Contradições na campanha sucessória

Carlos Chagas

Por anos a fio, o PT e seu líder maior insurgiram-se contra a reeleição. Aliás, com toda razão, por tratar-se de uma vigarice imposta ao Congresso pelo presidente Fernando Henrique, eleito para um mandato mas conseguindo ficar dois. Se estivesse vivo, o saudoso Serjão poderia contar quanto custou.

Como o Lula conseguiu  eleger-se em 2002, ficou o dito pelo não dito: ele também se reelegeu em 2006, tarefa que conseguiria mesmo se não fosse popularíssimo. Afinal, o presidente que concorre a mais um mandato nem ao menos se licencia. Continua exercendo o poder com as mãos, vale repetir, e o Diário Oficial, com os pés.

Em entrevista ao “Correio Braziliense”, publicada quinta-feira, o presidente Lula  faz ostensiva apologia da reeleição. Tem motivos adicionais, como dar a impressão de estar tão certo da vitória de Dilma Rousseff que já antevê dois mandatos para ela. Mais importante ainda, aferra-se à reeleição para criar embaraços  à  hipótese de Aécio Neves tornar-se candidato a vice-presidente na chapa de José Serra. O ex-governador de Minas teria abertas as portas do palácio do Planalto, em 2014, caso os tucanos vencessem em outubro.

O irônico é ter partido de José Serra a sugestão para o Congresso extinguir a reeleição. Logo os tucanos que a criaram…

A conclusão surge clara: convicções nada valem  em política. Variam ao sabor dos interesses. O que era ontem deixa de ser hoje. Amanhã, quem sabe?

Dilma busca o diálogo

Desvenda-se o véu de dois encontros secretos que Dilma Rousseff manteve em São Paulo, no final da semana passada. No apartamento do ex-ministro Márcio Tomaz Bastos, em ocasiões diferentes, ela encontrou-se com dois  barões da imprensa, coincidentemente responsáveis por  veículos que não lhe são propriamente simpáticos: Octávio Frias Filho,da “Folha de S. Paulo”, e Roberto Civita, da “Veja”.

O anfitrião tomou as providências necessárias ao sigilo das reuniões, mas,  como estamos no Brasil, o segredo durou pouco. Novidades terão sido mínimas, nos dois diálogos. Os jornalistas entoaram loas à isenção de suas publicações frente à campanha sucessória e a candidata exaltou sua fé na liberdade de imprensa. Uma camada de gelo, porém, foi quebrada. Bom para todo mundo…

Entrevistados e entrevistadores

Para continuar no assunto, seria bom que os candidatos presidenciais tomassem cuidado. Lançam-se numa maratona explícita para aparecer nos meios de comunicação,  dando entrevistas aos montes, para todo o tipo de veículos. A estratégia parece correta, mas há entrevistas e entrevistas. A maioria segue o modelo clássico e universal de que a estrela do evento é o entrevistado, cabendo ao entrevistador apenas provocar, extrair do convidado o maior número possível de definições. Aqui e ali, porém, acontecem os exageros.

Profissionais existem cujo ego suplanta o tamanho das próprias redes em que trabalham. Falam muito mais do que os entrevistados. Dão palpites, opiniões, interrompem o indigitado interlocutor e expõem ao ridículo o trabalho jornalístico. Melhor que se candidatassem…

Intervenção já

Coube ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, alimentar com sólidos argumentos a necessidade de o Supremo Tribunal Federal aprovar rápido a intervenção federal em Brasília. Realmente, foi uma farsa a eleição indireta de mais um governador de Brasília. Afinal, foram os deputados distritais envolvidos na lambança do mensalão que deram a vitória ao eleito, depois de mil manobras e acordos tão podres quanto o dinheiro recebido nos tempos de José Roberto Arruda e Joaquim Roriz.

Brasília continua um caos, destroçada em sucessivos aspectos de sua vida diária. Na próxima semana a mais alta corte nacional de justiça reúne-se sob nova administração. César Peluso assume sua presidência hoje, aceitando-se natural que Gilmar Mendes, saindo, tenha preferido deixar a decisão para o sucessor. Semana que vem poderá sair uma decisão a respeito do pedido de intervenção.

Globo retira propaganda para não repetir 1989

Pedro do Coutto

A direção da Rede Globo, a meu ver agiu certo ao retirar do ar a propaganda promocional pelos 45 anos da emissora, uma vez que dirigentes do PT identificaram semelhança com símbolos da campanha de José Serra. Interpretaram como um lance subliminar usado, aliás, na reta final da sucessão de 89, quando o então diretor de telejornais, Alberico Sousa Cruz, editou a seu modo o último debate nacional entre Fernando Collor e Lula.

Alberico Sousa Cruz selecionou os melhores momentos de Collor, colocando-os em confronto com os piores instantes de Lula. Foi um escândalo a 48 horas das urnas. Uma propaganda mais que subliminar, até de efeito decisivo para o destino da sucessão. Claro que o então diretor de telejornais só pôde fazer isso porque Luís Inácio da Silva não tinha ido bem no debate derradeiro, dirigido por Marília Gabriela, com imagem gerada na Rede Manchete.

Nesse debate, nem Lula, nem qualquer dos jornalistas participantes cobraram de Collor a utilização sórdida de depoimento da Sra. Miriam Cordeiro, que recebeu para dar um depoimento sobre episódio de um passado distante envolvendo o nascimento da filha Lurian. Mas esta é outra questão.

O fato é que a Rede Globo não poderia ter agido da forma com que agiu, sobretudo depois do exemplo do caso Proconsult, ocorrido em 82, quando Brizola foi eleito governador do Rio de Janeiro. Armando Nogueira, diretor de Jornalismo nos dois episódios, foi demitido pelo diretor-presidente das Organizações Globo no início de 1990, logo após a posse de Collor. Numa entrevista a Isto É, Armando Nogueira fez várias críticas à atuação de Roberto Marinho, inclusive no episódio do Riocentro, quando a reportagem filmou a existência de uma segunda bomba no carro do hoje coronel Wilson Machado, o que inviabilizaria a tese de um acidente. A edição das 13 horas mostrou a segunda bomba. Esta segunda bomba desapareceu da tela do Jornal Nacional, o de maior audiência, que começava (e começa) às 20 horas e 15 minutos.

Com base certamente nesses precedentes, a Globo evitou envolver-se em novo conflito em torno de campanhas e resultados eleitorais. Foi a decisão final. Mas quem propôs e formulou a sequência comemorativa com a participação de artistas do seu amplo elenco de qualidade inegável? Inclusive porque ela chegou a começar a ser veiculada no domingo que passou, para ser suspensa na segunda-feira pela manhã. A idéia, portanto, como se constata, teve a duração de uma rosa.

Os canais de televisão são concessões do poder público. Assim, não devem agir para acrescentar à campanha de qualquer candidato. Muito menos de forma subliminar, espécie de forma inclusive proibida pela legislação. Porém usada algumas vezes. Em 94, por exemplo, quando o presidente Itamar Franco empenhou-se pela vitória de Fernando Henrique Cardoso sobre o Lula do passado, como maneira de destacar a importância do Plano Real, principal bandeira do candidato, o governo reduziu o preço da gasolina nas bombas de abastecimento. Eis aí um exemplo de uma ação assumida para gerar efeito paralelo em outra área, no caso as urnas do confronto.

Na mesma ocasião, outro exemplo de propaganda subliminar: a Revista Veja, para acentuar o efeito do Plano Real, diminuiu o preço nas bancas e nas assinaturas. Luís Inácio Lula da Silva estava sendo cercado por todos os lados. Foi a sua segunda derrota. Perderia mais uma vez, em 98, antes das vitórias de 2002 e 2006. Agora está no poder. Em tal condição, os autores da idéia mal-sucedida na própria rede deveriam ter avaliado melhor as conseqüências. Pois os atos humanos, de modo geral, não se esgotam neles próprios. Têm reflexos e desdobramentos, consequências. Reflexo negativo, neste momento, é o que menos interessa à Globo.


Jobim viaja para a Itália com tudo pago, para homenagear “pracinhas”

O ministro da Defesa, que nem era nascido na época em que brasileiros se destacaram na Segunda Guerra, por que vai lá?

Não era mais justo, mas certo e esclarecedor, enviar alguns que lutaram de verdade, heróis mesmo, que ainda estão vivos e ativos?

Jobim, como aconteceu em todos os cargos que ocupou e deslustrou, quer apenas satisfazer seu ego colossal.

O Flamengo merecia perder

Dependendo de hoje, perdeu mesmo. Mas ser envolvido e dominado por adversário que não ganhou de ninguém, é incompreensível. Os dois gols do time da Venezuela não podiam ter entrado, não fosse o colapso da defesa.

Por isso, o mais elucidativo, explicativo e definitivo está na excelente manchete do caderno de esportes do Globo: “CARACAS“. Ha!Ha!Ha!

TV Record mergulha o Rio no caos evangélico, a TV Globo silencia, é o acordo

Depois do dilúvio dos céus, em forma de temporal, novo dilúvio no Rio, segundo seus organizadores, também do Céu, só que “evangelizado”. Um milhão de pessoas nas ruas, e os “administradores” (Nossa Senhora), brigando para mostrar quem era o mais desinformado.

Eduardo Paes, o prefeitinho, de tremendo e violento oposicionista de Lula, passou a subalterno e imitador: “Ninguém me dissse nada”. Inacreditável, mas rigorosamente verdadeiro.

O Secretário da Ordem Pública (?) afirmou: “Eu soube do evento pelos jornais”. Não é possível tanta desinformação, e pior ainda, que venha proclamar tanta ignorância.

Mas o assombro não termina aí. Depois da devastadora campanha da Globo contra a Record, fizeram um acordo de não proliferação de armas nucleares: os canais de televisão. Assim a Globo desconheceu inteiramente nos seus canais mais importantes, o que acontecia no Rio.

O Jornal Nacional, Bom Dia, Brasil, Jornal das 10 e o próprio RJ, que é do Rio,nem uma linha ou palavra sobre o caos e o engarrafamento da cidade.

O jornal O Globo, deu na primeira uma nota sobre o fato, mas é preciso lembrar: o jornal impresso não chega a 1 por cento da audiência da televisão, aberta e pro assinatura.

A Caixa Econômica Federal favorece e ajuda Silvio Santos, por que ficava só na Globo?

A organização Globo privilegiadíssima pelo governo Lula. Desde o primeiro, começado em 2003. Mas no segundo, a partir de 2007, Nossa Senhora, a Globo foi sócia do Tesouro Nacional. Recebeu bilhões e bilhões. Sem reciprocidade, fingindo que apoia, mas na verdade, apenas faturando.

Agora, o governo Lula, em plena campanha, decidiu que precisa diversificar a distribuição de dinheiro. E deu (ou doou?) dinheiro para Silvio Santos. (A Organização leva colossal vantagem pelo fato de ter tudo em matéria de comunicação, e muito mais, fora desse setor).

Em matéria de comunicação, Silvio Santos nem conta, tem apenas um canal cada vez com menos audiência, sem informação ou opinião. Em São Paulo é o quinto em visibilidade, foi ultrapassado por todos,

(O que chegou a embalançar e revoltar a Globo foi o crescimento do “canal evangélico”, que valeu campanha de semanas. Só interrompida por um acordo “de última hora”, que serviu aos litigantes, que palavra).

Como quase todos (esse quase é mera denominação) os exploradores da comunicação, Silvio Santos tem muitas empresas fora da televisão. E foi através de uma delas, o Banco Panamericano, que a Caixa Econômica desviou dinheiro bom para um negócio ruim. Não apenas ruim, mas inexplicável.

Vejam que favorecimento inútil: a Caixa Econômica comprou do Banco Panamericano, em duas operações, inicialmente 64 milhões e 600 mil ações. E a seguir, mais 24 milhões e 700 mil ações. Esse total, representa apenas 35,5% (trinta e cinco e meio por cento) do total de ações desse banco.

Agora quem quiser que comente ou explique o que não consegui entender: por que a Caixa Econômica ficou com um terço das ações desse banco e o que vai fazer com isso?

A Caixa está seguindo o que foi feito pelo Banco do Brasil, que utilizou 15 bilhões de reais para “comprar” 49 por cento das ações do Banco Votorantim, do senhor Ermírio de Moraes. Esse senhor não atua na comunicação, mas é tão aproveitador e explorador quanto os que atuam.

Não deixava de espinafrar os banqueiros, como se fosse melhor do que eles. Era uma espécie de Eliezer Batista, acumulava fortunas com minérios. Não explorava, não agregava valor, não exportava, e quando resolvia vender, favorecia a suas empresas e os importadores (multinacionais, lógico), era o que lhe interessava.

***

PS – É visível que a compra de um terço do Banco Panamericano, deve ter sido instigada pela própria Globo. Assim, pode aumentar seu cacife de benesses financeiras, sem protestos de empresas do mesmo setor.

PS2 – E naturalmente os benefícios dados à Globo, são muito mais colossais. E aumentam o Poder e a capacidade de manter o controle da TV Globo de São Paulo, a maior faturadora. Que nunca lhe pertenceu.

O PMDB já não tao firme com Temer

Ninguém consegue explicar a permanência do “jurista” presidente da Câmara, presidente do partido e que agora quer ser vice-presidente. Da República. Lula cansou dele, deixou isso bem claro, conseguiu “embalançar” a força de Temer no partido.

Alguns querem ir de Serra, outros preferem o candidato próprio, que seria Requião. mas Temer garante que o vice será ele, e chega a afirmar: “Com outro nome que não o meu, Dilma não será eleita”. Ha!Ha!Ha!

Quem viajou com milhagem, fica esperando na Europa

Desembarcam hoje no Brasil os primeiros passageiros que estavam em Paris. Mas tiveram que ceder a uma chantagem ou extorsão das companhias aéreas: a prioridade era para quem tivesse pago a passagem em dinheiro e não nas famosas “milhagens”.

Mas as empresas fizeram a proposta: quem comprar uma passagem agora, viajará imediatamente e não perderá as “milhagens”. Que ficarão para outra viagem, quando a procura não será tão grande. Quem tinha recursos aceitou a intimação-intimidação. Diante da ameaça de que ficariam mais uns 15 dias, fora os 7 ou 8 que já se passaram, pagaram. Uma vergonha. E completa desonestidade.

Brasília: 54 anos de corrupção em 50 “existindo”

As televisões e os jornalões, badalaram à vontade a “fundação da capital”. Tudo falso e fraudado. No noticiário, exaltação não se sabe a quê, nem elogios ao povo, nem condenação aos que governaram (?) Brasília nesses 50 anos.

Era o que se esperava de “opinião e informação” de quem se aproveitou o máximo da NOVA CAPITAL. E surrupiou o direito do povo de se manifestar. O grande oprimido, não teve direito a coisa alguma.

Magia negra contra Tancredo Neves?

Carlos Chagas

Os 25 anos da morte de Tancredo Neves continuam fazendo aflorar na memória uma série de episódios fundamentais para a compreensão da Nova República. Uns claros, outros ainda cercados de mistério. Vai o relato de um deles.

Naqueles idos,  entre março e  abril de 1985, com o presidente eleito internado num hospital de São Paulo e já submetido a seis operações, diminuía a expectativa de que pudesse recuperar-se. Mesmo assim, as esperanças continuavam.

Em  Brasília, José Sarney governava interinamente, com  o ministério antes escolhido por Tancredo.

Francisco Dornelles era ministro da Fazenda, nossa amizade vinha de longe. Quase todos os dias trocávamos informações sobre a saúde do presidente.  Certa manhã recebo dele uma intimação: “Venha imediatamente ao meu gabinete, aqui na Esplanada.”

Fui. O gabinete estava vazio mas logo surge o ministro, de uma pequena porta ao lado. Pegando-me pelo braço, entramos numa pequena sala onde, sentados num sofá, estavam dois senhores de aspecto modesto, paletó sem gravata e  camisa abotoada no colarinho.  Meias brancas com sapatos pretos.

Dornelles  apresentou-me  como amigo, dizendo tratar-se de dois monges que há dias tentavam comunicar-se com ele. Recebeu-os naquela manhã, quando disseram pertencer a um mosteiro no interior de Goiás. Tinham vindo à capital federal  informar o ministro e sobrinho do presidente que Tancredo estava sob os efeitos de um forte trabalho de magia negra.  Como eram cultores da magia branca, punham-se à disposição para desfazer o mal.

Na presença dos monges, o ministro falou não haver acreditado numa palavra daquela história e já ia mandá-los embora quando um deles atalhou, pedindo para demonstrar o que diziam. Disse que no apartamento particular de Tancredo, numa das superquadras do Plano Piloto, estavam as provas do tal “trabalho”.  Como se estivesse no ministério outro sobrinho do presidente, Gastão Neves, primo de Dornelles, foi pedido que acompanhasse os monges.

Nessa altura do relato que o ministro me fazia, ele aproximou-se de uma pequena mesa redonda, coberta por um lençol,  que abriu e acentuou: “Veja o que eles acharam dentro do travesseiro do Tancredo”.

Um dos objetos era um boneco rústico, desses que a gente vê em filmes de vudu, todo espetado por alfinetes.  O outro era um terço, tão a gosto das beatas, mas formando o perfil de uma cabeça humana.

Não entendi nada. Dornelles contou que na presença do Gastão os monges haviam ido pouco antes ao quarto de dormir de Tancredo e logo,  com um canivete, abriram o travesseiro e retiraram as duas peças, que levaram ao ministério.

Fazer o quê?  Foi quando um dos monges explicou estar ali a evidência do falavam. Havia apenas uma forma de desfazer o malefício: levar os dois objetos e colocá-los debaixo de uma queda d’água natural, o mais próximo possível de Brasília, e serem levados, os dois, ao quarto de Tancredo, no hospital paulista, para orações.  Junto com o primo Gastão, encontraram pequena cachoeira de água límpida, nos arredores do entorno da cidade.

Enquanto isso, quando ainda estávamos na salinha, Dornelles tomou a decisão. Disse que continuava não acreditando em nada, mas, por via das duvidas, tomaria providências.  Telefonou para o delegado Romeu Tuma, encarregado da segurança de Tancredo, no hospital de São Paulo, dizendo-lhe estar enviando dois amigos no jatinho particular do ministério. Encareceu a Tuma que os  recebesse no aeroporto e fizesse o possível para atender-lhes os pedidos.

É claro que era proibido entrar no quarto de Tancredo, transformado em UTI. Os monges contentaram-se em ficar o mais próximo possível do ilustre doente. Tuma encontrou a solução colocando-os um andar acima,  num quarto exatamente sobre o quarto de Tancredo. Lá, passaram a noite rezando.

Todos os dias a equipe médica que atendia o presidente divulgava um boletim, lido pelo professor-doutor chefe das operações hospitalares. Naquela tarde, um dia depois da passagem dos  monges por Brasília, o país inteiro teve suas esperanças renovadas. Depois de anteriores e seguidas informações pessimistas, o médico anunciou que Tancredo havia tido sensível melhora, na pressão sanguínea e outros exames.

Eu estava em meu local de trabalho quando o telefone toca. Era Dornelles, que emocionado comenta: “Você viu? Não acredito, mas como desconhecer o que aconteceu?”

Semanas depois Tancredo morreu. Os monges sumiram, internando-se  no mosteiro misterioso, tendo destruído o boneco e o terço. Concluí, apenas, que entre o céu e a terra existem coisas que nossa vã inteligência não explica…

Média móvel é apenas indicador do segundo turmo

Pedro do Coutto

O jornalista José Roberto de Toledo publicou um trabalho de análise eleitoral na edição de 19 de abril de O Estado de São Paulo, atribuindo importância ao que classificou de média móvel dos candidatos, método –frisou – muito usado pelos institutos norte-americanos para avaliar tendências quanto à intenção de voto. O critério de média móvel, assim, acompanha todos os lances e momentos da campanha. É estabelecido para identificar tendências e avaliar se elas são permanentes ou não.

Dentro do conceito de mobilidade adotado por Roberto de Toledo, José Serra alcança a média de 34,9 pontos contra 30,5% em favor de Dilma Roussef. Uma diferença, portanto de 4,4 pontos. Tal diferença colide com o mais recente levantamento do Datafolha, que assinalou 38 para o ex governador contra 28% da ex chefe da Casa Civil. Interessante o sistema de média móvel, mas ele funciona mais fortemente como indicador nas eleições que decidem em um turno só, as dos Estados Unidos, por exemplo. Não quando as regras como a do Brasil, prevêem um turno só quando um dos candidatos atinge a maioria absoluta dos votos nominais válidos na primeira etapa. Entretanto, seja por qual sistema de análise for, em nosso caso o panorama está definido para uma decisão final no segundo turno. E este segundo turno, está mais do que claro, colocará em confronto José Serra e Dilma Roussef.

Nem Marina Silva, nem Ciro Gomes, têm condições de quebrar a tendência invariável revelada por todas as pesquisas. Não houvesse a candidatura Marina Silva, que chegou a 10% das intenções de voto, Dilma Roussef estaria hoje pelo menos empatada com Serra. Marina Silva absorve votos que não fosse sua presença no quadro sucessório iriam para Roussef. Podem inclusive ser decisivos no desfecho final.

Já Ciro Gomes retira votos tanto de Serra quanto de Dilma. Mais um pouco de Serra. Porém, por sua capacidade de exposição política, afinal é um deputado que se elegeu com 600 mil votos pelo Ceará, Ciro pode acrescentar muito a Dilma caso, é claro, não seja impedido por seu próprio partido, o PSB, de concorrer na primeira fase. Se não disputar o primeiro turno, pode até se desinteressar do segundo. De qualquer forma, em matéria de desfecho final, Ciro só pode tender mais para Dilma, do que para José Serra, de quem é adversário declarado e total.

O sistema de média móvel, assim, só terá mesmo eficácia no segundo turno. Não no primeiro, turno de classificação, cujos nomes dos classificados já são de muito conhecidos. Se o PSB negar a legenda a Ciro, terá cometido um erro enorme, sobretudo porque, com Ciro, seu poder de barganha para o segundo turno será muito mais ponderável do que sem o ex-governador do Ceará.

A presença de Ciro ao lado de Dilma no desfecho derradeiro possui inclusive importância fundamental para o resultado final das urnas. Pois uma coisa é apoiar alguém com firmeza e disposição, outra é formalizar apenas uma adesão fria e distante. Nesta segunda hipótese, inclusive, cai o potencial de votos que um possa transferir a outro. No caso específico, a transferência de uma percentagem de votos de Ciro para Dilma Roussef.

Ciro Gomes e Marina Silva, vale acentuar, são fatores capazes de funcionar como agentes decisivos tanto para a vitória de uma como para a vitória de outro. A análise política do quadro sucessório deve ser feita a partir desse patamar, uma vez que todos sabem muito bem que os 132 milhões que compõem o eleitorado brasileiro vão ter que escolher, no segundo turno, entre o ex-governador de São Paulo e a ex-ministra do governo Lula. E o potencial de votos transferíveis de Lula funcionará ou não no desfecho derradeiro? São Perguntas que só a realidade poderá responder.

Brasília em festa pelos 50 anos, (esquecidos os 4 anos de antes) o festival de hipocrisia e mordomia. O Rio de luto, pelo ostracismo imoral

Só se fala nos 50 anos de Brasília, nenhuma palavra sobre o infortúnio do Rio-capital, mais do que infortúnio de uma cidade, desgraça nacional. E mais grave ainda: falam nos 50 anos de Brasília, contando de 21 de abril de 1960 a 21 de abril de 2010, hoje.

Esquecem que Brasília foi oficializada nesse 21 de abril sempre trágico, (Tiradentes, Tancredo, Brasília, três tragédias históricas e inesquecíveis), mas começou a surgir em 31 de janeiro de 1956, com a posse de Juscelino. No mesmo dia em que chegou ao Poder, assinou o primeiro ato de transformação de Brasília numa realidade que seria asfixiante, deprimente, alarmante, e que poucos perceberam.

Esse 21 de abril de 1960 foi precedido e contaminado pelo temporal-devastação que teve um nome ruinoso, ruidoso, desastroso: Novacap. Foi ali que tudo se iniciou, se complicou, destroçou o que se chamaria de Nova Capital, que deu lugar a essa sigla amaldiçoada, sintetizada como NOVACAP.

De 31 de janeiro de 1956 (posse) a 21 de abril de 1960 (mudança), tudo se prostituiu. Durante esses 4 anos, 2 meses e 20 dias, o dinheiro do cidadão-contribuinte-eleitor voava (literalmente), enriquecendo empreiteiras, construtoras, intermediários, e todos que se acumpliciavam com essa construção, que ganhava o rótulo de SALVAÇÃO NACIONAL.

O lugar-comum mais badalado: a mudança da capital para o Oeste, seria a grande REVOLUÇÃO que libertaria o Brasil, iria transformá-lo em potência mundial, em país unido, respeitado e glorificado. E ninguém ousava contestar a afirmação, nem chamar a atenção para aquele deserto enorme, que seria dividido por milhares de aproveitadores, que se chamavam de DESBRAVADORES.

E realmente tudo teve início com a APROPRIAÇÃO da Novacap e a DESAPROPRIAÇÃO do deserto, que foi DOADO, (Ah! FHC) para aventureiros de todas as espécies, que começaram a transferência da capital que sempre foi, para um deserto que jamais seria.

Então, assombrosamente, surgiram as construções miraculosas, foi MILAGRE MESMO, negativo, mas não há outra palavra. Além de DOAR os terrenos desse deserto silencioso que passou a suntuoso, a NOVACAP providenciava tudo.

Terra, areia, tijolo, madeira, ferro, cimento, pedra, tudo, tudo era transportado de avião, que mais ou menos há 10 anos havia se imposto no mundo. Aqui a aviação mal “engatinhava”, mas transportava o imprescindível.

E água, até água ou a necessária água, era levada para o deserto de avião. E a propósito de água, não nos esqueçamos: Lucio Costa teve a percepção, a intuição e a satisfação de perceber que aquele deserto mataria por sufocação toda a possível população, ninguém resistiria. Teve então a ideia do lago. Em volta dele se fixariam os milionários da NOVACAP, mas salvaria a todos.

Jamais se saberá quanto custou Brasília. A NOVACAP contratava e enriquecia muitos, menos CONTADORES ou CONTABILISTAS. Como se saberá o que foi necessário jogar nessa fogueira que surgia (ou morria no nascimento) desse incêndio ético e perdulário que foi e é Brasília.

Depois desse tempo que citei, JK assinou no dia 21 de abril de 1960, a criação de Brasília como capital e o Estado da Guanabara como substituto do então Distrito Federal. E como Juscelino era visceralmente provinciano, compradesco e privilegiador, quem nomeou governador dessa Guanabara que surgia? Sette Câmara, seu chefe da Casa Civil, que fazia 40 anos naquele dia, diplomata de carreira, ministro de segunda, no mesmo dia promovido a ministro de primeira (embaixador quando vai para o exterior).

Aí começaram efetivamente os 3 ou 4 anos dessa “Ilha da Fantasia”. Brasília era um projeto de cidade, uma irrealidade em termos de construção, mas já se montava o esquema de corrupção que hoje completa 54 anos. E não se salvará jamais, não há forma de recuperar o que foi plantado indevidamente naquele deserto da maldição.

Então, veio a enganação geral. O mais comum: “Aqui será a Praça dos Três Poderes”, “ali será a CASA OFICIAL do presidente do Senado”, um pouco mais distante, “a residência do presidente da Câmara, do Supremo”.

Não esqueceram nem a extraordinária granja para o vice-presidente, para o ministro da Fazenda, e mais e mais.

(Em 27 de julho de 1963, cheguei preso a Brasília, bem antes do golpe de 1964. Seria julgado no dia 31, pediram 15 anos de prisão para mim, pela Lei de Segurança. O resultado ficou empatado em 4 a 4, era o julgamento do ódio contra a verdadeira liberdade. Só estou lembrando isso, o maior julgamento de Brasília até hoje, pelo fato de não haver espaço para coisa alguma, principalmente para decisão como essa).

***

PS – Disse que ninguém sabe quanto custou a construção de Brasília. E a manutenção diária desse delírio do desperdício? Quanto se gasta com as despesas de todas as “casas oficiais”, abertas graciosamente para café da manhã, almoço, jantar e o que quiserem?

PS2 – E os ANEXOS da Câmara e do Senado, quanto custaram para a construção e para a manutenção? Senadores mais prestigiados, têm até três gabinetes. os menos importantes, têm 2. Idem, idem para a Câmara.

PS3 – E as mordomias colossais, que a partir de 31 de janeiro de 1961 tinham como justificativa (?) atrair habitantes para Brasília, se transformaram em permanentes? Nem quero falar na CORRUPÇÃO colossal, essa é INAVALIÁVEL.

PS4 – No Rio-capital-Distrito Federal, não havia nada disso. Ninguém tinha casa oficial, a Câmara não tinha nenhum anexo, o Senado também, mas as sessões eram memoráveis. Nada de 12 funcionários para cada senador, praticamente a mesma coisa para deputados.

PS5 – Brasília nao tem salvação. Fora de Brasília não há solução. Como mudar uma cidade que não foi construída e sim soterrada? É a capital mais linda e mais inútil do mundo.

PS6 – Depois de 1964, Brasília ganhou ares de capital da corrupção, tudo se localizou ali. Mas na verdade, a COMEMORAÇÃO NÃO DEVIA SER HOJE E SIM NO DIA 31 DE JANEIRO DE 1961.

PS7 – Não adivinhei nada. Mas assim que Juscelino anunciou a MUDANÇA DA CAPITAL, rompi com ele. Dirigi sua campanha, um ano maravilhoso correndo o país todo, 1 mês com ele no exterior, sendo recebidos por presidentes, reis e rainhas, primeiros-ministros do mundo ocidental, passei imediatamente para a oposição. Nunca me arrependi, o próprio Juscelino não poderia dizer o mesmo.

Rogerio Rosso, novo “governador” de Brasília, o mesmo que Arruda e Roriz

Vergonha, vexame, ultraje, confronto com a dignidade, desafio à opinião pública, acrescentem o que quiserem. 8 meses e 12 dias que o cidadão-contribuinte-eleitor terá que viver a angústia de saber quem é o mais corrupto. Roriz, que “renunciou” a 7 anos e meio do Senado? Arruda, que fez a mesma coisa, teve a segunda chance e jogou fora? E agora esse Rosso, tão demoralizado quanto os outros?

Ainda não foi apanhado, mas é tão desacreditado, desprestigiado, desprezado, que foi escolhido com base nessas três palavras. E um conceito-expressão: “Ele é um dos nossos”. É inacreditável. Ou fazem a intervenção ou Brasília irá de Rosso em Rosso, de Arruda em Arruda, de Roriz em Roriz.

A verdade sobre o vice Alencar

Ao contrário do que dizem, Lula não teve nada com a permanência de Alencar no cargo. Lula queria que o vice saísse, por dois motivos. 1 – Daria uma canseira em Michel Temer, toda vez que Lula viajasse, o presidente da Câmara teria que atravessar a fronteira, para não ficar inelegível. 2 – Com Alencar candidato a governador, Aécio teria que disputar uma vaga no Senado, para fortalecer seu candidato a governador.

Romero Jucá, medo do amanhã

Seu mandato de senador acaba agora. Em 2006 foi derrotado para governador. Apesar de líder de FHC e de Lula, das investigações (certíssimas) sobre irregularidades e de serem duas as vagas no Senado, pode não voltar. Alguém irá chorar pela ausência?

O solitário Gabeira

Depois do sucesso que foi a candidatura a prefeito, (só faltou ganhar) ficou entre ser governador ou senador. Tinha a senatória certa, fez a opção do Guanabara, insucesso garantido.

Agora, perde tempo e se desgasta, redigindo a renúncia aos dois cargos. Ficará novamente deputado. E o Estado do Rio entre cabralzinho e garotinho. Algum comentário?

Outro que perdeu tudo,
o ex-ministro da Previdência

José Pimentel saiu do governo de Lula dizendo: “Serei senador ou governador do Ceará. Será deputado federal, e olhe lá.

Aécio morderá a isca?

Carlos Chagas

Resta saber se Aécio Neves vai  morder a isca, porque o anzol lançado por José Serra continua na água. Fala-se da proposta do candidato tucano de acabar com a reeleição e de dar aos presidentes da República cinco anos de mandato. Com um jeitinho Serra poderá acrescentar  que  a extensão do período presidencial não valerá para ele, se for eleito em outubro, mas para o sucessor, ou seja, Aécio, caso aceite ser agora o seu companheiro de chapa.

A sugestão não é nova. Volta e meia faz parte das considerações de políticos, mas sempre de forma casuística, visando algum interesse. Houve tempo em que o PT se insurgiu contra a reeleição, por coincidência quando  Fernando Henrique Cardoso conseguiu arrancá-la do Congresso e foi disputar o segundo mandato, apesar de eleito apenas para o primeiro. Foi só o Lula vencer em 2002 para os companheiros voltarem atrás, dizendo-se desde criancinhas partidários da reeleição. Agora, depende: caso vença Dilma Rousseff, manterão o apoio. Ganhando José Serra, estarão aplaudindo a oferta feita por ele ao ex-governador de Minas, de modo a que o Lula possa disputar a eleição de 2014.

Importa menos a tradição republicana que sempre proibiu a reeleição de presidentes da República. De Deodoro da Fonseca a Itamar Franco, nem se discutia a hipótese, tida como inadequada, capaz de favorecer a corrupção, dada a abominável prática de os mandatários não precisarem desincompatibilizar-se. Disputar um mandato no exercício de outro é piada, com o poder nas mãos e o Diário Oficial nos pés.  Uma vergonha, realmente, da qual não se livrarão tucanos e companheiros, tão distantes na política  mas unidos na lambança.

Baixarias em alta

Escorregou José Serra ao dizer que o PAC não passa de uma lista de obras, a maioria não realizada. Apesar de toda a promoção desmedida do governo, a proposta encantou empresários e desempregados, contribuindo para oxigenar a economia. Claro que razão existe quando se nota o ritmo lento de parte das realizações, mas não dá para negar a excelência do programa.

O diabo é que Dilma Rousseff não se emenda. Não precisava responder ao disparate do adversário, mas não conseguiu conter-se. Horas depois da afirmação de Serra, a candidata retrucava de forma grosseira, rotulando-o de “biruta de aeroporto”. Também  inventou haver  o tucano chamado o bolsa-família de bolsa-esmola, definição jamais pronunciada  por ele.

Em suma, o duelo de baixarias prossegue, ao tempo em que os dois pretendentes ao trono continuam devendo definições fundamentais sobre seus planos de governo.

Correndo por fora

Enquanto PT e PMDB encaram-se até com raiva, no Rio Grande do Sul, com Tarso Genro e José Fogaça disputando o palácio Piratini, quem parece estar crescendo é sua inquilina,  a governadora Yeda Crusius.  Depois de um período na baixa, o governo dela começa a apresentar resultados positivos na economia gaúcha.  Por enquanto é cedo para previsões definitivas, mas,  continuando as coisas como vão, três candidatos disputarão quem vai para o segundo turno.

Tragédia digna de Shakespeare

Nem Tiradentes nem os cinqüenta anos de Brasília conseguem retirar do dia de hoje seu impacto  maior, quando se reverencia a morte de Tancredo Neves.

Por três vezes balançaram as estruturas nacionais, nos tempos modernos: quando Getúlio Vargas deu um tiro no peito, quando Costa e Silva, doente, viu-se usurpado na presidência da República por uma junta militar, e quando Tancredo Neves, horas antes de empossado, foi recolhido a um hospital e morreu sem poder assumir.

Passados 25  anos da inauguração da Nova República,  nem por isso diminuíram  o  choque e  a frustração nacional.   Recomenda-se aos jovens que nem tinham nascido, ou engatinhavam àquela época, tentar assistir documentários e recuperar imagens da comoção que atingiu o país. Afinal, era a esperança que se diluía na tragédia, expressa nas manifestações da população.

Teria a História sido diferente, caso o presidente eleito tomasse posse e governasse? Provavelmente não, mesmo  prevalecendo  a evidência de serem os homens a mola-mestra dos processos políticos.

Dilma tem pouca comunicação com as mulheres

Pedro do Coutto

Reportagens de Fernando Canzian e Fernando Rodrigues publicadas na FSP de domingo sobre detalhamentos da pesquisa do Datafolha, divulgada no sábado, destacam aspectos interessantes que formam o resultado hoje das intenções de voto para presidente da República que apontou 38 pontos para José Serra e 28 por cento para Dilma Roussef. São detalhes importantes, talvez essenciais, para o desenrolar da campanha sucessória.

or exemplo: entre os homens, resultado médio de todas as regiões, Serra alcança 38 contra 33 de Dilma. Entre as mulheres, no entanto, a diferença em favor do ex-governador de São Paulo passa a ser muito maior: 38 a 22. No primeiro segmento, como observamos, a distancia é de cinco pontos. No segundo, é de dezesseis degraus. O que pode explicar isso? Aliás, fenômeno raro em política a falta de convergência estatística entre eleitores e eleitoras.

A única hipótese viável para o entendimento de tal raridade numérica só pode residir na falta de comunicação mais efetiva entre a ex-chefe da Casa Civil e as mulheres. Sua linguagem e sua mensagem ainda não conseguiram sensibilizar a opinião pública feminina. Como fazer isso é a questão colocada para os magos do marketing eleitoral. Às vezes não é nada complicado. Basta uma palavra mais simples e, por isso mesmo, mais motivadora. Ela não falou até agora ao coração das mulheres. Talvez por sua postura demasiado tecnocrática. Não atingiu as mães de família, as donas de casa, as mulheres comuns que lutam para sustentar e dar ensino a seus filhos. O caminho me parece ser por aí.

A política – para lembrar o conceito de De Gaulle – é algo extremamente complexo. Porém todas as suas formulações têm que ser claras. Política é uma ação firme e forte em torno de idéias claras e simples, acrescentou quando em 65 foi eleito pelo voto direto, no segundo turno, derrotando Mitterrand.

Analisando-se com frieza e objetividade os resultados setoriais do levantamento do Datafolha, verificamos uma surpresa: Dilma perde para Serra, por 34 a 25, nas classes D/E, as de menor renda e que, segundo a empresa da Folha de São Paulo, pesam 30,8 por cento do eleitorado. Uma contradição, pois é exatamente nestes grupos que o presidente Lula obtém seus melhores índices de aprovação. Isso de um lado. De outro, revela que a pesquisa de intenção de voto, a partir do momento em que Lula se empenhar mais claramente, quando no período de propaganda na televisão, pode apresentar mudança substancial. Pois os segmentos de menor renda mensal (de 804 a 1.115 reais por mês) ainda não fixaram a imagem de Roussef como candidata do presidente. Fenômeno cultural e de fato natural, tipicamente brasileiro.

Na classe C, que engloba 53 por cento dos eleitores (renda mensal de 1.115 a 4.807 reais), Serra leva a melhor por 36 a 28. Nas classes A/B, as de renda mensal melhor, o ex-governador bate a ex-ministra por 37 a 28. É difícil mudança nesta faixa social, com peso de 15,6 por cento do total do eleitorado. São os que recebem acima de 4,8 mil reais por mês. Neste ponto, considero pessoalmente uma inclusão um pouco forçada. Afinal de contas, uma pessoa que ganha mensalmente em torno de 5 mil reais não deve ser considerada de classe média. E as despesas com alimentação, saúde, educação dos filhos, com moradia? Seja como for, é a mais bem situada na escala sócio econômica. A tendência do grupo é votar em Serra. Da mesma forma que a tendência, ainda não registrada de votar em Dilma, terminará predominando nas classes de renda mais baixas. Exatamente por isso é que o quadro atual, apontando vantagem para Serra, não está consolidado. O tempo vai esclarecer.

Vitalmiro-fazendeiro-bandido, que mandou matar a missionária Dorothy Stang, não demora preso

No primeiro julgamento, condenado a 30 anos. Naquela época, qualquer condenado a mais de 20 anos, tinha direito ao chamado “julgamento de protesto”. Absurdamente foi absolvido, o Ministério Público recorreu, voltou aos 30 anos de condenação.

Agora acabaram os julgamentos, está preso. Mas pela “progressão da pena”, sairá em 5 anos, Alegará bom comportamento, já esteve preso algum tempo, não demora e volta às ruas.

E os CRIMES HEDIONDOS? Se algum crime merece esse título, não há dúvida que o fazendeiro-bandido é um desses. Hediondo, da prepotência, da ditadura do dinheiro.

Ah! Pedro Simon

Perda de tempo, o que é triste e melancólico para um homem como você, acreditar que o novo “governador” pode “mudar e modificar tudo em Brasília”. Ah!, senador, ele foi indicado, escolhido e empossado, precisamente para não fazer nada. De Roriz a Arruda, todos dizem, “ele é um dos nosso”. Como acreditar que pode moralizar, Simon, se Rosso é “um deles”?.