos de saúde também é muito deficiente. Os médicos atendem os clientes com uma rapidez impressionante, sem aprofundarem a consulta, pedem exames desnecessários, enquanto os planos de saúde dificultam internações e tratamento de doenças crônicas. Os médicos de maior experiência e renome simplesmente não se filiam a planos de saúde, e e paga-se muito caro por uma atendimento de qualidade.

Esta é a realidade da Medicina hoje, neste país. A quem apelar? A ninguém. Os serviços de saúde deveriam ser públicos, gratuitos e iguais a todos os brasileiros. Este é o espírito dos direitos sociais previstos na Constituição. Mas quem se importa. As autoridades sabem se tratar muito bem. E o povo que se dane.

Ciranda da miséria

Carlos Chagas

Aumentou o número dos que recebem o bolsa-família: mais 800 mil necessitados, por conta da ampliação de três para cinco filhos de cada mãe que  faz jus a esse auxílio, chegando  aos 242 reais mensais. Ótimo. Nada a opor. Sem isso, mais de 13 milhões de famílias estariam mendigando, passando fome e hesitando entre o cemitério ou a cadeia.

Indaga-se, porém, se o assistencialismo é solução, já que cresce de ano para ano, ao tempo em que o governo apregoa ir a economia muito bem, estando o Brasil imune à crise que assola o planeta. Para evitar o pior, claro que é válido o bolsa-família, mas se o número de miseráveis aumenta, não seria hora de questionar o modelo que multiplica a miséria enquanto favorece o lucro do sistema financeiro?

Não será através do bolsa-família que o país sairá dessa ciranda da miséria. Logo seremos atingidos pela onda recessiva responsável pelo caos da Europa, a débacle dos Estados Unidos e a fome na África. Será então, pelo modelo vigente, a  hora de aumentar impostos, congelar os salários,  promover o desemprego em massa e cortar investimentos em políticas sociais. Fórmula imposta pelos mesmos de sempre, os que lucram com a especulação financeira.

Quebrar o círculo de giz, só com a determinação de  enfrentar os responsáveis pela crise, que, se não dispõem de força para interromper o bolsa-família, insurgem-se contra gastos nas políticas públicas, em especial saúde, educação e segurança. Diante dessa encruzilhada já nos defrontamos vezes incontáveis, sempre com a prevalência dos interesses da minoria. Depuseram Getúlio Vargas e João Goulart e cooptaram o Lula. Disputam palmo a palmo as concepções de Dilma Rousseff. Só que a ciranda da miséria não é ilimitada. Esgota-se na implosão.

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CUIDADO, OBAMA 

Golpes de estado, ao estilo clássico, estão afastados, nos Estados Unidos. Não se tem notícia, em toda a sua História, de Juntas Militares ou da tomada do poder por caudilhos, à força. Lá,  utilizam outra fórmula, a de assassinar presidentes da República.  A crônica registra montes de tentativas, umas bem sucedidas, outras malogradas, mas todas desenvolvidas em função de interesses contrariados.

O presidente Barack Obama acaba de comprar briga monumental com o establihment americano ao propor o corte de  gastos no sistema industrial-militar, mola-mestra de tantas guerras, bem como elevar os tributos dos cidadãos ricos. Com isso, mais de três trilhões de dólares desapareceriam do deficit público que seu governo enfrenta.

Deve cuidar-se, caso a oposição careça de forças para impedir seu projeto no Congresso. 

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GREVE SE FAZ CONTRA PATRÃO

Ontem, terça-feira, Brasília amanheceu sem ônibus urbanos. Sumiram todos na hora em que os trabalhadores se dirigiam para suas ocupações, assim como à noitinha, na hora de voltar para casa. Tem razão os motoristas e trocadores em protestar contra o descumprimento de acordo celebrado em junho com as empresas, até agora ignorado. 

O problema é a forma do protesto, porque quem sofre com tais paralizações  é o trabalhador. Greve não se faz contra o povo, mas contra patrão. A mesma coisa está acontecendo no país inteiro  por conta da greve nos Correios. Quem tem carro livra-se da ausência do transporte coletivo, só que a maioria não tem. Aqueles que dispõem de computador e de tempo para digitá-lo comunicam-se por e-mails. Menos a grande massa de assalariados que deixa de receber a correspondência.                                              

No caso dos ônibus, a solução seria que trafegassem com as catracas abertas, ou seja, o usuário não pagaria passagem e os patrões logo chegariam a  um acordo, em função do prejuízo. Quanto aos carteiros, que se organizassem para boicotar as comunicações do governo, patrão deles todos, jamais  a correspondência  do cidadão comum.  Seria difícil, mas profundamente eficaz.

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SE O PMDB FICAR, O PT TAMBÉM FICA  

Já se olha bem adiante, no Congresso. José Sarney presidiu o Senado no biênio 2009-2010, podendo continuar em 2011-2012 por tratar-se de outra Legislatura.  Assim, tem direito a mais uma rodada, em 2013-2014, pelas disposições vigentes.

Na Câmara, como compensação pela prevalência do PMDB no Senado, o PT emplacou Marco Maia para presidir a casa em 2011-2012, sucedendo Michel Temer, do PMDB.

Estava acertado um rodízio, ou seja, a partir  de 2013, o PT assumiria no Senado e o PMDB, na Câmara. O problema é que os senadores do PMDB, amplamente  majoritários, não vêem porque entregar a presidência so companheiros. Assim, já cuidam de sedimentar  a permanência de Sarney. O resultado seria o PT manter a direção maior na Câmara, com Marco Maia ou outro deputado da legenda. Renovação que é bom, ficaria para mais tarde.

Gabrielli extrapola: diz que Dilma e ele têm posições divergentes

Pedro do Coutto

Francamente, sob o ângulo político e administrativo, não poderia ter sido pior a entrevista  de página inteira do presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, a Eleonora de Lucena e Valdo Cruz, também manchete principal da Folha de São Paulo de segunda-feira. Não podia ser pior porque, no final, o dirigente da maior estatal do país, e que figura entre as maiores empresas do mundo, perguntado a respeito de seu relacionamento com a presidente da República, afirmou: “Uma relação de duas pessoas muito firmes e fortes, que se gostam e respeitam muito, mas – acentuou – temos posições diferenciadas.”

Eleonora de Lucena e Valdo Cruz, sentindo o clima, colocaram outra indagação: Os interesses de Petrobras nem sempre coincidem com os do governo? Gabrielli, que desejava mesmo a pergunta, disse: Não é necessariamente isso. Temos divergências sobre tudo, temos divergências em várias coisas.

Curioso é que Sérgio Gabrielli sequer se referiu ao ministro Edison Lobão, a quem se encontra diretamente vinculado administrativamente e deveria encontrar-se subordinado. É o titular das Minas e Energia. Não deu bola para isso. O que até se compreende no contexto, já que ele se igualou a presidente Dilma Roussef no patamar das decisões da economia do petróleo. Afinal não possui o menor cabimento um destacado administrador, porém segundo escalão, justapor-se à presidente da República. Deixou a perspectiva de estar preparando sua saída do cargo, de forma espetacular, seguindo o exemplo de Carlos Lessa quando deixou o BNDES no primeiro governo Lula. Lessa organizou um verdadeiro comício na Avenida Chile, por coincidência também cenário, no lado oposto, da sede da Petrobras. Só que, claro, o comício não teve desdobramento. Quem, sobretudo no início de um governo, iria aparecer desafiando o presidente? Só um ingênuo ou romântico arrebatado acreditaria em tal hipótese. Carlos Lessa ficou só. Submergiu. E, até hoje, não conseguiu emergir novamente. É claro.

Ingênuo está sendo também Sérgio Gabrielli, embora assuma um tom ameaçador. Vejam só os leitores. Numa terceira pergunta, com base na minha longa experiência, senão pedida, pelo menos desejada por ele próprio, Eleonora e Valdo encaixaram: Pretende disputar eleição? Eis a resposta: “Na eleição de 2012 não serei candidato, estando ou não na Petrobras. Podem publicar de forma peremptória. Quanto a 2014, está muito longe para decidir”.

Ora, pegou o expresso do futuro, como na canção de Gilberto Gil, pois colunas já publicaram que pretende disputar o governo da Bahia. Acontece que, se sair da Petrobras neste ano de 2012, o sonho se evapora como uma nuvem de inverno. Para 2014 ele depende da convenção do PT. E longe da Petrobras, desce do planalto à planície.

Ao afirmar, de outro lado, que as ações da Petrobras não darão retorno a curto prazo, claro, se adquiridas agora na Bovespa, o presidente da estatal parece ter atrasado a bola contra sua meta, coloca o goleiro fora do lance. Como é possível o presidente da Petrobras ter agido para jogar para baixo o valor das ações da empresa? Esta, confesso que não entendi. Quanto ao ciclo do petróleo, a longo prazo, ele tem razão. Os índices comprovam. No mundo, revelou, a soma das energias eólica, solar, geotermal, juntas, são 0,9% da matriz do universo. E para chegarem a 9% precisam de vinte anos.

De fato, descoberto em 1859 na Pensilvânia pelo americano Edwin Drake, aproveitado cerca de 30 anos depois por Rudolf Diesel, inventor do motor a explosão, o ciclo do petróleo está longe de se esgotar. As previsões antigas não contavam com as prospecções marítimas em águas profundas, nem imaginaram as sondas de turboperfuração. É sempre assim.