Liquidando FHC

A maior dúvida-quase-certeza sobre o ex-presidente, veio do amigo (?) e participante de seu governo, José Serra. Afastou-o simplesmente com a afirmação: “Ex-presidentes, depois de 2 mandatos, devem ficar distantes”. Isso não afasta a possibilidade de FHC ir para a ONU, mais distante, impossível.

Serra estaria querendo atingir
Lula, com “dois mandatos”?

Como não citou nomes, adora o anonimato, a interpretação de Brasília é outra. A advertência seria para o atual presidente e não para o antecessor. Em matéria de Serra, tudo é possível.

Proibir o cigarro, só
fechando as fábricas

Carlos Chagas diz que Serra (finge) proíbe fumar, mas não tem coragem de fechar as fábricas. Isso sim, teria efeito suspensivo. Muito justamente impedem o crack, mas permitem o cigarro, que não é craque em coisa alguma. Perdão, só na morte.

Requião, atento
ao cargo de vice

Desistiu da candidatura a presidente, mas ainda admite a vice. Só pode ser com Dona Dilma. Votou em Lula duas vezes, já teve trânsito melhor no Planalto-Alvorada.

Jarbas Vasconcellos
aguarda um convite

Senador até 2014, pode ser candidato a governador. mas espera um convite de Serra para ser vice, repetindo a proposta de 2002. Serra espera a definição-aceitação de Aécio.

Dirceu, ministro
de Dona Dilma

Acredita que pode voltar com ela. O que não acredita é na vitória dela.

Kaká é insubstituível? Ou não terá substituto?

Antes se dizia: Ronaldinho tem que ser convocado, e se Kaká se machucar? Agora ele já está machucado, mesmo bom não vinha jogando nada, complicou tudo.

Surgiu o Neymar, altamente convocável, mas o Dunga nem admite sua convocação. O Zico, com coragem e competência, afirma: “Neymar tem que ser convocado”. Em 1978, Bilardo não quis convocar Maradona, ia fazer 18 anos. Mas a Argentina tinha o general Videla e o almirante Massera. Em 1994, Ronaldo “Fenômeno” ( ainda não era, hoje já não é), convocado, não entrou em campo. Por que o temor dos 18 anos?

Vira e Messi

Não há um dia em que não surjam notícias e comentários, apresentando o jogador do Barcelona como “o maior de todos os tempos”, Isso não existe, nem mesmo para Pelé ou Maradona, sempre citados. Se for preponderante para a Argentina ganhar a Copa, Messi poderá ser o melhor do seu tempo. Mas não de todos os tempos, isso ninguém é.

Lula muito citado nos EUA

A conferência sobre “artefatos nucleares” foi decidida entre Obama e Putin, o verdadeiro senhor de “todas as Rússias”. Só que ficaram muito satisfeitos de contrariarem o presidente brasileiro.

O grande adversário não é ele, e sim o Tratado de NÃO PROLIFERAÇÃO DE ARMAS NUCLEARES. Dá privilégios a 27 países, (que podem ter a bomba, chamada de “artefato”) num mundo com quase 200 países.

Invasão do blog, e “eu não sabia” na tragédia de Niterói

Adolfo:
“Desculpe, mas sou obrigado a registrar. Invadido pelos serviçais do garotinho, este blog caiu muito de nível, chegou à baixaria do governo dele e da garotinha. Só falta agora a invasão dos apaniguados do cabralzinho, royalties para o senhor, e este espaço democrático estará destruído”.

Comentário de Helio Fernandes:

E Jorge Roberto Silveira? Está há 20 anos no cargo de prefeito, com os intervalos obrigatórios para colocar amigos e voltar. Aprendeu com Lula e diz que “não sabia” das armadilhas dos morros da bela Niterói.

Não saiu ao pai em competência. Foi governador, morreu num desastre de helicóptero. Eu era então diretor do Diário Carioca, nesse acidente morreu também o excelente jornalista Luiz Paulistano, Chefe de Reportagem do jornal.

Quem pratica vilania é vilão

Carlos Chagas

Conforme o Aurélio, vilão  pode ser o habitante de  uma vila ou alguém desprezível e miserável.  Poucas dúvidas existem a respeito do duplo sentido, em se tratando da utilização do termo “vilania” por  Dilma Rousseff, ao alimentar a trapalhada que ela mesma criou ao afirmar que não fugiu da luta contra a ditadura.

O problema é que de José Serra a Marina Silva, de Sérgio Guerra e Artur Virgílio e a montes de líderes tucanos e não tucanos, indignaram-se todos supondo estar a candidata ofendendo e menosprezando quantos tomaram o rumo do exílio, no regime militar.

Pois não é que essa interpretação acaba de ser taxada de vilania por Dilma, ou seja, os intérpretes são vilões?

Com todo o respeito, deve a candidata conter-se. Ou ser contida por seus assessores. Porque a primeira lambança já parecia esquecida quando ela reacendeu a tertúlia, dando margem a tréplicas e a  novos desdobramentos. Melhor faria a guerrilheira heróica em anunciar seu plano de governo e as soluções de que dispõe para desatar mil nós na conjuntura nacional.

Alencar não assinaria

O presidente Lula chegou de Washington na madrugada de ontem, meio triste por haver Barack Obama rejeitado sua sugestão de mais diálogo com o Irã, em vez da aprovação de sanções contra aquele país. Mesmo assim, o primeiro-companheiro assinou o tratado exigido pelo presidente dos Estados Unidos como forma de pressão sobre o regime dos aiatolás. Numa palavra: curvou-se à imposição da superpotência, coisa que a China não fez.

Estivesse José Alencar representando o Brasil na referida conferência e nossa posição teria sido diferente. Porque o vice-presidente, não faz muito, declarou-se pelo direito de todos os países prosseguirem em suas pesquisas  nucleares, até para construir bombas atômicas. “Se eles podem, nós também podemos”, repetiu com uma simplicidade angelical, acentuando que para começo de conversa as potências nucleares deveriam destruir seus arsenais, credenciando-se assim para impedir  outros de começarem onde eles terminaram.

A ida do presidente Lula à reunião internacional não representou, propriamente, uma vitória de nossa diplomacia. Muito pelo contrário…

Melhor parar

Já não repercutem, muito menos influenciam, as pesquisas divulgadas em cascata sobre a sucessão presidencial. A maioria dos leitores, ouvintes  e telespectadores deve dar de ombros ao tomar conhecimento dos resultados de sucessivas consultas populares. Primeiro porque os números tem variado pouco, entre Serra e Dilma. Depois,  por conta da última pesquisa, da Sensus, com patrocinadores contestados. Os tucanos reagiram ao empate técnico entre o seu candidato e a candidata do PT. Alegaram que o sindicato afinal apontado como tendo financiado a consulta integra a campanha de Dilma. Como o freguês tem sempre razão, o instituto não iria decepcioná-lo.

Com as exceções de sempre, destacando-se a Datafolha, entre elas, a verdade é que pesquisas constituem um negócio comercial, como muitos outros. Quem encomenda é quem paga. E quem paga não pode decepcionar-se. Os executores estão de olho na  preservação do cliente,  explicando-se por aí os resultados. Apenas na reta final da eleição os institutos começarão a compatibilizar  números com  realidade, e ainda assim com vistas às próximas eleições…

Perto do racha

Não parece tranquila a situação no PMDB. Sua direção nacional continua aferrada à candidatura Dilma Rousseff, mas nas bases aumenta a fissura. Afinal, o PT não dá sinais de acomodar-se à  aliança com o PMDB, nas eleições para governador. Os companheiros não abrem mão de indicar candidato próprio, mesmo nos estados onde se encontram enfraquecidos. Exigir a contrapartida do apoio irrestrito à candidata vai gerando cada vez mais reações e até indignações. Líderes regionais ameaçam bandear-se para José Serra, alguns até já se tendo definido, como em São Paulo.

O próprio presidente do partido, Michel Temer, mostra-se arredio, menos por não ter certeza de que encerrará sua carreira concorrendo à vice-presidência na chapa oficial, mais porque sofre crescentes contestações  em sua política de apaziguamento. Logo o PMDB poderá defrontar-se com mais um racha, daqueles a que se acostumou desde sua fundação…

Quem está mais certo, Datafolha ou Sensus?

Pedro do Coutto

Através da Internet, o Instituto Sensus divulgou nova pesquisa sobre as intenções de voto para presidente da República cujos resultados divergem frontalmente dos números assinalados pelo mais recente levantamento do Datafolha. É verdade, e isso deve ser levado em conta, que há uma diferença de quinze dias entre uma pesquisa e outra. As pesquisas que provavelmente estão sendo fechadas pelo Ibope, pelo Vox Populi e pelo próprio Datafolha, ao serem divulgadas, vão indicar qual a tendência predominante e, no caso do Sensus, se ele está mais perto ou não da realidade pré eleitoral do que a empresa da Folha de São Paulo.

O Datafolha apontou 37 pontos para Serra, 28 para Dilma. Serra teria assim avançado quatro degraus e Dilma permanecido estacionada. Diferença de 9%. O Sensus buscou seus números em dois cenários: um incluindo a candidatura Ciro Gomes, outro sem ele. Na primeira formulação, encontrou um empate praticamente. José Serra atingiu 32,7 contra  32,4 de Dilma. Ciro apareceu com 10, Marina Silva com 8. Na segunda, retirando o nome do ex governador do Ceará, Serra vai para 36,8, Dilma alcança 34% e Marina cresce de 8 para 10. Assim, aliás de acordo com uma das alternativas estratégicas de Lula, a presença de Ciro no pleito, mesmo com o tempo mínimo que cabe ao PSB no horário político da televisão, acrescenta em favor da ex chefe da Casa Civil.

Ciro, claro, pelo que ele próprio tem afirmado, ajusta-se com Lula e elogia seu governo. Portanto, coloca-se frontalmente contra José Serra. Nesta altura dos acontecimentos, inclusive, Ciro só poderá concorrer à presidência. Todos os outros caminhos foram fechados para ele pelo PT de São Paulo, para onde se transferiu. Disputando a presidência soma para Lula diretamente, e para Dilma indiretamente. Se não for candidato a presidente, o outro único roteiro é disputar uma cadeira de deputado na Câmara Federal. Muito pouco para quem chegou a transferir seu domicílio eleitoral. Onde, afinal, ele mora realmente? Na cidade de São Paulo, em Fortaleza ou em Brasília?

Mudando de tema, as próximas pesquisas serão importantes pois vão ser as primeiras depois do lançamento oficial de Serra. Este lançamento, na forma com que se realizou, pode produzir dois efeitos: uma progressão de Serra, mas também a criação de um clima de expectativa quanto a possibilidade de Aécio Neves aceitar disputar a vice na chapa tucana.  Tal perspectiva, caso o desejo manifestado não se efetive, pode terminar criando uma atmosfera de frustração, sobretudo na medida em que ficou nítida e ressaltada a dependência de Serra da atuação e do rumo do ex governador de Minas.

Por falar no estado onde nasceram Juscelino e Tancredo, dificilmente o PT de Fernando Pimentel e Patrus Ananias, dois candidatos fortes, vai se compor ao lado da candidatura de Helio Costa, do PMDB, ao governo estadual. Assim, nos campos mineiros vai se estabelecer a primeira ruptura de uma coligação nacionalmente forte, mas estadualmente marcada por vários obstáculos. Prinmcipalmente porque não é da história do PT acrescentar votos a qualquer outra legenda. Ao longo de seus trinta anos, só recebeu apoios. Não devolveu nenhum. Nem em Tancredo Neves aceitou votar nas indiretas de janeiro de 85. Ao contrário. Expulsou os deputados Airton Soares, Beth Mendes e José Eudes, que votaram a favor de Tancredo. Aliança com o PT apoiando alguém é difícil. Como, na mesma linha de Minas, está acontecendo no Rio de Janeiro.

Para onde irão, em Minas, Helio Costa e o PT?

Há 10 dias fiz análise completa sobre a eleição para governador e senador em Minas, situei todos, sem exceção. Disse com a maior clareza, citando nome por nome: Helio Costa não abre mão da candidatura a governador (já perdeu duas vezes), se o PT quiser se aliar, poderá indicar o vice, seja Fernando Pimentel ou Patrus Ananias.

A reportagem foi tão completa, que O Globo copiou tudo ontem, mas ficou com os royalties para ele mesmo. É incrível.

Para terminar nessa matéria, uma revelação surpreendente e importantíssima. José Fernando (deputado federal e filho de José Aparecido) iria se lançar a governador. Como é do PV, apoiará Dona Marina. Não tem mais do que 5 por cento dos votos, sacrifica a carreira, mas apoia Dona Marina.

Patrus Ananias e o palpite infeliz

Diz que é candidato a governador, não tem a menor chance. E mais: nem legenda garante. tem conversado sobre a possibilidade de disputar o Senado. (Noel Rosa: “Meu Deus do Céu, que palpite infeliz”). Acaba deputado federal, eleito mas sem votação consagradora.

Dentro do PT, Fernando Pimentel, politica e eleitoralmente, é muito mais prestigiado do que ele. E o que fazer com Helio Costa, que já perdeu duas vezes para governador, e obstinadamente não abre mão da terceira?

O plágio de Helio Costa

Há 10 dias escrevi análise completa sobre Minas e a sucessão estadual e presidencial. Disse que o já ex-ministro é candidato para valer. Agora, com a insistência do PT para que desista, Helio Costa repete frase de Benedito Valadares em 1968: “Querem brincar de Tiradentes com o meu pescoço”. Ha”!Ha!Ha!

O solitário Arruda, e o capim crescendo

Com ele preso, escrevi: “Quando for solto, encontrará o capim crescido à sua porta”. Mas não imaginei que crescesse tanto. Ninguém vai visitá-lo, não telefona, não manda correio eletrônico. Apesar de moço, não tem volta. (Ninguém mais tem medo do Dossiê Arruda. O pavor agora é apenas com Durval Barbosa)

Gilmar-Peluso

O substituto já está escolhido pelo rodizio, toma posse dentro de uma semana. Com Gilmar a presidência não foi brilhante, não vai melhorar um pouquinho que seja.

A farsa das pré-candidaturas

Tereza Margarida:
“Jornalista, posso estar perguntando uma bobagem, mas o que é pré-candidato? Dilma, Serra, Marina são chamados de candidatos, então o que é esse pré? Desculpe, mas gostaria de esclarecimento”.

Comentário de Helio Fernandes:
Nenhuma bobagem, Tereza, apenas violação da lei e a inconsequente irrealidade. Até as convenções partidárias, todos são pré. Mas que importãncia têm essas convenções, se os candidatos citados serão confirmados?

No Brasil essas convenções não passam de fraude e farsa, quem decide tudo é a cúpula, não existem militantes ou participantes. Na Europa, e principalmente nos EUA, as convenções mobilizam os países, ninguém sabe quem vai ganhar. No Chile, o candidato do governo perdeu a convenção.

Tua pergunta, excelente. Todos são candidatos desde agora, não existe nenhum pré.

Ciro tem medo da comparação

Falam muito sobre a falta de definição do cearense em relação à sucessão de Lula. Mas não falam a verdade: tem medo de ter menos votos do que Garotinho em 2002, os dois pelo Partido Socialista.

Garotinho teve 15 milhões de votos, Ciro não terá nem a metade. E perder para Garotinho, é o fim. Da carreira.

Michel Temer, o “jurista vice-versa”

Está mobilizando o PMDB contra Dona Dilma, ou melhor, a favor dela. Cismou que tem que ser vice, apesar de não acrescentar coisa alguma, nem política, nem eleitoralmente. Com o “jurista” ou sem ele, Dona Dilma continuará com os mesmos problemas, ou até mais agravados.

Ricardo Teixeira jogou milhões na eleição do Clube dos 13, perdeu, foi para a televisão, despudorado como sempre, ameaçou: “A Copa de 2014 no Brasil, corre perigo”

O famoso “Clube dos 13”, tentativa de livrar o futebol brasileiro das garras da CBF (Ricardo Teixeira) e das algemas da TV Globo, teve anteontem sua primeira eleição verdadeira.

Nessa disputa, irmanados, desculpem, o presidente Teixeira, indiciado por 7 crimes financeiros, achincalhado pela CPI, amedrontado, tentou retomar o Poder e o Poderio. (Dizem que não existem mais as sete INDICIAÇÕES. Não consegui apurar, mas nada surpreendente).

Todos os 20 clubes foram seduzidos pelo dinheiro sujo de Ricardo Teixeira, que domina e controla a paixão nacional que é o futebol. O presidente da CBF escolheu o candidato ideal, Kleber Leite, que como repórter tinha mais paixão por vestiário do que por futebol.

Manipulou e mobilizou os recursos fartos da própria CBF e teve á disposição os adiantamentos da TV Globo. Alguns resistiram, outros, não por covardia e sim por necessidade, tiveram que votar com Ricardo Teixeira ou Kleber Leite, a mesma confusão onomatopéica que se forma entre CBF e TV Globo.

Nesse episódio, lancinante a entrevista de Mauricio Assunção, presidente do Botafogo. Não simpatizo com esse tipo de rendição, mas compreendo, revoltado (e não com o presidente do Botafogo), que não é possível presidir um clube sem dinheiro. Se entregou, isso me desagrada, mas quando se trata de um “berlusconi” como Teixeira, a entrega tem que ser total,

(Tratando do assunto, curiosidade que surge da memória. Em 1990, a TV Globo resolveu se lançar no plano internacional, criou a TV Monte Carlo, que já começou com sucesso e provocando represálias. Eu estava lá, vi a repercussão que a TV Monte Carlo ia conquistando).

(Isso provocou o desespero da máfia “berlusconi”, que ameaçou e intimidou o representante do grupo Roberto Marinho, o filho Roberto Irineu. Podiam ter lutado, resistido, fincado o pé no terreno já plantado, o filão, riquíssimo. Mas como só gostam de lutar no subterrâneo (tipo Proconsult, 1982, e o debate Lula-Collor, 1989), bateram em retirada, morrendo de medo do “berlusconi”. Que naquela época era apenas mafioso. Agora é mafioso, sensacionalista-sexualista, chefe do governo).

Derrotado, e já tendo “adiantado” algum dinheiro para os mais necessitados, Ricardo “berlusconi” tinha que se vingar. Então, baseado no atraso de algumas obras, foi para a televisão, e disse textualmente: “Como está tudo ainda por fazer, e muitos estádios-sede nem começaram as obras, nessas cidades não haverá jogo”. O alvo da ameaça de Teixeira é o Morumbi, já que não tem cacife para tirar jogos do Maracanã. Apesar da subserviência e da covardia congênita e adquirida, de cabralzinho e eduardinho.

Mas esse “berlusconi” caboclo não podia ficar apenas na ameaça de superfície. Mergulhou mais fundo, e atacou em profundidade a REALIZAÇÃO DA COPA DE 2014 NO BRASIL. Textual; “Por enquanto é só preocupação. Mas se o SINAL FICAR AMARELO, é o próprio Brasil que corre perigo, a Fifa pode mudar a Copa para outro país”.

***

PS – Pura intimidação, mas vazia. Em todas as oportunidade, Teixeira finge claramente que a Copa de 2014 só veio para o Brasil por causa dele. Além de tudo que se sabe, também é mentiroso.

PS2 – A Copa veio para o Brasil por “decorrência de prazo”. Tendo realizado a Copa de 1950, vamos sediar outra, 64 anos depois. Entre as potências do futebol, nenhuma ficou tanto tempo. E o Brasil é a maior de todas. Não só pela repercussão, mas também pelos títulos conquistados.

PS3 – A Itália foi sede em 1934 (quem se lembra?). Apenas 8 países convidados, 10 ou 12 dias de jogos, repetiu em 1990, 52 anos depois. A Alemanha em 1974 e 2006, apenas 32 anos. A Inglaterra só uma vez em 1966 para ganhar o título com 1 gol ilegalíssimo na final contra a Alemanha.

PS4 – A Fifa jamais mudou a sede de uma Copa. Em 1986, a vez era da Colômbia, desistiu. Como a escolha se dá 6 anos anos, em 1980, Havelange foi conversar com o “presidente” Figueiredo. Amigos de infância, nascidos nas Laranjeiras, Figueiredo ficou irredutível, a Copa foi para o México, que está sempre preparado.

PS5 – Haja o que houver, a Copa de 2014 será no Brasil, mesmo que Ricardo “berlusconi” continue em liberdade.

Amanhã

Qual a diferença entre ASILADOS, exilados, FUGITIVOS, turistas, GUERRILHEIROS? O tumulto vernacular e a interpretação de má fé. Por que esqueceram Jango, presidente deposto?

A História exige explicações

Carlso Chagas

Acima e além da prescrição que já deve ter ocorrido  com  o crime de aliciamento para assassinato, fica evidente não poder passar em branco a denúncia feita pelo general Newton Cruz, em recente programa de televisão, a respeito da visita que lhe fez  Paulo Maluf, pedindo-lhe  providenciar a morte de Tancredo Neves. São desvãos da crônica  política nacional que, quando menos se espera, aparecem.

No começo de 1985 o general Newton Cruz era comandante militar do Planalto. Contou que num sábado pela manhã  jogava  peteca com amigos, em sua residência, quando o então candidato presidencial apareceu. Recebeu-o e ouviu que o país não poderia cair nas mãos da oposição, chefiada por Tancredo. Àquela altura, estava claro que Maluf seria derrotado no Colégio Eleitoral. A única solução, para o visitante, seria os militares darem sumiço no ex-governador de Minas.

O general conta que ouviu a proposta e imediatamente pediu que Paulo Maluf se retirasse. Acrescentamos que, correta ou não a versão, 25 anos depois, a verdade é que a assessoria de Tancredo providenciou minucioso plano de retirada do candidato de Brasília, por estradas de terra no entorno da capital federal, para chegar a  um pequeno aeroporto onde um teco-teco permaneceu muitos dias  de plantão, com piloto e tudo o mais, pronto para voar para Minas.

O episódio precisa ser elucidado. Paulo Maluf tem que dar sua explicação, inclusive por que, depois, tentou processar o general Newton Cruz. A História exige.

Proibido fumar em todo o território nacional?

Na recente entrevista de José Serra à Jovem Pan, uma pergunta gerou sonora  gargalhada do candidato, mas sem a consequente  negativa que seria natural. Ele foi indagado se, caso eleito, um de seus primeiros decretos seria proibir o cigarro em todo o território nacional. Riu, para depois alinhar as medidas que tomou ao longo dos anos contra o fumo: ministro da Saúde, obrigou as fábricas de cigarro a estamparem nos maços horrorosas fotografias de mutilados, com a indicação do fumo como causa. Proibiu que se fumasse no prédio do ministério. Estendeu a proibição aos aviões comerciais. Como governador de São Paulo, patrocinou legislação banindo o cigarro de todos os recintos fechados, públicos ou privados. Conseguiu que o país inteiro adotasse a restrição.

Não parece fora de propósito que,  eleito presidente da República, Serra continue a puritana cruzada em defesa da saúde da população. Com todo o respeito, porém, vai uma observação: para obter rápido o resultado final, não seria preferível proibir a existência de fábricas de cigarro em todo o Brasil? Punir o comércio e até o cultivo do fumo? Haverá coragem?

Exageros

Que Dilma Rousseff vem escorregando em seus improvisos e entrevistas, não haverá que negar, tornando-se desnecessário repetir as impropriedades por ela exaradas com relação  às eleições no Rio e em Minas, além de críticas feitas aos exilados do regime militar.

Convenhamos, porém, que seus adversários estão exagerando, na mídia e fora dela. Nem tudo o que a candidata fala deve ser recebido com má-fé e ironia. Por exemplo: foi ao Ceará, na segunda-feira. Acusaram-na de não ter convidado Ciro Gomes.

Aqui para nós, não poderia nem deveria. Ciro insiste em que será candidato ao palácio do Planalto. Como, então, no papel de sua concorrente, Dilma deveria incluí-lo em sua comitiva? Seria, mais do que provocá-lo, ofendê-lo.

É bom procurar as raízes dessas críticas descabidas no próprio Ceará. Quem manda lá é o senador Tasso Jereissati, adversário ferrenho do Lula, de Dilma e do governo.  E íntimo amigo de Ciro Gomes. Como as eleições para o Senado andam difíceis no estado, parece que vale tudo.

Abril vermelho

Recrudesce o MST, tentando pintar de vermelho o corrente  mês de abril, como aconteceu em outros. Fica até difícil entender porque a escolha, entre outras onze que poderiam ter sido definidas. O diabo é que o movimento dos sem-terra, de maior fenômeno político acontecido no Brasil em muitas décadas, caminha célere para transformar-se num partido sectário. Invadir usinas e propriedades improdutivas,  no Nordeste,  faz parte do jogo, mas edifícios urbanos do Incra e outras repartições, como no interior de São Paulo, além de inócuo, é burrice. Apenas um convite a que a polícia tente reconquistar próprios do estado, gerando confrontos e conflitos.

Aliás, a respeito do MST, seria bom que algum veículo de comunicação fizesse ao líder João Pedro Stédile a pergunta que não quer calar:  acha que o presidente Lula cumpre suas promessas de campanha e realiza uma verdadeira reforma agrária no país? Ou vai ficar devendo horrores, quando deixar o poder?  

Ciro Gomes é candidato ou aliado de Dilma?

Pedro do Coutto

Reportagem de Gerson Camaroti, Maria Lima e Isabela Martin, O Globo de 13 de abril, focaliza a viagem de Dilma Roussef a Fortaleza e reproduz declarações da senadora Patrícia Sabóia, do PDT, criticando a ex-chefe da Casa Civil por não ter convidado o deputado Ciro Gomes a acompanhá-la. Não se trata assim um aliado, disse a ex-mulher do ex-ministro.

Na capital do Ceará, Dilma recebeu medalha e diploma concedidos pela Câmara Municipal. Fica no ar a pergunta que deve ser respondida pela senadora Patrícia Sabóia ou pelo prórpiro Ciro Gomes: ele é aliado de Lula e de sua candidata, ou é, como se apresenta, candidato a presidente da República? Se é aliado de Dilma, já deveria ter assumido esta condição. Se é candidato à presidente, deveria ter feito o mesmo, após decidir seu destino com o PSB, seu partido. Dilma Roussef, nesse quadro de hipóteses, não tinha obrigação de convidá-lo, já que, se for candidato à presidência, será um adversário. Os inimigos não mandam flores, título de peça famosa de Pedro Bloch.

Ciro Gomes, em todas suas aparições nos espaços reservados ao PSB, tem elogiado o governo e o presidente Lula, aparentando, de fato, ser um aliado do Planalto. Porém, ao mesmo tempo, apresenta-se como candidato ao Planalto. Além disso, a reportagem esqueceu a mudança de seu domicílio. Não é mais eleitor do Ceará e sim de São Paulo. Por que motivo deveria ser incorporado a uma homenagem de rotina no seu ex-estado político?

Também sob este ângulo, a reclamação não encontra apoio. Primeiro, seguindo evidentemente uma orientação traçada por Lula, tentou habilitar-se ao governo de São Paulo. Isso provocou forte reação contrária nos próprios quadros petistas, tanto assim que a legenda já anunciou a candidatura do senador Aloísio Mercadante.

Contradições à parte, o que se pode traduzir do contexto no qual se situa Ciro Gomes é que ele será candidato a presidente, se as novas pesquisas indicarem que esse será o melhor caminho para ajudar diretamente Dilma Roussef. Isso porque, até agora, tanto o Datafolha quanto o Ibope e o Vox Populi acentuaram que a inclusão de seu nome nos levantamentos de intenção de voto diminui a vantagem que José Serra livra sobre Dilma Roussef. Ciro seria assim uma peça importante para o projeto político de Lula, que tem como base a vitória nas urnas de sua ex-ministra.

Ciro Gomes, sem outro caminho, senão ser candidato à sucessão, a menos que deseje ser eleito deputado, não mais pelo Ceará, mas por São Paulo, disputaria o pleito, reservando-se para apoiar Dilma no cenário do segundo turno. Pelo PSB, sozinho, não terá condições de ultrapassar nas urnas de 3 de outubro nem Dilma, nem Serra. Nesta posição, sim, seria um aliado do atual governo. Mas se as pesquisas apontarem um avanço acentuado de Roussef, sua presença na disputa deixa de interessar à estratégia do Palácio do Planalto.

A definição final somente ficará clara ( e, portanto, pública) depois da alvorada da campanha pelo calendário da Justiça Eleitoral, de acordo com a lei 9504 de setembro de 97. Pela legislação, o prazo máximo para escolha dos candidatos- todos eles- pelos respectivos partidos a que pertencem ocorre a 30 de junho. Não pode ultrapassar portanto esse prazo o esclarecimento final sobre o rumo verdadeiro de Ciro Gomes.

Dilma Roussef não cometeu erro político algum em deixar de convidar Ciro Gomes para se integrar a sua comitiva. Erro cometeu Ciro em transferir seu domicílio eleitoral para São Paulo. Afinal de contas para somar para Lula, seja no primeiro, seja no segundo turno, poderia fazê-lo sem necessidade de trocar o Nordeste pelo Sul. Ficaria mais cômodo e à vontade na costa do sol e nas lindas praias do estado no qual inclusive foi governador.

Invocação despudorada e afrontosa de Eduardo Paes

Diante de tanta calamidade: “Graças a Deus, só tenho eleição em 2012, já esqueceram tudo”. É alarmante, felizmente cabralzinho não pode dizer o mesmo.

Referendando Serra

O discurso de lançamento de sua candidatura foi tão mal redigido, que até amigos reconheceram: “Foi ele mesmo que escreveu, levou uma semana”.

Desejo e imposição

Ao contrário do que seria normal, aceitável e até compreensível, Dona Dilma pediu a Lula: “Queria que o senhor ficasse em Brasília, pelo menos nos primeiros seis meses do meu governo”. Lula só se surpreendeu com o fato dela falar, “no meu governo”.

Não sou amigo de Gabeira nem dou apoio à sua candidatura

Telma Vizioto, Arnaldo Albuquerque, Raimundo Lins, Aldo Caneca, Norma Andrade, Oliveira, Vicente Portella, Ana Paula e outros, visivelmente “pseudônimos”, todos dizendo, mais ou menos, a mesma coisa:
“Não é justo que você defenda a candidatura do seu amigo Gabeira, para atacar o competente Garotinho, que fez grandes coisas pelo Rio”.

Comentário de Helio Fernandes:
Inicialmente, três erros nas colocações. 1 – Não sou amigo de Gabeira, não o vejo pelo menos há 10 anos, e antes vi apenas uma ou duas vezes. 2 – Não ataco o Garotinho, e por que ninguém reclamou de “eu atacar” o cabralzinho? 3 – Não defendo a candidatura Gabeira nem recomendo seu nome.

Agora, fatos, fatos, fatos. Apenas comparo Gabeira com cabralzinho, dizendo que ele jamais foi acusado de enriquecimento ilícito. De forma competente, poderiam ter dito que Gabeira nunca exerceu cargos executivos, não “mexeu” com dinheiro público.

Como não levantaram a questão, levanto eu e não para favorecer o nome de Gabeira. (Por favor, não confundam o repórter, o analista e combatente que sou, com alguém que apoia candidatos. Não apoio ninguém, no plano nacional ou estadual. Na comparação, alguns se destacam, não posso deixar de dizer isso, com clareza e simplicidade.)

Quanto a dizer que Garotinho fez muito pelo Rio, eis uma piada sem nenhuma graça. Fez muito por ele e pela família. Engrandecer garotinho e cabralzinho, só mesmo pela internet. Aliás, antes de qualquer coisa, chamei a atenção aqui, dizendo: a internet será muito usada na campanha, o fato de haver anonimato, escada de incêndio por onde descerão muitos. Só que garotinho e cabralzinho não poderão descer mais, já desceram praticamente o impossível.

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Serra: “Quero ser o presidente da União”. Esqueceu de dizer: da união com Aécio Neves

Não é nem de longe a sucessão mais empolgante, emocionante, nem mesmo a mais surpreendente. Como só existem dois candidatos, o que não acontecia há muito tempo, um dos dois tem que vencer, o que não é de modo algum o ideal ou o objetivo do cidadão-contribuinte-eleitor. Com Dilma ou Serra se apossando do Planalto-Alvorada, a palavra mais esquecida, abandonada e desautorizada é, esperança.

Com menos de dois candidatos não existe eleição, e sim intimação e intimidação, que na verdade é o que existe fartamente na “plataforma” de Dilma e Serra. Seja subterraneamente na campanha ou autoritariamente no governo.

Dona Marina e Ciro Gomes são candidatos de meio expediente, vá lá, de semana inglesa. Talvez desistam em junho ou julho, caminhem no rumo já traçado. Ela para o Senado, ele para a Câmara. Onde aliás estão, ela há 8 anos, ele há 4, é a duração esdrúxula, que só pode acabar quando Lula “fizer” a reforma política. Que não interessou nos 8 anos, como poderá concretizar depois?

Mas Dona Marina e Ciro Gomes podem não desistir, garantirem o segundo turno, e aí, negociarem, uma palavra desabonadora, que a politicalha elevou à condição de irrepreensível. Se isso acontecer, Dona Marina agirá com grandeza, Ciro com esperteza.

Candidato único era a regra da “República velha”, quase quebrada em 1906 quando Rui mostrou pela primeira vez o rosto de candidato, teve que ceder a oportunidade ao mineiro Afonso Pena.

Em 1910, quase vence o “oficialista e legalista” Hermes da Fonseca. Desistiu em 1914, não resistiu à ideia de arrasar Pinheiro Machado num discurso de corpo presente. Em 1918 perdeu para Rodrigues Alves, que ganhou a eleição mas não chegou à posse, seu obituário estava pronto.

Vieram os 36 anos das ditaduras, as mais diversas Constituições, eleições indiretas chamadas de transição, o número de vices que assumiram igualando o dos eleitos que começaram e terminaram. Houve até impeachment, inédito em nossa história, a mesma coisa que aconteceu com a reeeleição. Só que o impeachment estava na Constituição e a reeeleição no cofre-forte.

Nos últimos 20 anos, derrotado ou vencedor, a grande estrela foi Luiz Inácio Lula da Silva. Perdeu três vezes seguidas, ganhou duas também seguidas, não somou a terceira, não por falta de esforço.

Tentou de todas as maneiras, não encontrou o código para desmistificar o trajeto. Se tivesse encontrado, estaria eleito, ganhar de Serra mais uma vez, verdadeira e nada altaneira brincadeira.

Digamos hipoteticamente, que Lula seja primeiro time, pelo menos eleitoral. Bloqueado, ficaram apenas sua subalterna subserviente, e o ambicioso sem realização mas com muita obsessão. Derrotado, foi cortando caminho, um pouquinho na prefeitura, tempo maior como governador, se ganhar em 2010 não sobrará para ninguém até 2018. (Agora, em nome da longevidade, todos os cálculos são permitidos e empreendidos).

Agora, o cidadão-contribuinte-eleitor tem que escolher entre dois candidatos sem luz própria, sem projetos, sem compromissos, sem convicções, mas com fartos mananciais de ódio, esperta, avara e lamentavelmente armazenados em freezers.

Para fingir que têm grandeza, acusam o adversário de apelar para a baixaria, nem se incomodam de revelar que a maior baixaria é praticada por eles mesmos. Talvez, quem sabe não seja dose dupla de falta de caráter, mas sim o exagero do desespero? O que fazer?

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PS – Dona Dilma desmoronou com a queda dos “dois palanques”, reza dia e noite para que Lula, política e eleitoralmente, não tenha sido soterrado pelos escombros.

PS2 – O ex-prefeito-governador jamais presidente, chega a beijar Aécio Neves, quis com isso demonstrar: “Sem Minas, São Paulo não elege ninguém”. E Minas hoje, mais do que qualquer coisa, é Aécio na vice e Itamar no Senado.

PS3 – A pressão sobre Aécio é colossal, de tal maneira impressionante, que contradizendo a mim mesmo, já admito que Aécio não fique insensível ou impenetrável. Mas não por espécie de respeito ou admiração por José Serra, e sim pela necessidade de dar a vitória a seu candidato, Antonio Anastásia.

PS4 – Surpreendentemente, grande amigo de Aécio, Itamar espera que ele aceite a vice na chapa com Serra.

PS5 – É que, se Aécio resistir e não aceitar, o vice-presidente na chapa com Serra teria (terá?) que ser o próprio Itamar. 20 anos depois, tendo sido senador, governador, presidente, embaixador, e mantido inatingida a reputação, Itamar não se deixa seduzir por aventuras. Por que trocar 8 anos certos no Senado, por 4 anos incertos emplumando um tucano já na fase da muda?

No máximo, palpites

Carlos Chagas

Em entrevista à Jovem Pan, José Serra definiu a função que Fernando Henrique Cardoso terá em seu governo, caso se eleja: nenhuma. Perguntado, o candidato explicou que quem foi eleito  duas vezes  presidente da República não deve fazer parte de outro governo. O sociólogo não participará de sua administração, mas sempre poderá dispor-se a dar bons palpites…

Passado com boa educação, o “chega-pra-lá” define a disposição de Serra de governar sem tutelas nem tutores. Mantém e por certo manterá excelentes relações com o ex-presidente, até admitindo palpites, ou seja, menos do que conselhos, jamais participação.  Só isso.

A disposição do candidato é de governar somando, isto é, reunindo quantos pretendam trabalhar pelo país. Reconhece para o PT o papel de oposição e evita previsões sobre o PMDB, cuja maioria apóia Dilma Rousseff. É cedo para montagens sobre o leque de apoio político-partidário, mais ainda para a composição de seu governo, tendo em vista a incógnita das eleições. Se for eleito, não admitirá barganhas nem troca de cargos por respaldo parlamentar.

Animais: no mínimo na jaula

Quem quer que venha a ocupar a presidência da República precisará enfrentar questão que o governo Lula ignorou: o combate à violência e à criminalidade crescente. Longe de se constituir numa tarefa exclusiva dos estados e municípios, trata-se de função do governo federal, a começar pela proposta de leis capazes de extinguir as facilidades com que bandidos são postos em liberdade, geralmente para reincidir.

Brasília anda traumatizada pela revelação de que um animal, condenado por pedofilia  a 14 anos de reclusão, depois de passar cinco anos na cadeia  estava em regime de prisão semi-aberta, tendo seviciado, matado e enterrado seis meninos, na periferia da cidade. Identificado e preso pela polícia, esse monstro partilhará dos benefícios de inúmeros recursos e poderá, quando menos se esperar, voltar às ruas para praticar o mesmo tipo de crimes.

Afastando-se por contrária à natureza a pena de morte, o mínimo a esperar seria a  prisão perpétua, sem qualquer tipo de benefício. Alegar direitos humanos nesse e em milhares de outros casos equivale a tripudiar  sobre a sociedade.

A Copa e as eleições

Há quem relacione futuros resultados da Copa do Mundo com as eleições presidenciais. No caso da vitória do selecionado brasileiro, um clima de euforia nacional poderá favorecer ainda mais a popularidade do presidente Lula e uma suposta transferência maior de votos para Dilma Rousseff.  A recíproca também será verdadeira.

É sempre bom lembrar certas ironias da História. Em 1970 o então presidente Garrastazu Médici acertou na previsão do escore entre Brasil e Itália, que terminou 4 a 1 para nós e marcou a conquista do tricampeonato mundial. Seguiram-se meses em que a   multidão, no Maracanã ou no Morumbi, aplaudia de pé o ditador, com sua presença anunciada pelos auto-falantes. Isso apesar da repressão, da tortura e da censura. Depois, a natureza seguiu seu curso, mas se tivéssemos tido eleição para Imperador, nos meses posteriores, o risco seria da transformação do Brasil numa monarquia.

Em compensação, o Brasil foi derrotado em 1974 e 1978, anos em que estava no poder o general Ernesto Geisel, por sinal queixoso de “não ganhar nem Copa do Mundo”.  Popularidade, não teve em momento algum de seu governo.

Guardadas as proporções,  a Copa poderá, em junho,  influenciar o pleito de outubro.

A razão da candidatura

Plínio de Arruda Sampaio será dos poucos marxistas apostólicos católicos romanos. Não esconde essa condição, responsável por longo exílio nos anos do regime militar. Deputado federal em diversas legislaturas, será o candidato do PSOL à presidência da República.

Perguntado porque irá concorrer, tendo em vista a evidente derrota, responde com sincero argumento: pela oportunidade de poder apresentar idéias e propostas para o Brasil, nos debates que a mídia promoverá no período de campanha. Pela sua coerência e pelos conhecimentos  adquiridos ao longo de muitas décadas, corre o risco de ser aplaudido como vencedor em quantas tertúlias as telinhas apresentarem, mesmo sem a contrapartida dos votos.

Discurso de Serra foi ótimo: para Lula

Pedro do Coutto

O discurso de José Serra, sábado passado, em Brasília, quando se lançou candidato à sucessão de 2010, não poderia ter sido melhor do que foi para o presidente Lula e, em conseqüência para sua candidata Dilma Roussef. Principalmente pelo tom defensivo reproduzido por todos os grandes jornais, como O Globo, Folha e Estado de São Paulo. Não pareceu uma peça capaz de exprimir a oposição representada pelo próprio PSDB, legenda de Serra, pelo DEM e pelo PPS.

Na realidade, analisando-se tanto o conteúdo quanto a forma, psicologicamente deixou claro temer o confronto com a popularidade de Luis Inácio da Silva. “Quero ser o presidente da União – afirmou – pois o Brasil não tem dono”, e, num tom defensivista acentuou: “nos últimos 25 anos, o que inclui o atual governo, povo brasileiro alcançou muitas conquistas. Não fora, conquistas de um homem só, ou de um só governo, muito menos um único partido. Nós somos (o que inclui Lula de novo) militantes dessa transformação, protagonistas mesmo, contribuímos para essa história de progresso e de avanço do nosso país. Nós podemos nos considerar e nos orgulhar disso. E comparando os avanços em outros países e o potencial do Brasil, uma conclusão é inevitável: o Brasil pode ser muito mais do que é hoje”.

Assim falando o candidato da oposição não forneceu a ideia e a proposta de combate na ofensiva. Ao contrário, procurou suavizar a corrente do confronto. Demonstrou recear o ataque frontal capaz de entusiasmar pelo menos a militância ativa das legendas que o apóiam. Não topou enfrentar a popularidade de Lula. O presidente da República e sua candidata, portanto, agradecem a colaboração do adversário aparente.

Eleições não se vencem com um posicionamento retraído exposto no ritmo musical dado ao pronunciamento conciliador. Exige-se do candidato – de qualquer candidato, aliás – um mínimo de aguerrimento. É preciso partir para a ofensiva. Aproveitando o tom mesmo de Serra, Dilma Roussef vê crescer o espaço aberto para sua campanha nada tímida ou reticente. O ex governador de São Paulo abriu mais espaço para sua adversária além do campo que já possui.

A respeito de temas sensíveis como a política trabalhista e econômica, posição quanto à desestatização e de investimentos públicos não se referiu aos dois primeiros e foi vago relativamente ao terceiro. Classificou a carga tributária sideral, como de fato é, mas não disse o que pretende fazer para reduzi-la.

Serra, no fundo, apresentou-se muito mais como um candidato da continuidade do que da ruptura. Por isso, não entusiasmou seus próprios eleitores que inclusive nas últimas pesquisas o colocaram à frente da adversária. Se não acendeu a chama de seus correligionários, muito menos motivou parte flutuante do eleitorado que na verdade decide os desfechos nas urnas. Pareceu vacilante, dependente demais do apoio de Aécio Neves, a quem prestou todas as reverências possíveis.

Com esta atitude, passou a sensação de que seu destino no pleito depende do apoio que receber do ex governador de Minas Gerais. Esqueceu que, além de Dilma e Lula, em seu caminho terá que enfrentar –é inevitável- o peso de uma máquina administrativa há oito anos no poder. O destino de Dilma depende integralmente de Lula, é verdade. Mas i8sso não explica a atitude de esquiva. Pelo contrário. Serra revelou temor diante do choque inevitável. Não é este o tipo de comportamento que acende a chama no caminho das urnas. O eleitorado sentiu a tendência de pouca disposição para o combate. Seu discurso foi sobretudo conservador. Não poderia ter sido melhor para o Palácio do Planalto.