Sem sair de casa

O leitor que se assina Homero, “corrige” Helio Fernandes que afirmou: “FHC foi o primeiro a ser reeeleito Presidente da República”. Homero vai mais longe dizendo “que Rodrigues Alves morreu de gripe espanhola, por isso não tomou posse a segunda vez”. Simpaticamente, da mesma forma que Homero, retifiquemos o que ele disse.

Comentário de Helio Fernandes
Falei em reeeleição, Homero. Rodrigues Alves foi eleito de 1902 a 1906 (como você falou corretamente) e a outra foi em 1918, portanto longe de qualquer definição como reeeleição. Rodrigues Alves estava com 70 anos (naquela época chamado de velho), não queria ser candidato, estava muito doente. Fez toda a campanha sem sair de sua chácara em Guaratinguetá. Morreu antes da gripe espanhola aparecer. E tem mais, Homero, sobre a biografia dele, escrita e arquivada na memória.

Ainda no Império, foi “presidente” de São Paulo, era assim que se chamavam os governadores. Mais tarde, já na República, voltou a comandar São Paulo, com o nome de governador. Isso depois de ter sido presidente já na República. O que levou FHC que não conhece História (nem Sociologia) mas queria ser governador de São Paulo depois de ser presidente, afirmou: “É o efeito Rodrigues Alves”. Lógico, alguém “soprou” para ele.

Não tendo tomado posse e morrido em seguida, Rodrigues Alves criou (lógico, sem querer) uma sucessão tumultuada. O vice Delfim Moreira tinha que convocar nova eleição, como mandava a Constituição. Mas como sofria das “faculdades mentais”, ficava na janela do Catete, dando adeus às pessoas que passavam na rua. Naquela época não havia segurança.

Durante 11 meses, Delfim Moreira assinava o que Afrânio Mello Franco, (pai do Afonso Arinos) levava. Esse período é chamado de “a Regência Mello Franco”. 11 meses depois foi eleito Epitácio Pessoa, que nem estava no Brasil.

Governadores podem ser cassados, mas substituídos por outros eleitos

Já disse isso quando Cunha Lima e Jackson Lago foram cassados. Mas por que dar o cargo a quem tirou o segundo lugar? Deviam ser substituídos através de eleições.

Parabéns a Eros Grau

Agora o Ministro dá liminar impedindo as cassações pelo TSE. Será difícil aprovar sua liminar no plenário. Que não se tire do TSE o Poder de cassar por irregularidades. (Palavra terna para alguns). Mas que o cassado saia e entre alguém escolhido pelo povo. Agora os NÃO ELEITOS, vão disputar a R-E-E-E-L-E-I-Ç-Ã-O. (Exclusiva)

O Exército não tem dinheiro para alimento, o presidente Lula quer comprar armamento por que não lutar para conquistar as duas coisas?

A notícia de que o Exército (digamos as Forças Armadas) resolvera fazer meio expediente às segundas-feiras, por falta de recursos para alimentação, teve enorme repercussão. Já se sabia (pelo menos alguns) que pelo mesmo motivo já não havia expediente total também às sextas-feiras. Juntando os dois fatos, a gravidade da questão se aprofundou.

Um Exército que não tem dinheiro para comprar pão, café, carne, arroz, feijão, tudo que é necessário e indispensável para manter seus homens, não pode pensar em comprar armamento. Como esse equipamento pode ou poderá ser manejado por homens famintos que sempre tiveram no Exército, casa, comida e roupa lavada, esperavam completar 18 anos para se incorporarem ao Exército?

Os mais atingidos não serão os oficiais e sim os soldados, cabos e sargentos, que formam a grande maioria do Exército. Não é de hoje que o Exército tem nos que prestam o serviço militar a sua base, mas também não é de hoje que o Exército vem cortando soldados por falta de dinheiro.

Foi Olavo Bilac, extraordinário poeta, Nacionalista, Abolicionista e Propagandista da República, que teve a idéia do Serviço Militar Obrigatório. Preocupado com o analfabetismo de multidões, e o desemprego e a fome de milhares, principalmente no interior, que deram a ele a idéia de propor ao Exército a convocação dos jovens aos 18 anos, pois isso serviria a todos e ao país.

Surpreendentemente a idéia caiu no terreno fértil e logo prosperou quando Bilac ficou preso na Fortaleza de Lage. Perseguido pelo presidente Marechal Floriano (que seguia à risca o que Tancredo Neves definiu como “homens que guardam ódio no freezer”), foi demitido e preso. Na Fortaleza conheceu muitos militares, importantes chefes, a idéia ganhou vida e começou a surgir.

Em 1899, há 110 anos, Bilac veio para as ruas mostrar a todos a importância do Serviço Militar Obrigatório. Com enorme convicção, convenceu a todos.

Na ditadura Vargas, os soldados chegaram a 300 mil. Ganhavam 21 cruzeiros, moravam e comiam nos quartéis, andavam de graça nos trens. É bem verdade que até a formação da FEB (que foi para a Itália), passavam o dia montando e desmontando um velho FM que não servia para nada. Muitos soldados estudavam e houve uma época em que chegavam a generais “montando praça”.

Na segunda ditadura, esse número foi reduzido drasticamente, exatamente pela mesma razão do corte de expediente de agora: falta de dinheiro.

Os Exércitos têm a sagrada missão de lutar. Mas para isso, precisam de armas e de homens. Armas envelhecidas e homens esfomeados não servem para coisa alguma. Em alguma esquina, na encruzilhada da vida chega um momento que o homem tem que lutar. Lutar no Exército ou fora dele, lutar por convicção, lutar sem armamento ou alimento, mas lutar.

Luta-se por convicção, contra alguma coisa, pelo direito de não votar pela continuidade, mas lutar. Alguns homens lutam por obrigação, outros só lutam forçados, muitos lutam para defender direitos adquiridos, lutam para que esses direitos não sejam suprimidos. Luta-se contra a fome, contra a miséria, luta-se por questão de caráter e de temperamento, luta-se contra a injustiça, o arbítrio, a prepotência.

Luta-se até como o revolucionário espanhol que comprou uma metralhadora e lutava por conta própria. Talvez fosse esse o verdadeiro lutador, sem empresários, sem chefes, sem mandantes, lutando pelo que lhe parecia mais correto, usando sua força interior para consolidar o que seus princípios e sua consciência lhe impunham.

***

PS- O Presidente Lula devia lutar pela ampliação do Serviço Militar Obrigatório, a junção do povo civil com o povo militar.

PS2- Lula podia criar uma espécie de “bolsa” para equipar e armar o Exército, alimentar seus homens. Sem constrangimento, presidente, essa é a bandeira. Lute para desfraldá-la e consolidá-la.

Sobe a temperatura nas Forças Armadas, mas jamais a ponto de quebrar o termômetro

Carlos Chagas

A premissa, em primeiro lugar: raras vezes na História do Brasil as forças armadas vem mantendo conduta política tão exemplar. Desde que deixaram o poder, em 1985, acostumaram-se a engolir sapos em posição de sentido. Ainda que reverenciando o passado, os oficiais-generais de hoje nada tiveram com o  período autoritário, quando eram aspirantes ou  tenentes.

O problema é que do outro lado muita gente procura conservar  acesa a chama do confronto. E não se trata de  um fenômeno peculiar ao PT. Desde o governo Fernando Henrique que a prática tem sido de isolar, escantear e até humilhar as forças armadas. Tome-se  os cortes e contingenciamentos em verbas orçamentárias imprescindíveis à manutenção das suas  estruturas  ao sucateamento dos equipamentos imprescindíveis para o  desempenho das funções castrenses e  a  criação do ministério da Defesa para afastar Exército, Marinha e Aeronáutica das discussões ministeriais.

O governo Lula seguiu na mesma linha dos oito anos do  antecessor, até exagerando em certas figurações, comoa recente exclusão cerimonial dos comandantes das forças das proximidades do presidente da República, no desfile militar do último Sete de Setembro.

O grave, porém, é a continuidade da redução de recursos, que  a anunciada mega-compra de aviões, submarinos e helicópteros não engana.

Tome-se a decisão adotada pelo Exercito, de imitar o Congresso e suprimir atividades nos quartéis às segundas e às sextas-feiras, por falta de dinheiro para providenciar o almoço da tropa. Nem se fala do cancelamento de exercícios,  pelo mesmo motivo. Ou da redução drástica do número de jovens admitidos no serviço militar antes dito obrigatório.

É claro o descontamento,  exemplificado pelo pedido  de exoneração, semana passada,  do comandante da Aeronáutica, que o presidente Lula conseguiu contornar. Por isso se diz que a temperatura anda subindo, mas, é claro, jamais a ponto de gerar inquietações institucionais. A febre cresce, mas o termômetro aguenta.

A máfia das empresas de ônibus prepara-se
para atuar nas campanhas do ano que vem

Os serviços públicos, mesmo em mãos de particulares, como diria o Chacrinha, existem para servir ao público. O tempo passa, os governos se sucedem,  a tecnologia avança, mas o emclçavemafioso das empresas de ônibus continua o mesmo. Em todo o país, viaturas caindo aos pedaços, em número insuficiente para atender  a demanda que só aumenta, pagando miséria aos motoristas e auxiliares.

Como o mundo anda para a frente, a sociedade encontrou seus derivativos. Vieram as vans, facilitando o transporte público,  assim como proprietários de carros particulares passaram a levar  populares, cobrando tarifas ilegais mas necessárias ao deslocamento do trabalhador para o emprego e para casa.

Como vinham sabotando projetos inovadores do tipo ampliação dos  metrôs e implantação de veículos leves sobre trilhos nas principais capitais, as empresas de ônibus passaram a pressionar as autoridades para obstar a ação de vans e carros particulares. Como são elas, as empresas de ônibus, fonte permanente  de distribuição de recursos para financiar a eleição de políticos, basta somar dois e dois.  O povo que se dane, em sua busca de melhores condições de transporte. As eleições vem aí, ano que vem, e como a mídia não pode prescindir da farta publicidade direta e indireta  das empresas de ônibus, quem quiser que conclua sobre  os motivos  da ampla campanha  hoje desenvolvida.

Agrados não fazem mal  a ninguém, selando um
entendimento prévio entre Lula, Marina e Ciro

Marina Silva e Ciro Gomes acusaram o agrado. No fim de semana, a ex-ministra do Meio Ambiente derramou-se em elogios ao presidente Lula, ressaltando em sua pré-campanha a estabilidade da moeda, a maior  distribuição  de renda e outras realizações  do governo. O ex-ministro da Integração Nacional nãoficou atrás, referindo-se ao orgulho que tem de haver colaborado com a atual administração e praticamente informando que vai transferir seu título eleitoral para São Paulo. Mesmo disposto a concorrer ao palácio do Planalto, aceita o papel de ferrinho de dentista na candidatura José Serra.

Essa postura dos dois aspirantes à presidência da República reflete a aceitação do canto de sereia entoado pelo Lula, semana  passada, ao colocá-los no  mesmo patamar de  Dilma Rousseff, isto é, de candidatos em condições de dar continuidade ao programa do atual governo.

O Lula não joga suas fichas fora do pano verde. Percebendo o enfraquecimento da campanha de Dilma, é claro que não irá abandoná-la, mas acautela-se elogiando  dois concorrentes. Afinal, se um deles chegar ao segundo turno, mesmo em segundo lugar, contará com o respaldo dos detentores do poder. Assim, sobressai a evidência de que agrados se pagam com agrados…

Política é para profissionais, sempre disse José Maria Alckmin,
demonstrando que muitas vezes as coisas não são o que parecem

Há outra leitura para a informação de que o PMDB estaria exigindo do presidente Lula e da ministra Dilma Rousseff uma definiação rápida a respeito de quem ocupará a vice-presidência na chapa da chefe da Casa Civil. À primeira vista parece que os cardeais do   maior partido  nacional andam ávidos de merecer a indicação, mas pode ser exatamente o contrário: querem ver selecionado quem potencialmente irá para o sacrifício para traçarem seus verdadeiros planos eleitorais.

Michel Temer, nome mais cotado até pouco, medita sobre a hipótese de ficvar sem mandato durantequatro anos, se Dilma for derrotada, jogando pela janela uma reeleição tranquila para a presidência da Câmara e a preservação do controle do partido.

Geddel Vieira Lima insiste em candidatar-se ao governo da Bahia, mesmo atropelando o PT, como forma de tornar-se peça desimportante da equação futura.

Sérgio Cabral reúne forças que imaginava não ter para afastar Lindberg Farias da sucessão fluminense e reeleger-se como solução fundamental na aliança entre o PMDB e os companheiros.

Helio Costa alega a ocupação do palácio da Liberdade como seu grande sonho. E assim  por diante.   Até Edison Lobão, que formaria excelente chapa com Dilma, se  ela estivesse decolando, reafirma a disposição de mergulhar no pré-sal,  peça importantíssima como ministro das Minas e Energia, capaz de fazê-lo sacrificar a honra de tornar-se companheiro de chapa da cabdidata oficial.  Política é para profissionais, sempre disse José Maria Alckmin…

Tênis de Nova Iorque

Del Potro foi o primeiro em 6 anos que obrigou Federer a jogar 5 sets. E foi também o primeiro a ganhar dele. Foram 4 horas e 7 minutos, 74 games, 2 tiebreaks. No campo esportivo, poucos trabalharam tanto para merecer 1 milhão, 850 mil dólares. (1 milhão 600 mil dólares do prêmio do título e 250 mil dólares de bonificação).

Del Potro mereceu vencer o jogo. Principalmente nos tiebreaks, quando ganhou com muita facilidade. Federer decaiu logicamente nesses dois tiebreaks, e principalmente no 5º set, quando falhou de forma absurda.

Federer também fez muitas duplas faltas, além de um número enorme de erros não forçados.

De qualquer maneira, Del Potro, aos 20 anos, está com o caminho aberto. E não apenas em Nova Iorque.

Quem vê e o que vê na telinha

Como a televisão controla tudo no Brasil, faz e desfaz fortunas com a audiência fraudada ou apenas imaginada, consultamos ou admitamos a pesquisa. O Ibope sempre mostra o que está acontecendo, a Folha compra e publica na Ilustrada. Vejamos o que está não tão aparente na pesquisa de ontem.

SBT caiu de vez ou a Record subiu mesmo?

Gugu Liberato me dizia, “jamais sairei do SBT”, saiu. Necessidade? Constatação? Exigência dos patrocinadores? O certo é que não saía de 10 pontos, logo na estréia, deu 16 na Record, ficou satisfeitíssimo e não só ele.

Audiência cativa

A TV Globo tem público certo, não apenas novela,  Jornal Nacional e alguma coisa do resto. “Caminho das Índias”, que acabou com 47 pontos, puxou o Jornal Nacional, que vinha de 32 e foi para 37.

Record-SBT

Silvio Santos continua como estrela (de si mesmo) cadente, pessoal e coletivamente. Há muito tempo não passa de 10, às vezes nem chega. Curiosidade: Eliana, apresentadora do SBT foi para 10 pontos, mais do que o patrão, com 8.

Bolsa subiu nos últimos 30 minutos

Com duas horas de pregão (ao meio dia) a Bovespa subia 0,25% movimentando 1 bilhão. E foi assim até às 16,20. Aí, por mágicas ou “informações” privilegiadas, deu uma subida razoável.

Em duas horas movimentou 1 bilhão, nas outras 5 horas, negociou apenas 2 bilhões e 500 milhões, totalizando 3 bilhões e 500 milhões, dos mais baixos desse monótono e perigoso (para investidores de verdade) 2009.

O Índice fechou em alta de 1,73% em 58.793 pontos.

O dólar que ao meio dia caía 1 por cento, às 5 da tarde ficou no mesmo lugar.

Reputação ilibada para candidatos

A exigência está em discussão por causa da proposta-projeto-projeção do senador Pedro Simon. Só que nem o Aurélio ou o Houaiss, conseguem definir com clareza, o que significa o que querem que os candidatos exibam.

A expressão surgiu em 1926

Quando o Congresso nesse ano reformou a Constituição sem Poderes para isso, exigiram dos Ministros do Supremo, REPUTAÇÃO ILIBADA. É evidente que a exigência não foi cumprida inteiramente para muitos Ministros. Está aí Nelson Jobim que não me deixa mentir. (Exclusiva)

1 ano da explosão financeira, que os economistas do mundo não viram

Amanhã completa o prazo da explosão de bancos, imobiliárias, seguradoras, indústria automobilística, tudo foi pelos ares. Os economistas que estão sempre “prevendo” aumento de “pib e renda per capita”, não perceberam nada.

Os governos dos mais diversos países jogaram trilhões e trilhões, fingiam que “estatizavam o capitalismo”.

Agora, através das bolsas, que começaram tudo, dizem sem constrangimento: “A crise acabou, nenhum país está mais em recessão”. Esperam que acreditem. Mas os “mercados” estão vazios de investidores, só existem profissionais.

As bolsas do mundo, estáveis, todas. No Brasil ao meio dia, alta de 0,36% em 58.500 pontos, volume quase chegando a 1 bilhão, fracasso. O dólar em 1,80, queda de 1 por cento.

PMDB-PT em Minas

Está difícil a união desses partidos, na terra de Artur Bernardes, que começou a liquidar a Hanna (multinacional de minérios) que Magalhães Pinto demoliu. Não têm candidatos.

O PMDB esperava Aécio

Agora já se convenceram: Aécio não sai do PSDB. O PT tem um candidato que não ganha, o PMDB tem um que só perde. Tinham um candidato fortíssimo, o ex-presidente e governador Itamar Franco, que traíram em 2006. Agora Itamar é candidato e vai ganhar, só não sabe para qual cargo. (Exclusiva)

Matemáticos escalafobéticos

São os que fazem cálculos sobre o destino dos times no Brasileirão. Em primeiro lugar, não são MATEMÁTICOS e sim ARITMÉTICOS. Em segundo lugar, dizem: “O Fluminense tem 94 por cento de chances (dizem isso mas querem dizer possibilidades) de ir para a Série B. São 101 por cento dessas condições. A não ser que nos 14 jogos que faltam o Flunimed ganhar 9 e empatar duas. (Exclusiva)

Autênticas, textuais e entre aspas

Lula a respeito dos caças: “Compro quando quiser, como eu quiser e onde eu quiser”. Só faltou dizer que paga quanto quiser. Mas como não vai consultar ninguém, decide também sobre o preço dos CAÇAS. Ainda bem que o verbo CASSAR não pode ser conjugado tão arbitrariamente.

Segundo O Estadão, Mantega e Meirelles dizem, “a turbulência já passou, o Brasil caminha para crescimento sólido em 2010”. Bem que gostaria que fosse verdade, mas nenhum dos dois é tratadista para ser levado a sério.

Impressionante: a atriz Tais Araujo é capa da Primeira do Estadão, do Globo e da Folha. O que ela fez para merecer tanto? Lógico, estréia hoje na nova novela da Globo. Com as mesmas maldades das outras e sempre com final feliz.

De um experimentado e competente professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro): “A pior profissão do mundo é a de jornalista independente”.

O ex-presidente da Câmara e réu do mensalão, João Paulo Cunha, processando o jornalista Augusto Nunes, pedindo “indenização por dano moral” (Há! Há! Há!). O juiz Paulo Campos Filho recebeu a denúncia e no mesmo dia mandou arquivá-la. (Ainda há juízes em Berlim).

Mais liberdade de imprensa e independência da Justiça. A juíza Cintia Souto Machado de Andrade Guedes, REJEITOU a ação contra o jornalista Paulo Cesar de Andrade Prado. Autor da ação: Ricardo Teixeira. Há! Há! Há!

Revolta contra “seu” Brandão no Bradesco

Em terceiro lugar no ranking bancário, não é tão poderoso internamente, já não era externamente. Com 82 anos, e “mandando” os outros se aposentarem com 65, enfrenta rebeldia. Tudo começou com privilégios ao Trabuco. Que pelo nome não se perca. (Exclusiva)

Propaganda bancária enganosa

O globalizado HSBC desperdiçando em abundante publicidade: “Somos o banco mais sólido do mundo”. Como conferir ou garantir que isso é verdade?

José Dirceu em depressão

Sempre considerou que seria absolvido pelo Supremo, tinha várias alternativas eleitorais para 2010. Esbarrou numa hipótese não considerada: a demora no julgamento. Com 40 réus e mais de 200 testemunhas, não podia ser concluído rapidamente.

O Planalto interessadíssimo no Amazonas

Um pouco por amizade, a outra parte por espírito de vingança, Lula não se “desgruda” do grande estado. Vejamos o que Lula projeta para lá: eleger o governador e os dois senadores. Só isso?

De mãos dadas com Eduardo Braga

O governador já reeleito será senador certo. A outra vaga deveria ser (e pode ser) para Artur Virgilio. Mas Lula não quer, pretende tirar o líder do PSDB do Senado. O governo está entre Alfredo Nascimento e Serafim Correa, sendo trabalhado nos bastidores. Amazonino continua prefeito de Manaus até 2012.

Preferência escancarada de Lula

Alfredo Nascimento é ministro e senador. A pedido do próprio presidente, colocou João Pedro como suplente, condição (espúria) que já exerce há 2 anos e meio. Se Alfredo se eleger governador, João Pedro fica mais 4 anos como senador. Para que jogar na Telesena?

Alfredo Nascimento agressor violento

No excelente “Jornal da ABI”, em manchete: “O Ministro dos Transportes perde a esportiva e tenta agredir dois jornalistas que o criticaram”. O bravo, histórico e grande alavanca do Brasil, o Amazonas vai eleger governador um cidadão que não admite críticas? Imaginem ele no Poder o que fará contra quem não se conformar com a sua truculência? Alfredo Nascimento: VOTE CONTRA.

Vicissitude

De um senador, não da base, para o repórter, mas pedindo sigilo: “Depois de ter vencido a borrasca, Sarney seria um vice para Lula, muito melhor do que Michel Temer, que não tem votos”. Ah! Sigilo pedido e garantido.

Prévias no PSDB? Nunca mais

Essa decisão de Aécio Neves de desistir das prévias não é tão simples assim, é mais profunda do que a riqueza do pré-sal. Estão considerando que isso significa a “pacificação” do partido. Mas nos bastidores, a interpretação é diferente.

Esportivas, observadas e comentadas

Este repórter há 9 dias: Nadal não será campeão

Não adivinho nada. Apenas análise, observação, constatação, conhecimento. 70 dias parado, tendinite no joelho. Voltou em Toronto e Cincinati, ele mesmo previu: “Se chegar às quartas, excelente”. Não chegou.

O Aberto dos EUA

No primeiro jogo, fisioterapeuta para o tornozelo. No segundo, para o abdômen, passou o tempo massageando o local. Ganhou de Gonzalez com dois sets no tiebreak. Contra Del Potro, 6/2,6/2,6/2. Quer dizer, duas quebras em cada set. Quase sempre em 40/0 ou 40/15, o adversário operava a reviravolta. Numa delas, em 30/40 Nadal fez dupla falta.

Cumprindo tabela

Expressão corporal penosa, de dor e sofrimento, demonstrando cansaço, não ia nas bolas, tudo ao contrário do que foi chamado de “touro miura”. Nem se diga que Del Potro seja épico ou invencível. Foi Nadal que perdeu. Tenho que insistir: não adivinho, embora esteja sempre acertando, no esporte, política, economia. Sou aplicado, independente e sem compromissos.

Rebaixamento anunciado e infalível

O Sport confirmou sua ida para a Série B, desde a 15ª rodada. O Flunimed desde a 18ª. Quer dizer, o Flunimed, se vencer 9 jogos e empatar 2, ainda pode “brigar” para ficar na Série A.

Barrichello, aos 37 anos: a segunda sem tirar

Depois de ter ganho em Valência, garantiu que venceria ontem, em Monza. Não negou fogo, quase de ponta a ponta, assustando o “companheiro” Button. Hamilton, com o terceiro lugar garantido, parou (por que?) no meio da ultima volta.

Saudades da Série A

5 clubes lutam e lutarão para não preencherem os outros 2 que se juntarão a Sport e Fluminense em 2010 na Série B. Estão em igualdade de condições.

Os espantosos kenianos

Thessalonica, Grécia. 5 mil metros, 11 finalistas. 7 eram do país. Os três primeiros, lógico, do Kenia, chegaram tão juntos que a medalha de ouro devia ser dividida em três. Centésimos de segundos de “diferença”, o que é isso?

Estacionamento proibido

Palmeiras, Internacional e Goiás, perderam extraordinárias oportunidades de dispararem no G-4. O Goiás então não sai do lugar.

O grande pavor de Nelsinho Piquet

Não é a FIA, Briatore, a Renault, a justiça civil ou criminal. Seu maior obstáculo para continuar na Fórmula 1: os colegas. Quando for ultrapassar alguém haverá sempre a dúvida invencível: Piquet virá para bater? Não é nem problema de Ética e sim de sobrevivência. (Exclusiva)

Ultrapassagem permitida

Atlético de Minas, Grêmio, Santos, Flamengo e Vitória, aproveitaram muito bem o fim de semana. De todos o que teve mais facilidade foi o Flamengo. Como eu disse há 15 dias: não muito perto do G-4, mas totalmente distante do rebaixamento.

Federer pode ser campeão

Agora, segunda-feira. Ontem venceu Djokovic, hoje enfrenta Del Potro. Nenhum favorito, mas o número 1 tem mais categoria.

Faltam 13 meses para 2010, as pesquisas avaliam “certeiramente”, Serra, Dilma, Ciro, que não são candidatos. Deixam de fora, o único que tem legenda, ambição e Poder que se chama Luiz Inácio Lula da Silva.

Em 1929, o presidente Washington Luiz escolhia como seu sucessor (a rotina da época), o governador de São Paulo, Julio Prestes. Mandou telegramas para todos os governadores, comunicando a indicação, “e pedindo apoio para o indicado”.

Todos se manifestaram a favor, era o jogo. Só o governador da Paraíba, João Pessoa mandou telegrama incisivo, elucidativo, definitivo: “NEGO”. Quando foi assassinado, a palavra NEGO, colocada na bandeira da Paraíba onde está até hoje, gloriosa e explicativa.

Agora, 80 anos depois, o presidente Lula movimenta e confunde a própria sucessão e com a acoplagem e conivência dos institutos de pesquisa, “lança candidato”. Com a agravante de que esse candidato (candidata) além de não ter votos, não tem legenda nem condições de se firmar. Pois o nome do governo não é ela, que “guarda” momentaneamente um lugar que na hora certa será devidamente preenchido.

Desde a frustrada, apressada e cobiçada República, só a reeeleição de FHC obteve sucesso, paga pelo amigo Sérgio Motta. Em 1898, tentaram a reeeleição de Prudente, ele nem admitiu. Em 1902 Campos Sales queria muito, os outros não queriam. Até FHC ninguém tentou, até mesmo nas ditaduras.

Alguns teriam possivelmente conseguido, como Juscelino em 1960, Jânio em 1961, quando renunciou. JK lançou sua candidatura 5 anos depois, Jânio, o típico aventureiro político, nem pensou nisso, queria mais, não conseguiu nem o menos.

O único que tentou até então, João Goulart, difusamente, sem um plano objetivo e determinado, pretendia continuar ilegalmente, foi derrubado também ilegalmente.

Com isso surgiu a ditadura de 64, uma fórmula nova que raros ou raríssimos perceberam: ao contrário do habitual, montaram uma ditadura FIXA, com um ditador ROTATIVO. Que precisava ter três características. 1- General de 4 Estrelas. 2- Da ativa. 3- Que se comprometesse a cumprir única e exclusivamente um mandato.

Depois do vice Sarney e do vice Itamar, surgiu o assombroso Lula. Candidato ao governo de SP, tirou quarto com cinco candidatos, três vezes seguidas derrotado para presidente, fato único na História Ocidental.

Continuando como fato único, Lula a seguir ganhou duas vezes. Como obteve uma incrível repercussão internacional, Lula considera que é um direito dele, empatar o número de derrotas e vitórias, ou seja, conseguir o terceiro mandato. Trabalhava para isso, abstratamente, não ostensivamente, fingindo que apoiava ou apoiaria alguém.

Agora, abandona o “eu não quero”, “não admito, “não sou candidato”, mostra acintosamente que ele “é o cara”, declarando e exigindo: “O POVO TEM QUE VOTAR NA CONTINUIDADE”. Ora, se está absoluto nas pesquisas e se considera que o povo faz o que ele quer, por que exigiria a CONTINUIDADE PARA ALGUÉM QUE NÃO ELE MESMO?

Agora as pesquisas feitas de forma estranha e não entendida ou decodificada, colocam três nomes na frente, numa não confirmada preferência: Serra, Ciro e Dilma. Nenhum dos três tem perfil presidencial, nenhum dos três tem voto para chegar ao Planalto, dois deles já tentaram, foram derrotados.

Esses três, d-e-f-i-n-i-t-i-v-a-m-e-n-t-e, não são presidenciáveis, dois deles podem iludir os seus partidos e até os pesquisadores. O terceiro não tem nem legenda.

***

PS- Lula não elege ninguém, mesmo no Poder.

PS2- Ninguém ganha de Lula, qualquer que seja a fórmula que escolha para continuar.

Lula aposta na trinca do barulho

Carlos Chagas

Muito na surdina, o Conselho Político do governo chegou à conclusão de que a meta, hoje, é garantir o segundo lugar no segundo turno das eleições presidenciais. Mas garantir não apenas para a candidatura prioritária, de Dilma Rousseff, senão outras, de Marina Silva e de Ciro Gomes. Armar uma barraca onde os candidatos possam abrigar-se significa não hostilizar, de forma alguma, a ex-ministra do Meio Ambiente e o ex-ministro da Integração Nacional. O presidente Lula saiu na frente, semana passada, ao declarar que os três postulantes exprimem a continuidade de seu programa.

É claro que no que depender do palácio do Planalto, a chefe da Casa Civil continuará recebendo todo o apoio. Sua queda nas pesquisas mais recentes serve de estímulo para maiores investimentos em seu nome. Coincidência ou não, esta semana Dilma reinicia suas viagens pelo país, isoladamente ou acompanhando o presidente Lula. Mas Marina e Ciro passarão a ser citados como hipóteses. Claro que não rejeitarão a oferta. Se já não vinham criticando o Lula, menos o farão agora, esperançosos de que se chegarem ao segundo turno, contarão com o respaldo oficial.

Fica evidente que mesmo sem uma palavra formal, o governo trabalha com a evidência de que José Serra ocupa a pole position e tem garantido o primeiro lugar no segundo turno. Todos os esforços se farão para evitar o desastre que seria a vitória do governador na primeira votação – possibilidade, aliás, hoje remota conforme as tendências apuradas. Mas é um perigo verificar que ele mantém 40% das preferências, índice que se crescer entorna o caldo. Está instituída, assim, até ulterior modificação, a trinca do barulho, na medida em que quanto mais despontem e se fixem  as três candidaturas, melhor para a continuidade.

Fora da pauta

Dois meses atrás o Tribunal Superior Eleitoral referendou duas decisões do Tribunal Regional de Rondônia cassando o mandato do senador Expedito Júnior, eleito pelo PR e em vias de transferir-se para o PSDB. A acusação é de abusos praticados durante a campanha eleitoral. A sentença exarada por unanimidade mandava  assumir a cadeira o segundo mais votado nas eleições de 2006,  Acir Gurgacz, do PDT.   Foi expedida determinação à mesa do Senado para promover a troca, coisa que o presidente José Sarney não fez até hoje.

Três mandados de segurança  foram encaminhados pelo PDT ao Supremo Tribunal Federal, recebendo do relator Ricardo Levandowski  pareceres  favoráveis à  imediata  substituição.  O problema é que o processo foi retirado de pauta nas duas vezes em que  seria decidido em sessão ordinária da mais alta corte nacional de justiça.

Fica a dúvida no  ar: por que o senador José Sarney não cumpre a ordem  judicial? Por que o Supremo não vota os recursos?

Desconforto

A Marinha anda longe de considerar-se satisfeita com a compra dos submarinos convencionais franceses e a promessa de construção de um submarino nuclear dentro de quinze ou vinte anos.

A Aeronáutica não engoliu a opção feita pelo presidente Lula pelos aviões de caça franceses antes que sua análise tivesse sido completada.

O Exército sente-se preterido nessa operação de renovar os  equipamentos militares, pela destinação de apenas dezesseis helicópteros, dos cinqüenta que o país irá adquirir.

Junte-se a essas  frustrações as mudanças radicais na estrutura das forças armadas, com a criação de um estado-maior conjunto a ser  gerido por civis, cuja competência, entre outras,  será dar a última palavra em todas as compras de material bélico, e se terá a receita  de uma insatisfação contida mas generalizada.  Tudo começou com a criação do ministério da Defesa, retirando das reuniões ministeriais a presença das três forças.  O  processo parece seguir adiante e a pergunta que fica é uma só: com que objetivo?

Café com leite mais próximo

Desperta conseqüências o  acordo entre José Serra e Aécio Neves,  pelo abandono da proposta de uma prévia entre as bases tucanas para selecionar o candidato presidencial.  Fica claro que o indicado será aquele que mobilizar mais apoio junto aos diretórios regionais do PSDB, sem esquecer suas lideranças no Congresso. A previsão, assim, indica a escolha tranqüila do governador paulista,  mas ficaria seu colega mineiro sem compensações?

Aqui cresce outra vez a hipótese de lançamento de  uma chapa-pura, ou seja,  Serra para presidente, Aécio para vice. E quem levantar restrições ao que seria uma volta ao passado, do ressurgimento da política do café-com-leite, deve lembrar-se de que a aliança São Paulo-Minas está em  vigência desde 2003. Ou alguém se iludirá imaginando que o Lula representa Pernambuco? Em termos geográficos, continuaria tudo na mesma.