A Organização Globo contra o Nobel a Obama

Dentro de poucos minutos estará recebendo a grande homenagem em nome da paz. Mesmo com o silêncio do Jornal Nacional e do jornalão. Ontem, quarta, o carro-chefe da “casa” não deu uma linha sobre o fato. Hoje na Primeira nada vezes nada. O presidente dos EUA deve estar aborrecido e tem todo o direito de reclamar: “De que adianta ganhar o Nobel da Paz, sem que a Organização Globo registre o fato?”. É realmente uma frustração.

A desincompatibilização, que pode servir à opção da prorrogação. Podem não gostar, mas de boa vontade aceitarão

Há mais de 1 ano se dizia sem constrangimento: “Nenhum partido tem candidato à sucessão de 2010”. Depois, interpretavam: “O PSDB é que tem dois, mas chegarão a um acordo, muito antes do PT e do PMDB”. Erraram profundamente.

Sobre o PT, no Poder, garantiam: “Lula não tem candidato e as possibilidades de ser candidato ele mesmo, completamente nulas e nem podem ser analisadas”. Erraram profundamente.

Sobre o maior partido do país, o PMDB, faziam a observação: “O PMDB não tem vocação de governo, vai para onde o presidente Lula apontar. E no momento o máximo que pode sobrar para eles será uma vice para Michel Temer”. Erraram profundamente.

Por que tanto desacerto em relação aos 3 únicos partidos que têm importância no Brasil? (O DEM, que era apenas “parceiro”, e sem nenhuma prioridade ou credibilidade, mergulhou de vez no ostracismo por causa do seu governador único, Roberto Arruda. Seria respeitado se expulsasse o governador, mas ficar sem nenhum?).

Não há nada desvendado. E triplamente equivocado, pelo fato das verificações terem levado em consideração apenas a ambição pessoal. Verifiquemos sumariamente pela ordem em que coloquei os desacertos.

PSDB – Nunca teve dois candidatos, apenas dois personagens que apregoavam a própria supremacia. A ambição era e é a mesma. A prioridade do projeto pessoal, antes do coletivo, dando mais ênfase ao interesse da carreira do que as necessidades da comunidade, igualam Serra e Aécio.

A diferença entre eles está na importância e na obrigação da desincompatibilização. (Esta será a data chave para tudo e para todos). Aécio terá que sair, haja o que houver, já foi reeeleito. Presidente, vice ou senador, tem que ser fora do governo. Aí não cabe dúvida, interpretação, caminho próprio ou exclusivo.

Para Serra, a desincompatibilização não é definitiva e obrigatória. Tem opção, que não é propriamente o ostracismo. Governar mais 4 anos o estado de São Paulo com todo o seu Poder, não é para chorar ou lamentar. Por causa disso, Serra diz que não se definirá agora. Como o fato não é desconhecido, Aécio EXIGE a definição, imediata.

Só que, como todo carreirista nato e intransferível, o governador de São Paulo não é um gênio, mas também não é nenhum FHC. Sabe o que pretendem dele, mas não agirá sob pressão a não ser a das pesquisas, autênticas, ou não.

PT – Constrangido, dividido, submetido a Lula, não tem luz própria (nesta era do apagão diário, quem tem?) nem irradia calor. (Copenhague). Só pode aquilo que o presidente quer, e este com eu já disse, joga xadrez consigo mesmo, para isso não precisa de correligionários ou adversários.

Já teve três opções, ficou reduzido a uma: a que engloba os Três Poderes. Como a Constituição diz que “os Poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário são independentes entre si”, se favorecer os três, Lula não estará violentando a Constituição.

PMDB – O maior partido do país, deveria ser, logicamente o de mais e melhores possibilidades presidenciais. Mas se o PSDB se divide importunamente com apenas dois candidatos, o PMDB se fratura gravemente pelo fato de ter um elenco muito  mais numeroso.  E se no partido que esteve no Poder de 1994 a 2002 só existem “duas vítimas”, quantas podem ser encontradas no PMDB? Uma legião.

Se o tão falado “rosto na multidão” pudesse ser invocado, indicado e identificado, teria que estar no PMDB. Só que o PMDB nunca pretende o Poder pessoalmente, sim aquilo que o Poder proporciona. Então, o maior partido como sigla e o mais partido como divisão, não participa da conquista do Planalto-Alvorada. Quer apenas ser o melhor beneficiado na distribuição dos despojos.

Não temos a menor dúvida, que havendo um leilão interno com a garantia, “qualquer que seja aquele que fizer o lance vencedor, leva o Poder leiloado apoiado por todos”, surgiriam 50 candidatos.

Como isso é possibilidade e irrealidade pura, a constatação da contradição: o PMDB não se interessa pela sucessão, quer a parte maior não só dos 37 ministérios, mas também dos milhares de cargos classe A, B e C.

Por isso considero, e com fortíssimas razões, que nada está resolvido. O habitante do Planalto-Alvorada, não quer desabilitá-lo. Também não acredita em ninguém para ocupá-lo. Nem que seja para alugá-lo simplesmente por um período, mesmo que seja fixado em 4 anos.

Esse é o quadro. Até 1930, “o ocupante do Catete”, escolhia, sozinho, seu sucessor. Fez-se uma “revolução”, para acabar com isso. Implantou-se então a primeira ditadura (e mais tarde a segunda) quando ninguém escolhia, quem estava no Poder, FICAVA, uma palavra, hoje, utilizada só pelos jovens, e com outra identificação.

* * *

PS – Pela esterilização da convivência das duas ditaduras, até mesmo com o tempo passado, as ambições se multiplicaram. E não existem soluções democráticas à vista. Pelo menos até 31 de março. Muitos aqui mesmo, utilizando este blog, dizem que “estou apanhando muito sol na cabeça”.

PS2 – Não me importo. Há 6 mil anos, o maior médico que obrigou até ao juramento com seu nome, Hipócrates, deixou escrita a única receita imortal até hoje: “Mantenha sempre os pés quentes e a cabeça fria”. É o que estou fazendo pelos próximos 4 meses.

A república da corrupção institucionalizada

Carlos Chagas

Certas coisas, só no Brasil. Quarta-feira foi comemorado o Dia Nacional Contra a Corrupção, com direito à presença e a discurso do presidente Lula. Mais importante do que saber que o governo federal cruza os braços diante da avalancha de lambanças praticadas por mil agentes do poder público, é perguntar o porquê dessa omissão.

Com todo o respeito, a resposta  surge simples: porque o medo é de desmoronar todo o arcabouço institucional do país. A corrupção vai dos governos estaduais, como o de Brasília, ao Congresso, premido pelo  mensalão de punições inconclusas, e até à imensa maioria das empresas privadas. Tornou-se municipal, também, com o envolvimento da maior parte dos prefeitos. Toda prestação de serviço público envolve comissões e propinas que passaram a ser oferecidas, em vez de exigidas.

Não haverá que  esquecer montes de igrejas evangélicas surripiando incautos, nem clubes de futebol escamoteando receitas, quanto mais   associações corporativas explorando seus integrantes. Para cada lado que se olhe saltam a impunidade e a desfaçatez dela decorrente.

Para o cidadão comum que paga seus impostos torna-se cada vez mais tentador ingressar nessa procissão de horror, dentro da máxima utilizada por Stanislaw Ponte Preta, décadas atrás: ou se restaure a moralidade no país ou locupletemo-nos todos.

Alguém precisa dar o exemplo da contramarcha. Fracassaram os símbolos do passado, da vassoura de Jânio Quadros à espada do marechal Lott, das caçadas a marajás, de Fernando Collor,  à estrela dos companheiros. O exemplo vem de cima e chega às camadas mais humildes da população: um veículo levado à oficina é  reparado num detalhe mas engatilhado no outro, para o proprietário voltar. Um pintor de parede mistura tinta com água para repetir o serviço bem antes da garantia. Produtos variados com embalagem de um quilo pesam novecentas gramas.

Parece tolice imaginar que um dia tudo vai explodir e que o povo fará justiça pelas próprias mãos. Ao contrário, nos teremos transformado na República da Corrupção Institucionalizada.

Acendeu a luz amarela

Apesar das obras que se arrastam no palácio do Planalto, não foi retirado o semáforo postado na avenida bem defronte. E a luz amarela acendeu. Na recente pesquisa do Ibope-CNI,  Dilma Rousseff manteve-se no patamar de 17% de preferências populares, mas cresceu em rejeição: 41% dos consultados não votariam na candidata.

Fazer o quê, para o presidente Lula? Claro que continuar batalhando, na esperança de que sua altíssima popularidade, de 83%, possa reverter os números desfavoráveis à chefe da Casa Civil. O problema é a existência de  prazos.  Se chegarmos a março sem que Dilma decole e encoste nos percentuais de José Serra, começarão as defecções e as reclamações. Estas, por parte  do PT, que lembrará ao presidente Lula não ter havido participação dos companheiros na escolha. Aquelas, porque o PMDB, por exemplo, é o mais pragmático dos partidos. Já esteve com José Serra, em 2002, tendo até indicado Rita Camata como candidata á vice-presidência. Por isso e outras razões, o atual companheiro de chapa de Dilma não foi sacramentado. Talvez nem seja, menos pelas dificuldades surgidas dianta de Michel Temer, mais porque o PMDB não entra em bola dividida. Ciro Gomes, meio na encolha, poderá ganhar oxigênio, abrindo-se uma outra hipótese, por enquanto remota: de o presidente Lula apoiar a candidatura de Roberto Requião, apesar dos prováveis naturais protestos do PT.  Em suma, para quem for dirigir, é bom prestar atenção no semáforo…

A culpa de todos

O dilúvio que assola São Paulo está levando alguns açodados a jogar toda a culpa no prefeito Gilberto Kassab e, de tabela, no governador José Serra. Seria bom um pouco de bom senso. Os dois tem sua parcela de responsabilidade, mas há quanto tempo os governantes tem descuidado de adotar medidas drásticas, desde o assoreamento permanente dos rios que cortam a capital até uma política ordenada  de desenvolvimento urbano?

De Ademar de Barros a Abreu Sodré, Laudo Natel, Paulo Egidio, Paulo Maluf, Franco Montoro, Orestes Quércia, Fleury Filho, Mário Covas, Geraldo Alckmin – todos podem ser citados como tendo feito no máximo o trivial, no governo do estado. Dos prefeitos, nem se fala.

O resultado aí está: uma cidade afogada e sem perspectivas. Sem esquecer do egoísmo das  classes produtoras, que do alto da Avenida Paulista encontram-se prisioneiras de sua própria ambição.

Agricultura versus ambientalismo

No Paraná, responsável pela produção de quase 30% de grãos que o país exporta, a maior preocupação é conciliar a agricultura com o ambientalismo. O governador Roberto Requião, agora, e o vice-governador Orlando Pessuti, a partir de abril, pisam em ovos depois que Carlos Minc assumiu o ministério do Meio Ambiente. Porque ao contrário da ex-ministra Marina Silva, ele agride os produtores paranaenses com críticas e exigências descabidas, obrigando o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, a reagir com vigor. Transformar o Paraná num imenso jardim botânico poderá atender às concepções de Minc, mas trará inequívoco prejuízo à produção agrícola. O presidente Lula está sendo continuadamente alertado, mas prefere aguardar o prazo de desincombatibilização de seu polêmico ministro, candidato declarado a deputado federal ano que vem.

Honduras – venceu a democracia

Gen. Ex. Luiz Gonzaga S. Lessa

Apesar de próximo, a crise hondurenha resiste em chegar ao seu final.

Muito  já se falou e escreveu sobre ela, mas  paixões esquerdistas bolivarianas têm impedido uma análise isenta dos fatos ocorridos, teimando em classificar como golpe a deposição de Zelaya , quando está comprovado que  foi este senhor que detonou a crise que se arrasta por mais de quatro meses, quando intentou violar a constituição do seu país em busca da uma reeleição com ela incompatível.

A reação dos poderes legislativo e judiciário  foi imediata e  uníssona em condenar a atitude do presidente golpista, culminando na sua prisão e expulsão do país. Se houve golpe este  não foi das forças armadas, que só  se limitaram a cumprir as ordens que lhe foram dadas pela Suprema Corte do país. De fato, o  artífice do infausto  acontecimento foi o Sr. Zelaya, que  seguiu as  orientações chavistas para transformar Honduras em mais uma republiqueta bolivariana sob a sua órbita de influência.

Todos sabemos e acompanhamos os acontecimentos que se seguiram em que restou, como fato evidente e de excepcional importância, a resistência do povo hondurenho em não se sujeitar às espúrias pressões internacionais e ao isolamento diplomático do país. Honduras, em todas as sofridas negociações que enfrentou, deixou sempre muito claro o que queria: continuar a viver num regime de liberdades democráticas, o que lhe seria tolhido se Zelaya tivesse sido o vencedor.

A resposta do povo hondurenho nas urnas não poderia ser mais definitiva, elegendo o Sr Porfírio “Pepe” Lobo com uma esmagadora maioria, em pleito que contou com o comparecimento recorde de 61% dos eleitores, apesar de toda a campanha comandada por Zelaya, do interior da embaixada brasileira, para que o povo não comparecesse às eleições. Note-se, o voto não é obrigatório no país.

Mais de 300 observadores estrangeiros independentes asseguraram a lisura do pleito e confirmaram a vontade explicita do povo hondurenho. Ademais, a retumbante manifestação do Congresso – 111 votos contra apenas 14-  pelo não retorno de Zelaya ao poder foi acachapante. E não poderia ser de outra maneira depois das recentes declarações do lugar tenente de Zelaya, Carlos Reina,  que deixou a embaixada brasileira onde estava abrigado para  impor descabidas exigências que culminariam com a anulação das eleições, a prorrogação do mandato, a prisão dos supostos golpistas etc., em franca violação aos acordos firmados para o estabelecimento de um governo de coalizão.

Pouco a pouco, a comunidade internacional irá reconhecer como legítimo o governo de Porfírio Lobo, recém eleito, tendência que já se observa em vários países como Espanha, Colômbia, Peru, Costa Rica,  comunidade européia e muito possivelmente os EUA.

A crise hondurenha pos à mostra toda a fragilidade da Organização dos Estados Americanos (OEA) em resolver  problemas continentais. Seguidas vezes foi ultrapassada.  A sua parcialidade e o seu envolvimento ideológico impediram-na de compreender e julgar de forma isenta e imparcial o que estava ocorrendo em Honduras. A  situação só se encaminhou para uma solução depois que os EUA, efetivamente, passaram a  comandar as negociações.

E o Brasil como fica nesse imbróglio a que foi levado pelas artimanhas de Hugo Chávez, permitindo que um caudilho golpista se instalasse na sua embaixada em Tegucigalpa, não como um asilado, e, sim, na esdrúxula situação de convidado, transformando-a no seu efetivo gabinete de trabalho e no foco da agitação interna do país?

O Brasil fica mal, muito mal e, agora, procura uma saída honrosa para a crise em que se envolveu, em área alheia ao seu interesse imediato e fora da sua esfera geopolítica de influência, tudo na busca de um perigoso protagonismo que deseja exercer na política internacional e para o qual ainda  não se encontra devidamente preparado.

Nossa diplomacia, inexplicavelmente a reboque de Chávez,  meteu os pés pelas mãos e se mantém irredutível na indefensável posição de não reconhecer as eleições  de 29 de novembro p.p. e, assim, ignorar a explícita vontade do povo hondurenho. Pretende, à sua revelia, impor-lhe uma solução, em franca violação ao princípio da não interferência em assuntos internos dos países amigos, até então um dos pilares do Itamaraty.

A radical posição de Lula só encontra justificativa na sua veia ideológica e na derrota sofrida. Não é fator de contenção de eventuais golpes na América Latina, que sempre poderão ocorrer quando políticos ambiciosos e irresponsáveis, desconsiderando as condições objetivas nacionais, tentarem violar a constituição do país.

Não causa surpresa tamanha idiossincrasia. Dividida entre o fraco e incompetente ministro Amorim e o falacioso e folclórico  assessor palaciano Garcia, que, vesgo e tendencioso em assuntos internacionais, só leva o Presidente Lula  a proclamar besteiras e estultices, nossa diplomacia, até há pouco considerada como competente e responsável, vem colecionando sucessivos reveses que muito a comprometem.

Da crise hondurenha emanam como grandes perdedores:

– a OEA, que se mostrou incapaz de gerenciar uma crise continental e que, por isso mesmo, tem a sua validade mais uma vez contestada, pouco importando o que ainda venha a deliberar;

– o venezuelano  Hugo Chávez, que se viu frustrado por  não atrair para a sua órbita bolivariana  mais um país centro-americano, que, somado à Nicarágua, exerceria uma forte influência na América Central;

– Finalmente, perdeu, e muito, o Brasil, pelas posições ambíguas que tomou e vem mantendo em que deixa prevalecer a componente ideológica sobre os legítimos interesses do país. Sem necessidade, abrimos um contencioso  com os EUA  pelas declarações do assessor palaciano Garcia  que se disse decepcionado com o presidente Obama e com a sua política exterior, o que mais tarde foi forçado a desmentir. Vimos o Presidente  Lula ser  contestado na sua idílica  postura de defensor do bem contra o mal por um estadista da envergadura de Oscar Arias,  quando lhe atribuiu e ao Brasil o rótulo de “dupla moral”, ao condenar as eleições de Honduras e defender as corruptas eleições iranianas, que levaram às ruas milhares de manifestantes inconformados com as manipulações ocorridas, muitos dos quais, presos, estão sendo julgados e  condenados à morte. Ou mesmo com as comprometidas eleições na Nicarágua, que tiveram o pleno apoio brasileiro, ignorando as irregularidades perpetradas. Por mais que o governo diga o contrário, o  Brasil e a sua diplomacia, em Honduras, sofreram o seu  mais sério revés dos últimos anos.

A união do continente latino-americano, da mais alta prioridade para a diplomacia brasileira, está sendo contestada e, como consequência, a nossa liderança é  posta em xeque e, com ela, a que o Presidente Lula julga possuir. Muito caro é  o preço que o futuro irá cobrar do país  pela sua inconseqüente atuação.

O grande vencedor é o bravo povo hondurenho, que sabendo o que queria  não se deixou intimidar pelas espúrias pressões internacionais que, sem êxito,  tentaram  por ele decidir. Fez  prevalecer a democracia e com ela a sua liberdade de livre escolha.

Luiz Paulo Corrêa da Rocha: “Sérgio Cabral tem a habilidade política de um paquiderme, acabar com a Casa França-Brasil”. Voltou atrás

Discurso do deputado  Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB) na Alerj no dia 8, terça-feira, ontem.

“O Governador Sérgio Cabral, na sua perspectiva de desmontar a cultura de nosso Estado, fez publicar no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro, na última sexta-feira, Sr. Presidente Caetano Amado, um decreto que extingue a Casa França-Brasil, justo no ano em que se comemora essa relação tão ancestral da França com o Brasil, quando dezenas de eventos comemorativos do Ano França-Brasil foram executados.

E o Governador, por orientação de sua Secretária da “descultura”, edita um decreto acabando com a Casa França-Brasil, para criar lá uma ONG que vai gerir a Casa França-Brasil, em cima daquela lei, em que muitos parlamentares desta Casa – que votam muitas vezes sem estarem atentos ao que estão votando – deram autorização para S.Exa. extinguir fundações por decreto.

Eu não fiz isso, e tenho segurança de que V.Exa., Presidente Caetano Amado, também não, até porque ninguém pode autorizar aquilo que é indelegável. Fundação só pode ser extinta por lei, porque tudo o que por lei foi criado, só por lei pode ser extinto; é um preceito constitucional.

Este artigo da lei é inconstitucional. E eu, junto com uma série de outros parlamentares – lembro-me, os Deputados João Pedro, Alessandro Molon, Paulo Ramos, Cidinha Campos, acho até, não estou certo, que V.Exa. assinou – temos uma ação de inconstitucionalidade, no Tribunal de Justiça, exatamente contra esse artigo. Está para decisão do Desembargador Mannhelmer, que já abriu prazo de cinco dias para as partes falarem e as partes não falaram, voltou a ele para que decida se vai nos dar a liminar. Se conceder, esse decreto fica sustado sob o ponto de vista prático. Mas temos que aguardar; a parte que nos competia já fizemos.

Veja, Sr. Presidente, que é inabilidade extinguir a Casa França-Brasil no ano de comemoração do Ano da França no Brasil! E comemorado com intensidade no nosso País, em especial, no Estado do Rio de Janeiro. Isso tem a mesma habilidade política, que chamo habilidade política de um paquiderme, de querer, no ano do Centenário do Theatro Municipal, acabar com a Fundação Theatro Municipal, onde eles tiveram – eles, digo, o Governo – que voltar atrás.

Sempre digo aqui: com alguns secretários que o Governador Sérgio Cabral tem, ele não precisa de adversário, porque os adversários maiores que ele tem são alguns de seus Secretários. “

Comentário de Helio Fernandes
Essa é a força e a importância da oposição. O deputado Luiz Paulo fez o discurso ontem, terça-feira. Hoje, quarta, Sérgio Cabral publicou decreto anulando o outro que acabava com a Casa França-Brasil.

A extinção, assinada pelo governador foi sem ler? Ficou faltando a demissão da Secretária de Cultura, (leia-se INCULTURA) por dois motivos. 1- Ter praticado um ato tão importante, e ao mesmo tempo tão irresponsável, sem comunicar ao governador.

2- O próprio ato e o fato de ter tomado essa decisão de acabar com um órgão que não custa nada ao governo, que desde a fundação até hoje, não fez outra coisa a não ser homenagear o Brasil e juntar o país com a França, onde estão muitas de nossas raízes culturais.

PESAMES ao governador que assina sem ler um decreto como esse. LAMENTO pela secretária, que já deveria ter sido demitida há muito tempo, pelas confusões e irresponsabilidades. (Como queria fazer com o Teatro Municipal, quer dizer, fez e voltou atrás, como agora).

PARABÉNS ao deputado Luiz Paulo Corrêa da Rocha, que usou o poder e o instrumento que o povo lhe deu, a representatividade e a tribuna para fazer oposição e destruir atos como esse.

Recordações

Há 42 dias, Arruda foi recebido pela cúpula do próprio partido, e afirmou: “Quero ser candidato do DEM. A experiência da oposição foi ótima, mas cansei”. Agora, em pânico só de ter que enfrentar a mesma cúpula, do mesmo partido. E apareceu de corpo inteiro, surpresa geral.

Recordações II

“Não tenho nada a dizer ou ouvir do mafioso Uribe. (Presidente da Colômbia). Ele é um traidor, não tem princípios morais, éticos ou políticos”. Quem poderia dizer isso a não ser Chávez? E que princípios Uribe traiu, a não ser o continuísmo, que Chávez quer para toda a vida?

Recordações III

Desde o primeiro dia chamei Zelaya de golpista. Tentou REFERENDO (que a Constituição de Honduras proíbe sob pena de prisão) para se reeeleger, “flagrado”, fugiu de pijama. Apoiado por Chávez e Lula, perdeu a eleição, queria voltar interinamente (para outro golpe) teve apenas 11 votos.

Tem que sair da embaixada

O Brasil não poderia dar abrigo ao golpista. Vergonhoso, escandaloso, perigoso. Agora só resta a Lula expulsar Zelaya da embaixada. Deixar que ele fique lá, é uma violência a toda a história diplomática do Brasil. Zelaya não é um perseguido e sim um fugitivo.

Pedro Bial-Marcos Vilaça

O que tanto conversavam, deixando até de lado a excelente comida do Quadrifoglio? O jornalista estaria querendo a Academia? Ou o acadêmico, caindo na expulsória no TCU, preencheria o tempo e utilizaria o talento na Globo? Pelo menos saíram satisfeitíssimos.

Aumento de juros pelo BC

Não fazem nem mistério: em março de 2010, os juros seriam aumentados. Não satisfeitos com o fato de aqui na Filial, esses juros serem 34 vezes mais altos do que na Matriz, pretendem a superação.

Aqui, medo da inflação,
lado, a inflação não assusta

Essa contradição é uma referência incompreensível. Lá, juros a meio por cento ao ano, aqui 8,75% e querem mais. Alguma coisa tem que estar errada, na Matriz ou na Filial.

Márcio Thomaz Bastos “exigiu” 15 milhões para defender a Camargo Corrêa. Não é pouco?

E o jornalista que assassinou a namorada pelas costas, pagou isso ou muito mais? Depois de Einstein é tudo relativo.

A empreiteira Camargo Corrêa, responsável pela execução das maiores obras de infraestrutura e superestrutura existentes no Brasil e preocupada com o seu futuro e de alguns de seus diretores, não está fazendo economia para ser bem representada na Polícia e perante a Justiça Criminal.

Desejosa de se livrar das intermináveis acusações que diariamente estão sendo divulgadas por jornais (O inquérito não é sigiloso?) foi aconselhada a buscar assessoria jurídica de ninguém menos que o advogado criminalista Márcio Thomaz Bastos, ex-presidente da OAB nacional, ex-ministro da Justiça de Lula e seu principal conselheiro.

E segundo artigo publicado por Fernando de Barros e Silva, na “Folha de São Paulo”, citando a revista “Piauí”, “Bastos exigiu 15 MILHÕES para defender a empreiteira Camargo Corrêa, alvo da Operação Castelo de Areia da PF, que até março de 2007 se subordinava à sua pessoa. Sim, é espantoso, mas não é ilegal. Entre seus clientes atuais estão o empresário Eike Batista, que tenta se aproximar do governo, e o famoso doutor Roger Abdelmassih”. (Defender Eike Batista, é financeiramente suntuoso. Mas não é moralmente constrangedor?).

Para o citado articulista, “a advocacia criminal para empresas fez de Thomaz Bastos um homem rico. Ele ‘só fica triste quando acha que cobrou pouco’, diz uma ex-sócia”.

O atento e isento observador da vida nacional, no caso descrito, deve optar por uma de duas alternativas: ou os indícios de crime são graves, comprometedores e exigem jurisprudência especial, forte relacionamento e prestígio do advogado junto aos órgãos acusadores e julgadores ou a contratante perdeu noção do valor do real. Como lembrou a “Folha”, isso não é ilegal?

Não é ilegal, mas seria legítimo? O que diria de um advogado nessas circunstâncias, o ex-presidente da OAB nacional, o doutor Márcio? E o Ministro da Justiça e conselheiro do presidente da República, doutor Márcio? Para a empreiteira, tudo é “deduzível” e não no imposto de renda. E para o causídico?

Nos EUA, a “Emenda Miranda” deu mais direitos ao cidadão, inclusive este: “O senhor tem direito a um advogado, se não puder pagar o Estado lhe fornecerá um”. O doutor Márcio já esteve na condição de defender alguém, de graça? Defenderia?

Como foi presidente da OAB nacional, o doutor Márcio sabe muito bem, que lá, advogados e até juízes são julgados (e às vezes punidos severamente) por um órgão que se chama BAR OFFICE.

Aqui ninguém se intimida com a OAB, nem mesmo pela altura dos honorários. Lá a perda da carteira por advogados, e da toga por magistrados, é comum e assustadora.

* * *

PS- Que advertência o doutor Márcio, ex-OAB e ex-Ministro da Justiça, exigiria para um advogado que cobrasse tanto de tantos clientes? E o jornalista Antônio Marcos Pimenta Neves, há 10 anos em liberdade depois de assassinar a namorada pelas costas? Pode repetir, como Aldous Huxley, que o preço da liberdade está rigorosamente ligado ao prestígio do advogado?

PS2- Um famoso empreiteiro, não sei o nome, só que é rico e bem relacionado (todos são) foi acordado às 2 da manhã pelo gerente de uma obra, que lhe disse: “Perdemos dois funcionários, soterrados”. Antes de saber detalhes, reclamou, “soterrado não, empedrado”. Ele estava cobrando preço da movimentação de pedras, muito mais caro, embora deslocasse terra.

Sucessão 2010: quadro indefinido

Pedro do Coutto

A mais recente pesquisa do IBOPE feita por encomenda da Confederação Nacional da Indústria aponta uma apreciação mais positiva em relação ao governo Lula do que o índice extraordinário de 66% para o patamar mais extraordinário ainda de 72 pontos. Relativamente a sua imagem pessoal é ainda mais alto vai a 83%. Para 59%, inclusive a vida melhorou e isso é fundamental para fixar qualquer conceito. Aliás –creio – mais um recorde mundial para o presidente Luis Inácio da Silva. O primeiro o de ser aquele que mais vezes disputou a presidência da república: cinco. Deixou em segundo Roosevelt e Mitterrand que concorreram quatro vezes. Mas esta é outra questão embora bastante significativa.

No que se refere à posição dos candidatos a sucessão do próximo ano, as posições básicas ainda não diferem muito em relação ao levantamento de Setembro do mesmo IBOPE.

José Serra avançou 3 pontos, atingindo 38%. Mas esta é a faixa na qual sempre oscilou, manteve, portanto, mas não ganhou espaço significativo possivelmente em face de ainda não se ter definido mais concretamente, abrindo uma perspectiva de algum grau de vacilação. Dilma passou de 15 para 17 degraus, evolução quase igual a do  governador de São Paulo. Ciro Gomes desceu de 17 para 13, uma descida forte, enquanto Marina Silva declinou de 8 para 6. Este índice é importante, pois esses 6 pontos iriam para a ministra chefe da Casa Civil, não estivesse a senadora do Acre entre os postulantes. Este é o cenário básico e lógico. Mas há um outro.

Substituído José Serra por Aécio Neves, Ciro assume a liderança com 20 pontos. O que revela ao mesmo tempo uma vantagem acentuada de Serra sobre o governador mineiro e também uma tendência de Ciro arrebatar boa parcela de votos do governador paulista. Detalhe importante, pois neste mesmo quadro Dilma sobe 2 degraus apenas, Aécio avança somente 1 e Marina Silva cai de 11 para 9%.

No que se refere às posições dos candidatos à sucessão as expectativas básicas não diferem muito em relação ao levantamento de setembro do mesmo Ibope. Os brancos e nulos que eram 31 em setembro subiram para 32 no final de novembro. Alteração mínima. Dilma Roussef ainda não teve sua imagem fixada à de Lula. Mas isto poderá acontecer e, é por isso mesmo, que o quadro permanece indefinido e até enigmático. Na verdade a campanha ainda não começou. Não está nas ruas. O potencial de Lula é extraordinário. Se transfere ou não para Dilma e em qual grau, eis a questão. Vai depender do desencadear dos fatos e de como os 120 milhões de eleitores vão se sensibilizar. A força dos programas sociais de Lula e sua expressiva capacidade de transmissão serão testados. Os responsáveis pela imagem da candidata já conseguiram, a meu ver, melhorar sensivelmente uma certa agressividade original. Ela já foi substituída por uma atmosfera mais suave, de uma cordialidade e naturalidade.

No final da questão, Serra, com 38 pontos pode estar batendo no seu teto. Por isso vai depender da adição que Aécio possa lhe proporcionar e de alguma transferência por parte de Ciro. Dilma depende só de Lula. Daí a indefinição. Se Lula transfere em votos o percentual em favor de sua imagem. A chave essencial da campanha situa-se exatamente neste ponto.

Por que não convocar o Conselho da República?

Carlos Chagas

Solução, tem. Resta saber se há vontade política. Fala-se da iniciativa que o presidente Lula precisará tomar diante do escândalo do mensalão no Distrito Federal. Porque ficar de braços cruzados equivalerá a receber respingos cada vez maiores da lama atirada no ventilador pelo governador de Brasília, José Roberto Arruda, e sua quadrilha. Não haverá como o governo federal passar ao largo. A nação  espera do presidente Lula uma ação que os  poderes locais encontram-se impedidos de adotar,  precisamente por estarem implicados na lambança.

Já se cogita, nos círculos mais próximos do chefe do governo, da adoção de medidas constitucionais em condições de restabelecer a  credibilidade e  a ordem na capital federal.

Poderia ser  convocado  o Conselho da República,  capitulado no artigo 89 da Constituição como órgão superior de consulta do presidente da República, competindo-lhe pronunciar-se sobre “a intervenção federal e questões relevantes  para a estabilidade das instituições democráticas”.

Fazem parte do Conselho da República o vice-presidente, os presidentes da Câmara e do Senado, os líderes da maioria e minoria nas duas casas do Congresso, o ministro da Justiça e seis cidadãos maiores de 35 anos.  Ignora-se quais sejam esses  representantes da nação, pois  desde que  promulgada a Constituição, em 1988,  o Conselho da República jamais se reuniu. De José Sarney a Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique, nenhum deles entendeu necessário buscar conselhos para enfrentar crises e sucedâneos.

Mesmo assim, o Conselho da República foi regulamentado por lei de junho de 1990, sancionada pelo então presidente Fernando Collor.

Diante da situação atual,  seria uma saída para enfrentar o inusitado da corrupção praticada por um governador, seus secretários, assessores,  deputados distritais, federais,  partidos políticos e possivelmente até integrantes do Judiciário.  O Conselho da República  teria legitimidade para propor a intervenção federal em Brasília,  afastando todos os implicados de seus cargos,   de acordo com o artigo 34 da Constituição, para “pôr termo a grave comprometimento da ordem pública”. Poderia requisitar de órgãos e entidades públicas as informações e estudos que se fizerem necessários ao exercício de suas atribuições.

O respaldo desse colegiado nas instituições nacionais seria suficiente para o presidente Lula enfrentar e debelar  uma crise que, permanecendo inconclusa, manchará  não apenas a imagem da capital federal no país, mas do país no mundo, ironicamente numa época de  respeito e admiração por nós, vindos de fora.

Nem precisava

O Ibope não repetiu a Sensus, em sua mais recente pesquisa. Deixou de indagar dos consultados em quem votariam para presidente da República, sem a  indicação de candidatos. A empresa com sede em Belo Horizonte ousou fazer a pergunta omitindo a indução e o resultado foi singular,  pois deu 18% para o presidente Lula e 8% para o segundo colocado, o governador José Serra.

Para evitar ilações perigosas, a questão foi omitida pelo Ibope,  mas um velho observador das consultas eleitorais concluiu que nem assim o instituto perderá pontos no palácio do Planalto. Afinal, registrar que o índice de aprovação do presidente Lula passou de 81% para 83% afasta qualquer dúvida…

Ponto de atrito

Nada para este ano, mas, no Senado e na Câmara, os líderes são unânimes em concluir pela aprovação do projeto que restabelece a obrigatoriedade do diploma universitário para o exercício do jornalismo. A pressão das entidades de classe dos profissionais da imprensa alertou senadores e deputados, mas não parece o fator principal para essa previsão. Na verdade, levantaram-se  outras profissões também  ameaçadas da  anarquia da desregulamentação promovida pelo Supremo Tribunal Federal contra os jornalistas. A começar pelos professores, porque só  o dom de ensinar não faz um deles, assim como o dom de escrever não faz um repórter ou um editor.

Há mal-estar no Supremo, diante da decisão a  ser tomada ano que vem pelo Congresso, restabelecendo o diploma de jornalista. Afinal, foi quase unânime a sentença suspendendo a obrigatoriedade. Há quem suponha que, provocada depois da nova lei, a mais alta corte nacional de justiça voltará ao tema, batendo de frente com o Legislativo. Pelo jeito o ano que vem não será apenas um ano eleitoral. Embates variados estão na pauta.

Pulverização

As eleições para a presidência da República prendem quase todas as atenções e especulações, mas há quem se preocupe, no Congresso, com a sua futura composição.  Os partidos andam  na baixa, não se prevendo a prevalência de nenhum deles sobre os demais.  O maior de todos, o PMDB, até agora sem  candidato próprio ao palácio do planalto,  corre o risco de ter diminuídas suas bancadas na Câmara e no Senado. O PT, que ameaçava substituir o PMDB, entrou em cone de sombra, sem saber se poderá disputar com vantagem um só governo de estados importantes. Aos tucanos faltam quadros estaduais, ironicamente sobrando no plano federal. Quanto ao DEM, só mesmo se for bem votado em Brasília…

Há quem suponha uma rearrumação do quadro partidário, depois das eleições de outubro do ano que vem. Antes, é claro, de qualquer reforma política impedindo pela vigésima vez,  inutilmente,  o troca-troca de legendas.

Lula trabalha pela sexta eleição seguida, fato único no mundo ocidental. Por enquanto, só quem pode protestar, fica em silêncio, se contenta com SP

O Poder não tem agravantes, variantes, ou fatores preponderantes. Quem o ocupa não quer sair mais, quaisquer que sejam as explicações. No início do primeiro mandato, Lula foi ao Gabão, voltou empolgado e inebriado: “Puxa, 50 anos no Poder”. Era uma confissão, para quase todos faltou compromisso.

Agora Lula abre o jogo, se esquiva de todos os golpes, como se a sucessão fosse uma luta de boxe e ele um Muhammad Ali.

Reeeleição de Morales

Mais um, que induzido, que palavra, mudou a Constituição, “ganhou” ontem mais um período. Não fez nada, ficou no Poder por causa do povão que o apoiou. O que esse povão podia fazer? Entre a elite dominadora e um deles mas desinteressado, tanto fazia. A opção era votar em Morales ou ficar em casa.

Todos se reeelegem,
depois querem mais

Começou com Menem, que não podia ser reeeleito. Ganhou o segundo mandato, queria o terceiro, foi preso por corrupção. Fez acordo, desistia, seria solto. Quem não aceitaria?

Fujimori, na sequência de Menem

O peruano com dupla nacionalidade, conseguiu facilmente um mandato. Queria o terceiro, descobriram que havia roubado mais do que o “compreensível”, fugiu para o Japão. Mas querendo o Poder a qualquer custo, voltou, foi preso, ficará o resto da vida na cadeia.

FHC, o desconstitucionalista

Jamais acreditou que chegaria a presidente. Não foi preso, cassado, perseguido ou incomodado, teve o aval dos ditadores para se candidatar em 1978, em plena fúria da crueldade. Mesmo assim ficou só como suplente, já era alguma coisa.

A reeeleição que
ninguém tentara antes

O primeiro a recusar a reeeleição, foi Prudente de Moraes, o consolidador da República. Não aceitou de jeito nenhum. O primeiro a pretendê-la, foi Campos Salles, ninguém aceitava seu nome, por causa do vergonhoso acordo quer assinou em Londres, “RENEGOCIANDO” a “dívida”. Em 1900. FHC cometeu crimes piores, 95 anos depois.

Nem JK ou Jânio
pensaram na reeleição

Juscelino cumpriu 5 anos tumultuados. Eleito apenas por 36 por cento dos brasileiros, mudou para pior o futuro do país, “plantando” para todo o sempre a catástrofe da nova capital, dando outra dimensão à corrupção bem distante e quase invisível.

Jânio, o trêfego peralta

Nem pensou em reeleição, em cumprir os 5 anos do mandato e tentar outro. Lançou movimento diferente: explorar a popularidade e a vitória folgada para “voltar nos braços do povo”. Foi derrotado precisamente por causa de Brasília, que desestruturada, não permitiu que os generais se entendessem.

Brizola, governador no Rio Grande do Sul, atraiu o comandante do III Exército, general Machado Lopes, os generais tiveram que aceitar o parlamentarismo. E “plantavam” a semente de 1964, que começava em 6 de janeiro de 1963, quando o parlamentarismo foi derrubado.

A morte de Tancredo, o impeachment de
Collor, permitiram a chegada de FHC

Ninguém acreditava, nem ele. De tal modo, que em 1993, tendo que enfrentar Lula em 1994, e “sabendo” que perderia, FHC reduziria o mandato presidencial de 5 para 4 anos. Ganhou (?), achou pouco, ficou mais 4 anos, queria outros 4, deveria ter o destino de Menem. FHC foi o pior presidente da história, seu governo foi o RETROCESSO DE 80 ANOS EM 8.

No exterior, Chávez, Uribe,
e todos os outros que querem

Chávez (e sua “revolução bolivariana”), foi o mais audacioso e o que mais imediatamente compreendeu, que é fácil se aproveitar do Poder e explorar o povo. Em vez de uma reeeleição, jogou tudo na “eternidade”, lançando o MANDATO ININTERRUPTO até 2030. Vai indo bem.

Na Colômbia, quase subterraneamente, Uribe ganhou o direito de se reeeleger e a reeeleição propriamente dita. Correa, do Equador, foi na mesma balada, todos tentarão mais um mandato, terminado esse. Menem, Fujimori e FHC perderam o terceiro porque ainda não surgira a Era Chávez.

Terminemos por hoje, aqui no Brasil. Escondido pelo biombo da inexistente Dona Dilma, Luiz Inácio Lula da Silva, nem pensa em se despedir do mandato. Falta praticamente 1 ano, ele descobriu (ou inventou) a pólvora: a força do exterior se reflete e se projeta de maneira quase incontrolável no interior. Por isso, diariamente acorda mais cedo para viajar.

Ao mesmo tempo em que finge fazer campanha para a sua “candidata”, vai monitorando e mobilizando a sua própria permanência. Já teve três hipóteses ou opções, agora se concentra apenas em uma, não há duvida, a mais suculenta e abrangente.

Seria a prorrogação de todos os mandatos no Executivo, Legislativo e Judiciário, até 2012. Aí então, todos “limpariam a pedra”, e poderiam disputar mandatos mesmo já exercidos. Só que a partir daí não haveria mais REEELEIÇÃO para ninguém.

Aguardem. Com essa fórmula, Lula ganharia mais 2 anos até 2012 e mais 5 até 2017. (São os cálculos). Deixaria o Poder com 72 anos, seria o patriarca do nordeste paulista.

Tomem nota e não esqueçam: tudo estará resolvido até 31 de março (ou 2 ou 3 dias depois) com a desincompatibilização. Lula não precisa sair. Se sua jogada der certo, ficará no Poder como candidato. Se não der, ficará também, como alavanca e ponto de apoio, mas de quem?

* * *

PS- E não desgrudem das palavras e das ações de José Serra. A propaganda eleitoral do PSDB, com ele e Aécio se elogiando aleatoriamente, pode não ser por acaso. Se ele deixar o governo, é que o plano de Lula não deu certo.

PS2- Se ficar no governo, é que disputará novo mandato em São Paulo, até 2015. E em 2017, com 75 anos, tentará a conquista do Planalto-Alvorada. Mocíssimo.

PS3- Para quem disse, “em 2002, com 60 anos, é a minha vez”, a certeza de que política e eleitoralmente, o tempo pode ser vencido. Serra então com 75 anos e Lula com 72, serão companheiros, comensais, confraternos e coadjuvantes. E pensando no futuro, juntos e sem divergências.

Lembrai-vos de Ademar de Barros

Carlos Chagas

Serve para melar um pouquinho mais o quadro sucessório paulista o  anúncio feito segunda-feira por  Eduardo Suplicy, de que disputará no PT a indicação para concorrer ao governo do estado. Condições não lhe faltam: é senador de 6 milhões de votos e deixará qualquer companheiro para trás, seja Antônio Palocci, seja sua ex-mulher,  Marta Suplicy.  A pimenta que tornará ainda mais indigesta a disputa pelo palácio dos Bandeirantes refere-se à primeira conseqüência da decisão de Eduardo, que será o afastamento da já combalida candidatura de Ciro Gomes, desejada pelo presidente Lula mas rejeitada pela maioria do PT.

Mesmo sem dominar a cúpula do partido, o senador levará o resultado para as bases, que mais se aproximam dele. E deixará em sinuca o outro lado, ainda indeciso entre Geraldo Alckmin e Aluísio Nunes Ferreira.

Por mais estranho que pareça, a pulverização  do eleitorado favorecerá Paulo Maluf, valendo lembrar paralelo igual verificado nos idos de 1962, quando depois de duas vezes derrotado para a presidência da República  e duas para o governo de São Paulo, desgastado e ridicularizado, Ademar de Barros despontou como vencedor.

Os reflexos dessa situação inusitada se farão sentir na sucessão presidencial a ser disputada no mesmo dia. José Serra arriscaria o Planalto sem a garantia de  uma retaguarda imprescindível em São Paulo ou optaria por uma reeleição tranqüila? Suplicy se esforçaria por tornar Dilma Rousseff vitoriosa entre os paulistas? E Maluf, serviria de fiel da balança, podendo inclinar-se para os tucanos ou para os companheiros?

Confusão  nas Gerais

Em Minas não é menos complicada a armação sucessória. O PT oscila entre Patrus e Pimentel enquanto o governador Aécio   Neves, da mesma forma como José Serra, para chegar ao Planalto necessita  sedimentar a retaguarda com seu candidato, o vice-governador Anastásia. No PMDB, o ministro Hélio Costa reage à possibilidade de apoiar o candidato do PT, qualquer que seja, batendo de frente com o ex-governador Newton Cardoso.

O presidente Lula hesita em definir-se, irritando  o PT mineiro, de um lado, e de outro  fornecendo motivos para o PMDB nacional fazer caretas na hora de oferecer o companheiro de chapa de Dilma Rousseff.  Com as dificuldades que agora cercam Michel Temer, até que Helio Costa preencheria a vaga, mas sua disposição é de não recuar na pretensão de ocupar o palácio da Liberdade, com base no mote popular de que melhor ter um pássaro na mão do que dois voando. Para complicar, Aécio Neves não sabe o que fazer com Itamar Franco, a quem já prometeu uma das candidaturas ao Senado, capaz de ser a sua própria, caso malogrem seus sonhos presidenciais.

Lobão no páreo

Senão com  um suspiro de alívio, pelo menos aproveitando razoável   moratória encontram-se o presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff, depois que ventos de tempestade começaram a soprar sobre Michel Temer. Chegaram a engolir em seco quando parecia provável a indicação do presidente da Câmara, mas precisariam aceitá-la.   O Lula  não gosta dele, para Dilma tanto faz  a certidão de batismo de seu vice. Tornando-se mais difícil a indicação do presidente licenciado do PMDB para companheiro de chapa da ministra, outros nomes começam a ser especulados. Helio Costa não quer, Nelson Jobim é cristão-novo, Geddel Vieira Lima fixou-se na Bahia. Sendo assim, desponta o nome do ministro Edison Lobão, com a vantagem de ser do Nordeste e tido pelo presidente da República como grata surpresa no comando do ministério das Minas e Energia.

Panorama visto da ponte

Eram quinze, hoje são dezoito os diretórios estaduais do PMDB que endossam a proposta de um candidato próprio do partido à presidência da República. Com cautela, o governador Roberto Requião continua trabalhando as bases peemedebistas, fiado na evidência de que em maioria  elas rejeitam o acordo celebrado pela direção nacional, de apoio a Dilma Rousseff.

Requião não faz críticas à candidata do PT, muito pelo contrário, transitando numa avenida de duas mãos. Caso a convenção nacional do PMDB venha a optar pela aliança com a candidata do governo, poderá apoiá-la.  Mas se por hipótese Dilma não decolar, com quem ficaria o presidente Lula? Serra, Aécio, Marina,  Ciro e Heloísa não são hipóteses plausíveis.  Vai daí que…

Cony e Collor

Estava viajando mas nada impede que destaque o artigo de Carlos Heitor Cony, manifestando a confiança no espírito público, na integridade pessoal, na isenção, na inteligência, no amadurecimento e no patriotismo do ex-presidente e agora senador Fernando Collor. Cony compara, “sem radicalismo, nem para o bem nem para o mal”, o antigo Collor, jovem, dado a rompantes, com 40 anos de idade, que pretendia resolver os graves problemas brasileiros do dia para a noite. E o pior: sem praticamente nenhuma sustentação política no Congresso, com o dr. Jekill e mister Hyde, que se misturavam num só para praticar sandices e horrores. Cony se mostra aliviado e contente, como milhões de brasileiros que sempre confiaram nele, que o agora sessentão Fernando Collor mudou para melhor. É homem mais centrado, sem contudo perder sua vigorosa personalidade e que, portanto, frisa Cony, “ainda tem muito a oferecer ao Brasil e aos brasileiros”. Abro novas aspas para o atilado Cony:”Pouco a pouco, a estranheza que provocara entre seus pares, obrigados a conviver com um réprobo, vai se diluindo diante da evidência de sua capacidade de trabalho e sua correção para com os assuntos importantes.” Por fim, a meu ver, digo ao acadêmico e veterano jornalista Cony, que Mister Hyde foram os calhordas, covardes, oportunistas e hipócritas que arrancaram Collor da Presidência da República. No pouco tempo no cargo, Collor tirou o Brasil das amarras do atraso e da servidão. As pessoas inteligentes, sem amarguras no coração, como Carlos Heitor Cony, acabam gostando de Collor e fazem questão de reconhecer e proclamar suas virtudes de cidadão e homem público.

Vicente Limongi Netto
Brasília – DF

Copenhague, hoje, capital da desesperança

Estão quase 200 países reunidos lá. Para quê? Para nada. Como vão discutir metas para 2020 e 2030, não demora muito e todos esquecerão.

E as duas potências que mais contaminam o ambiente, EUA e China, esqueceram das divergências e se juntaram para enganar o mundo. Inicialmente estavam abertamente contra a redução do carbono.

Pressionados por todos os lados, recuaram, “assumiram compromissos”, mas quem acredita nessas potências? Diga-se a bem da verdade que a pressão positiva partiu do Brasil e do presidente Lula.

Pão de Açúcar-Casas Bahia

Inesperadamente surge a idéia: a “compra”, (as aspas pela divulgação de que não houve dinheiro), a menor incorporou a maior. Quem saiu ganhando, quem saiu perdendo?

Quanto mais se concentram (monopólio) os vendedores, mais o público consumidor fica desarvorado e sem defesa.

Por que as Casas Bahia venderiam “sem dinheiro” para o Pão de Açúcar, quanto mais concentrado, melhor. Agora que se discute muito a importância da publicidade, se confirma o slogan do Pão de Açúcar: “Lugar de gente feliz”. Acertaram.

Há mais de 50 anos, quando o “maluco genial”, Howard Hughes, comprou a TWA pagando 770 milhões de dólares, o mundo empresarial e não empresarial, ficou assombrado: 770 milhões.

Depois veio a Era do BILHÃO, depois a do TRILHÃO. Agora Abílio Diniz “inventa” a compra sem dinheiro, e fica com 51 por cento do concorrente.

Painel e panetone

No primeiro escândalo, Arruda se salvou, por causa do discurso e de ter chorado, mas também por outro fator importantíssimo: o senado tinha medo de ACM-Corleone. Roberto Arruda era quase 10 anos mais moço, fez campanha de recuperação a partir das cidades satélites e da promessa de concessão de terras.

Arruda-Roriz-Paulo Otávio

Teve tanto “sucesso na campanha”, que Paulo Otávio, que já era candidato muito antes, mandou fazer pesquisa, viu que não ganhava de Arruda, concordou em ser vice dele, com a “promessa” de sucedê-lo.

O filósofo multibilionário

Riquíssimo, dono de tudo em Brasília, Paulo Otávio seguiu o conselho recomendação do filósofo: “Se não puder vencer o adversário, junte-se a ele”. Só que nas irregularidades, Paulo Otávio não deveria seguir Arruda.

Haraquiri imprudente

Não disputar com Arruda, foi medida prudente. Mas segui-lo na profusão de dinheiro “captado e capturado” de todas as formas, total imprudência e imprevisão. Se tivesse ficado de longe (não precisa de dinheiro para nada) seria governador certo.

O tamanho da corrupção

Os que sabem das coisas, têm certeza: os números da “arrudice” são tão pequenos (os publicados), que provocam gargalhadas. Só que todos se assustam com a palavra que Arruda manejou com sabedoria: r-a-d-i-c-a-l-i-z-a-ç-ã-o. O ainda governador é um arquivo de tamanho grande que impõe silêncio e impede qualquer ousadia.

Quem tem medo de Romeu Tuma?

O nome dele foi jogado na “fogueira”, deliberadamente. Primeiro trouxeram Temer, Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves, e mais alguns do PMDB, com passado abaixo de qualquer suspeita. E não apenas pela corrupção do dinheiro. Existem outras formas de comprometer as Instituições, sem envolvimento de dinheiro. E esses são mestres, nisso, não sei porque “protegeram” Quércia.

Medo e não repercussão

Tuma é um vespeiro vivo, por causa disso colocar o seu nome em acusações, foi uma tentativa de tumultuar as coisas. Só que perto de Tuma (e do seu fabuloso arquivo), Arruda é um ingênuo, sem lenço nem documento.

Até a mídia se apavorou

Não tenho a menor idéia de quem se lembrou do ex-diretor do Dops de SP, de tantos serviços à ditadura. Mas como a mídia, (jornais, revistas, rádios e televisões) também serviu abertamente ao regime autoritário, mercenário e truculento, silenciaram.

Arruda mais “desafogado”

Desde sexta-feira, a situação do governador melhorou dentro do partido. Não será mais expulso. A melhor prova disso: foram buscar para “denunciar” Arruda, um ex-deputado que é EX, não por vontade própria mas por execução eleitoral.

Mas não se reabilitará como
aconteceu na violação do painel

Não sendo expulso, Arruda pode até continuar no governo. Mas será um velório a longo prazo, (nem tão longo, apenas 1 ano) a ressurreição não acontecerá. A primeira vez, digamos “infelicidade”. Agora, com a corrupção aberta e escancarada, Arruda é um painel aberto.

Ninguém se jogará contra Tuma, mas não darão outra oportunidade a Arruda. Este, saído da cumplicidade Roriz, não poderá voltar. Até porque, Roriz, que renunciou ao mandato inteiro no senado, quer a segunda chance. Roriz pretende dizer a Arruda, “eu sou você, amanhã”.

A salvação (?) do DEM

A cúpula do partido considera que a grande aposta é manter Paulo Otávio no jogo. Com ele assumindo, ganharia a reeeleição de 2010, quando tudo acontecerá. Mas para se salvar, salvando Paulo Otávio, o DEM precisa mudar de estratégia, expulsando Arruda. O melhor mesmo seria o impeachment. Mas como conseguir isso com deputados que têm medo de votar a PRÓPRIA CASSAÇÃO?

O segundo tempo começa hoje

Haja o que houver, os sinos estão dobrando, Arruda não sabe, mas os sinos dobram por ele. Agora, Arruda não pode nem chorar. Na vida pública e para salvação da imagem, só se pode chorar uma vez.

A primeira, até emociona, a segunda provoca ridículo e compaixão. E estas palavras soterram (como dizem os empreiteiros que têm negócios com governos) qualquer reputação. E a de Arruda já está derrubada há muito tempo.

Flamengo, tua gloria é lutar, Marcio Braga não vai voltar, 76 anos sem nunca trabalhar, 333 milhões, quem vai pagar?

Antigamente, numa época em que a política era mais risonha e franca (e menos corrupta), se dizia com insistência: “Os comunistas só se unem na prisão”. O Grêmio e o Internacional não se entendem nem mesmo em liberdade ou na luta pela liberdade de ganhar ou perder.

Transferem para fora do campo a paixão que sacrifica a ética, que deveria ficar apenas dentro dele, quando se enfrentam e até contaminando a atuação que pode favorecer adversários.

Essa paixão que pode ser aceita até mesmo como tresloucada, não resiste à indignidade de entregar um jogo. Prejudicar um rival mesmo comprometendo a sua história., pode ser defensável? Em vez de paixão, se parece, se compromete e aparece como visível traição.

Vou vendo o jogo, escrevendo, refletindo, e transferindo o que acontece. Me surpreendo com o Flamengo jogando parado, 4 minutos e a bola não sai da área do time. Por que esse ritmo? Falta agitação, falta cadência, falta o vigor que o time ganhou a partir de determinado momento.

O Grêmio vai dominando o jogo, ao mesmo tempo dissipando e destruindo o que se falou durante toda a semana: que entregaria o jogo. E se alguém tivesse dúvida, o gol do Grêmio fortaleceu a tese da crença na humanidade. 1 a 0 contra o Flamengo, o Maracanã estremecendo não pelo excesso mas pela angústia dos quase 90 mil torcedores, sofriam tremendamente. Dentro do campo, os jogadores passavam o mesmo sentimento.

No segundo tempo, embora não fosse o mesmo Flamengo que veio com o surgimento e o fortalecimento do Andrade, era outro time, com outra meta a obter.

Consequência natural da conversa do Andrade, com a competência habitual, e a mesma humildade não subserviência que é a sua marca mais poderosa.

Apesar de tudo, o Flamengo jogava mal. O gol do Grêmio, foi marcado diante de 5 jogadores que assistiam, deixando a todos perplexos. Já no segundo tempo, o goleiro do Grêmio passou a ser um dos melhores em campo, méritos para ele e para o Grêmio, embora este não seja o Grêmio de outras épocas.

O segundo gol veio na hora certa, mas ficou nisso? Por quê? O que faltou? Essa vitória com um gol apenas de diferença, era o que se esperava? Foi o pior jogo do Flamengo depois de Andrade, excluindo naturalmente a derrota para o Barueri, que parecia o fim de tudo.

Infelizmente, os que se destacaram e colocaram o Flamengo no apogeu e permitiram a vitória e sustentaram o título de campeão, ontem ficaram até bem longe. Mas isso não significa que o grito de campeão tenha sido injusto ou imerecido. Na verdade a justiça e o merecimento, hoje moram na Gávea. Que também hoje, terão mais satisfação: retirar Marcio Braga da circulação. E fico satisfeito com as 4 afirmações do título destas notas, escritas antes do jogo começar.

Três satisfações extra-jogo-do-Flamengo. 1- O Botafogo não ter sido rebaixado. 2- O Fluminense ter construído uma trajetória que não parecia, era IMPOSSÍVEL. A palavra não pode ser usada? Pode sim. Eu mesmo, na 18º rodada, escrevi: “O Fluminense está rebaixado”. 20 rodadas depois, na 38ª, (a última), o Fluminense se classificou com um empate contra o Coritiba.

Errei?

3- Satisfação com o fato do Palmeiras, tido e havido desde o início como supercampeão, só porque tinha um treinador de 700 mil por mês, não se classificar nem mesmo para a Libertadores.

* * *

PS- Muitos me “acusavam” e me “acusam” de flamenguista. Sou sócio proprietário do Flamengo há mais de 50 anos, remido, não pago mais nada. Não me lembro de um presidente que eu tenha apoiado, embora tenha votado em muitos que se elegeram.

PS2- Flamengo é campeão? É uma satisfação, mas não total. O que eu saúdo nesse título é por causa do Andrade, o primeiro treinador negro a ganhar um título como esse. A “elite” ambiciosa do Flamengo tem que cumprimentar e aplaudir a humildade digna e vitoriosa do Andrade.

PS3- O que me agrada no grito de campeão, é permitir que o Adriano chore em campo e na entrevista coletiva, numa grandeza que não pode ser negada. Os que não entenderam que o Adriano saísse de Roma para vir morar numa favela, precisam reinventar a roda.

Nada é simples na vida, nada pode ser entendido, e principalmente negado, sem reflexão profunda. E olhem que o Adriano me frustrou, eu queria vê-lo artilheiro, sozinho. E podia ter sido, faltou sorte.

PS4- Petkovic, numa outra linha, aplausos mais do que merecidos. Aos 37 anos, reviveu, a sua alegria, emocionante. E ele sabia sempre a hora de fazer sinal para o Andrade, pedindo para sair. Petkovic jogava com a certidão de idade na mão e na cabeça.

PS5- Bruno, Angelin, (e o milagroso gol da vitória) e todos os jogadores. E para terminar: se o Flamengo não tivesse feito o segundo gol, ficaria satisfeito com o título indo para o Internacional. Por causa do meu amigo Mário Sérgio Pontes de Paiva, jogador extraordinário, comentarista que sabe o que diz, treinador competente e dirigente de clube, no próprio Grêmio.

Nova proposta para a reforma política

Carlos Chagas

Tempo houve. Vontade, não. Sendo assim, mais um ano se encerra sem  a aprovação da reforma política. Fala-se dela através das gerações. Todos concordam com sua necessidade, dos sucessivos governos às diversas composições do Congresso. O problema é que cada um deseja reformar os outros, mantendo-se imune a modificações capazes de prejudicar seus interesses.

Mais uma proposta emerge desse pantanal de  frustrações: o senador Heráclito Fortes, do DEM do Piauí, sugere que o atual Congresso, em final de mandato, vote ano que vem  um roteiro simples, determinando que o futuro Congresso a empossar-se em fevereiro  de 2011 discuta e aprove no prazo de um ano as reformas necessárias. O processo correria em separado, primeiro na Câmara, depois no Senado, evitando-se a apreciação conjunta que favoreceria os 513 deputados federais, em detrimento dos 81 senadores.  Seria mantido o princípio federativo.

O ponto de partida da votação se resumiria às dezenas de projetos que dormem nas gavetas parlamentares, que uma comissão especial sistematizaria. Sendo aprovadas no primeiro ano de mandato dos novos deputados e senadores, as regras ensejariam tempo a que todos se adaptassem, pois só valeriam de 2014 em diante.

Limitação do número de partidos, financiamento público das campanhas, propaganda e fidelidade partidária, proibição de condenados criminalmente em primeira instância se candidatarem, votação em listas partidárias para a Câmara dos Deputados, perda de mandato para os que assumissem  ministérios, funcionamento do Congresso de segunda a sábado  e até  discussões sobre sistema de governo – tudo se debateria e aprovaria no primeiro ano da nova Legislatura.

A idéia é  boa, mas, com todo o respeito ao senador Heráclito Fortes, a gente deve repetir a pergunta feita pelo Garrincha ao treinador Vicente Feola, nos idos da Copa do Mundo de 1958: “o senhor já combinou com os russos?”

Decisão explosiva

Tudo indica que o DEM, esta semana, expulsará de seus quadros  o governador José Roberto Arruda.  A decisão parece cristalizada na indignação da maioria das bancadas do partido,  diante da lambança no governo do Distrito Federal, revelada nos últimos dias.

A grande questão é se os chamados democratas estão preparados para as conseqüências, se Arruda decidir mesmo cumprir a promessa de jogar barro  no ventilador.  As suposições são de que tenha ajudado muitos companheiros federais com as benesses distritais.  Das lícitas às ilícitas, muitos são  seus devedores.

Caso expulso, o governador nada terá a perder, pelo simples fato de haver perdido tudo. Sem legenda, não poderá candidatar-se à reeleição ou a qualquer outro mandato, sequer de deputado federal, onde buscaria blindar-se das investigações em curso  na Justiça. Por que pouparia seus algozes, alguns, quem sabe, envolvidos como ele na trama que acaba de abalar Brasília?

Bom senso

Uma palavra de bom senso teve a candidata Dilma Rousseff ao  opinar sobre a crise em Honduras. Ainda que em caráter pessoal, afirmou dever o Brasil aceitar as eleições e seus resultados, naquele país, encerrando a trapalhada em que  nos metemos ao defender Miguel  Zelaya além dos limites da prudência. Permanecer sustentando o ex-presidente e nosso incômodo hóspede equivalerá a enxugar gelo ou ensacar fumaça.

Ignora-se a existência de uma combinação entre Dilma e o presidente Lula para o encontro dessa saída, durante a prolongada permanência dos dois  no exterior, mas parece o  mais provável. Não é a primeira vez que o Itamaraty põe o presidente numa gelada.

Não pode nem pensar

Implodiria seu futuro o  simples pensamento do governador Aécio Neves, agora,  na hipótese de tornar-se companheiro de chapa de José Serra na corrida sucessória. Perderia não só as condições de continuar pleiteando a indicação presidencial no ninho tucano como se desgastaria para outros lances, como o de eleger seu sucessor no palácio da Liberdade. Nem pensar, então.

Só que por enquanto. Mais tarde, decidida a apresentação do governador de São Paulo, outro cenário estará aberto. Com a débâcle do DEM e de seu hoje inviável  candidato a vice, o governador José Roberto Arruda, cresce no PSDB o raciocínio de que se for para ganhar a eleição,  nada  melhor  do que dobradinha Serra-Aécio.

Tancredo Neves alertava para o fato de que saber administrar o tempo devia ser a principal característica dos políticos. É o que o  neto deve estar fazendo.

Brasil-Portugal, França-México, Argentina-Grécia, Itália-Paraguai, Inglaterra-Argélia, Alemanha-Sérvia, Holanda-Camarões, Espanha-Chile, passarão ao definitivo MATA-MATA

Foi o sorteio mais camarada, mais satisfatório e de acordo com os sonhos dos favoritos. Os 7 campeões do Mundo “acertaram” com os adversários que desejavam e principalmente com a movimentação (geograficamente mínima) pelas sedes.

França-México

Dos que já ganharam títulos, só o Uruguai, em plena decadência, será eliminado na primeira fase. Também, foi o único campeão que teve outro campeão do lado. E disputará com o México que já sediou duas vezes, e vem melhorando sistematicamente. Além do dono da casa, que não tem a menor chance, mas logo no segundo jogo pode endurecer com o Uruguai, ganhador do primeiro título em 1930, e o segundo em 1950, no Brasil, contra o anfitrião e 200 mil torcedores chorando e silenciosos.

França e México estarão nas oitavas. É a esperança de pelo menos 24 países que não esperam mais do que isso.

Brasil-Portugal

Serão os representantes do Grupo G. Portugal fez um péssimo inicio de classificação, precisava vencer todos os jogos para chegar à repescagem, ganhou. Nessa repescagem foi tão favorecido que houve até insinuações. Portugal será segundo, enfrentará o Brasil já com os dois classificados.

Muitos lembram do jogo Brasil-Portugal, em 1966, a primeira e única vez que o Brasil “parou” na chave. O Brasil era a reminiscência, que palavra, de 1958 e 1962. E Portugal tinha a sua melhor seleção em toda a história. Perdiam para a Coréia do Norte por 3 a 0, Eusébio fez 4 gols seguidos, venceram por 5 a 3.

Argentina-Grécia

A chave favorece de tal maneira a Argentina, que nem precisavam jogar. E o segundo colocado será a Grécia (que ganhou a Copa de Seleções da Europa, vencendo Portugal em casa), que com muitas surpresas, poderia (mas não pode) perder a vaga para Nigéria ou Coréia do Sul.

A Argentina sofreu nas eliminatórias, mas nessa chave não há sofrimento possível. A partir daí, a Argentina estará sempre a perigo, como aconteceu sempre. Com exceção de 1978 em casa, quando os generais da ditadura (todos punidos) ganharam no vestiário. E em 1986, quando Maradona ganhou sozinho.

Inglaterra-Argélia

É a chave mais fraca do princípio ao fim. Até a Inglaterra é discutível. Só ganhou um título, em 1966, em casa, com um gol que é discutido até hoje. Mas os outros são tão fracos que não eliminarão os ingleses. O segundo colocado deve ser a Argélia, que decide seu destino, não contra a Inglaterra e sim conta os EUA no último jogo. Mostrarão realmente quem continuará.

Alemanha-Sérvia

Excetuada as duas Grandes Guerras, a Alemanha é sempre favorita. E essa chave foi feita para ela. Não pode perder para Gana ou Sérvia. Austrália nem se fala, classificada por ter mudado de continente. Logo no primeiro jogo, Gana e Sérvia decidirão quem faz companhia à Alemanha. A africana deve ficar ali mesmo na casa da anfitriã, também africana.

Holanda-Camarões

A grande sensação das eliminatórias da Europa, não perdeu nenhum jogo, estaria classificada em qualquer chave. E nessa então nem se discute. Camarões vem com toda força e prestígio, deve vencer a Dinamarca no segundo jogo e ir em frente.

Itália-Paraguai

Outro grupo camaradíssimo. Não só a Itália também para o Paraguai. E mais uma chave sem qualquer surpresa possível. O Paraguai foi o segundo da América do Sul, nunca esteve a perigo.

E a Itália é a Itália, pode não ser campeã, mas estará no mata-mata, pelo menos inicial. O primeiro jogo, logo entre os dois favoritos, dando esperança aos outros. Mas essa esperança não sobreviverá.

Espanha-Chile

Outra chave “repetição”, sem emoção ou qualquer dúvida. A Espanha que jamais ganhou um título, nem mesmo em casa (1982), agora vem fortíssima, como demonstrou nas eliminatórias. Não perde para a Suíça, e contra Honduras só se o golpista Zelaya entrasse em campo.

No último jogo, quando se enfrentarão, Espanha e Chile já estarão tranquilos e classificados. O Brasil pode enfrentar a Espanha no primeiro jogo do mata-mata, visivelmente quer fugir desse encontro.

Pode parecer análise arriscada, mas a sedução e a obrigação jornalística são maiores do que os riscos. Dificilmente errarei nos 8 cabeças de chave. Nos 8 segundos pode haver ligeira e improvável alteração.

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PS- Abandonando as Copas de 30 e 34, (não deve haver ninguém mais vivo e eram apenas 8 convidados e mais nada) ficamos com 15 Copas, das quais o Brasil ganhou A-P-E-N-A-S 5. Deveria ter ganho mais 6: 1950, 1974, 1978 (a ditadura daqui perdeu para a ditadura de lá), 1982 (injustiça de Deus), 1986 (com o mais empolgante jogo de todas as Copas, Brasil-França), 1998 (a Copa das convulsões).

PS2- Faltou a coragem e a consciência do risco da análise jornalística. Não tenho a menor dúvida de que o que analisei, acontecerá. Só não sei quem continuará a partir das oitavas ou quem será campeão. Esta Copa tem candidatos tão frágeis quanto a de 1994, decidida nos pênaltis.

Governo mantém reforma laboral sob nebulosa

Roberto Monteiro Pinho

Em maio deste ano o presidente da Organização Internacional do Trabalho, Juan Somavía, informou que o ano de 2009 deve terminar com 239 milhões de desempregados ao redor do mundo, os números tiveram como suporte as informações do Fundo Monetário Nacional (FMI), sobre a recessão econômica. Segundo o relatório da OIT, os países desenvolvidos, nos quais começou a atual crise financeira e econômica, serão os que mais demitirão. É “provável” até que a região concentre “de 35% a 40% do aumento total do desemprego em nível global, apesar de constituir menos de 16% da força total de trabalho no mundo”. Já na América Latina, onde a taxa de desemprego em 2007 foi de 7,1% e a de 2009 deverá oscilar entre 8,4% e 9,2%, “houve uma capacidade de resistência”, segundo Somavía.

Neste mesmo semestre a ONU emitiu um relatório anunciando que em 2009 o mundo vai ter mais de 1 bilhão de indivíduos desnutridos, (quase a população da China), com um aumento na ordem de 100 milhões somente neste ano, e segundo a Organização a crise mundial foi a responsável pelo agravamento desta situação. A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação – FAO, emite anualmente um relatório sobre a segurança alimentar no planeta, e ela adverte as nações que pela primeira vez em toda a história da humanidade a barreira de 1 bilhão de seres humanos sofrendo de desnutrição alimentar será superada, um marco que não deve ser comemorado, ao contrário, exige medidas sérias, urgentes e efetivas. O aumento do número de desnutridos somente em 2009 deve ser na ordem de 11%, o que significa 1,02 bilhões de pessoas com fome no mundo.

E o que tem ver essas informações com o trabalhismo no Brasil?, muito, este é o maior fenômeno capaz de diminuir a fome no mundo e por conseqüência no Brasil, através do emprego formal, mas para isso é preciso incentivar a produção, e para poder produzir tem que existir consumo, este tripé, consumo/produção/trabalho, não pode andar separados sob risco de mergulhar o Estado na pobreza, em suma uma classe produtora (empresários), necessita da mão-de-obra para produzir riqueza, e por conseqüência, traz o consumo que diminui a pobreza no país. Mas o que está ocorrendo com o trabalhismo no Brasil? O estado intervencionista não consegue dar ao trabalhismo a liberdade que ele necessita para a livre negociação do capital/trabalho? O que temem as autoridades, os legisladores, os magistrados trabalhistas e o governo executivo? Entendo com toda máxima vênia, que estamos diante de um quadro totalitário de judiciário estatal que sob a égide do protecionismo ao hipossuficiente, concede excessiva liberdade para o julgador estatal. A reforma trabalhista não anda propositalmente, existe uma nebulosa envolvendo seu desenvolvimento e conclusão.

O Well Fare State é o sistema adotado mundialmente e que tem vigência sobre todas as nações, como raras exceções. Tendo como premissa o bem comum, segundo seus artífices, “o fato de o Estado atuar na vida íntima das pessoas não é um problema, é uma necessidade. Para que se proteja o meu bem e o seu, deve se fazer presente a figura do Estado como gestor das relações sociais. Caso não houvesse essa proteção, estaríamos fadados ao estado de natureza, onde o homem é o lobo do próprio homem. É assegurado para todos a intimidade e a vida privada. Esta é a regra. Como exceção, ao Estado é dada a função de intervir neste direito quando houver a subversão na utilização desta garantia à liberdade individual. Este mesmo Estado que detém esta prerrogativa, nos concede por igual via a proteção contra o abuso em seu exercício. Não se extrapola a vida privada sem hipótese contemplada em lei. Assim sendo, todo ato que vier a ferir a privacidade, a propriedade ou outro direito inerente ao cidadão somente será legítimo se emanado de autoridade competente e com previsão expressa em lei”.

Vale alertar que existe uma onda mundial de regressão do trabalho, até mesmo em países capitalistas desenvolvidos, onde impera o chamado Estado de Bem-Estar Social, a avalanche neoliberal causa estragos. Os EUA, por exemplo, é a pátria da desregulamentação, o trabalhador não tem qualquer garantia (em relação ao concedido a brasileiro) e vegeta numa situação de tensa instabilidade, tão bem descrita no livro A Corrosão do caráter, de Richard Sennett. Já na Europa, berço do Welfare State, também cresceu a investida para golpear os direitos. Trata-se de uma ação, inclusive, articulada e coordenada pelos organismos mundiais do capital, como o FMI, OMC e Banco Mundial, tanto que o economista, José Pastore, (liberal) maestro da Fiesp, prova num estudo recente que a flexibilização trabalhista é cláusula obrigatória nos acordos do FMI, embora não seja pública, é imposta nos bastidores das negociações. A reforma trabalhista no Brasil, “indispensável para elevar a produtividade”, tem as digitais do capitalismo e na recente revisão do acordo com este organismo, o governo Lula teve que suportar esta imposição, incorporando o modelo de reforma que abra espaço para negociações voluntárias e a implementação de “direitos parciais”, estendendo benefícios a quem não tem nada, sem que isso onere as empresas, tese de Pastore.